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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano: Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui começou com uma querida amiga, Andrea Sebben. Ela manda um e-mail para mim. A gente retoma o contato. Aliás, eu já fiz um LíderCast antigo, lá no começo da temporada, com ela. Ela manda um e-mail para mim: Luciano, eu conheci um cara que você precisa conhecer. O cara é muito legal. Tem uma história boa. Eu falei: bom, se é uma recomendação dela eu não vou nem investigar. Eu já vou chamar direto. Mandei um e-mail. Ele na hora topou e cá estamos, em pleno feriado, trabalhando no feriado. E eu vou começar com aquelas três perguntas, você já sabe que são as únicas fundamentais no programa. Seu nome, sua idade e o que você faz?

Emílio: Meu nome completo é Emílio Carlos Dantas Costa. Eu tenho 59 anos. E eu sou funcionário público federal há 25 anos.

Luciano: Um funcionário público?

Emílio: Você vê que coisa?

Luciano: Finalmente. Você trabalha onde? Onde é?

Emílio: Eu trabalho no Banco Central.

Luciano: Banco Central?

Emílio: Isso. Aqui em São Paulo.

Luciano: Aqui em São Paulo.

Emílio: Sou funcionário de carreira do Banco Central aqui em São Paulo. Há 25 anos. Eu devo me aposentar agora, no final do ano. E aí você sabe que eu escrevi um livro e foi isso que eu acho que chegou aí na Sébem, na Andréia. Por meio desse livro que nós acabamos chegando até você.

Luciano: É Sébben ou Sebben?

Emílio: Eu falo Sébben

Luciano: Eu sempre falei Sebben. E eu acho que eu falei errado a vida inteira. Porque se for Sébben eu falei errado a vida toda.

Emílio: Ou eu que estou falando errado. Eu acho que… eu chamo ela de Sébben.

Luciano: Sébben ou Sebben, ela é querida e você está aqui por causa dela. Muito bem, onde é que você nasceu?

Emílio: Eu nasci em Marília. Mais um caipira aqui.

Luciano: Mais um: porta, porco, Fernando, com orgulho, que legal. Você tem irmãos?

Emílio: Nossa, eu tenho 4.

Luciano: 4 irmãos?

Emílio: Nós somos em 5 em casa.

Luciano: Você é o quê? O mais velho?

Emílio: Eu sou o mais novo.

Luciano: O mais novo?

Emílio: O mais novo. É.

Luciano: O que o seu pai e sua mãe faziam ou fazem?

Emílio: Eles são falecidos. A minha mãe era professora. Meu pai trabalhou na Companhia Telefônica Brasileira praticamente a vida toda.

Luciano: É um perfil igualzinho ao meu, cara. Porque a minha mãe era professora e meu pai trabalhou na Rede Ferroviária Federal em Bauru.

Emílio: Mas que coisa.

Luciano: Bauru, Rede Ferroviária Federal. Na REFESA.

Emílio: Ali, Bauru era um polo importante.

Luciano: Qual era o teu apelido quando você era moleque?

Emílio: Acho que sei lá, eu não tinha assim, uns me chamavam de… tinha uma pessoa que me chamava de Bem. Que era uma pessoa que esteve muito tempo em casa e acompanhou meu crescimento. Às vezes me chamavam… o meu pai me chamava de Nenê, mas eu acho que era porque eu era o caçula. Mas eu nunca tive um apelido assim, que pegasse. Tanto é que hoje ninguém me chama por apelido.

Luciano: É o Emílio mesmo?

Emílio: É o Emílio mesmo.

Luciano: Então está bom. O que o Emilinho queria ser quando crescesse?

Emílio: Você sabe que eu ouvi algumas entrevistas suas, Luciano, e eu pensei. Você pergunta para as pessoas normalmente isso. Eu não sei. Eu acho que eu não tive uma grande, assim, aspiração não, quando eu era garoto, viu?

Luciano: Nem astronauta?

Emílio: Não, não nem astronauta. Eu acho que assim, um pouco mais para frente. Até eu acho que é até uma coisa que consegui realizar parcialmente agora. Eu gostava muito de escrever. Eu sempre gostei. E eu tinha vontade. Eu achava que ser escritor era uma coisa muito bacana. E eu sempre escrevi muito. Eu escrevi no Jornal da Tarde uns 10 anos.

