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Luciano Pires -
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Luciano Pires: Muito bem, mais um LíderCast, esse aqui começando daquele jeito que eu gosto, de ficar pescando convidados. Aqui foi um release que chegou para mim pela Grow Comunicação, dando conta de que podia ser alguém interessante. Me mandaram um perfil rapidinho. Eu li só um pedacinho dele. Eu falei: deixa eu falar com essa figura. E a gente acabou marcando, estamos aqui hoje. Tem três perguntas que são as fundamentais e as únicas que você não pode chutar. O resto você chuta à vontade. Mas presta atenção nessas três. Seu nome, sua idade e o que você faz.

Bruno Busquet: Bem difícil. Bruno Busquet. Eu estou com 40 anos, fiz 40 anos esse ano e sou empresário.

Luciano Pires: Seu sotaque aí é gaúcho?

Bruno Busquet: Não. O carioca mais famoso, o Renato Gaúcho. Eu sou carioca mesmo.

Luciano Pires: Você nasceu onde?

Bruno Busquet: Eu nasci no Rio de Janeiro, capital.

Luciano Pires: Rio de Janeiro?

Bruno Busquet: Isso.

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Bruno Busquet: Tenho cara. Tenho um irmão mais velho. E é o cara hoje que cuida dos meus negócios no Rio de Janeiro.

Luciano Pires: Que legal. Seu pai e sua mãe faziam o que, cara?

Bruno Busquet: Cara, meu pai sempre foi representante comercial. Então sempre trabalhou com vendas. E minha mãe era telefonista.

Luciano Pires: É mesmo, cara?

Bruno Busquet: É.

Luciano Pires: Você que está nos ouvindo aí e que tem 23 anos de idade. Telefonista era uma função muito importante que as empresas tinham e cabia a ela receber e encaminhar ligações. Você ligava para ela e pedia: por favor, telefonista…

Bruno Busquet: E foi assim que ela conheceu o meu pai.

Luciano Pires: No telefone?

Bruno Busquet: Exatamente. Não tinha Instagram, Facebook, muito menos esses sites de relacionamento hoje.

Luciano Pires: Que legal. Seu pai era independente? Era vendedor independente, trabalhava numa empresa?

Bruno Busquet: Ele sempre representou indústrias. Sempre. A maioria aqui de São Paulo.

Luciano Pires: Mas ele como independente? Ele prestava serviço?

Bruno Busquet: Sempre como independente.

Luciano Pires: Não era CLT?

Bruno Busquet: Não, nunca foi.

Luciano Pires: Legal, legal. E onde que foi a tua infância, cara? Foi no Rio? Em que lugar do Rio?

Bruno Busquet: Rio de Janeiro, cara. Eu cresci na Penha.

Luciano Pires: Na Penha.

Bruno Busquet: Sabe aquele bairro lá onde deu aquela confusão? Onde o Adriano, jogador de futebol vive fazendo confusão?

Luciano Pires: Desculpe. Qual é o bairro do Rio que não tem confusão? Deixa eu só entender.

Bruno Busquet: Na verdade assim, essa tem mais confusão. Ficou famosa porque antes da invasão lá das tropas militares alguns anos atrás. É lá, na região do Alemão, no Morro do Alemão, eu nasci lá.

Luciano Pires: Você nasceu lá?

Bruno Busquet: Nasci lá.

Luciano Pires: Legal. Como que era o teu apelido quando você era criança?

Bruno Busquet: Cara, eu tive poucos apelidos. É verdade, Luciano, tive poucos apelidos. Mas a maioria do pessoal me chamava sempre pelo meu sobrenome. Por ser diferente – acho que sim – e aí eles me chamavam de Busquet.

Luciano Pires: Busquet?

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: É porque eu sempre faço uma brincadeira com o apelido da pessoa. Eu falo. Se você falasse assim: era Tonho. Eu falava: o que o Toinho queria ser quando crescesse? Porque Busquinho vai ficar estranho, cara.

Bruno Busquet: É cara. Não, não, na verdade poucas vezes me chamaram de apelido. No máximo eu acho que era Guerra. Porque eu gostava muito de brigar na rua.

Luciano Pires: Então eu vou usar o Guerra.

Bruno Busquet: Está bom.

Luciano Pires: O que o Guerrinha queria ser quando crescesse?

Bruno Busquet: Você não vai acreditar cara. Eu queria ser político.

Luciano Pires: Político, bicho?

Bruno Busquet: Era o que eu mais queria ser cara, verdade.

Luciano Pires: O que você viu que te chamou a atenção assim?

Bruno Busquet: Porque eu sentia. Eu nasci numa região muito pobre do Rio de Janeiro. Então, eu sentia que eu poderia ajudar pessoas. E quando eu era criança, eu queria ser político. Na verdade, assim, eu não tinha noção nenhuma do que era ser político. Mas eu tinha aquilo dentro de mim, de que eu poderia mudar a realidade das pessoas. E graças a Deus eu consegui isso sem ser político.

Luciano Pires: Você tinha algum parente metido em política?

Bruno Busquet: Não, não.

Luciano Pires: Algum vizinho?

Bruno Busquet: Meu pai odeia política. A referência de meu pai com política é ele xingando a televisão. Então assim, ninguém gostava de política. Mas eu achava interessante. Eu adorava ver o horário político. Adorava ver debate político. Nossa, eu parava tudo. Mais do que futebol, por mais que eu seja vascaíno, que não é uma coisa de se gritar muito hoje em dia.

Luciano Pires: Mas você está bem. O torcedor do Vasco está bem. Porque o vice no Brasil é o cara mais em alta hoje em dia. O vice no Brasil está sempre na ponta, cara.

Bruno Busquet: É verdade cara. Nesses novos tempos de presidencialismo, isso está perfeito.

Luciano Pires: Mas legal. Então você… eu entendo que isso era um sonho de criança e tudo mais. Mas você logo percebeu que talvez não fosse por aí ou você seguiu? Falou: cara, eu vou me preparar para isso?

Bruno Busquet: Não. Porque quando você vai tomando corpo e independência do que você pensa, naturalmente você enxerga as coisas que você não quer mais perto de você. E eu vi muita coisa errada no Rio de Janeiro. Então eu estou com 40 anos, mas vi muitas coisas erradas e boas, desde a época do Brizola, do Marcelo Alencar, que foi minha básica política naquela época ali, mas hoje eu não penso em nada de ser político.

Luciano Pires: Você viveu naquele bairro que você nasceu até que idade?

Bruno Busquet: Até os 20 anos, no máximo.

Luciano Pires: Então você passou a sua… você se formou nesse bairro?

Bruno Busquet: Exatamente. Você formou ali?

Luciano Pires: É. Mas assim, é nesse momento que você que as amizades são muito importantes. Porque quando eu comecei a sumir do círculo de amigos e que eu comecei a subir um pouquinho mais o morro, eles foram atrás de mim para saber o que eu estava fazendo. E aí eu nunca fumei e bebi. Nunca fumei e nem bebi até os 17 anos, por causa do meu círculo de amizades. Então assim, independente de onde você nasce, as pessoas que estão à sua volta fazem você gerar seus valores.

Bruno Busquet: Para o bem e para o mal.

Luciano Pires: Exatamente.

Bruno Busquet: Porque eu vi muita gente que pulava o muro do colégio para jogar bola comigo não estar no ano seguinte comigo. Isso para mim…

Luciano Pires: Quer dizer, você viveu perto de onde está a ação acontecendo ali?

Bruno Busquet: Onde não tinha ação e onde tinha muita ação. Tem esses dois pontos de vista.

Luciano Pires: Que louco. Mas me fala uma coisa: e aí você se formou na escola e tudo mais e chegou a hora de escolher. Eu tenho que tomar uma decisão na minha vida, eu vou para algum lugar. Cheguei nos meus 15 anos de idade, 16 e começo a pensar em ser alguma coisa na vida. Como é que foi isso?

Bruno Busquet: Eu sempre fui muito de praticar esportes, Luciano. Então assim, eu queria tudo, menos estudar. Então assim, meio paradoxal, o moleque que quando era criança queria ser político. Mas depois só queria saber de esporte. E eu repeti três anos.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar. Mas você não queria… e era um mau aluno?

Bruno Busquet: Não queria estudar.

Luciano Pires: Não queria estudar e o desempenho na escola também era ruim?

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Teve um monte de gente sentada aí que disse: eu não estudava nada e entrava na sala de aula e arrebentava. Eu era o melhor cara da sala de aula sem estudar.

Bruno Busquet: Nada. Cara isso foi acontecendo depois que na verdade, um professor chegou para mim e falou e conversou comigo – que eu respeito muito ele – um professor de geografia que passou na minha vida. Eu respeito muito ele. E ele mudou meu mindset, o meu pensamento, de como eu ia proceder dali em diante. E dali eu fui e resolvi estudar. Estudar muito.

Luciano Pires: Que idade você tinha nesse papo aí?

Bruno Busquet: Eu acho que eu tinha mais ou menos essa idade que você falou 15, 16.

Luciano Pires: O que ele falou para você, cara? Primeiro: por que ele te chamou?

Bruno Busquet: Porque era terceiro ano. Eu já estava repetindo o terceiro ano. Naquela época não tinha aprovação automática. Então eu estava ficando velho. Por mais que eu tenha começado muito cedo, eu realmente… o primeiro ano que eu repeti foi por causa da idade. Que tinha a questão da idade, que no Rio de Janeiro tinha um negócio de CA. Aqui em São Paulo não tinha, mas no Rio de Janeiro tinha um negócio de CA, eu tive que fazer duas vezes a alfabetização por causa de idade. E eu estava adiantado, teoricamente. Mas quando chegou na 6ª e na 7ª, no 6º, 7º ano eu já não queria mais nada. Eu só queria saber de namorar e jogar todo tipo de esporte. Todo tipo de esporte. E aí ele virou para mim e falou assim…

Luciano Pires: Como é o nome dele?

Bruno Busquet: Mauro César.

Luciano Pires: Mauro César?

Bruno Busquet: Mauro César. O Mauro César falou para mim assim: onde você quer chegar? Está vendo aquele moleque ali? Tem três anos a menos que você; tem quase metade do seu tamanho. Amanhã, ele vai ser seu chefe. E onde você quer chegar? Onde você vai conseguir fazer as coisas que você tem que fazer? Porque eu sei que você é um cara cheio de desejos. Ele falava para mim. Porque como eu praticava muito esporte, eu era o líder da galera dos esportes. E aí ele falou assim: a partir de amanhã você não pratica mais nada. E eu fiquei sem saber o que fazer durante um mês mais ou menos. E aí ele me chamou de novo na sala e falou assim: tomou consciência do que você é? Agora vai para frente, onde você quer ser. E aí eu resolvi estudar e aí não parei mais.

Luciano Pires: Que legal, cara.

Bruno Busquet: É um professor.

Luciano Pires: Um cara só virou a tua vida?

Bruno Busquet: Virou a minha vida.

Luciano Pires: Sim. Ainda bem que você teve cabeça para acordar ali, com a chacoalhada?

Bruno Busquet: Tive. Tive alguém que me usou como instrumento para isso.

Luciano Pires: E aí: vou ser o que, na vida? Vou estudar para ser o quê? Vou tirar meu diploma para pararem de me encher o saco?

Bruno Busquet: Você não acredita. Eu fui prestar vestibular para a UERJ para Geografia, por causa dele.

Luciano Pires: Para Geografia?

Bruno Busquet: É. E não passei. Óbvio. Porque eu não estava preparado para isso. E aí resolvi estudar Turismo. E o Turismo trouxe uma coisa muito legal para mim, que deu uma visão de atendimento muito forte, de qualidade do que você entrega. Porque o Turismo…

Luciano Pires: Por que o Turismo? De onde veio isso? É o que tem para agora ou é um desejo? Tipo: é interessante, gostei dessa história. Foi uma intenção ou foi o que sobrou?

