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O Vitché era um filho da puta!

Ele tinha vinte e um anos, era meu irmão, seis anos mais velho que eu, e já se julgava  um grande adulto. Vivia me enchendo o saco com mil apelidos tipo: “chapecó”,  “benza”,  “orelha de abano” (quando eu era moleque, era orelhudo). Mas o que  me deixava mais chateado mesmo era ele não deixar encostar a mão naquele  bendito violão!

Ele estava aprendendo a tocar aquela porra e só estudava na hora do almoço, por mais ou menos uns vinte minutos, e então enjoava. Depois  disso, só de pirraça, desafinava todas as cordas e escondia aquela droga  atrás do sofá, onde ele pensava que eu não acharia.

Pura besteira! Eu estudava de manhã no S.Judas Tadeu e coçava a tarde  inteira. Portanto, era só ele ir embora que eu pegava aquele troço, afinava  do meu jeito e ficava tocando horas… até doer a mão! Eu já estava com o  saco cheio de tocar “Corcovado”. Mas, quem tinha aula de violão era o Vitché  e, se ele não estudasse, “nós” não mudaríamos de música.

Pois bem! Era um domingo. Eu achei que ele não estivesse em casa e fui acompanhado de João Gilberto na vitrola tocar, pela milésima vez,  a nossa canção predileta: “Corcovado”.

Tô eu lá na maior concentração, quando pressinto alguém atrás de mim… olho pra trás e quem vejo? Isso mesmo! VITCHÉ!

Lá fui eu protegendo a cabeça, achando que vinha porrada.

Mas, pra surpresa minha, ele pediu pra que eu tocasse mais uma vez e…  gostou! (era a primeira vez que estava ouvindo eu tocar) Mandou eu trocar de  roupa e fomos até a casa do Didi, seu professor de violão.

A escola era onde é até hoje, na esquina da Avenida Paes de Barros com a Curupacê.

Aí Luciano… eu vi o cara tocar! (Era a época da Bossa Nova)

Foi um desfile de Garotas de Ipanema, Dindis, sambas de aviões, de verões, de céu, de sol, de sal, de sul e a puta que pariu! Fora  que além de tocar violão, o cara tocava piano, flauta e cantava!

Eu me senti dentro de um daqueles apartamentos no Rio de Janeiro onde se  iniciou a Bossa Nova que eu tanto amava. Foi uma manhã inesquecível. Saí de lá flutuando, bêbado e inebriado com tanto talento. Além do que o Didi, acho que atendendo as preces da minha mãe e dos meus vizinhos, me passou mais  umas três músicas novas (ufa!), pra eu ensaiar em casa. No meu rosto devia  estar pendurado aquele sorriso idiota que só orgulho de pai ou felicidade plena podem emprestar.

Aquilo entrou em meus ouvidos e imprimiu algo tão forte em minha alma, que  eu soube naquele instante que nunca mais minha vida seria a mesma.

Assim foi e assim tem sido. O violão se tornou meu universo. Meu cúmplice, amigo, confidente, companheiro de lindas frases e  parceiro do meu legado.

Naquele domingo, saindo da casa do Didi, descendo a Paes de Barros, eu decidi que não viveria mais sem a música. Às vezes me pergunto:  como é que pôde um simples pedaço de pau, preso em seis cordas, mexer tanto  com a vida de uma pessoa?

Mas quando pego um violão pra tocar, algo químico e mágico  acontece entre nós dois. Algo que só algumas pessoas de sensibilidade, quando me ouvem ou me vêem tocando, conseguem sentir. Porém,  não conseguem explicar.

E talvez não haja mesmo nenhuma explicação.

Pois ninguém que tenha passado pela minha vida chegou sequer perto desse  entendimento.

Talvez o único que tenha entendido (e culpado de tudo isso) tenha sido o filho da puta do Vitché.

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