Luciano: Em São Paulo?

Emílio: Aqui em São Paulo. É. Foi uma coisa muito legal. Na verdade, assim, eu tive alguns artigos publicados no Estadão. E do Estadão eu acabei chegando no Jornal da Tarde. Eu escrevi pouco mais de 10 anos no Jornal da Tarde.

Luciano: Que período foi esse? Quando foi?

Emílio: Olha, eu acho que o Jornal da Tarde eu comecei a escrever em 94, mais ou menos, e fui até, sei lá, eu acho que o último artigo eu escrevi lá para 2002, 2003. Eu acho que até 2004… 2005, desculpe, eu tenho artigos publicados no JT. Porque eu publicava artigos naquela página 2 do JT. Tinha uma página 2, que tinha um editorial. E às vezes tinha um artigo de página inteira. E às vezes tinha dois ou três articulistas que escreviam ali e era ali que eu escrevia.

Luciano: Para você que está nos ouvindo aí, que não sabe do que nós estamos falando aqui, o JT era um jornal admirável. Cara, eu admirei esse jornal a vida toda. Porque ele nasce lá pelos anos 70, 74, alguma coisa assim. Eu não vou saber precisar a data, mas nos anos 70. E ele veio com uma proposta completamente revolucionária, porque você tinha de um lado o Estadão, do outro lado a Folha de São Paulo, que eram jornais burocráticos, aquele monte de texto, eventualmente uma fotografia, alguma coisa ali. E o Jornal da Tarde vem com uma proposta completamente revolucionária. Ele vem com imagens, com uma diagramação fabulosa, aquelas capas geniais, em letra grande. Então, ele tinha uma proposta estética que se refletia na linha editorial dele, embora fosse do Estadão. O Estadão, o senhorzão velhão do lado e um garotão chamado Jornal da Tarde. E ali dentro, cara, os caras trouxeram ilustradores, o Jepin Maia fazendo os cartuns dele, cara. Puta, eu adorava, eu achava… aquele era o meu sonho, de um belo dia trabalhar nesse jornal.

Emílio: É. Ele era mais informal.

Luciano: Era, totalmente.

Emílio: Eu lembro assim, que nos artigos que eu publicava, eu não sei quem fazia. Tinha uns deseinhos ali sabe, uma ilustração. Eu não sei quem fazia as ilustrações, se era sempre a mesma pessoa. Mas às vezes, eu caía na risada com as ilustrações que eles faziam nos artigos.

Luciano: Tinham coisas muito legais.

Emílio: Era muito legal. Foi uma experiência muito bacana, que me ensinou muito.

Luciano: Como que você chegou lá, se você não era do ramo, cara?

Emílio: Pois é. Você sabe o que aconteceu? Agora essa coisa de liberalismo, privatização, não sei o que, virou a bola da vez. Naquela época você falar disso era um anátema, era um negócio, você falar de privatização, você falar de não ter banco público, de liberalismo era um negócio muito feio.

Luciano: Ou era o Roberto Campos de um lado ou o Mofarrej do outro.

Emílio: É. O Olavo de Carvalho.

Luciano: O Olavo ali e deu.

Emílio: É. Eu admirava muito o Roberto Campos. Eu tive até alguns contatos com ele, tive essa felicidade. E assim, eu escrevia muito sobre isso. E uma vez, na verdade, é assim: eu escrevi um artigo sobre privatização de bancos estatais. Eu achava que tinha que ser privatizado. Eu não tenho uma ideia liberalista pura, de liberalismo puro – como tem hoje – achando que o liberalismo resolve tudo, que tem que privatizar tudo. Eu não tenho essa visão. Até porque eu tenho uma visão privilegiada disso, porque eu sou funcionário público há 25 anos. E eu acredito que o governo tem um papel importante na vida das pessoas. Mas eu acredito que há atividades que não devem ser reservadas ao Estado. Eu não acredito que banco seja atividade de Estado. Então assim, eu estou falando mal dos bancos hoje que a gente tem, federais, por exemplo, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil? Não. Eu conheço profissionais excelentes, de muita qualidade, pessoas honestíssimas que trabalham na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil. Eu acho que são instituições respeitáveis. Mas eu não acho que sejam instituições que devam ser públicas. Eu sou contra essa estrutura. E eu lembro que na época, eu escrevi um artigo que falava sobre privatização de bancos estatais. E esse artigo acabou saindo no Estadão. E aí um dia, eu recebo um telefonema do Lourenço Dantas – que apesar de ter o sobrenome, não é parente meu, não tem nenhuma relação comigo – o Lourenço Dantas, que foi uma pessoa excepcional, que eu conheci no Jornal da Tarde. E o Lourenço me falou: você acredita que o Mesquita me ligou aqui e pediu para eu te contatar para você começar a escrever para a gente, para o JT? Eu falei: nossa, você está brincando. Está fechado. Vou ter um espacinho aí. E aí eu comecei a escrever. E aí eu escrevia em média, dois, três artigos por mês para eles.

