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Luciano Pires -
Download do Programa

Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo e bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer.

Hoje trago Nivio Delgado, que começou na Fundacred há 21 anos, como o carinha do xerox e hoje é diretor superintendente da maior fundação sem fins lucrativos de crédito educacional para diferentes níveis e modalidades de ensino no Brasil.

Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal, com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também, você está entendendo aí? Não é uma entrevista, é um bate-papo.

O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar, acesse Café Brasil Premium.com.br.

Esta décima temporada do LíderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Muito bem, mais um LíderCast. Como já é de praxe, como é que essa figura veio parar aqui. Desta vez foi o trabalho competente de uma assessoria de comunicação, a Martha Becker, que mandou para mim um release, fez um comunicado, olha aqui, conheço um sujeito interessante que pode dar um samba aí.

É o seguinte, isso aconteceu porque ouvem o LíderCast, tem muita gente ouvindo e falando, cara, escutei tanta história legal, eu conheço gente legal, que pode dar um bom papo no LíderCast. E as pessoas pegam e me indicam. Essas indicações, quando chegam, a gente faz uma pré-avaliação, dependendo de como vem e quem vem, a gente vai buscar e muitos dos convidados que têm vindo aqui é por indicação dos próprios ouvintes.

Então, se você está ouvindo a gente, você já conhece o LíderCast, conhece gente que tem café no bule, vai indicando que é assim que a coisa funciona. Mas me poupe trabalho, por favor, não adianta indicar e falar vai buscar o fulano de tal, me dá a dica de como chegar no cara, especialmente o e-mail. O que eu peço é o seguinte, me dê o e-mail da pessoa que, se houver uma análise e o negócio for legal, eu já disparo na hora o convite e assim a coisa vai andando.

Vamos às três perguntas fundamentais, as únicas que você não pode errar. Dali para a frente você pode chutar à vontade, mas eu quero saber o seu nome, sua idade e o que você faz.

Nivio: Meu nome é Nivio Delgado, eu tenho 37 anos e faço muitas coisas, mas a que eu mais me dedico é dirigir uma fundação que promove acesso à educação no Brasil inteiro, a partir de Porto Alegre.

Luciano: Ôpa, mais um gaúcho, cara. Minha vida está em volta dos gaúchos, impressionante, viu. Trabalhei 26 anos numa empresa gaúcha, Albarus, depois Dana Albarus, ali fiquei 26 anos, então se há uma cultura com a qual eu tive mais contato do que a minha própria aqui é a cultura gaúcha. Eu sei todas as piadas de gaúcho, mas não vou fazer nenhuma aqui, não.

Nivio: Ah, que bom!

Luciano: Você nasceu onde?

Nivio: Nasci em Caxias do Sul, foi de passagem, depois fui para Porto Alegre.

Luciano: E seu pai e sua mãe fazem ou faziam o quê?

Nivio: Meu pai saiu da agronomia para vendas, depois para o direito e voltou para a área de vendas de laboratório, muitas carreiras. Eu sou um pouco parecido com ele também, sempre tive vontade de fazer muitas coisas. E a minha mãe é professora de ensino fundamental e de classe especial.

Luciano: Seu pai foi empreendedor ou ele trabalhou sempre em empresas?

Nivio: Ele foi empreendedor, foi empregado e mais para o finalzinho era autônomo.

Luciano: Tem irmãos?

Nivio: Tenho duas irmãs, uma fonoaudióloga e outra analista de sistemas.

Luciano: Como é que era o teu apelido quando você era criança?

Nivio: Júnior. Eu sou Nivio Júnior, meu pai era Nivio Delgado.

Luciano: O que o Juninho queria ser quando crescesse?

Luciano: Poxa, o meu pai passou por essa carreira, a parte mais voltada ao direito e tinha muitos livros em casa, eu sempre fiquei encantado com aquilo, acabei desde piá, como a gente fala lá, com vontade de fazer direito e ser advogado e tal, acabei indo para essa área jurídica.

Nivio: Você seguiu então aquilo que você queria fazer desde criança, não aconteceu nenhum acidente no meio do caminho que tirou da?…

Luciano: Não, eu fiz muitas coisas antes de chegar a realizar esse sonho da universidade. Fui desde pequeno, meu avô fazia quindim, depois meu tio fazia quindim, aos seis anos eu pegava no domingo, na praia, saía a vender quindim. Depois fui chaveiro, fui pedreiro, fui tanta coisa, cara. Fui animador de festa infantil, eu era o Tio Batatinha. Lá em Porto Alegre tinha uma animação de festa com Batatinha e Moranguinho, eu era o Tio Batatinha. Eu fiz site, fui fotógrafo, tanta coisa eu fiz nessa vida. Eu fiz a trajetória, eu estou na fundação há 21 anos, nessa fundação.

Luciano: Então você entrou o quê?

Nivio: Entrei com 16 anos, eu era o homem que copiava. Eu digitalizava e tirava xerox.

Luciano: E hoje você é o que lá?

Nivio: Diretor superintendente.

Luciano: Vocês estão vendo, moçada? Eu canso de falar no programa aqui. Sem investigar você ainda, só olhando de fora, eu tenho certeza que uma porrada de insight que você tem hoje como superintendente tem a ver com você tirando cópia lá atrás, com as lições que você teve como o moleque do xerox, o moleque que tirava cópia.

E eu até brinco aqui falando, tem muito cara que começa lá embaixo e fica puto até, pô, esse trabalho não tem nada a ver comigo, fico tirando xerox aqui. Cara, esse é o momento em que você começa a construir um tijolinho em cima do outro. Lá na frente, esse tijolinho é base.

Nivio: E o método que pode ir aplicando o intraempreendedorismo dentro da tua atividade, não precisa fazer sempre como foi feito toda a vida, que é a síndrome de Gabriela. Pode intraempreender na tua atividade, no teu setor mesmo, que seja uma atividade simples no início, mas ela pode se tornar mais complexa, ela pode ser diferente. Foi isso que eu fiz durante esses 21 anos lá, foi o que eu sempre procurei fazer.

Luciano: Mas é interessante, então você entra lá antes de se formar?

Nivio: Sim. No ensino médio, eu tinha acabado de sair de um estágio, era como se fosse menor aprendiz, na época, foi em 96, 95, que eu era soldador. Lembra daqueles celulares da Motorola que tinham uma base enorme, que eles eram enormes? Eu fazia aquelas bases de carregar o celular. E aí surgiu a oportunidade de ir trabalhar na fundação. Eu trabalhava até às 9 da noite, porque eu estudava na parte da manhã e digitalizava. E ali na digitalização eu já achei uma forma de fazer diferente, porque com o mouse era muito lento e fui estudar o filemade, que era uma aplicação lá para isso, eu fiz pelo teclado, já começou a se tornar mais rápido e tal, mais eficiente. Com 16 anos já dá para fazer alguma coisa diferente.

Luciano: Muito legal, história interessante. Mas aí você em paralelo então, você está trabalhando como soldador. Deixe eu entender essa transição, como é que você vai parar na fundação? É importante saber a tua chegada lá. Como é que você vai parar lá?

Nivio: Bom, fui entregar currículo e quando eu entrego currículo me disseram que não tinha condição de eu trabalhar lá porque só podia trabalhar de manhã e de tarde. Aí eu não me satisfiz e fui falar com o diretor da fundação, Dr. Daniel Juckowsky. Eu disse que eu queria muito trabalhar.

Luciano: Quer dizer, um piá de 17 anos, imberbe, foi falar com o diretor?

Nivio: Que eu queria muito trabalhar. Enfim e como tinha muita gente que fazia hora extra justamente nesse setor de digitalização, aí abriu a possibilidade de eu trabalhar até às 9 da noite, porque as pessoas já ficavam lá mesmo.

Luciano: Mas você estava de olho nesse setor de digitalização? Como é que você chegou lá?

Nivio: Não, eu estava de olho numa carteira assinada.

Luciano: Ah, entendi, quer dizer, você não foi lá especificamente porque era lá, alguém te indicou? Você chegou, deixe eu bater na porta. Você já conhecia a fundação ou não?

Nivio: Não, não conhecia o trabalho dela, nada.

Luciano: Quer dizer, você bateu na porta mesmo. Que coisa, e 21 anos depois você está lá, você continua lá. Essas coisas são inexplicáveis, cara. Inexplicáveis.

Nivio: Hoje eu tenho um filho de 16 anos. Eu tenho um de 21, um de 16, uma de 9 e uma de 10 meses.

Luciano: Pois é, uma coisa é você dizer para mim eu tinha um tio que trabalhava lá, ele me indicou, eu tinha um amigo que trabalhava lá, ele me contou como é que era, sabe? Não. Você bateu numa porta e definiu 21 anos da tua vida, pelo menos até agora, a partir daquele momento em que você chegou lá, com 17 anos. Que legal.

E aí, eu estou vendo que você vem de uma história cheia de bico, faço coisa aqui, faço coisa ali, de repente você entra num ambiente, uma fundação é um ambiente corporativo, com uma hierarquia clara, com tudo certinho ali, horário para cumprir e tudo o mais.

Nivio: Bater ponto.

Luciano: O que talvez fosse diferente da tua história até então. E com 17 anos de idade, o que eu quero é zonear, eu quero é bagunça. E você, de repente, entra num lugar que você tem que cair em cima do trilho. Como é que foi esse choque?

Nivio: É porque eu já tinha trabalhado com o meu pai, antes de trabalhar lá, eu já vendia produtos naturais, óleo de copaíba, essas coisas todas aí, então eu já tinha uma rotina, uma disciplina. E antes de ser vendedor, essa disciplina, meu pai já tinha colocado para passar o aspirador no escritório de manhã e fazer o cafezinho. Então eu já tinha um certo nível de disciplina. Eu era um menino de 16 anos, porra louca, que também gostava de zoar e tudo.

