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Luciano Pires -
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Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo e bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer.

No programa de hoje temos Pedro Pandolpho, sócio da Pronto Light, outro típico empreendedor brasileiro que junto com dois sócios arregaça as mangas e cria um negócio a partir de uma ideia original.

Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal, com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também, você está entendendo aí? Não é uma entrevista, é um bate-papo.

O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar, acesse Café Brasil Premium.com.br.

Esta décima temporada do LíderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem do seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Muito bem, mais um LíderCast, com aquela explicação característica de sempre, dizendo como é que essa figura veio parar aqui. Eu sou convidado para fazer uma apresentação em um evento da Vindi sobre assinaturas recorrentes e, terminada a minha apresentação, aconteceram várias outras e aí teve uma mesa. Na verdade, quatro empreendedores debatendo seus businesses, seus negócios e um deles era quem está aqui comigo hoje, que conta a história que foi divertidíssima, porque a fala dele quando ele contava os perrengues da vida do empreendedor e você, sentado e se enxergando ali. E não deu outra, terminou, a gente trocou os cartões e eu o convidei, então estamos aqui e vamos ter a chance de trocar algumas ideias nutritivas, vocês vão entender por quê.

As três perguntas fundamentais são, eu quero saber o seu nome, a sua idade e o que você faz.

Pedro: Luciano, prazer estar aqui com você. Meu nome é Pedro de Mesquita Pandolpho, eu tenho 37 anos, quase 38 agora, que eu faço em outubro. E eu faço profissionalmente, faço da minha vida como um todo, em geral… quando você disse o que eu faço, desculpa, cara?

Luciano: Se alguém te perguntar, cara, o que você faz da vida, eu quero saber o seguinte, se perguntarem como é que você ganha a tua vida, o que você diz para a pessoa?

Pedro: Bom, eu ganho minha vida através da Pronto Light. Eu sou empreendedor, como você já disse. Tenho a Pronto Light há onze anos e é através dela que realmente vem o meu sustento e o sustento da minha família.

Luciano: Nós vamos saber como é que essa coisa funciona. Você nasceu onde?

Pedro: Eu nasci em São Paulo, capital.

Luciano: Dá para ver, esse aí tem um sotaquezinho paulista. A gente escuta ele falando, já sabe que é daqui. Os seus pais faziam o que, fazem o quê?

Pedro: Minha mãe é formada em artes plásticas, deu aula durante muito tempo e depois virou decoradora. Meu pai é formado em administração, tem uma história um pouco parecida com a sua, sempre foi um alto executivo, quando eu era menor. Depois disso, ele saiu de multinacionais e tudo o mais e hoje ele tem uma agência de publicidade e é sócio de outros negócios também.

Luciano: Então você cresceu assistindo o pai de terno e gravata e depois virando empreendedor, uma mudança no meio do caminho.

Pedro: Exatamente.

Luciano: Eu faço a pergunta para saber de onde vem o bichinho do empreendedorismo, então a gente fica sabendo aqui. Tem irmãos?

Pedro: Tenho. Eu sou o do meio. Eu tenho uma irmã mais velha, a Manoela. E eu tenho o Paulo, irmão caçula. Paulo trabalha com cinema, mora fora, enfim, um cara muito bacana, está muito bem profissionalmente.

Luciano: Teu apelido quando você era criança, como é que era?

Pedro: Eu sempre fui um cara de muitos apelidos, Pedrinho, na família, Peu, Pepeu, depois, um pouco mais velho, virou Drão e de Drão virou Drãozinho e Pedroca.

Luciano: Deixe eu buscar o Pepeu lá atrás. O que o Pepeu queria ser quando crescesse?

Pedro: Eu queria ser jogador de futebol, quando eu era moleque mesmo ali, pequenininho. Sempre gostei de jogar bola, sou Palmeirense, todo mundo na família é Palmeirense e eu adorava jogar bola. E depois, enfim, crescendo um pouco mais, o que eu vou fazer? Vou estudar administração. Não tinha nenhuma outra grande paixão de ser, sei lá, médico, advogado. Bom, administração é uma profissão que, afinal das contas, todo mundo, independente da carreira que tiver, tem que administrar sua própria vida, essa coisa, então eu fui para o lado da administração.

Luciano: Ela te abre todas as possibilidades. Terminou, pegou o diploma, posso ser o que eu quiser, que é a base que ela te dá. Eu falo isso para todo mundo, sempre falo. Está mudando muito essa característica agora, mas até pouco tempo atrás era assim. Eu sempre falava, está em dúvida? Faz administração, pega o canudo e aí faz uma pós. Até porque quando você terminar e pegar o canudo, você vai estar mais maduro, vai ter condições de escolher. Não consegue escolher a carreira da tua vida com 19 anos de idade, cara, isso é impossível. Agora, com 24, 25, ôpa, você já começa a entender. Então, pega um canudão e faz a pós, se tiver vontade. Mas aí você foi fazer então, pegou o teu certificado de administrador e aí, cara? Vou arrumar emprego?

Pedro: Exatamente. Eu estudei administração na FAAP e quando ainda estava estudando, eu fui estagiar. Comecei um estágio na Twentieth Century Fox. Na época, isso em 99, se não me engano, aquela estrutura da Fox naquele momento no Brasil era, tinha três divisões aqui, cinema, depois a Fox Home Entertainment, que é para onde eu fui e depois a Fox TV. Então, era bem o ciclo do filme naquela época, o filme era lançado no cinema, depois ia para o formato de DVD, VHS primeiro e depois ia ser trabalhado nos canais.

Então eu fui estagiar lá, naquele momento acho que estagiei uns seis meses na área de marketing, depois surgiu uma oportunidade na área comercial e logo depois, quando eu me formei, fui promovido lá dentro para desenvolver uma área de novos negócios. Então por lá fiquei durante um tempo. É engraçado dizer, eu peguei realmente o boom do DVD naquela época, o DVD era a grande… parecia cocaína, o DVD.

Luciano: Foi transição, não foi?

Pedro: Foi, eu peguei praticamente o auge do DVD, quando estava começando o mercado de DVD, a Blockbuster explodindo.

Luciano: Eu ia te falar isso agora, foi em Blockbuster na transição, quando termina o VHS e o DVD assume aquilo num instante. É interessante, cara, essas ondas tecnológicas. O hobby da minha vida sempre foi home theater, cara, desde que não existia home theater.

Para você ter uma ideia, o meu primeiro home theater eu montei com uma TV mono, com videocassete mono, porque eu consegui arrumar um videocassete com uma saidinha de áudio, consegui conectar na televisão e fiz pela primeira vez, ninguém nunca tinha visto um home theater, estou falando dos anos 80, na minha casa. Os amigos iam lá, eu botava um VHS pavoroso, numa TV pavorosa, com aquele som pavoroso, mas saía nas caixas de som e ficava todo mundo enlouquecido com aquilo. E dali para a frente ficou sério, porque eu comprava revista e comecei a acompanhar passo a passo, o que saía eu comprava. Então agora saiu o Hi-Fi, eu comprava o Hi-Fi. Eu fui atrás e sempre estive um passo à frente de todo mundo.

E as ondas de mudanças tecnológicas são fantásticas, que eu começo com o bolachão, o discão, o LP grandão, aí eu mudo para o CD, do CD, fico nele um bom tempo. Ao mesmo tempo começo a ficar enlouquecido com a questão do VHS, pego o VHS e vou até o limite do VHS, o VHS de altíssima qualidade. Quando o VHS começa a mudar para o DVD, eu mudo para o DVD. Aliás, não, antes do DVD, eu mudo para o LD, laser disc, grandão, gigantesco. Tive centenas daquilo lá. Mudo para o DVD, do DVD eu mudo para o Blu-ray e aí acabou.

Só que cada vez que uma onda dessas vem, cara, ela me ferra, porque meu equipamento todo dança. Tem uma pilha aqui embaixo de laser disc num canto, mofando porque não tem mais o que fazer com aquilo. E todo investimento que eu fiz lá atrás desaparece, é um investimento que eu curti, terminou, não sobrou nada, nem o equipamento, nem o hardware nem o software.

Pedro: É uma loucura da gente imaginar que uma Blockbuster simplesmente desapareceu. Na época, quem fazia também a reprodução de tudo aqui era a Video Lab, dominava o mercado.

Luciano: Lá na entrada de Alphaville.

Pedro: Um negócio monstruoso, simplesmente acabou, não existe mais o formato. Uma loucura. Mas eu surfei a onda e lá dentro, durante esse período, eu fui desenvolver uma área de novos negócios em que era fazer a venda do DVD, dos filmes, fora do mercado tradicional. Na época era Submarino, Americanas.com que eram os grandes clientes e locadoras e todas as outras coisas, mas ali eu fazia o link de, muitas vezes… Por exemplo, uma vez eu fechei uma venda com um laboratório farmacêutico com o 007, em que eles faziam um paralelo do filme, da mensagem que o filme queria passar, junto com a mensagem que eles queriam passar na convenção, enfim, qualquer coisa do gênero. Uma vez também com Coração Valente, foi todo o tema da convenção que eles fizeram. Enfim, era uma venda diferenciada de novos negócios que acontecia, então foi um período legal.

Luciano: Quanto tempo você ficou lá?

Pedro: Eu fiquei lá de 99 até 2007, fiquei basicamente sete, oito anos mais ou menos. E eu estava lá, estava muito bem para a época em termos de remuneração, comparado à minha idade, a amigos etc. Uma empresa multinacional, 20th Century Fox etc.

Luciano: E com todo o charme, bicho. Você está aonde, cara?

Pedro: Um baita glamour, era lindo falar, era lindo sacar o cartão ali, caramba, do cinema e tal, mas tinha aquela famosa característica: às seis horas da tarde caía a minha caneta. Eu falava tudo bem, está entrando dinheiro, eu estou conseguindo juntar, mas ainda morava com meus pais de 26 para 27 anos, então tem alguma coisa aqui que não está legal, não está bacana.

E aí, como eu tenho cidadania italiana, falei, quero fazer um semestre sabático, quero aprender a falar italiano e passar um período lá. Juntei um dinheiro, consigo pagar um curso etc. e vou para a Itália. Como eu tenho cidadania, se eu tiver que ficar por lá, porque vou trabalhar, porque é interessante e tudo o mais, vamos embora. Eu já tinha ido quando eu era menor, fui fazer intercâmbio nos Estados Unidos, o tradicional high school.