Luciano: Que legal. Pagavam você?

Emílio: Muito pouquinho. Era simbólico.

Luciano: É sempre assim, todo mundo, todo mundo.

Emílio: Era simbólico. Mas era muito bacana.

Luciano: Vamos voltar para Marília.

Emílio: Vamos lá.

Luciano: Você está lá em Marília, então você não sabe o que vai ser quando crescer. E aí, cara? Como é que você desenvolve? Você vai estudar, está na escola, tudo, chega uma hora que você vai ter que escolher a carreira, vai para algum lugar. Você vê seu pai, como era? O seu pai?

Emílio: Na CTB.

Luciano: Na CTB?

Emílio: Isso.

Luciano: Então você tinha um paradigma ali: minha mãe de um lado, como professora, o meu pai como funcionário de carreira. É para esse caminho que eu vou? Alguém te influenciou? Como é que foi?

Emílio: Não, não foi não, viu? Tanto é que antes de trabalhar no Banco Central, eu trabalhei 10 anos na iniciativa privada. Eu trabalhei em bancos. Mas chegou uma hora que, sei lá, eu dei uma cansada assim, E eu achei, eu gostava muito do Banco Central, porque a gente conhecia muito o Banco Central na iniciativa…

Luciano: Mas volta um pouco lá?

Emílio: Pois não.

Luciano: Como é que você chega lá? Você foi para universidade depois?

Emílio: Sim.

Luciano: Aí encontrou uma formação?

Emílio: Então, eu vim para São Paulo, eu fiz engenharia civil numa escola que até não existe mais, que é o Instituto de Engenharia Paulista. O Instituto de Ensino de Engenharia Paulista.

Luciano: Você veio para cá, para estudar?

Emílio: Eu vim para cá estudar. É. Aí eu me formei em 82 no Instituto. Em 82 o Brasil estava numa recessão brava.

Luciano: Sarney? Era Sarney ou ainda não?

Emílio: Não, não era o Sarney não.

Luciano: O Sarney é em 84.

Emílio: Não. Era o Delfim que cuidava da economia na época. E o Brasil estava numa recessão terrível. E a engenharia civil sempre sofre muito nas recessões. Ela é a primeira a se recuperar, ela é a primeira a entrar em crise quando tem recessão. Aí eu formei em 82. O que tinha de engenharia civil, os engenheiros civis estavam perdendo emprego. Aí eu falei: o que eu vou fazer? Vou trabalhar em banco. Só que eu não tinha conhecimento nenhum de banco.

Luciano: E não tinha na tua cabeça voltar para Marília?

Emílio: Não, não tinha.

Luciano: Você tinha definido que você ia ficar aqui?

Emílio: É. Exato. Eu tinha definido que eu não voltaria. Nenhuma razão especial.

Luciano: Seus irmãos estavam aqui?

Emílio: Estavam. Alguns. Estavam espalhados. Eles moram todos fora. Alguns estavam lá ainda, mas não todos. Mas eu não tive nada contra voltar para Marília. Mas eu não tinha essa ideia de voltar. Aí o que eu fiz? Eu falei: preciso aprender um pouquinho de coisa de finanças, de banco e tal. Aí tem um curso na Fundação Getúlio Vargas, que é aquele CEAG, que é o Curso de Especialização em Administração para Graduados. Eu fiz um exame, fui aprovado e fiz dois anos e meio de CEAG.

