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Luciano Pires -
Download do Programa

Narrador: Bem-vindo ao LiderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Henrique Szklo e Lena Fail. Henrique se apresenta com CSO, Chief Subversion Officer. E Lena como coolhunter. Ambos se preparam para ganhar o mundo e nos provocar com a sua Escola Nômade para Mentes Criativas. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LiderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com br. Muito bem, mais um LiderCast. Esse aqui… como é que você chegou aqui, hein?

Henrique Szklo: Eu cheguei aqui com… quem me indicou foi o professor Luiz Alberto Machado.

Luciano Pires: É isso aí, grande Machado. Então é um daqueles que eu adoro, porque é uma indicação. Eu não tenho a menor ideia de quem é a pessoa. Não sei o que faz. Como quem me indicou é um baita de um amigo meu, que não teria indicado se não tivesse café no bule, eu fiquei tranquilo. E começo o programa com aquelas três perguntas fundamentais, que eu sempre repito: são as únicas que você não pode… você não pode escorregar nelas. Vamos lá. Seu nome, sua idade e o que você faz?

Henrique Szklo: Bom, meu nome as pessoas acham graça, porque são quatro consoantes e uma vogal no final. Então, nas minhas palestras, nos meus cursos, eu começo sempre uma explicação, de como é que se fala o meu sobrenome. Na verdade, é muito simples, é Szklo. S-Z-K-L-O. Então, meu nome é Henrique Szklo. Qual era a segunda pergunta?

Luciano Pires: Era sua idade e o que você faz?

Henrique Szklo: Eu tenho 55 anos. E eu sou, basicamente, eu sou estudioso de criatividade. Sou escritor. Eu sou palestrante. Eu fico até envergonhado de falar isso na frente do Luciano. E a gente estava conversando um pouquinho antes, que eu sou um pouco que nem você, multitech. Assim: eu faço o meu site, eu faço layout, eu faço… eu gravo as coisas, bla-bla-bla.

Luciano Pires: Mas eu gostei aqui. Esse lance do teu nome é interessante, porque você é um cara que a gente já precisa de um tutorial, só para começar, né?

Henrique Szklo: Só. A pessoa pergunta: como que fala o seu nome? Tem um curso que a gente dá, só para explicar o meu sobrenome.

Luciano Pires: Szklo.

Henrique Szklo: Szklo.

Luciano Pires: Todo mundo te chama de Szklo?

Henrique Szklo: Isso.

Luciano Pires: Szklo. Muito bem. Onde você nasceu?

Henrique Szklo: Eu nasci em Belo Horizonte.

Luciano Pires: De onde vem Szklo?

Henrique Szklo: Polonês.

Luciano Pires: Polonês?

Henrique Szklo: Da Polônia.

Luciano Pires: Pais poloneses? Avós?

Henrique Szklo: Pai polonês, minha mãe é filha de romenos. Mas já nasceu aqui no Brasil.

Luciano Pires: Vem pela guerra? Seu pai vem aqui fugindo da guerra?

Henrique Szklo: O meu avô, o pai do meu pai, eu acho que ele foi um pouco visionário – que muitos judeus não foram naquela época – então, ele veio bem antes. Ele veio em 30, 32. Quer dizer, eu acho que ele começou… eu não sei nem se ele veio por causa disso. Ou se porque ele era muito pobre e queria mudar de vida, o irmão dele já estava aqui no Brasil. Mas eu não sei exatamente.

Luciano Pires: Onde, em que local, em que região do Brasil foi que…

Henrique Szklo: No Rio.

Luciano Pires: No Rio? Você nasceu no Rio?

Henrique Szklo: Não. Eu nasci em Belo Horizonte.

Luciano Pires: Você nasceu em BH. Tá.

Henrique Szklo: Meu pai nasceu na Polônia. Depois que meu avô se estabilizou, veio ele e minha avó. Minha mãe nasceu no Rio também. Mas logo a família mudou para Belo Horizonte, porque o meu avô teve pneumonia. Então, naquela época não tinha remédio.

Luciano Pires: Precisava de ares.

Henrique Szklo: Precisava. Ou era Campos do Jordão ou Belo Horizonte. Aí foi para Belo Horizonte. Mas os meus pais se conheceram em movimentos juvenis. Os judeus têm muito essa coisa de movimento juvenil. Acabaram se conhecendo e casaram. Foram morar em Israel, numa época assim, bem…bem difícil, que era o começo do Estado de Israel. Não aguentaram e voltaram.

Luciano Pires: Voltaram para cá?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: O que houve?

Henrique Szklo: Aí eu nasci. Os meus dois irmãos são israelenses.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar. Você tem dois irmãos…

Henrique Szklo: Israelenses.

Luciano Pires: Você é mais novo, mais velho?

Henrique Szklo: Eu sou mais velho.

Luciano Pires: O que o seu pai fazia? Faz ou fazia?

Henrique Szklo: Não. Já morreu, ele era veterinário.

Luciano Pires: Veterinário?

Henrique Szklo: Veterinário de animal de grande porte. De vaca, de cavalos.

Luciano Pires: Sua mãe?

Henrique Szklo: Minha mãe foi a vida inteira comerciante. O meu avô, lá em Belo Horizonte ele era, ele tinha rede de loja de brinquedo. Minha mãe é aquelas vendedoras, que dá qualquer coisa na mão dela, ela vende para qualquer pessoa. Ela já está agora, ela está aposentada. Ela está com 90. Vai fazer 90. E até, sei lá, cinco anos atrás, ela dirigia ainda, para o desespero do motorista paulistano. E também tinha um chofer. Era a única representante comercial com chofer. A empresa pagava para ela. Porque ela era a que vendia mais na empresa.

Luciano Pires: Tem moleque ouvindo a gente aqui, não sabe o que é chofer. Chofer é motorista.

Henrique Szklo: Motorista. Motorista.

Luciano Pires: Ah, que interessante. Escuta aqui, o que o… como é que era o teu apelido de infância, cara?

Henrique Szklo: Eu tenho uma coisa curiosa. Eu tenho três nomes. E os grupos que me conhecem com esses nomes não sabem muito bem quais são os outros dois. Henrique eu passei a usar há muito pouco tempo. Até outro dia era só pessoa jurídica. Então, Henrique é quem tem conta no banco. Todo judeu tem um nome em hebraico, que não necessariamente, em geral não tem nada a ver com o seu nome oficial. Para que serve? Esse nome é o nome que vão usar quando você morrer, quando você for citado na sinagoga. Quando você for, enfim, para efeitos religiosos, na tua lápide vai estar escrito esse nome. Mas ninguém usa. Usa só nesses… não sei porque. No meu caso, resolveram usar que é Tzvi Szklo. Você vê que é tudo fácil, né? T-Z-V-I. É um nome comum em hebraico.

Luciano Pires: Que quer dizer o quê?

Henrique Szklo: Eu não sei se eu gostaria de falar.

Luciano Pires: Deixa lá. Deixa quieto.

Henrique Szklo: É um bichinho com uns chifres assim, meio…

Luciano Pires: Não, não, a minha curiosidade. Se você me falar que é português, Oliveira. O que é oliveira, cara? Oliveira é uma árvore que dá oliva. Vem Machado. O que é machado, cara? Pô, machado… e quando você fala…

Henrique Szklo: É veado. E Szklo é vidro. Se você puser Szklo no Google, vai aparecer empresas de vidro na Checoslováquia, na Polônia. E começaram a me chamar. Então minha família me chama de Tzvi só. Sempre me chamou de Tzvi. Aí, quando eu estava no cursinho, eu tinha um cabelo muito enroladinho, um professor me deu o apelido de Carneiro. E ficou Carneiro. A partir daquele momento eu era Carneiro para me apresentar para as pessoas. Quando eu fui publicitário eu era Carneiro. Aí tinha uma época que eu tinha um cartão de visita, que eu botava os três nomes com um lugar para eu fazer um xizinho. Porque dependendo da pessoa para quem eu dava um cartão…

Luciano Pires: Você botava ali…

Henrique Szklo: Botava ali. O pessoal ligava em casa: quem está falando? Eu falava assim: quem está falando? Eu preciso saber quem está perguntando. Para saber o que eu falo.

Luciano Pires: Você na mão de um psiquiatra, vai ser uma festa, cara.

Henrique Szklo: Vários psiquiatras, vários.

Luciano Pires: O que o… eu não sei. O que Carneiro queria ser quando crescesse hein, cara?

Henrique Szklo: Eu queria ser publicitário. Mas depois eu vi que não era… não era o caso. Eu, desde os 15 anos eu achei que eu queria ser publicitário. Eu fui fazer um curso de desenho na Escola Panamericana. O curso chamava Desenho Publicitário.

Luciano Pires: Final dos anos 70 né, isso aí?

Henrique Szklo: Meio dos anos 70.

Luciano Pires: Meio dos anos 70. Tá.

Henrique Szklo: E aí eu fiz um anúncio lá que todo mundo ficou encantado. Eu falei: poxa vida, eu gostei disso. As pessoas prestaram atenção em mim, por que… eu falei: eu vou fazer, eu vou ser publicitário – mesmo sem saber muito bem o que era – aí eu passei boa parte da minha vida trabalhando em agência. Mas nunca foi exatamente assim, sabe, aquela coisa que você quer ser idealmente? Mas na prática, quando você vai lá no dia a dia, você fala: ah…

Luciano Pires: Sim. Você estava publicitário.

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Você não era um publicitário.

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Certo.

Henrique Szklo: E aí eu não posso reclamar, porque eu eduquei meus filhos com isso né, eu tive uma vida razoavelmente confortável.

Luciano Pires: Não se arrepende?

Henrique Szklo: Não, não. Um pouquinho. Não. Eu arrependo bastante.

Luciano Pires: Eu estou vendo um xizinho. Não, você me deu três respostas: eu não me arrependo. Esse deve ter sido o Carneiro. Aí a segunda resposta: me arrependo um pouquinho. Deve ser o Tzvi.

Henrique Szklo: Porque na verdade, uma das coisas mais importantes da Publicidade para mim, foi que eu aprendi coisas. Eu aprendi a escrever. Eu aprendi cinema. Eu aprendi rádio. Eu aprendi foto. Eu aprendi direção de arte. Eu aprendi designer. Aprendi a lidar com cliente, mais ou menos. Então, assim, é uma escola. Foi uma escola para mim. Porque no Brasil, você não aprende essas coisas na escola.

Luciano Pires: Não, não, não, não, não.

Henrique Szklo: Então você aprende ali, na marra. E aprendi. Então, hoje são ferramentas importantes para mim, para fazer essas coisas todas que eu faço hoje.

Luciano Pires: Isso é uma perspectiva muito legal, que eu costumo conversar muito com as pessoas a respeito disso aí, da pessoa estar hoje: olha, eu estou na função que eu não gosto, não é o trabalho que eu quero fazer para o resto da minha vida. Eu venho para cá meio de tromba, sento e faço tudo mais ou menos. E o que eu explico, eu falo: cara, você aprenda as coisas que você precisa agora, usa esse teu momento que você está. Você está num lugar que você não gosta, fazendo uma coisa que você não quer fazer. E você tem chance de aprender coisas fabulosas ali. Porque eu até brincava com a minha filha. Ela vinha reclamar que pegaram ela para tirar xerox: eu fazia o estágio, me botaram para tirar xerox. Pô, o ato de tirar xerox ensina para ela responsabilidade, ensina para ela prometer e cumprir, ensina para ela a relação, sabe, da importância que ela tem dentro do processo. Quer dizer, tudo isso, ela vai sair diferente depois que executar. Quer dizer, você tem essa de que: cara, por pior que seja, por menos que eu goste. Eu estou usando isso como um momento de aprendizado. Você sai de lá com uma vantagem, né? Não pode ser só ruim, né?

Henrique Szklo: É. Eu acho que quando você sai de um… você acaba tendo um preparo numa área e vai para outra, você está levando para essa outra área, coisas que provavelmente ninguém tem.

Luciano Pires: Sem dúvida.

Henrique Szklo: Então você pode implementar ideias novas, numa área nova.

Luciano Pires: Sem dúvida.

Henrique Szklo: O problema é que quando você muda de área, você começa de novo. Você começa tendo que fazer xerox de novo. Assim, metaforicamente, você está… ninguém te conhece, ninguém sabe o que você faz, enfim, você está… e eu e a Lena, minha mulher, a gente teve que fazer isso. Teve não. A gente quis fazer isso. Eu um pouco antes que ela. Mas eu fiz isso. Eu saí da Publicidade, atrás. Porque eu chegava no fim do dia e falava assim: mais um dia perdido. E eu dizia que eu gostava do ofício, mas não gostava da profissão. O ofício de criar, para mim, sempre foi uma coisa muito prazerosa. E na Publicidade, curiosamente, é um lugar que você não consegue criar.

Luciano Pires: Porque tem um negócio horroroso chamado cliente, que é uma coisa…

Henrique Szklo: Agência ideal é uma agência sem clientes.

Luciano Pires: É isso aí. É isso aí, cara.

Henrique Szklo: Se a gente pudesse fazer o que a gente quisesse. E hoje eu faço o que eu quero. Tem um preço isso. Você sabe, né?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Szklo: Fazer o que a gente quer tem um preço.

Luciano Pires: Claro que tem.

Henrique Szklo: Mas a gente está disposto a pagar e está ok, está compensando.

Luciano Pires: Chega uma época da vida que você começa a pesar as coisas e fala que esse preço diminui de tamanho. O preço de hoje, que nós pagamos hoje, com 25 anos de idade…

Henrique Szklo: A gente não pagava.