Luciano: Seu pai era um explorador de menores que hoje iria para a cadeia, certo? Hoje seria preso [risos].

Nivio: É por aí [risos]. Então eu já tinha uma certa disciplina, eu já cheguei de casa, digamos assim, mais doutrinadinho, mas foi diferente porque, claro a questão de bater o ponto, de receber o ticket refeição, tudo aquilo era uma coisa mágica para mim. Eu fazia o meu lanche no mercado público ali, eu saía às cinco e meia, aí voltava às cinco e quarenta e cinco, que eu tinha quinze minutos para comer, eu ia ali e comia uma esfiha e tal. Aquilo para mim era maravilhoso, era tudo o que eu queria. E ainda saía dali, ia para a academia e depois para casa.

Luciano: Como é boa a energia dos 17 anos, Nossa Senhora.

Nivio: É, hoje se eu não faço alguma coisa de manhã, nunca mais.

Luciano: Mas escuta, o que eu acho que é legal nessa história toda aí, eu tive uma experiência, os primeiros trabalhos que eu fiz na minha vida, eu era revisor do Diário de Bauru, lá em Bauru, num tempo em que o jornal era feito com linotipo. Atenção você, que está me ouvindo aí e não tem a menor ideia do que é linotipo, vá até o YouTube ou até o Google, ponha linotipo e assista aquele treco funcionando.

E eu era revisor de jornal, era moleque também, 15 anos de idade, uma coisa assim. Eu fazia revisão ali e eu tinha um contrato de trabalho com o jornal, só que era o seguinte, eles pagavam a gente por X páginas e ninguém sabia quantas páginas ia ter no jornal, então semanalmente o jornal dava mais páginas do que era o combinado e na sexta-feira eu chegava lá, ia no departamento pessoal e os caras me davam um envelopinho com dinheiro, que era o que foi a mais, páginas a mais. Então, toda sexta-feira eu chegava lá e o cara punha na minha mão um envelope de dinheiro.

E o impacto para um garoto de 16 anos de idade, que eu tinha na época, não, era 15 anos, receber um envelope de dinheiro que diz o seguinte, você merece isso pelo trabalho que você fez. Aquilo é de uma… eu não consigo nem explicar o que era a sensação de pegar na mão assim, de falar, eu mereci isso aqui, tem gente reconhecendo o meu trabalho.

E eu dei uma tremenda sorte, porque toda sexta-feira acontecia. Então, além do salário mensal, toda sexta-feira tinha aquilo. Então, eu não tenho dúvida nenhuma que aquilo me botou num trilho, de uma certa forma, que eu não sei se eu conseguiria de outro jeito, que era saber quanto mais eu me esforçar, quanto mais eu fizer, tem gente me vendo…

Nivio: Uma força motriz.

Luciano: Ôpa, com 15 anos de idade, isso é uma pancada, muda tudo. Mas você entra na empresa e passou pela tua cabeça que você 21 anos depois continuaria ali? Ou você estava naquela de seja o que Deus quiser, vamos ver o que vai acontecer aqui?

Nivio: Não passou pela minha cabeça. Quando eu entrei e descobri que a fundação tinha essa proposta de dar acesso à universidade, que é o negócio dela, digo, bom é aqui que eu quero ficar porque eu vou conseguir fazer a faculdade de direito.

Nessa época em que eu entrei lá os negócios do meu pai estavam péssimos, estavam muito ruins mesmo, a minha mãe professora, então a situação em casa não estava legal. Então eu já sabia que de alguma forma eu ia ter que me virar para fazer a faculdade, porque não ia sair do bolso dos meus pais. E aí eu entrei lá já com essa ideia fixa de que eu ia acabar o ensino médio e já ia entrar para a universidade com o crédito educacional que eles lá operam.

Luciano: E quando pegasse o diploma aí você ia ver o que ia fazer da vida.

Nivio: Isso é que é legal, cara, porque durante o curso eu recebi várias propostas para sair dali, mas eles têm uma forma de te auxiliar com esse crédito que é bacana, que é o seguinte, o funcionário recebe a oportunidade de estudar com o crédito, se ele quiser ir embora, legal, mas daí ele vai depois de formado restituir aquilo que ele utilizou de crédito. Se ele ficar, mês a mês ele vai sendo abonado de restituir.

Então a conta que eu fazia era a seguinte, bom, eu tenho esse meu salário aqui, já trabalhava desde os 16 anos, então tinha todos os dissídios, os reajustes e aquilo eu fazia a conta, eu tenho esse salário aqui, eu tenho o crédito que se eu sair vou ter que depois restituir e se eu ficar não vou ter que restituir. Então eu fazia sempre essa soma e ficava. Ficava porque eu gostava de trabalhar ali e também porque na matemática aquilo me fazia querer ficar ali.

Ao mesmo tempo eu também pensava, bom, se é interessante eu ficar aqui e não sair por essa proposta, eu vou ter que me tornar útil aqui também, eu vou ter que me tornar relevante aqui.

Luciano: Eles precisam te querer lá.

Nivio: Eles precisam me querer, não basta só eu querer, então eu sempre procurei me tornar relevante dentro da fundação, seja nessa área da digitalização, depois fui para cobrança telefônica. Gostava de cobrar, eu criava os personagens, porque a gente tem esse sotaque muito forte assim, o R, enfim, essa coisa meio cantada.

Luciano: O trrieis…

Nivio: Não é, guri [risos]. Então, o que acontecia na cobrança telefônica, era muito engraçado, porque tu ligavas, por exemplo, a gente cobrava muito Recife ali, a grande Recife, ou Belo Horizonte, Contagem, todas aquelas cidades ali, as pessoas te atendiam do outro lado do telefone e ficavam prestando atenção no teu sotaque e não escutavam o que tu estavas dizendo.

E eu comecei a me dar conta disso [risos]. Eu comecei a criar quase que personagens para poder cobrar. Então eu fazia a pessoa com sotaque mais do Nordeste, pessoa mais ali de Minas, o paulista, porque a gente cobrava muito aqui da região de São Paulo e Campinas, para as pessoas poderem entender o que eu estava falando. Não porque eu falasse de uma forma diferente, mas porque as pessoas prestavam atenção no sotaque e daqui a pouco estavam em silêncio assim “Oi, desculpe, o que você falou mesmo?”

Então, foi bem bacana lá na cobrança telefônica, depois eu fui fazer atendimento e sempre tendo uma visão de que a fundação precisava me querer também e por conta disso eu tinha que fazer alguma coisa diferente, enfim, sempre que surgia a oportunidade. Aí fui para o jurídico, depois que eu comecei a faculdade e aí me tornei o coordenador do jurídico, procurador.

Mais recentemente, agora em 2014 tive oportunidade de conversar mais com o conselho e ter uma aproximação com o presidente, uma possiblidade de ser um advogado mais viabilizador do negócio da fundação, consegui também me destacar e aí fui eleito pelo conselho como diretor adjunto e depois como diretor superintendente, que é como eu estou até agora.

Luciano: 21 anos depois.

Nivio: 21 anos depois, mas muita coisa aconteceu nesse meio-tempo, eu não trabalhei só na fundação. Eu fui redator de uma empresa de eventos lá no Sul.

Luciano: Que empresa?

Nivio: A Fênix Eventos. Eu fazia os eventos de vinho das redes de supermercado.

Luciano: Isso em paralelo? Quer dizer, você ainda tinha gás para uma segunda atividade.

Nivio: Em paralelo. Cara, teve uma época em que eu fiz, agora dá para falar, porque em tese já prescreveu, mas em 2002 eu vendia CD de concurso público. Porque eu fui fazer um preparatório para concurso público e eu olhei o material do curso, achei interessante, mas aquilo poderia estar, podia botar num CD, enfim, baixar a legislação e tal e fazer um… Cara, eu não sei se eu vou contar essa história, porque eu acho essa história legal mas acho que não é uma história legal de contar [risos].

Luciano: Cara, não te preocupe, meu, o que tem de história aqui. Eu já tive cara aqui que começou a vida contrabandeando cavalo. O outro roubava até… teve um que veio aqui que começou a vida vendendo bosta de cavalo. Ele pegava, recolhia bosta de cavalo, punha numa lata, ia vender aquilo, entendeu? É aquilo que eu falo, não dá para você julgar ninguém se você não estiver no sapato da pessoa, entendeu?

Nivio: Exato. Exatamente.

Luciano: Então que idade você tinha em 2002?

Nivio: Em 2002 eu tinha 21. O meu primeiro filho tinha acabado de nascer. Eu me casei e a minha ex-esposa já tinha um filho, o Victor, foi o meu primeiro filho, na verdade, tem 21 anos hoje e aí ela já tinha ganho o Pietro. E a gente naquela situação, o meu salário baixo.

Luciano: Que idade ela tinha?

Nivio: Ela tinha 24.

Luciano: E você com 21 anos?

Nivio: Isso.

Luciano: Resolveu casar com 21 anos? Precoce, não é?

Nivio: É. Bom, aí eu fui fazer um preparatório, fiz uma inscrição em preparatório para oficial de justiça. Aquele material todo, eles mandavam algumas coisas por e-mail, nos estimulavam a pesquisar algumas coisas. Eu disse, eu vou botar tudo isso aqui num CD.

Ficou bom o CD e aí eu disse vou botar isso aqui numa capinha, vou fazer uma capinha. No horário do almoço eu ia numa galeria que tinha uma lan-house grande com impressoras, gravava uns CDs e ia na frente do lugar onde as pessoas iam fazer a inscrição para o concurso. Dizia, ficar andando com essas apostilas pesadas aí, por que não anda com esse CD aqui? Tem tudo aqui dentro. Pode pesquisar em qualquer lugar, vai em casa, no teu trabalho.