Luciano: Quem pagou isso tudo?

Emílio: Eu pagava. Eu pagava.

Luciano: E de onde vinha dinheiro?

Emílio: Eu já estava trabalhando. Eu já estava trabalhando.

Luciano: Então você rompeu os laços mesmo, você ficou independente do seu pai?

Emílio: Eu fiquei independente.

Luciano: Você veio para cá com ele pagando a escola?

Emílio: Vim.

Luciano: Isso?

Emílio: Isso. E depois eu fiquei independente. E aí…

Luciano: Como que é esse rompimento? Como que você processou essa história do rompimento dos laços? Porque uma coisa é o seguinte: pai, vou estudar aqui, vou embora. E teu pai com um monte de filho lá. Quer dizer, bancar isso aí não é muito fácil, não.

Emílio: Eles já estava fora.

Luciano: Mas eu estou indo para São Paulo. Então, alguém tem que bancar o lugar que eu vou ficar, a escola que eu vou estudar, o dinheiro que eu vou gastar para comer, etc. e tal. E na tua cabeça, você tinha esse sentimento de que: eu preciso romper essa relação de dependência o mais rápido possível? Ou você foi na boa e quando terminou a escola falou: bom, agora…

Emílio: Eu acho que não. O meu pai nunca me pressionou nesse sentido. A vida era mais barata, Luciano. Você deve lembrar disso. Não sei o que aconteceu. A vida está muito cara hoje. Depois, se a gente chegar a falar da minha família agora, do meu filho e tal. As despesas que eu tive com educação depois – que o meu pai não teve, que naquela época era tudo ensino público – então, hoje em dia é inimaginável você considerar. Pensa numa família com 5 filhos hoje, morando em São Paulo. O sujeito tem que ter muita grana para dar uma vida digna para a família. Naquela época era muito diferente. E assim, o meu pai nunca me pressionou nisso, mas eu já era… eu acho que o fato de você ter muitos irmãos, eu acho que não dá para você ser muito mimado, então você já vai sendo meio independente.

Luciano: Mas quando é novinho, quando é o mais novinho?

Emílio: Mais ou menos.

Luciano: Que a história do novinho é o seguinte: qual é a vantagem do novinho? O novinho vem de pais que já estão muito mais maduros. Então, o primogênito nasce de um casal que tem vinte e poucos anos. E o mais novinho vai nascer de um casal perto dos 40. E muda tudo.

Emílio: Muda, muda.

Luciano: A relação de pais quarentões com filho novo é totalmente diferente de um pai de vinte e poucos anos. Então aí que vem toda: vamos proteger o Juninho.

Emílio: Não, mas eu acho que era tranquilo, viu? Não era. Não tinha esse… meu pai não era esse tipo. Eu acho que ele sempre incentivava essa coisa de independência e tal. Eu nunca fui uma criança mimada não. E daí eu comecei a trabalhar. Aí eu terminei o CEAG em 85. Eu me formei em 82 e terminei o CEAG em 85. Aí eu gostei do negócio, dessa coisa, dessa área financeira. Aí eu prestei o mestrado na Fundação Getúlio Vargas. Eu entrei no mestrado lá em finanças. E eu fiz o mestrado em finanças na Fundação. E nessa época – e eu acho que tem muito a ver, depois, se a gente tiver oportunidade de falar do livro, eu vou dizer – quando eu estava na Fundação, eles tinham um programa de intercâmbio com algumas universidades muito boas, americanas. E eu entrei num desses programas de intercâmbio e consegui me classificar. Eu fui aceito numa universidade lá nos Estados Unidos, que é a Universidade de Michigan em Ann Arbor. E eu fui fazer uma parte do meu mestrado lá nos Estados Unidos. E aí eu fiquei encantado, sabe Luciano, com o que eu vi lá. Foi um choque para mim.

Luciano: Por que será?

