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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Bolsonaro fala demais, e sem freios. Não faz a necessária reflexão prévia. Ele precisa lembrar, urgentemente, que não é mais deputado nem está no balcão do boteco. O cargo que ocupa merece todo o respeito (de mão dupla), e a liturgia inerente é mais do que apenas isso; é essencial. Quanto aos filhos dele, o caso parece perdido; mas isso é papo pra outro barril.

Tudo bem; falou demais outra vez, mas torceram a frase completa do presidente. Ele nunca disse, como o lulista Chico Pinheiro alegou de boca cheia, que os integrantes do protesto que tomou as ruas de muitas cidades do País no dia 16 (alegadamente em defesa da educação) seriam todos “idiotas”. Bolsonaro afirmou, isso sim, que entre os manifestantes havia lulistas e que estes seriam, na opinião dele, idiotas úteis usando os demais como massa de manobra.

Dois problemas: Idiotas ou não, vivemos em uma democracia e é direito deles participar de manifestações, justas ou não, hipócritas ou não. Outro: Presidente não pode falar dessa maneira, nunca. Sendo verdade ou não. Já bastam os exemplos podres de Lula e Dilma, com suas baixarias, imundícies e asneiras dignas de enforcamento.

Ou seja: Bolsonaro errou – de novo. Ele parece ser o maior adversário de si próprio. Mas, como tudo na vida, esse episódio tem o reverso da moeda.

Quando presidente, Lula não só cortou muito mais do que Bolsonaro, como defendeu ardorosamente a redução no orçamento educacional https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-usa-video-de-lula-para-explicar-contingenciamento-petista-rebate-post   e ninguém deu um pio, todos muitos satisfeitos com o corte e desvio de verbas pelos quais, entre outras canalhices, Lula hoje é um condenado. Muitos dos tais “defensores da educação” que foram às ruas na fatídica quarta-feira, em pleno horário de trabalho (já que “defendem” a educação, não deveriam protestar num domingo e evitar perda de aulas?), trajavam roupa vermelha, uniformes de grupos terroristas, e portavam bandeiras comunistas, de sindicatos ou de movimentos sem-terra, além de cartazes (com erros de Português pavorosos, como o da foto), muitos deles com os dizeres “Lula livre”. Será que fundiram as demandas para que Lula saia da cadeia e termine o ensino fundamental? Talvez, mas a marcha era partidária, ideológica, e até religiosa – dado o messianismo prestado ao chefão preso; ali, a menor das preocupações era a educação. Assim fosse de fato, teriam a mesma atitude quando dos cortes executados por Lula & Dilma.

Ah sim: Os cortes da dupla do mal eram realmente cortes, e não contingenciamento, como no caso atual. Trocando em miúdos, a verba não obrigatória para gastos específicos foi deslocada pelo MEC para outras funções, como o ensino básico. Bolsonaro apenas realocou dinheiro que seria gasto, majoritariamente, em contratação de pessoal terceirizado, sem concurso público. No caso da dupla maligna, o dinheiro simplesmente sumiu da educação e fim. Não houve passeata nem chiadeira. Faltaram aplaudir as falcatruas lulistas. A mídia mal deu a notícia. Tudo era lindo e maravilhoso. Até o feio era lindo. Aliás, deu-se o mesmo fenômeno quando o ex-presidente (e atual condenado) quis a reforma da Previdência https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2019/05/governo-defende-reforma-da-previdencia-com-argumentos-usados-por-lula-dilma-e-fhc-cjvfodcy9026n01peg7bz1v3l.html todo mundo amou de paixão algo que, agora, classificam como absurdo.

Da mesma forma, os aguerridos defensores da educação melancia (verde/amarela por fora e vermelha por dentro, fora as sementes) deveriam admitir que ninguém jogou jagunços e tanques de guerra sobre eles durante as manifestações, como seu ídolo Nicolás Maduro fez e faz na Venezuela. Aqui protesta-se à vontade, sem medo de fuzilamento. É bom lembrar que Dilminha, toda revoltada com o impeachment que se agigantava em 2016, convocou o então comandante do exército, Eduardo Villas Boas, e “exigiu” que o general lançasse seus soldados sobre os manifestantes. Ouviu um sonoro NÃO e teve um chilique. Pra quem desconhece o fato: https://www.oantagonista.com/brasil/maior-entrega-de-villas-boas  .O general pode ter salvo milhares de vidas inocentes, nenhuma delas hipnotizada pelo messianismo lulista, divulgado pelo mundo através dos coroinhas de missa negra, meu caro Augusto Nunes.

Voltando à hipocrisia: O corte lulista/dilmista foi da ordem de 9,5% das verbas não obrigatórias; o contingenciamento de Bolsonaro foi de 7,5%. Países absolutamente milionários investem de 4% a 6% do PIB em educação. Estamos no patamar de 8%, e ainda se afirma que é pouco. Não gastamos pouco, gastamos mal. Mas o lulismo e seus adeptos vivem numa realidade paralela impossível de acompanhar, tamanha a sórdida cara de pau com que desenvolvem seus raciocínios toscos, e tão rasos que uma formiguinha atravessaria com água pelas canelas, como dizia o grande Nélson Rodrigues. Poderia ser chamado de “Efeito Paulo Freire”, em nome da mistificação.

*****

Perante o Congresso Nacional, fruto talvez do cansaço ou do atropelo na dicção, o ministro Abraham Weintraub trocou a menção ao escritor Franz Kafka por “kafta”. Surgiu um montão de inteligentinhos rindo da gafe. Seria o caso de perguntar a esses literatos cultíssimos o nome de dois ou três livros do grande romancista do surreal. Não sabem nem do que se trata, mas riem porque lhes foi mandado que o fizessem. Fantoches ridículos.

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