Antes disso, até fazendo um parêntese, já tinha ido para o Canadá, tinha morado com o meu pai, num período em que ele teve que ficar seis meses, para um treinamento de uma operação que ele tinha assumido aqui na América do Sul. E aí eu já falava inglês, foi uma experiência muito legal, mas falei, vou fazer intercâmbio nos Estados Unidos, high school. Depois, quando eu ainda estava estudando na FAAP, eu fui fazer dois meses de intercâmbio também, porque eu fiquei em casa de família na Espanha, em Salamanca.

Então, quando eu pensei em ir para a Itália, eu sempre tive isso, as experiências que eu tive de ir para fora, de viajar, nas duas oportunidades de intercâmbio, estando em casa de família e como você vai sozinho para o negócio, você está livre, você faz amizades muito mais fácil, enfim.

Luciano: Você amadurece cinco anos em cinco meses, não é isso?

Pedro: Totalmente.

Luciano: É impressionante.

Pedro: E ainda mais uma experiência com a língua, que para mim é sempre fundamental, você faz uma imersão na língua. Então, quando eu pensei, tem essa oportunidade agora, nos meus 26 para 27 anos, moro com meus pais, tudo bem, se eu for para a Itália, voltar, não tenho nada a perder, vai ser animal ir para a Itália.

Então eu fui para uma cidade na Itália perto de Firenze que chama Perúgia. Perúgia é uma cidade universitária. Então foi assim, seis meses em que eu fiz a universidade. Tem tanto a universidade para os italianos, como também uma grande universidade, università per stranieri, que é para os estrangeiros mesmo. Então, a cidade você não tem diferença se é sábado, domingo, segunda ou terça, não existe diferença, todo dia é dia de você sair, bares, enfim, uma experiência sensacional lá na Itália.

Tem até um fato engraçado, eu tocava cavaquinho e aí eu toquei praticamente dos meus 16 aos 19 anos, aquela coisa de bandinha da escola, os grupos de samba que a gente fazia e tal e até depois tinha parado. Quando eu fui para a Itália, encontrei uns cariocas que moravam lá e uma outra galera e mencionei que antes eu tocava. Os caras, com aquele sotaque “Não, paulista, não, tem que dar um jeito de trazer esse cavaco para cá. Eu toco pandeiro, ele toca não sei o que lá, precisamos movimentar isso aqui, paulista, não tem como.” Falei “Puta, cara, mas não toco faz, sei lá, faz uns quatro anos que eu não esbarro num cavaco, não sei.” “Não, vamos dar um jeito.” E não sei o que lá, resumo da história, fizeram chegar um cavaquinho lá num final de semana, a gente fez uma puta bagunça, só que o cara precisava levar o cavaquinho embora. Por coincidência, uma prima estava indo para a Europa, eu pedi para ela levar com ela o cavaquinho e ela despachou para a Itália. Chegou o cavaco, puta, mas foi uma festa desgraçada. Então, os meus últimos três meses de Itália, eu praticamente virei um pagodeiro lá na Itália.

Luciano: É impressionante como essa habilidade de você tocar um instrumento abre todas as portas que você puder imaginar. Eu fiz uma viagem, eu me formei aqui em São Paulo, peguei meu certificado de comunicador visual e antes de eu mergulhar no mundo para quebrar a minha cara e ir trabalhar, eu e mais dois amigos fomos fazer uma viagem para encerrar esse ciclo. Pegamos um carro aqui e nós em três, a gente foi até Fortaleza de carro e voltou, 55 dias na estrada daquele jeito, eu só sei que eu estou subindo, onde nós vamos dormir, eu não sei, doideira. Um violão, uma viola caipira e um atabaque. Cara, a gente chegava nas cidades na dureza, encontrava um boteco, parava no boteco, sentavam os três, começava a tocar, enchia de gente em volta, os caras pagavam bebida, pagavam comida. Em muitos lugares foi assim, cara, é impressionante…

Pedro: Fora a mulherada.

Luciano: …como isso te integra, você aí se integra automaticamente no ambiente, que legal.

Pedro: É impressionante. É exatamente isso como você descreveu, é impressionante a música e não foi diferente lá na Itália. Então a gente teve um dia que foi um domingo, um sábado, enfim, a cidade estava lotada e aí a gente começou a fazer um samba na praça, na piazza que tinha ali e tal e os cariocas figuras, de repente começaram a passar o bonezinho.

Luciano: Um bonezinho para pegar dinheiro.

Pedro: São umas peças raras. E aí dali tipo a gente pegou acho que, sei lá, uns 100 euros. Nossa, mas aquilo virou cerveja na mesma hora, vamos embora. Dali para a frente eu praticamente comecei a tocar em todos os bares que tinha em Perúgia e os caras pagavam, 50 euros a festa aí para tocar. Minha mãe, daqui, começou a ficar desesperada, falou, bom, perdemos um soldado, cadê o Pedro, o que aconteceu com ele? Pedro virou pagodeiro na Itália, não volta nunca mais! Mas não foi o que aconteceu, foi só uma diversão lá.

Então, voltando desse período da Itália, eu tinha…

Luciano: Você tinha na cabeça que você estava lá por um período e que ia voltar?

Pedro: Eu fui com uma passagem de ida e de volta, com seis meses de curso, então isso acontecia. Em paralelo, eu fui para lá por causa de um ex-namorado da minha irmã, era um amigo meu que já estava superestabilizado lá. Eu fiz algumas entrevistas de emprego na Itália também, mas nada daquilo que justificasse eu ficar na Itália por ficar, para dizer.

A grande conclusão que eu tive após esse período de falar a Itália é linda para visitar, para aproveitar etc., mas não faz sentido eu agora ficar aqui com qualquer outro tipo de trabalho mais sério mesmo. Então, eu fui com a cabeça, ah, não, estou indo para ficar, não, eu fui para aprender o italiano e voltar, se alguma coisa espetacular acontecesse por lá nesse meio tempo…

Luciano: Estamos aí.

Pedro: Estamos aí, exatamente. Eu ia te fazer uma pergunta, você já matou a pergunta, quando você falou lá atrás que era aquele momento em que você decide interromper uma carreira de sete anos, de uma empresa em que estava tudo legal e você fala, paro com isso aqui e vou me aventurar lá. Você usou o argumento que eu sempre uso, cara, que com 25 anos de idade eu posso errar à vontade, dá para errar um monte. Então se der errado, cara, eu volto, começo de novo, tem tempo de errar, não é?

Pedro: Verdade.

Luciano: Mas como é que é em casa, cara? Chegar em casa, falar, pai, mãe, eu, que moro com vocês há 25 anos, comunico que estou indo para a Itália para passar esses meses. Não teve problema porque já tinha ido para outros lugares? O que eu quero dizer é o seguinte, pai e mãe, estou abrindo mão de uma segurança que eu tenho nesse emprego, onde eu estou já há sete anos, que eu estou superbem, vocês estão vendo como eu estou bem, vou largar isso tudo e vou me aventurar na Itália. Como é que foi isso, cara?

Pedro: Foi muito tranquilo, porque eu sempre fui um bom aluno, nunca dei problema em nenhum sentido como esse. Então imagina que, claro, na cabeça deles também eles entenderam que eu não estava cem por cento satisfeito como eu estava. Nada melhor do que exatamente, acho que nunca é tarde, mas tem alguns momentos de vida que são mais simples, outras responsabilidades e outras coisas. Então como sempre eu tive cem por cento de apoio, vai e vai tranquilo.

Luciano: Sabiam que você não era um maluco que ia viajar para o exterior para virar pagodeiro, por exemplo.

Pedro: Imagina. O grande contexto foi vai, seis meses não vai mudar em nada a sua vida. Eu ainda tinha as portas abertas na Fox.

Luciano: Você tomou o cuidado de não explodir ponte lá. Você saiu na boa.

Pedro: Na ótima. Um papo superclaro dizendo é uma questão minha, preciso ir. “Pedro, superbacana, apoio. Quando você voltar, vem aqui, conversa com a gente e tal.” E foi o que aconteceu, eu voltei, tinha a oportunidade de estar lá na Fox ainda. Mas falei, fiz tudo isso para voltar? Não.

E aí começou aquele momento em que eu cheguei da Itália bem próximo ao réveillon aqui, então teve aquele momento de férias e tudo o mais. Aí, quando começou o ano, eu comecei a ficar incomodado, aquela coisa, os amigos, a galera vai para o trabalho e eu não vou. Aquela ansiedade que a gente tem normal, de acordar, então batia ansiedade segunda-feira, ia só diminuindo à medida que ia chegando o final de semana. E eu fiz algumas entrevistas aqui nesse período, nada bateu. Quando foi mais ou menos em março ou abril, eu fui chamado por uma amiga minha para fazer um projeto piloto da Revista Vogue. A Vogue queria, naquela época criar como se fosse um calendário de eventos, organizando tipo o que a Caras faz, aproveitando a força da marca etc.

Luciano: Isso era 2008?

Pedro: Isso era 2008, exatamente. E ali eu falei, legal, projeto bacana, Vogue, era uma coisa até um pouco mais informal, pilotando e tal e um salário que era um fixo baixo, mas uma coisa que está atrelada a projetos. Fiquei lá uns quatro meses, que foi o suficiente para sentir que a coisa também não ia para a frente da forma como estava organizada. Nesse meio tempo, eu sempre já estava com a veia ligada de querer ter o meu próprio negócio. Eu voltei da Itália querendo ter o meu próprio negócio.

Luciano: Da onde vem isso?

Pedro: Bom, eu acho, o meu avô foi um cara empreendedor, teve madeireira, construiu um grande império para ele.

Luciano: Seu avô era o italiano?

Pedro: Meu avô italiano.

Luciano: Veio da Itália para o Brasil.

Pedro: Exatamente, pai do meu pai. Enfim, foi um cara que profissionalmente empreendendo no Brasil, foi um cara de muito sucesso aqui. Talvez por isso a experiência que eu tinha tido na própria Fox, aquela questão do escritório, do executivo, enfim, da multinacional, a coisa da carreira, não sei, aquilo me cansava, não conseguia fazer o meu olho brilhar com aquilo. Então, acho que foi a somatória de tudo isso, um pouco de veia genética, um pouco da experiência que eu tinha tido numa multinacional, enquanto carreira e aquela questão de falar, cara, eu tenho capacidade e eu quero construir o meu negócio, quero trabalhar com alguma coisa que eu tenha energia, sangue nos olhos aqui de fazer o negócio. Então, acho que foi um mix de tudo isso.