Emílio: É. Foi um choque. Assim, eu não quero entrar num lugar comum aqui, de falar dos Estados Unidos. Estou cansado de ouvir falar isso. A gente sabe que os Estados Unidos isso, os Estados Unidos aquilo. Mas foi um choque assim, foi uma coisa muito específica para mim. Porque eu lembro que eu estudava na Fundação. E a Fundação é uma escola boa. É uma escola assim, que para os padrões brasileiros é uma escola muito boa. Mas assim, naquela época – a gente tem que lembrar que isso era 92 – 92 não tinha nem internet. Tinha, mas era incipiente. Hoje é muito… o intercâmbio entre as escolas é muito melhor. A Fundação está muito mais modernizada hoje. As outras escolas também. Naquela época não.

Luciano: 92 o Collor estava abrindo as portas do Brasil.

Emílio: Exato.

Luciano: Computador era Itautec, até então…

Emílio: Nossa…

Luciano: Aquela loucura, toda velha. O Brasil estava começando a se abrir.

Emílio: É. Não tinha internet, não tinha nada. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, a Universidade de Michigan em Ann Arbor é uma das melhores universidades que têm nos Estados Unidos. Os brasileiros, infelizmente, conhecem só essas mais famosas, mais conceituadas.

Luciano: A Universidade de Michigan?

Emílio: É. A Universidade de Michigan em Ann Arbor.

Luciano: Eu estudei lá.

Emílio: Não me diga.

Luciano: Eu fiz um curso de marketing para executivos lá.

Emílio: Não é possível que a gente tenha tanta coincidência.

Luciano: É. Mas eu não fiz um curso de… como que chama lá? Foi uma especialização. Mas foi lá.

Emílio: Mas que coisa maravilhosa. Que ano foi isso?

Luciano: Puta, cara, isso foi no começo dos anos 90.

Emílio: Bom, mas será que nós não estávamos juntos lá?

Luciano: Não sei. Acho que foi começo dos anos 90. Final… é, começo dos anos 90; 94 talvez, 95, uma coisa assim.

Emílio: É. Um pouquinho depois.

Luciano: Pode ser.

Emílio: Mas foi um choque para mim, assim, no sentido positivo. Não só na parte física das escolas, mas na parte de ensino. Por quê? Porque eu lembro que na época, eu queria estudar alguns modelos de precificação de ativos. E eu estava querendo estudar um modelo que era novo no Brasil. E eu não encontrei ninguém que pudesse me orientar aqui sobre esse modelo. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, o modelo já era ultrapassado. Eles já estavam estudando um modelo lá para frente.

Luciano: É impressionante.

Emílio: É impressionante.

Luciano: Eu me interessei demais nos últimos anos aqui, por uma coisa chamada economia comportamental.

Emílio: Maravilhoso isso.

Luciano: Eu falei: que maravilha. Comecei a fuçar, fui atrás. Eu falei: eu vou ver se eu consigo fazer uma especialização, um curso, alguma coisa assim. E quem disse que você acha esse treco no Brasil, cara? É uma. É uma professora que tem, que monta um curso de vez em quando. É um cara que tem não sei onde. Não existe nada aqui no Brasil que me desse o que eu queria. Aí eu começo a cutucar. Vou lá para fora. Meu, Europa, Estados Unidos, os caras nadando de braçada. E aqui os caras nem sabem do que se trata isso ainda. Então é impressionante o gap que existe entre essa oferta de conhecimento lá fora para a oferta que tem aqui no Brasil, mesmo com a conexão da internet, deixa isso muito claro para nós hoje em dia. Então aperta um botão, tem oferta no mundo inteiro. Mas aí você tem que ir lá para fora. Tem que se deslocar. E acaba que cai como uma bomba no meu negócio aqui.

Emílio: É. Hoje você tem algumas plataformas aí, de ensino online que são muito boas, Luciano.

Luciano: É. Sim.

Emílio: Eu acho isso maravilhoso. Eu acho que as pessoas que puderem usar essas plataformas, tiverem oportunidade, tiverem algum conhecimento de inglês, muitas têm uma legenda e tal. Mas a maioria você tem que ter um inglês razoável para fazer. Eu acho que as pessoas devem aproveitar. Há cursos gratuitos de boa qualidade. Então eu acho que… e aí eu trabalhei esses 10 anos no mercado. E aí eu não sei, eu me cansei um pouco. Eu tinha uma certa admiração pelo Banco Central, porque eu trabalhava em banco e a gente tinha muito…

Luciano: Você voltou. Você se formou lá nos Estados Unidos e voltou para cá?