Bruno Busquet: Não, não. Na verdade, assim, eu já trabalhava. O meu primeiro emprego foi lavador de carro na prefeitura, de Parques e Jardins, isso com 14 anos. Eu lavava carro lá na coisa. Por que eu fui lá lavar? Não precisava. O meu pai… nunca faltou comida para mim, nunca fui rico, mas assim, nunca faltou comida para mim. Mas eu queria fazer coisas diferentes. Eu queria uma coisa que meu pai não queria me ensinar, que era dirigir. E aí apareceu um projeto da prefeitura convidando adolescentes para lavar carro da prefeitura, uma secretaria chamada Parques e Jardins lá no Rio de Janeiro. E aí tinha um lava jato, uma garagem de lava jato em Quintino, que é o bairro do Zico lá no Rio de Janeiro. E aí eu fui lá para aprender a dirigir. Porque lá – que ninguém nos ouça – lá a gente podia manobrar os carros. E aí eu aprendi a dirigir carro ali. Dali eu fui trabalhar como vendedor. Fui ser vendedor mesmo, de rua, de tudo.

Luciano Pires: Com que idade?

Bruno Busquet: Com 16, mais ou menos. No tempo livre de colégio, eu ia vender as coisas na rua. Porque eu ouvia muito o meu pai. Eu gostei muito de ouvir o meu pai sempre. E aí quando eu completei 18 anos, ele me chamou para trabalhar com ele. Adivinha quanto tempo durou? Dois meses.

Luciano Pires: Dois meses.

Bruno Busquet: Eu queria fazer tudo diferente. E ele queria que tudo fosse do jeito dele. Normal. Bem, então eu já trabalhava, já fazia isso tudo. E surgiu Turismo na minha vida, porque eu sempre gostei de viajar. Sempre gostei de fazer as coisas. Nunca tive oportunidade muito de viajar. Mas eu queria conhecer o mundo. Eu queria fazer as coisas diferentes e vi que não tinha nada a ver com isso. Que tinha muito mais a ver com receptivo do que você fazer as coisas para fora. O Rio de Janeiro é uma cidade turística que tem muita prática de receber as pessoas. Então eu fui trabalhar em duas companhias aéreas e fali as duas companhias aéreas. Eu digo que fali Luciano, porque eu estava lá.

Luciano Pires: Quais foram as duas?

Bruno Busquet: As duas que faliram. Tinha mais uma que faliu. Mas assim, eu fali tanto a Vasp quanto a Varig.

Luciano Pires: Vasp e Varig?

Bruno Busquet: É. É. Eu digo que fali porque se eu era lá uma peça integrante, mesmo que meu parafuso fosse pequeno na engrenagem, eu fazia parte da corporação, então, se eu visse alguma coisa diferente, eu tinha que propor alguma coisa diferente. E não propus, não fiz nada. E as empresas faliram comigo lá dentro. Não é uma boa lembrança. Mas já é minha primeira lembrança. A primeira vez que eu enxergo que eu poderia quase quebrar, vai. E isso é interessante para o que eu vim fazer no futuro depois. Mas o Turismo me deu essa visão de enxergar que não existe segunda chance. Você tem que entregar o que o cliente quer. E mais, o que ele quer, numa visão que não tem como contornar.

Luciano Pires: Principalmente em Turismo, cara. Porque o Turismo é que nem pintor de parede. Eu só sei se é boa a pintura porque terminou cara. Não dá para eu olhar antes e falar: legal. Ficou lindo. Sem estar pintado.

Bruno Busquet: É porque era um sonho dele.

Luciano Pires: O turismo; chega um cara aqui, de viagem, entra lá. Cara, uma mala extraviada é um inferno. Então eu diria: as chances para dar errado com quem atua num segmento como esse é um negócio pavoroso. Você sabe que essa semana eu publiquei um post dizendo o seguinte: que o ano passado o Museu do Louvre bateu o recorde de visitantes. Ele recebeu 10,8 milhões de visitantes ao longo do ano. O Brasil recebeu 7 milhões e bateu o recorde histórico. Então o país Brasil como um todo recebeu 70% de visitantes que o Museu recebeu no mundo. E quem viaja o Brasil, cara – eu, para conhecer o Brasil inteirinho; só falta Fernando de Noronha; o resto eu já vi – o potencial que esse país tem aqui em termos de turismo é um negócio. É impensável. Cara, isso aqui na mão dos gringos, pelo amor de Deus. O que eles fariam com o Brasil é um troço impressionante. E a gente não consegue fazer acontecer. A gente continua derrapando no b-a-ba. Não é aquela coisa: não, falta grana. Não falta grana. Não é que tem que construir uma ponte. Não tem cara. Falta o b-a-ba. Falta o atendimento. O b-a-ba do atendimento, sabe?

Bruno Busquet: Em muitos lugares do mundo tem muito menos estrutura do que nós. E arrebenta.

Luciano Pires: E arrebenta de fazer.

Bruno Busquet: Isso.

Luciano Pires: Mas vamos lá, você chegou a se formar então? Você pegou um diploma de…

Bruno Busquet: A minha primeira formação foi em Turismo.

Luciano Pires: Turismo. Eu vou fazer o quê? Estou trabalhando lá na companhia aérea?

Bruno Busquet: Não, primeiro eu fui trabalhar num hotel que era o Sheraton.

Luciano Pires: Então, mas você decidiu então, naquela época. Você olhou para aquilo lá e falou. O meu negócio é lidar com gente? Foi isso?

Bruno Busquet: Eu queria. Só que naquela época era muito… também tinha um negócio – que eu acho que não tem mais hoje em dia – um negócio que é o teste vocacional, que você fazia antigamente. E só dava exatas para mim. E eu falei: não, não quero. E só dava exatas. E só dava exatas. E só dava exatas. E adivinha onde eu fui trabalhar? A minha primeira experiência, que quando eu falei que queria humanas, quero trabalhar com gente, fui trabalhar num hotel, numa controladoria.

Luciano Pires: Na controladoria?

Bruno Busquet: É incrível isso. E aí não adianta eu falei. Fiquei seis meses só e falei: eu não quero isso. E eu era bom nisso. E aí apareceu a segunda oportunidade para eu trabalhar agora, em companhia aérea. Onde? Contabilidade. Um escritório de contabilidade da Rio Sul, que era uma empresa que era parte da Varig, no centro da cidade do Rio de Janeiro, Avenida Rio Branco, 81. E aí fui trabalhar lá na contabilidade. Aí eu já comecei a assumir aquilo. Eu falei: não, então beleza, eu vou começar a fazer isso. Em pouco tempo eu já comecei a cobrir férias dos funcionários mais experientes. Mas também não queria. Aí comecei a querer participar dos processos seletivos da Varig mesmo, como marketing, que tinha na Varig, na época. E aí eu tive a minha primeira decepção de liderança. O meu chefe na época – que era o chefe da contabilidade – falou que eu não ia participar. Ele não queria me liberar para participar da vaga. E aí foi a minha primeira decepção de liderança. E serviu para eu ver o que eu não deveria fazer no futuro.

Luciano Pires: Perfeito. É o exemplo negativo, cara.

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Te diz como não agir.

Bruno Busquet: E aí eu falei: não quero isso para mim. Pedi demissão da Rio Sul, da Varig e fui trabalhar no Check-in do aeroporto, na Vasp.

Luciano Pires: No Check-in?

Bruno Busquet: No Check-in.

Luciano Pires: Meu Deus, quanto tempo você ficou no Check-in no aeroporto?

Bruno Busquet: Fiquei um ano, mais ou menos. Começava às quatro da manhã.

Luciano Pires: Cara, eu diria para você: se eu tivesse que escolher entre porteiro do inferno e Check-in de companhia aérea brasileira eu queria o inferno, cara.

Bruno Busquet: Mas posso te falar? Assim, mas foi uma experiência ótima para mim. Eu concordo com você, porque é onde a gente toma muita porrada. Muita.

Luciano Pires: Nossa senhora…

Bruno Busquet: Mas você aprende a absorver cara. Você cria carcaça.

Luciano Pires: Vem cá, você esteve lá um ano. Me dá uma dica. Me contaram uma história uma vez, que eu falei: deixa eu saber se é verdade isso aqui. Vou aproveitar você aqui.

Bruno Busquet: Tem muito tempo, hein Luciano?

Luciano Pires: Não, mas eu acho que não mudou isso aí. O rolo aconteceu. Cancelou um voo: dirijam-se até o balcão. E aquele balcão vira uma praça de guerra. Todo mundo gritando, aquela confusão. O coitado do atendente ali recebendo porrada na cabeça dele, ele apanha. Alguém me disse uma vez que há uma orientação no treinamento, lá dentro da companhia aérea, dizendo o seguinte: atenda quem mais grita. Atende, resolve logo o que mais está gritando. Quem mais gritar, você pega esse resolve esse, porque esse cara está contaminando todo mundo. Então, atenda quem mais grita.

Bruno Busquet: Não é quem mais grita. É quem você – isso é dito mesmo – quem você acha que pode influenciar mais as pessoas. Independente de ele gritar ou não. Mas quem você acha que é o cara que tipo: está mais atento no papo dos outros e que incentiva os outros para o bem ou para o mal. É óbvio que naquele momento ele vai incentivar para o mal. E aí você tem que convencer ele a incentivar para o bem.

Luciano Pires: Sim. E você tem que fazer isso na hora ali?

Bruno Busquet: Na hora.

Luciano Pires: Na hora. Com o sangue na altura?

Bruno Busquet: Na hora. Na hora.

Luciano Pires: Com o povo querendo pular na tua garganta?

Bruno Busquet: Isso.

Luciano Pires: Meu Deus do céu.

Bruno Busquet: Mas você tem que fazer ouvido de mercador. Imagina você numa… eu viajei um pouco pelo mundo. Então você imagina você naquelas feiras de Medina em Marrakesh, onde todo mundo está falando com você e você está passando como se ninguém estivesse falando com você.

Luciano Pires: Sim, mas os caras querem te dar uma porrada cara.

Bruno Busquet: Querem.

Luciano Pires: Os caras querem pular para o outro lado.

Bruno Busquet: Sim. Mas eles têm que enxergar você como o cara que vai dar a solução para eles.

Luciano Pires: É. E aí é complicado. Com o casamento marcado, com o avião, sabendo que eu vou perder o casamento, porque eu sou padrinho.

Bruno Busquet: Depende do problema da aeronave. Se for um problema de manutenção é perfeito. As pessoas entendem muito mais.

Luciano Pires: Não dá para ser racional.

Bruno Busquet: Não dá. Nessa hora. Fato, Luciano, não dá.

Luciano Pires: Mas e aí? Me conta como foi essa experiência.

Bruno Busquet: Lá eu tive uma experiência muito legal nessa parte, de ver problemas e solucionar algumas coisas já com pessoas. Mas também não foi… não foi onde eu fiquei.

Luciano Pires: Não?

Bruno Busquet: Dali, eu comecei a fazer o que eu mais faço hoje, que é trabalhar com marketing. Porque eu fui começar a ser promotor de merchandising.

Luciano Pires: Promotor de merchandising?

Bruno Busquet: Exato. Dali, eu conheci uma pessoa que falou que isso era legal, que isso era um caminho. Lembra quando eu estava na Varig ainda, que eu ia trabalhar com marketing?

Luciano Pires: Sim.

Bruno Busquet: Eu falei: não me importo de voltar um degrau para baixo. Então assim, eu vou trabalhar com merchandising, porque dali eu posso galgar oportunidades.

Luciano Pires: Bom, quem não é do ramo e está ouvindo a gente aqui, merchandising é a parte da propaganda, da publicidade, que está no ponto de venda.

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: Que está ali no ponto de venda.

Bruno Busquet: Que é onde acontece.

Luciano Pires: Quando você entra num mercado e tem ali um promotor de vendas, tem os painéis, tem a bandeirinha. Tem toda aquela organização das peças ali. Isso é tudo merchandising, tudo pensado. E não tem nada de graça ali.

Bruno Busquet: Não. É muito pensado.

Luciano Pires: Eu participei de um evento uma vez, cara, da Associação Paulista de Supermercado, eu não me lembro onde era. Havia uma apresentação maravilhosa, onde o pessoal mostrou o estudo que eles fizeram sobre o uso de cores para influenciar o pessoal a comprar no mercado. E a coisa era num nível tal que era o seguinte: cara, nós vamos criar a semana da maçã. E a maçã é vermelha. Se a gente botar a maçã vermelha e botar o corredor vermelho, aumenta a venda em 30% de maçã, porque o corredor era vermelho. Se botar azul diminui a venda da maçã. Esse é o nível de profundidade que o merchandising profissional pode chegar. E a gente nem faz ideia. Nós que estamos aqui, você olha aquilo e fala: que interessante isso aqui. Não tem interessante. Por que está nessa altura o rótulo? Por que essa garrafa está aqui e não está ali embaixo? Tem tudo a ver e tem um custo para isso acontecer.

