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O Meu Polo Norte

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Luciano Pires -

Enquanto você lê este texto, estou em Murmansk, na Rússia, a bordo do “Fifty Years of Victory”, o maior navio quebra-gelos do mundo. Um navio nuclear russo. Faço parte de uma turma que terá o privilégio de ir até o Pólo Norte. Não, você leu certo: estou indo para o Pólo Norte, aquele lugar longe de tudo, gelado, inóspito, desabitado, a casa dos ursos polares, que fica no topo do mundo… Terei a oportunidade única de comemorar meu aniversário dentro do círculo polar ártico. Que chique!


Quando comecei a contar para as pessoas que eu ia para o Pólo Norte, a pergunta que mais ouvi foi esta: vai fazer o quê lá? Interessante né? Por que é que todo mundo acha que só vale a pena ir para algum lugar se for para fazer alguma coisa lá? Parafraseando o explorador George Mallory, estou indo para o Pólo Norte porque ele está lá. Ponto. Quero ter essa história para contar. Quero ter a sensação de colocar os pés num lugar onde poucos homens estiveram. Quero fazer uma viagem que custou a vida de centenas de homens que tentaram fazê-la ao longo da história. E pra quê? Pra mim, oras ! E pra depois contar para as pessoas.


Desde que retornei do Everest, em 2001, pesquisei outros destinos que proporcionassem viagens transformadoras. O Kilimanjaro, montanha mais alta da África. O Aconcágua, a mais alta das Américas. No Congo, a montanha dos gorilas. O Vietnan e o Camboja. A Antártica. O Pólo Norte… Lugares instigantes, não é? Cada um deles representando um desafio diferente, uma experiência diferente.


Em 2006 consegui ir ao Aconcágua, numa viagem acidentada mas que valeu cada passo. Depois, vários problemas atrapalharam meus planos para novas viagens. Até que em março de 2008, quando marquei a data para sair da empresa onde trabalhei por 26 anos, a mágica começou… Eu deixaria a segurança do executivo de multinacional para tocar meu próprio negócio, fazendo palestras, cuidando de um site que já virou portal, escrevendo artigos e livros… Era uma nova aventura. Insegura. Incerta. Voltei para casa com uma certa ansiedade e abri meu e-mail. Lá encontrei um prospecto para uma viagem de cerca de 20 dias até o Pólo Norte. Era o momento exato para marcar a transição em minha carreira.


A primeira reação foi: não! Agora não dá! Tenho muitas providências a tomar, coisas para organizar. A segunda foi “por quê não?”… Essa foi a pergunta transformadora. A viagem que parecia um absurdo, um despropósito, repentinamente transformou-se na opção certa para o momento certo.
“Por quê não?”…
Acho que essa é a pergunta mais importante que fazemos ao longo de nossas vidas…


O resultado é que aqui estou mergulhado numa aventura para poucos, realizando mais um sonho que me trará experiências únicas. Passarei pelas trilhas dos antigos exploradores, visitarei o Ártico no verão, verei de perto os efeitos do aquecimento global, conversarei com pessoas do mundo todo, estarei em meio a alguns técnicos e cientistas, filmarei e fotografarei tudo e quando voltar terei um tesouro sem preço: as memórias do Meu Pólo Norte.
Para muita gente isso parece pouco. Mas para mim é o fundamental.


Ah, sim, retornando à questão inicial: a resposta pra quem quer saber por que eu vou pro Pólo Norte é simples.


Porque eu quero.