Luciano: E você não tinha ideia do que era. Você sabia que queria fazer alguma coisa, mas não sabia o que era ainda.

Pedro: Exato, não sabia o que era. E aí começou um período sensacional, em que eu vinha trazer uma série de ideias para o meu pai. O meu pai sempre foi o meu grande consultor, porque foi, além de ser meu pai, meu amigo, parceiro etc., um grande profissional. Meu pai foi presidente da Kaiser, meu pai foi presidente da Pizza Hut na América do Sul, quer dizer, um cara, em termos de carreira executiva, que atingiu níveis máximos do negócio. Então um cara com muita visão de administração, mas a cada ideia que eu tinha, então, “Pai, vou montar um restaurante japonês em Maresias”, que eu ia muito para Maresias, não sei o que lá, aquela empolgação. “Não, faz conta, tá louco, não tem, de segunda à sexta-feira não existe vida em Maresias, não é isso que vai acontecer.” E n outras ideias que eu ia tendo e ele só com a guilhotina ali, sempre dando aquela “Não, não viaja.”

Beleza. Até que então eu, ainda trabalhando na Vogue, tive uma conversa com o Edu e com o Fernando. O Edu e o Fernando são os meus sócios atuais e eles, na época falaram, já existia a Pronto Light, ela era informal, ela existia na casa do Edu, já tinha basicamente dois anos e meio, quase três anos de vida. O Edu começou sozinho na casa dele, que ele morava com os pais, ele ainda dois anos mais novo que eu. E um ano, um ano e meio depois, ele chamou o Fernando. A gente já se conhecia da época de escola e o Fernando virou sócio, mas eles ainda estavam informais.

Luciano: Era um negócio de comida congelada?

Pedro: Era um negócio de comida congelada.

Luciano: Fazia na casa dele, eles mesmos embalavam, entregavam?

Pedro: Exato. O Edu, falando um pouco da história, fazendo um parêntese aí, como começou? O Edu treinava para caramba, treinava muito, adorava treinar.

Luciano: Treinava o quê?

Pedro: Musculação. Adorava o fisiculturismo e começou a conversar com nutricionistas, os personal trainers etc., porque ele queria ter um resultado extremo. E aí o que bateu foi sempre alimentação. Alimentação é o que manda no negócio. Você pode treinar que nem um cavalo, se não comer direito, você não vai ter o resultado que você quer.

Baseado nisso, o Edu estagiava em agência, estava estudando marketing etc. falou, então legal, é alimentação. Começou a querer preparar duas semanas toda a dieta dele, que ele tinha que pesar a batata-doce, o frango etc. Passadas duas, três semanas, ele espanou, falou não é possível que as pessoas que queiram alguma coisa nesse sentido tenham que fazer isso que eu estou tendo que fazer. E aí ele começou a buscar isso. Falou, bom, mas não estou encontrando, não tem isso.

Então, um determinado dia ele foi até o Pão de Açúcar, comprou um quilo de frango, batata, chamou um amigo dele, contou toda a ideia, o cara achou sensacional, do cacete “Eu sou seu primeiro cliente. Faz aí o negócio que eu cozinho.” E assim ele começou a Pronto Light, na casa dele. Ele até brinca que realmente no início quem comprava era amigo mesmo, porque a comida era horrorosa.

Luciano: E era um negócio supernichado então, não era a comida saudável para quem quiser, era uma comida saudável para quem estava na academia bombando, é isso?

Pedro: Era, mas não era. É que assim, o perfil do Edu era um cara que treinava e quando a gente pensa, falando um pouco sobre o perfil dessa comida, quando a gente fala em comida saudável, em frango, em batata-doce, talvez a limitação do cardápio fosse um pouco mais nichada para a época. Agora, em termos do preparo e a comida em si, comida saudável é para todos, na verdade, mas foi assim que começou a Pronto Light.

E aí, durante um ano, um ano e meio depois, o Fernando chegou, ficou sócio. A mãe do Fernando, a Dona Lúcia sempre foi uma daquelas cozinheiras de mão de ouro e eles já tinham tido restaurante e quando o Fernando ficou sócio, a cozinha passou para a Dona Lúcia. Ela passou a cozinhar, então demos um upgrade. Demos, eu nem fazia parte na época.

Luciano: Você falou uma coisa interessantíssima aí, era informal.

Pedro: informal.

Luciano: Era uma empresa informal.

Pedro: Informal, fazia no apartamento dos pais do Edu. Tinha ali, claro, uma organização na parte de trás com os freezers, os processozinhos. O Edu, a listagem dos clientes, a carteira. Ele passou a viver disso, ele já vivia disso, mas era informal.

Luciano: Informal, sem CNPJ, sem nada.

Pedro: Sem nada. Edu, treinando na Companhia Atlética, eu também treinava, tirava pedido na hora do treino, ali com os amigos. Beleza, voltava para casa, entregava, enfim, nasceu dessa forma. E naquele momento, voltando aos dois anos e meio de Pronto Light, que na verdade, na época até surgiu como Pronto Diet, porque para a época o refrigerante era Diet, quando ele criou, não existia o refrigerante Light. E aí, no meio do caminho teve essa transformação para o Pronto Light.

Eles já estavam naquele momento em que estava pequena a estrutura de apartamento e era hora de formalizar o negócio. Já não cabia mais, em termos de usar a cozinha, todas aquelas coisas. E eles não queriam só dinheiro de um investidor. O Edu diz que muitos amigos, outras pessoas já queriam pôr dinheiro no negócio. Eles queriam mais um braço para ajudar e, evidentemente, uma parte em dinheiro. E quando eles sentaram para conversar comigo, falei espetacular.  Eu sempre fui um cara do esporte, a minha casa sempre teve arroz integral, sempre houve uma alimentação saudável, sem nada de ser xiita, mas eu sempre gostei do assunto, sempre fui um cara realmente do esporte e da alimentação. Falei, bom, espetacular.

Luciano: Propuseram sociedade já de cara?

Pedro: Propuseram sociedade.

Luciano: Você veio como sócio?

Pedro: Exatamente, como sócio porque era uma estrutura informal, queremos isso e aquilo.

Luciano: Vocês já eram amigos?

Pedro: Já éramos amigos.

Luciano: Tinha um laço de confiança já.

Pedro: Exatamente. Agora, quando eu pensei, bom, agora vou chegar em casa e vou contar para o meu pai que eu estou pretendendo, que existe essa oportunidade de ser sócio dessa empresa aqui, que a gente faz comida em casa, do congelado etc., vou tomar uma guilhotina na primeira, antes de terminar o assunto. E foi diferente, meu pai, naquele momento falou “Ôpa, aí tem, esse parece ser um negócio legal. Não é um negócio que você gosta?” Falei alguns números de como acontecia, do piloto etc., como é que era a minha participação e aquilo, naquele momento, evidentemente me encheu de energia, de confiança. Falei, bacana.

Luciano: Você recebeu a palavra de apoio da pessoa certa, na hora certa e aquilo faz toda a diferença.

Pedro: Exatamente. Isso foi mais ou menos em outubro, novembro, era final do ano e aí a gente falou, vamos embora. O que a gente tem que fazer agora? Agora, a gente precisa alugar um lugar, tirar CNPJ, agora a gente cresceu.

Luciano: Isso era 2008 ainda?

Pedro: Final de 2008.

Luciano: Cara, em plena crise subprime dos Estados Unidos, o mundo acabando, bicho, todo mundo quebrando, um horror e vocês abrindo um negócio.

Pedro: Exato, uma loucura. E a gente abrindo. Então a gente achou um espaço legal, tinha uns 120 metros, fizemos uma cozinha bonitinha, pequenininha, com vidro ali e tal, uma mesinha de escritório, uns três freezers. A equipe era eu, Edu e o Fernando, os três sócios, a esposa do Fernando, a Tati já era nutricionista, foi ajudar a gente, então ela ficava meio período, porque ela trabalhava numa escola como nutricionista.

Luciano: Não tinha empregado?

Pedro: Não tinha empregado. E a Dona Lúcia, que era a cozinheira. Não tinha empregado.

Luciano: A mãe. Então não tinha empregado nenhum.

Pedro: Exatamente, não tinha empregado nenhum.

Luciano: Eram vocês.

Pedro: Éramos nós.

Luciano: Isso é empreendedorismo na veia, cara. Esse é o empreendedorismo do cara que está aí, é o braço dele, sabe, não contratou uma equipe para viabilizar a tua ideia, não, eram vocês mesmos, arregaça a manga e vamos embora.

Pedro: Era a gente. Claro, a gente tinha o piloto, o produto que já existia e tudo o mais, mas a grande questão era agora, sempre a coisa muda, então primeira reforma, você começa a ir atrás de equipamento de cozinha, quem vai fazer.

Luciano: Cara, quando eu conheci o teu projeto, que você contou naquele dia, eu estava pensando, esse cara é muito louco, bicho, olha o que eles se meteram a fazer. O cara está mexendo com comida, que só isso já é um perrengue da vida, mas está mexendo com comida, que já é um potencial de arrumar encrenca que não tem tamanho e comida entregue, quer dizer, é comida com logística ao mesmo tempo, que são dois perrengues. Como é que ele faz, cara, para cozinhar, administrar o negócio, entregar comida para o cara? Não, não me oferece, não, que eu não vou.

Pedro: É muito legal, espetacular, é isso mesmo. E aí a gente alugou o lugar. Beleza. Aí fomos fazer uma reunião até com o meu pai, um brainstorm, porque como funcionava, era uma venda no boca a boca mas já no B2C, já era um B2C. Bom, e agora que a gente vai ser formal, o que a gente vai fazer? A gente vai fazer uma cozinha, mas é uma loja onde as pessoas vão lá buscar? Não, as pessoas ligam para a gente e a gente então entrega? Porque a gente já estava meio que viciado nessa operação. Não, a gente vai fornecer para outras lojas venderem, para o supermercado vender?

