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Luciano Pires -
Download do Programa

Narrador: Bem-vindo ao LiderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. Hoje recebemos Lito Rodriguez, empreendedor, criador da DryWash. Outro daqueles inconformados que a partir de uma visão inovadora criam um negócio do zero. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LiderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br. Muito bem, mais um LiderCast. Esse aqui está sendo em partes, sabe bicho? Aqui nós tivemos um acidente de percurso na gravação. E a gente fez o programa e perdeu os primeiros 15 minutos. Aí eu tive que chamar o convidado de volta aqui para fazer de novo o começo do programa. Então nós vamos começar de novo aqui, de repente, ali pelos 15 minutos, vai ter uma emenda aí para dar continuidade. Mas como foi um encontro muito legal, valeu a pena. Porque a gente se encontra de novo, vamos almoçar outra vez. Então vai ser… vai ser uma festa aqui, né? Agora o senhor conhece o pedaço. Sabe como que é. As três primeiras perguntas fundamentais lá: é o seu nome, a sua idade e o que é que você faz?

Lito Rodriguez: Luciano, prazer estar aqui de volta. São acidentes que causam o reencontro e foi interessante. Antes de me apresentar, eu quero dizer que… que quando eu estive aqui a primeira vez, não tinha lido o seu livro. Eu tinha assistido a sua palestra há muitos anos atrás. E depois, estou aqui agora. Li uma parte do seu livro. Pelo meio do caminho tive um filho e aí tive que suspender a leitura. Mas vamos lá. Meu nome é Lito Rodriguez. Sou empreendedor, às vezes estou empresário. Nasci em São Paulo e aqui vivo até hoje.

Luciano: A tua idade?

Lito Rodriguez: 49 anos.

Luciano: 49 anos.

Lito Rodriguez: A mesma da primeira parte.

Luciano: Quer dizer, olha que loucura. Entre uma gravação e outra, que deve fazer um mês e alguma coisa, você teve um filho?

Lito Rodriguez: Tive um filho.

Luciano: Você teve um filho. Então, você trouxe mais assunto para a gente aqui hoje, aqui, né? Como é que é ter um filho aos 49 anos da vida? Você já tinha, né?

Lito Rodriguez: Tenho dois. Eu tenho um casal.

Luciano: Com que idade?

Lito Rodriguez: 22 a Maria Luíza e vai fazer 21 agora o Mateus.

Luciano: E agora você tem um novo…

Lito Rodriguez: O Teo com 45 dias.

Luciano: Como é ser pai depois de quarenta e… eu tenho uma tese que é a seguinte, cara. Aliás, tese não. Essa é a minha vivência. A gente seguindo o ritmo normal da vida, como era na nossa época lá, você tinha filhos ali com 26, 27, 28 anos de idade. E você é um puta de um molecão, né cara? Então…

Lito Rodriguez: Meio inconsequente ainda.

Luciano: É. Ah, então cara, você cresce junto com a criança. Não tem nada a ver. Quando chega a maturidade né, normalmente antigamente, chegou a maturidade, é para a gente ser avô, né? Pô, eu agora estou maduro. A relação que eu tenho com o bebê é uma relação totalmente diferente. E eu lamento profundamente não ter tido filhos com a maturidade que eu tenho hoje. Que seria totalmente diferente a relação, né? Você está vivendo isso agora. Como é que é, bicho?

Lito Rodriguez: É bem o que você comentou, Luciano. É totalmente diferente. É uma experiência muito diferente da que eu tive na primeira vez, com 26, 27 anos. Você tem um outro tipo de energia, né? Eu não digo que tenho mais energia. Mas você é mais inconsequente, você faz as coisas de uma forma mais empírica, né? Acontece que coincide até com o nascimento dos meus dois primeiros filhos, que foram muito próximos um do outro, com o nascimento do meu negócio principal até hoje e do último negócio que eu montei, que foi a DryWash. Então, foi uma fase muito complicada ali para mim, para acompanhar a primeira infância dos meus filhos. Eu tinha essa dívida comigo. Eu acho que não com eles, graças a Deus, me dou muito bem com eles. Entendo que eles estão bem em relação a isso. Então eu me propus, no caso agora do Teo, a participar mais desse primeiro momento. Não é fácil. Não é fácil.

Luciano: Não. Imagino que não.

Lito Rodriguez: Esses primeiros dias é complicado. E a gente vai aprendendo. O ser humano tem uma capacidade tremenda de se adaptar. A gente usa muito pouco da nossa capacidade né, da nossa força física, mental. Então tem alguns aprendizados interessantes. Eu consigo, por exemplo, hoje, encostar e dormir num segundo. Porque eu sei que eu vou ter, talvez, uma hora de sono, se muito. E aquela uma hora é uma hora preciosa. Eu durmo bem. Eu consigo relaxar. Então, são aprendizados também. E eu estou curtindo muito, porque eu optei por dividir e fazer as partes ali junto com a minha esposa. Então tenho… eu só não estou dando de mamar porque não posso. Mas o resto eu estou ali. Aqueles 20 minutos pós mamada, né? Eu faço. Mas é muito legal. Eu estou superfeliz.

Luciano: É?

Lito Rodriguez: Muito satisfeito. Isso tem me ajudado, inclusive, até na vida profissional, por incrível que pareça.

Luciano: Imagino.

Lito Rodriguez: Eu não consegui terminar de ler seu livro. Então, aquele sossego ali que eu tinha. Até trocamos umas mensagens ali, quando eu comecei a ler o teu livro. Nós trocamos umas mensagens. E estava superempolgado, num dia supertranquilo, no meio de um feriado assim.

Luciano: É?

Lito Rodriguez: Saí da cama às duas horas da tarde, às seis eu estava no hospital, às onze nasceu o Teo…

Luciano: E aí virou de ponta cabeça?

Lito Rodriguez: De ponta cabeça. Mas tenho levado alguns ensinamentos.

Luciano: Legal cara. Parabéns bicho. Parabéns viu? Parabéns.

Lito Rodriguez: Obrigado.

Luciano: Parabéns a você, ao Teo, à esposa. Espero que… vamos adiante aí. Vamos voltar. Vamos recuperar ali atrás, então? Você nasceu em São Paulo.

Lito Rodriguez: Nasci em São Paulo, no ano de 68.

Luciano: Seu pai, sua mãe faziam o quê?

Lito Rodriguez: Meus pais, imigrantes espanhóis. Ambos ali da região da Galícia, a cidade mais próxima conhecida é Santiago de Compostela. Os dois nasceram num povoado ali, muito simples, muito carente, né? Não vou dizer pobre. Mas bastante carente, né? E naquele momento, eles tinham a opção de vir à América do Sul, né? Tenho alguns tios que foram para a Argentina. E os meus pais vieram para o Brasil. Tudo sem planejamento, era uma coincidência. E aí, depois de uma primeira etapa bastante complicada, onde eles trabalhavam muito, o meu pai foi empreender. Ele virou um grande empreendedor, um grande empresário.

Luciano: Ele tinha uma formação técnica, alguma coisa assim?

Lito Rodriguez: Não, não. Inclusive tanto ele como minha mãe tiveram assim… não tiveram estudo. Tiveram pouco estudo. O meu pai até avançou um pouco mais. Seria hoje o 2º grau, né? Algo assim. Mas não. Não tiveram formação acadêmica. Não.

Luciano: Mas você, quando você teve consciência de que você existia, você já enxergava um pai empreendedor ou um pai empregado, trabalhando em algum lugar?

Lito Rodriguez: Não. O meu pai, quando eu me conheci, ele já era um… ele já era um grande empreendedor.

Luciano: Já era um empreendedor.

Lito Rodriguez: A minha primeira infância assim, eu já… eu já vivi num ambiente…

Luciano: Onde o pai era o dono da firma?

Lito Rodriguez: O pai era o dono da firma.

Luciano: O pai tinha uma firma?

Lito Rodriguez: Uma firma.

Luciano: O que era a firma do pai?

Lito Rodriguez: Era uma indústria de móveis, já bastante grande e representativa no cenário econômico nacional. Era uma empresa reconhecida nacionalmente.

Luciano: Você tem irmãos?

Lito Rodriguez: Tenho dois irmãos. Sou temporão. O meu irmão 13 anos mais que eu, a minha irmã 10.

Luciano: Já estavam envolvidos com o seu pai no negócio ou não?

Lito Rodriguez: O meu irmão sim. A minha irmã não.

Luciano: Tá.

Lito Rodriguez: Que minha irmã seguiu a carreira pedagógica.

Luciano: Tá.

Lito Rodriguez: Fez pedagogia, montou a escola de educação infantil dela e segue nisso até hoje.

Luciano: E aí o pequeno Lito crescendo, olhou para aquilo e falou: um dia isto tudo será meu. O que passava pela tua cabeça sobre aquela história do: o que eu quero ser quando crescer?

Lito Rodriguez: Nossa, Luciano, que pergunta interessante. Nunca ninguém me perguntou isso. Eu nunca nem havia pensado sobre isso.

Luciano: Bem-vindo ao LiderCast.

Lito Rodriguez: Muito bacana. Olha, Luciano, me surpreendeu a pergunta. Me surpreendeu mesmo. Já valeu… já valeu…

Luciano: A reflexão…

Lito Rodriguez: O retorno.

Luciano: É?

Lito Rodriguez: Não, não. Eu posso te responder com certeza que eu não me imaginava dono daquilo. É interessante. Eu fazia parte. A minha infância toda eu vivi na indústria dele. Então, os meus sábados… aquele negócio, que o pessoal hoje vai para a praia, vai para uma casa de campo, vai para um hotel fazenda, leva os filhos para… os meus finais de semana eram… eram na fábrica dele. Eu ia para lá e lá ficava brincando. Minhas férias, boa parte do tempo eu ia para lá. Mas isso até os meus 10, 12 anos. E aí, quando eu completei os 18, eu fui trabalhar lá.  E foi uma experiência muito bacana. Porque ali eu comecei como assistente de um departamento pessoal, onde você fazia ali a parte burocrática dos recursos humanos. E eu tive um desafio, do primeiro trabalho. E ao mesmo tempo também, o desafio de… aprendi a conquistar as pessoas pela competência, né? Então eu tinha ali, eu sempre era visto como, primeiro: que ia atrapalhar o departamento. O filho do dono aqui, a gente não vai poder mais falar mal do cara, da empresa. E no fim do dia, eu muito rapidamente estava integrado àquela galera toda e, enfim, e eu passava despercebido. Eu era mais um. Isso foi uma lição bacana, foi um aprendizado muito legal.

Luciano: Parabéns, cara. Porque esse… esse fardo de ser filho do dono, eu vou te contar, deve ser uma loucura.

Lito Rodriguez: Uma loucura.

Luciano: Dever ser uma loucura.

Lito Rodriguez: Mas eu consegui lidar bem com isso, Luciano.

Luciano: É?

Lito Rodriguez: Foi bem, foi bem. Foi um aprendizado bom.

Luciano: E o que você fez, cara? Como é que você… você sacou isso com… você entrou para trabalhar no primeiro dia com um frio na barriga, do tipo: cara, está todo mundo me olhando torto. Está todo mundo preocupado comigo. Está todo… eu sou… eu sou um intruso nesse ambiente aqui. Passou pela tua cabeça isso?

Lito Rodriguez: Teve uma passagem interessante, porque como eu convivia na empresa, algumas das pessoas me conheciam de bebê.

Luciano: Pirralho. De pirralho.

Lito Rodriguez: Pirralho. Pirralho mesmo. Então, talvez, tenha sido mais natural para mim, que já conhecia aquelas pessoas. E para elas né, de uma certa forma, porque já me conheciam. Foi aquele misto de olhar assim, enfim, fui conquistando. Fui conquistando ali, com o meu trabalho.

Luciano: Você estava lá com 18, 19 anos, é isso?

Lito Rodriguez: 18 anos.

Luciano: Bom, essa é a época que você escolhe a universidade, a faculdade que você vai fazer. O que é que pintou nessa…

Lito Rodriguez: Nossa. Essa é outra pergunta interessante.

Luciano: O que é que foi?

Lito Rodriguez: Porque eu prestei, acho, vestibular, para umas seis, sete faculdades. Que eu lembre, tá Luciano? Eu talvez esqueça alguma aqui. Eu prestei Direito, prestei Administração de Empresas, prestei Economia, prestei Publicidade. Talvez eu esteja esquecendo…

Luciano: Porra…

Lito Rodriguez: Para você ver como eu estava…

Luciano: O que vier…

Lito Rodriguez: Eu sabia o que eu queria, né?

Luciano: O que vier é lucro, né?

Lito Rodriguez: Exatamente. O que vier é lucro. Naquele momento, naquele momento era é… eu prestei Direito na USP, logicamente que se eu tivesse sido aprovado na USP, eu teria feito USP. Universidade pública, de primeira linha. Não fui aprovado na segunda fase. E fui aprovado, enfim, em algumas outras. E optei por fazer Economia na FAAP. E fiz três anos. Não completei o terceiro ano. Meados… na época eram cinco anos Economia. Eu não sei se hoje continua sendo. E no meio do terceiro ano, eu saí da faculdade, numa conversa muito franca e objetiva com o professor. O professor falou assim: não ficamos os dois na universidade, na faculdade. Ou sai você ou sai eu. Eu não tenho pretensão nenhuma de sair daqui.

Luciano: Ô louco. Mas…

Lito Rodriguez: Foi um recado bem dado.

Luciano: Mas o que foi isso? Foi… foi…

Lito Rodriguez: Ah, eu era muito contestador, Luciano. Eu já trabalhava. Eu já conhecia a prática. E eu nunca gostei muito de ciências exatas, né? E tanto que eu fui depois, prestei e fui fazer Publicidade e me dei superbem, gostei da faculdade. Mas Economia tinha algumas coisas ali – por mais que era uma matéria de humanas – tinha contabilidade, tinha estatística, tinha algumas das ciências aplicadas, né? E eu contestava demais. Eu era muito contestador. Sou até hoje, né? Então aquilo acabou criando um conflito com alguns professores e com esse em particular. Ele deixou claro que…

Luciano: Ou ele ou você?

Lito Rodriguez: Ou ele ou eu.

Luciano: Aí você saiu fora?

Lito Rodriguez: Ele foi… na verdade, ele fez um favor, né? Porque eu já deveria ter feito isso, né? E…

Luciano: Então, mas me fala um pouco disso aí. Quer dizer, você ficou quanto? Três anos você fez?

Lito Rodriguez: É. Não completei o terceiro. Mas…

Luciano: Você botou dois anos da tua vida num negócio ali, que de repente, por uma questão de… de… se ele não tivesse tomado essa iniciativa, você teria, talvez, terminado e teria recebido o teu diploma lá, né? E você não sai de lá para fazer Economia num outro lugar?

Lito Rodriguez: Não.

Luciano: Você chutou o pau da barraca e falou: cara, não é isso. Esquece. Vou para outro caminho. Com 20 anos de idade?

Lito Rodriguez: Com 20 anos de idade.

Luciano: E aí? O que você…

Lito Rodriguez: E eu já estava empreendendo essa época, né? Por que…

Luciano: Olha que loucura você está falando para mim. Você não se dava bem com exatas e contestava a parte de exatas, que é exatamente onde pega quando você quer ser um empreendedor, né? Tenho uma ideia maravilhosa, vou executar aquela coisa ali. De repente, você descobre que “a parte mais fácil do negócio é ter a ideia, é abraçar uma coisa que você ama fazer.” Mas na hora que você vai botar aquele negócio em pé, tudo o que você precisa é exatamente aquele lado que você odeia, né? Que é organizar a parte de…

Lito Rodriguez: Financeira.

Luciano: Bah… bah, cara, que coisa terrível.

Lito Rodriguez: E tem um ponto mais interessante ainda. Mais interessante ainda, Luciano. Eu não entrei na FUVEST, na USP, em Direito, porque eu zerei em química na segunda fase. Eu fui muito bem na primeira fase. Química fui mal. Mas isso não pesou. E fui muito bem na segunda fase, inclusive tirei 10. Na época – não sei se hoje é assim – na época você tinha acesso às notas. E eu tive curiosidade de levantar. Eu tirei 10 em redação, que era um peso muito grande para o curso de Direito. Eu zerei. Se eu tivesse tirado 0,1 em química, 0,1 eu tinha entrado.

Luciano: Quer dizer, o cara deixa de ser advogado por causa de química.

Lito Rodriguez: Não, veja só: só que aí, o que aconteceu? A minha vida depois acabou sendo na química.

Luciano: Química.

Lito Rodriguez: Que eu desenvolvi um produto para lavar carro a seco.

Luciano: Que barato.