Bruno Busquet: Desde o desenvolvimento do produto, a embalagem, até a execução no ponto de venda. Tudo é pensado.

Luciano Pires: Interessante.

Bruno Busquet: Hoje vai mais. Hoje vai um pouquinho mais para frente. É como você se relaciona com a marca.

Luciano Pires: Sim. Mas aí você entra nesse mundo e…

Bruno Busquet: Me apaixono.

Luciano Pires: Se apaixona?

Bruno Busquet: Me apaixono e falo assim: é aqui que eu vou ficar. É aqui que eu faço acontecer. Eu comecei a ver que uma atitude minha convertia. Uma atitude minha trazia o resultado. E aí eu falei…

Luciano Pires: Você era funcionário de uma empresa?

Bruno Busquet: Eu trabalhava. Eu era terceirizado da Coca Cola. Vendia refresco na época.

Luciano Pires: Você trabalhou então numa empresa de merchandising?

Bruno Busquet: Isso.

Luciano Pires: Que trabalhava para a Coca Cola?

Bruno Busquet: Isso. Não tinha muito esse negócio de registrado não. Era mais cooperativado, vamos falar assim. Porque naquela época não tinha muito isso.

Luciano Pires: Sim. E aí?

Bruno Busquet: E aí comecei a ver o mundo na minha frente. Pensa: eu trabalhava numa marca. No supermercado tinha 200, 300 marcas. Eu falei assim: mas se eu puder mudar tudo. Se eu puder fazer as coisas diferentes não só aqui, mas pensando também. E aí comecei a querer mais. E aí virei supervisor. E aí comecei a liderar os promotores. Depois de supervisor fui ser coordenador dentro de uma agência.

Luciano Pires: Antes de ser supervisor dessa turma você já tinha comandado equipe de alguma forma?

Bruno Busquet: Nunca.

Luciano Pires: Nunca?

Bruno Busquet: Nunca.

Luciano Pires: Como é que foi essa tua chegada para o nível de supervisor? Alguém te chamou e falou: cara, você é bom, eu quero você cuidando dessa turma.

Bruno Busquet: Eu não sei se identificaram alguma coisa em relação à minha liderança, Luciano. Mas assim, os resultados que eu trazia. A minha loja era perfeita. Então assim, toda vez que tinha o lançamento de algum SKU, que é cada unidade nova cadastrada, eu tinha uma performance muito grande. Então assim, eu comecei a ver possibilidades. E sempre no Rio de Janeiro você usa muito mais o relacionamento interpessoal do que aqui em São Paulo. E aí eu consegui a vaga de supervisão.

Luciano Pires: Como é que foi chegar segunda-feira para trabalhar e descobrir que você não era mais mocinho, agora você era índio?

Bruno Busquet: Como assim?

Luciano Pires: É. Você estava no meio dos mocinhos. Até então você era igual a todo mundo. Vamos almoçar junto, tomar uma sopinha e tudo. No dia seguinte você é o chefe. E aí: opa, já não dá mais para falar tudo que a gente falava. Como é que foi?

Bruno Busquet: Nessa época eu não tinha essa noção de que você teria que mudar esse tipo de atitude. Você vai aprendendo aquilo ali na marra. Porque eu não recebi capacitação disso lá atrás.

Luciano Pires: Essa era a minha próxima pergunta. Você teve algum tipo de treinamento para assumir?

Bruno Busquet: Não.

Luciano Pires: Não, cara. Te jogaram lá e…

Bruno Busquet: Não. O treinamento era burocrático. Como você cobrar as partes administrativas. Isso que você tinha lá. Quando você vai para dentro da agência, depois, um passo mais à frente, aí sim você começa a ver como trabalhar o comportamental. Mas antes disso não. Você é só o líder deles, entendeu? Eu era o supervisor, que fazia rota, que trabalhava, que via passagem, reembolso, esse tipo de coisa. E ainda acompanhava a execução. Corrigia se tinha alguma coisa errada. Motivava, mostrava para eles. Eu já gostava de fazer isso. Mostrava para eles como poder negociar melhor com o gerenciador. Você obter o resultado. O que você tem que entregar para ele, sem ele te pedir, para, daqui a pouco, ele fazer alguma coisa que você queira. Eu já usava isso, já.

Luciano Pires: Sim. Que bom. E aí você se enturmou ali, achei minha praia? Essa é a minha praia?

Bruno Busquet: É. Porque eu fazia diferença ali e sentia isso. Mas eu queria mais. Eu queria estar dentro, pensando lá atrás. Por isso que eu fui para dentro da agência. E aí comecei a trabalhar dentro da agência, cuidando dos líderes de campo, que eram os supervisores. E aí comecei a ver outra possibilidade. Como formatar um treinamento? Como ajustar isso? Como melhorar os prazos, as entregas de respostas que eles não tinham. Comecei a ver essa parte de dentro da agência. Independente da indústria. Ou seja, trabalhando dentro da agência mesmo, como o cara que é o intermediário. E vi que as possibilidades podiam ser maiores.

Luciano Pires: Sim. Só de melhoria de processo?

Bruno Busquet: De melhoria de processo. Mesmo sem ainda estudar processo de marketing. E aí, quando eu fui trabalhar dentro da agência que eu comecei a pensar em fazer MBA. E eu já era formado já. E estavam vindo para o Brasil as primeiras turmas de MBA do Brasil na época, nos anos 2000, mais ou menos. E aí eu comecei a estudar lá para fazer MBA em Marketing e Economia.

Luciano Pires: Sim. E aí continua?

Bruno Busquet: Cara, assim, eu vi um outro mundo. Eu vi um outro mundo ali. Lembra quando o Mauro César falou assim: onde você quer chegar? Na faculdade eu não vi isso. Porque eu vi muita coisa de hotelaria, lembra? É muito receptivo, de como você faz e tal, foco no cliente, de muita coisa sobre ética. Mas eu não tinha me achado ainda. Só que quando eu fui fazer o MBA, tudo aquilo que eu tinha visto de exatas e tudo o que eu queria ver de conversão era o marketing em economia. E aí eu me encantei e ali eu estudei muito. Ali eu estudei muito. O meu professor foi Luiz Carlos Evalt, que era o Senhor Dinheiro, do Fantástico. Antes de ser o Senhor Dinheiro ele já era famosíssimo lá na Fundação Getúlio Vargas. E ele fez um desafio no primeiro dia de aula dele. Ele falou assim: comigo ninguém tira 10. Comigo ninguém tira 10. E eu tirei 9,9 porque ele falou que eu esqueci um ponto. Aquilo ali me fazia cara, me motivava ao desafio. E ali eu me encantei. Tanto é que o coordenador da Fundação Getúlio Vargas me fez um convite através do diretório da Fundação, que eles tinham muita parceria. E aí eu fui trabalhar na Credicard. Saí da agência.

Luciano Pires: E foi para o Credicard?

Bruno Busquet: Fui para a Credicard. A Credicard estava começando a plataforma para virar banco – o que acabou não acontecendo – a gente tinha um projeto de Credicard Store. E aí eu comecei a cuidar de produto. Um produto chamado Venda Empresa, que vendia crédito com benefício para os RHs. Dali eu comecei a viver um outro mundo. Porque eu cuidava das agências. Olha como que a vida foi me levando. E eu não queria. Eu não queria fazer nada, ser empreendedor, nada disso. Mas eu comecei a enxergar as agências agora, os prestadores, que a gente chamava na época de EPS, Empresa Prestadora de Serviço. E aí eu comecei a ver o universo das agências. O diretor de marketing da Credicard – que eu não me lembro o nome, desculpa, eu não me lembro o nome – ele viu uma oportunidade num cara que trabalhava numa agência, para coordenar as agências, para cuidar das agências. E eu dei sorte, porque eu estava muito bem na pós-graduação, no MBA. E aí ele me chamou lá para dentro e lá eu fiquei um ano. Um ano direto lá. Foi o único canal que bateu todas as metas. Eu gostava muito de fazer isso.

Luciano Pires: Que legal.

Bruno Busquet: Muito. Mas não fiquei muito tempo. Porque na primeira possibilidade de promoção, eu não fui promovido. Foi promovida uma menina chamada Cristina Mainardi, que tinha mais tempo do que eu. E aí eu falei: não, não é para mim. Cadê a meritocracia? E eu não queria isso. E aí eu falei que iria sair.

Luciano Pires: Você pediu para sair?

Bruno Busquet: Pedi para sair.

Luciano Pires: E foi para onde?

Bruno Busquet: Voltei para a agência. Porque quando eu saí para a Credicard, o dono da agência falou para mim assim – eu nunca esqueço também, um cara fantástico, Marlon Bastos – o cara virou para mim e falou assim: vai, o mundo lá fora não é como aqui dentro da agência. É crocodilo para tudo que é lado. E sempre que você tiver qualquer dúvida, você me ligue. E se você quiser voltar qualquer dia desses, a porta está aberta.

Luciano Pires: Que legal. Você não explodiu ponte nenhuma na saída. Que eu acho que essa é a grande… isso que eu falo para todo mundo que eu trabalhei. Eu falei: cara quer sair bicho, conversa comigo aqui, que eu vou ser o primeiro, cara. Se você me mostrar que tem na mão uma proposta e eu achar que essa proposta é interessante para você, eu seria o último cara a te segurar. Eu quero mais que você voe. E eu quero que voe numa boa. Então, saia de portas abertas e mantenha as portas abertas aqui, porque o fato de você ter essa segurança é uma diferença brutal, sabe? Cara, eu vou voar. E se der errado? Puta, eu estou tão bem aqui. Bem relacionado. Que eu tenho um porto seguro se eu precisar retornar aqui. E tem gente que não faz isso, sai chutando o balde e quebra o pau e destrói uma ponte. E lá na frente que vai ver a dificuldade.

Bruno Busquet: O meu grande líder foi meu pai. E é meu pai até hoje. Hoje meu pai tem degeneração na retina, está com problemas de saúde, mas está vivo ainda. E ele sempre falou para mim assim, Luciano: o mais importante de como você entra, é como você sai. Porque todo mundo abre a porta pela primeira vez. Mas se você sair errado – como bom vendedor – e outra verdade que ele sempre falava assim: Brunão, não vende para ninguém. Vende através dele. Porque se você vender esse conceito, ele vende para você. E são ensinamentos que eu trago até hoje, do meu pai.

Luciano Pires: Que legal. Vamos lá, vamos chegando nos dias de hoje. Vamos chegar mais perto. E aí, para que lado foi sua vida?

Bruno Busquet: Engraçado, porque, seguindo essa ordem cronológica, depois que eu voltei para a agência, aconteceu uma fatalidade, o dono da empresa acabou morrendo. E aí, o pessoal, os clientes que eram daqui de São Paulo, na época, perguntaram se eu não queria cuidar disso para eles.

Luciano Pires: Aqui em São Paulo?

Bruno Busquet: Não. Ainda no Rio.

Luciano Pires: Você estava no Rio ainda?

Bruno Busquet: Estava no Rio ainda.

Luciano Pires: Mas o pessoal de São Paulo é que te…

Bruno Busquet: É. Porque eles foram no enterro lá. Eles foram no enterro no Rio de Janeiro e perguntaram. Porque como eu era muito amigo da família, ele tinha me aberto as portas. Eu ainda fiquei mais dois anos ainda trabalhando pela família, antes de abrir a minha primeira empresa.

Luciano Pires: Então, eu quero chegar agora, nessa hora em que o bichinho do empreendedorismo te cutuca a ponto de você…

Bruno Busquet: Eu estava fazendo MBA ainda, não tinha terminado.

Luciano Pires: Então, mas você parar e olhar e falar: bom, eu acho que vale a pena. Já que eu tenho o sonho de fazer o negócio e tal, por que não fazer o meu próprio negócio?

Bruno Busquet: Eu ainda não queria.

Luciano Pires: Então, como é? Quero nessa hora, como que você chega nessa hora?