E a gente, naquela época, início de 2009, meu pai falou assim “Não, mas espera aí, é telefone, os caras vão ligar? O cara que trabalha, que está o dia inteiro ocupado, o cara vai ligar que horas, à noite? Quem vai atender o telefone? Como é que é isso aí?” Deu aquela dúvida. É, realmente, não faz sentido. Vamos fazer uma loja online, fazer um e-commerce, o cara entra no site a hora que ele quiser, a hora que ele puder.

Luciano: Não tinha ninguém fazendo nada parecido?

Pedro: Absolutamente.

Luciano: Nem na Itália. Vocês não foram olhar, deixa eu ver o que está acontecendo lá e aí repetir aqui?

Pedro: Nada.

Luciano: Vocês partiram do zero?

Pedro: Zero. E tem do zero, assim, a nossa história, o produto, a forma de venda, é uma história com muita humildade, mas até hoje já tendo, eu sei que é até case de faculdade, de professores, porque a gente inovou em muitos sentidos. Então, quando a gente falou uma loja online, um e-commerce, imagina em 2009 um e-commerce, a realidade do e-commerce. Não existia rede social, o Facebook estava começando, basicamente, Instagram não existia. E mesmo o volume de compra, e-commerce etc. e aí você falar que você vai vender comida congelada, saudável, através da internet. Quem é você?

Sendo que, em um paralelo, ao longo desses onze anos de trabalho, a comida congelada a gente está conseguindo transformar, a gente já teve grandes avanços no pré-conceito que existe sobre a comida, mas a nossa grande referência é a lasanha do S que, cara, não é saudável, não é gostoso, é um quebra-galho, está pronto, que é o que remete a gente ao congelado, é um industrializado. Quer dizer, a imagem do congelado era supernegativa, então foi uma ideia de maluco a gente falar, vamos vender isso através de um e-commerce.

Em paralelo, a nossa grande outra inovação foi o formato do produto. O Edu, a gente antes de formalizar já estava nesse processo, que era o seguinte, o que é que nós fizemos, a gente não fez um prato congelado, nós fizemos porções congeladas. No nosso caso, separados por proteínas, carboidratos, vegetais e depois ganhou outros derivados. Mas com o grande conceito que era assim, você podendo montar a combinação do prato e, principalmente, falando sobre o aspecto nutricional, naquele momento a gente teve como estratégia ir visitar os nutricionistas para apresentar o produto. E aquilo foi espetacular, porque o nutricionista já tinha um problema de falar “Espera aí, tem um monte de gente que vem aqui, quer mudar de vida, quer fazer, mas sai daqui uma semana, dez dias com aquela apostilinha que eu dou, empolgado, vai no mercado, prepara etc. e depois…”

Luciano: É um saco isso, cara.

Pedro: E depois a rotina toma conta, o cara morre no meio do caminho. Então aquilo brilhou o olho por n motivos. O formato, que permitia uma individualização das orientações, das dietas. A gente na época trabalhava até com bastante oscilação, tipo um arroz integral, tinha a porção de 100 gramas, de 150 gramas, de 200 gramas. Hoje a gente deu até uma encolhida, porque depois os números mostraram que não fazia tanto sentido, mas só a possibilidade de você poder modular isso. E um novo conceito de congelado, de dizer cara, não é possível que isso aqui é congelado. Por várias questões, matéria-prima, uma preocupação nutricional, preocupação de tempero etc., um trabalho totalmente artesanal que a gente estava desenvolvendo. Então, isso foi uma grande inovação. Agora, a gente, imagina, falando vamos vender isso através do site. Você tocou no ponto, e a logística? No início, era a gente que entregava e ok, fazia sentido.

Luciano: O que reduzia o teu alcance.

Pedro: O que reduzia o alcance e tirava um monte de tempo, quanto era a minha hora etc.? Tudo bem, naquele momento valia isso, mas cada entrega que a gente saía para fazer, você deixava de estar pensando em outras coisas. E aí, fazendo um parêntese sobre o empreendedorismo, eu li uma vez isso numa matéria e me chamou a atenção. Eram vários cases falando sobre empreendedores que muitas vezes, quando você começa um negócio sozinho e tudo o mais, é normal que você, claro, tenha que bater o escanteio, sair para cabecear, que você faça tudo e que não justifique. Mas existe um momento ali em que tem uma chave, um momento da virada que é muito importante, que a gente tem que tomar cuidado para não confundir até que ponto trazer novas pessoas significa um investimento em um novo momento do negócio, ou a gente encarar isso como “Não, não posso porque é um custo” etc. E aí fazia um paralelo de n cases em que um dos caras relutou, relutava porque ele era o comercial e preparava proposta e a partir do momento que ele colocou uma pessoa, porque o negócio já tinha tomado um formato, ele começou a ter muito mais clientes, porque ele tinha muito mais agilidade para fazer proposta etc.. Então, sempre foi um paralelo, uma preocupação.

Luciano: Entendo perfeitamente. Esse é o drama que eu vivo aqui no meu negócio, Café Brasil, é exatamente isso. Tem um limite, eu cheguei no limite do qual eu não consigo passar, porque eu sou o cara que produz o conteúdo, eu sou o cara que está produzindo o material, com todo aquele meu cuidado que deu para mim essa personalidade etc. e tal.

Chega uma hora que você começa a olhar, falar, meu, o tempo que eu estou gastando editando esse videozinho estaria muito melhor aproveitado se eu estivesse criando um novo vídeo, eu devia ter um editor fazendo isso aqui. E aí, quem é o editor? Cadê o cara? Eu tenho que encontrar o cara certo. Aí é aquela confusão.

Eu fui tentar fazer isso, quem é que pode me ajudar a gerar conteúdo? Eu trago um cara, bicho, vamos me ajudar. E o cara manda o texto e eu tenho que refazer o texto do cara. Bom, você sabe o que é. É o dono metendo a mão, mas eu tenho consciência plena, vai chegar um momento em que eu vou olhar para aquilo e vou falar não dá. Se eu não fizer essa virada, eu não consigo expandir mais, eu já estou no meu limite. Outra, se eu ficar doente, acabou o Café Brasil, cara, então eu estou passando por esse jogo agora.

Pedro: É e é um dilema que a gente sempre tem, por todo o quadro que a gente tem de você quer fazer direito, CLT. Então, claro, a gente entende que tem várias coisas, mas cada negócio tem sua particularidade. Você descreveu funções que são superimportantes, geração de conteúdo. Quer dizer, no nosso caso, a gente tinha funções que, claro, você considera um pouco mais operacionais mesmo.

Luciano: Se estabeleceu os parâmetros, seguindo os parâmetros não vai sair…

Pedro: Seguiu os parâmetros, exatamente e por aí vai. E também é muito importante, é muito legal, a gente valoriza todo esse momento em que você criou do zero. Eu, pelo menos, tive essa escola, a gente bateu escanteio e saiu para cabecear e continua sendo assim até hoje, se precisar. Está dentro do negócio e está por ali, mas a gente tinha que fazer isso para conseguir de fato, principalmente no nosso negócio, expandir.

Por exemplo, a logística foi uma outra coisa espetacular. A gente viu, como você falou, a gente entregava, falamos não dá mais para entregar. Então o que a gente faz, vamos procurar motoboys que possam fazer entrega, legal. Cara, na época, o mercado de motos eram aquelas empresas que eram aquelas casinhas que o dono da empresa era o motoboy e esse cara, a regra era assim a hora é 20 reais, mas o mínimo é de duas horas. Não, 40 reais, quer dizer, quando a gente foi buscar isso no mercado você fala, não dá para a gente constituir isso em termos de formação de preço, essa conta não fecha, não dá.

Então a gente teve que buscar algum cara que falasse não, espera aí, estou entendendo o que vocês estão falando, eu vou apostar num volume de entregas. Qual era a região de entrega? Não tinha nada definido, a gente é que criou tudo isso “Ah, não, então para esse bairro é esse valor”, em conjunto. O baú térmico que os caras entregam, a gente que desenvolveu. As informações que vão na embalagem do produto. Quer dizer, tudo foi desenvolvido por nós.

Luciano: Você olha para essa história, cara, você vê o capital de conhecimento que vocês construíram. A gente olha, fala, o que há, vou fazer comida, vou chamar um motoboy, vamos mandar entregar, não é? Não é assim, bicho, não é assim. O capital que não é o produto em si, mas é esse conhecimento que me permite fazer com que um produto chegue da melhor forma na casa do cara e que está na cabeça de vocês. Você não vai vender isso para ninguém, você vai conseguir fazer um processo acabado etc. e tal, mas esse esforço da criação, o esforço do desenvolvimento, esse know-how adquirido, isso é que é o verdadeiro valor, aí é que está o dinheiro, não é no projeto em si.

Pedro: E o mais irado de tudo isso é que, sei lá, com seis meses, um ano do negócio, cara, você fala assim, caramba, olha o que eu aprendi do geral. Porque você nesse meio tempo foi falar com advogado para constituir empresa, você foi falar com o cara do marketing, que foi desenvolver um novo logo para a empresa, qual seria então o slogan, a nova identidade visual. Ao mesmo tempo, você estava desenvolvendo um fornecedor que ia te vender a batata e o frango, como é que era o negócio, o moto que ia fazer a sua logística, a negociação com o cara que você alugou ou fez o aluguel, o pedreiro que fez a obra.

Luciano: Aí você vai bater um papo com o contador, aí você descobre que tem um mundo.

Pedro: Nossa, vamos mudar essa parte [risos].

Luciano: Gigantesco, cara, que se você não prestar atenção naquilo, você quebra.

Pedro: Então, isso para mim é o mais legal. Quando a gente está numa empresa, especialmente numa multinacional, você tem uma visão muito focada da sua área, qual é a sua responsabilidade. Então você acaba sendo um especialista e não te interessa o restante, você tem um volume para aquilo.

Quando você é o dono, quando você está empreendendo, ainda mais nesse molde em que você não está cheio de dinheiro, que mesmo empreendendo, você fala assim “Não, eu sou empreendedor, mas eu já contratei todo mundo e todo mundo está resolvendo para mim”, você realmente tem que tirar do zero, é a escola da vida, são dez MBAs juntos ali. Então isso foi espetacular.

Luciano: E vocês três têm a mesma idade?