Lito Rodriguez: Produto químico. Então…

Luciano: Não tem nada a ver. Está tudo errado, né bicho? Está tudo errado, cara.

Lito Rodriguez: Eu não sei se está errado. Mas que é interessante, no mínimo. É para se estudar o caso.

Luciano: É a história… quer dizer, você… eu não sei o que você vai ser da tua vida, cara. Eu não posso analisar você pela tua competência de fazer uma conta aqui ou não, para saber se você vai dar certo lá na frente, até. E eu tenho casos com amigos meus, que são geniais. Eu tenho um amigo meu que é um – eu acho até que eu já comentei isso aqui num outro programa – ele é um… ele é um… ele tem uma empresa dele, que é especializada em trabalhar compra e venda de outras empresas. Então, ele pega você, pega o teu negócio e prepara o teu negócio, acha um comprador e traz e faz e ganha aquele negócio de lá. Então, ele é um cara especializado em finanças, em toda… e a formação dele é agropecuária. Ele foi fazer… não é agropecuária. Como é que é? Ele foi fazer…

Lito Rodriguez: Agronomia?

Luciano: Agronomia. Ele formou em Agronomia. E cara, e não sabe a diferença de um boi para um cabrito, né? E eu fui conversar com ele. Ele falou: cara, o fato de eu ter feito Agronomia, me deu uma visão de mundo e de negócios, que é totalmente diferente dos outros caras que competem comigo aí. Porque eu entro com um olhar que eles não têm, né?

Lito Rodriguez: Exato.

Luciano: E não tem nada a ver com aquilo tudo que eu fiz, né? Então, não dá para você contar com o que vai acontecer lá na frente, com base numa prova.

Lito Rodriguez: Não dá. E é muito difícil – para mim foi muito difícil, né? – aos 18 anos. Porque a única coisa que eu tinha certeza aos 18 anos é que eu queria ter a minha independência financeira, é óbvio, todo mundo. Isso é natural do ser humano. Mas eu queria ter uma independência que ia além do financeiro. Eu queria ter independência em poder desenvolver as coisas da forma como eu acreditava. Então, eu tinha uma experiência muito bacana nessa empresa que eu trabalhei. Mas eu não… eu não compactuava. Eu não acreditava naquele modelo de business, de gestão. Entendeu? Então, eu era contestador nesse sentido. E… e aí, naquele momento eu já era insatisfeito, como sou até hoje, né? Hoje eu sou um insatisfeito realizado. Mas continuo insatisfeito. Essa é a grande realidade. Então, a minha insatisfação me trouxe até aqui. Eu estou feliz aonde eu estou. Porém, continuo insatisfeito. Esse é o… então naquele… já era assim naquele momento.

Luciano: Sim. Você falou que você já estava empreendendo naquela época?

Lito Rodriguez: Então…

Luciano: Não era… não era… já não era mais o negócio da tua família lá?

Lito Rodriguez: Não, não era. Porque eu, então, eu comecei a trabalhar aos 18 anos, contra a vontade do meu pai. A vontade do meu pai era explícita, era clara. Ele gostaria que eu fizesse uma universidade de tempo integral, de preferência, engenharia ou algo assim. E como ele não teve condições de estudar e sempre gostou, ele é um autodidata, um camarada sábio, muito inteligente, até hoje, aos 87 anos. Ele… é… o objetivo da vida dele era ganhar dinheiro para me colocar – eu e os meus irmãos – nos melhores colégios, dar as melhores condições. Ele levou nós para viajarmos o mundo inteiro. Eu com 18 anos, já tinha viajado não sei para quantos países do mundo. Então era o sonho dele, que eu estudasse em uma faculdade de primeira linha. Assim como minha irmã tinha feito USP, entendeu? E… só que aquele era o sonho dele, não era o meu. Muito interessante isso, né? E talvez aí é… a minha… eu tenha conseguido, muito novo… porque aos 16 anos foi quando eu fui procurar o meu primeiro dinheiro. Eu fui fazer o meu primeiro dinheiro. Que eu trabalhei ali como atendente ali, como cumim num bar, né? Então foi ali que eu fiz o meu primeiro dinheiro. E quando eu fui trabalhar aos 18 anos, eu queria ganhar o meu dinheiro. Mas claramente, eu queria construir o meu negócio. E aos 19, um ano depois, apareceu uma oportunidade. E eu convidei dois sócios para montar uma loja de móveis e decorações. Essas lojas como a Artefacto hoje. Essas lojas de móveis finos, né? E foi um sucesso naquele momento. E eu saí do negócio com dois anos, dois anos e meio mais ou menos, com um dinheirinho. Foi a primeira vez que eu consegui fazer algum dinheiro. E eu saí daquele negócio porque eu não enxergava nele perspectiva de fazer algo novo, diferente, melhor do que já existia. Já tinham grandes players no Brasil, bem estabelecidos. Então essa minha insatisfação gerou a vontade de empreender. Só que naquele momento eu trabalhava de funcionário numa empresa, tinha que cumprir horário. Eu tinha esse negócio que eu me dedicava à noite, final de semana, feriado, enfim. E durante o dia, eu tinha que ter algumas ações em relação àquilo. O meu sócio trabalhava no negócio. Eu era apenas um sócio investidor. E fazia faculdade. Claramente eu não fazia nenhuma das três coisas bem-feita. Nenhuma. E o que ficou claro para mim é que das três, a que mais me deixava infeliz era o meu trabalho como funcionário de uma empresa. No entanto que seis ou cinco anos depois, eu fui demitido, num movimento de profissionalização. Toda a família foi demitida. Tinha muita gente da família que trabalhava na empresa. O meu pai tinha sócios, cunhados. E aquilo foi a primeira grande lição da minha vida. A primeira grande, que me leva, que me marca até hoje, que me faz ser como eu sou até hoje. Que é tomar as decisões de saída como você toma as de entrada. E é tão importante quanto você sair, terminar, finalizar um processo, assim como você faz para entrar. Então naquele momento eu me senti muito frustrado por não ter tomado a decisão de pedir as contas e me demitir. Eu fui demitido. E fiquei muito frustrado por isso. Aquilo me marcou demais. Tanto que logo no ano seguinte eu peguei todas as economias que eu tinha, que eu era poupador, eu tinha ganho um dinheirinho naquela loja de móveis. Tinha feito um dinheiro com o meu salário. Eu poupava. Eu vivia com os meus pais. O meu custo era muito baixo. Peguei meu fundo de garantia. Peguei todo esse dinheiro e montei, entrei de sócio num negócio que já existia. E em um ano ou menos de um ano, eu percebi que esse negócio não tinha a ver comigo, que não ia dar certo da forma como era conduzido.

Luciano: O que era?

Lito Rodriguez: Era uma fundição de estanho. O estanho é uma liga que você com chumbo, fabrica a solda.

Luciano: Você continuou na área industrial? Você estava na área industrial de móveis. Foi para a área industrial?

Lito Rodriguez: É. Tive aquele momento de comércio ali.

Luciano: Um pedacinho ali no meio.

Lito Rodriguez: De comércio. Tudo bem que a loja de móveis também tinha uma partezinha ali de processo de pintura e montagem de móveis. Mas era comércio. Mas fui para a indústria. Sempre gostei muito da indústria. Sempre gostei. Até hoje gosto bastante de indústria. E aí, nesse momento que eu tomei essa decisão de sair desse negócio, a única certeza que eu tinha naquele momento – isso é claro para mim, Luciano, é como se fosse vivendo hoje – é que eu iria empreender. Até outro dia me perguntaram: empreende por quê? E a minha resposta foi: eu empreendo porque é natural. Eu não empreendo pela razão a, b, c. Eu empreendo porque empreendo. Ponto. Entendeu? Eu acho que ganhar dinheiro todo mundo precisa ganhar. Se desenvolver profissionalmente todo mundo precisa se desenvolver. Então, até aí, se eu vou empreender, se eu vou ser executivo…

Luciano: Você acha que isso é um DNA, cara? Que quando você conhece. Você deve, evidentemente, você está na Endeavor, está envolvido com um monte de gente. Conhece muitos empreendedores. Você consegue enxergar esse fogo interior? Essa coisa do DNA? Esse cara nasceu para empreender e esse aqui se tornou um empreendedor porque quis ser. Ele não nasceu para ser, mas quis ser e se tornou. Dá para ver isso claramente? Deixa eu completar um pouquinho mais. Minha família não tem ninguém de comércio. Ninguém de comércio. Então eu olho para aquilo e até pensei, eu falei: é até difícil para mim imaginar nós envolvidos em comércio. E meu filho agora se meteu num negócio de fazer o Mondenet Burger lá, ele está prestando serviço, trabalhando com comida e virou comércio, né? Numa família que não tem ninguém fazendo isso. E eu fiquei imaginando que não é DNA, é alguma outra coisa que tem a ver com o seu jeitão de ser. Como você vê isso?

Lito Rodriguez: Eu acho que talvez um pouco o ambiente. Então, possivelmente o teu filho hoje não viva isso em casa, com sua família. Mas ele… hoje é mais falado. É mais reconhecido. Se quebrou aquele paradigma que empreender era um bicho de sete cabeças. Era para pessoas ou malsucedidas e que não tinha outra opção na vida, então ia ter que empreender, enfim. Então eu acho que nesse sentido, evoluiu muito. Você comentou da Endeavor. Quando eu entrei para a Endeavor em 2002 a palavra empreendedorismo não existia no dicionário. São 15 anos apenas. Eu não estou dizendo que esse movimento é de hoje. Há 10 anos é reconhecido que empreendedorismo é algo que faz parte. Agora, da mesma maneira que teu filho foi picado com esse bicho poderoso – e modéstia aparte falando – muito bacana de empreender. Têm pessoas… a minha esposa, por exemplo, a chance de ela empreender é negativa. É menos um. Não faz parte dela, entendeu? Então é… e ela vem de uma família – pai e mãe não são empreendedores – ela tem um tio muito empreendedor, que convive assim, muito próximo. Mas o ambiente não fez com que ela analisasse isso como uma possibilidade de empreender. Então eu acho que também tem um pouco da característica da pessoa, sim. Não porque ela herdou. Não porque a família é empreendedora ou não. Mas eu acho que é personalidade mesmo. E no meu caso, eu acho que é a insatisfação, é querer fazer algo diferente, fazer mais. Eu acho que é isso. E aí, às vezes, num ambiente onde você é funcionário… hoje em dia, Luciano – e eu defendo muito isso – as empresas – do meu ponto de vista – que irão ser bem-sucedidas no futuro, são aquelas que derem espaço para os seus colaboradores empreenderem. É uma tese que eu falo há muito tempo, que eu acho muito pouco explorada. Fica uma dica aqui, para se tratar desse assunto: do intraempreendedorismo. Entendeu? É uma coisa que deve crescer muito no Brasil, demais. E vai abrir muita oportunidade.

Luciano: Eu tenho batido muito nessa tecla aí. Inclusive eu lancei, acabei de lançar agora aqui, o sumário do livro desse mês lá no Café Brasil Premium, chama-se Mindset Exterior. Então são uns caras que escreveram um livro e lançaram aí, dizendo o seguinte: que a grande dificuldade é você mudar o mindset interior para o exterior, que é você não de fora para dentro, mas de dentro para fora. Que é você estar disposto a entender os outros, adaptar o seu comportamento a eles e fazer com que as coisas funcionem em relação a eles. Isso tem tudo a ver com isso que você está dizendo aí, que é essa história toda de você: como é que eu vou fazer para colocar isso em prática na minha empresa? Eu vou pegar aquele pessoal que responde para mim e dizer o seguinte: cara, a tua função não é seguir um roteiro. Não é pegar esse roteirinho aqui e seguir passo a passo. E se você sair fora, o auditor da ISSO te pega e você vai dançar. O teu passo é o seguinte: eu estou te dando uma visão. Eu estou te mostrando para onde é que nós estamos indo. Eu estou te dizendo o seguinte, cara: aquele é o caminho, é lá que nós queremos chegar. Crie.

Lito Rodriguez: Vamos juntos.

Luciano: Entendeu? Vamos lá. Agora me inventa moda. Então, ele diz lá claramente o seguinte: quando eu defino para as pessoas claramente o que é para fazer, para onde é que tem que ir, eu não tenho que ficar dizendo para ela como fazer isso ou aquilo o tempo todo, entendeu? Que ela já sacou. E ela vai começar a criar as coisas para ir naquela direção. Quando você corta isso, você acaba se dedicando a mudar o comportamento das pessoas, sem mudar o mindset das pessoas.

Lito Rodriguez: Exato.

Luciano: E aí cara, é aquela história, é o roteirinho. Toma o roteiro, senta aí, faça, deixa o cérebro em casa e executa. E você perde a chance de botar esse vírus, sabe, do cara se sentir dono. Eu sou o dono do meu processo.

Lito Rodriguez: Assumir né, assim, como dono em todos os sentidos, né? Inclusive, eu acho que isso hoje em dia o que colabora para isso é a transparência. Hoje é muito mais transparente, né? A impressão que eu tenho é que o empreendedor no passado, ele era mais fechado do que ele é hoje. Hoje ele compartilha a visão dele. Hoje tem ferramentas, hoje…

Luciano: Esse é o termo: compartilhar é o nome do bicho.

Lito Rodriguez: É isso aí. É isso aí.

Luciano: Que era uma coisa que a gente – na nossa época lá traz – guarda cara, a tua informação. Não conta, hein?

Lito Rodriguez: Isso.

Luciano: Não deixa ninguém saber. E hoje em dia é contrário, cara. Abra.

Lito Rodriguez: Abra.

Luciano: Mostra para todo mundo.

Lito Rodriguez: E se você não abrir, ela vai aparecer de qualquer maneira. Hoje em dia a informação…

Luciano: Mas é uma mudança. É uma quebra de paradigma brutal. Tem muita gente ouvindo a gente aqui, achando que isso é absurdo. Mas cara, o que eu estou vendo. Eu estou acompanhando essa molecada nova que está chegando aí. E o jeito deles de trabalhar é um negócio absolutamente… é outro mundo. Eu olho para aquilo e falo, que eu não consigo pertencer a isso. Não faz parte do meu negócio pertencer a isso. Mas vamos lá, mais um pouquinho, vamos chegar lá na tua… no teu momento da tua pedra filosofal ali. Você então, continua ali como… descobriu que não era bem aquele negócio que você queria. O que você fez na sequência?

Lito Rodriguez: Então, aí quando eu saí desse negócio que eu fiquei sócio durante um ano, aí eu saí liso mesmo, sem dinheiro. E eu não tinha uma especialização. Eu tinha feito faculdade de Publicidade, nunca tinha trabalhado na área. Então, eu não era um técnico em nada. E naquele momento foi bem interessante, Luciano, porque em nenhum momento… eu estava numa fase vida delicada, porque eu tinha acabado de casar. Então, eu precisava, enfim sustentar, ajudar na minha casa. Não sustentar, porque a minha esposa trabalhava. Até, na verdade, ajudou bastante a sustentar a casa. Mas naquele momento eu ia montar algo. E eu coloquei, montei na minha cabeça, de forma desestruturada no papel, mas bem estruturada na minha cabeça, uns 30 negócios. E dois…

Luciano: Pô, o cara faz 12 vestibulares, 30 negócios.

Lito Rodriguez: Para você ver como eu era focado, né? Foco era o meu forte. E aí você viu. E eu fiquei. Dois foram finalistas. Dois foram finalistas. Montar uma rede de lavar carro ou uma rede de assistência técnica de eletroeletrônicos. E o porquê desse dois? Porque quando eu dizia para você, quando eu falei aqui que eu queria montar uma rede, na verdade assim, eram três lojinhas. Três lava-rápidos. Dois era o meu sonho grande naquele momento, ou três lojas de assistência técnica, que não tinha uma referência. O que eu buscava naquele momento? Algo que eu pudesse fazer que virasse uma referência. Eu preciso lavar o meu carro. Eu preciso fazer um polimento no meu carro. Eu preciso higienizar o meu carro. Aonde eu levo? Que marca que vem à minha cabeça? Não vinha uma marca na minha cabeça. Era um mercado que tinha uns 50 milhões de lava-rápidos, cada um com a sua marca, com o seu jeito de ser.

Luciano: Isso tudo era pré-Endeavor?

Lito Rodriguez: Não, não, não tem nada a ver com Endeavor aí.

Luciano: Não. Eu quero marcar bem isso aqui: é pré-Endeavor, ou seja…

Lito Rodriguez: Ah, é pré-Endeavor. É pré.

Luciano: Não é que você tivesse já, diante de você, uma grande receita e fala: muito bem, eu vou seguir essa receita aqui.

Lito Rodriguez: Não, não.