E aí dali a minha esposa, na época, me deu o maior apoio “Não, pode gravar quantos quiser aí que eu vou lá na frente das inscrições para oficial de justiça, ajudante, Banco do Brasil, Caixa.” A gente comprou nosso primeiro carro assim.

Luciano: Olha aí, cara, quase que nasce um negócio lá, bicho.

Nivio: Bom, depois, nessa época, as empresas que vendiam apostilas não tinham CDs nas apostilas, hoje nem mais tem, porque agora é tudo download. Imediatamente, acho que não deu seis meses, que a gente ficou seis meses fazendo isso, em paralelo com a fundação, a gente comprou nosso carro e as editoras que vendiam apostila começaram a botar o CD junto com os volumes.

Luciano: E aí você acabou.

Nivio: É, aí o negócio acabou.

Luciano: Não, mas o insight interessante é esse, que é aquele grande lance que o pessoal fala do empreendedorismo e que está na base da meritocracia, você encontra uma carência e acha um jeito de suprir essa carência.

Nivio: Fazendo uma pergunta certa. Mas, Luciano, tu sabes que acabou o negócio por conta de uma outra necessidade nossa lá. O Pietro era pequeno, o Victor também e na época a minha ex-esposa trabalhava numa loja no comércio lá na cidade. A gente morava numa cidade como se fosse interior lá de Porto Alegre, Guaíba que chama. E ela trabalhava nesse comércio, e a gente pagava uma creche para o Pietro e para o Victor. E aquilo quase que empatava e muitas vezes era maior a despesa do que a receita. E ela fazia pedagogia, na época.

Aí o que a gente resolveu fazer, vamos montar nossa escolinha aqui, vamos pegar mais o filho da vizinha. A gente morava nos fundos da casa da minha sogra, a gente já ocupava um espaço lá e aí liberamos a nossa sala para essa recreação, dali mais duas ou três crianças chegaram. A gente conseguiu, graças a Deus, eu gosto muito da minha ex-sogra, ela é maravilhosa, mas graças a Deus, a gente sair da casa da sogra é sempre bom, conseguimos alugar a nossa casa lá, com espaço para a creche.

E mais um ano a gente já tinha a creche lá numa casa específica e a gente já estava com a nossa casa. Então, da necessidade ou da oportunidade tem que estar sempre atento para um negócio.

Luciano: Montaram um creche, então?

Nivio: Montamos uma creche.

Luciano: Era uma creche informal?

Nivio: Formal.

Luciano: CNPJ, tudo certinho, tudo bonitinho?

Nivio: Isso. É, hoje já é de outra pessoa, já vendemos o negócio.

Luciano: Mas legal esse espírito empreendedor que está funcionando. Muito bem, estamos aí com 21 anos de idade tocando a vida e você com o diploma na mão já? Tinha se formado já ou estava se formando?

Nivio: Não, eu demorei para me formar, porque eu acabei trancando um período. Foi justamente nesse período em que eu casei e eu acabei me formando em 2008.

Luciano: E você, em 2008, você já estava há quanto tempo na empresa?

Nivio: Eu já estava há 11 anos. Levei 8 anos para me formar.

Luciano: 11 anos, já é um caso sério.

Nivio: Foi bacana. Essa época é bacana, Luciano pelo seguinte, 2008 foi um dos anos mais críticos da minha vida, que foi a prova que a resiliência é possível. Aconteceu o seguinte, em setembro de 2008, exatamente, eu estou prestes a me formar, já tinha o esqueleto do meu trabalho de conclusão pronto, tinha um bom orientador. Ele me deu as bases, eu me lembro até A Revogabilidade das Tutelas do Juízo. Eu, bom, agora vou parar, já tinha os materiais da pesquisa, da monografia separados, agora vou começar a escrever.

O procurador na época lá sai, o coordenador do jurídico da fundação sai da entidade. E o gerente, na época, me chama. Hoje ele é nosso vice-presidente. Esses dias ainda eu lembrei essa história a ele. Ele diz assim “Nivio, o negócio é o seguinte, a gente vai te dar uma oportunidade, você estruturou aqui a área de negociação, atendimento do jurídico, tu és um guri bom, a gente vai te colocar de coordenador do jurídico, sem tu estares formado ainda, mas o seguinte, tu tens que concluir o teu curso agora em dezembro e passar na prova da OAB, na primeira prova da OAB que tiver, porque eu não vou ter condição de voltar o teu cargo anterior. Se tu não conseguires terminar o teu curso e passar na primeira prova da OAB, vou ter que te demitir.” Ok, ótimo, desafio, vamos lá, eu tenho certeza que vai dar tudo certo.

Luciano: E você ia coordenar caras formados?

Nivio: Sim.

Luciano: Ia ter advogados lá sendo coordenados por um cara que estava estudando ainda.

Nivio: Isso. Aí dia primeiro de outubro meu pai tem um AVC e cirurgia deu tudo errado… tudo errado e ele ficou no hospital até dezembro e depois saiu e a gente cuidou dele durante cinco anos. Meu pai sempre foi e sempre será meu melhor amigo. Ou seja, o meu trabalho de conclusão, eu fiz dentro do hospital Mãe de Deus, com ele lá, sempre acompanhando, sempre estive por perto. E em dezembro a minha anterior esposa ficou grávida de novo, da Ana Clara, que hoje tem nove anos e a minha pressão aumentou quinze vezes, eram, sei lá, quinze atmosferas em cima de mim.

Mas deu tudo certo, terminei o trabalho de conclusão, dez. Passei na prova da OAB super bem classificado, porque a dor ensina a gemer, tu vais até o teu limite. E fiquei na minha posição de coordenador jurídico até 2014. Deu tudo certo, mas, cara, estes meus cabelos brancos aqui, todos eles foram de setembro de 2008 até abril de 2009, surgiram do nada, simplesmente apareceram na minha cabeça, num espaço de tempo muito curto.

Luciano: Talvez você não tivesse prestado atenção nisso, mas eu vou te dar um dado interessante, setembro de 2008 foi quando estourou a bolha dos subprime nos Estados Unidos e foi aquela crise brutal, que começou em setembro de 2008. Eu sei porque ela me pegou, então junto com você mais um monte de gente entrou no rolo. Mas legal saber dessa história, você teve que se desdobrar ali para fazer acontecer.

Nivio: E aí eu ficava no hospital com o pai, escrevia, ia para casa e a mulher na época grávida e depois eu ficava lá na minha mãe. Lá aprendi a ser enfermeiro, uma outra atividade informal, obviamente.

Luciano: Mas você me quebrou as pernas, porque tinha outra pergunta engatilhada aqui agora, que você acabou de me detonar a pergunta. Eu ia perguntar para você o seguinte, muito bem, pegou o certificado na mão, você está formado, você agora é um advogado, passou na OAB, tem a sua carteirinha da OAB, está tudo pronto. Eu ia te perguntar, muito bem, o que passou pela tua cabeça? Acho que não deu tempo, não é?

Nivio: Não deu muito tempo.

Luciano: Porque você já estava com tudo engatilhado, você já estava num cargo novo.

Nivio: E foi um período complicado, esses primeiros anos 2009 e 2010. Em 2009 nasceu a Ana Clara, então todo aquele preparativo e tal. 2010 foi um ano em que o meu pai piorou bastante ainda de saúde. Em 2011 eu resolvi montar um escritório em paralelo com a fundação e com um colega que já tinha trabalhado na fundação comigo. Então eu mantive um escritório até há pouco tempo.

Luciano: Então, a pergunta que não quer calar, pode fazer isso? Você pode fazer isso? Você pode montar um escritório em paralelo à fundação? Não tem nenhum impeditivo, a fundação não tem impede de fazer isso, de ter uma outra atividade? Não tem algum conflito que se não for escrito, é moral? Como é que é isso?

Nivio: Não, conflito moral, não, mas assim como dentro do escritório eu não conseguia fazer muita coisa, isso não durou muito tempo, recentemente, inclusive, eu até já me desliguei do escritório. Porque eu era um bom, digamos assim, um bom redator, quando eu tinha que fazer uma sustentação oral inclusive na fundação eu sempre fiz, um bom revisor, um bom parecerista, porque gosto de escrever, mas atuar propriamente dito, que é pegar no pesado, eu não conseguia fazer, então acabava sobrecarregando os outros sócios.

Luciano: Eu te perguntei isso porque é o seguinte, digamos que, entre aspas, eu sou o dono da fundação. Eu não quero um funcionário trabalhando aqui com uma parte da cabeça dele do lado de fora, tocando o seu próprio negócio. Eu quero você me dando 152% do que você pode fazer aqui dentro, então eu não vou olhar com bons olhos alguém que vai falar eu tenho minha atividade aqui e também tenho a minha atividade lá fora. Sabe, será que esse cara vai, onde é que está a cabeça dele, a hora que ele estiver aqui, ele está trabalhando aqui ou está com a cabeça lá?

Nivio: O que eu tenho para te dizer, experiência própria, até porque eu nunca só trabalhei para a fundação, digamos, eu sempre tive alguma outra atividade, fazia site de loja de carros, sala de carros, como a gente chama lá em Porto Alegre, fazia lanche para trazer para vender na fundação, porque pai jovem, salário baixo, tu tens que ter outra atividade.

Então isso me tornou quem eu sou hoje. Então abriu teu horizonte para outros negócios, para outros interlocutores, para outras perguntas, porque no momento em que tu só estás ali adstrito à tua atividade, as perguntas que tu vais fazer são as mesmas perguntas que tu fazes todos os dias, então eu estimulo.