Pedro: A gente tem mais ou menos a mesma idade, uma escadinha basicamente de um ano, eu vou fazer 38 agora, o Fernando fez 37 este ano e o Edu fez 36 agora. Então a gente também tem basicamente a mesma idade. Todos estavam basicamente também no mesmo estágio de vida e aí é um outro ponto que eu chamo no meu caso, é empreender com sociedade. Tocar nesse ponto que eu acho que é um outro assunto muito legal.

Luciano: É o segundo casamento.

Pedro: É e que infelizmente as histórias são muito mais de sociedades que não dão certo do que sociedades que realmente estão juntos. Aí você definiu muito bem, talvez no geral é o que eu falo, eu estou de segunda a sexta com eles, das 8 às 6 da tarde, todo dia. Eu fico mais com eles do que até mesmo com minhas filhas, com a minha esposa. E a sociedade é muito difícil. Na maioria das vezes, as pessoas até se juntam, então são amigos ou então naquela emoção se juntam para constituir negócio e nem pensaram o que cada um agrega na sociedade, como é que é o negócio. Então, esse é um outro ponto que acabou sendo muito legal no nosso caso. A gente tem características completamente diferentes, então a sociedade é agregadora.

Eu faço um paralelo com time de futebol, o que adianta a gente ter três atacantes e não ter goleiro? Então o que adianta se nós fôssemos os três caras top de vendas, sim, e quem ia fazer a outra parte financeira, quem ia fazer operacional etc.? Então, desde o início isso também sempre foi muito bom, Fernando numa parte muito mais operacional ali assumiu. O Edu e eu, a gente sempre se alternou numa questão de marketing e comercial, mas hoje está bem mais definido. Eu estou com uma parte mais financeira do negócio, ele numa parte comercial. Mas assim, características realmente diferentes, digo em termos profissionais e características semelhantes em relação a como lidar com as pessoas, como lidar entre nós, então até mesmo com todos os colaboradores, com as pessoas. Às vezes poderia ter alguma forma de repente o sócio é um cara mais…

Luciano: Um cavalo.

Pedro: Um cavalo e o outro não é, então você ia começar a brigar.

Luciano: Porque aí é que a coisa pega, porque você senta para discutir, vamos montar um negócio. É muito fácil a gente se acertar e concordar no que a gente quer, eu quero alguma coisa com você, o bicho vai pegar no como. Na hora que você definir o que, aí todo mundo fica feliz, monta o plano, está feito o QUE. Quando senta e bota o COMO na mesa, o pau quebra.

Pedro: É verdade.

Luciano: O que eu acho que é de um jeito, você acha que é de outro e ai vai desandar. E o que eu tenho visto aí de sociedades que dão errado, elas erram no como. Na hora de execução, na hora de fazer. Embora os dois estejam com a mesma e excelente intenção de chegar no mesmo lugar, na hora da execução, o meu como não bate com o teu e aí, bicho, para o pau quebrar é dois segundos e se eu não for assertivo e explicitar, eu vou botando uma gotinha no balde e uma hora o balde vira e não tem mais volta.

Pedro: É, eu concordo cem por cento e no nosso caso também o peso de não ter aquela balança, então às vezes você começa uma sociedade em que “Ah, não, eu ponho o dinheiro, você entra com o trabalho e a gente faz.” Aí, depois de um tempo, o cara que está trabalhando acha que está desbalanceado, porque o outro não está trabalhando, ele esqueceu que naquele momento o dinheiro era…

Luciano: O dinheiro foi fundamental, sim.

Pedro: Exatamente. Então, a gente teve essa característica que todos se entregaram cem por cento para o negócio. Então, de segunda à sexta, desde sempre aconteceu, todo mundo cem por cento focado na Pronto Light, vivendo da Pronto Light, as angústias, as felicidades, tudo a gente sempre compartilhando e tudo no mesmo peso em distribuição de trabalho e tudo o mais.

Luciano: Faz toda a diferença. É aquela história, é o Brasil na Copa de 70, cara, eu sei, eu não preciso olhar para o meu canto direito para saber se eu devo passar a bola ou não, eu simplesmente passo a bola, porque eu sei que o ponta vai estar lá, cara, ele vai estar naquele lugar. Eu tenho confiança total, eu sei atrás de mim o que está acontecendo, o que tem na frente e não preciso estar preocupado, será que o sujeito veio, será que se eu passar ele?… Não, você está com uma equipe de donos.

Pedro: E eu tenho essa experiência, você por exemplo está de uma outra forma, você hoje é sozinho. Então, como eu tenho uma sociedade muito bacana, eu vejo como literalmente um casamento. E é essa a experiência que eu tenho com a minha esposa, de que se eu estou para baixo, ou se eu estou feliz, naquele momento sempre um, quando você está para baixo, ela está para cima e está te empurrando e vice-versa, é isso o que vai acontecendo. E isso acontece muito quando a gente tem uma sociedade bem equilibrada, então eu nunca vivi, mas já escutei de muitos empreendedores que são sozinhos, está tudo sempre cem por cento na sua responsa, não é?

Luciano: Solidão empresarial, meu caro. Tem que tomar uma decisão pesada… Não, acho que nem esse é o ponto, cara. O que eu mais sinto e é interessante, acho que eu nunca falei isso aqui, o que pega mais não é o momento em que eu tenho que tomar uma decisão cabeluda sozinho, porque aí, cara, se bobear eu ligo para alguém, troco uma ideia. O pior momento para mim é na hora de celebrar uma vitória, eu não ter com quem celebrar. É conseguir um negócio do caralho, para quem que eu falo? Eu não tenho para quem falar, eu não tenho quem abraçar, entendeu? Não tem ninguém para eu ligar e falar “Acabei de conseguir tal coisa.”

Pedro: Interessante.

Luciano: Não tem e isso dá um vazio brutal, cara, cada vez que acontece aqui, que eu paro, falo caceta, bicho, eu estou vibrando sozinho!

Pedro: E às vezes até num outro momento, no inverso, num dia, num acontecimento, alguma coisa que realmente te deixe para baixo, você também não tem de repente alguém aqui para falar ôpa, espera aí. Porque é impressionante, parece um pendulozinho.

Luciano: E não é o fato de ter gente na empresa. Gente na empresa tem, mas não é a pessoa que você quer, entendeu? Eu tenho, eu posso ligar, gente, vamos comemorar e tudo, mas não é igual, não é aquele você olhar para o lado e… Eu faço muito o paralelo do montanhismo, que eu fiz aí, é que é aquela história, cara, eu quero chegar no topo com alguém do meu lado e os dois se abraçar e chorar pra cacete, chegamos. Eu não quero chegar sozinho, não quero chegar lá em cima sozinho. Vou chegar eu com o meu sherpa, que foi o cara que me levou, entendeu? Não, cara, eu quero chegar com um cara como eu, que a gente se ferrou de montão e lá em cima os dois se abraçam e aí depois você tem história para contar, você pode dividir. E esse é um vazio interessante.

Pedro: E fora a outra parte, que no nosso caso são três caras, basicamente da mesma idade, fora a parte séria do negócio, todo dia a gente está se arrepiando ali, bagunça, é um negócio extremamente divertido.

Luciano: E já vão dez anos.

Pedro: Dez anos.

Luciano: Que tamanho vocês estão hoje? Quanta gente tem trabalhando com vocês hoje?

Pedro: Hoje a gente tem um quadro de mais ou menos 35 pessoas. A gente este ano está fazendo um trabalho muito bacana com uma consultoria de eficiência operacional. A gente já até teve mais gente, já tive perto de 50 pessoas e a gente fez uma reestruturação, mas tem 35 pessoas lá dentro direto.

Luciano: A parte de logística e entrega não é de vocês?

Pedro: A parte de logística não é nossa.

Luciano: Tem um parceiro que faz isso para vocês.

Pedro: Tem um parceiro, esse parceiro que nos abraçou lá atrás.

Luciano: É o mesmo?

Pedro: É o mesmo.

Luciano: Legal.

Pedro: A gente tem essa característica de realmente querer estar com gente que abraçou e faz.

Luciano: Cara, isso é um negócio que eu fiz a vida inteira e eu me orgulho pra cacete, bicho, de ter tido e continuar tendo fornecedores que começaram comigo assim do zero e eu chego no cara, e eu fiz isso quando eu era diretorzão da multinacional. Eu tive um dos fornecedores que era uma pequena agência de criação de marketing, logotipos, essas coisas todas, que era um cara que tinha estudado comigo no Mackenzie, montou a empresa dele, depois ele veio e fornecia. Mas cara, muito demorado, muito complicado, muito na base do paste up, da coisa antiga. E um dia eu chego para ele, falo “Bicho, você tem que botar computador aí, cara, já tem computador para fazer as coisas.” “Ah, não, é complicado.” E não rolava.

Um dia eu pego, cara, eu compro o computador, boto no meu carro, eu, diretor da empresa. Pego meu carro, vou até o estúdio do cara, paro na frente lá, falo “Vem comigo aqui.” Tirei do carro o computador, botei na mesa dele e falei “Liga essa merda aqui. Você está me devendo. Bota no papel aí, você está me devendo X, que é quanto custou o computador, você trata de ligar e aprender a usar esse negócio aqui e eu quero o dinheiro desse computador de volta como serviço prestado.” E o cara mudou a empresa dele, cara, por causa dessa, porque ele não ia fazer, na hora que eu fiz isso e botei lá, o que acontece, um cara desse fica com você para o resto da vida. Porque eu quero que ele cresça e eu vou dar a maior força. Tem um monte de caras que eu fiz isso, pego o cara, falo “Bicho, você está enxergando um pedacinho, olha para o lado maior. Você topa o jogo?” “Eu topo.” “Então eu te dou um contrato de cinco anos.” Fiz isso. Cinco anos eu te garanto aqui, agora é tua vez, agora cresça, não é?

E quando você tira um cara então que sabe que está pequenininho e o cara cresce com esse tipo de relação de confiança, muda tudo. Amanhã eu vou ligar para o cara, falar, cara, não tenho grana, estou ferrado e preciso do trabalho. O cara vai me fazer do jeito que tiver que fazer e há uma relação muito maior. Costumo dizer o seguinte, para mim, cliente bom é aquele que se diverte comigo, não é o cara que me paga bem, não, é o cara que se diverte comigo, que eu posso curtir, que eu brigo com ele, ele briga comigo, a gente enche o saco. Eu tenho alguns que são assim, eu entro no WhatsApp, o cara, espera aí e encho o saco dele, ele me enche também e nós estamos nos divertindo e trabalhando em conjunto. Muda tudo no relacionamento.