Emílio: Votei para cá.

Luciano: E continuou no emprego que você estava? O que você fez?

Emílio: É. Eu continuei.

Luciano: Como é que foi essa tua ida para lá? Você tirou uma licença? O que foi?

Emílio: Não. O banco onde eu trabalhava meu deu uma licença. Eu fui para lá, terminei o mestrado.

Luciano: Legal.

Emílio: Vim para cá. E logo em seguida, eu entrei no Banco Central. Eu voltei e logo em seguida, eu entrei no Banco Central. Isso foi 93. E eu fiquei no Banco Central até hoje.

Luciano: Quer dizer, você sacaneou os caras que investiram em você?

Emílio: Não, por favor, não. Não investiram…

Luciano: Eles pagaram para você ir para os Estados Unidos. Você foi e fez o curso lá…

Emílio: O curso não foi pago. O curso era uma…

Luciano: Te deram uma licença. Te mandaram para lá. Você voltou e chutou os caras na bunda.

Emílio: Não. Foi uma coisa muito aberta que eu fiz com eles. Porque é o seguinte, primeiro: eles não tiveram despesa do curso. O curso eu ganhei. Era um processo muito concorrido, que eu, felizmente, fui bem-sucedido. Então assim, o curso não era pago. Por quê? Porque o curso era um convênio entre a Fundação e as universidades americanas. Então, nada foi pago. O banco não teve que desembolsar. O banco manteve o meu salário. Quando eu voltei, eu conversei com eles. E eles entenderam isso. Que o Banco Central não é um emprego, assim, qualquer. Eu acho que é uma instituição muito – eu sou suspeito para falar obviamente, porque eu trabalho lá – é uma instituição muito respeitável, tem um corpo técnico muito preparado, sabe Luciano? E eu não quis deixar passar isso. Então eu fui para o Banco Central e foi tudo bem.

Luciano: Então, um insight que você está dando para a gente aqui. Aqui é assim, é bate-papo. Então às vezes eu vou cortar você e vou enfiar alguma coisa aqui, que eu acho que tem a ver. Um insight que você está dando aí e apareceu em várias outras entrevistas que eu fiz aqui. Eu inclusive já usei uma série de exemplos a respeito, que é essa coisa do sujeito que: eu estou trabalhando numa empresa, eu sou um funcionário bom, excelente, eu sou um funcionário legal. E um belo dia, surge para mim uma oportunidade lá fora, que pode vir a ser a oportunidade da minha vida. E eu sou obrigado a ir na empresa e falar: escuta, tem um negócio muito legal lá. E a gente nunca sabe qual vai ser a reação do meu chefe, da minha liderança. E surge em alguns momentos, na vida da gente, gente que é especial. Que quando você fala isso, você vai falar: cara, o que você está mostrando para mim lá fora é tão bom, que você tem que ir. Entendeu? Eu não vou te sacanear, eu não vou segurar, eu não vou brigar, eu não vou bater. Nada disso. Eu vou, na verdade, te dar a maior força para você ir. E essas pessoas são aquelas que fazem os momentos de virada na vida da gente.

Emílio: Sem dúvida.

Luciano: Então, você que está ouvindo a gente aí. Eu não sei como o teu chefe é, cara. Mas fique esperto, porque se um dia surgir essa oportunidade e ele for uma dessas pessoas que vai dizer para você: cara, vá. Eu cansei de fazer isso, a vida inteira, os caras vinham para mim: eu estou com um negócio assim. Eu digo: boa. Punha na mesa. Põe o papel aqui. Você considerou isso aqui? Considerei. Cara, a conta que você está me dando aqui é irresistível. Vá. E eu liberei gente que, cara, que é um projeto. Inclusive aqui no Café Brasil. Eu tive projetos que eu tive colocados aqui, projetos que só podiam funcionar se quem estava conduzindo fosse aquela pessoa. E ela chega para mim com uma proposta irrecusável. Eu viro para ela e falo: vá. E fechei o projeto. Entendeu? Ela foi embora. Eu não tive como dar continuidade no projeto. Mas estava muito claro que para ela voar, aquilo seria muito melhor do que o que eu podia dar. Então, se você exerce papel de liderança, bicho, sabe, eu acho que isso é uma coisa importante, que é um prejuízo no teu curto prazo, é um prejuízo no investimento que você fez. Mas é um impacto na vida de alguém, que você vai carregar isso com você para o resto da vida. Então, cada vez que eu falo com essas pessoas que passaram por mim e que elas vêm me agradecer, isso me dá uma satisfação que dinheiro nenhum paga. Então…