Na fundação, por exemplo, o pessoal da área de TI, que é contratado, eu sei que eles estão montando lá uma startup deles, eu acho isso maravilhoso. Por quê? Porque eles estão expandindo o horizonte deles, eles estão olhando para outras oportunidades e aquilo vai acabar respingando para dentro da fundação. Se a fundação se propõe a ser beta e sempre foi beta, desde que surgiu, na década de 70, uma inovadora no Brasil, nunca havia se falado em crédito educacional em 74, que foi quando surgiu isso no Brasil, pela fundação. Foi porque era um médico que resolveu tornar aquilo possível e um dentista, que era professor da PUC do Rio Grande do Sul. Ou seja, eles tinham as suas atividades também em paralelo.

Luciano: Isso está no DNA, ela já nasce assim.

Nivio: Está no DNA dela, entende? Está no DNA dela ser assim expansiva, não só dentro da sua atividade. Até porque trabalhar com educação, estar dentro de universidade, enfim.

Luciano: Isso é um insight bem interessante, tem tudo a ver com a liderança da entidade, da organização. Você tem uma liderança podadora, ela vai ficar que nem polícia em cima de você, policiando o que você faz, não quer que você voe. Por outro lado, você tem uma liderança aberta, ela está olhando para outro lado, fala quanto mais esse cara se expõe, quanto mais porrada ele tomar lá fora, melhor vai ser a capacidade dele de tomada de decisão aqui dentro.

Isso é interessante, isso impactou… a minha carreira, eu tive muito disso. Eu nunca trabalhei em paralelo. Quando eu estava na Dana, eu fiquei 26 anos lá, eu não tinha nenhum trabalho paralelo, não fazia nada fora, que não fosse ali dentro. Mas eu tinha uma atividade insana do lado de fora, não era uma atividade para ganhar dinheiro, mas eu estava escrevendo, estava montando meu site, estava fazendo palestra, estava em contato com outras áreas, eu estava acompanhando acontecimentos que não tinham nada a ver com aquele segmento e trazendo esses insights para dentro.

Então, muita coisa que eu implementei lá dentro, enquanto eu estava lá, veio das coisas que eu vi do lado de fora. Eu via lá, funcionava um negócio, eu vou trazer para cá e eu implantava lá dentro coisas que nunca tinham acontecido naquele segmento, por ver a coisa dar certo lá fora. Se eu estivesse trancado dentro de casa, fechado no meu ambiente lá, eu estava repetindo mais do mesmo.

Nivio: Fazendo a mesma coisa, tendo o mesmo resultado, porque estava fazendo as mesmas coisas.

Luciano: E não ia conseguir quebrar alguns paradigmas ali. Fala uma coisa, você está falando da fundação, a gente está meio aqui… eu não falei ainda um pouco dela ainda. O que é, como é que funciona essa fundação? Ela nasce a partir de um modelo que alguém viu lá fora?

Nivio: Sim. Ela nasce a partir… um senhor que faria 100 anos este ano inclusive, Gabriel Betancourt Mejia, um colombiano, lá no finalzinho da década de 50 ele tem desejo de fazer um doutorado nos Estados Unidos e não tem grana. E ele vai nos cafeicultores, na Colômbia, pede dinheiro e diz que vai devolver, que ele tem um desejo de estudar e trazer alguma coisa diferente para o país dele.

Ele vai e de fato devolve, ou seja, recebeu um crédito educacional informal e monta o primeiro modelo de crédito educacional no mundo a partir da Colômbia.

Luciano: No mundo?

Nivio: É.

Luciano: Eu tinha certeza que esse negócio era norte-americano, cara.

Nivio: Não, a partir da Colômbia. E na Colômbia ele acaba se tornando depois Ministro da Educação. E não sei se você se lembra daquela senadora Betancourt, que foi sequestrada.

Luciano: Sim, Ingrid, não é?

Nivio: Ingrid Betancourt, era filha dele. E ele funda lá a ÁPICE, que a fundação inclusive é associada e num evento da ÁPICE, o Dr. Daniel Juckowsky, que inclusive é esse diretor com quem eu fui conversar em 97 para trabalhar e mais o Dr. Rolf Udo Zelmanowicz foram nesse evento e trouxeram para implementar dentro da PUC, a partir da PUC e aí depois se tornou uma fundação proveniente dessa experiência. Um modelo de crédito educacional que nasce lá, depois se espalha para outras confessionais e comunitárias e que é um modelo que a Fundacred Fundação de Crédito Educacional opera até hoje nas PUCS, desde essa época nas comunitárias do Rio Grande do Sul e mais recentemente em todo o Brasil. A gente está em 150 universidades hoje, no Brasil, não só nas confessionais comunitárias, nas privadas, nas consolidadoras de capital aberto também, no Nordeste, enfim.

Luciano: E basicamente para quem está ouvindo a gente aqui e não entendeu o que se passa, a história é a seguinte aqui, estudar custa dinheiro. Você quer estudar, você vai ter que pagar, vai pagar a mensalidade escolar etc. e tal e muita gente não tem grana para bancar isso aí. Então você vai lá, pega um crédito, usa esse dinheiro para o teu estudo e quando você se formar você tem obrigação de devolver esse dinheiro, já trabalhando você vai ter como gerar a sua própria renda, aí você vai devolvendo o empréstimo que você fez ali atrás.

Nivio: Na verdade, não é bem um empréstimo porque a instituição deixa de receber. É como se fosse um mútuo, mas é um crédito no tempo, ou seja, tu estudas e paga no dobro do tempo, paga 50% durante o teu curso. Hoje tem alguns modelos de 70%, 75%, ou seja, vai pagar 25% e depois, quando forma vai pagar 50%, mas o de maior volume é o de 50%. Então, tu vais pagar 50% durante o teu curso e depois de formado os outros 50%.

Luciano: Põe isso em perspectiva de tempo e reais. O curso dura quatro anos, me formo e quanto tempo vou passar pagando?

Nivio: Oito anos. Vai pagar 50% durante os primeiros quatro anos e os outros 50% durante os próximos quatro anos. Vamos supor que a mensalidade seja de 500 reais, tu vais pagar 250 reais durante o curso e os 250 reais depois do curso, mês a mês.

É bem interessante, funciona isso há bastante tempo, a nossa taxa de inadimplência é bem diferente da taxa de inadimplência de outros modelos, muito porque a gente trabalha no estudante desde a data da assinatura que aquilo é um movimento que ele vai retroalimentar para outro estudante ter a mesma oportunidade, então nossa taxa de inadimplência bate 7%, se comparar ao que a gente vê nos jornais, é de 50% para cima.

Luciano: A fundação não dá lucro?

Nivio: Ela dá resultado. Ela é superavitária até para poder se manter. Teve, por exemplo, um período em que o FIES foi uma enxurrada de recursos nas universidades, a gente teve um decréscimo muito importante, em termos de concessão, porque para as instituições era mais, digamos assim, vantajoso aquele modelo do FIES. Então, a gente tem a nossa receita financeira também, além da nossa receita operacional, a receita financeira das nossas aplicações, no caso.

Luciano: E vocês atuam no nível Brasil?

Nivio: Nível Brasil. A partir de Porto Alegre, porque é tudo digital, o estudante vai e contrata pelo celular e manda os documentos, as coisas todas, tudo pelo celular, então a gente pode estar no Alasca trabalhando, que…

Luciano: Essa é a grande vantagem, essa tecnologia está nos mudando aqui. Fala uma coisa aqui, deixa eu voltar ali atrás, naquele momento em que você fala que o chefe te chama lá e fala vou te botar como coordenador dos caras aqui. Que idade você tinha?

Nivio: 27.

Luciano: Você tinha 27, estava para se formar, verdade. Você já estava lá há 11 anos. E eu não sei se esse seria o primeiro grande cargo de chefia que você ia assumir.

Nivio: Sim.

Luciano: Já era um cargo de chefia, muito bem. Então você volta para casa sabendo que no dia seguinte, quando você chegar lá, você é outra pessoa, você é outra coisa, você não é mais um mané que ia sair com os manezinhos para comer a esfiha ali do lado, você agora era o chefe. Alguém te preparou para isso? Você fez algum curso de liderança, como é que foi, cara?

Nivio: Nada. Olha, eu me uni aos meus colegas da área ali, que já tinha dois ou três que eram os negociadores do jurídico, me uni também aos advogados que entraram também para substituir um advogado, que na verdade foi substituído por três advogados, o departamento jurídico cresceu nesse momento. Chamei alguém que era da minha extrema confiança como advogado também para trabalhar. Eu me cerquei de pessoas de confiança, acho que essa é a receita. Se tu não tens oportunidade de ser formado para aquilo, tens que te cercar de pessoas da tua confiança e competentes.

Foi também o que eu fiz quando assumi como diretor na fundação, a primeira coisa que eu fiz foi chamar pessoas competentes na área de branding, de processos também e de pessoas para poder trabalhar esses três pilares, como eu digo lá, a Talent, de pessoas, a Brisa de branding e a Projeler, de processos. São pessoas profissionais, consultorias muito competentes, que me auxiliaram a construir uma trajetória que tornou a fundação, de 2014 para cá, maior em volume de negócios em dez vezes a quantidade de alunos novos estudando com crédito e em parcerias com universidades a gente cresceu cinco vezes.

Luciano: Excelente, cara. Essa tua consciência de chamar os caras bons para ajudar, quer dizer, parece óbvio, isso é tão óbvio, mas não é tão óbvio assim. O que a gente vê de história aí de neguinho que quebra a cara porque se acha. E outra, não vou botar alguém tão competente ou mais do que eu, porque depois esse cara vai passar por cima. Tem muita história assim. Essa tua consciência, você teve um modelo de liderança que você, quando estava lá, olhou e falou esse cara tem a pegada que eu quero pegar?

Nivio: Olha, talvez da própria casa assim, em termos de um analista que é um cara muito bom, um que analisa muito bem as pessoas, o Dr. Carlos, que era o meu gerente na época lá e hoje é nosso vice-presidente. Um cara de visão de mundo de negócio, o nosso presidente, o Dr. Wedekin, um cara que também lê muito bem as pessoas, respeita muito. Cada um dos nossos colegas lá, enfim, são modelos internos da casa. Eu acho que meu pai, um cara muito expansivo também e foi um cara que me inspirou bastante, sempre foi quase sinestésico demais assim de gostar de tocar nas pessoas e entender o que está se passando. E ser um bom ouvinte, eu acho que isso também, ele sempre foi um bom ouvinte.