Bruno Busquet: Aconteceu. E aí eu assumi. Eu falei: tá, vou abrir o meu CNPJ então e aí…

Luciano Pires: Como assim? Tá eu vou abrir? Ninguém faz isso, acorda de manhã e fala: vou abrir. Espera aí. Eu quero saber como que você chegou ali. Porque é o seguinte: uma coisa. Uma coisa é você estar bem na empresa, trabalhando, todo dia 15 tem seu salário. Você não está nem aí com um milhão de encrencas. Você não está preocupado se vai ter que vencer o boleto no final do mês, da empresa, das coisas da pessoa jurídica.

Bruno Busquet: É. Eu sei disso.

Luciano Pires: Você só vende, faz seu trabalho bem feito e recebe o teu salário no fim do mês.

Bruno Busquet: Claro. Claro.

Luciano Pires: Ao assumir o negócio, muda tudo. Porque além de fazer tudo o que você fazia lá, vai ter o outro lado, que é o lado que ninguém sabe. Que você só sabe quando bota a mão.

Bruno Busquet: É. Eu sei.

Luciano Pires: E que descobre que o seguinte: que tem o contador bateu na tua porta.

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Essa transição, ela não acontece assim, de uma hora: me encheu o saco, vou abrir o meu próprio negócio.

Bruno Busquet: Não. Não foi assim. Lembra que eu falei que ele morreu? E aí eu precisava cuidar das coisas da família para ele, entendeu? E aí eu fiquei dois anos. Só que eu precisava abrir um outro CNPJ, porque ele tinha um outro sócio. Então aí eu precisei abrir um CNPJ, um primeiro CNPJ. E aí eu descobri o que era ser empresário. Porque não existe faculdade de empresário nesse país. Você pode estudar administração, você pode marketing, você pode estudar o que for, empreendedorismo. Mas faculdade para ser empresário não. E aí foi quando eu abri o primeiro CNPJ, uma empresa chamada Feeling Max Promocional no Rio de Janeiro. E aí…

Luciano Pires: Para prestar serviço?

Bruno Busquet: Para essas agências de São Paulo.

Luciano Pires: Agências.

Bruno Busquet: Foi a primeira vez que eu empreendi. E aí já tomei uma… assim, já tomei uma lapa de primeira. Porque enquanto estava abrindo… não, vamos lá: a gente estava no início do século 21, lá atrás. Demorava 45 dias para abrir um CNPJ. Enquanto não abria o meu CNPJ, eu precisei fazer uma campanha. E aí fui usar o CNPJ do meu pai. Tipo: tranquilo, vou usar o CNPJ do meu pai, porque ele sempre foi representante comercial, pessoa jurídica, nunca foi CLT. E aí fui usar. E aí eu descobri o primeiro problema que tem, de um cara, de um profissional – que você acabou de falar – contabilidade. O meu pai tinha pedido para excluir a parte de vendas no CNPJ dele, porque ele queria só representações.

Luciano Pires: Entendi.

Bruno Busquet: E aí o contador não fez isso e ficou acumulando dívida de ICMS.

Luciano Pires: Cara…

Bruno Busquet: Quando passou na fronteira o material que eu ia receber para representar no Rio de Janeiro, deu devedor. Pelo CNPJ dele. O meu pai não recebia mercadoria nenhuma. Só que eu precisei receber brinde para executar a ação promocional. E aí eu tomei a primeira porrada, de R$14.000,00 na época.

Luciano Pires: Puta vida, cara.

Bruno Busquet: E aí descobri também uma outra parte, que logística pode fazer correção a cada momento. Se tiver uma blitz ali na frente, se tiver uma coisa – pelo menos naquela época – se tiver um posto de fiscalização, ele tem o direito de se autocorrigir. E ele se autocorrigiu, porque ele tinha feito alguma coisa errada. Mas mesmo assim não deu, porque nem meu pai, nem eu, não sabíamos que o contador não tinha fechado a parte de livro caixa, de…

Luciano Pires: Para você que está ouvindo a gente aqui, que está achando que nós estamos falando iídiche. Iídiche. Você que está no outro mundo aí, eu só vou dar uma dica aqui. Você, quando você quer abrir uma empresa, quando você vai começar a montar o teu negócio, você não chega lá e fala assim: quero abrir a empresa Zé Bodão S. C. Ltda. Você tem que pegar um contador e ele e aí você vai ter que fazer um contrato social, você vai ter que descrever em que áreas você atua. Então olha: eu atuo na área A, B, C, D, E. Conforme as áreas de atuação que você colocar vai cair numa alíquota de imposto. Vai ser medido de um jeito ou de outro. Se você chutar qualquer coisa e lá na frente descobrir que não era assim, tem um passivo. Então você tem que cuidar muito, cara. Eu só vendo? Eu vendo e compro? Eu trabalho com o quê? Então para vocês terem uma ideia. Quando eu fui montar aqui o meu esquema do Café Brasil, eu fui direto para montar um esquema de editora. De repente, no meio do caminho, eu fui vendo: cara, mas a editora não cobre tudo o que eu faço. Eu também faço palestra. Palestra não cabe na editora. Onde que está o encaixe de palestra? E agora, recentemente, quando nasceu o Café Brasil Premium, que era um sistema de assinatura recorrente. Cara, em que katzo de lugar cabe assinatura recorrente? Foi um inferno para tentar descobrir, para eu conseguir mexer no meu contrato social e botar na minha razão, falando: olha aqui, a minha empresa também faz isso. Então amanhã, quando aparecer um fiscal aqui, eu estou coberto com tudo isso. Que são detalhes, que um cara que vai empreender agora, do zero, não tem a menor ideia, cara.

Bruno Busquet: Isso porque hoje você tem o Google, você consegue pesquisar através de todos os portais, tanto da prefeitura, quanto do governo do estado e do federal. Mas antigamente você tinha que ir aos cartórios, você tinha que ir às autarquias para correr atrás disso.

Luciano Pires: O Brasil melhorou cara.

Bruno Busquet: Melhorou. O mundo melhorou. A gente andou um pouquinho para frente.

Luciano Pires: Isso aí. Mas vamos lá. Você então agora é um senhor empreendedor.

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: Você não tem chefe hierárquico. Não tem ninguém na hierarquia de ser chefe. Você tem um cliente. O que muda na tua vida, cara?

Bruno Busquet: Muda muita coisa. Primeiro que você não sabe como lidar com custo, despesa, investimento. Você não sabe nada disso. E ao mesmo tempo você quer agradar muito o seu cliente. Você quer agradar, quer entregar tudo que você pode. Trabalhar formatação de preço, trabalhar tudo isso é bem complicado para o cara que é empreendedor. Então eu fui estudar muito administração. O MBA me deu muita base disso, mas eu fui mais in loco para poder entender isso e fui muito para o SEBRAE para entender mais. Isso ajudou. O SEBRAE ajuda muito a gente, sabe?

Luciano Pires: Ajuda. Você fez o Empretec?

Bruno Busquet: Cheguei até o Empretec. Cheguei até o Empretec. E lá fui muito bem-sucedido, graças a Deus. E ganhei um livro chamado Empresário, o Líder Solitário.

Luciano Pires: Que legal, que legal.

Bruno Busquet: O Empretec foi muito legal. Eu inventei – lá no Empretec na época, ainda eram seis dias ainda, eu acho que hoje são menos, mas era sete ou oito dias, não me lembro – e aí eu inventei uma camisa com os dizeres dos empretecos, vamos dizer assim, na época. Que hoje está muito em voga essas camisas personalizadas. E aí eu vendi mais de 200 camisas e fui a empresa que mais gerou lucro na época.

Luciano Pires: Que legal. Você também que não sabe do que nós estamos falando, Empretec é um programa que existe dentro do SEBRAE – que existe fora do país, é uma importação que eles fizeram para cá – montaram um programa que tem como intenção descobrir se é para você ser empreendedor ou não.

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: Eles não vão te ensinar a ser empreendedor. Eles vão tirar o teu chão, eles puxam o teu tapete, deixam você pendurado no pincel. Durante, você sofre desgraçadamente, durante quatro ou cinco dias, para no final, falar: cara, eu sou do ramo e esse negócio é para mim. E aquilo é fundamental. Eu sei de gente que mudou completamente a cabeça, a partir da experiência que teve ali.

Bruno Busquet: E eu anotei lá o que eu queria. Primeiro que é muito legal ver o teu comportamento quando você vai fazer a entrevista no Empretec e vê que você acha que é uma coisa. E no final, quando você percebe, você vê que não é nada disso. É uma outra coisa, que precisa melhorar muito mais, sobre o que você acredita que é empreendedorismo e como é gerado o negócio. Tipo, algumas características que o empreendedor tem que ter, que às vezes é nato, mas às vezes você tem que desenvolver mais. E ali eu coloquei que a minha primeira empresa ia ter que expandir pelo Brasil ou criar várias empresas e tal. Era o que eu mais queria naquela época, sem saber o quanto difícil é desenvolver pelo país.

Luciano Pires: Sim, você tem… você assistiu Fome de Poder?

Bruno Busquet: A Fome do Poder. Sim.

Luciano Pires: O filme de como nasceu o McDonald’s.

Bruno Busquet: Isso.

Luciano Pires: Esse é o nó do filme. O cara olha aquilo e fala: isso aqui é genial, é fabuloso. Como é que essa coisa se multiplica? Como é que escala? E aí o bicho pega. Aí que dá o rolo todo. É na hora de você escalar. Escalar sem ter o dono olhando pertinho, sem ter o teu tesão.

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: Estou terceirizando o meu tesão. Isso não se faz. Não dá.

Bruno Busquet: E sem rolar nenhum spoiler sobre o filme, que eu acho que o ouvinte tem que ver esse filme. Todo empreendedor tem que ver esse filme. Da maneira como o Croc enxerga o futuro. Só que ao mesmo tempo, ele enxerga que ele não consegue desenvolver uma situação, que era o principal negócio do McDonald’s na época. Mas aí eu deixo para o ouvinte ver o que é.

Luciano Pires: Não, vale muito o filme.

Bruno Busquet: Vale muito.

Luciano Pires: Mas vamos lá, e aí?

Bruno Busquet: Tem uma frase do Croc – desculpa, Luciano – tem uma frase do Croc que eu acho muito importante, eu uso muito hoje, todos os dias em palestra, em divulgação que a gente faz, em reunião: ninguém é tão forte quanto todos nós juntos.

Luciano Pires: Ou então: uma corrente é tão fraca quanto seu elo seu mais fraco.

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: É sempre assim. Mas vamos lá. Aí a tua empresa está nascendo, vai?

Bruno Busquet: Nasceu, cara, nasceu a empresa. E eu comecei a trabalhar, trabalhar, trabalhar. E cheguei a ser a maior e melhor loja de marketing promocional na época, no Rio de Janeiro. Que ainda tinha essa nomenclatura. Hoje ela é marketing.

Luciano Pires: Mas então, deixa eu pegar aqui uma coisa interessante. No momento em que você muda o teu CNPJ para atender aquela carência do teu amigo que morreu etc. e tal. Você é você. Sou eu, a banda do eu sozinho. E quando é que chega o momento que você fala: cara, eu vou ter que expandir esse treco aqui. Eu preciso de um local para trabalhar. Eu preciso de um escritório, eu preciso de uma secretária, eu preciso de um outro cara? E de repente, o teu custo que era comer e andar, começa a ser comer e andar e pagar o salário da secretária, pagar o aluguel da casa, pa-pa-pa. Como que foi lidar com isso, cara?

Bruno Busquet: Erros e acertos.

Luciano Pires: Erros e acertos?

Bruno Busquet: É. Erros e acertos, cara. Porque naquele momento você vê, às vezes, uma fatura entrando e aquele dinheiro não é seu. É da empresa. Porque você tem obrigações. Obrigações presentes e futuras. Você tem que trabalhar isso. Mas ao mesmo tempo, você começa a fazer muita conta sobre o seu dia a dia. A ponto de passar mais de três meses almoçando coxinha todos os dias. Porque eu acreditava que valeria mais a pena eu pagar o aluguel para ter o imóvel do que ter aquele baita almoço. E aí o meu primeiro escritório num shoppingzinho bem pequenininho que tem ali na Barra da Tijuca. Todo mundo fala assim: trabalhar no Rio de Janeiro, próximo à praia e viver. Eu fiquei ali dois anos, um pouquinho menos. E nunca saí do escritório e fui para a praia.