Luciano: Não. Você inventou.

Lito Rodriguez: Nada.

Luciano: Você criou critérios ali? Você botou 30 em cima da mesa e falou…

Lito Rodriguez: Eu tinha um sonho grande…

Luciano: E criou critérios. Falou: bom. E foi eliminando conforme critérios que você tinha ali.

Lito Rodriguez: Isso aí. Eu tinha um sonho grande. E o sonho grande. Eu costumo dizer que… tem um empreendedor, um empresário, que diz que sonhar grande e pequeno dá o mesmo trabalho, que é o Jorge Paulo Lemann, certo? E eu, metido como sou, fui lá e tentei complementar um pouco da frase. Quem sou eu, para dar uma pitadinha na filosofia do camarada? Ainda mais de quem nós estamos falando, dele, o grande, o maior empreendedor, talvez, de todos os tempos. Esse sonho tem que ser legítimo, do meu ponto de vista. Ele tem que ser grande, mas legítimo. Porque tem muito sonho grande, você falou agora da molecada jovem aí. Eu conheci um monte de gente que, primeiro, que eles têm um sonho grande que não é legítimo, no meu ponto de vista. Quero mudar o mundo. Isso não existe, cara. Talvez você consiga mudar a tua calçada, num primeiro momento. Esse é o sonho que você pode expressar hoje. E o segundo, essas pessoas, elas querem tudo para ontem. Questão de time. É uma coisa que me deixa bastante aflito. Então eu vi muitos negócios se perderem, porque o cara não ficou milionário em três anos. Não tem caso, que ninguém ficou milionário em três anos. Isso não existe. É o que as pessoas acham. Facebook, Google. Ah, o cara ficou. Não, não foi três anos, não. Foi até rápido, mas não foi três anos.

Luciano: Vou criar meu aplicativo aqui e daqui a dois anos eu vendo ele para o Google.

Lito Rodriguez: E fico milionário.

Luciano: E boto um bilhão no bolso e estou bilionário.

Lito Rodriguez: É isso aí. Aí o cara não consegue fazer isso em três anos e desiste. Eu vejo, mas muitos, muitos e muitos e muitos casos todos os dias assim. Naquele momento o meu sonho grande era: eu quero fazer algo que vire uma referência. E referência é: eu quero na zona sul de São Paulo, ter um, dois, três, cinco lava-rápidos diferentes. Diferentes no sentido de ser profissionalizado. Integrar o funcionário. Pô, se eu estou prestando serviço, o fim do meu negócio é a mão de obra.

Luciano: Que ano era isso?

Lito Rodriguez: 94.

Luciano: Nós estamos falando de 23 anos atrás.

Lito Rodriguez: 94.

Luciano: Você que está ouvindo hoje aqui, está ouvindo a gente falar aqui. O discurso do Lito aqui agora é uma coisa que hoje é comum. Hoje todo mundo fala isso. Há 23 anos atrás, não era assim não. Não tinha essa ideia de que meu foco é como você está falando aí. Não. Era outro papo, cara. Criar um produto, fabricar um produto, vender o produto, viva o produto.

Lito Rodriguez: É isso aí.

Luciano: Olho no produto. O meu negócio é o produto.

Lito Rodriguez: É isso aí. Exatamente isso. Naquele momento não existia o termo sustentabilidade. Não tinha a palavra empreendedorismo. Existia o SEBRAE, ainda com algo muito complexo, muito voltado apenas à gestão e não à macrogestão, que eu digo, não a tudo que envolve o ecossistema de um negócio. Que não é apenas o planejamento estratégico ou os KPIs financeiros e administrativos. Então, naquele momento, Luciano, eu tinha esse sonho. E o sonho logicamente foi… ele foi crescendo, de acordo com o tempo. Tanto que até hoje – e aí para fazer de uma história longa uma história bem curta – de lavar carro em 94, começar a lavar carro a seco em 95. O porquê de lavar carro a seco? Porque eu queria lavar o carro onde eles estavam. Era uma forma de eu crescer mais rápido. Eu não tinha a barreira de ter que alugar um terreno, construir. Então, tinha um custo de implantação, um CAPEX alto. Então eu não tinha grana. Não conseguia atrair investidor. Na época era impossível você falar em investimento. Não existia nada de investidor institucionalizado. Tinha um banco lá, que você pagava 15% de juro ao mês. Estourava o cheque lá e pagava 15% de juro ao mês. E aí, o que aconteceu naquele momento, que com esse advento da lavagem a seco… e aí a pessoa fala: pô, você inventou a lavagem a seco? Não. Eu não inventei nada. Eu fui o cara que conduzi um monte de gente para uma ideia. É como eu faço até hoje. Eu tenho uma ideia aqui, expresso essa ideia para 100 pessoas, meia dúzia compram a ideia, três conseguem perseverar comigo e vamos embora. Eu sou uma parte disso.

Luciano: Eu conheço um cara muito parecido com isso, cara. O sobrenome dele eu acho que era Jobs. Era uma coisa assim. Qualquer coisa Jobs. Eu não me lembro bem como é que era. Que não é isso, cara? Não é esse? Pega o modelo, cara. É exatamente isso. O que existe? Tem uma miríade de coisa. Cara, eu tive uma visão. Vamos juntar essas coisas todas aqui? Moçada, quem vem comigo aqui? Vamos juntar isso aqui tudo. Pum. Você tem uma coisa que, em certa medida, muda o mundo. Mas de novo, é um…

Lito Rodriguez: Um exemplo…

Luciano: É um. É um. É um em um milhão.

Lito Rodriguez: É isso aí.

Luciano: É um em um milhão. É um em um bilhão.

Lito Rodriguez: É um em um bilhão, cara. É um em um bilhão. Ou mais até, né?

___

Luciano: Você chegava a ter uma consciência na época, de imaginar que você estava trabalhando numa das maiores indústrias de móveis da América do Sul, construída pelo teu pai? A partir que chegou aqui, do zero? Com uma mão na frente e outra atrás? E constrói aquilo tudo. Você tinha essa dimensão? De estar naquele ambiente e falar: cara, o meu pai fez isso aqui. Ou isso não cabia?

Lito Rodriguez: Nossa, Luciano, nunca ninguém me perguntou nada próximo a isso e eu nunca pensei sobre isso.

Luciano: Bem-vindo ao LiderCast.

Lito Rodriguez: Olha, de pronto, quando você começou a me perguntar, eu vou te responder aquilo que veio na minha alma. Nunca pensei sobre isso. Para mim era algo natural, como quando eu entrei aqui no teu escritório, no teu estúdio, no teu ambiente de trabalho.

Luciano: Isso que está aqui. Eu não sei a história envolvida nisso?

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Como é que é a tua visão hoje, cara, quando você olha para essa história do teu pai e vê essa… o que o espanhol que chegou aqui duro construiu? O que me chamou a atenção não foi você dizer que ele era dono de uma indústria. Foi você dizer que ele tinha uma indústria de móveis que era uma das maiores da América do Sul. E você acabou de me dizer que ele chegou com uma mão na frente e outra atrás.

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Sabe? Cara, tem uma história aí que é de tirar o chapéu.

Lito Rodriguez: De tirar o chapéu. E o que eu acho mais incrível é que tudo isso foi construído de uma forma baseada no trabalho. E não teve espertezas no meio do caminho. Então, essa foi a maior lição. Teve muita resiliência. Teve muita persistência. Porque ele, assim, eu imagino que se eu perguntar para ele hoje isso – que com certeza eu vou sair daqui, a primeira coisa que eu vou fazer, eu vou ligar para ele – o que vai acontecer na resposta, que eu imagino que ele construiu isso de forma natural.

Luciano: Sim. Ele não percebeu.

Lito Rodriguez: Não foi algo planejado. Porque às vezes, você ouve uma história, você lê, de alguém que não sei, sonhou, teve uma premonição. No caso dele, eu entendo que foi fruto único e exclusivo do trabalho e do trabalho bem-feito.

Luciano: Ponha isso em termos de hoje. Hoje eu diria para você o seguinte: encontre o seu propósito. Vá atrás de seu propósito. Se projete na frente. Sonhe aquilo que você quer ser. E aí, parta para construir isso. E a história que você está contando do seu pai é de um monte de gente. O meu avô chegou no Brasil em 1917, com 12 anos de idade, junto com um primo de 15 e foi morar no interior, de Portugal. Nada. E quando morreu, tinha construído não só um patrimônio, mas uma história…

Lito Rodriguez: Sim. Um legado.

Luciano: Você olha para aquilo e fala: como é que ele fez isso, né? Como é que esse cara fez isso? Como é que teu pai fez isso, né? E quando você disse para mim que aquilo era resultado natural de um trabalho honesto e bem-feito. Você que está ouvindo a gente aqui, cara, essas histórias existem. E ainda é possível que elas existam nos dias de hoje. Embora a gente, nós estamos inoculados aí de um vírus desgraçado, que diz que você só pode fazer sucesso se você for amigo do rei, se você enganar, se sacanear, se roubar, etc. e tal.

Lito Rodriguez: Passar alguém para trás.

Luciano: Não é assim. A maioria das histórias que a gente escuta, ainda hoje em dia, não são assim.

Lito Rodriguez: Não são, Luciano. E eu preciso fazer um… eu preciso, não fazer uma correção aqui, mas o que é importante nessa história, tá, que o meu pai não fez isso sozinho. Então, a maior lição que eu tenho e aquilo que eu mais acredito na vida, mas isso em tudo, não só no âmbito empresarial. É que ninguém constrói nada sozinho. Então, o que acontece é que ali era ele, o meu pai, e três irmãos da minha mãe, que eram cunhados dele. E os quatro criaram uma estrutura de cooperação e de trabalho em conjunto, uma sociedade tão enraizada, que aquilo contaminou de um lado. Contaminou de uma forma positiva, toda a família.

Luciano: Legal.

Lito Rodriguez: Que a família é enorme. São quatro famílias, que dali surgiram 16. De 16 foi para 64 e não sei quantas famílias têm hoje. E todo mundo, primos, primos de 1º grau, de 2º levam esse mesmo conceito, essa mesma raiz, de que você precisa fazer as coisas em conjunto. Porque não dá para fazer nada sozinho. Eu não consigo imaginar. Eu ouço muito pessoas que dizem: ah, eu não quero ter sócio. Cara, você vai ter alguém, mesmo que você não tenha sócio, você vai ter alguém ali que vai ser o teu braço direito. Que vai ser…

Luciano: E, no mínimo, uma rede de relacionamentos em volta de você, sem as quais negócio nenhum se mantém em pé.

Lito Rodriguez: Exatamente. É isso aí.

Luciano: Eu tenho. Eu acabei de fazer agora, para o Café Brasil Premium. Eu fiz um sumário de um livro chamado Mindset, onde a autora coloca lá, ela fala do mito do lobo solitário. O sujeito brilhante, que do nada cria coisas maravilhosas e ela usa exemplos e fala: cara, você pega um Charles Darwin, que escreve um livro que muda a história da humanidade, A Origem das Espécies. Mas ele fez esse livro depois de meia vida.

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Estudando, conversando, batendo, trocando, testando hipótese com os colegas dele. Aí quando chegou lá na frente, que estava maduro, nasce o livro. Mas o livro é resultado disso tudo. Ele dá o exemplo do Mozart. Fala: antes de o Mozart escrever todas aquelas peças que a gente hoje trata como coisa genial, ele gramou durante 10 anos, cara. Fez um monte de amontoado de coisas, que não levou a lugar nenhum. Testou aquilo tudo com um monte de gente, com o professor dele. E lá na frente…

Lito Rodriguez: Deve ter errado muito.

Luciano: Sem dúvida. E lá na frente surge. Mas aquilo é resultado de um monte de tentativas. Que por mais que você tenha um elemento que fala: esse é o cara que faz acontecer. É aquela história: esse é o Guga, que ganhou o campeonato. Sem o Larri Passos não tem Guga.

Lito Rodriguez: Exatamente. E sem a família dele, né?

Luciano: E sem a família do Guga, muito menos, né?

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: É isso aí. Legal.

Lito Rodriguez: Eu acho que isso aí, talvez, é o grande legado dos nossos pais e das pessoas que de fato fizeram, cada um do seu jeito, cada qual da sua maneira as histórias das famílias.

Luciano: Sim. E uma coisa que eu costumo bater bastante. Você vai notar. Isso aqui é um bate-papo. Então não é uma entrevista, tá?

Lito Rodriguez: Claro.

Luciano: Então eu entro e dou meus pitacos à vontade aqui, né? Eu costumo bater muito nisso. Eu escrevi um texto há um tempo atrás, onde eu conto uma história de um dos primeiros caras que tentou escalar o Everest em 1929. Eles foram para lá, o George Mallory. E ninguém sabe se chegou no topo ou não. Porque a última vez que ele foi visto junto com o colega dele, ele estava a 8 mil metros de altura. Depois disso nunca mais ninguém viu. O cara desapareceu. Os dois sumiram. Ninguém mais sabe da história. E tem uma busca incessante para encontrar o corpo desse cara, porque pode ser que a câmera fotográfica esteja com ele. E se a câmara estiver é possível revelar o filme e descobrir se eles chegaram no topo ou não. Se chegaram, muda a história dessa montanha. O corpo dele foi descoberto em 1997, 99 – se eu não me engano – acharam 70 anos depois o corpo do cara, encontraram, não acharam a câmera ainda, porque o outro não foi encontrado. Mas o que importa nessa história é o seguinte: quando eu li toda a história da descoberta do corpo – que é fascinante – o cara que descobriu o corpo dele falou: cara, o que me chamou a atenção quando eu encontrei aquele corpo, que estava assim, preservado. Ele estava vestindo um tipo de roupa, que hoje em dia, qualquer pessoa que andar pela cidade de Seattle no inverno, está mais bem agasalhada do que ele a 8 mil metros de altura no Everest. Esse cara estava com uma botinha de couro. Ele estava com meia de lã. Não há cabimento. A roupa que ele vestia naquela época era um absurdo. Hoje em dia você nem fala naquilo lá. E eu usei isso para fazer um paralelo. Eu falei: cara, com aquela roupa que ele estava vestindo, ele chegou a 8 mil metros de altura. E depois dele, vieram outros que chegaram aos 8.850. Ele estava vestindo o que tinha de melhor na época. O que tinha de mais evoluído era aquilo que ele tinha cara. Então, com aquilo ele chegou até lá. E eu bati muito na tecla. Porque depois que eu passei a fazer o meu trabalho fora da imprensa e tudo. Eu visitei um monte de empresas. É muito comum encontrar o executivo, o CEO jovem, de 30 anos, que vem mostrar a empresa e que mostra como ele revolucionou a empresa. Aqui onde trabalhavam 60 pessoas, só tem três hoje. Eu acabei com aquilo tudo, que era um desperdício de dinheiro. Trata as histórias dos pioneiros que vieram daquela época, como se aquilo fosse um absurdo. Aqueles caras não sabiam como fazer. Eu sei. Aqueles caras não usavam o processo certo. Eu uso. Cara, aqueles caras trouxeram até aqui.

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Entendeu? Passaram por uma época que tinha inflação de 80% ao mês. Que não tinha cartão de crédito. Que não tinha internet. E trouxeram a gente até aqui. Então olha para trás. Ao invés de dizer que aquilo era uma vergonha, você tem que falar: meu, olha até onde os caras chegaram. A partir daqui eu continuei e fiz a coisa crescer, né?

Lito Rodriguez: Sim. Exatamente. Concordo.

Luciano: Exatamente o que você colocou: é o respeito pelos pioneiros que trouxeram a gente até aqui.

Lito Rodriguez: Pelas raízes, pela base de tudo isso. Exatamente.

Luciano: Sim, sim. Mas aí você resolve…

Lito Rodriguez: Siga esse exemplo.

Luciano: Você estava lá infeliz e tem que dar um jeito. Que idade você tinha?

Lito Rodriguez: Eu tinha 24 anos. E uma lição que ficou clara para mim ali, é uma lição importante, uma das principais, que eu levo até hoje. É que naquele momento eu fui omisso. Eu não tomei uma decisão de sair daquela empresa. Isso me magoou. Até hoje é uma marca que eu levo, enfim, é um aprendizado. Com certeza esse aprendizado possibilitou que eu tomasse decisões futuras baseadas nele, nesse aprendizado. Mas eu… a empresa passou por uma reestruturação, aonde entrou um corpo de gestores, que se baseava em tirar toda a família. E nessa eu fui demitido. Dois ou três meses antes do meu casamento. E eu nunca me esqueço – porque isso já tem tanto tempo, mas é muito claro para mim – a minha felicidade quando eu fui demitido. Porque parece que eu tirei…

Luciano: Um peso?