Luciano: Isso é uma coisa interessante, você está falando aí e eu estou lembrando. Eu fiz a carreira dentro do ambiente industrial, uma baita indústria, cinco mil funcionários e um parque de máquina, de torno, de forno, o que você puder imaginar lá gigantesco. Então, a parte de lidar com esse equipamento da parte de tecnologia era um negócio muito presente e muito forte. Então o componente humano é uma coisa importante, mas havia lá um componente tecnológico que também era fundamental, quer dizer, a gente conseguia evoluir muito pouco se a parte da tecnologia não estivesse extremamente bem trabalhada. Daí ter cargos que cuidavam só disso aí.

O teu negócio não é assim, a razão do teu negócio. Não tem torno fazendo, não tem essa… A tecnologia da parte de informática é importante e tudo, mas você não tem aquele parque de máquinas, onde eu tenho que descer e ir para o chão da fábrica e lidar com aquelas tensões do chão de fábrica. Você é apoiado 100% no ser humano?

Nivio: Sim.

Luciano: 100% no ser humano, não é que faltou o torno, não faltou o torno, você tem gente lá para tomar decisões com o ser humano, então eu acho que essa visão tua de RH, sabe, de relacionamento humano e olha que a gente está batendo papinho aqui fora, antes de entrar para a gravação, eu já senti que você tinha essa pegada, é fundamental ali nesse teu tipo de negócio.

Nivio: Sabe que essa questão de focar nas pessoas, na minha área, de serviços, que é uma área de serviços propriamente dita, a gente trabalha com uma ficção jurídica, que é um contrato de crédito educacional que, por si só não diz nada, só vai ter algum tipo de valor se responder a um anseio, a uma necessidade, a uma pergunta de uma pessoa que quer estudar. Ou seja, se de fato ela vai precisar daquilo e como vai precisar e o quão bem eu posso atendê-la para que ela solucione um problema dela. E por outro lado só vai fazer sentido, só vai ter valor se eu de fato conseguir atender a necessidade da instituição de ensino, porque a Fundacred é um elo entre o estudante e a instituição de ensino.

Eu acho que por muito tempo, e talvez por isso a gente tenha crescido muito nesses últimos quatro anos, o que eu me preocupei em fazer foi de fato entender qual era a necessidade e de fato trabalhar o que a gente fazia de melhor, dar visibilidade para isso, obviamente, tanto para o estudante quanto para a instituição de ensino, mas saber se de fato para a instituição de ensino o que servia, o que nos era muito caro, digamos assim, o que a gente achava que era bom tinha algum valor para a instituição e se aquele valor de fato era um valor fundamental para ela, como poderia ser mais estratégico.

Então, ser um bom ouvinte, como eu estava dizendo em relação ao meu pai, que sempre foi um bom ouvinte, é o que tornou a fundação mais relevante no mercado atual, porque ela passou a entender que as competências que ela desenvolvia eram excelentes, de fato ela é, sem sombra de dúvida a melhor cobradora de crédito educacional do Brasil, porque faz isso muito bem feito e porque se não fizer bem feito, ela não recebe, porque ela só recebe lá no final, se o estudante pagar.

Então, ela é obrigada, ela não pode colocar, como uma instituição financeira coloca lá no prejuízo, e abate aquilo do imposto de renda pessoa jurídica como prejuízo. Ela não, porque aquilo lá é a receita dela. Ela, sim, é uma interface que coloca o estudante em contato conosco, sem que ele tenha que incomodar a instituição de ensino, porque fica quero mais vagas, ou não.

A gente acaba respeitando o ponto de vista da instituição de ensino, mas o que a instituição de ensino precisa da nossa parte claro que é isso, porque a receita dela está também atrelada aquele recebível futuro, mas ela deseja que a seja estratégico para manter o aluno dentro de sala de aula. Ela quer que a fundação seja estratégica para captar novos alunos que de fato precisem do crédito e isso a gente não fazia até 2014 de uma maneira inteligente, sabe, smart mesmo.

E escutando as instituições, participando de todos os eventos em que elas estão. Eu, praticamente de julho de 2014 até julho de 2016, se eu fiquei na fundação dois, três dias, dois dias por semana, sim e uma semana inteira, não, eu acho que seria mais ou menos essa a matemática, visitando instituições no Brasil inteiro. Acre, Rio Branco, Manaus, Recife, enfim, todas as capitais, pelo menos que eu me lembre, eu visitei, de 2014 até a metade de 2016 e participei de todos os eventos que apareceram na minha frente, seja como expositor, seja como participante, para entender de fato o que a instituição de ensino estava passando naquele momento difícil que foi 2015, 2016.

Luciano: Isso é interessante, me dá a impressão que você tem dois tipos de cliente. Você tem o cliente explícito, que é o estudante, você tem um cliente oculto, implícito, que é a instituição de ensino, que é para quem você vai dar o dinheiro. Quer dizer, o estudante nunca vai botar a mão no dinheiro, vai?

Nivio: Não.

Luciano: Ele não põe, é você, direto com a instituição?

Nivio: Isso.

Luciano: Ele só trabalha o crédito.

Nivio: Não tem trânsito de dinheiro, só um retorno daquele valor que ele deixou de pagar, que é a restituição e aquilo vai para a instituição de ensino e mantém depois, fechado o primeiro ciclo, depois do primeiro estudante ter se formado, e o primeiro ciclo é sempre o mais difícil para a instituição de ensino, mantém o ponto de equilíbrio daquela turma, daquele curso, daquela unidade de negócio da instituição de ensino. Por conta daquela restituição, ele pode abrir mais vagas então, a partir do segundo ciclo. É um ciclo virtuoso em que um vai pagando para o outro. Mas o primeiro momento a instituição, de fato, abre mão de um pedaço da sua receita imediata, mas em termos econômicos ela está lá com uma receita futura.

Luciano: Você falou um negócio interessante que me atraiu a atenção. O processo fundamental da tua organização não me parece que seja análise de crédito, é cobrança.

Nivio: Não é análise, sabe por quê? Porque o estudante pode estar no SPC, o estudante não precisa demonstrar renda. Quem tem que passar por uma boa análise de crédito, na verdade, não pode ter restrição e tem que ter uma renda uma vez e meia o valor da mensalidade é o fiador, é o garantidor.

O estudante, a nossa aposta, o nosso propósito lá na fundação é transformar vidas promovendo acesso à educação, então a gente aposta e tem certeza, pelas curvas todas que a gente tem demonstrado, nossa big data, que a pessoa de fato tem uma transformação na sua vida, social e economicamente, absurda depois de graduado. Ainda no Brasil a gente tem essa possibilidade de transformar economicamente a pessoa depois de graduado.

Então a nossa regra não é de análise de crédito do estudante, ela é uma boa cobradora depois, mas antes disso ela é uma boa conscientizadora de que aquele crédito vai retornar para outros estudantes. A gente vem trabalhando isso durante todo o curso e mantém uma régua de pagamentos também muito equilibrada, porque ele não vai ter um sobressalto depois de formado, porque a nossa taxa, eu vou te dizer a nossa taxa porque ela faz parte digamos assim do negócio, não como objeto de propaganda aqui. Imagina pagar 0,35% não capitalizado por mês, 4.2% ao ano, não capitalizado, por algo que está deixando de pagar durante quatro anos. É muito pouco, não é?

Luciano: Sim.

Nivio: Então só uma sem fins lucrativos para poder fazer isso. Lá no final ele vai restituir um valor e ele vai enxergar que aquilo não está sendo, digamos assim, vilipendiado.

Luciano: Não é o jogo do empréstimo.

Nivio: Isso.

Luciano: Ele não recebeu dinheiro de um banco, onde ele está pagando juro, honorários, escambau e uma amortização minúscula.

Nivio: Exato, ele está pagando o principal, mais uma taxa minúscula e essa taxa minúscula é o que sustenta a fundação, o restante vai para outro estudante.

Luciano: E esse dinheiro que ele está pagando para você não foi para comprar um automóvel, não foi para comprar casa, não foi para fazer uma viagem.

Nivio: Foi para reinvestir.

Luciano: Para a educação e tudo o mais. Isso é o que você falou, é um círculo virtuoso. É impressionante isso aí. E ele baseado, tem um lance de confiança muito grande aí, que eu confio que quando esse garoto sair ele vai me devolver o dinheiro. Eu confio que esse cara vai me pagar, confio que ele vai me devolver.

E eu acho que tem um lance, você falou uma coisa que chamou minha atenção, essas tuas curvas, tem uma função social naquilo que você está fazendo, que vai muito além do que qualquer outra coisa. Quando eu te perguntei no começo, esse negócio dá lucro? Não, não dá lucro, ele se sustenta. Não é uma empresa que nasceu para dar lucro, mas ela se sustenta e eu acho que o ganho dela é exatamente essa transformação social que ela propõe.

Nivio: Por isso que eu sou apaixonado pelo terceiro setor. Ele foi, em algum momento da nossa história recente até utilizado para fins não muito republicanos, mas ele dá a finalidade social, porque o nosso grande chefe é o nosso estatuto.

É claro que a gente tem o Ministério Público que nos vela e nos fiscaliza. A gente passa por auditoria interna e externa do Ministério Público, como fundação que somos, está na Constituição, mas ele tem a sua finalidade social, como o estatuto que é o nosso grande chefe, o estatuto é quem nos determina o nosso objeto.

