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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Imagine um político profissional, que passou por sete partidos, mas acusa de traidor quem troca uma única vez. Um sujeito que alega ter sido professor na famosa universidade americana de Harvard, mas se expressa num inglês de provocar risos; que diz ser professor de Direito, mas afirmou que se for procurado pela polícia federal, vai “recebê-la à bala”. Que afirma ser de esquerda (ou de centro esquerda, dependendo da conveniência) mas principiou a política como membro ativo do velho PDS, partido de situação no fim do governo militar. Um senhor que ofende Fernando Henrique Cardoso, mas foi seu colega íntimo de partido e ministro de Itamar Franco na implantação do Plano Real. Um cidadão que xinga e menospreza Lula, mas vive dedicando-lhe a dança do acasalamento na tentativa de atrair seus eleitores desgarrados. Também concorreu com o petista na campanha presidencial de 2002, tratando-o como um completo despreparado e, se eleito, ia pôr fogo no Brasil. Acabou aliado dele no segundo turno, cheio de sorrisos, tornando-se seu querido ministro, defendendo-o com unhas e dentes.

Menciona sempre a defesa de um tal “estado democrático de direito”, expressão fácil em bocas que desconhecem seu significado (“republicano” também, pelamor), mas sugeriu que se Lula tivesse a prisão decretada, ele próprio sequestraria o petista, levando-o a salvo para alguma embaixada “amiga” (bolivariana, claro). Alega ser expert em economia, mas acredita que o caos em vigor na Venezuela é praticamente uma coisinha fácil de consertar, e a culpa não é do demente ditador Maduro, mas sim dos americanos. Diz-se muito moderno, porém continua a entoar essa cantilena antiamericana já ultrapassada nos anos 50 (e a tal estória de Harvard?).

Ofende a todo momento o bravo povo paulista, classificando-nos como “oligarcas” e outras pérolas, mesmo sendo um dos tais “oligarcas”, nascido em Pindamonhangaba. Comporta-se como um coronelzinho do agreste no início do século XX, agredindo pessoas em ambientes públicos (certa vez despencou nas pesquisas por chamar um eleitor de “burro”). Entoa odes à modernidade e ao bom comportamento enquanto dispara palavrões no varejo e no atacado, xinga quem lhe dá na telha, distribui tapas, rebaixa mulheres e homossexuais de forma brutal, e se alguém questiona seu destempero, pode esperar alguma grosseria certeira em lugar de resposta.

Diz também defender as minorias, mas chamou o vereador da capital paulista Fernando Holiday de “capitãozinho do mato”, por ser negro e ousar discordar do onisciente Ciro Gomes, tão cheio de si quanto seu homônimo persa. Esses fatos são facilmente encontrados através dos mecanismos de busca na internet, tais como:

Sim, esse é Ciro Gomes, em poucas palavras (muitas de baixo calão). O homem que alega saber tudo, resolver tudo, sendo o melhor candidato a qualquer cargo, principalmente à presidência da República – e ai de quem discordar! Se desmentido com provas, imagens e gravações, fica furioso; só ele tem razão e sua versão é a única a valer. A última contada, obviamente. E não se atrevam a lembrá-lo das anteriores, totalmente diferentes. Muda de ideia como muda de camisa e de partido, mas garante que nunca faz isso. É uma incoerência ambulante e violenta.

Quando governador do Ceará (1991-1994) fez uma boa administração, embora sempre derrapando na arrogância e na bocarra indomável. Critica seus adversários por acenderem uma vela para Deus e outra para o diabo, enquanto ele mesmo acende umas 17, para o capiroto e quem mais queira aproveitar – basta lembrar que chamou ACM Neto de anão moral e agora pede votos a ele e ao DEM, partido que classifica como fascista. Pois é. Pra afogado, até crocodilo é tronco; mesmo para os afogados arrogantes.

A eleição presidencial deste ano tem tudo pra ser uma lástima. E pode ser ainda pior: uma briga de foice na qual o populismo será a foice e nosso pescoço o alvo. Haja Pantoprazol.

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