Luciano Pires: Não pagaria de jeito nenhum. Hoje a gente paga tranquilo, porque sabe dar valor a outras coisas. Mas muito bem. Vamos tentar entender aqui. Você então, está em Belo Horizonte, lá você começa a trabalhar lá, como publicitário?

Henrique Szklo: Não, não. Eu sou paulista, na verdade. Porque eu vim com 2 meses para cá.

Luciano Pires: Ah, então foi aqui. Aqui você fez o teu o caminho lá, né?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Você… eu estou tentado a dar um salto nessa história aqui, mas eu quero explorar um pouquinho mais essa coisa aqui. Você trabalhou dentro de grandes agências? Eram grandes agências?

Henrique Szklo: Algumas sim, algumas não.

Luciano Pires: Numa época em que propaganda, fazer propaganda no Brasil era uó, né? Que maravilha…

Henrique Szklo: Não. Eu acho que foi um pouquinho depois.

Luciano Pires: Já estava passando…

Henrique Szklo: Quando os garçons já estavam pondo as cadeiras em cima da mesa. Que eu conversava com o pessoal da geração anterior à minha, e eles contavam histórias. Era muito mais divertido antes. O problema da Publicidade é que ela foi se profissionalizando. Na minha época já um pouco. Na época anterior era tudo porra louca. Ficava brincando na agência o dia inteiro, parava meia hora e criava um negócio bacana.

Luciano Pires: Como é que é? Enio Mainardi?

Henrique Szklo: Não. Enio Mainardi, pelo amor de Deus.

Luciano Pires: Não. Apresentando uma campanha em pé, em cima da mesa do cliente…

Henrique Szklo: De cueca…

Luciano Pires: Sapateando, de cueca.

Henrique Szklo: É. Não…

Luciano Pires: Era aquilo, né?

Henrique Szklo: Não, não. O Enio Mainardi, eu prefiro nem falar sobre ele. Porque eu trabalhei duas vezes com ele. Mas era gente assim: a formação era mais de Jornalismo. Então eram pessoas com mais conteúdo. Eram pessoas mais instruídas, vamos chamar assim. E mais moleques. Então, ficavam sacaneando o outro, fazendo brincadeira e tal. Era muito divertido, ganhava muito bem nessa época. Aí eu já entrei numa época que estava meio em crise. Então já não ganhava tão bem e já não era tão divertido assim. Já tinha uma pressão um pouco maior.

Luciano Pires: O resultado, que começou aquela coisa.

Henrique Szklo: É. E hoje virou tudo executivo. Hoje o criativo é um executivo. Ele tem que saber se comportar, ele tem que falar inglês, ele tem que sentar ali e trabalhar, trabalhar, trabalhar. Eu digo que eu sou um “coçaholic”.

Luciano Pires: Como é que é?

Henrique Szklo: “Coçaholic”.

Luciano Pires: O que é “coçaholic”?

Henrique Szklo: Tem o workaholic, né?

Luciano Pires: Tem. Sim.

Henrique Szklo: Eu sou o “coçaholic”, eu gosto de coçar o saco e não fazer nada, na verdade.

Luciano Pires: Tá bom. Mas você mandou para mim um e-mail. E lá, na tua assinatura, lá embaixo, tem seu nome lá. E tem um cargo. Quando eu li o cargo ali, eu falei: cara, isso aqui vai dar uma festa. Como é o cargo que está escrito lá?

Henrique Szklo: É CSO.

Luciano Pires: CSO?

Henrique Szklo: É Chief Subversion Officer. Porque dentro da minha teoria tem um conceito filosófico que chama subversão, que é o princípio tanto de vida meu e da Lena, quanto uma coisa importante no processo criativo. Essa coisa da subversão. Então eu sou Chief Subversion Officer. A Lena COE, Chief Of Everything. Ela é chefe de tudo. E a gente… essa coisa de cargo, que eu acho muito divertido. Eu toda hora estou mudando de cargo, na verdade. A gente fica inventando os cargos.

Luciano Pires: Bom, você sabe o que acontece aqui, quando o entrevistado veme tem uma cara metade com a importância que tem. Porque nós estamos aqui falando há 10 minutos, você já citou a Lena três vezes. Então, eu vou ser obrigado a interromper aqui agora, vou trazer uma cadeira para cá e a Lena vai entrar no rolo junto com a gente aqui.

Henrique Szklo: Ah, ela não quer. Olha…

Luciano Pires: Vai sim.

Henrique Szklo: Ela não quer.

Luciano Pires: Vai sim. Claro que vai. Tudo bem. Depois de uma pausa para reorganizar as coisas aqui, fazer uma bagunça, agora tem mais gente aqui dentro. Tem gente que vê a foto dessa cabininha e fala: não é possível que você bote três pessoas aí dentro. Bom, eu já botei quatro. Não me pergunte como ficaram quatro aqui. Bom, agora nós estamos em três. Como eu estou com um casal aqui na frente, estão os dois grudadinhos um no outro agora. Fica muito mais fácil agora. Vou repetir para você a pergunta que eu fiz para ele no começo lá: seu nome, sua idade e o que você faz?

Lena Fail: Meu nome é Lena Fail. A idade eu não gostaria de falar, mas já passou dos 50.

Henrique Szklo: 50+.

Lena Fail: 50+. Eu sou designer industrial e psicóloga.

Luciano Pires: Esses 50 tem um treco gaúcho aí, esquisito.

Lena Fail: Totalmente gaúcho.

Luciano Pires: É de lá?

Lena Fail: É de lá.

Luciano Pires: Você é do Rio Grande do Sul?

Lena Fail: É. Nasci em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, próximo da Argentina, nos pampas. É um lugar bem bacana, assim. Aprendi muita coisa.

Luciano Pires: Mas não foi lá que você estudou? Não foi lá que você se formou? Não foi lá que você…

Lena Fail: Foi lá que eu estudei. Foi lá que eu estudei Desenho Industrial. É DesenhoIindustrial.

Henrique Szklo: Mas lá em Porto Alegre?

Lena Fail: Porto Alegre. Não. Eu nasci em Cachoeira do Sul. A minha família era de Cachoeira do Sul. E morei sempre em Porto Alegre. Então, eu estudei em Porto Alegre, na época que eu comecei com Arquitetura. E depois migrei para o Desenho Industrial. Porque eu abatia muitas cadeiras em função da Arquitetura. Eu queria terminar logo. E na época era uma novidade assim, e eu resolvi fazer.

Luciano Pires: Quem tem 50+ e estudou em Porto Alegre, numa época que Porto Alegre era uó, aquilo era um lugar… eu conheci Porto Alegre.

Lena Fail: Você conhece Porto Alegre?

Luciano Pires: Claro. Eu conheci Porto Alegre nos anos 80. Eu trabalhei 26 anos numa grande empresa, que é gaúcha, que era a Albarus, depois virou Dana. Albarus/Dana, lá do Rio Grande do Sul. E desde 1981/2, eu ia para lá. Então eu conheci muito o ambiente cultural gaúcho dos anos 80, que aquilo era uma loucura. Aquilo era maravilhoso. E fui assistir aquilo desmoronando, acabando ao longo das décadas seguintes. Anos 90 a gente fez muita coisa lá. O que eu fiz de ação cultural lá foi muito legal. Tinha uma cena roqueira no Rio Grande do Sul que era uma coisa de louco. O rock gaúcho era um negócio muito doido, né?

Lena Fail: Era legal.

Luciano Pires: E aí, com o tempo, aquilo foi desmanchando, desmanchando. A gauchada toda foi embora. Saíram de lá.

Henrique Szklo: É uma praga. Está em todo lugar.

Luciano Pires: Mas é verdade isso. Saíram. Estão em todo lugar. Eu vou cutucando, até o gaúcho fazer acontecer lá. E bom, não é essa a conversa aqui. Vamos adiante. É que você me chamou a atenção. Você formou numa época muito legal lá. E aí você começou a trabalhar lá nesse ramo também, de propaganda, de comunicação?

Lena Fail: Não, completamente diferente. Como eu iniciei na Arquitetura e depois migrei para o Desenho Industrial, eu tinha loucura por desenvolver produto. Então, eu comecei a desenvolver produto. Eu tive uma empresa, uma indústria, na verdade, moveleira. Eu comecei a desenvolver meus próprios produtos. Isso nos anos 80, por aí. Eu já comecei a vender esses produtos para a Tok&Stok, que era uma empresa que estava iniciando no Brasil e tinha muita dificuldade em encontrar produto diferenciado. E era tudo que eu queria. Era um produto que precisava ter… era uma mudança, inclusive, de comportamento da sociedade, que era uma coisa assim: as pessoas saíam da casa dos pais, já não tinham mais aquelas casas enormes. Iam morar em apartamentos pequenos, com pouco dinheiro, sabe? Então, necessariamente, precisavam de móveis menores, diferentes. Então, a Tok&Stok veio para o Brasil ocupar esse espaço.

Luciano Pires: É um case, a Tok&Stok é um case.

Lena Fail: É um case.

Luciano Pires: Um case de oportunidade, sabe, de movimento, de mercado. Porque ela é baseada lá na Ikea.

Lena Fail: Ikea.

Luciano Pires: É. A Ikea, ela tem um modelo de negócio dela. Ela vem da necessidade de você reduzir custos. Porque a entregar era um horror. O cara, ele vê aquela coisa. Ele tem que arrumar um jeito de tirar esse custo da entrega. E ele inventa um jeito da pessoa ir lá comprar e ela mesma montar. Ou seja, era uma ótica do utilitarismo. Eu vou fazer uma coisa mais pragmática possível.

Henrique Szklo: E é tão pragmática, que lá na Ikea não tinha as ilhas que tem na Tok&Stok. Não tinha ilha de atendimento. É só caixa.

Luciano Pires: É isso aí. Pegava e…

Henrique Szklo: No Brasil, a Lena me falou que não funcionou. O brasileiro gosta de ser atendido.

Lena Fail: É. Têm umas coisas.

Luciano Pires: É. Mas só para terminar esse raciocínio aqui. A Tok&Stok, ela vem. Mas ela não vem nesse nicho da praticidade da montagem. Ela vem exatamente naquele momento, numa mudança da sociedade. A garotada querendo os móveis transados, um design diferenciado. Então…

Lena Fail: Colorido. Apartamento menor. Daí tinha que ser um produto menor. Um produto componível. Porque assim, nós não comprávamos apartamento, nós alugávamos apartamento. Então, o outro que você iria morar, ele poderia precisar de uma peça maior, outro uma peça menor. Então, eu acho que foi um ensinamento. Porque tinha toda uma cultura atrás desse processo da Tok&Stok. Tanto que eu lembro quando eu li o livro do Zuenir Ventura. Ele falava, eu acho que era Inveja, se eu não me engano. Ele falava de uma moça que foi no apartamento. E o estilo era Tok&Stok. Então, a Tok&Stok virou um conceito. Na verdade, não era um mobiliário qualquer. Era um conceito. Quando você fala de mobília é a mobília. Virou um conceito.

Luciano Pires: Eu preciso achar o dono da Tok&Stok para trazer ele aqui um dia, bater um papo com ele.

Henrique Szklo: Ele vendeu, né?

Luciano Pires: Saber dessa história. Pois é. Pegar o cara que trouxe e botou isso aí, né? Mas aí veio parar em São Paulo?

Lena Fail: Aí vim parar em São Paulo. Eu tive uma indústria, trabalhei para eles, desenvolvi muito produto para eles. Vim morar em São Paulo. Eu vim morar em São Paulo e fui direto para Campinas, também desenvolvendo produto e daí…

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Lena Fail: Isso aí faz uns 30 anos, então digamos que?

Luciano Pires: Vinte e alguma coisa.

Lena Fail: 25, 26 anos.

Luciano Pires: Você veio sozinha? Uma garota de vinte…

Lena Fail: Não. Eu já tinha filhos. Eu tive filhos com 16 anos. Então, na época eu já tinha filho. As coisas para mim, acontece tudo muito rapidamente, não é? Daí separei, conheci o Henrique e a gente começou. O meu sonho sempre foi criar. Era mais criar ideias do que produtos. Porque o produto demora. Tem um processo. A ideia ela é… você pode viajar. Na ideia, tudo se encaixa. A ideia, quanto mais longe você for, melhor ela é.

Luciano Pires: E no papel cabe tudo, né?

Lena Fail: E no papel cabe tudo.

Luciano Pires: Você pode inventar o que você quiser.

Lena Fail: Exatamente.

Luciano Pires: Alguém que se vire para fazer. Quando é que você, o caminho dois se cruza?

Henrique Szklo: A gente foi fazer uma espécie de treinamento, que você fica uma semana enfurnado num hotel. E eu tinha acabado de me separar, por isso que eu fui fazer esse troço. E a Lena ainda estava casada, mas estava meio perdida. Então, a gente acabou se conhecendo ali. Ficamos muito amigos. Mas acabou o evento lá. A gente se encontrou algumas vezes, inclusive eu conheci o marido dela, conheci os filhos e tal. Mas a gente – por alguma razão – a gente se desconectou. E a gente foi se encontrar, o quê? 10 anos?

Lena Fail: 10 anos depois.

