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Luciano Pires -

Encontrei uma ex-colega da equipe que dirigi mais de 20 anos atrás, e ela me fez uma surpresa: tirou da bolsa um punhado de embalagens de Bis, aquele chocolate da Lacta que a gente não consegue parar de comer, sabe? Com os olhos brilhando disse:

– Você não faz ideia de como isto era importante!

Surpreso, examinei cada papelzinho. Todos assinados por mim. Ela havia guardado aquilo por mais de quinze anos!

Toda vez que alguém da equipe realizava algo interessante eu dava um Bis. A pessoa comia o Bis imediatamente e me dava o papel que o embrulhava. Eu escrevia no verso do papel a razão de ela ter recebido o Bis, assinava e a pessoa guardava. Em nosso jantar de final de ano eu colocava na parede uma série de cartazetes com vários prêmios, de aumento de salário a três dias de folga, passando por viagem a lugar x, um jantar e até um aperto de mão. No final do jantar cada um entregava sua coleção de Bis e a contagem mostrava quem havia recebido mais “Bises” e teria o direito de ser o primeiro a escolher um dos prêmios. É evidente que o ganhador sempre escolhia o “aumento de salário”, não é?

A escolha de quando dar o Bis era prerrogativa minha, subjetiva, conforme meus critérios sobre o que teria sido um trabalho ou uma atitude que mereceria reconhecimento, mas qualquer funcionário podia advogar o Bis. Sem frescuras, fogos de artifício, balangandãs ou planilhas complicadas, aquele processo de reconhecimento não custava nada e o valor daquela atitude singela foi demonstrado pela coleção de papéis de Bis guardada por quinze anos e mostrada a mim com brilho nos olhos:

– Luciano, você não imagina como aquilo era importante!

Provavelmente hoje eu tomaria um processo, acusado por alguma forma de assédio moral. Mas faria tudo outra vez.

Um Bis custa alguns centavos, mas aqueles, não tinham preço.

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