Lito Rodriguez: Parece que eu andava com uma jaqueta, que nos bolsos tinha pedras. Pedras que pesavam mais que o meu corpo. Então eu me vi livre dela e fiquei muito feliz. E não pensei mais, não passou na minha cabeça a hipótese não ter, não montar um negócio. Eu queria montar um negócio.

Luciano: Você não queria trabalhar mais para alguém?

Lito Rodriguez: É. Esse negócio de não trabalhar para alguém, é porque assim, eu acho que não é muito certo dizer que quando você tem o teu próprio negócio, você não trabalha para alguém. Na verdade, você até trabalha para mais pessoas. Mas eu queria ter algo assim, que eu pudesse… que eu pudesse dar a direção. Dar a direção.

Luciano: Deixa eu dar uma pausa aqui, para pegar um ponto importante que você colocou aí. Quando é que caiu a ficha que você pensou o seguinte: me arrependo de não ter saído da empresa? Que você falou: tive o erro de não ter saído da empresa. Eu não vou te perguntar por que você não saiu. Porque eu imagino. Um garoto com 24 anos de idade, o peso da família, a expectativa do pai, etc. e tal. Você falar: vou sair…

Lito Rodriguez: E a empresa não estava numa situação boa. Então eu achava que eu ia abandonar o barco num momento que a empresa, talvez, precisasse de mim.

Luciano: Mas o que me interessa é o seguinte: quando foi que caiu a ficha? Que você fala: cara, como eu me arrependo de não ter saído antes?

Lito Rodriguez: No segundo. No segundo que eu fui demitido. No mesmo segundo. No mesmo segundo. Por que…

Luciano: Quando deu aquela sensação de alívio você falou: cara…

Lito Rodriguez: De alívio. E quer dizer, aquilo, eu estava vestindo uma roupa que não foi feita para mim. Então não é justo comigo e muito menos com a companhia e com os meus pares, com as pessoas que trabalhavam comigo, com os acionistas eu estar ali. Não era justo.

Luciano: Que você não vai estar performando no teu melhor.

Lito Rodriguez: Com certeza.

Luciano: Não vai estar com nenhum tesão de fazer acontecer.

Lito Rodriguez: Nada, nada, nada. Luciano, tudo errado. E eu vejo isso hoje de forma muito clara. Até em empresas que eu participo de uma maneira ou de outra, como investidor, tocando ou que eu conheço. Fica claro isso, entendeu? Então, mas é um processo. Ele foi importante para mim. Ele foi importante. Porque ele determina na minha vida hoje, decisões que eu acabo tomando baseada no sentimento. Então têm coisas que você percebe que não é para você, que não é, enfim, por mais bacana que seja, não faz parte do teu espírito de vida. Então isso me ajudou. Mas foi uma experiência interessante. Não vou dizer que não me prejudicou. Deve ter me prejudicado. Eu não devo ter sido um bom funcionário, entendeu? Então… mas eu dei o melhor de mim.

Luciano: Claro.

Lito Rodriguez: A vantagem dessa história toda é que eu não saí de lá dizendo que não dei o melhor de mim. Mas eu não era feliz.

Luciano: 24 anos de idade. Desempregado. E com casamento marcado para daqui a dois meses. E aí?

Lito Rodriguez: Então, aí eu descobri uma outra coisa importante, que foi você ter o apoio de quem está do teu lado. Então eu continuei tendo o apoio dos meus pais e tive o apoio da minha noiva, que virou minha esposa. Então isso foi uma coisa muito legal, porque: eu estou a fim de montar um lava-rápido. Então: poxa, que legal. Bacana. Vamos embora. Entendeu? Então o simples fato de a pessoa falar: poxa, que bacana, que legal. Te dá um up. Você fala: poxa, será que é por aí mesmo? Então, e o porquê disso? Porque eu queria montar algo naquele momento que de fato eu pudesse fazer diferente. Diferente do que existia. Não só maior. Maior talvez fosse a consequência. Mas algo diferente. Um pouco difícil de explicar isso. Talvez quem está nos ouvindo, fica meio estranho, né? Quer uma coisa maior? Maior em tamanho? Em número de unidades? Em faturamento? Não. Certamente não. Era maior em impacto que isso pudesse gerar. Principalmente, isso eu consigo dizer hoje, talvez em 94, 23 anos atrás, eu, intuitivamente pensasse dessa forma. Mas claramente não era nada…

Luciano: Racional. Sim…

Lito Rodriguez: Racional. Não estava nada planejado. Não estava escrito. Escrevi isso aqui num papel, coloquei atrás da porta e um dia eu vou olhar. Não, nada disso. Olhando para trás, pelo retrovisor, era algo que hoje é aquilo que eu mais gosto de fazer, que é sentir, perceber as pessoas se desenvolvendo, através do meu universo, que é o universo dos negócios que eu participo. Tá? Isso pode ser uma ONG, que eu fui chamado ali para ser um voluntário, como participei de um negócio durante três, quatro anos. Que eu percebi ali um jovem se desenvolvendo em alguma aptidão que ele tinha e que estava escondida. Ou num franqueado nosso que consegue crescer e formar um filho na faculdade. Um auxiliar de lavagem de carro – existe essa profissão, que é o cara que é o auxiliar do lavador de carro – e ele se transformar num…

Luciano: Lavador de carro.

Lito Rodriguez: Lavador de carro. Depois num consultor. E alguns deles até já empresários, têm os seus negócios. São concorrentes alguns, outros estão com outros tipos de negócios. Eu acho isso muito legal. Isso, de fato, é a minha cachaça. É aquilo que eu mais curto sentir.

Luciano: Que foi aonde a vida te trouxe, né? Volta lá naquele momento em que você fala: vou montar um lava-jato. Você até então não tinha sido um empreendedor. Você tinha montado lá atrás uma fábrica com seus amigos. Eu fiz uma experiência parecida. Imagino que passei o mesmo que você. Monta o negócio e vê o que acontece?

Lito Rodriguez: Quem tocava era um dos sócios. Eu só ia lá de vez em quando, dar minhas pitadas.

Luciano: Mas você estava lá. Vou montar um negócio, vou ter que investir dinheiro, eu tenho que contratar, eu tenho que pagar conta, eu tenho que pla-pla-pla. Isso aí, você não foi treinado para isso em momento algum? Você fez um curso para empreendedor? Você tinha onde buscar as informações? Ou a história: peito e vamos fazer?

Lito Rodriguez: Vamos fazer. Não tinha. Não tinha nada na época. Tinha o SEBRAE apenas. E o SEBRAE não era tão acessível como ele é hoje. Era… não sei. O SEBRAE naquele momento, às vezes que eu tentei ir lá, assim, eu ficava um pouco constrangido, porque era muito complexo, todos os processos. Eu achava que aquilo mais me complicava do que descomplicava. Mas não existiam programas como o teu, onde você pudesse ficar ouvindo histórias totalmente diferentes, que te levassem a uma conclusão sobre o que seria empreender ou ter o seu próprio negócio. E muito menos esse monte de conteúdo que a gente tem hoje, de organizações que apoiam o empreendedorismo.

Luciano: E nem tinha um tio para falar: tio, eu vou encostar em você, para ver como que você faz, para fazer igual?

Lito Rodriguez: Não tinha.

Luciano: Você foi desbravar. Você foi sair do zero, né?

Lito Rodriguez: E o que foi importante, Luciano – eu vou voltar nesse assunto – porque foi importante o apoio. O meu pai mesmo me apoiou. Porque muitos amigos chegavam nesse lava-rápido e perguntavam: cara, mas você está louco? O que você… uma empresa. O teu pai com uma empresa gigante, você saiu de lá para montar um lava-rápido? E interessante que era tão difícil eu explicar o meu objetivo. Eu nem sabia explicar. Eu não tinha nem como colocar isso num papel, né? Não tinha nem um business plain sem formato na minha cabeça, quanto menos um documento. E a minha resposta sempre era a mesma, estava na ponta da língua: eu estou feliz. Ponto. Ponto. Algumas pessoas aceitavam: pô, que legal que tu está feliz. E outras pessoas achavam: poxa, esse cara está perdido. E assim foi. Então, eu só respondia isso. Era uma resposta bem curta e de alguma forma, para algumas pessoas, até grossa.

Luciano: Ponto final. Era um ponto final?

Lito Rodriguez: É. Não tinha. Não dava um bate-papo. Não tinha sequência. Se eu viesse bater um papo contigo, como eu estou aqui agora, com certeza, nossa conversa não duraria cinco minutos.

Luciano: Sim. Terminou ali: estou feliz e deu.

Lito Rodriguez: Ponto.

Luciano: E deu.

Lito Rodriguez: Turbilhão, né?

Luciano: Sim. Onde era? Onde é que você montou o lava-rápido? Eu quero saber o seguinte: esse lava-rápido que você montou, já nasceu com uma proposta nova? Era algo novo? Ou era mais um lava-jato como esses todos que tinham na…

Lito Rodriguez: Não. Era muito novo. Absolutamente novo. Por quê? Isso que eu acho muito interessante. Eu era cliente de lava-rápido, certo? Eu utilizava lava-rápido. E eu morava no bairro de Moema naquela época já… não, não, desculpa. Que nada. Estou maluco. Eu não morava nada. Eu morava na zona norte. Não na Vila Maria. Mas morava em outro bairro da zona norte. E eu entendia que tinha que ser num bairro rico da zona sul. E aí eu encontrei um terreno em Moema, numa avenida, que até hoje chama Hélio Pellegrino. Mas que quando eu encontrei um terreno alugando, essa avenida passava – eu contei Luciano, não é mentira – seis carros por hora. Hoje deve passar por segundo, talvez, né?

Luciano: Sei lá, cara, mais que isso.

Lito Rodriguez: Mas eu acho que passava, mas passava, eu contava. O que eu mais tinha naquela época era tempo. Não acontecia nada.

Luciano: E era uma avenida nova, né?

Lito Rodriguez: Nova.

Luciano: Era nova.

Lito Rodriguez: E ela não ligava…

Luciano: Nada com lugar nenhum.

Lito Rodriguez: É. Quem não é de São Paulo, já deve ter ouvido falar na Faria Lima, que é uma avenida importante. Hoje, essa Hélio Pellegrino, ela desemboca na Faria Lima.

Luciano: Eles emendaram, mas ela terminava ali…

Lito Rodriguez: Terminava no nada.

Luciano: No nada. Era. Isso aí.

Lito Rodriguez: Ela terminava no nada. Então, ela ligava nada a lugar nenhum. E eu montei ali porque, por incrível que pareça, a primeira grande inovação que eu fiz nesse negócio, mas uma inovação gigantesca, Luciano, você não tem noção quanto, foi uniformizar, colocar uniforme e registrar os funcionários. Você não tem noção o quanto isso impactou no negócio.

Luciano: É mesmo?

Lito Rodriguez: Foi um negócio assim, abissal. Abissal. Então, eu era cliente da lava-rápido, chegava na lava-rápido, o cara estava sem camisa, outro descalço. Eles ficavam brincando, um empurrando o outro, um dando… nem sei como é que chama isso. O cara pega um pano e fica dando…

Luciano: Estilingada.

Lito Rodriguez: Estilingada com pano no outro, dentro do teu carro. Você se sentindo incomodado. Então era assim. Um ambiente hostil. E eu falei: pô, eu quero fazer um negócio que tenha outra cara. Foi isso. Foi isso. Simples assim. Simples, simples assim. O segundo momento que foi…

Luciano: Como é que chamava a empresa?

Lito Rodriguez: Chamava… ela começou já como… a razão social chama DryWash. E nesse momento eu montei; um cara veio com uma proposta de montar uma franquia, que chamava DryCar, na época, que ele queria fazer um lava-rápido, aonde já começou pensando nesse conceito de lavar o carro com menos água e que fosse um ambiente mais… mais sofisticado. Só que ele veio com um lance de ter bar, ter barman e tal. E aí esse negócio durou muito pouco, seis meses foi o tempo que esse negócio durou, essa franqueadora dele nem praticamente existiu. Mas eu continuei com essa lógica de trabalhar uniformizando os caras e registrando. Porque isso não estava dentro do formato deles, que era ter um bar, praticamente. Era um bar com lavagem de carro. Mas eu já fui para o lado do: lavagem do carro, com algo que fosse…

Luciano: Que faz todo o sentido, quer dizer, porque quando você pensa uma cidade como São Paulo, cara, lavar o carro é uma encheção de saco. Você tem que levar o carro em algum lugar. E esse lugar nunca é do lado de onde você está. É lá na ponta. Larga o carro lá, volta para buscar outra hora. É muito complicado. Numa cidade do interior é muito mais fácil fazer essas coisas, né? Então quando o cara… eu vejo todo o sentido. Deixa o carro aqui, nós vamos lavar. Toma um trago. Assiste um negocinho aqui, conversa, daqui a pouco o carro está pronto, você pega e vai embora.

Lito Rodriguez: Isso foi muito legal na teoria. Mas na prática, o que acontecia? Todo mundo queria ir lá tomar um trago, bater um papo, não sei o que, no sábado. O lugar cabia 30 carros. No sábado chegava a uns 100. Você mandava 70 embora e atendia 30. Na segunda, terça, quarta, ficava contando quantos carros passavam na avenida.

Luciano: Entendi.

Lito Rodriguez: E eu cheguei à conclusão que no pico – até desculpe, eu dei um número errado aqui para você – seis carros por hora era no pico. Quando era cinco, seis da tarde. E quando dava três da tarde, passava um carro a cada duas horas. Entendeu? Então tinha tudo para dar errado. E o mais importante de tudo, eu cometi um acerto. Eu cometi um acerto.

Luciano: Cometer um acerto é bom.

Lito Rodriguez: Por que eu cometi um acerto, Luciano? Porque eu fiz uma conta. Nunca fui lá muito bom de equações complicadas. Mas cara, eu sou bom em tabuada, sei fazer conta de cabeça. E eu peguei um papel e um lápis e fiz uma continha simples, de quanto que eu deveria cobrar para lavar um carro. Eu ficava num lava-rápido que ficava ali próximo, muito próximo, a 500 metros desse lugar onde eu montei o meu, que devia ser, com certeza, se não o que tinha maior movimento em São Paulo ou era um dos mais, ali na Santo Amaro. Ali sim era uma avenida que passava muito carro e tal. E eu ficava na frente desse lava-rápido, sentado na calçada, do outro lado da avenida contando quantos carros que entravam ali. E era fácil contar o número de funcionários, eu via lá a característica do cara: esse aqui é o moreno mais alto. Essa aqui é a menina. Eu contava. E fazia uma conta básica e a conta não fechava. Eu falei: como que esse cara cobra R$12,00 para lavar um carro? A conta não fecha. Então, ele deve sonegar imposto, talvez. Ok. Então, vamos tirar tanto de imposto. A conta continuava não fechando. E aí, eu cheguei a uma conclusão, que para eu lavar carro, eu tinha que cobrar R$30,00 quando o mais caro era 12. Mas a média era 8, 7 em São Paulo. Então, o cara que cobrava 12, ele já estava cobrando praticamente 50%…

Luciano: Menos do que…

Lito Rodriguez: Mais do que a média.

Luciano: Ah, mais do que a média. Sim, sim.

Lito Rodriguez: Era R$8,00, 50%, 12. E eu vim com a proposta de cobrar 30. Certo? Esse foi o maior acerto. Por quê? Porque eu precifiquei certo. E o negócio se sustentou. Os funcionários se integraram à empresa, os caras começaram a ter plano de carreira. O cliente começou a sentir, a perceber. E tem um lance aqui que é difícil de explicar, mas que a energia do lugar atraía pessoas que davam valor para aquele tipo de negócio. Eu tinha um negócio de nicho.

Luciano: Então, isso é o contrário de tudo que a gente escuta falar por aí afora. Porque é o contrário que você escuta, né cara? Eu vou botar o meu negócio por 30. Vai aparecer um concorrente por 12. Eu dancei. Porque a turma toda vai querer o que esse cara de 12 está fazendo lá. E você me conta uma história onde você inverte esse jogo. Mas consegue que o usuário perceba um valor nos 30, que ele não tinha nos 12?

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Nos 12, talvez ele entrasse, via o cara dando uma estilingada no outro, o cara xingando, bá-bá-bá. Ele fala: não, eu quero um lugar onde eu seja tratado com um pouco mais de… e me proponho a pagar por isso.