O nosso objeto fundacional é adstrito a essa atividade, por isso terceiro setor, a gente tem a finalidade social do setor público, mas com a agilidade do setor privado. Então a gente tem essa possibilidade de expandir, de ter uma certa agressividade comercial, mas uma agressividade comercial pautada em ética, em valores que vão de fato contribuir para a instituição de ensino.

Hoje é muito fácil chegar para uma instituição de ensino, Luciano, e dizer o seguinte, eu vou captar alunos para ti, mas tu vais ter que dar desconto. Isso vai mexer no valor da entrega da instituição de ensino para aquele estudante. Eu não estou nem falando daquela situação talvez até constrangedora de um colega estar pagando um valor diferente do outro colega dentro de sala de aula.

Eu não faço esse tipo de entrega, porque eu sei que aquilo não é saudável para a instituição de ensino. Pode ser naquele primeiro momento, porque a instituição precisa de uma captação imediata, porque ela tem seus fluxos de caixa comprometidos por conta de alguns apagões que a gente teve em período recente. Mas eu me preocupo em respeitar o ponto de equilíbrio daquela instituição de ensino, para que aquilo tenha perpetuidade.

Eu estou dentro das PUCs há 46 anos, Luciano. A PUC Campinas, vou falar de alguém de perto. A PUC Campinas em 2015, isso está nos jornais, foi parar no Jornal Nacional, ela disse “Olha, eu, tudo bem, o FIES acabou, eu tenho o meu crédito próprio aqui, eu tenho CredIES aqui, que é o crédito operado pela Fundacred, está tudo certo, já está rodando, estou retroalimentando, está tudo bem, depois se voltar a gente vai retomar as conversas.” Então dá uma autonomia para a instituição de ensino.

Então tem agilidade e agressividade comercial pautada em fundamentos muito presentes de ética, tem essa finalidade social que seria do setor público de preencher essas lacunas de acesso à educação. Por isso que eu estou apaixonado pelo terceiro setor, não sei, talvez por ter sido forjado durante todo esse tempo dentro dessa…

Luciano: E porque você está vendo o resultado aparecer, está vendo a coisa acontecer. Tem muita gente que, hoje em dia, diz que diploma não vale coisa nenhuma, que é uma bobagem, que você tira um certificado que não tem valor nenhum.

Nivio: O diploma, não é? Ele ainda é fator de crescimento da renda, de incremento da renda, dá para falar ainda em 140%, 150% da renda de quem tem graduação e quem não tem graduação, a diferença de quem não tem e quem tem.

A OCDE também agora publicou a diferença de desempregados com graduação e sem graduação. É três vezes menor o desemprego de quem tem a graduação de quem não tem graduação.

Mas isso está mudando, Luciano, eu venho falando isso há bastante tempo e tenho lido muito sobre isso, sobre a universidade à prova de robôs, com o Aoun, que é o presidente da Northeastern University, enfim o próprio Harari agora, com esse 21 lições para o século 21, que é um tanto quanto terra arrasada o livro no início, mas no final ele dá um pontinho de esperança.

E tenho visto alguns movimentos bem recentes, pelo menos uma universidade lá do Sul, a Unisinos e em conversas com a PUC também parece que em 2019 já vão começar a fazer, eu venho falando isso há algum tempo, eu falava em nanocertificados, mas o próprio diretor financeiro lá da PUC me disse “Cara, nano é já um nome ruim, a gente precisa trabalhar um outro nome para isso”, mas de certificar durante o curso para algumas competências, para que isso ele já vá encaixando na trabalhabilidade, não na empregabilidade, porque hoje o cara tem que ser empreendedor, tanto intraempreendedor quanto empreendedor, muito mais do que ter essa visão de vou procurar um emprego, vou me encaixar numa carreira.

A própria expressão carreira, que é um carro atrás do outro, já não faz mais sentido, vai ter cinco carreiras, vai ter cinco trabalhos na tua vida, no mínimo. E as instituições estão mudando essa visão, eu acho que elas estão acordando para isso, que o diploma lá no final é excelente para te dar um bloco de conhecimento certificado, mas durante o curso ele pode ir te dando alguns eixos de aprendizagem e de certificações.

Por exemplo, hoje um escritório de contabilidade, ou uma auditoria, uma KPMG precisa de um cara que faça uma boa análise de RE, que tenha uma boa visão de balanço, isso pode ser certificado durante o curso de contábeis, pode ser entregue para ele durante o curso, ele já vai também enxergando oportunidades de ir aplicando aquele conhecimento dele e a própria universidade vai enxergando que ela precisa montar eixos de conteúdo que conversem de uma forma mais direta com o mercado também, eu acho que isso está acontecendo.

Luciano: Seria uma somatória de certificados técnicos, que no final te dão um certificado de superior. Eu tenho superior porque eu tenho uma série de atributos técnicos, que ali isso tudo me deu a carga horária.

Nivio: Exato. Para mim, esse é o futuro da universidade, a Unisinos está começando a fazer alguma coisa parecida, a PUC também. Eu estou gostando de ver esse movimento, porque é um movimento em que eu acredito. É um movimento que daqui a pouco, Luciano, está encaixado num LinkedIn, por exemplo, ou numa outra plataforma que o empregador vai poder buscar lá profissionais ainda não totalmente graduados, mas certificados.

E aí, claro, vai precisar ter uma série de ferramentas, um blockchain para confirmar aquela certificação, aquela competência, como conhecimento, habilidade, muito mais atitude, para o cara, de fato, “Não, esse cara aqui realmente sabe fazer, já fez, teve um impacto em alguma organização.” Mas enfim, acho que a universidade, o caminho é esse.

Luciano: Eu vou botar mais caldo nessa história toda. Em 2017 eu criei um ambiente, é um negócio meu aqui, que é o Café Brasil Premium, que é o que eu chamei de um ambiente de educação continuada. O que acontece, eu criei um ambiente onde eu coloco conteúdos que têm tudo a ver com a tua vida profissional e que te ajudam no crescimento profissional, o que eu chamo de educação continuada, que é aquela história, cada vez mais eu não vou mais me deslocar até uma sala de aula no dia tal, a tal hora, para ficar lá dentro cinco horas estudando. Eu até posso fazer isso durante um período da minha vida e depois que eu me formei eu não vou mais voltar a fazer isso e vou ter que fazer com que esse esquema de educação se adapte a mim e não eu a ele.

Então eu olhei para isso tudo, cara, como é que eu posso criar um ambiente tal que permita que o sujeito que tem um celular na mão dele tenha acesso à educação continuada, ou seja, que hora eu vou estudar? Cara, eu estou na fila do banco, vou ficar aqui 35 minutos esperando para ser atendido. Boto o celular aqui, boto fone de ouvido, tenho um podcast me dando um insight, tenho um audiolivro, tenho alguma coisa lá que funciona assim. Ou seja, quebra-se aquela estrutura formal de que vou a tal lugar para estudar, mas ali eu faço uma complementação com alguns temas que têm a ver comigo. Então eu estou muito interessado em discutir nesse momento aqui a questão de integração. Minha empresa comprou outra empresa, eu preciso integrar a outra, vai ser um trabalho hercúleo aqui, onde é que eu posso ter alguns insights sobre integração? De repente, o cara vai lá, bota a palavra-chave integração e vem um resumo de livro, alguma coisa que tem a ver com integração.

Nivio: Um sumário, uma coisa assim.

Luciano: Isso. Ele pega tudo lá. E o meu desafio nessa história toda está exatamente nesse ponto: como é que eu certifico um cara que faz um processo tão livre como esse? Cara, esse cara aqui conseguiu vencer cinco, seis, sete, oito blocos, que quando chegou no final ele tem um cabedal de conhecimento teórico que ele pegou ali, que daria para ele ter uma certificação. Agora, como é que você certifica isso, fugindo da questão do diploma carimbado pelo MEC?

Nivio: Eu acho que o maior desafio e quem conseguir desvendar esse desafio tem um unicórnio na mão. É trabalhar o conceito de competência do RH, que é conhecimento, habilidade e atitude. Tem uma analogia bem interessante que fala assim: conhecimento é saber o manual da HP12C, habilidade é conseguir fazer o cálculo com a HP12C e atitude é conseguir por meio desse cálculo gerar um impacto no teu negócio, no teu business.

E eu só consigo ver blockchain nesse tipo de… porque uma certificadora só poderia facilmente ser desconstruída, fraudada ou qualquer coisa nesse sentido. É conseguir trabalhar esses conceitos de conhecimento, habilidade e atitude num conceito de competência, certificação por competência e entregar isso para o cara e alguém enxergar aquilo como valioso. Quem conseguir desvendar o mecanismo para isso, seja por meio do LinkedIn.

Eu tenho muita vontade, não estou conseguindo tempo para organizar isso, eu tenho vontade de ir na sede, conversar com esses caras para ver se eles não têm disposição de construir alguma coisa nesse sentido. Porque eu acho que o que tu entregas para ele é a parte do conhecimento, a habilidade seria em alguma medida ele conseguir repassar aquilo de uma forma inteligente do que ele conheceu, que seria fazer o cálculo e como aplicar aquilo, a aplicabilidade daquilo numa organização, na organização em que ele está ou enfim, aí daria uma boa certificação, digamos assim, mais completa.

Luciano: É um negócio complicado, porque uma empresa que vai contratar alguém para fazer isso, uma coisa é você buscar um cara pronto que fala esse cara eu já sei, ele já aplicou. Outra coisa é pegar o estudante, que acabou, peguei meu certificado e estou certificado em A, B ou C, eu vou colocar isso em prática agora, você me contratou, agora é que eu vou botar em prática e você vai ver se vai funcionar ou não. Então, a certificação escolar que existe hoje define esse cara estudou, ele tem X horas.

Nivio: Ele tem até o conhecimento.

Luciano: Exatamente.

Nivio: Ou ele tem até a habilidade.

