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TRIVIUM: CAPITULO 2 – DIMENSÕES LÓGICA E PSICOLÓGICA DA LINGUAGEM (parte 8)
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O Brasil da TV Globo, do Whatsapp e as manifestações do dia 26/05
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Eu não acredito na democracia moderna
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Por que Bolsonaro tende a ser considerado melhor presidente do país até 2022?
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Sobre erros e concertos

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Luciano Pires -

Em meus 20 anos de palestras, em duas oportunidades separadas por mais de uma década, cometi um erro daqueles de arrasar o palestrante. Uma foi no ano passado. Fui contratado para mediar um debate num evento de uma grande empresa de serviços brasileira, promovido para os corretores da empresa, tendo na plateia cerca de 40 pessoas. Eu deveria abrir e conduzir um bate papo entre um diretorzão e um dos mais experientes corretores do mercado. Fiz a tarefa de casa, me preparei, me concentrei, tudo certinho. E então abri o evento com toda a simpatia, perspicácia e humor… e percebi que a plateia fez cara de espanto. O pessoal da organização com cara de super espanto. Ninguém disse nada e continuei a conduzir a conversa, mas havia algo de ruim no ar. Minhas intervenções eram recebidas de maneira fria. Só fui saber o que havia ocorrido quando o evento terminou e a representante da empresa veio falar comigo.

Eu havia aberto o evento mais ou menos assim: “Bom dia a todos, é uma satisfação estar reunido com vocês aqui na…” e disse o nome do maior e mais odiado concorrente da empresa. E nem percebi. Continuei normalmente, não me referi mais ao nome do concorrente e jamais me toquei do que havia dito. Por isso o clima ruim. A cada vez que eu fazia uma intervenção ficava todo mundo esperando pra ver se eu ia repetir a besteira e ser assassinado pelo diretor ali no palco. Quando me disseram o que acontecera, não acreditei. Foi um ato falho, provavelmente provocado pela minha familiaridade com o concorrente, de quem eu era cliente. Mas não havia o que fazer, o evento tinha terminado, todos dispersado. Pedi desculpas, mas não adiantava. Era recolher os cacos e cair fora.

Depois mandei uma carta me desculpando, mas só o diretorzão respondeu, educadamente dizendo que não havia problemas, que o evento correu bem. Mas seguramente sou “persona non grata” naquela empresa.

Este ano cometi outra besteira. Comecei o ano com o pé no acelerador no Facebook, com a intenção de triplicar o número de curtidores, obter alto engajamento e transformar minha página num veículo forte de distribuição de conteúdo. Para isso precisei acelerar o número de posts e ampliar o alcance. Mais posts, mais assuntos, menos tempo para checar e checar outra vez. O resultado foi a publicação de um post sobre a tabela de correção do imposto de renda com um erro grosseiro, primário, idiota. Quando fui avisado, a mancada já havia sido compartilhada 64 vezes. Corri arrumar, refiz o post, expliquei o erro, pedi desculpas. Não havia mais o que fazer. Não adiantava correr atrás. O erro na internet vaza por qualquer buraco.

Bem, e aí? O que fazer? Como suportar a sensação do “fiz papel de idiota”?

Não sei como você faz, mas eu começo com um velho dito sobre o fracasso: mais importante que o fracasso é o que você fará com ele.

Eu faço assim: assumo a besteira imediatamente, desfaço o malfeito, conto pra tudo mundo, peço desculpas e toco em frente. O segredo está no “imediatamente” e no “pra todo mundo”. Na hora. Plá-plum! Sem dar voltas, sem mimimi, sem enfeitar o pavão. Reação imediata! E de forma a que as pessoas recebam a explicação de mim mesmo, não de um intermediário que dará o viés que quiser. Infelizmente no evento da empresa de serviços só me contaram da besteira depois de terminado, ou eu teria transformado o limão em limonada. Na hora.

Então é assim: fiz a besteira, reconheço, peço desculpas e sigo em frente. E depois passo um período terrível me cobrando, refletindo sobre o erro para não cometê-lo outra vez.

Errar é humano. Aprender com ele é divino.

Ah, sim, é “consertos”, idiota.

Luciano Pires