Lito Rodriguez: E obviamente não só isso. Eu tinha que fazer com que o carro dele saísse muito mais bem limpo do que o cara do 12. Também tem isso, né? Porque ele também não iria pagar só pelo ambiente. Então aí a gente começou. Aí foi que veio a história do produto. Aí tem toda uma passagem, de o carro brilhar mais. O produto durar mais tempo no carro. A gente conseguiu um modelo onde demorava mais para sujar. Então, ele também tinha um valor percebido. Ah, eu lavo o carro menos vezes. Então, tinha uma equação ali também.

Luciano: Mas você teve essa consciência em algum momento? Que para cobrar 30 eu vou ter que dar para esse cara mais do que ele está acostumado a receber com 12?

Lito Rodriguez: Sim, claro. Com certeza.

Luciano: Como é que foi essa discussão, cara? Como é que foi isso na tua cabeça?

Lito Rodriguez: Então, no primeiro momento foi muito simples, muito fácil. Porque eram coisas que não… lógico, fazer… teve uma aura civil aí um pouquinho mais adequada. Eu não tinha grana. Porque tem uma passagem aí que eu esqueci, não passei aqui para vocês. Mas entre o sair, ser demitido daquela companhia lá familiar e casar e depois montar um lava-rápido, eu fui sócio de um outro negócio, que eu perdi tudo que eu tinha em um ano.

Luciano: Puta vida, cara.

Lito Rodriguez: Entendeu? Então eu esqueci de uma passagem importante. Muito importante. E que eu saí. E depois de um ano. Porque que eu tinha aprendido que eu tinha que sair rápido. Lembra aquela liçãozinha lá, que eu demorei para tomar a decisão de sair do emprego, que eu era infeliz? Ali eu tomei a decisão rápido. Eu saí, deixei tudo para trás. Então, eu tinha deixado o meu fundo de garantia, a minha poupança. O dinheiro que eu tinha ganho no meu primeiro negócio. Eu deixei tudo lá na companhia. Eu saí num momento que a empresa não valia nada. Entendeu?

Luciano: É a tese: quando você estiver dentro de um buraco, a primeira coisa que você tem que fazer é parar de cavar, né?

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Para de cavar.

Lito Rodriguez: Para de cavar e sai do negócio. Então eu olhava para aquilo, eu falava: isso aqui não tem nada a ver comigo. Então eu não vou longe com esse negócio aqui. Então, eu preciso sair disso aqui rapidamente. Aí, quando eu fui montar esse meu lava-rápido eu convidei um camarada que ele já tinha um lava-rápido que eu frequentava e eu achava que era num nível melhor. E esse cara tinha outros negócios e tinha dinheiro. O que eu queria do cara era o dinheiro, na verdade. Eu falei: cara, você não quer entrar aqui com a grana. Você põe o dinheiro, eu ponho uma partezinha que eu tenho aqui. Eu não tenho tudo. Mas eu trabalho. Eu trabalho um tempo de graça e a gente equaliza aí a nossa participação na sociedade. E esse cara financiou. E eu montei uma estrutura física mais adequada, mais arrumadinha. Mas no fim de tudo, o que o cliente quer é o carro dele bem limpo. É o carro dele bem conservado. O ambiente é importante? Sim. Mas o produto final tem que ser condizente com aquilo que você cobrou. Só que o grande desafio, e de uma certa forma eu, não sei porque razão, porque eu não aprendi isso na faculdade, talvez tenha aprendido. Não sei. Talvez Publicidade tenha me ajudado muito nisso. É que o mais difícil não estava em implantar um lava-rápido, onde eu cobrasse R$30,00, mas o cliente sentisse, percebesse, valorizasse aquilo. O mais difícil estava em manter. Que era o segundo capítulo do livro. Então você faz um livro legal, o primeiro capítulo é fantástico. Se o segundo foi meia boca, no terceiro o cara abandona o livro. Então, a dificuldade era em – que é até hoje – é em você superar as expectativas. E esse é o grande desafio. É isso que tira o sono. É isso que te dá o frio na barriga. É isso que te dá medo. E é o medo que te tira da zona de conforto e faz você reinventar o negócio no dia a dia.

Luciano: Mas vamos lá então. Então você monta um negócio que já existe em volta de você. Cobrando três, quatro vezes mais caro que o teu concorrente, num lugar onde passa seis carros por hora, com um custo altíssimo. Porque só…

Lito Rodriguez: Altíssimo.

Luciano: Altíssimo o teu custo. Porque só custo. Quanto tempo levou para quebrar?

Lito Rodriguez: Olha, esse sócio que entrou comigo, ele no primeiro mês já viu que não era aquilo. No segundo mês pediu para sair, no terceiro saiu. E aí eu fiquei num perrengue danado. Tudo o que eu tinha, o que eu não tinha. Eu tinha dois carros, um meu, um da minha então esposa, vendemos um.

Luciano: Você comprou a parte dele?

Lito Rodriguez: Comprei a parte dele. Assumi dívida. Cheque especial. Luciano, dá história aqui pra… né? Eu bati na porta de um banco que eu nunca tinha visto na vida. A gerente olhou para a minha cara, acreditou em mim. Me deu uma linha de crédito, cheque especial. Paguei 10% de juro ao mês, talvez mais.

Luciano: Eu sei muito bem o que é isso.

Lito Rodriguez: Então, enfim, o que é interessante em tudo isso é que – não me pergunta porquê e eu já vou te responder mesmo sem você me perguntar – eu tinha uma certeza que ia dar certo. Talvez, por falta de informação. Porque a ignorância também – no meu ponto de vista – é importante em alguns aspectos. Às vezes, você não saber, não ter tanta informação te ajuda a ir pela tua intuição, pelo teu feeling. Mas eu tinha uma certeza que o meu sonho era legítimo. Que aquilo fazia sentido. Então, o mais importante de tudo… você colocou aqui, muito bem, que o ponto era caro, que a estrutura que eu montei, de registrar funcionário é muito caro, pagar todos os impostos era muito caro. Tudo, no ponto de vista de custo era desfavorável. A avenida era péssima, não passava carro. Era uma série de coisas. Só que o mais incrível de tudo é que em 94, em 92 começou um movimento no Brasil de muitos executivos sendo demitidos das empresas. E a grande maioria montou lava-rápido. Deu um boom de lava-rápidos em São Paulo de 92 a 94, 95, um boom gigantesco. Mas era um negócio assim, inacreditável. Tinha muito terreno ainda, vazio nas regiões mais densas da capital, então, muito lava-rápido. Outro ponto: era um momento que todo posto de combustível dava lavagem grátis quando você abastecia 20 litros. Pô, tem cenário mais desfavorável? Você abastece 20 litros, você tem uma lavagem grátis, uma ducha grátis no teu carro. Um lava-rápido atrás do outro sendo montado. E a lógica sempre foi a mesma: você tem um lava-rápido na Rua X, o cara monta na mesma Rua X, cinco números do lado, cobrando R$1,00 a menos. Então você cobra 8 no teu, o teu concorrente começa cobrando 7. A lógica era que você ia sofrer, o teu concorrente ia sofrer, os dois iam quebrar. Só que tem um tempo entre isso acontecer. E eu entrei nesse momento. Então tinha tudo para dar errado. E você vai me dizer: por que deu certo? Porque tinha que dar certo. Era legítimo o objetivo. Agora, esse dar certo é um estado. Porque esse dar certo é até agora. Pode ser que amanhã não tenha dado mais certo. Esse é um momento, você está entendendo?

Luciano: Eu estou entendendo perfeitamente. Mas essa tua argumentação, sustentar é difícil, cara. Porque no final das contas, deu certo por quê? Porque eu dei sorte. Eu dei uma sorte. Eu dei uma sorte e a coisa funcionou, cara. Mas a gente precisava racionalizar isso aí, cara. É o pior dos cenários, o que você está contando para mim. Eu, como empreendedor, eu fico apavorado. Eu falo: meu, olha o tamanho do buraco que esse cara entrou, né?

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: A menos que ele esteja com um produto que seja espetacular ao ponto de o cara do lado não conseguir copiar e que seja aquela coisa: cara, eu vou atingir o nicho do nicho do nicho, vou fazer só carro importado. Eu vou lavar Jaguar e vou lavar Ferrari, de um jeito que o cara… mas você não estava nessa. Você estava lavando um carro comum.

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: Normal, de um cara que… né?

Lito Rodriguez: Que dava valor àquele valor que eu criei dentro do negócio. Mas era isso. Mas era um negócio de nicho.

Luciano: Mas o negócio decola, então? Você consegue que ele decole?

Lito Rodriguez: Então, esse decolar é outro ponto interessante né, Luciano, porque, vamos imaginar – e eu faço esse exercício de vez em quando lá com a minha turma – que no atual momento, eu sei que tem ouvintes teus aí, a tua audiência pode ouvir isso daqui a três anos, certo?

Luciano: Sim.

Lito Rodriguez: Então nós estamos em 2017, para a gente fazer uma analogia do tempo. Vamos imaginar que 2020 alguém esteja ouvindo esse programa. Em 2017, com certeza absoluta, é o momento aonde eu tenho os maiores desafios empresariais da minha vida, certo? Depois de 23 anos que eu iniciei esse negócio. Pode ser que em 2020, a gente chegou lá, atravessou todo esse desafio. E em 2020…

Luciano: Deixa eu só dar um paralelo aqui. Atenção, você que está nos ouvindo em 2020. Só para você entender. Nós estamos aqui em pleno momento: a gente não sabe se o Temer vai cair ou não vai cair. O Joesley Batista acabou de fazer uma delação. Está todo mundo podre, o mercado está um horror, está parado, esperando. Ninguém sabe se o presidente continua ou não. Ninguém sabe o que vai acontecer com esse país aqui. E a Lava-Jato vai botar todo mundo na cadeia. Esse é o momento em que o país de novo parou. E quem é empreendedor no país está sofrendo barbaridade, com um mercado que não desenvolve.

Lito Rodriguez: No dia de hoje está sendo julgado…

Luciano: O TSE…

Lito Rodriguez: O impeachment do atual presidente, que é o Temer. Então, vamos fazer um exercício de futurologia. Estamos em 2020, 2022. E por alguma razão outra, saiu na mídia que eu vendi a companhia. O que vai acontecer em 2022? Você vai falar: que sorte esse cara. Começou ontem e já vendeu a empresa e ficou milionário. Isso é o que eu mais ouço. E por que eu estou dizendo isso? Porque eu, todo dia, converso com pessoas que iniciaram um negócio há três anos e dizem que não aguentam mais porque não ficaram milionários. Luciano, você que conhece tanta gente, conversa com tanta gente. Eu acho que se eu te perguntar aqui, se você conversou nesses teus… milhares de pessoas, com certeza, você já deve ter entrevistado e palestrou para…

Luciano: Sim, muita gente.

Lito Rodriguez: Centenas de milhares, talvez, esse tempo todo. Você acha que nesse meio tem cinco pessoas que conquistaram algo importante – e não de dinheiro, mas de valor – em três anos?

Luciano: Só na mídia tem isso.

Lito Rodriguez: Na mídia tem bastante.

Luciano: Só na imprensa aparece isso. Aparece um, que é mosca branca. Os caras vão lá, estampa capa de tudo quanto é revista e cria uma percepção de que, talvez, eu com meus 17 anos de idade, também consiga criar esse aplicativo.

Lito Rodriguez: É isso aí.

Luciano: Vender depois por dois bilhões para a Microsoft.

Lito Rodriguez: Perfeito, Luciano. E aí, você cria uma geração de pessoas que negligenciam aquilo que é a manutenção de algo que você colocou por uma estratégia, por um objetivo seu. Você sonhou com aquilo, teve o tal do sonho grande. Mas não realizou. Porque percalços. Se eu for te contar aqui alguns deles, eu fico a tarde inteira falando aqui no teu programa. Vai ser cinco horas, no mínimo.

Luciano: Não. Não precisa contar para mim, tá?

Lito Rodriguez: Entendeu?

Luciano: Mas eu acho que nós dois temos que contar para quem nos ouve aí. E agora, de empreendedor para empreendedor. Nós dois somos nas suas áreas aí. Se você perguntar para mim o que é essa coisa? Eu não trocaria a minha posição hoje de empreendedor por nenhum emprego em lugar nenhum, nem pelo tempo que eu vivi. Cara, ainda bem que eu passei 26 anos como executivo de uma multinacional. Achei ótimo. Aprendi pra cacete. Se você me perguntar se eu faria de novo? Eu faria sim senhor, tudo outra vez. Porque eu dou um valor brutal para tudo aquilo que eu consegui construir, tive lá. Mas eu não trocaria hoje esse meu lugar aqui como empreendedor, pela segurança que eu tinha lá. E lá eu tinha uma puta… não se compara. Quer dizer, hoje, eu chego no final do ano, eu faço uma conta aqui. A minha empresa faturou muito mais do que eu faturava quando eu era executivo de multinacional. Mas eu ganho muito menos do que o que eu ganhava lá. Eu não tenho segurança nenhuma. Eu não sei se o mês que vem eu vou ter dinheiro para pagar as coisas aqui. Eu não troco isso pela segurança que eu tinha lá atrás. E quando eu pego para examinar, eu falo: o que é? O que me prende a essa coisa? Primeiro, essa questão da liberdade. Que se você tem 25 anos e está nos ouvindo falar aqui, talvez você não consiga dar valor ao que é essa coisa da liberdade. Mas lá na frente você vai entender. E outra coisa também é essa coisa de você celebrar um sucesso agora: consegui atingir tal coisa que eu queria. Que maravilha, sucesso. E no outro dia, você tem que começar de novo, cara. E agora tem que segurar essa coisa lá no alto. E é aí que vem a grande encrenca. Quer dizer, é esse dia a dia, que é um leão por dia. Você tem que se virar, cara. Você tem um sócio, que é o governo. Você tem… tudo é difícil. Tudo é complicado. A cada hora você tem um susto, para, de repente, ao longo do ano você, duas ou três vezes, tem hora que você fala: cara, valeu a pena esses três momentos. Mas o ser empreendedor não são esses três momentos. É na verdade, aquele dia a dia desgraçado.

Lito Rodriguez: É isso aí.

Luciano: Com encrenca que não acaba mais. Encheção de saco que não acaba mais. E que se você não tiver disposição para enfrentar, tu tem que ser empregado em algum lugar e trabalhar num lugar que dá para viver uma vida maravilhosa, se aposentar lá na frente, como funcionário de alguma empresa. Mas não é a questão do empreendedorismo. Então essas pedras no caminho é que o pessoal tem deixado meio de lado, cara. E eu concordo quando você fala aí, cara. Tem um lance de tempo, de timing, sabe? Cara, isso é tudo maturação. Quebrei a cara de montão, cara. Você olha para mim aqui hoje e fala: pô, você está no bem bom. Eu falo: não, bicho, eu não estou no bem bom. Eu passei um perrengue desgraçado para chegar até aqui. E eu não sei se amanhã eu vou estar em pé de novo, então…

Lito Rodriguez: Exatamente. Exatamente. Eu concordo contigo. O único ponto que eu considero nessa tua explanação – que repito que eu concordo plenamente – é que também hoje não cabe mais na maioria das empresas um certo… não vou dizer, vai, como é que eu posso explicar isso? Você não tinha conforto lá nos seus 26 anos, na multinacional que você trabalhou. Mas com certeza, esta mesma multinacional ou uma paralela a ela nos dias atuais, ela cobra muito mais do seu funcionário no sentido de que essa pessoa não pode se acomodar. Hoje em dia não tem tanto conforto. E eu acho que caminha até para o próprio funcionalismo público. Vai ser menos confortável algumas carreiras públicas. E eu acho que isso faz parte. Hoje em dia é tudo muito mais transparente, é tudo muito mais medido. Então, o ponto que eu coloco aí que – não é que eu não concorde – eu faço uma observação é que não existe garantia também hoje em você ser um funcionário contratado. E isso acabou tendo, existe aí um ponto que se chama de intraempreendedorismo, que eu acho que vai crescer demais. E as pessoas vão ter que se preparar para serem empreendedores dentro das companhias. E as companhias vão ter que se preparar também para receber esse espírito empreendedor que cresce exponencialmente. Exponencialmente. Tanto que está aí o seu trabalho fantástico, crescendo, se desenvolvendo, uma audiência fantástica, superqualificada. Coisas que há 26 anos atrás você talvez não tivesse.

Luciano: Não. Nem podia imaginar isso. Não havia nem onde procurar isso.

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Nem a tecnologia à disposição para tentar construir uma coisa como…

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: Como essa.

Lito Rodriguez: São novos mundos mesmo.

Luciano: Me parece. Eu não conheço a tua história. O que eu sei é que bateu o olho e me passou uma coisa. Me parece que vai acontecer algum momento de virada de novo nessa tua história. Porque, por enquanto, você tem uma lava-jato que lava com água, igual todo mundo lava.

