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E se fosse diferente?

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

A esquerda em geral, e oportunistas em particular, usaram a morte da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada a tiros em 14/03, como palanque; e da forma mais vitimista possível. É óbvio que os assassinos devem ser encontrados, julgados e apodrecer na cadeia; mas usaram a morte dessa pobre mulher como munição contra algo que classificam como “extrema direita” – inexistente no Brasil. Se “ser de direita” já é praticamente um crime de pensamento, que dirá pertencer ao seu extremo. Enfim: Tratam a morte de Marielle como crime político maquinado por Temer, FHC e qualquer outro que não goste de Lula ou seu séquito de babões. Esqueceram convenientemente que crime político, queima de arquivo, foi a morte de Celso Daniel, que ia abrir a boca sobre fatos que só descobrimos com o advento da Lava Jato. Mas isso é outro assunto, morto e enterrado, com ou sem trocadilho.

Não se sabe quem matou Marielle, mas suponhamos, como alega a extrema esquerda (essa sim em índices epidêmicos aqui na Banânia), que os mandantes do crime foram Sérgio Moro, Donald Trump, FHC, Temer, o fantasma de Médici e outros que o momento possa sugerir, e que foi executado pela CIA, FBI, Exército Brasileiro e Polícia, todos juntos, babando de alegria por exterminar uma pobre mulher por puro prazer.

Vamos supor que esse bando de assassinos monstruosos, golpistas e sei-lá-mais-o-que sejam identificados como responsáveis pelo crime. E suponhamos que isso ocorra neste mês. Um inquérito policial seria aberto e que, em meio a perícias, análises de filmes, objetos, cápsulas de balas e testemunhas variadas, bem como inquiridos todos os bandidões neonazistas-racistas-genocidas-misóginos declarados, a investigação fosse concluída em um ou dois anos. Gleisi Hoffman, Lindbergh Farias, Maria do Rosário, Paulo Pimenta e toda a claque lulista estaria pedindo prisão imediata de todos eles, se possível sua decapitação com um machado pouco afiado pra aumentar o suplício dos infelizes. De preferência com Jean Wyllys recitando discursos de Fidel Castro ao megafone, à sombra de uma estátua de Stalin, esse apóstolo incompreendido.

E suponhamos que o ministério público denuncie esses vilões de filme de terror, sendo a denúncia aceita, e depois de uns 400 recursos de seus advogados (que a extrema esquerda vai chamar de bandidos, cafajestes, imundos, defensores de assassinos e etc), julgados, saia uma sentença em uns 10 ou 12 anos. Daí, novos recursos, uns 893 no mínimo, com juízes xingados e agredidos publicamente mas contando com o apoio de jornais-TVs-mídias (todas obviamente escravos dos EUA e odiando pobres, índios e nordestinos) e em mais uns 14 anos o processo chegaria, em 27 carretas, ao STJ, com todos os monstruosos assassinos e mandantes livres como pássaros. Mais uns 5 anos, e as carretas, agora em número de 43, levariam esse mar de papel ao STF, aguardando mais uma chuva de recursos, alguns deles importados do direito  islandês e tasmaniano. Lá, depois de uma intoxicação de papel, liminares, discursos e perorações intermináveis, bem como a leitura do parecer escrito por um ET advogado vindo de Saturno, o processo seria finalizado com uma sessão corrida de 17 dias, na qual 2 dos 11 ministros morreriam de exaustão, e outros 4.645 espectadores de pura chatice. Então, finalmente, em 2051, viria a condenação final. Ufa. Mas nada de prender ninguém. A lulada, Dilma à frente, recorreria à ONU, à banda da marinha da Bolívia e à associação de bairros de Piratininga denunciando demora proposital no julgamento. Os russos aplaudiriam o discurso de Dilminha, achando que ela falava em coreano; os coreanos do norte também, mas crendo que ela discursava em russo. Sucesso total.

No transcurso de todos esses anos, a extrema esquerda gritaria, berraria, esgoelaria, aqui e no exterior, nas ruas e nas mídias “progressistas” guevaristas-lulistas-cubânicas que essa demora toda era só para inocentar tais monstros, que os juízes eram comprados e os promotores nazistas, a polícia federal formada por torturadores sem coração; artistas “engajados”, militantes “ativistas” exigiriam o enforcamento imediato de todos – depois de linchados, obviamente – porque essa coisa de julgamento não passa de mania burguesa, muito chata. As luletes cacarejariam sobre a demora ser apenas álibi para atingir a prescrição e a impunidade, esse terror legalizado, aproveitado só por bandidos. Histéricos, repetiriam todo santo dia que bandido não pode ficar fora da cadeia, ou seja, prisão imediata dos assassinos; se desse, escalpelados. Até serem lembrados que a justiça estava cumprindo exatamente o que eles defendiam como privilégio exclusivo de Lula: Prisão só em ultimíssima instância, depois de percorridos todos os Tribunais e consultado o fantasma de Lênin no terreiro de Pai Chávez de Ogumzovitch.

Aí, nos embargos dos embargos dos embargos dos embargos dos embargos dos embargos dos embargos dos embargos, a plêiade nazi-imperialista seria totalmente inocentada. Motivo? A alegação, acolhida, de não serem criminosos; apenas fizeram o que todo mundo faz, vítimas de uma sociedade corrupta contaminando as pessoas, originalmente puras como anjos.

Sinal trocado, como na matemática ginasiana, essa insanidade, esse hospício jurídico, é tudo que a esquerda defende em prol de Lula como fosse a coisa mais correta do mundo. Mas aí seria justiça de primeiríssima qualidade, companheiro. Injustiça é só no caso de “nós” (eles) perderem, e “eles” (nós) vencermos.

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