Henrique Szklo: 10 anos depois. Ela já estava separada. Eu também estava separado já, não tinha casado de novo. E foi uma coisa assim…

Lena Fail: E foi uma coisa muito… nós marcamos de sair e tomar um café, enfim, não sei. E ele começou a me contar sobre uma teoria que ele tinha escrito. Era o segundo livro dele. Eu não tinha lido o primeiro. E aí, aquela teoria começou a me incomodar. Sabe? Aquele assunto começou a me incomodar. Daí, sabe quando o papo está chato? Daí você… que você acaba, diz assim num determinado momento, chega uma hora: aproveita, está aqui, já está aqui, já perdeu tempo, aproveita. Aí aquele papo começou a me incomodar. Eu digo: ah, meu Deus do céu. Deixa eu prestar atenção no que ele está falando, para eu aprender alguma coisa e passar o tempo mais rápido. E quando eu comecei a prestar atenção, era tudo que eu… sabe, que eu… eu… eu digo: nossa, esse cara, ou ele é doido ou ele é um gênio ou ele é os dois. Sabe? Um pouco louco, um pouco gênio. E começou a me fazer sentido aquilo. E eu comecei a ficar interessada naquela teoria. Ele já tinha escrito dois livros. Eu não conhecia os livros. Daí eu quis ler os livros. E começou a fazer sentido, no meu passado inclusive. As ideias que eu tinha, como eu queria me comportar. Como eu achava que eu deveria me comportar. Como eu achava que deveriam ser. O processo que deveria ser o processo criativo. De repente, eu encontro uma pessoa que tem isso pronto. E a minha pergunta foi assim, naquele dia desse nosso jantar, eu digo: nossa, ainda bem que eu comecei a prestar atenção. E aí a minha pergunta foi uma coisa mais ou menos assim: como que você chegou nisso? Como que você fez isso? Como que você chegou nesse pensamento? E ele me disse uma coisa extremamente interessante, assim, que foi assim: eu tinha, eu sempre fui um criativo, desde pequeno. E depois fui trabalhar com Publicidade. E sentia muita dificuldade em explicar para as pessoas o que… como… eu olhava o trabalho das pessoas e ficava pensando assim: gente, não pensou cinco minutos. Sabe? Isso aqui… mas é uma coisa meio complicada de tu falar para alguém, né? De tu falares para alguém. Então ele começou a estudar criatividade. E iniciou transpondo o processo que ele fazia para criar. Como que ele criava? Como a mente dele trabalhava? Que jeito ele trabalhava? E começou a colocar aquilo no papel. E viu que ficava mais fácil de explicar e ficava… e viu que ficava o trabalho com as pessoas, que eles começavam a melhorar. A ficar mais criativos. Melhorar no sentido de serem coisas melhores. Melhorar é amplo. Mas ser melhor do que estava. E ele, a partir desse momento, ele começou também a agregar novas ideias e começou a estudar criatividade.

Luciano Pires: Quer dizer que você ganhou a loira pelo intelecto, é?

Henrique Szklo: É. Porque pelo resto está difícil. Dizem que são as maneiras que você conquista a pessoa. Ou você tem dinheiro. Ou você é bonito. Ou você…

Luciano Pires: É que pelo intelecto demanda tempo, né? Precisa de tempo. Você tem que aplicar uma energia, tem que…

Henrique Szklo: E eu tenho um componente meio insuportável – que eu reconheço entre tantos – que é: eu falo muita merda o tempo todo. Então, a pessoa precisa ter… ela vai atrás de mim, falando para as pessoas assim: é brincadeira. É brincadeira. É brincadeira. Sabe aquela reunião que, putz, lacrando, como se fala hoje. Os caras ficando animados com a gente. Na hora de ir embora, de pé, eu estou dando a mão, eu faço uma piada…

Luciano Pires: Baixa uma daquelas três personalidades lá…

Lena Fail: Personalidades…

Luciano Pires: Tem aquela, não sei o que, deixa escondido ali embaixo…

Henrique Szklo: E a Lena já, imediatamente: hahahaha. Ele está sempre brincando e tal.

Luciano Pires: Que interessante. E bom, vocês estavam então, em duas áreas, os dois trabalhando com criatividade, né?

Lena Fail: Sim.

Luciano Pires: O que era isso que você criou na época? Você criou um método? O que era aquilo?

Henrique Szklo: Era tudo. Na verdade, é dinâmico, ele é orgânico. Todo dia ele está sendo… está evoluindo. Quando eu dou aula, parece que as coisas vêm. Inclusive eu dou aula lá na Panamericana também, que eu brinco, eu falo assim: eu não aprendi nada quando eu era jovem. Eu fui buscar meu dinheiro de volta. Aí eu fui dar aula lá. o que acontece é o seguinte: eu sempre gostei de saber o porque das coisas. Não me bastava dizer: isto é assim. E eu comecei a observar tanto dentro de mim, quanto em outras pessoas. E as pessoas acham engraçado que eu falo assim: eu assisto muito, eu adoro canal de vida selvagem. Porque lá a natureza está no estado puro. O mecanismo é aquele. E o que isso é importante para a observação do comportamento humano? Porque a gente estava ali até aquele dia. A gente subverteu alguns conceitos, alguns mecanismos e viemos para onde a gente está agora. Mas isso, a gente veio de lá. Então, se você estudar e observar ali, tem muita coisa que traz para a gente, um pouco disfarçado hoje. Tanto é que eu digo que o ser humano não é evoluído, ele é envernizado. Foram as regras…

Luciano Pires: Na hora do limite, na hora que a coisa pega…

Henrique Szklo: Vira bicho de novo.

Luciano Pires: Vira bicho outra vez.

Henrique Szklo: Bicho de novo. Então, na verdade, aconteceu o seguinte: eu comecei a desenvolver uma teoria e chegou uma hora que ela estava razoavelmente redonda. Mas era assim: e daí? Eu escrevi um livro. Depois escrevi o segundo.

Luciano Pires: Como se chama o primeiro livro?

Henrique Szklo: O primeiro chamava O Grande Milk-shake e os Canudinhos Mentais. Eu sempre usei essa… como seu sempre escrevi humor uma época, eu sempre gostei disso. Tudo que eu faço acaba tendo esse componente. Uma vez eu dei uma palestra que chamava: Pedrão e os Neurônios Virgens. Então assim, eu crio muita metáfora, pretensamente engraçada, divertida, para facilitar a compreensão, a memória e tal.

Luciano Pires: Sim. É. Nós somos muito parecidos. Muito parecido.

Henrique Szklo: E aí o que aconteceu? O primeiro livro chamava assim. E o livro agora, que tem a teoria mais elaborada chama: Você é Criativo, Sim Senhor. Eu até queria fazer um parêntese nisso. Aí eu fui lançar esse livro há três anos, quatro anos. Eu fui lançar o livro na Livraria Cultura. Aí foram lá meus amigos, foram família, tudo. De repente, vem um senhor – ele vai ficar bravo comigo porque eu chamei ele de senhor – de óculos e tal. Eu disse: pois não? Ele falou: eu sou diretor da Faculdade de Economia, da FAAP. Eu recebo o folheto aqui da Livraria Cultura, de lançamentos. Eu fiquei curioso. Ele é um estudioso…

Luciano Pires: Do processo da criatividade…

Henrique Szklo: Muito estudioso. Foi um monte de vezes lá para Buffalo, que é a meca da criatividade. Ele falou: como eu sou curioso. Eu vim comprar. Eu achei legal e tal. Aí o tempo passou. De repente, ele escreve um negócio. Eu falei: o que é isso? Ele falou: eu estudo criatividade há muitos anos. Eu nunca tinha visto por esse enfoque que você… eu sempre achei que seria interessante esse enfoque, de observar o funcionamento, de como funciona o cérebro. Porque você vai observar pessoas falando sobre criatividade, elas falam do que acontece. E não por que acontece? Eu queria saber porque acontece. Então, eu fui observando o funcionamento até mecânico e biológico do cérebro assim, binário, 0110… o cérebro, a natureza é binária. Então, eu comecei a observar como o cérebro funciona. Por que a gente bloqueia? Por que a gente não bloqueia? Com o tempo eu percebi que esbarrava em comportamento humano, porque não tem como separar. Então acabei… a coisa acabou andando junta. Você está falando de comportamento. Eu escrevi esse livro. Para minha alegria, o Luiz Alberto escreveu, eu acho que até no Café.

Luciano Pires: É. Eu acho – se eu não me engano – ele publicou lá sim.

Henrique Szklo: Ele escreveu uma resenha.

Luciano Pires: Foi. Saiu uma resenha legal.

Henrique Szklo: Muito legal. Eu fiquei muito feliz. Porque é um cara de peso falando coisas sobre um trabalho meu, que não tem ainda… e aí eu tenho um amigo meu, que é um diretor da Panamericana. Ele falou assim: o seu livro é muito bom – ele disse – a pessoa acaba de ler o livro e descobre porque ela não é criativa. Assim, eu desenvolvi a teoria, mas eu não disse para as pessoas…

Luciano Pires: Como…

Henrique Szklo: O que fazer com aquilo. E aí, aos poucos… eu sabia que em algum momento ia chegar a isso. Eu sabia que eu tinha que fazer por partes. Não tinha como. E aí comecei a desenvolver também, paralelamente, assim, o que eu faço? Como que eu desbloqueio? Como que eu ajudo as pessoas, primeiro a entender o processo, que eu acho importante entender o porquê. Porque se você tem um carro e você não entende nada de mecânica, o carro quebra, você não tem o que fazer. Você tem que chamar alguém. Se você entende de mecânica, não quer dizer que você vai consertar. Mas você vai ter mais ferramentas, você vai ter mais possibilidades. Você entendendo como teu cérebro funciona, você vai ter mais possibilidade de trabalhar a questão de bloqueio de oportunidade, medos. A gente fala muito de medo em criatividade. E aí acabou surgindo esse componente todo, é um tripé hoje que a gente chama. Tem a subversão – que eu falei para você no começo – filosofia. Subversão é olhar para as coisas e ver outras coisas. Você abstrair o significado das coisas. A gente está sempre brincando. Parece não sei o quê. Você podia fazer assim. Quer dizer…

Luciano Pires: Esse é o lado que eu tenho do cartunista, que eu uso para explicar.

Henrique Szklo: Isso. Exatamente.

Luciano Pires: Eu digo: é porque eu fui treinado para ser um cartunista. O cartunista olha o mundo com um olho diferente de uma pessoa normal. Porque como cartunista tudo pode. Um passarinho fala. Um passarinho conversa com ele. A mesa anda. Ele está procurando uma oportunidade de criar uma situação absurda. Então, o olhar tem que ser diferente, né?

Henrique Szklo: Então, a expressão, eu criei, mas já existia. Obviamente já existia as pessoas se utilizando dela. A subversão é filosofia. A teoria se chama: NeuroCriatividade Subversiva. NeuroCriatividade, justamente por causa da forma como que eu estudo. Assim: é funcionamento do cérebro. Eu não sou cientista, não sou neurocientista, eu não sou psicólogo. Tudo foi uma questão de observação de comportamento meu, das pessoas, dos animais. E é como eu te falei: continua crescendo. Porque cada vez que eu dou aula, eu tento explicar uma coisa de um jeito diferente. Tem outra conexão.

Luciano Pires: Sim. Por isso que a internet é maravilhosa.

Henrique Szklo: Porque fala muito de referência.

Luciano Pires: Ela é maravilhosa. Porque você põe tudo lá e joga. Eu estou corrigindo a atualização. Vou atualizar o post. Ela está viva. Ela é viva, né?

Henrique Szklo: Poxa, que merda que eu escrevi. Deixa eu apagar.

Luciano Pires: Ela corrige. Não colocou. É isso aí.

Henrique Szklo: E a terceira é o despertamento criativo, que é o método. Como que a gente faz despertamento. Porque você não aprende a criar. Você aprende a desbloquear. Na verdade, é um movimento para trás, não é para frente. Eu digo que as pessoas não aprendem, elas desaprendem uma coisa. Você faz… o treinamento faz com que o conhecimento – como funciona o cérebro – faz com que você diminua em determinados momentos, aprenda a diminuir em determinados momentos, a força do bloqueio criativo. Depois ele volta. Mas você tem aqueles momentos assim: faz isso, que o teu cérebro vai…

Luciano Pires: Aquela história de que toda criança é altamente criativa. Ela vai para a escola e vai sendo destruída a criatividade dela. Destruída não. Vai sendo podada, né? Aqui não, ali não, ali não, ali não, ali não. Entrou na caixinha.

Lena Fail: Na verdade, é necessário na verdade. É uma coisa muito doida isso. Porque à medida em que você é gerado, lá dentro do útero, você já começa com limitações. Sabe? Já tem que se alimentar, já tem isso, já tem aquilo, já vêm os genes, enfim, já tem uma série de coisas. Quando você sai, já começa a família, em primeiro lugar, o pai, a mãe, a família. Depois a escola. Depois a igreja. Depois a instituição do trabalho. E tudo isso tem regras e normas. E a gente vai se encaixando dentro dessas regras enormes. E quanto mais encaixado a gente estiver ali, a probabilidade de a gente dar certo é melhor. Porque quanto mais contestar, é menos provável que…

Luciano Pires: Você tem que ser normótico, né? Eu tenho que me transformar num indivíduo normótico. Eu tenho uma palestra que chama-se: Quanto Você Vale. O tema de fundo dela é meritocracia; eu abro a palestra falando exatamente dessa coisa de que nós não existe. Nós é uma abstração. Ninguém conversa com nós. Ninguém pode se dirigir a nós. Eu me dirijo ao indivíduo. Portanto, nós nada mais é do que uma soma de indivíduos, cada um com seu jeitão de ser. E esses indivíduos não tem como conviver em harmonia se não tiver um regramento. Senão, o mais forte vai mandar e aquela coisa toda. E a gente cria regras. E a função da regra é trabalhar a igualdade, que é essa palavra que todo mundo adora. Então, todos queremos a igualdade. Só que a igualdade odeia a liberdade.