Lito Rodriguez: Não. Lavo sem água.

Luciano: Não. Nós estamos na história.

Lito Rodriguez: Ah, lá no…

Luciano: Nós estamos na história. Nós estamos lá em mil novecentos e alguma coisa.

Lito Rodriguez: Sim, 94.

Luciano: Montou, está lá funcionando. Tudo lindo, maravilhoso. Você tem uma lava-jato chamada DryWash.

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: Que lava com água?

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: Que vai acontecer alguma coisa no meio do caminho aí, que é você desenvolver uma…

Lito Rodriguez: Então…

Luciano: Como é que é isso?

Lito Rodriguez: O que aconteceu foi bem simples. Aconteceu que muita gente tentou sempre criar uma história e queriam me colocar nessa história como protagonista e eu nunca deixei. De que eu comecei a lavar carro a seco, porque eu queria salvar o planeta. Então, de fato, não foi essa a motivação. Sou um cara…

Luciano: Mas é tão bonita, cara.

Lito Rodriguez: É. Lindo. O discurso é maravilhoso. Não sustenta. Essa tese eu não sustentaria de 96, que a gente começou a lavar carro sem água até hoje. Seria uma tese muito fraca para se sustentar. A tese em 96 era lavar os carros aonde eles estavam. Então, não era conveniente para o Luciano, todo sábado. Eu falo: Luciano, ao invés de você vir aqui todo sábado tomar a sua cervejinha e lavar o seu carro, bater papo com os seus amigos, venha na terça-feira, por gentileza? Inclusive quando estiver chovendo. Porque eu preciso de você como cliente aqui na minha unidade. Você não iria na terça-feira. Você estava lá com outros compromissos e tal. Então, eu entendi que eu tinha que estar aonde aqueles carros estavam. E os carros estavam na garagem. E a garagem…

Luciano: Cara, olha. Olha o tamanho do paradigma que você está dizendo para mim que você está prestes a quebrar agora, hein? Você tem um lava-jato. É parecido com eu ter uma pizzaria, só que eu vou fazer a pizza na tua casa.

Lito Rodriguez: Exato.

Luciano: Entendeu? Ao invés de eu fazer a pizza e te entregar, eu vou aí fazer na tua casa, a pizza.

Lito Rodriguez: Exatamente.

Luciano: É um paradigma gigantesco, cara.

Lito Rodriguez: Gigantesco.

Luciano: E não tinha um modelo assim, que você tinha visto para falar: eu vou fazer igual a alguém.

Lito Rodriguez: Não, não tinha.

Luciano: Você estava diante de um momento…

Lito Rodriguez: Totalmente novo, diferente. E, de novo, com uma motivação – no meu ponto de vista e olhando pelo retrovisor – muito legítima. Porque o sonho tem que ser grande, mas tem que ser legítimo. De levar aquilo, que hoje em dia é muito comum, mas na época ainda estava começando: algo de conveniência. Então, lavar o teu carro enquanto você está dormindo, na garagem do teu prédio. Lavar teu carro enquanto você vai ao shopping e deixa teu carro ali lavando. Então, quando eu comecei a lavar carro, eu nem imaginava em chegar no estacionamento do shopping center. Não passava nem na minha cabeça, Luciano. Eu queria lavar o carro… comecei lavando num condomínio residencial, ali na Avenida Paulista. A garagem entrava pela Alameda Santos, que é paralela à Paulista. Ali eu comecei a lavar os primeiros carros na garagem, à noite. E por uma razão muito simples. O síndico era meu cliente do lava-rápido. E o síndico estava com problema no prédio que ele era síndico. Tinha um box de lavagem de carro. Só que alguns condôminos começaram a reclamar que estavam pagando pela água e esgoto de outro condômino que estava lavando o carro e ele não lavava. Então esse cara falou: pô, eu acho que você tem uma solução aqui para o meu negócio. Vai lava carro ali, porque o teu não usa água. Aí tinha outro desafio: como é que eu vou fazer isso à noite? Quem é que vai trabalhar à noite? E assim vai. E depois a gente foi para um condomínio…

Luciano: Mas deixa eu dar uma parada então. Me fala um pouquinho desse timing aí. Quer dizer, surgiu essa demanda e foi ela que te disparou a ideia de que: cara, isso pode ser um puta negócio?

Lito Rodriguez: Não, não, não.

Luciano: Ou você já estava pensando nisso?

Lito Rodriguez: Não. Eu provoquei.

Luciano: Você provocou?

Lito Rodriguez: Eu provoquei.

Luciano: Tá. Então, o que foi esse…

Lito Rodriguez: Aí é aquilo que muitas pessoas denominam como sorte. Provavelmente tenha sido sorte de um cliente meu ser síndico de um prédio que tinha uma conversa a respeito. Ele já tinha ouvido algumas pessoas, um buchicho. Eu me preparei para atender essa demanda. Eu tentei desenvolver um produto para lavar sem água.

Luciano: Mas o que foi o insight que você… um belo dia você acordou de manhã?

Lito Rodriguez: O insight foi: eu não aguento mais ficar de segunda a sexta-feira esperando cliente entrar no meu lava-rápido.

Luciano: Eu tenho que ir atrás deles.

Lito Rodriguez: Eu preciso pagar as minhas contas. E esses caras não vêm aqui de segunda a sexta-feira porque eu não gero para ele a conveniência que ele precisa. Que não era mais só o bar ali, um sofá, um ambiente agradável que fazia com que ele fosse lá. Tinha cliente, começou. A gente pegou… mais uma vez eu reafirmo a história de você estar preparado para receber a tal da sorte. Eu montei um ambiente aonde mulheres frequentavam, porque os maridos falavam: vai lavar o teu carro lá, que lá é um ambiente legal. Lá não é hostil. Pô, é óbvio, mulher já decidia aonde lavar o seu carro. A maioria das motoristas já eram mulheres. E a gente já vivia um momento que não era o marido ou o namorado ou o irmão ou o primo que levava o carro da mulher para lavar. Ela já fazia isso. Então, eu estava preparado para receber essa mulher lá nos primórdios. No momento seguinte, eu comecei a levar o meu serviço – que era reconhecido, porque isso é um ponto importante, eu era reconhecido como um bom serviço – para a garagem daquele… então, eu me preparei para receber, bater um papo com esse síndico e dizer: não, eu vou lá te atender. E aí eu bati na porta de um condomínio comercial, porque não deu certo a operação no prédio à noite. Até hoje, eu nem sei se existe. A gente está falando de mais de 20 anos. E conceitualmente parece muito bacana lavar carro à noite num prédio, enquanto você dorme. Mas eu não conheço operação nenhuma. Como franquia nossa eu desconheço. E algum cliente de produto nosso. Mas não… aí, aqui nesse bate-papo superinformal e superagradável, que é muito gostoso você contar a sua história. Porque você acaba… acaba te ajudando a você…

Luciano: Se encaixam as peças, né?

Lito Rodriguez: Desafios atuais. Então, aconteceu em um momento, que a gente começou a ter muita dificuldade de implantar, crescer essas operações em alguns estacionamentos. E a gente sofreu um revés muito grande, mas muito, muito grande. Não lembro o ano. Porque eu tenho memória seletiva para coisas ruins. Eu lembro bem do prefeito – que eu não vou citar o nome dele aqui – um camarada que andou querendo colocar a culpa em maracutaias de determinados shoppings centers na lavagem do carro que estava implantado dentro dos seus estacionamentos. E fecharam três, quatro operações nossas, importantes em shopping center. Naquele momento eu já tinha iniciado um projeto – já estava um pouco além de projeto – que era uma empresa para compartilhar recursos. Eu queria compartilhar todos os recursos que não fossem recursos do seu core business, aquilo que… eu queria que você tivesse um restaurante e que você utilizasse 100% do teu tempo em atender o teu cliente e atender o teu colaborador. E deixasse toda aquela parte burocrática, de compras, recrutamento e seleção, para que nós fizéssemos num modelo de cooperação. E eu já tinha começado isso dentro da própria rede. Criar um centro de serviços compartilhado, que é um centro para você fazer todo o censo administrativo de uma empresa, para mais de uma franquia. Então, no meio, quando a gente teve a nossa maior crise, disparada, até então, foi o momento que surgiu não só um investimento financeiro, mas principalmente, aí nesse momento, eu pessoalmente fui muito para operação. Sentei em mesa de trabalho para fazer coisas que eu não gostava, voltar a fazer financeiro, contabilidade. E a gente criou uma nova companhia, que nasceu de dentro de um lava-rápido, que é a DryWash, que virou uma empresa de compartilhamento de recursos e BackOffice. Compartilhar tecnologia, compartilhar investimentos em tecnologia. E esse negócio vem crescendo de vento em popa. E a gente já trabalha hoje para vários segmentos diferentes: lojas de roupas, restaurantes. Então tudo isso nasceu do universo, isso tudo tem a ver com o modelo mental e de propósito, de motivação do lava-rápido. Que era fazer sempre melhor, pensar sempre na perpetuidade. Que esse é o grande desafio. Porque se lançar, começar coisa nova, a gente aqui, batendo papo mais 15 minutos, a gente começa um negócio amanhã.

Luciano: Sem dúvida.

Lito Rodriguez: O que vai ser difícil, vai ser a gente conseguir daqui 10 anos manter esse negócio em crescimento, em desenvolvimento. Então, a lógica nossa lá era fazer algo que pudesse continuar crescendo. Lavar carro onde eles estavam, compartilhar recurso, fazer mais com menos. Coisas assim que…

Luciano: Então, deixa eu te perguntar uma coisa…

Lito Rodriguez: Eu sempre fiz.

Luciano: Essa coisa de levar até o cara a lavagem do carro, implicou em você fazer uma mudança no processo. Quer dizer, eu não posso, simplesmente: compre um Vap e fui lá com o Vap, espirrei água no carro e fiz.

Lito Rodriguez: Não dá para fazer.

Luciano: Você tinha que criar uma história aí: vou ter que lavar carro sem água.

Lito Rodriguez: Sem água. Ponto. Porque a água era o problema.

Luciano: Muito bem. Isso é meio absurdo.

Lito Rodriguez: Era um absurdo total.

Luciano: É meio absurdo. Como assim, lavar carro sem água? Qual é que foi a jogada? Você foi procurar um químico? Você foi… você foi para Israel? O que você fez, cara?

Lito Rodriguez: Então, ontem eu ouvi – ontem, ontem – ontem à noite eu ouvi uma palestra, infelizmente não lembro de quem. Eu ouvi seis palestras seguidas. Uma delas, um camarada – que eu vou resgatar quem foi e depois até te mando, você publica – um camarada falou o seguinte: eu não concordo com essa história de que alguém fundou uma empresa – eu anotei isso aí – eu sou agregador de pessoas. Porra, eu concordo. Esse cara definiu em uma palavra, em duas palavras, o que é. Então, o que eu fiz? Você inventou a lavagem a seco? Você inventou o produto? Logicamente não. Esse é o meu primeiro dado que eu vou te dar. Eu não entrei em Direito na Universidade de São Paulo, em São Francisco, porque eu zerei em química na segunda fase. Eu tirei 10 em redação, 10, 10. Eu zerei em química. Eu tirei 8 em história. Se eu tivesse tirado 0,25 em química eu tinha entrado na USP.

Luciano: Teríamos um grande advogado e não mais…

Lito Rodriguez: Talvez não tivesse me formado em Direito. Eu não sei. Mas quem sabe? Tá certo?

Luciano: Sim.

Lito Rodriguez: Então, para você ter uma ideia de como eu sou… de como eu não sei nada de química. Aí, motivado por aquela história de levar o meu lava-rápido à casa das pessoas, ao automóvel, qual foi o meu primeiro grande…

Luciano: Insight…

Lito Rodriguez: Trabalho, assim. Levar isso, essa ideia, ao maior número de pessoas possíveis. Então, eu estava aqui contigo, batendo papo. Acabava aqui o nosso bate-papo. Luciano, você conhece algum químico? Você conhece alguém que pode me ajudar? Eu quero lavar carro a seco. Então, talvez você olhasse para a minha cara e falar: porra, esse cara é louco, mas, sim. Eu estou voltando em 95. Então, alguns deles me davam ouvidos; alguns por educação e esses foram os que mais prejudicaram. Porque esses me davam ouvidos por educação, mas não acreditavam naquilo. E alguns diziam que eu era um retardado mental, que eu estava viajando na maionese. Isso não existia. Essa possibilidade de fazer um negócio desses funcionar. Apesar de ter pessoas que já estavam tentando fazer isso. Em todo caso, não vai funcionar. E um dos caras que eu acreditei que fosse me ajudar era um professor de uma grande universidade. E me indicaram esse cara como o papa. E eu fui lá falar com esse cara. Então, já tinha sido uma conquista gigante o cara me receber, me atender. Na época eu, com 26, 27 anos. E esse cara me atendeu e foi muito objetivo, muito objetivo. A minha conversa com ele demorou três segundos: é mais fácil você montar uma padaria na Lua do que lavar um carro a seco. Esse cara foi o que mais me ajudou. Porque esse cara mexeu com o meu brio. Esse cara cutucou onça com vara curta. Entendeu? Então, o que aconteceu? Eu já… já tinha, talvez, um certo ranço com especialistas. Nisso eu jogo no time do então prefeito aqui de São Paulo né, que eu sou meio reticente com essa história dos especialistas. Eu tenho um pouco de… eu tenho preguiça de ficar ouvindo especialistas. E esse cara foi meu maior incentivador. Eu xinguei a família dele de A a Z, de tudo que é nome que você possa imaginar. Lembro muito bem de ter entrado no carro e ter chorado.

Luciano: Você?

Lito Rodriguez: Chorei.

Luciano: Ah é?

Lito Rodriguez: Chorei. Chorei de raiva, entendeu? E dali para frente, muita sola de sapato. Mas muita saliva. Mas Nossa Senhora. Mas rodei que você não tem noção. E por que eu consegui fazer isso, Luciano? Que isso é o que é mais importante. Eu consegui engajar pessoas, que é o que eu estou parafraseando aqui, uma pessoa que eu ouvi ontem. E eu tinha conseguido – o que talvez tenha sido o maior mérito da minha história até então de ter conseguido – colocar no meu lava-rápido uma pessoa melhor do que eu para fazer aquilo. Quando essa pessoa chegava no meu lava-rápido e falava assim: eu quero falar com o dono. Aquele senhor de cabelo branco. Que era o Seu João, nesse momento eu falei: pô, agora eu estou preparado para ir…

Luciano: Um passo adiante.

Lito Rodriguez: Adiante. Porque tinha um dono a lava-rápido. As pessoas não queriam mais falar comigo. As pessoas gostariam de falar com ele. Porque ele atendia muito melhor do que eu.

Luciano: Que ano é isso?

Lito Rodriguez: Isso 95.

Luciano: 95. É um lava-rápido? Você não tinha a rede, você não tinha nada?

Lito Rodriguez: Nada.

Luciano: Aquilo era o teu lava-rápido.

Lito Rodriguez: Lava-rápido, que era duro de pagar as contas. Era duro de pagar as contas. Então, eu trouxe esse Seu João, que era um cara que tinha trabalhado com a minha família muitos anos. E que tinha também saído daquela empresa que eu trabalhei. E eu gostava muito dele, enfim, trouxe ele para me ajudar lá. E o cara…

Luciano: Comprou, comprou…

Lito Rodriguez: Comprou a ideia e foi que foi e tal. Então, isso foi o que proporcionou eu poder correr atrás. E aí, o mais incrível de tudo, que foi rápido e foi fácil desenvolver o produto para lavar a seco. Foi muito rápido. Em seis meses a gente já estava lavando carro lá, os clientes superelogiando, voltando, indicando gente. Porque o carro ficava brilhando, que durava mais tempo a lavagem. Que… poxa, então foi rápido. Muito rápido.

Luciano: Deixa eu fazer a você, uma pergunta, então, que eu tenho certeza que todo mundo quer saber. E que a mim, me chama muito a atenção, eu preciso fazê-la nesse momento. Como é que se lava um carro sem água?

Lito Rodriguez: Se você não fizesse essa pergunta, Luciano, eu ia ficar frustrado. Porque todo mundo faz. Então, vamos lá. Começar pelo mais simples. O que lava. Desculpa. O que limpa, o que tira a sujeira não é a água. A água é um meio. A água é um veículo. Tanto que se você lavar um carro, se você for limpar um piso, o que você faz? Você esfrega com alguma coisa, um pano, uma esponja, uma vassoura, se for o piso. E você usa água para quê? Você usa água para molhar antes de passar um produto químico qualquer e usa água…

Luciano: Tirar, limpar o produto.

