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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Em 1980 o presidente dos EUA era Jimmy Carter. Boa pessoa, patriota, inteligente, mas um tremendo Zé-ruela quando o assunto era Cuba. Homem da esquerda americana, acreditava ser o ditador Fidel Castro digno de algum crédito. Aprendeu o contrário da pior forma possível.

Pra variar, já naquela época o oprimido povo cubano fugia (ou tentava) da ilha lançando-se ao mar sobre toscas boias ou barquinhos feitos à mão, enfrentando tubarões, tempestades e a mafiosa marinha cubana, que fuzilava os fugitivos, considerados traidores ou “desertores”. Com um pouco de sorte, se recapturados, seriam apenas torturados em calabouços imundos por alguns anos. Arriscavam a vida para sair do inferno cubano. Como se vê, nada mudou durante todas essas décadas na fazenda-ilha-presídio caribenha.

Pois bem: Carter, cheio de dozinha, pediu a Fidel que permitisse aos pobres fugitivos rumar com segurança para a Flórida. Alegou razões humanitárias e ofereceu abrigo aos pobres-coitados. Foi aí que o doce desandou.

Só sai da ilha-inferno quem o governo quer, e não era diferente à época. Portanto, Fidel prendeu os dissidentes candidatos às vagas de refugiados, enviando para lá, em botes superlotados, quase todos os criminosos comuns de Cuba. Assim, em vez de receber refugiados, asilados políticos, os americanos bobões acabaram acolhendo uma horda de estupradores, assassinos, ladrões, traficantes, psicopatas perigosos, ávidos para agir num novo e riquíssimo campo de “trabalho”. Dos 125.000 cubanos componentes da decrépita frota que chegou às praias de Miami, não se sabe ao certo quantos eram bandidos. Mas eram milhares, e aterrorizaram (aterrorizam?) a região. Uma mancha na história da Flórida, ou mesmo do país todo.

Essa gente ficou conhecida como Los Marielitos, porque deixaram Cuba pelo porto de Mariel, de triste lembrança aos brasileiros. Foi para lá que Dilma I, o poste de mandioca, mandou em 2013 um bilhão de dólares do BNDES a fundo perdido, para reestruturação de todo o porto. Nunca mais veremos um centavo desse dinheiro.

Resumo da fatura: Carter dançou porque, ingênuo, foi enganado por Fidel. Nós, otários irremediáveis, demos o dinheiro por livre e espontânea vontade, sob ordem de Lula, obedecendo pedido de Chávez, então ditador venezuelano. Os americanos aprenderam. Nós não, e passamos recibo de idiotas novamente – para a Venezuela. Foi assim:

Nosso episódio de “Marielitos” é pior que o dos americanos. A ditadura venezuelana conseguiu que déssemos (sim, dar, sem nenhuma contrapartida) 1 bilhão de doletas para os cubentos, fora outros bilhões para os próprios, também sem qualquer garantia. Financiamos o metrô de Caracas a fundo perdido, e recheamos os bolsos de toda a casta comandante daquela tirania imunda. Nesta semana levamos mais um cano: Nicolás Maduro avisou que, simplesmente, não vamos receber nadinha do “empréstimo”. Tomamos o primeiro cano há poucos dias; uma parcela de outro bilhão (este de reais) do qual o narcoditador psicopata não vai pagar nem um puto.

De quebra, para não ter de manter uma população faminta, sem remédios, desempregada e sem a menor assistência estatal, empurrou aproximadamente (até agora) 70 mil venezuelanos miseráveis para dentro da fronteira brasileira, cabendo a nós alimentar, vestir, abrigar e medicar essas vítimas, refugiadas de um sistema comunista assassino associado ao narcotráfico internacional. É um êxodo provavelmente único na América do Sul, em razão de sua natureza. Uma tragédia humanitária que nossa esquerda gritona simplesmente ignora. Não há “direitos humanos” para esses coitados? Claro que não; são apenas bobos que não compreendem direito o incrível sucesso do governo Maduro. Como diria o genial Roberto Campos em Lanterna na Popa, não é um fracasso; é apenas um sucesso mal explicado.

O ser humano foge de tragédias genocidas, em instintiva autopreservação, desde tempos imemoriáveis. É o que ocorre em nossa fronteira norte, e estamos pagando a fatura duas vezes sem receber nada, tudo por causa daquela ditadura imunda, cujas botas eram lambidas por Lula, Dilma e sua gente. Botas, pra não dizer outra coisa.

Quando é que vamos aprender? Nunca?

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