Lena Fail: Total.

Luciano Pires: Se você tem tudo igual, você não tem mais liberdade. Então, se é para ser tudo igual, eu não posso pensar diferente. E aí fica assim: então, o que nós queremos? A gente quer igualdade à custa da liberdade? Se eu quiser ser livre e me comportar… eu viro um – como é que é? – um revolucionário, eu viro um…

Henrique Szklo: Um subversivo.

Luciano Pires: Um subversivo. Que o sistema quer me jogar fora dele, né?

Lena Fail: E consegue. E totalmente consegue. E a teoria do Henrique é justamente isso: quanto mais padrões tivermos, quanto mais instituições nos coordenando, trabalho, igreja, faculdade…

Luciano Pires: Justiça.

Lena Fail: Justiça, enfim, tudo. Quanto mais padrões é melhor para a gente viver.

Henrique Szklo: Você fica mais confortável.

Lena Fail: Ficar mais confortável. Você não sofre tanto. Mas para quem quer ser criativo, para quem quer ser diferente, para quem quer fazer algo, realmente diferente. Se é isso que satisfaz, se é isso que você quer, você precisa aprender a utilizar esses padrões a seu favor. Então, quanto mais conhecimento do certo que você tem, é mais fácil quebrar. Porque você não pode quebrar, subverter, algo que você não conhece. Você só subverte aquilo que você conhece.

Luciano Pires: Ó cartunista de novo aí.

Henrique Szklo: Por isso que eu acho que…

Luciano Pires: O pessoal diz assim: por isso que você, para fazer um cartum ou uma caricatura, você tem que saber desenhar. Se eu não souber nada de desenho, eu não vou conseguir. Que é exatamente, eu vou exagerar alguns pontos, mas eu aprendi. Então, tem o começo, né?

Lena Fail: Tem o começo. Tem o clássico.

Luciano Pires: Se eu não domino alguma coisa, eu não posso querer…

Henrique Szklo: A gente estava falando de pintura antes de gravar aqui. E você vai ver todos os grandes pintores, começaram a vida, fazendo o clássico. A natureza, natureza morta, natureza viva. E depois que eles dominavam essa técnica, dominavam. Aí eles começaram a…

Luciano Pires: Eu gravei aqui com a Alice Quaresma, que é uma artista plástica brasileira, que está lá em Nova Iorque. A gente bateu esse papo aqui. Eu ilustrei. O LiderCast dela está publicado e no texto, eu ilustrei com o que a gente falou na hora aqui, que é aquela sequência dos touros, do Picasso. Que ele começa com um touro. É um touro desenhado. E no fim são quatro rabiscos. Então, ele levou anos para chegar no momento em que ele, com quatro rabiscos, ele definiu um touro, que no começo foi todo elaborado. Mas sabe que isso aí que você está levantando é um negócio interessante. Eu não consigo ouvir isso aí sem ficar todo me coçando por dentro aqui. Porque tem um componente político nessa história aí, político, ideológico. Tem tudo a ver com a sociedade que nós estamos vivendo hoje em dia, né?

Lena Fail: Tem.

Luciano Pires: Onde tem muita gente que o contestar isso que está aí é mostrar a bunda na rua. Eu vou, mostro a bunda, estou contestando. Subo no palco, pego o microfone e falo um absurdo horroroso e estou e sou um contestador. E outro dia, eu fiz um programa, falando exatamente dessa coisa, dessa turma que se acha. Os contestadores, porque fala palavrão e não sei o quê. Eu falei: vocês querem ver uma coisa? Eu vou contar uma historinha para vocês. E ali, eu fui mostrando, contando historinhas muito rápidas de quem foram os caras. Então eu vou lá para trás. Eu vou buscar lá o Hélio Oiticica e venho trazendo uma série de pessoas. E trago humoristas. Gente, eu falo: é uma turma que quando contestou, contestou botando a vida em risco. Era um pessoal que entendia o que estava acontecendo. E aparecia como o contestador, com conteúdo capaz de mudar a sociedade. Então, pega um jogador de futebol, que pela sua postura, na época lá o Caju, o Paulo César Caju. Ele vem com uma postura que aquilo não era porque ele era o gostosão. Ele estava impondo a cor dele, numa sociedade que era absolutamente fechada. O Tony Tornado com Arlete Salles. Imagina, na capa da revista, aquela coisa toda. E hoje em dia essa coisa se perdeu. Então, qualquer babaca abre a boca, fala um palavrão, mostra o peito e acha… faz xixi na rua. Estão urinando na rua. E com isso manifesto a minha…

Henrique Szklo: É. É. Eu tenho um blog no UOL, onde eu falo sobre criatividade e comportamento. E eu já escrevi sobre isso. Que eu falo assim: hoje mesmo quem é diferente é igual. Então, o diferente hoje é o que se espera. E a gente falava na nossa época: quer chamar a atenção? Pendura uma melancia no pescoço. Lembra disso? Hoje as pessoas estão pendurando melancias no pescoço. Ou seja, não tem conteúdo nenhum. Não tem atrativo nenhum. Não tem nenhum componente intelectual que massageia o cérebro do outro. Você só tem susto. Você só tem…

Luciano Pires: Sim, sim. É a síndrome da… da… como é que chama aquilo no Programa do Faustão? Que ele bota o pessoal caindo lá? Pegadinha. Não é Pegadinha. Como é que ele chama lá?

Henrique Szklo: Vídeo Cassetada.

Luciano Pires: É a síndrome da Vídeo Cassetada.

Henrique Szklo: É verdade.

Luciano Pires: O que é lá? se você me colocar alguém em alguma situação constrangedora, vai chamar a minha atenção. Eu vou ficar vendo aquilo. E se resume a isso. Pessoas em situação constrangedora.

Henrique Szklo: E os caras, e o like hoje é a droga do momento. Então, as pessoas fazem tudo para ter likes. Então, a gente tem histórias curiosas, como cara que… eles ficam inventando coisa para fazer o vídeo e para… aí teve um cara – não sei que país aí – que disse assim: ele ia dar um tiro. A namorada dele ia dar um tiro. Você viu essa história?

Luciano Pires: Com um livro…

Henrique Szklo: Com um livro. É. E aí ele morreu.

Luciano Pires: Sim. Só para lembrar. Ele botou um livro grosso na frente dele. Mandou ela dar um tiro, achando que o livro ia segurar a bala.

Henrique Szklo: É. E eu escrevi – na época – uma coisa dizendo assim: isso é o que acontece com as pessoas que não sabem o que fazer com um livro. Então assim, é tudo pelo like. É tudo pelo assim: vamos chamar a atenção.

Luciano Pires: Barbarizar.

Henrique Szklo: Barbarizar.

Luciano Pires: Isso aí.

Henrique Szklo: Então assim, quando você… e as pessoas hoje estão com menos paciência, talvez, para coisas que… eu não falo de mensagem. Porque mensagem é meio assim. Mas que tenha uma coisa que exija do teu cérebro um exerciciozinho, que é bom para ele. Então você olha a música. Fica parecendo muito saudosismo, né? Mas você que música que hoje é a música brasileira? Que música que era a música brasileira há 30 anos atrás? Quem eram as pessoas? Quais eram as mensagens? Então você… eu acho que é uma crise. Eu não sei se é mundial.

Luciano Pires: Eu acho que é mundial. Eu acho que é mundial.

Henrique Szklo: Porque a gente vê muito seriado bom.

Luciano Pires: Tem muita coisa boa acontecendo. Agora, é aquela história toda. Quer dizer, houve uma época em que o talento mandava. Ou você tem talento ou não tem talento. O indivíduo sem talento sai fora. Hoje em dia, você pega um cara sem talento, bota, ele aparece. Ele vai para a internet. Ele dá milhões de views. Ele vai lá ver por quê? Pela essa coisa. É um cara que ele não se enxerga, de tão ruim que ele é. Que fica curioso.

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Fica engraçado. E eu vou querer ver e aí estou dando…

Henrique Szklo: Sabe o que é mais preocupante? Os meus filhos, os dois trabalham. O meu filho já não mais. Mas ele trabalhou uma época em escola, os dois professores, e tal. E ele falou uma coisa para mim, muito preocupante: as crianças hoje, os heróis dessas crianças são esses caras.

Luciano Pires: São.

Henrique Szklo: Aí você fala assim: repete tudo que os caras falam. Isso na minha época era o quê? Era Jô Soares, Chico Anysio, Os Trapalhões, Jerry Lewis. Hoje são esses caras que ficam mijando na rua e mostrando a bunda. E as crianças adoram. Então assim, não sei aonde que isso vai chegar. Eu não sei. Isso é um papo de…

Luciano Pires: Eu estava procurando agora para achar aqui. Você que está ouvindo a gente aqui, não ouviu. Escute o Café Brasil 592, Transgressores é o nome dele. Onde eu mostro essa turma toda. Lá tem um monte de gente lá, que já fez lá atrás, o que essa moçada está fazendo hoje. Então, o cara que acha que está fazendo muito falando palavrão hoje, meu, teve uma véinha que a gente só conheceu véinha, com 90 anos de idade, que todo mundo ria do palavrão dela, mas que quando ela falou lá atrás, era um momento em que mulher não podia usar calça comprida. Então havia uma coragem dentro desse povo, de assumir, o pessoal, essa coisa gay, etc. e tal. Eu botei ali a Rogéria. Eu falei: cara, quando a Rogéria se assumiu cara, ela estava botando o pescoço dela a risco. Então ela era… havia uma outra… uma outra consciência ali, né? E hoje me parece… e o meu programa fala exatamente isso. Ficou tão na moda ser do contra, que hoje o do contra é o normal.

Henrique Szklo: É o normal.

Luciano Pires: Então, você quer ser conservador? Quero. Então, seja do contra, vai fazer baixaria, tudo. Porque todo mundo espera isso. E aí, de repente, você volta atrás e fala aí: olha, pera um pouquinho. Quem não está nessa é que é o verdadeiro revolucionário, né?

Henrique Szklo: É. E a gente fica até… essa expressão nossa: que louco, né? Eu não sei se é louco ou se é um idiota. A coisa mais fácil né, Luciano? Assim: eu vou falar uma merda. Qualquer coisa que vier à cabeça. Isso é fácil. Agora fala uma merda que as pessoas, vai bater lá na cabeça.

Luciano Pires: E vai mudar alguma coisa.

Henrique Szklo: E assim…

Luciano Pires: Que vai mudar alguma coisa. De repente você fala, aquilo foi falado lá atrás. E foi uma minhoquinha que cresceu e mudou a história, né?

Henrique Szklo: Você riu, porque assim, você fez uma conexão mental ali que você fala: pô, esse cara acertou na mosca. Eu gosto muito de assistir stand up americano. Os caras são… pô, são geniais. Sabe? Os raciocínios. Eles falam palavrão, falam muito sobre sexo. Tem um lá que eu adorei, que eu conheci outro dia, o cara fala barbaridades. Fala de estupro, fala… mas isso precisa… eu acho que no Brasil não dá mais para fazer isso.

Luciano Pires: Não, não dá. Não dá.

Henrique Szklo: Mas o cara tem o público dele. Tem gente que odeia ele também lá. Mas ele tem uma forma de falar que não fica esdrúxulo. Ele está fazendo piada e é inteligente a piada. A inteligência eu acho que é o que está faltando um pouquinho. É o componente da inteligência. Está faltando nesse processo hoje, que a gente vê muito na internet, no Brasil.

Luciano Pires: Até porque o público perdeu muito da capacidade de criticar. E eu não sei como é que você faz. Eu uso a ironia direto, cara. No programa. Tudo que eu faço eu boto ironia. Cara, e como apanho. Como apanho, cara. Eu falo: meu Deus.

Henrique Szklo: Então, eu preciso te falar uma coisa…

Luciano Pires: Tem que explicar…

Henrique Szklo: Eu entreguei hoje um texto que vai sair amanhã no UOL. O título é: As Pessoas que Não Entendem Ironia são Muito Mais Inteligentes. E o texto inteiro…

Luciano Pires: É uma ironia?

Henrique Szklo: É. Eu desanco quem entende a ironia ou que faz a ironia.

Luciano Pires: Sim, sim.

Henrique Szklo: Então assim, porque a gente diz coisas. Eu escrevo na internet assim, toda vez que eu escrevo, as pessoas me acusam. E na verdade, eu estou dizendo o contrário. Então… é uma coisa que precisa ser estudada ainda. Por que as pessoas não entendem ironia? A grande parte das pessoas não entendem ironia. Eu no meu texto de amanhã, eu falo muito sobre isso. Assim, é porque ela tem preguiça mental. De conectar as coisas fora do âmbito do que ela já conhece.

Luciano Pires: Sim. Ela… pode ser falta de repertório. Pode ser falta da cultura de ser exposta à ironia.

Henrique Szklo: Também.

