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Por que Bolsonaro tende a ser considerado melhor presidente do país até 2022?
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Pré-sal, pós-xisto

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Luciano Pires -

Em minha palestra SustentHABILIDADE, comento que em 1971 o Clube de Roma, que estuda as consequências da expansão econômica mundial, previu que o crescimento da humanidade seria limitado pelo esgotamento de minerais importantes e de fontes de energia não renováveis. O cobre, por exemplo. Usando um recurso sofisticado na época – computadores! – levantaram a taxa de consumo de cobre nos vinte anos anteriores e projetaram os vinte anos futuros, contemplando as taxas de crescimento econômico esperadas. Conclusão: trinta anos depois, por volta do ano 2000, as reservas de cobre estariam esgotadas!

O que o Clube de Roma não previu foi que no final dos anos noventa o sistema de cabeamento telefônico com fios de cobre passaria a ser substituído por fibras óticas, de vidro, muitíssimo mais eficientes. A matéria prima para as fibras óticas é o silício, grosseiramente dizendo, areia, um dos elementos mais abundantes na natureza. O consumo caiu drasticamente e o cobre não acabou. Os precisos cálculos matemáticos dos especialistas deixaram de fora um detalhe: a engenhosidade do homem, que a cada dia cria novas soluções para velhos problemas.

Mesmo com milhares de técnicos, computadores, satélites, modelos matemáticos e anos acumulados de conhecimento, falhamos miseravelmente em nossas previsões, pois as interações que envolvem os sistemas econômicos, ambientais e sociais são por demais complexas, não existem fórmulas prontas. Não existem certezas, apenas dados que os homens juntam para tentar tirar conclusões. Erros e acertos, é assim que funciona o mundo da ciência, que não é exato, lida com probabilidades e na maior parte das vezes é surpreendido por um acontecimento novo, uma reação inesperada, uma descoberta. É no gênio que tira as conclusões da análise dos dados frios que reside nossa esperança. Onde um medíocre nada vê, um gênio pode ver o futuro.

Me lembrei dessa história ao ler matéria recente sobre avanços tecnológicos nas operações de prospecção e perfuração que permitiram a exploração mais profunda de camadas rochosas que contêm o gás de xisto nos EUA. O resultado foi a descoberta de reservas imensas de gás natural, que podem mudar a balança global da geração de energia. O gás natural pode substituir o gás liquefeito de petróleo (GLP), o carvão nas usinas elétricas, a gasolina e o diesel. Nos EUA, calcula-se que se 500 mil caminhões mudarem para gás natural, o consumo de petróleo cairá quase meio milhão de barris por dia, ou 5% das importações de petróleo deles.

O gás de xisto é apenas um exemplo de avanço tecnológico que pode mudar a história da humanidade. Um avanço que até recentemente desconhecíamos.

Por causa dos gênios, tenho esperança no futuro da humanidade.

Mas há gênios e gênios. Um gênio do marketing político, por exemplo, pega uma informação como a do gás de xisto e a transforma numa grande ferramenta política. Grita aos quatro cantos que o paraíso nos espera por conta de uma descoberta fabulosa que trará, num futuro incerto, riqueza e prosperidade. Cria esperanças, ganha votos. Quando esse movimento tem bases sólidas e confiáveis, abre-se uma avenida para o progresso. Mas quando é apenas oportunismo político, cria-se a falsa esperança numa solução incerta, inviável ou simplesmente inexistente. E quando o resultado for cobrado, os milagreiros já estarão em outra…

E aí aquela pulga atrás da orelha começa a se mexer… E o pré-sal, hein? Enquanto estamos discutindo como repartir o dinheiro que ainda não existe, os norte-americanos estão trabalhando para mudar a matriz energética mundial, atropelando o petróleo. E eles não costumam brincar em serviço.

O pré-sal resistirá ao pós-xisto? Ou serão apenas promessas?

Luciano Pires