Luciano Pires: Imagina. Como é que foi lidar com a consciência de que se você quebrar, você vai arrastar gente com você? Que até então, você não tinha. Agora, se eu quebrar, essa secretária vai junto, o fulano vai junto. Ela tem marido, ela tem filho. Eu estou arrastando comigo terceiros. Isso bateu para você?

Bruno Busquet: Naquela época, eu não tinha essa percepção de que eu era o chefe das famílias de todo mundo. Não era só a pessoa que estava ali trabalhando. Mas que eu era responsável pelas famílias de todo mundo. Mas assim, acontece o primeiro erro do cara que quer empreender sem saber. Você contrata amigo. Você não contrata por capacidade. Você começa a contratar as pessoas que você conhece. Ou que você acha que você confia. Porque também nessa vida você vai ver muita coisa que não se encaixa, vamos falar assim.

Luciano Pires: Como que é a frase famosa? Nunca contrate alguém que você não pode demitir. Não é isso?

Bruno Busquet: Exatamente. Mas aí você começa a pensar: não, fulano pensa bem, vamos fazer isso? E mesmo assim, precisa ser funcionário. E como que você lida isso no dia a dia? Começa a trabalhar com familiares. E uma das questões… meu irmão é líder hoje da empresa do Rio de Janeiro. Mas lá atrás, quando a gente estava iniciando tudo, era o meu irmão mais velho. O meu irmão mais velho, que tinha que trabalhar para mim, que tinha que desenvolver toda aquela região. Naquela época não tinha BI, não tinha business intelligence, tinha relatório, tinha desenvolvimento, tinha report de fax ainda. Essa galera não sabe o que é fax.

Luciano Pires: Cada vez que você fala, eu caio na… a minha idade vem. Cada vez que alguém fala, vem a minha idade. Não é porque eu sei o que é fax. É porque eu vi surgir. Eu vi chegar o primeiro. Eu via gente apertando botão. Eu vi. Nossa senhora.

Bruno Busquet: Mas durante muito tempo, alguns processos… eu trabalhei com futebol em 2005 até 2009, mesmo nessa época, 2005 a 2009, tinham alguns presidentes de clubes que só davam ciência se viesse o documento por fax, não queria saber de e-mail não. Então, o Brasil melhorou, mas demorou um pouquinho.

Luciano Pires: Mas termina de elaborar essa coisa da consciência da família?

Bruno Busquet: Exato. E aí nesse momento, você contrata todo mundo e vê que você contratou errado. E não só porque você não pode mandar embora. Mas porque ele não é capaz. E aí trabalhar capacitação em cima de quem você sabe que tem valores, mas sabe que tem problemas. E naquela hora, tipo, você não consegue cada vez mais impulsionar a capacidade dele é complicado.

Luciano Pires: Cara, você levantou uma lebre aí, que é um negócio. Isso eu cansei de ver a vida inteira e continuo vendo até hoje. Que é: cara a pessoa é boa, ela é legal, cara. Ela sabe das coisas. Ela é legal e tudo. Mas ela não vai fazer. Não adianta. Ela não vai fazer aquilo, não é porque não quer, não é porque não se esforça. Ela não é aquilo. Não adianta eu forçar a barra. Por mais que seja a minha amiga, por mais que eu queira dar treinamento, ela não vai fazer.

Bruno Busquet: Exato.

Luciano Pires: E chega uma hora que esse não vai fazer, não significa: então põe para fazer outra coisa. Não dá. Talvez eu tenha que abrir mão. Cara, mas você vê, uma pessoa tão legal. Pois é, cara. Tão legal. Mas para o objetivo do negócio ela não se encaixa, cara. Ela vai ter que sair.

Bruno Busquet: Então, mas aí eu aprendi uma outra lição, a primeira assim, de contratar pessoas. Não existe     uma pessoa para uma vaga. Existe uma vaga para uma pessoa. Então você não contrata a pessoa e coloca ela numa vaga determinada. Você tem uma vaga e você seleciona de acordo com aquele perfil. É isso que eu preciso, performance e resultado. Isso demora para quem começa a empreender. Porque tem tanta coisa na cabeça.

Luciano Pires: Ele vai ter que botar um puta investimento em cima do processo de seleção, contratação, seleção. E ninguém gosta de fazer isso, cara. Eu conheço pouquíssimas empresas. Você terceiriza. Bota na mão do RH e o RH que se vire para fazer. Cara, o cara principal, cadê o presidente da empresa? Tem que estar sentado aqui. Ele que tem que pegar na mão desse cara. Ele tem que conversar.

Bruno Busquet: Hoje eu sou chamado à atenção pelo RH, porque eu quero participar do processo seletivo.

Luciano Pires: Pois é.

Bruno Busquet: Eu não acho errado isso, mas ele acha que eu estou errado, que eu não tenho que participar. Não, mas você tem que entrar no futuro, quando já estiver no processo. Está bom. Mas muitas das vezes, eu quero identificar no início o perfil. Bem, uma discussão com o RH, que está ali do lado de fora do estúdio.

Luciano Pires: Está ali, olhando a gente lá. Mas é uma coisa importante. É aquela história do pênalti, ele é tão importante que quem devia bater era o presidente do clube. Eu fiz uma série de publicações agora no meu projeto Café Brasil Premium. 2018 eu me dediquei um pouco a essa questão de seleção. E fiz uns sumários de uns livros legais. Um deles chama Honrar o Talento, Uma Rara Descoberta. Uma coisa assim. E aís os caras vão debruçar em cima desses processos de como é que você não só encontra um talento como não deixa escapar um talento que está escondido, sabe? Estou com uma pilha aqui com 15 candidatos que apareceram aqui e lá no meio tem um cara que é genial e que ele vai dançar. Porque eu fui abordar a papelada dele da maneira tradicional. E o cara contando, falando, cara, o pessoal novo aí, os Google da vida, os caras viram de ponta cabeça, cara, ele começa a ler – o Nélson Mário – o currículo debaixo para cima. Ele começa a ler pelo final para chegar para o começo. Quando todo mundo lê do começo para o final. Ele fala: eu quero saber qual é o hobby desse cara, qual é a curtição dele? Depois que eu sacar a curtição do cara, eu vou saber se esse cara me interessa ou não.

Bruno Busquet: Sim. Mas isso aí, essa performance de saber ler o currículo, ler o portfólio, vamos falar de portfólio profissional é fundamental. Fundamental. Depois você vê o comportamento. Mas aqui você identifica já se o cara tem um perfil ou não, para a sua empresa.

Luciano Pires: Sim. E você resolve. É como isso aqui que nós estamos fazendo. O Lalá que é o meu técnico aqui, quando eu fui montar o estúdio aqui, você vê que é um estudiozinho bem montadinho.

Bruno Busquet: Muito bonito.

Luciano Pires: O Lalá veio falar o seguinte, ele falou: cara, 80% da qualidade do teu programa vai ser a captação do som, entendeu? Então, se você resolver a sala de captação, o resto é bobagem. Você não vai precisar tocando coisa lá fora, porque a captação foi bem-feita, quer dizer, nasce com qualidade. Nasceu aqui, o nosso papo está muito bem captado, lá fora vai ser uma bobagem. Na empresa é igual, cara. Se não entra com a captação certa, se a captação não for de primeira linha, vai ser duro. Você vai ter que botar filtro de montão. Vai ter que estar corrigindo. É uma complicação.

Bruno Busquet: Porque empreender não é correr 100 metros. É correr maratona. Não pode cansar nesse período. Por mais que ele erre – e vai acontecer – ele tem que, a cada dia, se recuperar, se regenerar. Porque já dizia lá atrás: vamos quase quebrar várias vezes.

Luciano Pires: Você… a empresa nasce e começa a dar certo?

Bruno Busquet: Sim.

Luciano Pires: Crescer dói?

Bruno Busquet: Dói pra caramba. Dói pra caramba. Porque sai da sua mão. As coisas que saem da sua mão, que você não identifica. E por mais erros e acertos que você tenha você sabe que está na sua mão, que você controla. É como se a molecada hoje não tivesse joystick na mão. É uma realidade que independe dele, é uma interação que independe dele. Esse é o crescimento do empresário. E você, por mais que aconteça tudo na sua vida de bom, acontece muita coisa ruim. Confiar nas pessoas certas para tocar o seu negócio. Isso tudo, cabe uma escola. Cabe bastante coisa. É interessante essa parte porque dói. Dói muito. E faz parte do desenvolvimento do empresário. Porque pode não estar na tua mão. Mas está na tua cabeça. E o que mais vale para o empreendedor depois que ele monta o negócio dele é como ele pensa. É como ele vai agir no próximo negócio dele. Porque empreendedor não é empreendedor de um negócio só. É empreendedor de vários negócios.

Luciano Pires: E até também estabelecer, qual é o ponto de equilíbrio, cara. Até onde eu devo ir, sabe? Qual é o meu limite? Não tem limite?

Bruno Busquet: É. Já me fizeram essa pergunta. Você quer ser uma agência pequena, média ou grande? E aí eu falei assim: por que precisa? Porque em várias fases da vida eu quero ser pequeno, eu quero ser grande e quero ser médio. E eu quero realmente poder adaptar cada período, de cada tipo de negócio. Porque eu posso agir como pequeno, mas sendo grande. E me movimentar como um médio, para fazer parcerias globais, pensando como médio. Então assim, não precisa de um formato. Aí a pessoa me respondeu assim: não, porque vai doer.

Luciano Pires: Claro.

Bruno Busquet: E aí quando você decidir isso é que você vai enxergar. E assim, cada movimento…

Luciano Pires: Eu fiz uma palestra chamada O Inho e o Ão. O nome dela é O Inho e o Ão.

Bruno Busquet: Deve ser muito interessante.

Luciano Pires: É. Eu defino – eu já falei até num programa aqui, vou repetir para você, porque não custa nada – eu falo o seguinte: que existe o mainstream, que é onde está Lady Gaga, onde está hoje o Wesley Safadão, o Pablo Vittar. Esse povo está no mainstream. Esse povo não pode sair à rua. Eles não podem… eles não têm uma vida deles mais. A vida não é mais deles. Agora, depende de um baita monte de coisa. Ele não tem mais a liberdade de ir na padaria tomar um cafezinho de manhã.

Bruno Busquet: Não tem.

Luciano Pires: Se ele fizer isso para a rua, etc. e tal. Existe o underground, que o Zé que é músico e que dirige o Uber e se ferra de montão para conseguir gravar uma coisinha para ver se alguém escuta aquela coisinha e no fim de semana ele toca num barzinho e ganha R$75,00 por noite. E é um fodido, cara, na vida dele ali e ali vai ficar. E existe o mainstream. Eu criei essa história do mainstream, que o que é? Nada mais é do que o lugar onde você nunca vai ter um avião, um apartamento em Paris, em Miami, em Nova Iorque. Você não vai ter uma Ferrari. Você não vai aparecer num programa da Fátima Bernardes cantando, não vai estar cagando regra em todo lugar. E também não vai ser um fodido. Você está no meio do caminho. Você é gente como a gente. E dá para ser feliz no mainstream.

Bruno Busquet: Na verdade, eu acho que é onde dá.

Luciano Pires: E foi o que eu coloquei. Eu falei: cara, como que eu faço para ter um negócio no mainstream? Que eu possa não me encantar de ser… eu não quero ser um Michael Jackson, porque eu ia perder minha vida. E também não quero ser o Mané, lá embaixo. Como que eu faço para ter sucesso no meio? E esse meio significa o seguinte: tem um pé e tem um teto. Quando eu bater nesse teto eu vou falar: cara, eu quero passar dele? Porque eu sei o custo que vai ter, cara. Se eu passar do teto, eu sei o custo que tem lá atrás. E esse custo é a minha liberdade. Quanto mais eu crescer e mais eu ficar, menos liberdade eu vou ter. Daqui a pouco eu vou ter que ter um segurança para o meu filho. Será que eu quero isso?

Bruno Busquet: Não.

Luciano Pires: Talvez, se eu não quero isso, eu não preciso chegar ali. Então, essa consciência de você: deu, está bom do jeito que está.

Bruno Busquet: Não, discordo.