Luciano Pires: E de levar tudo a ferro e fogo. Quer dizer, você é de esquerda, eu sou de direita. Eu já sentei aqui preparado para sair na porrada, entendeu? Qualquer coisa que você disser, eu já vou receber como uma provocação contra mim. Quando, de repente, não é uma provocação. Você está colocando a tua posição. E nesse contexto, você bota uma ironia lá. As pessoas não vão… e o que eu brigo com a turma. Eu já escrevi um monte a respeito. Eu falo: cara, para. Antes de escrever esse teu comentário horroroso, raivoso, xingando tudo, para e pensa o seguinte: eu posso estar fazendo papel de idiota na hora que eu publicar o meu comentário idiota. Volta atrás e olha assim, a pessoa que escreveu, você acha que ela é mais burra que você? Você acha que esse cara que escreveu que você está horrorizado e vai atacar esse cara, você acha que ele é mais idiota que você? Passou pela tua cabeça que ele pode ter feito isso porque ele sabe mais que você? Então, para se preservar, dá um passo para trás, olha o contexto, vai ver quem é o cara. Depois você volta e fala: puta, quase que eu falei uma bobagem. Que eu descobri que esse cara é o contrário do que ele estava dizendo. Mas dá trabalho isso.

Henrique Szklo: Dá trabalho. Há uns 20 anos atrás, eu lancei um livro. Que eu escrevia numa revista dedicada aos publicitários, que eu era de humor, eu desancava tudo. Eu criticava muito o comportamento dos publicitários tudo. Eu tinha uma coluna. Eu acabei lançando dois livros, compilação dos artigos. Que chamava Só Porque Criou o Mundo Pensa que é Deus.

Luciano Pires: Boa.

Henrique Szklo: E aí, quando eu lancei o segundo livro, eu conheci um cara – talvez você conheça – Nelson Blecher, que é jornalista, que ele era editor da Exame, na época. Aí ele me convidou para escrever um artigo naquela última página da Exame, que assim, eram pessoas de fora que escreviam. Eu pensei: será que ele sabe o que…

Luciano Pires: O que ele está pedindo?

Henrique Szklo: É. Eu vou ir lá. Ok. Vou escrever sobre o quê? Dinheiro, né? Estou na Exame, aí escrevi um artigo falando do meu amor pelo dinheiro. Aí o texto inteiro, amor pelo dinheiro. Tudo que eu tenho eu devo ao dinheiro. A minha mulher, a minha dignidade, ba-ba-ba. E eu falava da história, o cheiro do dinheiro. Era tudo assim. E no final, ainda colocava assim: Henrique Szklo, publicitário, ama o dinheiro, mas não é correspondido. Você não sabe. Na época não tinha rede social, e-mail. Eles me mandaram e-mails. No começo eu comecei a achar engraçado. Depois eu comecei a ficar preocupado. Porque assim, aquelas coisas de cancelar. Eu vou cancelar assinatura. Esse imbecil. Esse ta-ta-ta. Como é que ele pode ter esse comportamento? Gostar tanto do dinheiro? Aí foi minha primeira experiencia assim. Eu disse: nossa, as pessoas são loucas.

Luciano Pires: São.

Henrique Szklo: Porque assim, está escrito lá. Não sei. Não está claro que é piada? Não está claro que eu…

Luciano Pires: Pior que não está, né?

Henrique Szklo: Eu estou dizendo o contrário? Eu estou dizendo: pô, conheço muitas pessoas que gostam de dinheiro.

Luciano Pires: Você sabe o que eu criei no meu Facebook? #tutorialparaentenderopost. Então eu escrevo o post. E quando eu olho o meu post, eu falo: vai dar merda. Aí venho embaixo e ponho: tutorial para entender o post. Este post não trata do que você está pensando que trata. E aí eu explico o tutorial. Porque eu já sei que vai vim uns caras…

Henrique Szklo: Parece até piada, né cara?

Luciano Pires: É. Mas é horrível. Agora, essa é a realidade, né? Você sabe que – voltando agora para o que acontece no dia a dia da gente aqui – eu quando criei o LiderCast, que é esse bate-papo nosso aqui, eu queria ir contra um certo padrão que tem no mercado. Esse aqui é um programa de liderança e empreendedorismo. Então, eu falo com pessoas que fazem acontecer. Olhei o que tinha em volta. Tem um padrãozinho. O padrãozinho é o seguinte: eu vou pegar um cara que nasceu na favela, que era um fodido, que se mexeu, deu certo, ficou rico. Se ele ficou, você também pode ficar. Esse é o padrãozinho. É o que tem por aí. Eu falei: cara, eu não quero isso.

Henrique Szklo: Eu vou lá ouvir, de repente eu aprendo.

Luciano Pires: É. Eu falei: não é isso. Eu não quero isso. Eu queria conversar com gente igual a mim. Eu não quero um cara que deu certo, por razões, que, se eu aplicar comigo não vai dar também. Eu quero alguém que esteve, está ou pretende estar numa situação que eu já estou passando, para ver como é que ele reagiu e tudo mais. Então, como é que eu vou fazer, cara? Eu vou trazer pessoas normais, comuns aqui. Vou trazer pessoas sem roteiro, sem tempo determinado. E vou sentar e vou conversar com essas pessoas. E num determinado momento eu comecei a perceber que eu tinha que ampliar esse caminho, para não ficar mais só no mundo do business. Mas falar de sociedade como um todo. E aí fui buscar algumas pessoas de política e tudo mais. E eu trouxe aqui a Janaina Paschoal. Terminou de derrubar a Dilma…

Henrique Szklo: Perfeito.

Luciano Pires: Ela veio aqui, a Janaina. E a Janaina sentou aí e eu falei: cara, qual é a função desse programa agora? Do meu papo com ela? É tirar fora toda a caricatura da Janaina e conversar com o indivíduo, que a partir do seu esforço, causa um impacto na vida de todo mundo. Cara, isso tem um valor maravilhoso.

Henrique Szklo: Lógico.

Luciano Pires: Então não adianta chegar: sua louca, seu isso, seu aquilo. Bobagem. Quem está nessa aí está perdendo o seu tempo.

Henrique Szklo: Não é o seu papel.

Luciano Pires: Não. O meu papel é: vou pegar o Olavo Carvalho. Fui no Olavo.

Henrique Szklo: Eu ouvi também.

Luciano Pires: Vou conversar com o Olavo, tirando fora toda a caricatura. Olavo, deixa eu falar com você como… né? Comecei a entrevistar alguns candidatos a presidente. Falei com o Paulo Rabello de Castro. E fiz o João Amoêdo agora essa semana aqui. É exatamente essa função. Cara, posso nem concordar com o que você está fala. Mas esse não é o meu interesse. O meu interesse é em ter um indivíduo se mexendo e produzindo alguma coisa que vai dar consequência na humanidade. Como é que eu faço para não me colocar numa posição de ataca-lo, porque eu não gosto dele ou por que… não. Deixa eu entender o que move esse cara. Uma vez o pessoal… eu botei algumas… uns posts. Eu boto umas frases de vez em quando. Mas não é aquelas frases de autoajuda. Eu boto umas frases bem sacanas. Eu vou buscar a frase e ponho a frase. E cara, eu publiquei frases de Mao Tsé-Tung. Publiquei frases de Adolf Hitler, publiquei frases de Stalin, publiquei frase lá do vietnamita, do Vietnã, cara.

Henrique Szklo: Ho Chi Minh.

Luciano Pires: Ho Chi Minh. E cada vez, cara… o Pol Pot. Cara, cada vez que eu botava uma frase dessa aí, vinham os caras: que absurdo. Você… não vou assinar mais essa página. Você dando cartaz para esses caras aí. Eu falei: bicho, para de olhar quem assinou e olha a ironia da frase. Olha a frase. Quando você olha a frase, o que ela quer dizer, é uma coisa que é legal. Quando você põe a assinatura de quem falou embaixo, muda tudo. Muda tudo. Como é que é? Só sei que nada sei. Falada por um filosofo grego. Meu Deus. Falada pelo Lula. Meu Deus. Mudou tudo, né? Mas as pessoas não têm esse alcance. Então elas estão julgando pela aparência, porque eu não gosto de você. Porque sua barba me incomoda. E por isso, eu vou tirar fora. E vou desconsiderar você como um pensador ou a tua ideia como algo que possa ser útil.

Henrique Szklo: Por isso que a gente evita posicionamento político. Porque hoje está muito complicado. Então a gente tem lá, se você acompanhar o nosso Facebook, a pessoa percebe o que mais ou menos, mas a gente não faz apologia. Não falamos de ninguém em particular. Porque a gente fala assim: quem tem boleto para pagar não pode falar tudo que pensa, né?

Luciano Pires: E de certa forma, isso é um… isso é um…

Henrique Szklo: Se eu sou um escritor e vivo disso e tenho minha coluna no jornal, aí eu falo o que eu quiser. Agora, eu quero vender palestra. Eu quero vender curso. Eu quero vender treinamento em empresa.

Luciano Pires: Você é obrigado a negociar isso o tempo todo. Porque você está cortando um pouco da tua liberdade. Mas você está falando nós. Nós, nós. Eu estou agora entendendo que existe aqui uma… tem um negócio aqui, tem uma empresa?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: O que é? O que vocês… passou o tempo, vocês resolveram…

Henrique Szklo: O que aconteceu? A Lena estava lá no sul. Estava com uma fábrica de móveis. E eu estava aqui, com uma consultoria de cursos, de criatividade, de palestra, de treinamento…

Luciano Pires: Você já tinha largado o mundo…

Henrique Szklo: Já, já. Faz tempo.

Luciano Pires: Você encheu o saco?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Você encheu o saco?

Henrique Szklo: Na verdade, sabe aquela coisa de mulher que você briga e volta, briga e volta, briga e volta? Mas acabou que eu… oficialmente, eu larguei a Publicidade em 2001. Mas eu ainda tive que fazer algumas incursões por causa de grana. Mas em 2009 eu abandonei definitivamente.

Luciano Pires: Quer dizer, isso foi uma ação consciente, tua?

Henrique Szklo: Sim.

Luciano Pires: Vou largar isso aqui, por que não é aí?

Henrique Szklo: Foi.

Luciano Pires: É isso?

Henrique Szklo: É. Eu tentei largar várias vezes, quando eu era… antes. Eu já tive loja de roupas. Já quis ser fotógrafo, quis ser tarólogo. Já tentei de tudo, né? Aí o que aconteceu? Eu estava com essa consultoria, sozinho. Aí a gente se reencontrou. Aí foi aquela coisa, né? Dois indivíduos muito individualistas, que ao se encontrarem, mantiveram o seu individualismo, mas parece que é uma coisa só. É difícil até de explicar um pouco isso. A gente é uma coisa só, sendo dois indivíduos. Mas enfim. E a Lena resolveu…

Luciano Pires: Mas tem gente assim. Tem bastante. Tem o Laurel, tem o Hardy. Tem. Tem vários. Tem vários. Tem… como é que é?

Henrique Szklo: Chitãozinho e Xororó…

Luciano Pires: Fred Astaire e Ginger Rogers, Chitãozinho e Xororó. É isso aí.

Henrique Szklo: Arroz com feijão. Aí a Lena resolveu fechar a fábrica dela lá e veio para morar aqui em São Paulo comigo. E aí eu falei: vamos fazer a coisa juntos.

Luciano Pires: Você tinha filhos?

Henrique Szklo: Eu tenho filhos e ela tem filhos. Mas já…

Lena Fail: Adultos.

Henrique Szklo: Já adultos.

Luciano Pires: Adultos. Não. Mas quando vocês decidiram se juntar. Já eram filhos adultos?

Henrique Szklo: Já, já. Foi em 2010.

Luciano Pires: Ah, então vocês já estavam… vocês já estavam na… já tinham criado a molecada toda e…

Henrique Szklo: Já, já. Os filhos dela são mais velhos que a gente e tal.

Lena Fail: Por isso que eu te falei, que hora que eu comecei a escutar eu digo: deixa eu… eu resolvi assim, sabe quando você está… deixa eu escutar.

Luciano Pires: Então, deixa eu cutucar nisso aí um pouquinho…

Henrique Szklo: Não. Deixa eu só contar o…

Luciano Pires: Deixo. Eu cutuco depois.

Henrique Szklo: O caminho que a gente seguiu. É rapidinho. Aí a Lena veio para cá. Mas sabe quando a pessoa… você mora numa casa e a pessoa vem morar na sua casa? Isso não aconteceu com a casa, porque a gente foi morar numa outra casa. Mas aconteceu com o negócio. O negócio era meu. Ele tinha todas as qualidades e defeitos meus. Tinha todo um modus operandi meu. Tudo, né? A Lena chegou, com uma capacidade extraordinária. Eu nunca fui um empresário. Eu nunca tive esse espírito empresário. A Lena, apesar de ela ser super conectada com essa coisa cultural, ela é, sempre foi uma grande empresária. Mas era de outra área. Então, a gente demorou um pouquinho. E a gente tem passados os últimos anos, aquela coisa assim: o que a gente faz? As pessoas perguntavam para a gente assim: o que vocês fazem? Hã…

Lena Fail: Eu falava: eu faço tudo.

Luciano Pires: Essa é a minha resposta: você tem tempo?

