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Ser músico e ter viajado por esse imenso Brasil são dádivas que agradeço todo dia ao Papai do Céu! Ter colecionado experiências e conhecido os mais variados tipos de malucos acabaram fazendo de ...

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Trivium: Capítulo 3 – Palavras Atributivas: verbos, advérbios e adjetivos (parte 5)
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Ainda bem que o U2 pegou um avião e foi pra puta-que-pariu! Eu já não aguentava mais, cara! Te juro que se eu visse o Bono Vox mais uma vez no Jornal Nacional ou na droga de um palanque qualquer ...

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Lição De Vida

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Luciano Pires -



LIÇÃO DE VIDA 



Vivi dias atrás uma das experiências marcantes em minha vida, ao promover a edição de meu livro BRASILEIROS POCOTÓ, em Braille. São raras as obras de autores contemporâneos em Braille. Dá um trabalhão, custa caro e o retorno é baixo em termos de marketing. Mas eu achei que deveria fazê-lo. E fiz. Através da Escola Estadual Cônego Paulo de Nadal, de Porto Alegre, escola pública e bastante humilde, tomei contato com um grupo de abnegados que desenvolve um trabalho solitário de assistência educacional aos deficientes visuais. Visitei a escola, vi os esforços daquele grupo de pessoas dispostas a transformar as vidas dos que não contam com a visão. Foi emocionante. São pessoas que têm uma outra visão de mundo, que lutam por pequeninas vitórias que, para nós, significam quase nada.




Mandei o texto, fiz a doação do papel especial e logo tive o livro em mãos.




Então veio o evento de lançamento do livro numa feira do livro realizada na escola. Pelo celular de um amigo ouvi emocionado o grupo musical da escola entoando a Melô do Pocotó, com todas as crianças cantando em coro: “não, não quero ser um Pocotó”.  Mas o melhor foi o e-mail que recebi do professor Leopoldo, deficiente visual, que fez a revisão do livro em Braille. Olha só…




“Caro Luciano! Depois de ter o privilégio de ser o 1º Deficiente Visual a ler, em Braille, Brasileiros Pocotó, não poderia ficar omisso. Quando meus dedos deslizavam neste texto sentia que dentro de mim brotava um sentimento de satisfação, pois o texto refletia o que penso e o que por vezes já manifestei em rodas de amigos e que não tive coragem de expor em grande grupo. Quando fazia a revisão do texto em Braille, muitas vezes dentro do ônibus nos deslocamentos de casa até a Escola, freqüentemente despertava a curiosidade de outras pessoas, as quais perguntavam sobre o que eu estava lendo e eu respondia lendo, empolgado, partes do texto e comentando sobre esta obra e seu autor e ainda indicava o site para que as pessoas acessassem aos teus artigos. Um dia, fiquei tão empolgado com a leitura, que passei do ponto de descer e depois de várias tentativas em me chamar a atenção, o cobrador levantou e tocou em meu braço dizendo ´Professor, professor: não quero interromper sua leitura, mas o senhor já passou do ponto que deveria descer´. Poderia ficar horas e horas escrevendo sobre as impressões que tive com a Leitura do “Pocotó”, mas vou me limitar aqui em falar sobre a chance ímpar, com nosso grupo vocal, de fazer o solo do Melô do Pocotó (sei que tu acompanhaste pelo celular) e que fiquei emocionado porque todas as pessoas que se encontravam em nossa Feira do Livro  pediram bis e responderam em uníssono ´EU NÃO QUERO SER UM POCOTÓ´.
Um grande abraço. Leopoldo”



Pois é. E a gente acha que tem problemas…
Se o mundo acabasse agora, eu iria satisfeito.