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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Não há mais o que falar, esmiuçar ou palpitar sobre a intervenção federal na Segurança do Rio de Janeiro. Entre especialistas da área, especialistas do nada, gente se fingindo de especialista e os inevitáveis especialistas em ser-do-contra, tudo já foi dito. Menos o necessário: 1) Como o Rio chegou a esse ponto? 2) Quem está reclamando tem alguma outra solução?

Noves-fora a interminável masturbação sociológica dos especialistas em nada, assessorados pela nata dos intelectualóides de boteco, é inegável que essa situação não começou, mas tornou-se catastrófica por obra de Leonel Brizola, um maluco travestido de sábio que governou o Rio por duas vezes: Entre 1983/87 e 1991/94. Entre as muitas barbaridades que praticou, instituiu uma espécie de trégua com o tráfico; como todo populista de esquerda (perdão pela redundância) se achava um gênio e dividia o povo em classes. Daí nasceu sua brilhante ideia de “isolar” os traficantes nos morros e favelas (não, não é “comunidade”, é favela mesmo; eufemismo não melhora a realidade), deixando o “asfalto” aparentemente incólume. A ilusão durou o suficiente para os trafiquentos perceberam que não estavam isolados, muito pelo contrário: Estavam fortificados, seguros num castelo inexpugnável, presenteado pelo governador. Para coroar a desgraça, Brizola prometeu leniência da polícia, que ia fazer vista grossa nessa ocupação territorial promovida por um exército extremamente bem armado, mimetizado, conhecedor do território e infiltrado entre moradores.

O tráfico cresceu como nunca, armas de grande poder de fogo chegaram aos milhares às mãos de bandidos e facções enormes, cruéis, instalando ali uma espécie de poder paralelo sob o beneplácito do governo real – uma espécie de República Popular da Droga.

Contando com a proteção de entidades de “paz” e “direitos humanos”, além da falsa sensação de segurança da classe alta refugiada nos nobres enclaves cariocas, aliados ao assistencialismo praticado pelos bandidos junto à população (fruto do absoluto desinteresse do estado e da miséria espalhada pelo populismo esquerdizante), a coisa se transformou nisso aí: Completa e confessada falência da segurança pública nesse Estado da Federação.

Não há como deixar de fora desse sucesso às avessas o patrocínio dos piores governadores do Rio de Janeiro: Garotinho e Rosinha, a dupla inesquecível, e Sérgio Cabral. O trio dispensa comentários, e suas folhas corrida falam por si à falta de melhor currículo. Interessante lembrar que, durante o desgoverno deles e dos amigos e aliados  Lula & Dilma, o quinteto do inferno jactava-se de existir ali um exemplo para o Brasil e para o mundo; as favelas, ops, “comunidades”, estavam pacificadas, o tráfico era coisa do passado, e o céu era o limite para a felicidade carioca, comandada pelos melhores governantes que o planeta podia fornecer. Deu no que deu.

Mas lembrar tudo isso não é só incômodo para os vendedores de ilusão; também cansa. Haja vista a turma que imita pombinhas com as mãos e “abraça” praças e lagoas em luta por uma paz utópica que, acreditam, virá como a chuva redentora em suas passeatas “do bem”. Tudo se resolveria com muito amor ao próximo e compreensão às pobres vítimas de uma sociedade capitalista sem coração.

Essa mesma gente, aliada aos lulistas de sempre, esgoelam-se, furiosos, alegando que o Exército vai subir o morro para exterminar o povo e os direitos civis, que nada disso vai funcionar – embora tenham achado a ideia sensacional em 2014, durante o podre governo Cabral – com militares nos morros e mandados de busca coletivos, que antes a lulada amava e hoje classifica como “guerra contra pobres e pretos”. Hipócritas.

Terminam sua arenga dizendo que intervenção militar “não resolve” o problema do narcotráfico. Ora, ninguém disse que vai resolver, mas é a saída possível no momento.

Bom, esses sábios da paz estão convidados a apresentar alguma solução para o problema que eles mesmos criaram com tanto “amor” dispensado às “pobres vítimas da sociedade”. Por outro lado, os militares certamente convidariam, com muito prazer, todos esses defensores de traficantes a subir o morro na frente deles. Desarmados, claro; afinal violência só gera violência, camaradas. Poderiam usar camisetas brancas, flores, convencendo os bandidos a baixar os fuzis e se entregar na moral. Os demais 80% da população que apoiam a incursão do exército vão assistir pela TV à performance dessa gente que vende discursinho barato como solução pra qualquer coisa. Boa sorte na subida; a descida será com os pés pra frente.

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