Henrique Szklo: O que aconteceu? Há uns quatro, cinco anos atrás, a gente teve uma ideia, chegou a desenvolver um pouco, mas abandonamos. Só que chegou agora, no fim do ano, aconteceu o seguinte: vamos parar e sentar? Assim: o que a gente quer? O que a gente gosta? A gente até tinha lido um livro sobre coaching. Não para a gente, que a gente queria ser coaching. Atirar para… ou ser coaching criativo. A gente leu esse livro. O livro despertou uma coisa na gente assim. O que a gente quer? O que a gente gosta? A gente chegou à uma conclusão: a gente gosta de três coisas. A gente gosta de criatividade, tudo da criatividade a gente gosta. A gente gosta de estudar comportamento humano. E a gente gosta de viajar. E aí surgiu – até nessa época a gente tinha uma empresa chamada Chickens, que era essa coisa de curso e tal – aí surgiu a Escola Nômade para Mentes Criativas. O que a Escola Nômade para Mentes Criativas? É um portal na internet, que fala sobre criatividade e comportamento, tá? E humor, que eu não consigo desconectar. Só que assim é diferente dos outros. Ele é gratuito. A gente até pensou. A gente viu você como referência. Aí um amigo nosso falou assim: vocês cobrarem, você não é conhecido, se você cobrar ninguém vai fazer. Eu falei: então, vamos fazer de graça? E tentar, mais para frente, vender projetos, vender… então, o que acontece? É uma escola não formal. Não convencional. Por que eu digo que é uma escola? Não tem curso lá. Tem os nossos cursos. A gente continua vendendo esses nossos cursos. Mas o site, o portal, ele tem exercício. Toda semana eu publico um exercício novo. A gente publica dicas de criatividade. A gente publica curiosidades. A gente publica provocações. A gente publica… sabe? Então assim, ele é um apanhado de informações. Mas a gente não coloca só como informação. Ele tem um perfil crítico.

Lena Fail: Crítico e sempre com um viés criativo e com humor, sabe? Porque é o jeito que a gente sabe fazer. Então…

Henrique Szklo: E é provocativo, o site. Ele tem essa… mas não é aquele provocativo. Não é o pendurar… a gente não mostra a bunda nada. É o provocativo intelectual.

Luciano Pires: Sim. É o que eu chamo das iscas intelectuais, né?

Henrique Szklo: Isso. Você usa isca intelectual. Então, por exemplo, a gente não elogia todas as coisas. A gente vê uma… a Lena é uma expert, hunter. Impressionante como ela acha coisa bacana para a gente falar. Então descobriu assim: cientistas descobriram – a gente estava falando da Monalisa – se ela está rindo ou não? O artigo fala assim. Ok. E daí? Você não tem mais o que fazer do que… tanto faz se ela está rindo ou se ela não está rindo? Esse tipo de coisa. A gente tem uma coluna que é o nosso fake news, que chama Verdades Artificiais. Então a gente… um artigo falando assim: inventaram uma vacina que deixa a pessoa mais criativa. E quem não entende ironia…

Luciano Pires: Não vá lá, pelo amor de Deus.

Henrique Szklo: Não. A ideia é que vá e que compartilhe achando que é verdade. Essa é que é a…

Luciano Pires: Ah, essa é que é…

Henrique Szklo: Essa é a intenção. E aí a gente tem professores convidados. A linguagem é toda essa, né? Professor, biblioteca, aula. Professores convidados: já escreveu a Jo Yudess, que você deve conhecer, lá de Buffalo. Aí, o que está no ar agora é o Carlos Alberto. O Luiz Alberto Machado.

Luciano Pires: Machado. Sim.

Henrique Szklo: E a gente está conversando sempre com outras pessoas. Aí tem o master class, que é em vídeo. Então, a gente faz uma entrevista em vídeo e fraciona ela, pergunta por pergunta, para parecer uma coisa meio de aula. Inclusive, eu vou aproveitar. A gente chama aqui no ar? Fala nome?

Luciano Pires: Sim, sim. Pode falar no ar.

Henrique Szklo: Eu vou aproveitar no ar. A gente gostaria de te convidar para fazer o nosso master class.

Luciano Pires: Já está aceito.

Henrique Szklo: Que a gente vai te fazer perguntas relacionadas à criatividade.

Luciano Pires: Já está aceito.

Henrique Szklo: Então, esse site, a ideia na verdade, é que a gente vá viajar e capte nos lugares que a gente está viajando, todos esses conteúdos que a gente está colocando no site. Por isso que é Escola Nômade para… então, a gente conseguiu criar um negócio que é nosso agora, não é meu, com a Lena chegando. É nosso. Foi criado junto. Então, ele é tocado junto. Ele é pensado junto. E a gente está esperando ele ganhar… que lançamos há um mês e pouco e tal…

Lena Fail: Está muito embrionário.

Henrique Szklo: Esperamos ganhar volume. E aí, a gente vai começar a apresentar projetos para empresas que se interessem…

Luciano Pires: Quer dizer, vocês não criaram a Escola Nômade SC Ltda. Não é uma razão social. Não é uma entidade. Você criou um site?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: É um ambiente?

Lena Fail: É um ambiente.

Luciano Pires: Tá. Mas o business de vocês, o que é? É a tua empresa?

Henrique Szklo: Por enquanto, os nossos cursos.

Luciano Pires: Não, não. Mas eu digo assim: qual é o CNPJ dela?

Henrique Szklo: Não. É o CNPJ antigo.

Luciano Pires: Tá. Não. Aqui, eu estou perguntando o seguinte, porque têm pessoas que vêm aqui: montamos uma startup e a startup…

Henrique Szklo: Deixa eu te falar: é uma startup.

Luciano Pires: Sim. Isso aí. Então a startup logicamente tem que ter um business plain, ta-ta-ta, estamos aqui colocando e vamos buscar investimentos de fora, etc. e tal. Tem todo um modelo. É esse o modelo que vocês estão pensando?

Henrique Szklo: Não, não.

Luciano Pires: Muito bem.

Henrique Szklo: A gente quer, nós dois, viajar o mundo todo e ganhar dinheiro viajando. Essa que é a verdade. Esse é o princípio da coisa. A gente tem uma vida muito espartana. A gente já teve muita coisa. Já sabe o que é importante, o que não é. O que a gente precisa. Então, a gente quer viajar, que é o que a gente gosta. E falar sobre criatividade, que é o que a gente gosta. Conhecer pessoas de fora e fazer entrevista e captar. Porque a gente capta coisas, não só o óbvio de criatividade.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Szklo: De repente, a gente está passando num lugar, tem uma placa interessante numa casa. A gente vai e faz uma análise daquela coisa. É captar. Realmente, a gente foi para Florianópolis recentemente. E a gente ficou assim: puta, mas o que tem em Florianópolis? Então, curiosamente, eu encontrei um amigo da faculdade lá e ele quis ser o nosso…

Luciano Pires: Cicerone lá?

Henrique Szklo: Cicerone lá. Ele levou a gente para passear num monte de lugar. Então assim, muita coisa, que se você olhar superficialmente, você não tem o que falar disso. Não tem o que falar disso. Então, o que a gente foi fazendo? Associando coisas, né? Então assim: não sei se você sabe, mas a Ponte Hercílio Luz, que é o cartão postal de Florianópolis, está fechada há 36 anos.

Luciano Pires: Sim. Sim, sim.

Henrique Szklo: 36 anos fechada, em reforma. Então eu fiz um artigo. Eu fiz uma brincadeira: 36 desculpas esfarrapadas ou criativas, para deixar uma obra 36 anos lá. E a gente descobriu que tem assim, não são pinturas, são gravações rupestres lá, sabe, antiquíssimas. Tem um sítio arqueológico lá, que é um dos maiores do mundo. Coisas que a gente não sabia. O Antoine de Saint-Exupéry, do Pequeno Príncipe, ele pousava lá. Quer dizer, a gente começou a descobrir um monte de coisa…

Lena Fail: Que é muito incrível. Ele pousava no Campeche. E olha só, traduz aí, o nome que os manezinhos davam.

Luciano Pires: Os manezinhos?

Henrique Szklo: Ele virou… como é que é?

Lena Fail: Zé Perri.

Henrique Szklo: Zé Perri.

Luciano Pires: Zé Perri?

Henrique Szklo: Para os pescadores e tal. Zé Perri. E aí tem a Avenida Pequeno Príncipe. Enfim, tem todo um…

Lena Fail: É uma história…

Henrique Szklo: E aí tem a história de um cara que acha que tem um alinhamento de umas pedras lá, com Egito e… sabe? Tem um… você começa a descobrir essas coisas e trazer. Aí tem uma história que eu gosto muito – talvez você conheça – e eu usei de desculpa. A gente viu. Tem um tipo de barco lá – que eu não lembro – é barco de um pau só. Que é uma árvore que eles escavam e aí vira um barco.

Luciano Pires: Aqui é uma piroga.

Henrique Szklo: Piroga?

Luciano Pires: Piroga.

Henrique Szklo: É. E aí eu vi aquilo e lembrei de uma história. Então eu usei a foto dali e trouxe para a história que eu conhecia. Que uma vez, perguntaram para um artesão, que fazia esses barcos, perguntaram para ele assim: qual que é?

Lena Fail: O segredo?

Henrique Szklo: Qual o segredo? O que você faz? Como é que você chega no… ah, eu pego um pedaço de madeira e tiro tudo que não é barco.

Lena Fail: Então é esse o nosso trabalho. Não é contar a história do barco, do pescador, sabe? É associar a alguma coisa.

Henrique Szklo: Coisa interessante. Shakespeare em klingon. Você sabia que existe Shakespeare em klingon?

Luciano Pires: Eu sei que tem o dicionário klingon. Eu uso. Eu costumo usar.

Henrique Szklo: Você usa?

Luciano Pires: Eu uso, eu uso. Que eu chamo, todo pessoal de TI para mim são klingons. A turma de TI é klingon. Eles têm uma dimensão. Eles vivem numa dimensão própria. O relógio deles tem um timing que é deles. Não é igual ao nosso. O nosso é terreno.

Henrique Szklo: Amanhã você entrega? Amanhã…

Luciano Pires: Isso aí. Uma semana aqui tem sete dias. Em klingon tem quinze, vinte e cinco. Depende de onde é.

Lena Fail: Ah, genial.

Luciano Pires: E quando eles estão conversando, você não consegue entender nada do que eles falam. Então para mim são os klingons. E eu costumo pegar o dicionário e traduzo. E boto lá em klingon.

Henrique Szklo: Tem uma associação lá nos Estados Unidos. Que é um prédio, os caras lá para defender, para proteger a cultura klingon. A gente disse: a Lena vai descobrir essas coisas. Então assim, inclusive num filme, que um cara fala assim: você não sabe o que Shakespeare até ouvir na versão klingon. Num filme lá de verdade, com o Spock e tudo. Aí fizeram a versão em klingon. Aí eu descobri um dicionário klingon na internet. Você bota lá…

Luciano Pires: É esse aí. É esse que eu uso.

Henrique Szklo: É esse mesmo? Sabe, essas coisas são maravilhosas. A gente não está falando… a gente está falando também do Elon Musk. Mas a gente evita essa coisa…

Luciano Pires: Mas cara, vem cá, bicho, vai vencer meu carnê dia 30 agora. E eu não tenho grana para pagar, cara. Foda-se o klingon. Foda-se a piroga. Dane-se lá o… eu não quero saber disso aí. Eu preciso me virar. Como é que…

Henrique Szklo: Essas pessoas não vão gostar do nosso site nunca. A gente fez um site para a gente, né?

Luciano Pires: Eu te falei… isso, eu te falei isso aí para a gente… para levantar uma outra peteca aqui. Aliás, eu preciso levantar duas aqui. Que uma, eu fui fazer aquela hora, vamos retomar ela aqui. Vocês se juntaram então, maduros?

Lena Fail: Sim.

Luciano Pires: Maduros?

Henrique Szklo: Eu não muito.

Luciano Pires: Mais de 40 anos?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: Não, eu digo… eu digo…

Henrique Szklo: Eu ainda sou meio…

Luciano Pires: Clinicamente maduro, certo? Clinicamente maduro. Mentalmente a gente não pode… mas clinicamente sim. Então, vocês se juntaram maduros?

Lena Fail: Sim.

Luciano Pires: Numa época em que a maioria das pessoas que têm essa idade, já não quer nem saber de juntar trapo. Já me enchi o saco. Tudo que eu não quero na vida é casar de novo. Eu quero curtir minha vida. E vocês fizeram o contrário, vocês juntaram. Não são duas pessoas comuns. Porque você tem essa cabeça criativa, ela empreendedora. Não foi por… a conveniência. Vamos aqui, eu sou… como é que vocês avaliaram isso para saber, essa coisa de: vem cá, vamos juntar os trapos? Teve uma avaliação?

Lena Fail: Não teve uma avaliação.

Luciano Pires: Não teve? Foi assim: é tão bom estar com você, que eu quero que isso seja… dure mais tempo? Portanto, vem para cá. Foi isso, sim?

Henrique Szklo: É.

Lena Fail: Foi.

Luciano Pires: Sim? Sem pensar?

Henrique Szklo: A Lena ficou grávida. Isso que gerou o nosso passo seguinte, que é: vamos morar juntos. Porque até então, a gente estava namorando. Ela lá, eu aqui. Tudo bem. A gente ia acabar morando junto. Mas foi o que deu a… e foi meio impensado. Hoje a gente conversa muito sobre isso. Devia ter feito isso, devia ter feito… foi meio impensado. Porque foi uma conexão tão… o cara da… o presidente da… como é que chama? Da TIM devia ter o nosso relatório na mesa dele. Porque na época tinha 25 centavos a ligação. Ela morava no sul, eu morava aqui. A primeira vez que a gente ficou no telefone e virou a noite, custou 500 paus.

Luciano Pires: Uma ligação?

Henrique Szklo: Uma ligação. Aí assim, ela tinha um TIM. Eu comprei um TIM. E passamos a conversar diariamente, numa base de seis horas por dia. Eu fazia tudo. Eu punha no bolso, assim, dirigindo, no supermercado, estou vendo um programa na TV, comenta com ela. Ela trabalhando. A gente começou a viver junto através do celular.

Lena Fail: Isso não é muito normal.

Henrique Szklo: Não. Teve um dia que a gente ficou oito horas ininterruptas.