Fala uma coisa aqui, eu consigo enxergar no teu negócio, olhando de fora, sem mergulhar dentro dele, você tem alguns, não é um tripé, mas parece que são quatro pés que tem o teu negócio. Você tem um pé que é a produção industrial, que é a parte de produzir comida, você tem um pé da logística, que é fundamental, sem ela não funciona, você tem um pé que eu imagino que deva ser o pé mais fraquinho, porque ele sempre é o mais fraquinho, que é o pé do marketing, como é que eu conto para o mercado que existe e tal, que vai grana, investimento e você tem um pé que é o pé da tua loja online, que é o esquema do software, o esquema de montar todo esse processo, que é absolutamente fundamental, aquilo é que vai fazer você ser capaz de conversar com o teu cliente de uma forma que seja rápida e eficiente para ele, se esse negócio não funcionar, o teu negócio não anda.

E aquilo está muito fora, isso aí é TI, são os caras de TI etc. e tal. No dia do evento, eu me lembro que esse assunto veio à tona e você fez um comentário lá que a plateia aplaudiu e a gente morreu de dar risada lá, porque quando você falava, todo mundo se enxergava ali. E eu me lembro que a questão lá toda era o seguinte, era como é que a gente desenvolvia esse processo do pagamento, da assinatura recorrente, que foi o que você acabou fazendo e do software, o sisteminha que consiga receber o pedido, processar etc. e tal e você tinha que desenvolver a tua plataforma ali. Vamos conversar a respeito, você fez uma definição ali que foi genial, se você não falar, eu vou falar aqui, vai lá.

Pedro: Bom, sem dúvida nenhuma, o site é o nosso canal de venda, é por onde a gente vende, então em 2009, quando a gente falou vamos vender pela internet, o que a gente fez, a gente desenvolveu o nosso primeiro site, com dois programadores que por sinal trabalhavam com o meu pai. Fizeram um site superbacana para a época, até ali eu tive uma experiência ok, fui guiado por caras que já eram de confiança do meu pai, fizeram o site, beleza.

Passados dois anos, o site era um sistema de você arrastar, aí começaram a chegar os tablets e se você ia arrastar, na verdade a tela mexia. Então, naquele momento, a gente falou, precisamos mudar o site, esse sistema que chama drag and drop não funciona mais. Aí começou a novela. Bom e aí, vamos para qual plataforma, o que é, por onde a gente vai fazer, quem vai desenvolver? Mas é uma plataforma pronta, é um programador que vai fazer? Se for um programador, o que ele vai escolher? É um open source, ele vai construir isso do zero? Quer dizer, você, como dono do negócio, eu não sou especialista nisso.

Luciano: É terrível.

Pedro: Aí começou todo o drama, que foi o que eu contei lá. No nosso caso, uma história assim super rápida, mas é que é um negócio que continua sempre. Então, a partir desse momento, imagina que a gente chamou uma agência. A rapaziada, os caras, não, vamos embora, é isso, a ferramenta, é isso que vamos fazer, vamos construir, porque é isso aqui. Espetacular, show de bola.

Encurtando a história, um ano de trabalho, os caras ligaram e falaram assim “Pedro, espanamos, não dá para fazer, a gente não consegue fazer.” Os caras foram fazer uma ferramenta do zero e o nosso negócio é um e-commerce de alimentos e peso em grama e agendamento de entrega, não é uma lojinha qualquer. Bom, eu tive o dinheiro de volta, mas eu não tive um ano de volta.

Luciano: Você conseguiu o dinheiro de volta, que sorte.

Pedro: Consegui o dinheiro de volta. Os caras foram e está aqui o dinheiro, beleza. Aí, eu reativei, os caras tinham feito o primeiro site, e aí, então estamos com esse problema. Não, não, então eu recomendo que a plataforma tem que ser o Magento, o open source Magento e não sei o que lá. Show de bola. Então, mas o que é, o cara trabalhava numa outra empresa, estava fazendo freela, então chamamos, começou, para encurtar a história, foram mais oito meses de trabalho em que os caras falaram assim “Meu, engripou aqui, não estou mais com tempo, não consigo fazer no negócio que fizeram. Meu, não vai sair o site.”

Luciano: Foram-se mais oito meses.

Pedro: Foram-se mais oito meses. Magento e vai e não sei o que lá. Não consigo acreditar, eu só preciso, eu só quero um site para vender. Eu preciso mudar o meu site atual. Nesse momento, eu chamei os caras que não tinham entregue o site da primeira vez, isso também consultando várias outras coisas, mas contei o momento, falei “Estamos nessa fase aqui.” Os caras falaram “Não, Pedro, cara, depois que aconteceu isso com vocês, a gente fez um coach, reestruturamos a empresa inteira, formatamos uma ferramenta própria, uma plataforma. Meu, estamos com isso e aquilo.” Meu, foi superlegal. A gente então chamou os caras e desenhamos, eles já estavam superavançados, costuramos. Finalmente, a gente conseguiu colocar o site no ar em setembro de 2014 eu troquei a minha plataforma. Eu demorei quase dois anos e meio para conseguir mudar a minha plataforma. Negócio impressionante.

Aí teve um outro episódio, os caras colocaram, a gente desenvolveu tudo isso junto com eles, claro. A tecnologia os caras faziam, mas a gente dando todos os insights e era uma agência que estava fazendo toda essa parte tecnológica, mas, claro, eles tinham também a parte de marketing. Então, dali para a frente disparar newsletter, todas as coisas e, evidentemente, todas as melhorias que você vai soltando, o site está sempre em movimento, não para.

Três meses depois esses caras sentaram à mesa e falaram assim “Pessoal, vocês se incomodariam se a gente atendesse um cliente XXXX?” “Mas espera aí, esse cara vende comida congelada saudável de delivery, é um raio-X do que a Pronto Light, do que a gente faz.” “Não, mas veja bem, a gente não entende assim, no nosso entendimento a gente acha que criou uma ferramenta de futuro no mercado.” Resumo da história, a gente construiu um negócio juntos…

Luciano: Os caras querem pegar o teu conhecimento.

Pedro: Exatamente, entenderam que eles tinham uma ferramenta que serviria para o mercado. Falei “Cara, não concordo, é um absurdo. É a mesma coisa que você, enquanto agência, falar que você quer atender a Pepsi e a Coca-Cola. Você não pode atender, não dá. Você pode fazer site para todos os outros negócios que você quiser. Agora, um site que faz entrega de comida congelada saudável na porta do consumidor, por que você quer fazer isso, cara? Olha o mercado.” Bom, nos desentendemos, então três meses depois a empresa que fez a nossa estrutura já não prestava mais serviço para a gente e eu tinha uma plataforma desenvolvida pelos caras.

Luciano: Eu sei exatamente do que você está falando. Vai lá.

Pedro: Aí, cara, eu falei assim “Não, mas espera aí, o que eu faço?” E o site estava hospedado numa agência passada por eles, a hospedagem só. Nesse momento, falei, não, então beleza. Então pelo menos conversei com essa agência, falei “Aconteceu isso e isso com os caras, vocês conseguem dar um suporte?” Porque é um negócio constante, precisa mexer isso para fazer aquilo. “Ah, sim.” Cara, dali mais ou menos a minha vida foi um inferno durante uns seis meses, porque os caras trabalham de uma forma assim, qualquer solicitação, você tem que mandar um e-mailzinho, que eles vão acatar a informação, vão ver o negócio, quer dizer, para, o dinamismo do negócio…

Luciano: Você está trabalhando com a minha equipe? É o mesmo fornecedor? Você fez uma definição lá, que eu vou voltar a ela, que você falou, “Cara, esses caras de TI são os pedreiros do século 21.”

E eu falei isso para a minha filha. Falei, escuta, um dia você vai ter a tua casa e vai reformar a tua casa. Você vai chamar o arquiteto, ele vai trazer um desenho maravilhoso, você vai aprovar, vai dar o dinheiro para o cara, ele vai chamar o mestre de obras e vai começar a fazer. E você vai estar na sala a hora que o cara quebrar a parede para botar uma janela e você descobrir que tinha um cano de água passando lá. E a hora que chegar a moldura da janela, ele mediu errado. E a hora que o cara instalar a janela, ele vai foder o piso que já estava pronto. E aí você chama o cara do piso, ele vai foder o teto que estava pronto, entendeu? Você vai ficar desesperada, o cara não vai aparecer, o pedreiro não chega no dia que tinha que chegar, o pintor não veio, fez uma pintura, ficou uma merda, você vai reclamar “Não, doutor, quando secar vai ficar bom, quando secar fica legal.” Esse inferno todo na vida da gente se repete com esses caras de TI, bicho.

Pedro: É igualzinho.

Luciano: Você falou uma outra coisa também que é fundamental, quando começa o projeto, é maravilhoso, bicho. A gente conversa, é lindo, maravilhoso, mas em uma semana você começa a receber material, é lindo e um dia os caras somem.

Pedro: É espetacular. É isso. O cara começa, reúne antes do projeto, faz, aí está ali no início, todo dia está cedinho, você vê as paredes subindo, o negócio começa a ganhar corpo que você até fala assim, o cara falou para mim que vai ser seis meses, imagina, em três meses, no ritmo que está, já matou esse negócio, porque está espetacular. E de repente… [risos] É a mesma coisa. Então, os caras de TI hoje em dia, os programadores que me perdoem, alguns se salvam, mas a imensa maioria é um drama de todo mundo. E a gente não entende nada, é a mesma coisa que você levar o carro para o mecânico e o cara começar a falar um monte.

Luciano: Você está na mão do cara.

Pedro: Você está na mão do cara.

Luciano: Essa é minha história há 14 anos, cara. Eu tive no mínimo, o meu portal passou por três grandes mudanças. Ele nasce sem nenhum planejamento, nasceu o portal do Luciano Pires. Depois ele começa a ganhar corpo, ele vira um portal um pouco mais legal e aí aparece alguém, vamos fazer um projeto maravilhoso. “Eu vou fazer em Joomla.” Eu sei lá que porra é Joomla, cara, mas é tão bonito, que vamos fazer, cara. E bota o negócio em Joomla e no que põe no ar a minha vida vira um inferno na Terra, porque para trocar uma vírgula, eu tenho que pedir para o cara. Tudo aquilo que eu mais tinha, cara, eu quero entrar e eu não consigo mais mexer. E fica assim durante dois anos.