Luciano: É o certificado que existe hoje, essa é a certificação. A segunda certificação, que é aquela de colocar isso em prática, já é o currículo do cara na empresa. Eu estou aqui há 20 anos, estou legal, fui promovido etc. e tal, esse cara está tão bem que eu acho que ele consegue botar em prática aquilo que ele aprendeu ali. E a terceira certificação que é o cara do resultado, quer dizer, olha o resultado aqui comprovado que esse cara fez. Esse é o cara que vai ganhar o salário milionário. É a raiz da meritocracia, cara, olha quanto valor esse cara me agrega, eu acho que ele vale aquilo que ele está agregando de valor, claramente.

Mas tem um nó acontecendo e acho que tem uma mudança aí, muito por conta da tecnologia. A tecnologia chega e desmonta essa questão toda do estudante dentro da sala de aula, a escola tendo uma estrutura gigantesca que ela tem que pagar por aquilo e que você vai precisar de um crédito para poder cobri-la. Essa estrutura gigantesca aos poucos vai desmilinguir, porque talvez eu não tenha que ter salas de aula, talvez eu não tenha que ter luz, água, talvez eu não tenha que ter os professores contratados.

Nivio: Os próprios conteúdos, Luciano, porque em termos de resolução de problema, em termos de serviço, a inteligência artificial já está bem à frente da nossa capacidade biológica até. A inteligência artificial não conseguiu ainda chegar num nível de consciência que a gente tem, do sentimento, da criatividade.

Luciano: Está por pouco.

Nivio: Está por pouco.

Luciano: Já falei, está chegando o dia aqui que eu vou ter que tomar cuidado para não magoar meu Iphone, com o que eu falo para ele não ficar magoado. Você falou bastante que está na PUC há 46 anos etc. e tal, vocês já chegaram a pensar no modelo de negócio de vocês para o EAD, para o ensino à distância?

Nivio: Sim, a gente já tem CredIES EAD, a gente já tem produtos para cursos livres, já tem o CredNEX para ensino médio, a gente tem o produto para o empresário que quer investir no seu colaborador, como a fundação faz hoje, naquele modelo que eu te expliquei como eu me formei, que é o CredCORP.

Então, a gente quer atender as pessoas que desejam estudar e aqueles que querem oportunizar o acesso à educação, seja empresário, seja o dono de uma escola de ensino médio, ou o gestor de uma instituição de ensino superior. A gente vai até o stricto sensu, a gente vai do EAD ao stricto sensu, a gente já está atento a esse movimento dos cursos livres, hoje pode ter uma faculdade de educação física dentro do clube de futebol, por conta da alteração legislativa. Tinha todo um regramento impedindo essa expansão, hoje eu já vi empreendedor que tem vontade de montar curso de hotelaria dentro de um cruzeiro, de um navio.

Luciano: Vamos lá, deixe eu chegar agora no meu olhar de empreendedor. Eu vou usar o meu modelo aqui, que é o que me interessa. Então, eu montei esse meu ambiente, não é uma escola formal, eu não tenho nada no MEC, não tenho coisa nenhuma, eu não existo do ponto de vista de uma organização educacional, eu não tenho CNPJ de escola etc. e tal.

Nivio: É que a gente tem mania de setor público, eu sou regular, eu só posso fazer o que a lei diz que eu posso fazer. Não, isso é coisa de setor público, setor privado pode fazer tudo o que a lei não diz, que a lei não proíbe.

Luciano: Mas digamos lá, eu quero bater na tua porta para dizer o seguinte, cara, eu gostaria imensamente de ter o teu crédito e que eu pudesse ofertar às pessoas que querem estar comigo o crédito que você tem aí. Eu sou um dos polos, é um triângulo, tem você, tem a organização e tem o estudante. Esse polo da organização que sou eu, o que é que eu tenho que ter para eu poder me tornar um parceiro teu, eu poder usar o teu processo?

Nivio: Tem que ter apetite para receber 50% pelo menos no primeiro ciclo, em vez de cem por cento. É isso que as instituições de ensino fazem.

Luciano: Sim, mas eu tenho que ter um CNPJ.

Nivio: Tem que ter um CNPJ.

Luciano: Eu tenho que ter na minha razão social entidade de ensino.

Nivio: Sim.

Luciano: Então e quando você fala isso, aquele sujeito da empresa que quer usar o teu crédito para os funcionários dele, ele só pode fazer isso utilizando uma organização de ensino. Eu não posso montar uma escola dentro da minha empresa.

Nivio: Pois é, aí é que está, aí tem uma questão mais de ordem trabalhista, que a gente tem alguns cuidados. Se tu montas dentro da organização uma universidade corporativa, por exemplo, aquilo deixa de ser uma opção do teu funcionário, tem um caráter mais compulsório. Então tu fornecer aquele conhecimento, aquela competência para o teu funcionário dentro do ambiente da tua organização, pelo menos os três consultores de direito do trabalho, embora eu tenha feito uma especialização nessa área e não tenha me manifestado porque eu preferi não fazer isso, para não poluir também a consultoria, os três disseram que quando isso ocorre dentro da organização, tem um caráter compulsório e deixa de ser livre inclusive o assentir, o aceitar firmar esse contrato de crédito educacional, não seria o ideal. O ideal é ter uma escola, tu dar a opção para o teu funcionário, “Olha, queres fazer essa formação? Tens o crédito, eu vou pagar para ti…”

Luciano: E vá se formar lá.

Nivio: Vá se formar lá.

Luciano: Entendi. Eu estou te cutucando aí porque eu andei provocando uns caras. É até uma coisa interessante aqui, há um tempo atrás eu fui fazer um evento grande lá em… eu nunca lembro se é Patos de Minas, uma dessas cidades que tem aí.

Nivio: Conheço Patos de Minas.

Luciano: Ou Pato Branco. Pato Branco ou Patos de Minas.

Nivio: Eu conheço, eu estive em tudo quanto é lugar. Pato Branco é Paraná, Patos de Minas é perto de Uberlândia.

Luciano: Eu não me lembro qual dos dois que era, eu sei que era um ambiente grande lá, onde tinha um grande evento da área do pessoal do milho e do porco.

Nivio: Milho, então com certeza é Patos de Minas.

Luciano: Patos de Minas. Milho e porco.

Nivio: Tu vais por Patos de Minas é de um lado milho, de um lado café.

Luciano: Isso aí. E aí nós fizemos um evento grande e terminou o evento, eu fiz minha palestra e tudo e teve uma mesa redonda, a gente fez um debate com a plateia e tudo o mais, discutindo e eu me lembro que eu assisti o evento e todos os caras que iam apresentar, todos eles que chegavam lá, todos citavam um problema crítico de mão de obra. Eles têm problema de mão de obra, eles não conseguem a mão de obra, a mão de obra quando aparece, que você forma o cara, o cara vai embora etc. e tal e muita queixa…

Nivio: Esse está em octogésimo oitavo de 172 países analisados, não, nonagésimo segundo.

Luciano: Em quê?

Nivio: Em qualidade de mão de obra.

Luciano: Então eles se queixando e tudo o mais, aí eu chego na minha vez, eu falei “Vocês estão num segmento milionário, vocês estão dentro do agronegócio, vocês têm aqui a faca e o queijo na mão, o que vocês estão esperando para fazer a universidade do milho? Claro, pega aí o que vocês precisam, monta uma universidade do milho, que forme gente aqui. Não fica esperando o governo montar, não, cara, criem a universidade do milho.”

E aí eu fiquei na minha cabeça, cara, mas universidade do milho, tem que ter universidade da carne, do pão, do milho, do sapato, da roupa, do vidro, o que for, que é uma visão que eu tenho de que o empreendedor, o empresário, sabe, o pessoal que dirige determinado segmento se preocupar com a educação das pessoas que estão naquele segmento. Ou seja, eu não vou terceirizar essa educação para a PUC. A PUC tem uma formação genérica, uma formação para um determinado curso, que é o que a gente está acostumado, mas ela não forma o profissional do milho, com as coisas que o milho precisa e que pode ser ou uma complementação…

E eu fiquei imaginando, isso podia ser uma revolução se cada um desses segmentos, se uma FIESP da vida fala “Eu vou a partir de agora criar as universidades para cada segmento que eu tenho aqui dentro” e todas as outras entidades fizessem igual. Você de repente tinha uma revolução educacional aqui com a formação de gente daquele segmento para aquele segmento.

Ou seja, o cara formado no milho, eu não vou correr o risco de perder esse cara para hotelaria. Porque o cara do milho ganhou competência que vai fazer ele ficar muito bom e se ele for bom a turma do milho vai consumir esse cara durante muito tempo.

E aí me deu um nó que tem a ver com a pergunta que eu te fiz aqui, quer dizer, cara, como é que essa coisa bate, então eu vou deixar de ser um cara que planta milho para me preocupar com escola, cara? Para criar uma escola eu vou ter que ir no MEC. Aí virou um imbróglio tão grande que eu falei, acho que é por isso que ninguém dá bola para essa história.

Nivio: Eu acho que falta é uma conexão importante entre a universidade ou o gerador de conteúdo educacional e o mercado. Eles não se conversam.

Luciano: Não.

Nivio: Tu geras conteúdo, Luciano, sabes o quão difícil é. Às vezes de uma frase, a gente vinha conversando antes, aquilo se torna uma criatura maior. E o mais difícil é gerar conteúdo, um conteúdo de qualidade, que tenha um olhar sistêmico, que seja holístico. E eu acho que concentrar uma atividade de formação só por pessoas daquela área de formação acho que pode ser bom, pela verticalização do conhecimento, pela especialização, mas pode perder a riqueza. Vai ser singular, sem dúvida, mas vai perder a riqueza desse olhar sistêmico que a gente precisa ter, principalmente nos próximos anos, a gente vai passar por situações que a gente não passou ainda, a extinção de algumas profissões. A nossa vida vem mudando a cada dia, a gente faz coisas diferentes a cada dia, se a gente verticalizar demais eu acho que a gente fica com um foco muito fechado.