Luciano Pires: No celular?

Henrique Szklo: No celular. Às vezes fica em silêncio. Às vezes ficava… às vezes a gente estava vendo um programa. O mesmo programa assim, eu em casa, ela na casa dela. Aquele silêncio que você fica, de repente você faz um comentário e tal. Era assim. Isso, porque é o que eu te falei, assim: eu sempre fui muito autocentrado. Muito fechado. A Lena mais amistosa assim, mas também muito… hoje a gente não consegue. Hoje eu vou dar aula. Eu saio da aula, entro no carro e ligo o carro e ligo para ela. Eu estou chegando em casa daqui a cinco minutos. Mas eu ligo para ela. Sabe assim? A gente praticamente não se separa e não enjoa, né? Até agora. Não enjoou. Então, é uma coisa que para a gente ficou muito marcado. Essa coisa assim: pô, nunca gostei de ninguém me dizendo o que eu tenho que fazer, o que eu não tenho que fazer. Nunca deixei ninguém arrumar a minha mala. Nunca deixei ninguém mexer nos meus textos. Nunca. A Lena é meu copy desk. Eu termino um texto, dou para ela. Ela diz o que pode, o que não pode. E não por que… porque eu confio na capacidade dela de observar e ver o que é legal, o que não é. E a gente faz tudo junto. E obviamente temos nossas discussões, nossas brigas. Mas é uma coisa de… para a gente foi uma espécie de uma redenção pessoal. Pô eu achei… a gente achou que a gente nunca ia encontrar alguém do nosso planeta. Sabe? A gente convive com os terráqueos, né? Ok? Mas pô, eu queria alguém da minha raça, da minha tribo. E a gente se achou, como pessoas da nossa tribo.

Luciano Pires: O que é isso, Lena? É um comprimento de onda que atrai o outro? Como é que essas coisas se cruzam? Como é que elas se cruzam e entram em sintonia?

Lena Fail: Eu acho que é um… é… tem um momento… você passa a vida inteira tentando dizer coisas que não são possíveis de dizer. Você tem que ter um certo controle, por uma série de razões. Pelo aquilo que a gente falou: por todos os padrões, por todas as instituições. Você tem um modelo a ser cumprido. Mas a minha cabeça sempre viajou. Eu sempre viajei. Viajei no momento que eu estava conversando com alguém. Eu mesma falava comigo aquilo que eu gostaria de estar dizendo, na verdade, para aquela pessoa. Sabe? Era uma coisa interna. E de repente, você encontra uma pessoa que isso é normal. Eu posso falar.

Luciano Pires: Você não precisa botar barreira nenhuma?

Lena Fail: Não. Aquilo que eu penso, eu não vou ser julgada. E o grande problema, um dos grandes problemas para se criar e para evoluir e para pensar e para amadurecer é você conseguir colocar para fora e depois limpar aquilo que você conseguiu colocar para fora. E se você está falando com um estranho ou com uma pessoa que não é da sua tribo, isso é um perigo. Porque você diz uma coisa e você muda de ideia cinco minutos depois, você é o quê? E nós temos isso, tanto quanto a gente está escrevendo, quando está criando. A gente quando quer criar alguma coisa em relação à teoria mesmo, a gente fica conversando, conversando e colocando tudo para fora, sem preocupação e sem medo do julgamento. Sabe? A gente consegue sair da zona de conforto. Eu sei que ele não está me julgando pelo aquilo… ele tem… ele me conhece. Ele sabe como ele deve me julgar. Eu sei como julgá-lo.

Henrique Szklo: Se gravassem a gente falando, a gente já estava preso faz tempo. As coisas que a gente fala um para o outro. Os comentários que a gente faz sobre as coisas, sobre a vida, sobre as pessoas. Ainda mais nos dias de hoje?

Luciano Pires: Politicamente correto?

Henrique Szklo: Politicamente correto. A gente fala cada coisa. E a gente sabe. Às vezes, não concordamos com o que o outro acha, né? Mas ok. Ela acha. Como a gente tem um contato aparentemente com a essência do outro, o periférico não afeta. Então assim, falar uma merda? A gente fala merda o tempo todo. Então assim, é uma vida que também a gente tem a coisa curiosa, que a gente está discutindo recentemente. A gente… o que as pessoas querem na vida? Vamos simplificar o máximo: querem ser amadas. As pessoas querem ganhar dinheiro, querem fazer sucesso, para ser amado. E aí muita gente não consegue atingir isso, muita gente consegue. Então a gente atingiu isso há uns oito anos atrás. E isso, talvez, tenha tirado da gente um pouco da nossa testosterona, para ir atrás das coisas. Assim, aquela… a gente trabalha muito. A gente gosta muito do que a gente faz. Mas a gente não tem aquela coisa: ba-ba-ba, vamos quebrar tudo e ba-ba-ba.

Luciano Pires: Até por que…

Henrique Szklo: Não sei se por causa da idade também e tal…

Luciano Pires: É isso que eu ia dizer. Até porque você já… eu costumo dizer: depois que você passa dos 50 – eu brinco sempre, a mulher eu não sei como que é – o homem perde a elasticidade escrotal. O saco não tem mais… ele fica duro. Então, você não tem mais saco para porra nenhuma, cara. Eu não tenho saco para ouvir um idiota falando merda na minha frente. Eu ficar aqui sentado. Minha vida se esvaindo, eu ouvindo um idiota falar. Eu não tenho mais saco.

Lena Fail: Mas é complicado isso.

Luciano Pires: Sim. Mas isso me tira fora de uma porrada de situações.

Henrique Szklo: Tudo bem. Você quer encerrar a entrevista? Não?

Luciano Pires: Eu nem vou. Eu já faço a escolha. Eu nem vou, porque eu já sei que eu vou me encher o saco.

Henrique Szklo: Exato. Exato.

Luciano Pires: E fico com aquela fama: pô, você não vai. Você não se diverte. Mas eu não vou, porque eu vou me encher o saco. Não, mas você… como é que era que falava? Quem é que falou isso? Não era o Tom Jobim. Era um deles que falava: bebo para tornar as pessoas interessantes.

Henrique Szklo: Eu acho que é o Tom Jobim.

Luciano Pires: Era o Tom? Era? Se não fosse o Tom, era o Vinícius.

Henrique Szklo: Isso. É.

Luciano Pires: Bebo para tornar as pessoas interessantes.

Henrique Szklo: O Vinícius eu acho que falou que o whisky é o cachorro engarrafado.

Luciano Pires: É. Isso aí, né? Mas tem a ver com essa coisa do… bom, mas eu já estou voando aqui de novo. Fala uma coisa: para ter contato com o trabalho de vocês, o que eu preciso fazer? Vocês acabaram de lançar? Já existe esse ambiente?

Henrique Szklo: Já, já.

Luciano Pires: www o quê?

Henrique Szklo: escolanomadeparamentescriativas.com. Porque existe o conceito de que tem que ser um nome curto, né?

Luciano Pires: Exatamente.

Henrique Szklo: Para internet. Então a gente fez um: escolanomadeparamentescriativas.com

Luciano Pires: Bom, você não botou br. Já foi um…

Henrique Szklo: Não, não pus br porque o br não aceita o número de caracteres.

Luciano Pires: Caracteres que tem ali. É.

Henrique Szklo: Só o ponto com aceitou.

Luciano Pires: Sim. Pera aí: escolanomadeparamentescriativas.com. Caramba

Henrique Szklo: Tem um jeito mais fácil. Você escreve Szklo no Google. Não. você escreve Szklo. Nômade. Existe uma outra Escola Nômade, que é uma escola de filosofia. Mas a gente está chegando lá no Google. Ele está subindo na escala do Google. Daqui a pouco, eu acho que a hora que a pessoa puser Escola Nômade já…

Luciano Pires: Vai estar lá. Vocês estão nas mídias sociais também? Tá no Facebook e tudo mais?

Henrique Szklo: Sim. Facebook. A gente pegou o que a gente já tinha da Chikens e só mudou de nome. O Facebook que eu ainda estou brigando com os caras lá, que eles não estão trocando o Chikens, né? Mas estamos…

Luciano Pires: Como é que vocês vão monetizar esse negócio, cara?

Lena Fail: Esse é o grande…

Henrique Szklo: Você tem alguma sugestão para a gente?

Luciano Pires: Eu tenho um monte. Um monte.

Lena Fail: O nosso problema, nós criamos muito.

Luciano Pires: É.

Lena Fail: E esse é o grande problema.

Henrique Szklo: Sabe quem eu tenho raiva? O cara que inventou aquele espaguete de piscina. Porque ele só criou isso na vida e está milionário. Eu tenho uma ideia por dia.

Luciano Pires: E não acontece nada.

Henrique Szklo: Comendo grama…

Luciano Pires: E não acontece nada, né?

Henrique Szklo: E não acontece nada. Porque o meu prazer particular é criar. Eu sei que eu preciso ganhar dinheiro, monetizar. Eu quero ganhar dinheiro. Não sou São Francisco de Assis. A minha cabeça…

Luciano Pires: Sim. Não vivo por dinheiro. Mas não vivo sem dinheiro.

Henrique Szklo: A minha cabeça não funciona com a linguagem necessária para o negócio. Mesmo que eu queira.

Lena Fail: E assim, eu nesse caso, estou começando a procurar pessoas, contato, para entender o que nós temos na mão, sabe? E como monetizar isso. Têm outros sites que não são parecidos, que as pessoas têm uma forma que já… já entrei em contato. Mas a gente quer… eu estou aprendendo como vai ser sabe, também.

Henrique Szklo: Eu acho que assim, em algum momento vai atrás de anunciante. O que não é grande coisa.

Luciano Pires: Não, não é.

Henrique Szklo: Projeto. Então na 50 Plus. Então, a gente vai chegar lá para a Prevent Sênior e falar: vocês não querem um projeto? A gente vai viajar para a Europa e a gente ba-ra-ra, sei lá.

Luciano Pires: Isso é legal. Só tem um problema seríssimo com isso aí: você vai ter que encontrar um interlocutor capaz de te ouvir e de entender.

Lena Fail: Exatamente.

Luciano Pires: Essa loucura que você está falando lá na Prevent Sênior. Você entendeu? Lá na TAM.

Henrique Szklo: Sim.

Luciano Pires: Lá na TAM. Lá na Volkswagen. Você vai ter que chegar lá e encontrar alguém disposto a ouvir você falar de piroga…

Lena Fail: Exatamente.

Luciano Pires: E falar: eu vou investir algum dinheiro nesse maluco que está falando de piroga. Está difícil. Está muito difícil.

Henrique Szklo: Sim. Tem esse componente hoje de…

Luciano Pires: Não tem mais interlocutor, cara. É muito complicado você encontrar alguém. O pessoal está muito na troca. Toma um, me dá um. Toma um, me dá um. Na-na-na.

Henrique Szklo: Não, a gente até aceitaria o Airbnb. Eles oferecem a hospedagem e a gente fala deles lá. De repente, não paga, mas…

Luciano Pires: Sim. Mas eles vão dizer que você vai ter que ter uma audiência etc. e tal.

Lena Fail: Exato. Você tem que ter um número…

Henrique Szklo: Primeiro precisa criar massa crítica, né?

Luciano Pires: É. Talvez o caminho de vocês seja aquele que eu estou fazendo no Café Brasil Premium, cara, que é assinatura recorrente. Quer dizer, quem acessa paga. E paga um tostãozinho. Paga uma coisinha qualquer, que não seja demais. Mas que pelo valor que você agrega, a pessoa fala: pô, legal. Quando eu lancei o projeto todo, que eu lancei lá pela Confraria, que era R$10,00 por mês. Eu falava: cara, você está achando caro? É só consumir uma lata de cerveja a menos. Aquela lata de cerveja quente da balada, que você consome toda semana, toma uma a menos por mês. E você paga isso aqui. Entendeu? E aí, só que demanda. Então, você precisa ter mil caras para ter R$10.000,00. Mas é um caminho interessante, porque você não depende de encontrar interlocutor. Você não depende do mau humor do cara: eu entro como patrocinador. Mas no mês que vem eu tiro. Que é aquela coisa horrorosa. Quer dizer, tirou o patrocínio, você perdeu 50% do teu negócio. Agora, isso demanda da pessoa, desse teu grupo, dessa tua audiência proprietária perceber o valor que vocês têm para lá.

Henrique Szklo: Exatamente.

Luciano Pires: E aí a piroga faz sentido.

Henrique Szklo: É.

Lena Fail: Exatamente.

Luciano Pires: Um dia vai ter gente a fim de curtir a piroga.

Henrique Szklo: Você tem uma fixação por piroga. Mas assim…

Luciano Pires: Não é piroca. É piroga.

Henrique Szklo: Ah tá.

Luciano Pires: Piroga. Piroga.

Henrique Szklo: A gente refletiu muito sobre isso. Até a gente… você, ao criar o teu Café Premium, você já é o Luciano Pires, você já tem aí, que você falou: 12 anos que você já vem fazendo. Você já tem uma massa de pessoas que te consideram, que sabem quem você é e sabem o que você oferece. A gente está propondo. A gente não tem certeza. Mas a gente está propondo uma coisa diferente. A gente não viu nenhum site que tenha esse…

Lena Fail: Esse perfil.

Henrique Szklo: Esse perfil. E quando você oferece uma coisa diferente, você tem um tempo a mais que você vai precisar para as pessoas olharem, entenderem o que você está fazendo. E aí ver se vai gostar ou não.

Luciano Pires: Qual é o valor? Qual é o valor disso? Qual é o valor que vai ter ali?