Lito Rodriguez: Esguicho. Como é que chama? Para enxaguar aquele produto. Depois usa um pano para secar. O nosso processo é idêntico. A única diferença é que, de onde que veio o grande insight? Um dia… por isso que o ócio é a melhor coisa que tem, né? Que quando você não tem nada para fazer, você fica pensando. Aí eu ficava ali no lava-rápido às vezes, numa terça-feira, quando era o único carro que tinha entrado. E eu ficava vendo aquele pessoal lavando o carro. E era água e água e água. Eu falava: essa água serve para quê? Noventa e nove, vírgula não sei quantos por cento da água que batia no carro, não fazia nada. Ela batia e ia embora. O que limpava o carro era o cara que ia lá com um pano e com uma esponja e esfregava um produto. Pô, simples assim. Simples assim. Eu olhava para aquilo e pensava assim: pô, esse troço não faz sentido. Então tem que existir um jeito de você esfregar sem ter que usar água nem para molhar antes e nem para molhar depois. Então, o conceito do produto é muito simples. Ele fragmenta as partículas da sujeira. E ele transforma uma partícula pesada numa partícula leve. O atrito é menor. Existe atrito como em qualquer lavagem. Como você bater um esguicho lá com uma máquina ou com uma mangueira. Em alguns lugares chama borracha, sei lá eu. Você jogar aquilo, a água tem um impacto. Você passar um pano, tem um outro impacto. Tem atrito. Então, para dar um exemplo bem esdrúxulo, mas que eu acho que é o mais simples de todos. Se você quiser fazer um teste em casa: entra no chuveiro depois de um dia inteiro de trabalho, que você suou, não sei o que, fica molhando o teu cabelo duas horas. E não esfrega nada, não passa nenhum shampoo, não passa nada no teu cabelo e deixa secar. Ele vai estar sujo. Como é que fala? Ele vai estar engordurado. Vai estar… o que vai limpar o teu cabelo vai ser você esfregar a tua mão com um shampoo. Essa é a lógica, entendeu? Então é simples assim. O negócio só funcionou porque.

Luciano: Tá já entendi. Já entendi.

Lito Rodriguez: O insight foi simples assim.

Luciano: Mas e aí, como é que você faz? Você encontra o Zeferino e fala: Zeferino, pega mamona aí. Corta uma mamona e vamos testar a mamona. Zé, traz um limão aí. Pega um mamão aí. Como é que é? Você fala para mim: eu fui procurar então, o professor de química com essa… eu preciso de um elemento tal, que fragmente a sujeira, porque eu já entendi a mecânica. Como é que nasce essa ideia?

Lito Rodriguez: Como eu nunca tive tempo e o bate-papo aqui é bem descontraído. Então, quando me perguntaram, eu nunca pude explicar um pouco melhor. Mas eu até vou dar nome aos bois. Não lembro porquê. Não lembro quem me indicou um camarada chamado José Roberto de Oliveira. Que inclusive esse nome está gravado. Ele prestou serviços para nós muitos e muitos anos. Porque ele era o químico responsável quando a gente montou a nossa fabriquetinha. Certo? Então, esse José Roberto, que alguém, numa dessas conversas, dessas andanças, me falou: fala com o tal de José Roberto. Ele me indicou uma empresa que era subsidiária da Shell, que fabricava vaselina. Ok? E falou assim: vai lá nessa empresa. Ficava lá na Presidente Wilson, lá na Ipiranga, um lugar que tinha muita empresa química. E eu lembro do lugar, porque o dia que eu fui, eu quase perdi o meu carro. Choveu e o meu carro boiou lá. Alagou a rua. Então, eu nunca vou esquecer. Era difícil. O carro estava financiado. Então foi, enfim, uma tragédia. E aí este cara me mandou para uma indústria gigantesca. E uma pessoa – que eu nem imagino o nome dela – me recebeu. Foi uma das que ouviu. Foi uma das que não falou: poxa, que legal. E me enganou, assim, tipo… foi uma que falou: deixa eu olhar. Foi uma que falou para eu ir numa fornecedora deles que tinha uma fórmula de uma cera. De uma cera. Cera. Cera que você passa no carro para… e essa empresa comprou a minha ideia e falou assim: olha, por coincidência vai ter uma feira, uma exposição agora, semana que vem no pavilhão lá da USP. Que eu acho que eu fui lá uma vez só na vida. Tinha um pavilhão lá. E vai ter alguns fornecedores de matéria prima. Vai nessa feira e conversa com os fornecedores de matéria prima e expõe o teu… nesse momento, eu liguei para esse José Roberto – que tinham me indicado – e falei: José Roberto, tem uma feira assim, assim, assado. Vamos lá? Porra, eu vou lá com você. Inclusive, eu conheço alguns fornecedores. E esse cara foi comigo. E eu lembro como se fosse hoje, uma feira pequena, talvez lá, com seus 20, 30 expositores. Eu andando nessa feira e entrando em alguns stands. E alguns deles, pessoas riam em conjunto. Algumas assim, estavam em cinco, seis pessoas conversando e eu expunha a minha intenção, a minha vontade e alguns riam, de gargalhada. Mas esses que riam eu falava: pô cara… Luciano, eu não vou dizer para você assim: foi pirlimpimpim com não sei o que, eu dormi. Não. O que eu posso dizer aqui para você é que eu fui pegando fórmulas quebradas e fui tentando. E era uma dificuldade gigantesca de eu conseguir as matérias primas. Porque ninguém vendia matéria prima em quantidade minúscula. Eu não tinha dinheiro para comprar matéria prima em quantidade pequena. Alguns me davam como amostra. Eu errava, voltava lá na segunda vez, na terceira o cara falava: porra, querido, pelo amor de Deus, cara, terceira vez que você vem aqui me pedir amostra. Pô, mas eu errei na formulação. Ele falava: eu posso te vender aqui um quilo de matéria prima “x”. Porra, eu não tinha dinheiro para comprar aquele um quilo de matéria prima “x”. E aí eu ia tentando, na minha casa, na batedeira da minha casa. Eu ia tentando. Ia para a edícula, na churrasqueira e ficava… e ficava misturando com cabo de vassoura.

Luciano: É inacreditável, bicho. Inacreditável.

Lito Rodriguez: E aí, nesse momento, num dia de pleno desespero – que eu me lembro também como se fosse hoje esse dia – eu perdi uma – que eu sei que hoje chama batelada – eu estava fazendo uma batelada de produto. Eu estava lá fazendo uns 50 litros de produto. E eu perdi. Desandou. Como se fosse um bolo. Desandou. Desandou. O negócio ficou uma gororoba. Eu não conseguia mexer com o cabo de vassoura. Eu fiquei tão irritado, mas tão irritado – que aí agora eu não vou – eu joguei fora aquilo e num misto de irritação e de sei lá eu o que – não vou dizer aqui, porque fica parecendo que… parece que baixou um santo ali – eu comecei a fazer o negócio totalmente diferente de tudo aquilo que eu vinha fazendo um mês. Também não foi assim, que eu fiquei um ano, dois. Mas era um mês intenso. Era um mês, que às vezes, eu ficava quatro, cinco horas…

Luciano: Misturando coisa lá.

Lito Rodriguez: Mexendo lá naqueles negócios, tentando fazer com merreca de matéria prima. Merreca. E aí num erro grotesco, apareceu. Como é que eu fazia? Eu morava numa casa que ficava dentro de um condomínio que tinha um clube anexo. E esse clube, durante a semana, iam algumas pessoas lá jogar tênis, enfim. E eu ia até o estacionamento do clube e ficava fazendo teste em pedaços de carro. Eu fiz muito teste, Luciano. Mas muito, muito, muito, muito. Até o momento que eu comecei a sentir um pouco mais de coragem e pedi para as pessoas se eu podia lavar o carro delas. Algumas iam deixando, algumas confiavam. Entendeu? Eu falava: se eu riscar o teu carro, eu vou lá e faço um polimento para você. Muitos eu fazia o polimento. Eu botava a mão na massa. Eu gostava de fazer isso, eu já fazia no lava-rápido. Então foi típico de tentativa, erro e acerto, erro e acerto, erro e acerto. Mas isso surgiu assim, de um… de um momento de raiva. Um momento que eu estava chegando…

Luciano: Inacreditável, cara.

Lito Rodriguez: Chegando no fim do… assim, estava, assim, já estava desistindo. Porque eu não tinha mais dinheiro. Era um negócio…

Luciano: Meu, na minha cabeça, DryWash era uma franquia norte-americana, com um processo desenvolvido em Israel, por químicos que ganharam o Nobel e que criaram uma coisa nos anos 50, que ficou meio escondido e que, de repente, explodiu e que chegou no Brasil e alguém foi lá e montou a sua própria…

Lito Rodriguez: E vou te contar uma coisa aqui, agora, Luciano, que aconteceu hoje de manhã. Nós estamos aqui agora, à tarde, aconteceu hoje de manhã. Nós recebemos uma demanda na nossa fábrica, para produzir para terceiros. A gente tem lá na fábrica uma parte, que a gente produz para outras empresas, concorrentes, inclusive. E essa empresa mandou uma série de produtos para nós. A gente já assinou os contratos de NDA e ele mandou as fórmulas, para a gente calcular os custos. E dentre esses produtos que esse cara fabrica, ele fabrica lavagem a seco. E chegou a fórmula do produto dele. Esdrúxula. Eu que não sou químico, matérias primas que não tem nada a ver. Então, um produto de qualidade – e aí, isso dito por ele mesmo – ele falou assim: olha, eu não consigo te concorrer, porque o teu produto no mercado vende muito mais do que o meu, porque ele tem uma qualidade muito superior e o preço dele é mais barato, inclusive, então vende mais. Então, a marca já é mais conhecida, já é uma referência do segmento. E veio a fórmula deles do produto. E a fórmula não tem nada a ver com nada do que a gente faz. Então você percebe que passados vinte e poucos anos, por incrível que pareça, ninguém nunca conseguiu chegar até hoje perto da fórmula. Por quê? Porque é uma fórmula que não tem lógica. Ela não tem lógica. Ela é uma fórmula de um cara que ficou nervoso e que foi lá e… e…

Luciano: Você acaba de descrever o Brasil para mim, cara. Esse é o Brasil, bicho. Esse é o Brasil. O que deu certo? Sei lá, cara. Um dia pintou. Deu certo.

Lito Rodriguez: É isso aí.

Luciano: Cara, fantástica essa história aí, bicho. Eu não fazia ideia disso aí. Muito bom.

Lito Rodriguez: E eu fabriquei muito produto na minha casa. Eu lavei, assim, eu lavei milhares de carros com produtos fabricados literalmente na minha edícula.

Luciano: Você, de repente, então você tendo o produto, você pode fazer aquilo, que era levar até os teus clientes, sem ter o problema de usar água dele, etc. e tal, não é?

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: De onde nasce a ideia de que isso aqui pode virar uma franquia ou pode virar um negócio que multiplique? Porque até então, você continua tendo um lava-jato. Você é dono de um lava-jato.

Lito Rodriguez: É. Eu fiquei com o lava-jato mais um ano e pouco. Aí tive que vender para poder levantar dinheiro para colocar na indústria, que eu precisava regularizar ela. Então, quando a gente fala em… por melhor que fosse, uma fábrica bem pequenininha, tem toda uma série de regulamentações, custa muito caro uma indústria química no Brasil. Qualquer negócio, você monta uma fórmula muito mais simples. Mas indústria química envolve ANVISA, que é uma agência nacional, que garante a vigilância sanitária. Aí você tem CETESB, enfim. Então é um negócio muito burocrático, muito custoso, precisa de dinheiro para fazer aquilo e eu tive que vender o meu lava-rápido. Foi uma dor muito grande. Eu passei… eu gostava muito do lava-rápido. Eu gostava muito de ir lá. Eu conheci muita gente bacana. Eu conheci muita gente importante. Muitos artistas, muitas pessoas conhecidas. Eram clientes meus, pessoas que deixavam o carro para eu levar para a casa delas. Então, eu fiz muita amizade lá. Então aprendi muito, com muita gente bacana. Então eu me senti. Mas enfim, faz parte, eu tinha que dar um passo atrás, para conseguir dar um passo à frente. Vendi meu lava-rápido, peguei a grana e investi na indústria e com o objetivo de vender o produto no supermercado. E também, numa história muito longa, mas o resumo de tudo isso é que eu bati na porta do Carrefour à época, um cara me recebeu, adorou a ideia, me deixou lavar o carro dele na garagem do Carrefour. O cara me permitiu que eu fosse ali lavar o carro do cara. O cara ficou encantado com o resultado. Ficou maluco. E abriu a porta para eu vender numa loja, que foi lá no Carrefour de Osasco – nunca me esqueço – eu ia para lá, ficava lá o dia inteiro fazendo promoção na gôndola. Deixou eu colocar um carro meu lá dentro para fazer demonstração dentro do supermercado. E vendeu muito bem. Ali eu tive a confirmação, de que as pessoas perguntavam assim, a primeira pergunta: não risca? Não, não risca. Tem atrito, como outro qualquer, mas enfim, é muito menos do que uma lavagem com água e outros produtos. Agora, assim, o que me motivou mesmo, Luciano, de verdade, foi que de cada 10 pessoas que eu dizia que ia lavar o carro a seco, 10 não acreditavam. Mas é 10 mesmo, tá? Até tinha um lá que: ah… a contrapartida disso é que de cada 10 pessoas que permitiam que eu fizesse a lavagem no carro deles, 9 ou quiçá 10, ficavam encantadas com o resultado. Porque o resultado era visível a olho nu. Então isso era muito motivador, isso incentivava demais. Mas você, como um cara de marketing sabe muito bem, que eu botei o produto na prateleira, virava as costas e não vendia nada. Quem que vai comprar um produto que não tem marca? Embalagem feia pra burro. Pobre. Você olha o rótulo hoje, você dá risada. Era ridículo, entendeu?

Luciano: Mas você na época, deixou de ser então, um prestador de serviços para ser um vendedor de produto?

Lito Rodriguez: Exatamente. Só que rapidinho, graças a Deus, e esse número é exato, exato, exato. Eu te provo isso na contabilidade. Teve um mês, setembro de 97, eu faturei R$67.000,00, 60 mil para o Carrefour e 7 mil para outros clientes, picadinhos. Era o cara que lavava o carro num estacionamentozinho aqui, tinha um cara no Rio que era um pouquinho maior, que eu acho que devia comprar uns 4 desses 7 mil, por mês. Só. Eu deixei de faturar para o Carrefour, eu faturei no mês de outubro, 7 mil. Eu caí de 60 para 7 e tinha um custo fixo de 30 na época. Então, eu banquei a minha empresa para voltar às origens. As origens era: eu precisava prestar serviço. Só que eu precisava crescer a rede rápido. Porque eu não tinha como ficar montando a barraca de um por um, porque eu não… montar a barraca que eu digo, era entrar num prédio comercial aqui, num residencial ali. Na época, eu nem pensava em shopping. E aí foi quando a gente pensou em licenciamento ou em franquia. Conversando com advogado, ele me convenceu que eu deveria ir para a franquia e a gente foi para a franquia. Aí começou. Aí deu um boom. Um boom. De 98 a 2001 você não tem noção do que foi o crescimento. Foi um negócio surreal.

Luciano: E, de repente, você passou a ser o gestor de uma franquia, detentor da patente do produto e gestor de uma franquia?

Lito Rodriguez: É. Eu trabalhava 17 horas por dia, 18 horas por dia, sete dias por semana. De segunda a segunda. Aí em 2000 eu fali.

Luciano: Em 2000 você faliu?

Lito Rodriguez: Eu, pessoa física.

Luciano: Ah sim. Você. O seu corpo…

Lito Rodriguez: Fali.

Luciano: O corpo deu um break?

Lito Rodriguez: Falência total.

Luciano: O que foi?

Lito Rodriguez: Ah…

Luciano: Não. O que foi?

Lito Rodriguez: Eu comecei…

Luciano: Foi um ataque do coração?

Lito Rodriguez: Não.

Luciano: Um stress?

Lito Rodriguez: Angústia tremenda. Depressão profunda. Síndrome do pânico. Eu perdi o propósito. Eu só trabalhava e só ganhava dinheiro.

Luciano: Mas a empresa estava indo bem?

Lito Rodriguez: Muito bem.