Luciano Pires: Mas então, é isso que eu quero ouvir. Eu quero ouvir essa tua colocação.

Bruno Busquet: Na minha percepção não tem o: está bom do jeito que está. A gente tem que se reinventar. Precisa se reinventar. E não há nada que exista que não posso ser aprimorado. O seu problema pode ser o problema de outro. Ou então o problema do outro pode ser o seu. Reinventa isso. Cria outra coisa. Traz uma solução diferente para um problema comum de todo mundo, que ninguém nunca pensou.

Luciano Pires: Mas nós estamos falando de uma coisa. Aliás, a gente está olhando de dois enfoques diferentes. Eu estou dizendo o seguinte: você expandir ao ponto de perder o controle do teu negócio. Então quem é você? Agora eu sou um bilionário e que tenho 25 negócios pelo mundo inteiro e sou um bilionário, que não posso sair de casa, ta-ta-ta. Você quer isso?

Bruno Busquet: Não.

Luciano Pires: Você quer isso? Então, não dá para… ou você vai ter que reinventar o jeito de ser bilionário. Entendeu? Eu vou ter que ser um que ninguém conhece, morando numa ilha deserta, ninguém sabe quem eu sou para poder sair na rua. Entendeu? Então, esse equilíbrio que eu estou dizendo. Tem gente que olha para isso tudo e fala: quanto mais vier, melhor é. E uma hora você fala: bicho, cadê a tua família?

Bruno Busquet: Não, não. Exatamente.

Luciano Pires: Cadê teus filhos?

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Cadê a tua vida?

Bruno Busquet: São valores que você precisa carregar com você.

Luciano Pires: Então acabou, cara. Eu não tenho vida. A minha vida é o meu negócio. E não é essa… quando você morrer, acabou aquilo tudo lá.

Bruno Busquet: Um amigo meu diz uma frase muito interessante, que eu gosto e vou repetir aqui: não quero ser o mais rico do cemitério.

Luciano Pires: Essa é boa. É isso aí. É isso aí. É isso aí.

Bruno Busquet: E é verdade.

Luciano Pires: É isso aí. É isso aí. Mas não sei por que a gente desviou para cá. Mas valeu a conversa aqui. Volta lá, você então se transforma na empresa mais…

Bruno Busquet: No Rio de Janeiro.

Luciano Pires: No Rio de Janeiro.

Bruno Busquet: Isso. Aí recebo uma proposta para vir para São Paulo. E foi difícil.

Luciano Pires: E vir significa mala e cuia? Vou me mudar para São Paulo?

Bruno Busquet: É. Porque eu sempre conheci muito bem. Já fazia isso durante 10 anos, 8 mais ou menos. Vindo sempre para São Paulo para receber treinamento e trabalhava muito bem isso. E no Rio de Janeiro. E aí num certo momento o cliente vira e fala: e se você cuidasse disso para mim no Brasil inteiro? Aí eu falei: hã? É. Faz tudo que você faz no Rio de Janeiro para mim, mas faz no Brasil inteiro. Mas para isso, Bruno, você tem que vir para São Paulo, para estar do meu lado aqui. Cara, e assim, eu adoro um desafio, Luciano. Adoro. Adoro. Tinha tudo, cara. Sério, eu estava superbem estabilizado. Talvez tenha batido no teto, como você diz.

Luciano Pires: Você tinha família?

Bruno Busquet: Tenho.

Luciano Pires: Casado, filhos?

Bruno Busquet: Não, não. Até hoje.

Luciano Pires: Mas então, você não tinha que carregar esposa e filhos com você?

Bruno Busquet: Não, não.

Luciano Pires: Isso já é um puta diferencial.

Bruno Busquet: Mas aí, o que eu fiz? Lembra? Fui treinando e capacitando pessoas para ficarem comigo nesse período todo. Eu cheguei para três pessoas muito importantes para mim dentro da agência e ofereci para essas três pessoas. Falei o que estava acontecendo. Falei que eu vinha. E que eu precisava de uma delas para aceitar o desafio. Foi quando a Patrícia – que hoje é a minha diretora financeira – aceitou o desafio e veio para cá, para São Paulo na minha frente.

Luciano Pires: Legal.

Bruno Busquet: É. Isso foi muito legal.

Luciano Pires: Legal.

Bruno Busquet: Hoje dessas três, uma não trabalha mais comigo. E a outra, depois de três anos que eu estava aqui, ela veio também.

Luciano Pires: Quando foi que você veio?

Bruno Busquet: Em 2010.

Luciano Pires: Então você já vai para o nono ano em São Paulo?

Bruno Busquet: Nono ano em São Paulo.

Luciano Pires: Como que é para um carioca morar em São Paulo, cara? Deixa eu te dar a minha percepção. Porque eu sou paulista, nunca morei fora de São Paulo. Eu nasci no interior, nasci em Bauru, interior de São Paulo.

Bruno Busquet: Bauru é bom.

Luciano Pires: Vim para cá com 18 anos de idade e de lá para cá eu fiquei aqui. Então a minha vida inteirinha foi feita aqui em São Paulo. E a percepção que eu tenho aqui é o seguinte, cara: estando em São Paulo – isso aqui não é demérito nenhum para ninguém, para mim é fato – em São Paulo você é obrigado a andar a 180 por hora. Não tem jeito, cara. Tem que ser a 180. Quando você sai de São Paulo e vai para qualquer lugar do Brasil, a velocidade cai. Ela cai. Ela cai para 120, 160. Se você for para o Mato Grosso cai para 30, 40. E é legal. Esse é o…

Bruno Busquet: E tem que ser assim.

Luciano Pires: E quando você chega lá cara, você fica agoniado. Cara, eu estou agoniado que as coisas não andam com a rapidez que eu preciso que ande aqui. Por que é assim? Porque é assim. Porque isso aqui é uma metrópole, porque tudo é exigente. Porque precisa sair daqui até a esquina para comer um sanduíche é um saco, cara. Vou me encontrar com os amigos. Tudo é complicado aqui. Então você tem que se desdobrar aqui e acaba entrando nessa velocidade. E ela está no teu sangue. Então, para desacelerar, sai de férias. Cara, no terceiro dia que eu estou num resort na Bahia, eu já estou louco. Meu Deus do céu, não acontece nada aqui. Para assimilar essa queda. E eu fico imaginando como é o contrário, quando alguém vem do 120 e cai no 180? Se existe essa percepção e como que você trabalhou isso?

Bruno Busquet: É interessante isso. Porque eu não senti tanta diferença na época. Porque eu já tinha um ritmo muito agitado lá. A minha empresa no Rio de Janeiro tinha 5 mil metros quadrados. Então eu tinha bastante desenvolvimento. Eu cheguei a ter mais de 2 mil funcionários em campo.

Luciano Pires: Caramba.

Bruno Busquet: É. Então, eu cheguei a desenvolver bem lá no Rio de Janeiro. E como eu trabalhava já há muito tempo por São Paulo, eu já tinha, já trabalhava nessa batida de entrega. Então, eu não senti muito isso. Mas em compensação, uma coisa que eu aprendi muito aqui em São Paulo foi que São Paulo é a cidade mais competitiva do país. Mais competitiva. E você aqui não pode confundir jacaré com tronco. Porque se você achar que é um jacaré… desculpa. Se você achar que é um tronco e for um jacaré, você já era. Então você precisa estar muito ligado em tudo que está acontecendo.

Luciano Pires: Você quer um exemplo?

Bruno Busquet: Sempre.

Luciano Pires: Delicioso para quem é novo aqui na cidade? Tenta errar a curva que você tinha que fazer. Você está dirigindo na rua. Experimenta errar.

Bruno Busquet: Acrescenta meia hora no Waze.

Luciano Pires: Experimenta errar. Entrei na rua errada, para ver o que acontece? Cara, essa é a primeira coisa. Quem vem de fora: cara, mas como assim? Experimenta errar.

Bruno Busquet: Quando eu cheguei em São Paulo eu era muito novo. Lá atrás, quando eu comecei, Luciano, como eu te disse: eu vinha para cá para São Paulo muitas das vezes. Eu tinha 20 anos de idade. Eu era muito novo ainda. Assim, eu era um menino. Um menino que virou empresário. E aí todo mundo falava assim: mas você está muito novo para fazer. Se você olhar hoje em dia, 20 anos atrás, um garoto de 20 anos fazer uma empresa, beleza. Era muito difícil. Hoje é fácil. Hoje tem um monte de menino que abre uma empresa tecnológica, rápido e fácil. Antigamente não. Todo mundo: mas ninguém vai te dar credibilidade. Você é muito novo. Você não sabe como é que faz isso. E eu ouvia e falava assim: cara, você tem quantos anos? Eu tenho 40. Eu dizia: quando eu tiver a tua idade, eu vou ter 20 anos de experiência. Olhar pelo lado positivo. É importantíssimo isso. E aí quando eu cheguei em São Paulo, eu percebi que eu precisava, primeiro, deixar a minha barba crescer. Por que…

Luciano Pires: Para ficar com cara de…

Bruno Busquet: Eu ficava com cara de mais velho. Hoje eu estou tentando esconder a minha barba branca. É verdade. Eu tento esconder. Mas assim, eu tive que deixar a minha barba crescer para poder passar uma seriedade. Porque eu tinha qualidade no que eu estava passando, no que eu estava passando de informação, só que eu era um menino.

Luciano Pires: Mas era um pirralho. Você era um pirralho. Um pirralho.

Bruno Busquet: Um pirralhozinho. E durante muito tempo, desde que eu cheguei em São Paulo, eu tive funcionários muito mais experientes do que eu. Então assim, foi também uma outra fase de se adaptar aqui em São Paulo. Mas eu posso te falar que não virei paulista, Luciano, mas pode me chamar de cariolista.

Luciano Pires: Qual é a diferença, cara, básica?

Bruno Busquet: De São Paulo para o Rio?

Luciano Pires: De São Paulo para o Rio? A gente já sabe quais são. A gente já sabe. Eu quero ouvir de você.

Bruno Busquet: Vamos falar de negócio? Ou não?

Luciano Pires: Vamos, vamos.

Bruno Busquet: Porque para comer aqui, é muito melhor. Com tudo, com tudo.

Luciano Pires: Não, mas eu quero business. Esse programa aqui é sobre liderança e empreendedorismo. Esse é o enfoque que eu quero que você dê.

Bruno Busquet: Business, cara. Aqui não para, aqui eu me capacitei muito, muito. E se você não buscar esse desenvolvimento você fica para trás.

Luciano Pires: Claro.

Bruno Busquet: Eu disse há pouco tempo: é a cidade mais competitiva do país. Isso te move todo dia. Você enxerga isso nas famílias, com as crianças. Quando você vai em festa hoje em dia, aqui. Eu vou em festa de muito funcionário e tudo, com os filhos. Você vê os pais imbuindo isso nas crianças. Competitividade que vai na escola. Isso é muito característico do paulistano. Isso é bom. Mas ao mesmo tempo, perde um pouquinho do valor, da essência do humano, para o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro leva as coisas… não dá para falar malandragem, porque antigamente se falava muito sobre malandragem; mas o jeito carioca de ser é de dar um jeitinho de resolver as coisas. E resolver as coisas sem ser profissional. Chegar nesse meio termo entre ser um bom agente, como um empresário, que resolvia as coisas com pedido lá no Rio de Janeiro. E aqui ser totalmente profissional. Também foi um gap que eu tive que me relacionar para poder adaptar.

Luciano Pires: Interessante. E o Popeye cara?

Bruno Busquet: Cara, surgiu na minha vida de uma hora para outra também.

Luciano Pires: Explica só para quem não é do ramo. Está cheio de gente ouvindo aqui, que pensa que o Popeye é um marinheiro que come espinafre.

Bruno Busquet: E que fica muito forte. O Popeye na verdade, é uma associação global de marketing no ponto de venda. E que já está no mundo há 48 anos e que está no Brasil há 20 anos         . E eu hoje sou o atual presidente do Popeye.

Luciano Pires: Legal.

Bruno Busquet: Eleito presidente do Popeye no Brasil. O Popeye Brasil, hoje no Brasil é a Associação Brasileira de Marketing no Ponto de Venda. E hoje nós somos a primeira e única associação de marketing no ponto de venda. E somos referência em pesquisa, desenvolvimento, capacitação. Para você ver, ainda lá atrás, lá no início da década, no século 21, quando surgiu a primeira pesquisa sobre 80% do poder de decisão do consumidor, é no ponto de venda. É no Popeye. E até hoje ela é vigente nas faculdades.