Henrique Szklo: Exatamente. Se a gente for cobrar, apesar de a gente estar escrevendo lá: nunca vamos cobrar. Se bem que o Dória escreveu que ele não ia ser candidato e… né?

Luciano Pires: Eu ouvi dizer hoje que ele já vai, já está indo para governador, mas já está com a carta na manga de…

Lena Fail: Presidente?

Luciano Pires: Não. De desistir de governador para ser prefeito de Miami.

Henrique Szklo: Eu acho que tem mais chance. Aí para começar a cobrar, a gente precisaria ser um pouco Luciano Pires. A gente ter uma massa de pessoas. Quanto você falou que você acha que você tem de… não de assinante, mas de público? Assim, de…

Luciano Pires: Não, sei lá. 100 mil, 200 mil pessoas.

Henrique Szklo: Talvez, quando a gente tiver 100 mil, a gente possa chegar: pessoal, dá uma ajudinha aí para a gente, né? Assim, começa a cobrar…

Luciano Pires: Pensa diferente. Pensa diferente.

Henrique Szklo: Começa a cobrar…

Luciano Pires: Vou te dar a dica de alguém que já está nisso há um tempo aí. Eu penso diferente. Você não precisa de 100 mil para ter mil. Você precisa de mil. É outra coisa, né?

Henrique Szklo: Sim, sim.

Luciano Pires: Eu preciso de 100 mil para conseguir mil pagantes. Eu preciso só de mil pagantes. Eu não preciso dos outros 99 mil. Entendeu? Que aí muda um pouco o conceito. Você fala: se eu conseguir 10 caras hoje, transformar esses 10 em 20 amanhã, em 50, em 100, em 150, 200, 300. É uma outra forma de ver. Mas agora, demanda algum tempo.

Lena Fail: Sim.

Luciano Pires: Demanda algum tempo. Mas está tudo baseado. Se o valor do que vocês estão fazendo bater no coração dessa turma aí, cara, esse negócio anda. Mas nunca vai ser o business de… vou ficar rico, vou comprar minha Ferrari. Não vai.

Henrique Szklo: Não, não, não.

Lena Fail: Mas isso é diferente.

Henrique Szklo: A gente quer comprar aquela Ferrari miniatura.

Luciano Pires: A pequenininha.

Henrique Szklo: É. A gente refletiu muito sobre tudo isso. Então você fala assim: tem um conteúdo super legal. Mas você só vai ver se você pagar. Então assim, não paga, não vê. Se não vê… né? É um pouco… o que a gente pensa é que talvez, mais para frente, conteúdos…

Luciano Pires: Especiais?

Henrique Szklo: Especiais.

Lena Fail: Especiais.

Henrique Szklo: Que você vende.

Luciano Pires: A gente chama de Freemium. É tal do Freemium. Toma, é de graça, é de graça, que é um pouco a mais. Um pouco a mais, você paga.

Henrique Szklo: Porque assim, a gente ficou com essa: pô. A gente fala assim: veja o nosso site, que é muito legal. Mas você só vai ver se você pagar. Aí ninguém vai ver. Ou um vai ver, dois vão ver. Como é que você faz a progressão de… então, a gente precisa dar… é a linguagem hoje de aplicativo, de software. Você compra a parte básica.

Luciano Pires: É a Netflix, cara. É a Netflix. Fica um mês de graça. Se você vê o valor lá, você vai assinar. Esse é o grande lance. Mas eu acho que o caminho é bem esse. Caso contrário, você vai voltar para a propaganda na tua época lá.

Henrique Szklo: Pô, obrigado por desejar isso.

Luciano Pires: Vendendo. Vendendo reclame. Vendendo reclame. Vendendo espaço no Estadão para o cara falar com a audiência deles lá.

Henrique Szklo: E aí você volta para ser executivo e eu vou te atender.

Luciano Pires: Isso. Pronto. Olha que boa. Lindo. Aos 60 anos de idade. Está bom isso aí. Então vamos voltar lá. Para encontrar vocês, se eu for na mídia social, no Facebook? Escola Nômade para Mentes Criativas. No Facebook eu vou encontrar?

Henrique Szklo: É.

Luciano Pires: E no site também.

Lena Fail: No Instagram.

Henrique Szklo: No Twitter é Escola Nômade. Instagram é Escola Nômade.

Luciano Pires: Ok.

Henrique Szklo: Youtube, Escola Nômade. E eu tenho o meu blog no UOL, blog do Henrique Szklo, no site Viva Bem, que é dentro do UOL. E eu sou colaborador também do site Próxima. Não sei se você conhece?

Luciano Pires: Conheço.

Henrique Szklo: Meio e Mensagem do Pyr Marcondes. Eu escrevo. Eu digo que eu sou um curioso digital. Eu não sou especialista. Mas eu escrevo sobre o mundo digital, sob a ótica…

Luciano Pires: Eu vou tentar. Você que está ouvindo a gente aqui, eu vou tentar trazer essa figura para o Café Brasil, para botar uma coluninha dele lá. E o lance do Café Brasil é o seguinte: foi uma coisa que eu aprendi muito na internet. A internet não tem conteúdo velho. Não tem nada velho lá. Ela tem conteúdo lá que você pode deixar morrer ou pode reavivar. Então, sempre que eu convido alguém, eu falo: cara, vem botar uma coluna no Café Brasil. Mas não precisa ser nova não. Eu não quero que você escreva para mim. Para, pega aquilo tudo que você escreveu e que você acha legal, cara, publico há 20 anos. Você tem textos maravilhosos. Pega aquele texto e põe de volta. E foi assim que veio Zé Rodrix, veio Rubem Alves. Uma porrada de gente veio com esse conceito. Eu falei: cara, não, não, não é para te dar mais trabalho. Pega o que você já tem, que está esquecido lá atrás e vamos botar de novo. E é uma delícia, cara. Porque tem, o público todo, está aí, não viu os textos antigos. Tem textos geniais que estão esquecidos. Porque é antigo. Ficou para trás. E aqui eu quero trazer de volta.

Henrique Szklo: Olha, cá entre nós, que ninguém nos ouça aqui. Eu faço isso de vez em quando no UOL. Por que, sabe aquela coisa? Você está em cima do laço e você não teve tempo. E obviamente, eu tento colocar textos que sejam… que não tenham justamente o problema de tempo e de…

Luciano Pires: É. Você tem que assumir essa coisa e fazer os… eu tenho um programa, o Café Brasil, chamado Pinxado no Muro. É um dos campeões. Campeões. Há muito tempo atrás, eu publiquei o primeiro. Que basicamente é uma menininha, que me escreveu um texto muito bem escrito, 12 anos de idade, lá de Rondônia, lá daquele lado lá. Ela pegou, escreveu o texto para mim, contando a história do pai dela, que foi embora para a Europa. Que ele estava lá, que eles não tinham dinheiro. E o pai trabalhava lá na Espanha e sustentava, mandava um dinheirinho para ela. E mandou para ela um poema chamado Pinxado no Muro. E eu pego e faço um programa e boto no ar o programa. Muito legal, pa-pa-pa. Aí passou um tempo, morreu. Dois anos atrás eu pego aquele programa antigo e falo: vou fazer de novo. E refaço o programa, igualzinho. Só que com a nova plástica, com a nova fala. E publico o programa de novo, Pinchado no Muro Revisitado. Cara, o programa sai de novo. Alguém em Barcelona escuta o programa. Cara, esse cara é amigo meu. E me manda um áudio: escuta, pô, estou emocionado. Porque você falou do fulano de tal, que é o pai da Amanda, que é amigo meu e não sei o que e pa-pa-pa. Eu falei: bicho, você não encontra ele aí não? Passam algumas horas, entra uma mensagem do pai da menina para mim. Dali a pouco entra a mensagem da menina para mim. A família morando em Barcelona e na mesma hora sai o programa Pinxado no Muro 2, um numa semana, o outro na segunda semana. E aquilo virou uma loucura, cara. Uma loucura. Com um texto velho, com um programa velho, que cumpriu a missão dele.

Lena Fail: Genial.

Luciano Pires: E eu trago de volta e aquilo virou uma doideira. É o campeão hoje, um dos campeões do Café Brasil. Que é reciclar o material que estava lá atrás.

Henrique Szklo: Eu vou te contar uma coisa engraçada que aconteceu. Eu, há 15 anos atrás, eu queria ser escritor de humor. Então eu te falei: eu tive um site no UOL e escrevi alguns livros. Eu sempre gostei de personagem. Eu tinha um personagem, que era o doutor Carneiro, que era um espírito que eu recebia contra a minha vontade. E ele escrevia sobre autodestruição. Autoajuda já… não, vamos fazer autodestruição. Eu cheguei a lançar três livros do doutor Carneiro. Um deles fez um certo sucesso. Chamava Minutos de Estupidez, que é o Minutos de Sabedoria ao contrário, 280 frases para acabar com o seu dia e tal. É um absurdo de politicamente incorreto. Fez um certo sucesso. Assim, não é sucesso. Ganhou até um prêmio na Terça Insana, deu um prêmio para mim. Enfim. Mas nunca deu dinheiro. Livro. O que aconteceu? O mês passado eu recebi uma mensagem de um cara de uma produtora falando assim para mim: pô, eu tenho o seu livro aqui. Alguém ganhou o livro lá um tempo atrás. Que eu acho que nem está mais à venda. Nossa, as pessoas aqui ficam caindo no chão, de ler o teu livro. Vamos fazer alguma coisa? Está pensando em fazer um perfil no Instagram, chamar uma pessoa, criar o personagem que vai falar…

Luciano Pires: Essas coisas?

Henrique Szklo: Essas coisas. Texto de 10 anos atrás.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Szklo: Que para mim eu já desconectei do doutor Carneiro. Isso, de repente, é um negócio que pode dar certo. Assim, para mim, foi surpresa.

Luciano Pires: Sim. Essa é a internet. Isso é internet. Se fosse só escrito o livro, talvez não funcionasse. Se você editasse de novo o livro, impresso, outra vez, não… mas na internet vai e funciona bem. Moçada, muito… eu espero que dê certo. Eu espero, da próxima vez que eu tiver contato com vocês, quero ver vocês no Tibete. Entendeu?

Henrique Szklo: Depois você passa o contato da menina de Barcelona lá.

Luciano Pires: Isso.

Henrique Szklo: Para a gente pinxar no muro em Barcelona.

Luciano Pires: Barcelona é fácil. Eu quero ver vocês lá no fim do mundo, no Uzbequistão. E fazendo acontecer lá. Eu espero que dê muito certo, cara.

Henrique Szklo: Muito obrigado.

Luciano Pires: Parabéns a vocês aí…

Lena Fail: Obrigada.

Luciano Pires: Por essa conexão. Vocês não estão vendo aí, mas eu estou aqui no estúdio vendo os dois. Os dois pertinho, pegadinho e não sei o que e conversandinho. Então, tem um lance interessante. Especialmente porque a soma dos dois deve estar dando uns 100 anos.

Lena Fail: Um pouquinho mais de 100 anos, uns 110.

Luciano Pires: Você sabe que eu estou… eu conheci a minha esposa, eu conheci, ela tinha 13 anos de idade, eu tinha 16. Ela está com 59 e eu estou com 62. Então, nós estamos juntos há quarenta e pancada. Quando perguntam para mim qual é o meu estado civil, eu falo: ridículo. Porque hoje em dia, quando você fala isso, ninguém acredita. Não é possível, cara, ninguém aguenta alguém…

Lena Fail: Tanto tempo…

Luciano Pires: Tanto tempo assim. Porque hoje em dia a molecada: meu, não deu. Tchau. Vai embora, na-na-na. Mas é uma mudança da sociedade.

Henrique Szklo: É quem conhece… quem não conhece a gente e a gente conta essa história, a pessoa fala assim: nossa, meu Deus como que é isso?

Lena Fail: A minha filha. Ela disse: nossa…

Henrique Szklo: Sabe? Ah não, ninguém aguenta. Ficar junto. Junto, eu falo assim: é o que a gente achava até a gente se encontrar.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Szklo: Eu não aguento ficar com a mesma pessoa mais do que um fim de semana, assim. No período que eu estava solteiro. Um fim de semana tá bom. É. Então as pessoas olham e parece que a gente é dois idiotas, aqueles assim.

Lena Fail: Não, mas às vezes, eu me sinto uma idiota.

Henrique Szklo: Você fala assim: coisa infantil. Essa coisa deve ter acabado com a liberdade de vocês. Deve ter acabado com…

Luciano Pires: Por favor, curtam isso. Curtam muito isso aí.

Henrique Szklo: A gente está muito livre. Muito obrigado pelo convite.

Luciano Pires: Cara, obrigado.

Henrique Szklo: Gostamos muito de te conhecer.

Luciano Pires: Obrigado a vocês por terem vindo aí. Achei muito legal.

Lena Fail: Um super prazer.

Luciano Pires: Espero que esse projeto aí dê muito certo.

Henrique Szklo: Obrigado.

Luciano Pires: Vou te fazer o convite para você…

Henrique Szklo: E eu vou fazer para você…

Luciano Pires: Virar um isqueiro lá no Café Brasil. Assim a turma, a nossa audiência também tem…

Henrique Szklo: Com todo o prazer.

Luciano Pires: Contato com vocês.

Henrique Szklo: E eu queria que você fizesse o nosso master class lá. A gente marca um dia para gravar.

Luciano Pires: Estaremos lá. Grande abraço.

Henrique Szklo: Tá bom? Obrigado. Abraço.

Lena Fail: Obrigada.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.