Aí não dá, esse negócio não dá, vou ter que mudar, então vou mudar, não quero mais Joomla, vou mudar para outra empresa, o cara vai fazer para mim WordPress, que conversa com todo mundo, maravilha, me dá o conteúdo. “Não.” Por quê? “Porque o layout é meu, não vou te dar.” Então, cheguei para o cara e falei “Bicho, importa tudo antes.” E o cara importa e aí vem faltando pedaço, não conversa um negócio com outro. Bicho, o que eu perdi de conteúdo. Eu olhava para aquilo, falava não posso acreditar que vai começar de novo. E aí o novo vem e repete o projeto outra vez.

Agora eu estou na minha quarta geração e agora vem um papo que é muito legal aqui, que para quem está ouvindo a gente é muito legal. Cara, eu não sei o que você faz, eu não sei se você é cliente ou se você é fornecedor, mas presta atenção no que eu vou falar agora, que é fundamental. Eu vou montar o projeto do Café Brasil Premium, que é um projeto muito mais elaborado e que depende muito mais do portal que eu vou criar do que eu tenho hoje em dia. Hoje em dia eu tenho um portal que está lá, eu boto o negócio no ar, distribui coisa. O Café Brasil Premium, não, porque aí já é assinatura recorrente, aí já tem a plataforma da Vindi, tem as APIs conversando, um negócio muito maluco aquilo lá e eu precisava gerar aquilo do zero. E aí encontro quem faça para mim, vem uma empresa que é uma molecada genial, maravilha, a gente senta, lindo, maravilhoso, vamos fazer, os moleques ficam encantados, a gente vai fazer o projeto. E a empresa dos caras está começando a crescer e eu faço reunião com os caras aqui na minha sala.

Sento com eles, maravilha e aí paro a reunião, eu falo, agora, prestem atenção que o vovô vai falar, eu vou dar uma dica para vocês. O projeto está muito legal, está muito bem encaminhado, a solução de vocês é genial, maravilha e vai começar a pegar e vai ficar legal. Não peguem mais clientes do que vocês conseguem atender. Vocês vão ficar encantados, cara e não peguem. E o que os caras fizeram? Pegaram cliente pra cacete e implodiram, bicho. A empresa dos caras implodiu. Resultado, eu estou há sete meses, não consigo botar o negócio no ar, bicho e cada dia é um atraso diferente. Os caras sumiram, desapareceram. Aí volta um e retoma e começa do zero outra vez. Não consigo fazer, cara.

Pedro: Vamos criar a hashtag mais uma vítima dos TIs.

Luciano: Bicho, eu vou te dar um outro exemplo e que esse eu consegui resolver. Quando eu comecei a trabalhar para transformar meus livros em e-books. Foi em 2008, uma coisa assim. Eu começo a mexer, quero fazer e-book. Então, o que é pegar um livro e fazer e-book? É a coisa mais fácil do mundo, eu vou mexer. Está bom que é fácil, porque tem ePub, porque tem o MOBI e como é que faz?

Começo a conversar, bicho, os caras sentam na minha frente e aquilo é um pandemônio na face da Terra. Porra, porque vai demorar. Um belo dia eu fico puto com aquilo, falo, cara, não é possível, bicho. Quer saber de uma coisa? Lá vou eu navegar na internet, encontro um fornecedor de e-book dos Estados Unidos muito legal. Entro em contato com o cara. O cara, bicho, legal, a gente faz, mas é o seguinte, em português não dá, não tem nem como trabalhar em português, eu não consigo fazer, mas eu vou te dar uma dica de quem faz.

E aí o cara me dá uma dica de uma outra empresa de e-books e o cara me faz o e-book assim (num estalo), em dez dias o e-book pronto aqui na minha casa, pela metade do preço, na versão ePub, eu só tinha pedido MOBI, redondinho. Um projetinho que eu entro no site do cara, bicho, e a gente vai interagindo e chegou para mim. Mas não é possível que seja tão fácil, cara.

E aí eu descubro que a questão não é a complexidade do projeto em si, é o profissional que está envolvido. Os caras lá não estão brincando, a empresa que eu entrei com os outros caras não brincam, vai ser dez é dez, vou te entregar às duas horas, vai ser as duas horas. Se você atrasar dois dias aqui, eu vou atrasar três dias. E atrasa. Se você antecipar, eu antecipo. Não tem conversa, não vai atrasar o motoboy, não teve chuva, a internet não caiu. Aquele monte de desculpas que você escuta aqui, ninguém usa lá.

E aí eu olhei para aquilo, falei, cara, eu estou dando um emprego para um americano, eu estou mandando o meu dinheiro para um americano, porque eu fui empurrado para isso. Ah, você procurou pouco. Procurou pouco o cacete, cara, o que eu quebrei a cara aqui, o que eu me ferrei aqui. E agora eu fico pensando, eu estou nesse negócio do aplicativo, eu não consigo fazer. Eu acho que eu vou ligar para um indiano, eu vou ligar para a Índia e vou fazer com indiano, bicho.

Pedro: É um absurdo. E até ainda no paralelo com a obra, além do cara desaparecer, até ele efetivamente desaparecer e tudo o mais, aquilo que a gente faz, então orça a obra, quanto vai custar? Vai custar 100 mil. Não vai custar 100 mil, vai custar 200 mil. E o argumento dos caras é a mesma coisa. Quantas horas precisa? Porque os caras fazem o cálculo em hora, você não tem a menor noção, então vai demorar tanto tempo, que não sei o que, beleza. Passou isso, cara, pelo amor de Deus, eu tinha previsto dez paus, agora você está me falando que vai custar 20. Como assim? Como é que a gente consegue trabalhar? Como você consegue fazer?

Luciano: Você que está nos ouvindo aí, que tem a tua empresa de TI, você está ouvindo dois clientes aqui que são bons clientes, que eu pago direitinho, você deve pagar direitinho também.

Pedro: Com certeza.

Luciano: Você está ouvindo um lado da equação que eu não quero saber da tua competência técnica, eu não quero saber do teu Joomla, enfia o Joomla sei lá onde, cara. Essas merdas não me interessam, eu não quero saber se você tem 20 programadores, não quero saber disso. Eu quero saber o seguinte, como é que eu consigo ter o mínimo de capacidade de planejar alguma coisa, de ver a obra andando, cara?

Eu não quero que você leve um mês para me trazer o negócio, me traz amanhã, depois de amanhã, vamos ver, vamos fazer junto. Eu sei que eu sou ignorante, eu não conheço nada dessa história, eu vou pedir coisa que não tem cabimento, mas isso é parte do processo. Cara, é minha vida que é colocada aí, eu tenho toda a insegurança do mundo, porque essa é a casa onde eu vou morar, entendeu?

Pedro: Sim, sim.

Luciano: Então, é lógico que eu queira saber o que está acontecendo lá. E quando os caras não me dão isso e deixam para um belo dia aparecer aqui para dizer que não deu, para dizer que isso aqui não faz, isso aqui não pode. Meu, é só frustração, bicho. Eu vou trabalhar com indiano, cara.

Pedro: É, e aí a gente, imagina, até finalizando a história do site, a gente então em 2014 colocou essa ferramenta, aí teve aquela questão, quase seis meses, então qual foi a solução. Trouxemos um programador interno, pela primeira vez eu internalizei lá. Um cara também no início, dando o sangue, fazendo, mas já chegou falando “Cara, está difícil trabalhar nessa ferramenta, porque os caras não escreveram os códigos aqui, eu não tenho manual para entender, então cada mexida a gente não sabe se afeta o outro lado, o que acontece.”

Luciano: Melhor derrubar a casa e construir de novo.

Pedro: Exatamente isso. Então isso aconteceu. Esse cara foi, ficou com a gente praticamente até 2016, aí ele foi embora, trouxe uma outra pessoa, um outro programador top, até um estagiário para ele de TI e a ideia era vamos construir uma casa nova. Construir uma casa nova, eu já tenho uma casa hoje que eu estou morando. Aí começou a acontecer o seguinte problema, todo dia tem que fazer alguma melhoria nisso que a gente já está vivendo e eu não tenho tempo de começar a construir a casa nova.

Bom, resumo da história, graças a Deus, a gente conseguiu, no início desse ano a gente encontrou uma agência que hoje é nossa agência de marketing também, mas eles têm um braço de tecnologia. Eu até desacreditado no negócio, eles em abril, depois de um mês, diagnóstico da empresa falaram “A gente precisa mexer nessa ferramenta.” Falei, “Já sei disso, faz tempo que eu sei, mas eu não consigo, não vai.” “Não, a gente vai abraçar esse negócio, isso vai estar pronto entre setembro e outubro.” E de fato a gente deve lançar o novo site, até o dia cinco de outubro isso está no ar.

Então é um case muito diferente de tudo o que acontece no mercado. E por eu ser um e-commerce, esse assunto é recorrente comigo, de amigos, parceiros, gente que fala estou precisando montar, quando esse assunto cai na roda, é isso que a gente acabou de conversar aqui, a gente começa a dar risada. E muitas vezes ele já chega narrando exatamente isso “Cara, estou precisando de uma ajuda, porque eu contratei um cara…” É a mesma coisa.

Luciano: É a mesma história, cara. Eu vou te dar uma chance de agradecer essa agência, dizendo o nome dela aqui. Quem sabe tem um monte de gente desesperada para procurar. Quem que é o pessoal?

Pedro: Com certeza. É a Sinnapse, que é o Jorge Geras, o dono da Sinnapse, meu parceiro hoje em dia.

Luciano: Então, Jorge, você está ouvindo ele falar aqui, acabou de falar o teu nome aqui, ele disse o nome da tua agência, você não vá foder os moleques, porque ele acabou de assumir aqui, cara. Pelo amor de Deus, mantenha a bola alta aí. Cara, esse assunto me dá vontade de chorar.

Pedro: É impressionante, cara. É impressionante.

Luciano: Meu amigo, estamos chegando aqui na nossa reta final, então me dá uma dica só para a gente agora que quer saber como é que funciona esse teu processo. Eu só soube de vocês aqui agora, eu vou entrar na internet e vou digitar…

Pedro: Pronto Light.com.