Luciano Pires: Que legal.

Bruno Busquet: Então o Popeye é uma referência global, está em 28 países. Agora mesmo a gente vai para a NRF essa semana para aprender e divulgar mais, cada vez mais, o marketing no ponto de venda no Brasil.

Luciano Pires: Vamos falar um pouquinho dessa mudança que está acontecendo agora no… agora não, há 25 anos tem uma mudança acontecendo e que a cada dia que passa ela fica mais evidente, que é: cresceu mídias sociais, cresceu. Ninguém mais entra como um trouxa numa loja para comprar alguma coisa. Eu nunca mais vou entrar numa loja para comprar um televisor sem saber tudo do televisor. Eu não sou mais aquele trouxa que chega lá de boca aberta e o vendedor me conta o que quer. Eu já vou treinado. Se ele pergunta para mim o que é 4K eu já sei o que é 4K. Já vou lá: opa, espera aí, não é bem assim. Então já houve um amadurecimento do consumidor por causa da tecnologia, que trouxe isso para ele. Então, ele chega na loja para negociar com você. Eu estou com o meu celular aqui e está aberto no concorrente. Olha o preço dele aqui. Olha o teu preço aqui. Como é? Que loja? Eu vou te mostrar: olha o preço dele aqui. Então, há uma outra forma de atuar que tem causado impacto em várias áreas. Tem áreas que estão sendo eu não vou dizer para você que são… destruídas, no sentido de que vai acabar o modelo antigo e vai nascer o modelo novo. Você pega a imprensa, por exemplo, pega Abril, Rede Globo, etc. Esses caras estão desesperados, porque alguma coisa nova está vindo aí e aquele modelão antigo vai dançar, entendeu? O modelo antigo não vai servir. A função vai continuar existindo. O fato de ter que alguém criar conteúdo para entregar conteúdo e alguém sentado, assistindo conteúdo, isso não vai acabar nunca. Agora, a forma como é feito, está sendo destruído isso tudo. Esse impacto foi sentido no ponto de venda? Porque você, no ponto de venda, você tem uma coisa que é… outro dia, eu tive um papo aqui com um outro profissional que trabalha com eventos.

Bruno Busquet: Legal.

Luciano Pires: E a gente discutindo o seguinte, ele fala: cara, hoje eu crio evento não só como evento em si, mas como um conteúdo que será multiplicado de maneiras brutais.

Bruno Busquet: É exatamente isso.

Luciano Pires: Então, aqueles 100 caras que estão assistindo aquilo ao vivo são privilegiados. Além deles, vai ter um milhão que só vai conseguir ver pela internet. Mas os 100… então, aquele momento que era o nosso eventinho que a gente fazia com um pé nas costas, agora passou a ser… eu até brinquei com ele. Eu falei: é o MTV Unplugged. Sorte de quem estava sentado ali, assistindo aquele show, que depois vai ser visto por milhões de pessoas. Mas quem estava no show, bicho, aquilo não tem o que pague. Então, é o modelo TED, sorte dos 100 caras que estão assistindo o TED ali, que depois vai para lá. Como que isso está impactando nesse trabalho que você faz hoje, que é aquele ponto de venda. A hora que o cara vai tocar em alguma coisa, vai ver o produto?

Bruno Busquet: Olha que interessante: muitas das vezes, você pode imaginar que o ponto de venda é estático. Só que não é mais. A interação está muito mais vigente no ponto de venda hoje do que estava há alguns anos. Essa revolução que você falou, de 25 anos atrás para cá está trazendo uma nova perspectiva de comportamento do consumidor. E como você adapta isso ao novo modelo de compra? Fazer com que você seja a companhia do shopping e fazer com que as marcas sigam esse caminho ao lado dela. O varejo hoje em dia está na palma da nossa mão. Não necessariamente no ponto físico. Mas só que é lá que você traz entretenimento, num tablet, num browse, num celular, ele é frio. Como você pode interagir por ele?

Luciano Pires: Vou te dar um exemplo acabado desse final de semana. Esse final de semana, acabado. Minha esposa fez um transplante no ano passado e tudo mais, está tomando uns baita remédio pesado. E começou a cair cabelo. Ela está com o cabelo ralinho e tudo mais. E pela primeira vez na vida, ela resolveu que ela ia usar chapéu. E ficou até legal. Ela estava com chapeuzinho, estava tranquila lá, porque daqui a pouco, até recuperar.

Bruno Busquet: E São Paulo tem várias lojas legais de chapéu.

Luciano Pires: E precisava comprar chapéu. Então, lá vai ela para a internet comprar chapéu na internet. E aí ela encontra uma puta de uma encrenca que é o seguinte, cara: como que esse chapéu fica na minha cabeça? Será que ele vai ficar largo? Será que não vai ficar? E ela não consegue comprar porque é praticamente impossível atender aquele lance. Cara é uma mulher, botando alguma coisa na cabeça pela primeira vez na vida. Cara, não adianta. Vai ter que botar o chapéu na cabeça. Final de semana a gente sai e vai lá no centro de São Paulo, na Esquina do Chapéu. Entra ali e lá tem milhões de chapéus. Então ali ela pega e bota um e põe o outro e tira e troca. Esse aqui ficou largo. Não, espera um pouquinho que tem uma pecinha que a gente põe nele aqui, que deixa ele mais… que legal, ficou bom. Então ela vivenciou durante uma hora e pouco, uma experiência que ela não viveria de outra forma, a não ser ali, com todo o inconveniente. Eu tive que ir para o centro da cidade, estacionar. É um horror, cara, puta, estava horrível aquilo lá. Mas àquela hora que ela esteve dentro da loja foi fantástico. Foi uma delícia, foi divertidíssimo. Essa experiência que ela teve ali, a gente não consegue ainda trazer para a palma da mão. Eu não consigo fazer isso navegando na Amazon.

Bruno Busquet: Não.

Luciano Pires: Para comprar um livro, eu consigo. Livro é fácil. Agora, eu tenho que ter uma coisa no corpo, muda tudo. Como é que vocês… eu imagino que vocês devem estar discutindo isso de montão. Como é que essa coisa está sendo trabalhada, cara? Do que vem pela frente? O que é?

Bruno Busquet: É. Hoje em dia, vários modelos de negócios. Você falou em alguns modelos para não terminarem têm que se regenerar. Eu dei uma entrevista no Pop Mark na semana passada dizendo exatamente isso: a regeneração do varejo sobre esse novo comportamento de compra. E não… lembra aquela máxima lá do meu pai? Não vender para ele, mas através dele? Hoje os shoppings centers, por exemplo, eles precisam se reinventar para isso, se reinventar. O principal ponto de contato do shopping hoje é o entretenimento, não é mais a venda. Loja de shopping ganha dinheiro com o quê? Com venda. É venda. Venda que traz resultado para ele. Como eu posso levar o consumidor para lá e viver uma experiência e comprar também? Comprar através do entretenimento. Talvez, esse seja o grande pulo do gato para os shoppings no Brasil.

Luciano Pires: Que seria uma coisa a La Disney?

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Um lugar onde eu vou para levar os meus filhos na Montanha Encantada e no final da Montanha tem uma loja. E ali meu filho sai com 35 coisas compradas na loja.

Bruno Busquet: Interessantíssimo você falar Disney, porque o modelo de negócio de shopping, de Disney, de compra é o que eu já falo já, desde 2017, que eu falei: é sem barreira. Não tem parede entre as lojas. A única diferença entre uma loja e outra é o checkout. Mas mesmo assim, hoje em dia não precisa nem do checkout. Porque você não precisa carregar mais as coisas. Você pode ter um pick up no final. E fazer tudo isso através do entretenimento e ainda levar compras para casa. Hoje em vários eventos, você pode comprar o livro lá no evento, comprar online e retirar na hora ali. Mas você usa a ferramenta online, você não precisa ter a máquina de transmissão, lembra? Data driven marketing. Usar aquela ferramenta inteira lá de interação e de dados para atingir esse consumidor posterior. O cara do evento, quando falou dos 100, para a gente é a mesma coisa. Entender esse mercado é entender o consumidor não no momento só de compra, mas todo o circuito que ele vive e o em volta, o comportamento. Voltando para o merchandising lá atrás, é assim: uma das ferramentas muito fortes do merchandising é o gerenciamento por categoria, que faz com que o consumidor entenda melhor as categorias e compre melhor. O consumidor bem informado, ele compra mais e melhor.

Luciano Pires: Dá um exemplo aí de categoria?

Bruno Busquet: Categoria de alimento, linha seca, bebidas. Então, você faz gerenciamento por categoria. Só que hoje em dia, os pontos de venda precisam começar a entender que o gerenciamento por categoria não deve ser mais só por categoria, mas por comportamento também. Então é o que eu chamo hoje de GCC que é o Gerenciamento de Categoria por Comportamento. Qual é o comportamento de compra para aquele produto, independente da categoria. E como você agrega esse valor na experiência. Ele vai comprar mais. Porque ele vai comprar exatamente o que ele quer e precisa. E que ele não sabe. Antigamente tinha as categorias fins. Sabão em pó, carne, leite. Não tem mais isso.

Luciano Pires: Isso que você está falando para mim aqui, eu estou enxergando um hipertexto aqui, entendeu? Aqui na minha cabeça tem um site onde eu boto um xizinho, ele arruma tudo na hora lá. Quando eu transporto isso para um supermercado, que são gôndolas, dá um nó na cabeça, cara. Porque aqui não adianta botar xizinho, aqui tem gôndola, cara. Eu vou ter que… como é que o cara rearruma essas coisas da… que loucura, bicho.

Bruno Busquet: Isso é muito interessante. Porque você mexe com o comportamento de compra do consumidor.

Luciano Pires: Sim, sim.

Bruno Busquet: É muito bom.

Luciano Pires: E com escolha. Outro dia eu estava fazendo um trabalho e peguei um material, que os americanos fizeram lá um estudo sobre o que acontece com o consumidor diante da possibilidade de escolha. Eu tinha um problema lá, que, aliás, é assim até hoje. Antigamente, aconteceu muito nos Estados Unidos, na Virgin lá de CDs e tudo mais. Que eu chegava lá em Nova Iorque, entrava na Virgin cara, a maior loja de CD, cara. Eu entrava naquilo desesperado para comprar CD. E a hora que eu botava o pé na loja, me dava um branco. E eu não conseguia lembrar nenhum nome de CD, nenhum nome de artista, nada. Mas era impressionante. Se eu não tivesse anotado num papel: eu quero comprar o James Taylor, o CD tal. Eu não me lembrava nem do James Taylor e nem do CD. Aqui, se eu for em São Paulo numa livraria, na Cultura, gigantesca, eu entro e me dá um branco. E não adianta, cara, não tem imagem, desaparece tudo. Porque é tanta oferta que dá um spam na gente lá. Eu estava vendo um estudo que eles fizeram lá, que eles foram num mercado, eles botaram ali as gelatinas para comprar. Então falaram: o que acontecia com a performance de compra quando tinha três gelatinas, seis gelatinas? E os caras descobrem que quanto mais opções eles dão, menos o cara compra.

Bruno Busquet: Isso aí.

Luciano Pires: E quanto menos… e tinha um equilíbrio ali. Não adianta botar só uma e nem adianta botar seis. Ponha três, que as três o cara compra mais.

Bruno Busquet: O varejo está entendendo isso hoje. Menos SKU, menos variedade, mais vendas.

Luciano Pires: Num mundo que o que mais tem é variedade. E aí você vai ter que deixar de fora algumas coisas.

Bruno Busquet: Sim. Aí é o suprassumo. E aí vai depender do [inint 01:12:05], o público que você quer atingir. Então, se você direcionar os seus produtos e o ponto de venda, o varejo em si, relacionado exatamente ao público que você quer acertar, você vai vender. Agora, não dá para ter todos os públicos. Por isso que cada vez mais o desafio é personalizar em grande escala. Você vai na loja da AT&T em Chicago, por exemplo. A AT&T é uma provedora de serviços de telefonia, além de outras coisas nos Estados Unidos. E lá o que eles menos falam é sobre isso. Tem o iPhone para vender? Tem. Porque do lado, tem uma bolsa da Michael Kors, do lado do iPhone.