Luciano: Crescendo. Você ganhava dinheiro…

Lito Rodriguez: Nunca na vida, nunca mais eu tive tanta… eu nunca tive tanto dinheiro em caixa. E nunca tinha tido tanto dinheiro na pessoa física como tive naquele momento, na vida. E eu era o cara mais infeliz do que eu estava lá na época, quando eu trabalhava de empregado naquela fábrica. Eu fiquei infeliz. Triste. Luciano, eu comprei um carro importado. Era um sonho. Porra, eu fiquei a vida inteira. Eu fiquei 10 anos lavando carro, 15 anos lavando carro dos outros, pô. Carro importado, BMW, manobrava, pô. Porra, vou ter o meu. Tinha dinheiro para ter o meu. Comprei o carro importado. Comecei a andar na rua, parava num semáforo, eu via um moleque pedindo esmola, eu chorava. Eu falava: cara, eu estou louco. Eu devo estar doente da cabeça. Impossível, cara.

Luciano: Você estava casado?

Lito Rodriguez: Estava falido o casamento. Estava infeliz, cara.

Luciano: Filhos, já tinha filhos?

Lito Rodriguez: Tinha meus dois filhos, maravilhosos, cara. Tudo lindo, maravilhoso. Só que eu não via os meus filhos, cara.

Luciano: E aí, bicho?

Lito Rodriguez: Não via. Não via.

Luciano: Como é que é essa trombada aí, cara?

Lito Rodriguez: Não via.

Luciano: Cara, eu ia acabar a entrevista, porra. Você me bota isso aí na frente, bicho. Pelo amor de Deus…

Lito Rodriguez: Deixa um gostinho para a próxima.

Luciano: Como é o nome? Não. Elabora um pouco isso aí. E aí, cara? Que idade você tinha? Que idade você tinha?

Lito Rodriguez: Eu tinha 33 anos, a idade de Cristo.

Luciano: Legal. 33 anos de idade, casado, dois filhos, bem-sucedido financeiramente, com o negócio crescendo.

Lito Rodriguez: Aí a mãe deles chega um dia, estava lá no Shopping Iguatemi trabalhando, um domingo. Aí faltou lá um dos funcionários. Eu estava empolgado, a loja bombando. E ela chegou com a Maria Luíza e o Mateus, os meus filhos. Na época eles deviam ter quatro, cinco anos. A diferença de idade é um ano e meio cada um, entre eles. E aí ela passa: vamos tomar um sorvete ali? Eu falei: vão lá, eu estou indo. Duas da tarde. Quando dá sete horas da noite, ela passa lá: estou indo para casa. Deu um tchauzinho e foi embora para casa. Ali caiu a ficha. Eu falei: pô, que é isso? Esqueci completamente. Estava drogado pelo trabalho, pela construção e achando que tudo que eu precisava era dar o máximo de conforto e estrutura para a minha família. Mas ali eu aprendi que isso não existe, se você não tiver o equilíbrio. E aí…

Luciano: Qual foi a providência tomada imediatamente?

Lito Rodriguez: A providência foi o seguinte: eu cheguei um dia, no ápice do… eu falei: eu preciso viajar com a minha esposa, tal. Vou tirar umas férias. Então vamos viajar. Coisa que eu já não fazia há… eu acho que eu não tinha feito uma viagem internacional há mais de sete, oito anos, cara. Peguei o avião, fui para Los Angeles. Chegamos lá, sentei num restaurante. Se separamos. Quinze minutos de conversa. Eu tomei meia garrafa de uma cerveja long-neck e daquelas minúsculas. Não é long-neck, long-neck. Meia long-neck. Meia garrafa daquilo. Pirei. Fiquei louco. Chapei o coco. Para você ver o nível de stress que eu estava. Eu falei: cara, minha vida… eu olhava para o espelho, Luciano, e eu me via um cara com 50 anos, no mínimo, de fisionomia, no mínimo, no mínimo, no mínimo. Eu falei: porra, não é possível. E aí voltei para o Brasil separado. Ia ficar lá 15 dias, voltei dois dias, três dias depois, porque demorou um dia para conseguir remarcar a passagem. Voltamos. Não sei o que. Tocar a minha vida. Cheguei para aquele Seu João, que trabalhava comigo ainda, que tinha vindo para a lava-rápido, que tinha vindo da lava-rápido comigo na fábrica. E a Vera, minha fiel escudeira, está até hoje comigo, que é uma pessoa que está com a minha família há 46 anos. Dei uma procuração para os dois e falei assim: vocês têm autorização. Se quiser fechar a fábrica, se quiser baixar as portas, se quiser continuar. Eu estou indo embora com uns amigos para Londres. Por 30 dias, esqueça que eu existo. E fui embora. Fui embora. Fiquei lá me divertindo, bebendo, passeando.

Luciano: Sozinho?

Lito Rodriguez: Sozinho. Aí eu voltei num domingo de manhã. Não. Eu com dois amigos. Que foram parceiros, brothers, viram toda a situação, me cataram e me… foram tirar umas férias comigo. Dois irmãos. O que é tudo na vida, né? Família e amigos. Aí chego num domingo de manhã no aeroporto de Guarulhos, seis e meia da manhã. Oito horas sai uma matéria no Pequenas Empresas Grandes Negócios, aquele programa na televisão, de domingo de manhã. Rapaz, segunda-feira, terça-feira. Ficou 20 dias. Foi o maior número de acessos da central da Globo lá, de telefonema. Bloqueou todos os nossos telefones lá. Na minha caixa postal entrava assim, seis mil e-mails por dia.

Luciano: Mas uma matéria do que foi?

Lito Rodriguez: Falando sobre a DryWash.

Luciano: Mas de onde saiu isso aí?

Lito Rodriguez: Eles tinham feito uma gravação dois meses antes. Eu nem lembrava. Dois, três meses antes, foram lá, fizeram uma entrevista, gravaram, não sei o que, e saiu a matéria no domingo.

Luciano: Pera aí, a matéria saiu no dia que você chegou?

Lito Rodriguez: Que eu cheguei. Aí eu tomei a melhor decisão da minha vida. Soltamos mensagem automática. Tivemos que comprar uns telefones móveis para poder atender os clientes e a rede. Porque você não conseguia ligar lá, cara. O telefone não parava. A gente tinha, sei eu, 10 linhas lá. E se tivesse 100 não dava conta. Breca tudo. Para tudo. Não se vende mais franquia aqui, não se faz mais nada. Isso foi outubro de 2000. A gente voltou a vender franquia em meados de 2001. Depois contratou uma empresa de consultoria para reestruturar. Para, para, para, para. Não vamos fazer o negócio. Por quê? Porque naquele momento o que eu percebi? Que eu estava fugindo do meu propósito de ter algo que fosse montado para perpetuar. Eu não tinha montado um negócio para ganhar dinheiro. Eu tinha montado um negócio para perpetuar.

Luciano: E você que está nos ouvindo aí, acredite, tem diferença entre as coisas, tá?

Lito Rodriguez: Muita diferença.

Luciano: São diferentes as coisas.

Lito Rodriguez: Que você pode fazer um programa sobre isso. Trazer uma pessoa especialista aqui, que com certeza, o cara vai explicar direitinho para todos nós, qual a diferença entre ganhar dinheiro e perpetuar. Então é isso. Simples assim.

Luciano: Cara, que história fantástica, bicho. Muito bem. Aí você retoma tudo. Bota as coisas no eixo.

Lito Rodriguez: Vamos embora.

Luciano: E hoje, o que é a DryWash? Só uma dica, de onde vem esse nome?

Lito Rodriguez: Então…

Luciano: Porque você criou DryWash antes de existir DryWash.

Lito Rodriguez: Sim.

Luciano: Como é que é isso, cara?

Lito Rodriguez: É simples. Eu cheguei para a minha então esposa, e falei para ela: como que é lavagem a seco em inglês? Ela falou: dry wash. Eu não sabia como que era lavagem a seco em inglês.

Luciano: Sim. Mas isso aí, pera aí.

Lito Rodriguez: Aí eu montei a lava-rápido.

Luciano: Mas não era a seco. Era água.

Lito Rodriguez: Então, mas eu já queria fazer um negócio para lavar a seco. Entendeu?

Luciano: Certo. Não entendi não. Mas não se explica essas coisas.

Lito Rodriguez: Eu cheguei para ela. Eu te falei. Um cara lançou um negócio, que ele queria fazer algo fosse uma franquia. Que na verdade, ele queria vender franquia. Não montar um negócio. E ele dizia que iria lavar carro a seco. Não fazia nada disso. Então, o insight de ficar olhando para um cara lavar um carro e ver que aquela água não faz sentido, não veio porque eu dormi e sonhei com aquilo. Veio porque eu tinha tido vários insights. Porque aí, talvez seja pela minha característica de ser curioso, enfim. Então, talvez, você fala assim: mas por quê? Não, eu perguntei como que é nome? Como que é lavagem a seco em inglês? Ela falou: dry wash. Eu nem sei porque. Também nem é assim.

Luciano: Eu nem sei como que é.

Lito Rodriguez: Deve ser waterless. Mas, né? Ela falou e daí ficou. Eu precisava dar um nome social. Mas a marca que eu comecei era DryCar, que é uma marca que depois a gente acabou registrando. Até hoje é uma marca registrada nossa. Mas por que disso? Aí isso, Luciano, eu não sei explicar. Isso, enfim, tem alguma coisa que não foi pensado, não foi lógico.

Luciano: Você já trombou com esse lado espiritual, espiritualista, etc. e tal?

Lito Rodriguez: Já.

Luciano: Isso aconteceu depois daquela… depois do teu burnout? Você trombou em alguma explicação? Você se socorreu de algum lado assim, que trouxesse um lado espiritual para a história? Não estou falando em religião não, tá? Eu estou falando de…

Lito Rodriguez: Tá. Não. O que eu fiz quando eu tive esse burnout, como você falou. Eu comecei a fazer um negócio que chamava Terapia Holística. A pessoa lá que me assistia, ela não era psicóloga, nada. Ela tinha se formado em Terapia Holística e fazia Reiki. Eu me encontrei muito com aquilo. Então na verdade, o que aconteceu? Eu consegui desenvolver, eu consegui separar uma hora por semana para mim. Então eu fiz um exercício, onde eu comecei a aprender. Primeiro tendo a assistência dessa profissional, durante uma hora sentava lá no consultório dela. E durante uma hora eu só pensava em mim. Eu só pensava nos outros e não pensava em mim. Então, aquilo que eu fiz não foi pensando em mim. Mas foi pensando nos meus filhos, na minha esposa, na minha família. Eu não fazia as coisas para mim. Então ela começou a falar: cara, olha para você. Você tem que estar bem, senão, você não vai conseguir nada para os outros. E aí eu consegui começar a desenvolver técnicas aonde eu me dou ao direito de tirar momentos para mim. E isso eu faço até hoje. Hoje o que eu consigo fazer é que eu não preciso, nem sempre… quando eu preciso elevar um pouco o nível, aí eu procuro um tipo de assistência. Como a assistência que eu tive aí há dois anos, que eu participei de um retiro espiritual durante três dias, com um cara mega importante, uma metodologia fantástica. Então, esse cara te leva para um outro nível de conhecimento. O tal do autoconhecimento. Eu procuro exercitar isso aos poucos, como venho aí já há algum tempo tentando dar o passo para começar a ir para a meditação, enfim. Que é evoluir o nível, né? Mas eu consigo fazer isso sozinho. Coisa que eu não fazia antigamente. Eu não conseguia ficar um segundo sozinho. Eu não conseguia ficar um minuto sem pensar. Hoje não. Hoje eu consigo. Hoje, tem sexta-feira que eu desligo aí, eu esqueço. Esqueço DryWash, esqueço de tudo. Só vou lembrar na segunda-feira.

Luciano: O que é a DryWash hoje? É uma franquia?

Lito Rodriguez: A DryWash hoje é uma indústria química que fabrica aí mais de 200 itens, de produtos que vão de lavar carro a seco a amaciante de roupa, lustra móveis, polidor de inox, enfim. Uma indústria muito bacana. A gente tem uma rede de franquia fantástica.

Luciano: Que tamanho ela é?

Lito Rodriguez: Cento e poucas unidades, onde a gente vai da lavagem do carro até o reparo rápido de pintura, que é a Funilaria Express, aquela que você dá uma batidinha, de para-choque, de paralamas; rala a tua porta, dá uma amassada. E a gente faz aquele reparo até duas, três horas, no próprio local. E dela veio a Via Indicadores, que é o nosso negócio aí, muito bacana, que vem se desenvolvendo. É uma empresa de tecnologia, de gestão de processos e compartilhamento de recursos. Um negócio muito, muito legal, que eu estou muito empolgado. Bastante difícil, porque é muito investimento. Mas tecnologia é legal. Você tem uma galera diferente, jovem, com uma cabeça…

Luciano: Legal.

Lito Rodriguez: Antenada.

Luciano: Quem quiser encontrar informações, saber da tua história, saber do teu… você tem a tua página, você tem o teu blog?

Lito Rodriguez: Não tenho.

Luciano: Você só tem o contato através da DryWash, como é que é? Quero saber mais. Quero saber mais do Lito, o que eu faço? Vou lá no Linkedin ver você? O que eu faço?

Lito Rodriguez: No Linkedin não deve ter quase nada. No Google eu não sei como que está agora. Apareceu um camarada famoso, é Lito Rodriguez, do programa…

Luciano: Não… do Sense8, cara.

Lito Rodriguez: É.

Luciano: Um mexicano…

Lito Rodriguez: O cara bombou no Google.

Luciano: Que é um avião, um cara bonito pra cacete.

Lito Rodriguez: Há pouco tempo atrás, só dava eu ali no Google. Agora o cara entrou para valer. Mas tem algumas coisas. Algumas delas fantasiosas, algumas sérias. Tem algumas matérias interessantes, outras nem tanto.

Luciano: Precisa montar o teu blog, cara. Você tem que fazer o teu blog lá. Pensa o seguinte aqui: você tem essa história toda, que você gosta de desenvolver pessoas e tudo mais. Esse é um canal fabuloso, que é criar o blog do Lito e começar a botar os teus insights ali, cara.

Lito Rodriguez: Vou pensar com carinho, cara.

Luciano: Vamos falar sobre empreendedorismo. Nada mais. Trata como se fosse o teu diário. Eu te garanto que vai ter gente de montão lá. Porque experiência é o que não falta.

Lito Rodriguez: Eu sei que uma das poucas obrigações – no meu ponto de vista – que o ser humano tem, é de compartilhar conhecimento.

Luciano: Eu fiz aqui um programa há um bom tempo atrás, com outro Cassio, que era o Cassio da Rede Editorial, ele terminou o programa falando assim, falando que o maior tesouro que a gente deixa para trás é um livro que não foi escrito, a música que não foi composta, a história que não foi contada, né cara? Então pensa nisso aí. Você tem um cabedal aí, de conhecimento, que precisa ser registrado, cara. E com a internet na mão aí, bota o blog do Lito lá, cara. Eu vou ser um que vou correr lá olhar. Tá bom?

Lito Rodriguez: Bacana. Obrigado pela dica. Eu vou pensar com carinho.

Luciano: Cara, obrigado por estar aí conosco aí, obrigado pelo tempo aí.

Lito Rodriguez: Eu que te agradeço.

Luciano: Ainda faltou coisa. Que eu ia te perguntar da Endeavor, tudo. Nem deu tempo, cara. Mas uma hora dessas a gente…

Lito Rodriguez: Um dia gente se fala.

Luciano: A gente continua.

Lito Rodriguez: Luciano, que modelo bacana. Parabéns.

Luciano: Obrigado. Legal.

Lito Rodriguez: Cara, que bate-papo descontraído. Eu te conheci há pouquíssimo tempo e desenrolou, tudo ao vivo praticamente.

Luciano: Que legal.

Lito Rodriguez: Muito legal.

Luciano: É isso aí, essa é a jogada.

Lito Rodriguez: Parabéns.

Luciano: Foi o que eu falei para você na hora do almoço. Eu falei: não tem roteiro, não tem pergunta pronta. O que eu exercito aqui é a curiosidade genuína, que um ouvinte deve ter também. E aí acaba que a história vai para lados que a gente não faz ideia.

Lito Rodriguez: E eu vou te falar, quando o Cassio nos conectou, o nosso amigo em comum, que eu já estou aqui, no espelhinho agradecendo, ele me passou uns links. E eu fiz o seguinte, eu falei: eu vou deixar para assistir as entrevistas, algumas, que me interessou bastante, depois. Porque eu não quero me influenciar. Eu quero ir lá completamente limpo. Desprovido de qualquer tipo de, ou preconceito ou de coisas preparadas. Então, o meu bate-papo contigo foi praticamente, desprovido de qualquer tipo de censura.

Luciano: Estamos aí. Um abraço.

Lito Rodriguez: Parabéns.

Luciano: Parabéns a você, cara.

Lito Rodriguez: Obrigado. Felicidades.

Luciano: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.