Luciano: Pronto Light.com e vou abrir um site que vai aparecer o que ali?

Pedro: O site você vai ter várias opções, desde kits e programas em que a gente tem uma alimentação fechada para você durante um período, são espetaculares para você ter qualquer tipo de resultado, principalmente emagrecimento, que é o carro-forte. E você vai ter todos esses produtos que formam esses programas, a gente tem eles em categorias individuais também, para você, por exemplo, comprar só as porções para jantar. Enfim, mas aí tem doces, sucos, quer dizer, você vai encontrar um ambiente de comida no formato congelado das mais diversas: carne, peixe, frango, sopa, vegano.

Luciano: Eu quero emagrecer, para eu poder tirar proveito do teu projeto, eu tenho que ir numa consulta, num nutricionista, alguma coisa assim, ou não preciso disso?

Pedro: Luciano, muito boa a sua pergunta. Eu faço um paralelo do nutricionista com a gente, um paralelo de academia. Se você for entrar numa academia e for treinar, já é um baita passo, é onde está a Pronto Light. Então se você começar, se você fizer um dos nossos programas, se você comprar as porções, quer dizer, o simples fato de você se alimentar melhor, que é o que a gente provoca, o resultado é bizarramente impressionante. A alimentação é o nosso combustível, você é o que você come, literalmente.

E aí qual é o paralelo que eu faço, tudo bem, você está dentro da academia, mas você fala, bom, agora eu quero deixar aqui o treino cem por cento daquele jeito, o que você faz? Você chama o personal. O personal vai fazer um negócio extremamente direcionado para você, no detalhe. Então, hoje, aliás, desde sempre o nosso trabalho foi muito em parceria com os nutricionistas, porque a gente serve como uma ferramenta de trabalho para os pacientes que eles atendem, tornando as orientações muito mais fáceis e viáveis no dia a dia das pessoas e porque a gente entende que, evidentemente, se você passou num nutricionista, você está com uma coisa cem por cento individualizada, o cara fez um raio-X de ir no detalhe e tudo o mais.

Luciano: E esse nutricionista vai conhecer o teu projeto e ele vai poder me apontar aquilo que eu vou comprar de você?

Pedro: Exatamente, a gente tem, enfim, são muitos nutricionistas, nem todos são parceiros ou conhecem, mas a gente tem vários que já são parceiros, que existe até um protocolo de link para facilitar. Então já manda o WhatsApp, tem o link, tem o benefício e tal, mas se você for a um nutricionista que não é parceiro e comentar sobre isso, com certeza hoje ele vai falar legal, porque a maioria das pessoas fala eu conheço a Pronto Light para um nutricionista, e eu precisava que você encaixasse a Pronto Light aqui na sua orientação, porque eu não cozinho, eu não vou cozinhar. Excelente, essa é a sua rotina de vida. Então esse é o paralelo que eu faço, o que a gente faz hoje lá é literalmente transformar a vida das pessoas através da alimentação. Eu não me conformo, no bom sentido, como às vezes a gente realmente não dá tanta bola para isso. E é difícil mudar hábito, esse é o ponto.

Luciano: Olha com quem você está falando, olha o meu tamanho, cara.

Pedro: É difícil mudar hábito, mas o mais legal é que é um caminho sem volta. A gente percebe, é tipo um fumante que vira ex-fumante, o cara não se conforma que ele um dia na vida fumou.

Luciano: Quando eu entro lá, eu compro um kit, ou eu faço uma assinatura?

Pedro: A gente tem o trabalho da assinatura, que funciona muito mais por uma recorrência das pessoas que todo mês querem pedir, não é um formato de kit programa, é um formato mais de refeições mesmo, em que em geral as pessoas acabam utilizando mais para o jantar, que é o grande gap. Então, é mais para pessoas que entram numa pegada já de life style assinatura.

Claro que se você sempre automaticamente se alimenta mal, começa a se alimentar bem só no jantar, já tem uma coisa que vai te ajudar e tudo o mais. Então a assinatura é mais dedicada a isso. A gente até vai fazer uma pausa do clube, porque nessa mudança de plataforma, a gente vai aproveitar para mudar algumas coisas e eu teria que esperar o clube ficar pronto para soltar a nova forma. Então, eu falei, não, vamos pausar o clube, estou fazendo uma condução com os assinantes atuais de um benefício enquanto esse projeto não acontece e acredito que nos próximos dois, três meses no máximo a gente tenha de novo a assinatura.

Luciano: Quando eu comprar de você, eu compro um kit semanal ou mensal, como é que é isso aí?

Pedro: Você tem várias opções.

Luciano: Eu imagino que esse teu problema da entrega é uma encrenca. Vai bater um motoqueiro na minha casa todo dia, como é que é isso?

Pedro: Não. A nossa entrega é assim, você fez um pedido, a gente entrega de uma única vez. Quando é um programa, então eu vou te dar um exemplo de um programa de 26 dias que a gente tem, ou até de 21 dias, por exemplo. A gente tem trabalhado muito o dos 21 dias, até pela neurociência de você fazendo 21 dias determinada coisa, você faz a mudança de chave.

E você fala, 21 dias, não tenho onde armazenar comida para 21 dias. Então a gente, quando existe esse pedido, a gente oferece a possibilidade de parcelar isso em três entregas, por exemplo, entendeu? Para que seja semanal, porque depende muito de cada um, se tem espaço para armazenar, se não tem. E tem outros kits que são menores, de cinco dias, de sete dias, que cabe, porque como os produtos são embalados a vácuo e até os produtos duram seis dias em geladeira, seis meses em congelador, se você tiver pouquíssimo espaço no congelador, o que você já vai consumir, você já pode deixar em geladeira.

Luciano: Quer dizer, eu tenho que ter em casa um freezer e um micro-ondas?

Pedro: Ou um fogão para fazer em banho-maria, que também é espetacular. Na verdade, falando em termos de modo de preparo, muita gente até acaba, muitas vezes precisa tomar cuidado com micro-ondas, você aquece demais, pode estragar o produto e o banho-maria, a chance disso acontecer é muito menor. Tem uma galera que hoje, realmente, não usa micro-ondas, em banho-maria você consegue deixar uma água que durante uma semana você usa a mesma água na panelinha, não suja. Quer dizer, você precisa exatamente um freezer, um micro-ondas ou um fogão.

Luciano: Isso é muito prático, cara, você vai ganhar um cliente aí.

Pedro: Eu tenho certeza. É muito legal.

Luciano: Então vamos voltar lá. Então eu vou procurar Pronto Light.com. Você está nas mídias sociais também? Está no Facebook, está lá em todo lugar?

Pedro: Facebook, Instagram fortíssimo o nosso Insta, é o @.light mesmo. E fora o Pronto Light.com, que até ali você pode acessar e tem o chat, tem ali também o link do WhatsApp, porque a gente hoje percebe que muita gente só acessando o site às vezes tem dúvida, pela questão do negócio, o que será para mim? Então a gente tem uma equipe lá superbacana para te dar uma direção, uma sugestão, uma assistência se tiver qualquer dúvida em relação aos programas.

Luciano: Você tem gente para atender o teu WhatsApp?

Pedro: Tenho.

Luciano: E respondendo às pessoas?

Pedro: Tenho. E tenho uma galera que já é assim, como é um produto recorrente, comida, comprou, acabou, o cara que é cliente e que ama o negócio, muitos deles hoje nem querem ir no site. O WhatsApp é animal, o WhatsApp é sensacional, você manda a mensagem a hora que quiser, responde a hora que quiser, se quiser mandar escrito, manda, se quiser mandar falado, porque não quer escrever, você também fala.

Então, vira muito aquele negócio, uma das meninas, a gente tem a Jéssica, tem a Vanessa, tem Fabi, tem uma equipe lá. Então eu conheço amigos que falam assim “Pedrão, a Jessiquinha lá é espetacular, cara. Eu já mando o zap-zap para ela: repete lá, tira o frango, coloca moída e tem alguma novidade?”

Luciano: Cara, tecnologia quando funciona é a coisa melhor do mundo, bicho. Duro é quando entra um cara no meio aqui…

Pedro: A tecnologia é sensacional, os caras de TI é que não são.

Luciano: Grande Pedrão. Até uma injustiça com os caras aí, tem gente que é boa, você acabou de dar um nome de uma empresa aí que está te atendendo e tomara que dê tudo certo. O meu também já já vai sair e a gente vai colocar para funcionar.

Cara, grande história, bicho. Obrigado pela visita aí, viu. Eu adorei, eu vi, adorei o papo aqui, achei que podia até continuar, porque essa coisa do empreendedorismo, e eu nem falei de liderança com você, cara, a gente ficou focado aqui, mas essa liderança do empreendedorismo é uma coisa riquíssima.

E ouvir as histórias das pessoas, a gente se identifica com tanta coisa e sabe que tem caminhos, tem jeito para dar certo e acho que é uma questão de você insistir, fazer como você fez. Eu não sei se isso é sorte, o que é, mas encontrar os parceiros certos. Encontrou o parceiro certo não tem quem segure.

Pedro: Bom, foi um baita prazer estar aqui. Como você disse, uma troca, porque aqui eu também acabei tendo alguma troca sua, enquanto empreendedor solitário. E um baita prazer, é sempre muito bom oxigenar tudo isso.

E o resumo da história é, para quem quer empreender, eu sempre falo, faça alguma coisa que você ame, porque você vai trabalhar muito mais do que você trabalhava, durante um certo período não vai ganhar, durante um outro período, provavelmente vai ganhar menos. E vai trabalhar muito mais, mas o tesão, o negócio, quando você está envolvido, você pode falar por mim e eu vejo isso no teu olho aqui, quando a gente fala, isso, no final das contas…

Luciano: Não tem dinheiro que pague. Não tem nada a ver com dinheiro. Nunca foi pelo dinheiro, é uma outra conversa que tem aí.

Pedro: É a consequência quando acontece.

Luciano: Valeu, Pedrão, obrigado, cara. Um grande abraço.

Pedro: Obrigado, você, cara. Obrigadão.

Luciano: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa você encontra no LíderCast.com.br. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos, além de ter acesso ao Grupo Café Brasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LíderCast, que discutem em alto nível temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se, Café Brasil Premium.com.br.

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