Eu acho que se as universidades, eu acho que elas estão começando a se atentar para isso, se elas se ligarem, ou por exemplo na história do milho tem a Embrapa. A Embrapa gera conteúdos brilhantes. A Embrapa que faz isso de forma vertical ou trabalhar com uma universidade que vai ter um olhar mais holístico do conhecimento e um setor especializado da economia. Acho que esse tipo de conversa é que está faltando, esse elo é que está faltando.

Luciano: São silos, a academia é muito fechada.

Nivio: Ela está abrindo, Luciano, eu estou muito otimista com isso.

Luciano: Tem um ranço ideológico, inclusive, sabe que não gosta do capitalismo. Sabe, o capitalismo é um negócio sujo, feio.

Nivio: Mas isso foi até 98, isso é um ranço que a legislação até 98 não permitia. Na verdade, em 97, 98 começaram as instituições com fins entrar na jogada do mercado educacional, mas até 97 não existia educação superior com fins lucrativos, isso acontece depois de 98. E aí mais recentemente, na década de 2000 isso se expande, até 2010 então nem se fala, de 2010 até agora aí vira capital aberto, as empresas de fato viram um mercado tradicional mais pujante.

Luciano: Sim, você está me falando de um lado, o lado que é a educação como um negócio, que tem prós, tem contras, eu acho que quanto mais liberal for, melhor é. Mas eu estou pensando naquele outro lado, que é o seguinte, é a universidade conectada ao mundo dos negócios.

Eu vou te dar um exemplo aqui. A empresa que eu trabalhei, nós tínhamos lá nos Estados Unidos um centro de pesquisas gigantesco, lá tinha um lugar onde o pessoal botava os caminhões para testar peça, era um negócio muito grande, uma tecnologia muito legal, muito bonita, que tinha uma conexão muito forte com universidades. A tal ponto que é o seguinte, parte das pesquisas que esse centro fazia era executada pela universidade, era o laboratório da universidade fazendo as pesquisas e depois o resultado era repassado para a empresa. Então eles tinham um contato direto, onde a…

Nivio: Não era a Unilins?

Luciano: Não, não, eu estou falando lá nos Estados Unidos. Então o que acontecia, a empresa, a organização usava a estrutura da universidade para desenvolvimento tecnológico e a universidade não estava trabalhando na teoria, ela estava trabalhando na prática, ela fazia exatamente aquilo que o cara tinha lá, eu estou com um problema aqui com um motor que está exigindo, o que você pode me ajudar aqui? E aí a ciência da universidade estava a serviço do negócio. E aquilo trabalhava em consonância, o dia inteiro assim.

E aqui no Brasil tem um ranço, você chega aqui ainda tem um ranço que “Eu não vou me aproximar muito da empresa, porque os caras vão querer dar lucro, esses caras só querem dinheiro e o meu negócio aqui é a pureza da ciência” e tudo o mais e a gente perdeu muito tempo nessa…

Nivio: Concordo. Eu acredito que a gente perdeu tempo, mas eu até observei em algumas conversas, principalmente nos eventos, enfim que até pouco tempo, não é tão pouco tempo, não, mas enfim, até, vamos lá, 2010 um diretor financeiro de uma instituição de ensino não tinha tanto valor quanto tem hoje, tanta voz inclusive, o pró-reitor administrativo, enfim. Mais era o acadêmico, a parte acadêmica. Hoje, para a sobrevivência do acadêmico, o diretor-financeiro tem uma voz muito mais forte. Isso necessariamente vai conectar a necessidade do mercado para construir oferta dentro da universidade, não mais só o que o acadêmico deseja.

Esse é um movimento que não tem volta. Todas as grandes consultorias e as palestras, eu palestro também em alguns eventos de educação com outros colegas e que tratam dessa temática, eu falo mais de crédito e cobrança, eles batem muito forte nessa tecla. Não dá para a gente ficar simplesmente ao sabor das vontades do acadêmico sem um olhar muito atento para essas questões do ponto de equilíbrio econômico e financeiro da instituição e que estão ligadas diretamente na oferta que isso está levando para o mercado.

Não adianta ter uma visão de que academia é pura e simplesmente aquele produto que ela entende, não digo em si mesma, nada que poderia ser pejorativo.

Luciano: Sim, a teoria, a ciência.

Nivio: Sem que aquilo faça sentido no mercado, na trabalhabilidade do futuro daquele estudante.

Luciano: Imediato, não no futuro.

Nivio: Não só mediato, mas imediato também. Que estágio ele vai conseguir, como é que o mercado está vendo quem está saindo da instituição de ensino. Não bastam só as notas de Enade, as notas de classificação dos cursos, das instituições. O mercado tem que enxergar aquele profissional que está saindo formado como alguém relevante para aquela organização. Então, eu vejo com muito otimismo, não estou sendo romântico e nem demagogo, eu estou vendo com muito otimismo movimentos que estão surgindo bem interessantes.

Luciano: Até porque se não for assim não tem para onde ir, não tem caminho, não tem como expandir. Eu acho que é uma fusão importante que está acontecendo aí.

Muito bem, vamos chegando ao nosso finalmente aqui, senão a conversa vai embora. A gente entra aqui nos meandros da educação, nós vamos virar a noite aqui, tentando salvar o mundo. Fala uma coisa, alguém que está interessado em conhecer o trabalho de vocês, de vários aspectos, eu quero conhecer para utilizar, eu quero conhecer para me tornar um parceiro, eu quero conhecer para trabalhar com vocês.

Nivio: Para copiar, não tem problema. É beta e é open source, pode ir lá e ver como a gente funciona. O nosso ambiente é muito gostoso, a gente tem a pretensão de ser muito parecido com o Google, então a gente tem sala de descompressão com sinuca, ping-pong liberado para o pessoal jogar lá, tem pufs, tem café, tudo aberto para o pessoal gostar de trabalhar lá. A gente conseguiu conquistar agora a great place to work, classificado no nível nacional, com nota 84, muito festejado lá, a gente está trabalhando a Agenda 2030 com os ODS internamente, já está gerando conteúdo para as instituições de ensino também e para os estudantes que tenham o crédito e a gente deseja abrir isso para todo mundo.

Luciano: Como é que a gente acha vocês?

Nivio: A gente tem um site, que é fundacred.org.br, as instituições de ensino estão lá elencadas para o pessoal poder identificar se estão conosco ou não. Pode fazer uma simulação de como funciona o crédito e identificar que de fato é muito em conta, essa taxa de 0,35% não capitalizada ao mês, que dá 4.22% ao ano é de fato a menor taxa que tem em crédito educacional. Então não tem desculpa para não estudar. Não tem essa ideia de não sei se vou estudar agora, porque esse momento do país não está adequado, mas essa é a hora de estudar, essa é a hora de te qualificar e estar à frente.

Luciano: Só nacional?

Nivio: Só nacional.

Luciano: Se quiser fazer alguma coisa lá fora, ainda não?

Nivio: Por enquanto, eu tenho conversado com a Apesp, que é de Portugal, Associação das Mantenedoras das Privadas lá em Portugal, estive lá inclusive, conversando com eles. A gente tem uma ideia de montar um produto bem interessante para o pessoal poder estudar em Portugal, mas ainda está no laboratório.

Luciano: E mais uma curiosidade minha genuína aqui, não importa o tipo de curso, se a minha entidade estiver registrada com você e eu quiser fazer um curso maluco de física quântica estratosférica, que custa um caminhão de dinheiro, isso não tem problema para você? Você não tem um volume de dinheiro, fala, a gente só vai até uma mensalidade de 1.500 reais, alguma coisa assim?

Nivio: Depende se a instituição de ensino vai topar abrir um convênio conosco para diluir esse pagamento, principalmente no primeiro ciclo. Depois que fecha o primeiro ciclo, não tem porque não estar conosco.

Luciano: A dificuldade é meu mindset, eu fico olhando, é tentar entender que você não está emprestando o dinheiro para o garoto, você não está botando o dinheiro na conta dele.

Nivio: Não, eu estou ajudando a instituição de ensino a ter bons alunos lá e ter um movimento, um fluxo de caixa, uma projeção econômica excelente, sem depender de programas governamentais e sem abrir mão do valor que ela tem na sua prestação de serviço educacional. Mexer no preço é mexer na tua entrega, no teu valor, o que a gente faz é fazer com que não mexa no teu preço, que tu entregues uma boa prestação de serviço educacional para o teu cliente, que é o teu estudante e que tu tragas pessoas que não têm condições de pagar a integralidade do teu curso.

Luciano: Muito bom. Meu, parabéns não só pela organização que você descreveu, mas principalmente por esse impacto social. Não há dinheiro no mundo que pague o futuro que vocês estão construindo, a quantidade de gente que vai só poder ter acesso porque vocês estão disponibilizando esse tipo de ação. Tem um valor social nisso que é de tirar o chapéu. Ainda bem que aqueles, como é que é, o médico e o dentista sacaram isso algum tempo atrás e criaram esse ambiente todo lá.

Nivio: Foram eles que possibilitaram mais de 80 mil pessoas se formarem, terem suas profissões, realizar seus sonhos, desenvolver os seus talentos.

Luciano: Quantas pessoas?

Nivio: Mais de 80 mil pessoas já se formaram.

Luciano: Beleza, cara, parabéns. Viu só, nós falamos uma hora e vinte e sem roteiro, cara. Bem-vindo, parabéns. Obrigado a você. Um abraço.

Nivio: Valeu. Obrigado. Um abraço.

Luciano: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa você encontra no LíderCast.com.br. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos, além de ter acesso ao Grupo Café Brasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LíderCast, que discutem em alto nível temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se, Café Brasil Premium.com.br.

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