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Eduardo Ferrari - Resumos e Artigos -
Antes de mais nada cabe reforçar que o objetivo desta sequência de textos é chamar atenção para o conteúdo do curso do Professor Olavo de Carvalho, que pode ser acessado na página do Seminário de Filosofia. Os principais pontos da aula de 3h21min serão apresentados em menos de 5 minutos de leitura e não substituem de forma alguma a riquíssima experiência de assistir a uma aula completa do Professor.

No início da quarta aula do COF, em 18 de abril de 2009, o professor Olavo de Carvalho releu o parágrafo de Louis Lavelle que foi objeto de discussão na aula anterior, conforme comentado no Resumo da Aula 3.

Relembrando aqui (para não perder o fio da meada), o texto apresenta a constatação de que, na vida, há momentos de extremo contentamento que se intercalam com outros momentos em que nos sentimos solitários e miseráveis. Segundo Lavelle, quando vivemos os momentos ruins, precisamos ser capazes de reativar na memória e na vida real aqueles sentimentos positivos que vivemos nos momentos de iluminação. Ainda segundo Lavelle, todos os homens vivenciam esses momentos ímpares de pura felicidade, mas acabam deixando-se levar por preocupações e problemas do dia-a-dia, como se esses fossem a própria realidade, o que definitivamente não são. Pela primeira vez ao longo do curso, o professor menciona o conceito de unidade da consciência, construída com informações que acumulamos ao longo da vida, a qual percebemos como sendo o sentido da nossa existência. Essa consciência tende a se distanciar do mundo dos fatos e a se contrapor a eles. É como se tivéssemos impressa na nossa autoconsciência a direção a ser seguida rumo à Verdade. Essa espécie de sabedoria natural se contrapõe então às preocupações e problemas que, embora momentâneos, nos confundem e são considerados por nós como a expressão da realidade, em contrapartida ao nosso mundo interior, constituído de sonhos. Ao contrário, as preocupações externas deveriam ser entendidas como fugazes e irreais e o nosso autoconsciente como a representação mais próxima da nossa verdadeira realidade.
Acredito que a seguinte frase do professor Olavo, sintetiza o que estou tentando explicar: “Tudo aquilo que nos é mais próprio, íntimo e verdadeiro — tudo aquilo que é mais nós mesmos — é então condenado como se fosse uma ilusão, e as situações passageiras e ilusórias são entronizadas como se fossem a verdadeira realidade”. Esse entendimento está diretamente relacionado à definição tradicional de filosofia do Professor: “a busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa”.
Em outra vertente, o Professor menciona que, embora a filosofia exija naturalmente muitos estudos, o fundamental é a atitude psicológica, espiritual e moral de continuar no caminho dos estudos com a máxima seriedade, como uma questão de vida ou morte. Isso mesmo, o foco deve ser o momento da morte! O que sobra de importante no momento final? Para ilustrar isso, o professor cita Georges Bernanos: “o risco que nós corremos não é o de morrer, mas o de morrer como imbecis”. Porém, as pressões que recebemos hoje em dia, que podem nos fazer perder o foco são maiores do que em qualquer época anterior da história, como a pressão dos horários, de ter momentos de lazer e vida social ativa, expectativa de ser bem sucedido profissional e financeiramente e ambições muito acima das capacidades. Umas das piores pressões é o medo de se sentir marginalizado e solitário. Esses medos agem como destruidores da unidade interior do ser. A defesa estaria não em vencer a sociedade, mas em impedir que ela o destrua mantendo a sua integridade. Também há pressão da família, dos colegas de trabalho e dos amigos. Ao citar o texto “O Imbecil Juvenil” , Olavo ressalta que um adolescente de quatorze anos teme mais a opinião dos seus colegas do que de seus pais, pois esses não são ameaças para ele enquanto aqueles irão reprová-lo cruelmente caso não siga os comportamentos esperados. Olavo sugere a leitura de livros do François Mauriac (1885-1970), romancista francês que escreveu “O Nó das Víboras (Le Noeud de Vipères)”, sobre a história de um homem muito rico que tendo certeza da própria morte percebe que a família deseja acelerar o processo para ficar logo com a grana dele. Ele então prepara uma espécie de vingança transferindo os seus bens a um terceiro e deixando a eles apenas um texto relatando as misérias que viveram juntos.
Também cita uma frase da autobiografia do Chesterton (1874-1936): “Os meus pais eram pessoas respeitáveis, porém honestas”, dando a entender quer as pessoas respeitáveis seriam as mais desonestas. Também cita como livros maravilhosos “O Apanhador no Campo de Centeio” de J. D. Salinger e Reflexões Autobiográficas, de Eric Voegelin (1901-1985).
Ao responder uma questão de um aluno, sobre ler com qualidade, Olavo menciona que para os fins do COF não é necessário interpretar obras literárias, mas interpretar situações reais à luz dos símbolos que as obras literárias fornecem. Quanto mais lemos mais pontos de comparação temos com a realidade. Ficamos por aqui, desejando que você tenha ficado no mínimo curioso sobre o conteúdo e a profundidade do COF. Imagem de autoria de Rafael Medeiros

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