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TRIVIUM: CAPÍTULO 3 – MORFOLOGIA CATEGOREMÁTICA (parte 2)
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Sobre Moral E Televisores

Sobre Moral E Televisores

Luciano Pires -

Meu texto Orgulho e Vergonha “causou”. Escrevi sobre o orgulho que tenho de pertencer à “zelite”. Orgulho do que conquistei com meu esforço honesto. Orgulho por ter educação superior, por ter em casa mais de dois aparelhos de televisão, por ter dado um automóvel a meu filho quando ele completou 18 anos, etc… Foi o que bastou para que os ideologicamente estressados invadissem minha caixa postal. Um esquerdopata escreveu dizendo que tudo que consegui foi explorando o trabalho dos pobres. Outro escreveu que tudo que conquistei com meu trabalho honesto ao longo de 25 anos não são direitos, mas privilégios. Um terceiro me pediu para parar com essa “hipocrizia”… Eu já esperava, pois sempre que escrevo denunciando a hipocrisia do discurso esquerdopata eles caem de pau. Mas desta vez senti uma diferença. A reação não foi apenas folclórica, orquestrada pelos perfeitos idiotas latino-americanos. Foi também fruto de um certo analfabetismo funcional, dos que lêem e não entendem o que lêem. Essas pessoas julgaram uma ofensa eu achar que sou bem sucedido. Enxergaram em meu texto apenas os televisores que tenho. Não conseguiram (ou não quiseram) entender que usei os aparelhos de televisão como exemplo para atacar uma certa pregação que começa com professores, passa por segmentos da mídia e servidores públicos, chega aos ministérios e termina no Presidente Lula. O discurso que prega que a culpa de nossas mazelas sociais é do “neoliberalismo”, do “governo militar”, do “imperialismo norte-americano”, da “escravidão”, de entidades inimputáveis, indefiníveis e intangíveis. A culpa é de ninguém. Ou do governo anterior. Ou melhor, “dazelite”. E que “zelite” é essa afinal? Se for a esportiva é Pelé, Romário, Oscar? Se for a artística é Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Bibi Ferreira? Se for a endinheirada são os Diniz, os Moraes, os Safra? Se for a intelectual é Marilena Chauí? A jornalística é Alberto Dines, Mino Carta e os Frias? Se for a elite política é o Lula, o Gabeira, o FHC? Se for a “classe média” sou eu, você e seu vizinho? Afinal, que elite é essa na qual estou incluído e que está sendo sumariamente condenada a assumir a “culpa”?
Essa é a questão levantada em meu texto: ao culpar “azelite”, os esquerdopatas misturam o bom e o mau, o torto e o direito, o honesto e o desonesto. Livram-se da responsabilidade e nivelam tudo como ruim. Já ouvi esse fenômeno sendo chamado de “Complexo de Daslu”, uma doença que faz com que meia dúzia de ricos e celebridades seja considerada o paradigma “dazelite”. Um leitor, E. Barbosa, escreveu:


“Tenho orgulho sim de ter viajado por 30 dias à Europa, ter duas filhas formadas da USP. Uma delas é mestre em Engenharia, com curso no Japão e está fazendo doutorado. Outra é Bacharel em Educação Física. Sou de família humilde, mas enquanto outros ficavam no bilhar jogando eu saía da faculdade às 23 horas e as 04:10h pegava o ônibus para ir trabalhar em São Miguel. Detalhe, minha residência era em São Bernardo do Campo. Valeu a pena? Lógico que valeu, hoje vejo o resultado e posso me orgulhar de que tudo que consegui foi de forma honesta e com muito esforço.”


Pelo discurso esquerdopata o sr. Barbosa é “dazelite”. Cresceu explorando o trabalho dos mais pobres, é culpado por aquele mendigo ali na calçada e deve ter vergonha do que tem.
Outro leitor, o Marcio Estanqueiro, escreveu:


“O dinheiro em si não é nem bom nem mau. Tudo depende do uso que dele fazemos.(…)Para fazer boas escolhas econômicas – incluindo as escolhas das formas da utilização do dinheiro – todo indivíduo deve olhar para além da oferta e da procura e para além das tabelas de juros, na direção dos ensinamentos religiosos, filosóficos e da literatura. O principal fundador da moderna Economia, Adam Smith, foi um professor de filosofia moral. Para usarmos bem o dinheiro, precisamos entender (como fez Smith) que acima das leis da Economia, há as leis da moralidade.”


Pois é. O Estanqueiro deu a pista. A elite que deveria ser discutida é a elite moral. E nessa, para horror “deles”, eu me incluo com orgulho.
Mas infelizmente essa discussão está fora do alcance dos analfabetos funcionais e dos esquerdopatas rancorosos, que só conseguem ver os televisores que eu tenho.