Luciano Pires: Uma bolsa?

Bruno Busquet: É. Da Michael Kors. Por quê? Porque é o mesmo público. É o mesmo cara que vai comprar o iPhone, dez é o cara da Michael Kors. É em Chicago. Então assim, entender esse comportamento de compra e dar para ele o valor necessário para isso. Então, varejo sem barreiras. É o varejo sem portas. Essa Disney que você falou é exatamente isso, você vai atravessando e andando pelas lojas lá e você não sabe onde você entrou e não sabe onde você saiu. Mas você sabe que você comprou um monte de coisa.

Luciano Pires: É interessante. Ainda vamos chegar lá.

Bruno Busquet: Não, mas a gente está perto disso.

Luciano Pires: É?

Bruno Busquet: Está perto disso. Algumas barreiras que têm que superar.

Luciano Pires: O Brasil tem barreiras tarifárias aqui, é um inferno burocrático de imposto. Que a hora que o governo tirar a mão dessa merda aqui nós vamos…

Bruno Busquet: E estruturais também.

Luciano Pires: Sim, sim.

Bruno Busquet: O Brasil tem uma infraestrutura muito ruim ainda em tecnologia, ainda, de conexão, de internet. Hoje a internet é vital para dentro do ponto de venda, para fazer o omni channel. É o mesmo omni channel do cruzamento dos canais de vendas, sim, tem que ter internet nas lojas.

Luciano Pires: Sim. É fundamental. Meu caro, como é que… você já está escrevendo a respeito, palestra? Como é que você está levando esse teu conhecimento para diante?

Bruno Busquet: A gente pratica muito indoor dentro das indústrias, os clientes nossos, da agência. E acaba fazendo isso também lá e multiplicando esse conhecimento. E pelo Popeye também, com muita palestra, com muito conhecimento para desenvolver cada vez mais a categoria. A gente acha que se a gente capacitar cada vez mais o pessoal; mais a gente vai ter qualidade e entrega no resultado.

Luciano Pires: Você já fez teu blog ou não?

Bruno Busquet: Não.

Luciano Pires: E o livro?

Bruno Busquet: O livro eu estou pensando em escrever. Aquele cara que está ali fora, diretor de RH, cismou que eu tenho que escrever um livro. Ele está juntando todas as minhas coletâneas de artigo.

Luciano Pires: Então eu vou te dar a dica, bicho.

Bruno Busquet: Depois você me ensina, por favor, porque você tem livros fantásticos, Luciano.

Luciano Pires: Número um: você tem que botar teu blog no ar hoje à noite. Então você vai e ponha teu blog no ar hoje à noite. Pegue essa coletânea de artigo que ele arrumou e bote lá no teu blog e chame as pessoas para visitar. E deixa a turma entrar e começar a conversar e começar a comentar: que legal. Mas se eu botar os meus artigos, quem é que vai comprar o livro? Cara, são coisas totalmente diferentes. Eu tenho três ou quatro livros meus, e são coletâneas de artigos. Que gente que leu os artigos compra. Porque a hora que você alinha um com o outro, aquilo ganha uma dimensão. Ler um livro que é uma sequência de artigos que eu já li é diferente de ler os artigos soltos. E qual é o grande lance do blog? O blog bota você no ar. Você vai receber insights, você vai testar como que o público está. E no final do ano, você, sem perceber, fez um post por semana, você tem 52 posts, você tem um livro desenhado na tua mão, entendeu? Qual é o grande lance aí? É a disciplina de começar. Eu tive uma ideia. Puta, põe a ideia ali. Não preciso escrever a ideia completa? Não cara. Hoje eu estive com o Luciano Pires, fui gravar um negócio. Ele deu um insight lá no meio. Ele falou um negócio que me chamou muito a atenção. Eu vou pensar mais a respeito. Esse é o teu post, só. Daqui a pouco você vai pegar esse post lá na frente e falar: cara, esse post dá um baita de um texto, cara. Espera um pouquinho, eu vou elaborar isso aí. Mas aquele insight precioso ficou guardado ali. E, de repente ali embaixo tem três comentários. E um dos comentários é de um cara que teve uma sacada que você não teve e te dá mais insight para você botar ali, cara. Esse é um jeito novo, diferente, de você fazer aí. Eu não vou entrar em detalhes, mas eu já detonei livro muito tempo. O meu negócio não é mais livro. Eu pego o que era para ser livro e faço outra coisa. Mas o que eu quero dizer é como trazer esse teu conhecimento para as pessoas que querem ter acesso a ele.

Bruno Busquet: Não, e eu gosto muito de discutir, Luciano. Assim, eu acho… tem alguns temas que eu acho fantásticos. Tipo: somos nós que encantamos o cliente ou o cliente que encanta a gente? Sabe assim, algumas regras que tem que ser quebradas no dia a dia e fazem a gente pensar diferente. Isso leva a um outro rumo do nosso conhecimento.

Luciano Pires: Sim, sim. Legal, cara. Se eu quiser… você vê, nós estamos falando há uma hora e dezesseis minutos.

Bruno Busquet: Caramba.

Luciano Pires: E nós não tocamos no nome da tua empresa. O que é uma característica do nosso programa aqui. Ele não é jabá, ele não é feito para isso não. Mas evidentemente, eu quero saber como que é o nome da tua empresa.

Bruno Busquet: Tupiniquim Comunicação.

Luciano Pires: Tupiniquim Comunicação?

Bruno Busquet: Isso. Tupiniquim.

Luciano Pires: Cara, você está com tudo, bicho. O novo ministro lá faz um discurso e mete Ave Maria… como é que foi? Ave Maria em tupi. No meio do discurso ele lendo tupi, cara. Que beleza, que timing.

Bruno Busquet: É. Exatamente, cara. E quando eu trouxe esse nome, isso foi mais ou menos em 2011 para 12, quando eu trouxe essa agência. Porque eu não comecei no que eu estou hoje, Luciano. Eu comecei com mão de obra lá atrás, aí comecei a coordenação de mão de obra. Aí fui trabalhar dentro de agência. Fundei. Fui fazer todo o desenvolvimento aqui em São Paulo. Só que quando eu cheguei em São Paulo, lembra que eu te falei que aqui é cruel e ao mesmo tempo, te dá muita oportunidade? Aqui você esbarra em oportunidade? Então assim, ouvintes que não são de São Paulo, por favor, venha para São Paulo viver a experiência de São Paulo. Porque aqui você vai ter muitas oportunidades. Porque você está num café, numa padaria, você esbarra numa oportunidade. Você está fazendo uma reunião e pegando Uber, um taxista, você esbarra numa oportunidade. E ali eu vi que eu queria mais. Eu queria produzir. Eu queria criar, planejar. E aí, em 2012 eu crio a Tupiniquim. E aí a Tupiniquim se transforma nessa agência que está batendo bastante resultado aqui no país. E que naquela época, eu decidi por Tupiniquim, porque tinha ganho a Copa do Mundo e estava ganhando as Olimpíadas. Então, estava tendo um movimento muito nacionalista sobre o Brasil. Mas ao mesmo tempo, a comunicação, que é umas das nossas principais vitrines do país tinha nomes gringos. E eu não entendia por quê. E aí eu criei a Tupiniquim. Tanto que hoje a gente reformulou e tem um monte de coisa interessantíssima lá na agência.

Luciano Pires: Então chama Tupiniquim?

Bruno Busquet: Comunicação.

Luciano Pires: comunicação.com.br?

Bruno Busquet: Não. Na verdade, o site é tpnq.com.br.

Luciano Pires: tpnq.com.br. E presta serviços de?

Bruno Busquet: De marketing.

Luciano Pires: Do planejamento à execução? Você saiu de lá do tático e foi para o estratégico em cima?

Bruno Busquet: Hoje eu tenho quatro produtos principais. Que é o live marketing, que é o antigo marketing promocional. Tudo isso é o live marketing, que faz toda essa ponta. Tenho o retail entertainment, que é a mistura de retail com entretenimento. Tenho o action contact, que é um conteúdo de ação que gera ação, criando elo entre ações. E tenho o web solution, que é um produto que trabalha muito as especialidades de cada cliente, se torna sócio do cliente.

Luciano Pires: Como é que numa empresa chamada Tupiniquim você vem com essa porra desses nomes em inglês, que não dá nem para falar direito? Não vai traduzir não? É que fica feio, não é? Se botar em português fica feio.

Bruno Busquet: É porque assim, isso talvez não seja tão bonito de dizer, mas é verdade. Hoje tem dois tipos de profissionais em marketing no Brasil. Aquele gato gordo que está estacionado lá e que acha que não vai fazer mais nada, porque não vai arriscar mais as coisas e tal. E tem o playboy do marketing, que é o cara que acabou de sair da Mackenzie, acabou de fazer o FIA e está com todas as palavras em inglês e tudo ali. Então, a gente está tentando nivelar entre um e outro. Porque eu quero estar sempre junto com esse pessoal. Porque eu também faço parte dessa tribo. Independente se eu sou o gato gordo. Porque às vezes, eu sou o gato gordo.

Luciano Pires: Você tem que botar uma tecla SAP, cara. Quando você fala retail, a tecla SAP dá sequência aqui embaixo.

Bruno Busquet: É uma mistura entre varejo e entretenimento. Onde a gente acredita que vai ser o futuro.

Luciano Pires: Eu não tenho dúvida nenhuma, cara.

Bruno Busquet: Exatamente.

Luciano Pires: Muito legal. Grande Bruno, olha aqui…

Bruno Busquet: Prazer.

Luciano Pires: Prazer ter você aqui viu? Grande papo aí. Eu fiquei curioso agora, eu vou dar uma olhadinha no teu site lá. Eu acho que o Brasil tem muito para evoluir. Nós temos muito para evoluir. O que a gente é bom em criação de propaganda e é leão que não acaba para todo lado. Na hora de transformar isso na relação com o cliente, eu acho que nós estamos muito atrás, ainda. Tem muita coisa de responsabilidade, sabe? De assumir. Fazer uma promessa e cumprir. A gente está muito atrás nisso aí. E acho que tem que ter um lance educacional mesmo. Sabe? Fazer o que os jesuítas fizeram com os tupiniquins, entendeu? Cara, vamos fazer a cabeça desses caras aí. Vamos tentar mudar o comportamento dessa turma. Porque para mim… e eu vou voltar para o que a gente falou no turismo, lá atrás. Qual é o grande nó do turismo no Brasil? Essa falta de visão, que nós temos como tratamento do turista. O turista chegou aqui, bicho, como que eu trato esse cara? Entendeu? Uma coisa é ter o computador, é ter o software ideal, etc. e tal, que a gente pode arrumar se tiver dinheiro. Outra coisa é coisa que o dinheiro não arruma, sabe? Que é essa visão de que, cara: prometeu? Tem que cumprir. E tem que fazer no horário, do jeito certo, da forma certa. E assim é que as coisas se resolvem.

Bruno Busquet: Posso dar um exemplo sobre isso?

Luciano Pires: Sim, por favor.

Bruno Busquet: Você já foi a Cuba?

Luciano Pires: Não. Ainda não.

Bruno Busquet: Cuba falta água, falta comida, falta tudo, energia elétrica. Mas não se hospeda num hotel não. Eu falo para os ouvintes que quiserem ir para Cuba, dá até por Airbnb ainda. Tem Airbnb em Cuba. E se hospeda na casa das pessoas. Não falta água, ar condicionado ligado direto e a comida é fantástica. Porque então assim, não é só a estrutura. É como você quer receber a pessoa.

Luciano Pires: Sim. É uma boa ideia. Muito obrigado, meu amigo, grande 2019 aí, vamos arrebentar e fazer acontecer.

Bruno Busquet: Muito obrigado, Luciano. Você é fantástico.

Luciano Pires: Imagina.

Bruno Busquet: Eu acho que esse teu programa ajuda muito a gente a entender como pode desenvolver cada vez mais o empreendedorismo no Brasil.

Luciano Pires: Nós vamos chegar lá. Um grande abraço.

Bruno Busquet: Eu acho que está no caminho certo. Um abraço, tchau.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast, a transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. Para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LíderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

 

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