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Por que Bolsonaro tende a ser considerado melhor presidente do país até 2022?
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Oh, Dúvida.

Oh, Dúvida.

Luciano Pires -


OH, DÚVIDA.



Meu texto anterior, “Não é ‘pobrema’ meu”, rendeu muitos comentários. Nele relatei o absurdo dos problemas de depredação que estariam acontecendo no recém inaugurado Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. O texto nasceu de uma nota publicada com destaque na página 6 da  “Veja São Paulo”, a Vejinha, de 26 de Abril, que teve mais de 388 mil exemplares distribuídos na grande São Paulo. A nota dizia o seguinte: 


“Lição de desrespeito. Foram necessários 3 anos e 36 milhões de reais para transformar o degradado prédio da estação da Luz no mais novo centro cultural da cidade (…) No último fim de semana em pleno feriado de Páscoa, ele precisou fechar as portas. As cerca de 12 mil pessoas que passaram por lá deram de cara com um papel sulfite colado nas grades informando que o local estava em manutenção. Já? Pois é. A culpa é de parte dos freqüentadores . Com pouco mais de um mês de funcionamento, o museu tem sofrido nas mãos (e nos pés) de jovens que pisoteiam algumas obras, riscam as paredes e colam chicletes nos computadores. Um dos principais alvos é a instalação da encenadora Bia Lessa, na qual as pessoas puxam (muitas vezes com força desproporcional) fac-símiles de originais do livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, pendurados no teto”.



Publicado o texto, começaram a surgir informações conflitantes. Recebi mails de leitores dizendo que não era assim, que o fechamento do Museu se deu para treinamento dos monitores. Outros diziam que era para manutenção corriqueira, nada de depredação. E ficou o mistério. A Vejinha errou, foi enganada ou “errou” de propósito? Alguém do Museu mentiu? Afinal, fechou no feriado por qual razão? Fui atrás apurar. E recebi por e-mail a explicação oficial, do próprio diretor do museu, Antonio Carlos Sartini:  


“Até a presente data, o Museu já recebeu 74.500 visitantes e não ocorreu algum acidente. Recebemos um público muito diversificado: jovens, crianças, alunos e professores de escolas públicas e particulares; menores assistidos pela Febem; adultos; universitários; terceira idade; estrangeiros; portadores de deficiências físicas e outros tantos. Realmente, só temos elogios ao comportamento de nossos visitantes. (…) Nos feriados da Páscoa houve a necessidade de treinamento e capacitação de novas equipes de trabalho, além da instalação de novos equipamentos, daí a necessidade de fechamento do Museu. O Museu está operando normalmente, de terça-feira a domingo, sempre das 10:00 ás 17:00 horas, sendo que aos sábados a entrada é gratuita.”



A edição da Veja em que a Vejinha foi encartada é aquela que tem o ex-pré-candidato-atual-grevista-de-fome Garotinho na capa, com chifres e rabo de capeta… Nada demais. Também acho que Garotinho é lobo em pele de cordeiro.


Mas agora fiquei confuso. Se depredação de Museu é um fato facílimo de ser verificado e mesmo assim a Vejinha errou, imaginem fatos que não são facilmente verificáveis, que são intangíveis e não contabilizáveis?


E então, apavorado, ouço um capetinha sussurrar na minha orelha:


– Se a Veja errou com o Museu, será que acertou com o Garotinho?


Ah, mas as redações devem ser diferentes. Os repórteres devem ser diferentes. A apuração deve ser diferente. Deve…


Oh, dúvida…


Vou consultar a Caras.