Emílio: É. Eu acredito muito que você não consegue segurar o progresso sabe, Luciano? E eu acho que a gente tem sempre que conviver com pessoas mais qualificadas. Tem uma frase, eu não sei, foi atribuída a mais de uma pessoa, eu não sei dizer quem foi que disse isso. Ele falou assim: se você é o sujeito mais esperto na sala, você está na sala errada. Então eu acho o seguinte: eu tive o privilégio de trabalhar com gente mais qualificada do que eu.

Luciano: Sim. Você quer ser tubarão? Ande com tubarões.

Emílio: Exato.

Luciano: Se andar com sardinha, vai ser sardinha. Quer ser tubarão, tem que andar com tubarão.

Emílio: É isso mesmo. Como que diz o Guimarães Rosa? É no junto do quem sabe bem, que a gente aprende o melhor.

Luciano: É isso aí.

Emílio: Eu usei até isso no meu livro. Eu falo: você tem que conviver com as pessoas que são melhores do que você.

Luciano: Exatamente.

Emílio: Não desprezar os que são menos. Ajude os que são menos. Dê a mão para eles. Mas assim, para você progredir, não adianta você falar: eu vou me cercar de medíocres aqui e garantir meu servicinho, o meu cargo.

Luciano: E tudo gente que te puxe para baixo. Não vai, cara. Eu preciso estar perto de gente que me puxe para cima.

Emílio: Exato, exato.

Luciano: E ela vai me puxar para cima, porque eu tenho admiração por ela. Eu tenho inveja dela. E a inveja no bom sentido. Sabe, cara, quanta coisa legal essa pessoa conquistou. Eu vou usar. Eu também quero.

Emílio: Lógico.

Luciano: Eu também quero. E o que eu tenho que fazer para conquistar isso aí. Agora eu estou perto dessas pessoas. E elas me puxam. Me puxam para cima. Eu acho que isso é fundamental. Mas aí você vai para o Banco Central. Você prestou concurso para entrar no Banco Central?

Emílio: Isso. Sim, sim, eu sou concursado. Eu sou funcionário de carreira. Lá no Banco Central, o Banco Central é umas das únicas instituições que só tem funcionário de carreira, exceto a diretoria. Mas mesmo na diretoria, algumas diretorias são ocupadas por funcionários de carreira, outras não, que os diretores são indicados e são sabatinados pelo senado. E são diretores. Fora os diretores, todos os funcionários do Banco Central são funcionários de carreira.

Luciano: Vou fazer uma provocação para você, olhando de fora. Nunca passou pela minha cabeça de trabalhar com qualquer coisa do serviço público.

Emílio: Pois não.

Luciano: Nem de perto eu pensei nisso. Assim, eu nunca tive diante de mim a possibilidade de ir para lá. Não porque eu não gostasse. É porque nunca… eu não tive a menor atração por isso, sabe? A minha vida foi voltada para um outro caminho. Eu trabalhava com comunicação, eu ia para jornal. E acabou que ela me levou para outro lado. Mas eu nem passei perto dessa questão.

Emílio: Correto.

Luciano: Cara, trabalhar no Banco do Brasil, trabalhar no Banco Central. Quando a gente era moleque, isso era o objetivo de vida de qualquer pessoa que tivesse dois neurônios que se falasse um com o outro. Porque no momento que eu chegasse e falasse assim…

Emílio: Uma pena isso.

Luciano: Consegui, entrei no Banco do Brasil, significava que a minha vida estava resolvida até a minha morte. E quando eu morresse, a minha família ainda teria uma garantia. Então, todo mundo queria aquela estabilidade, que era uma coisa fantástica. Com o tempo, isso mudou um pouco, mas não mudou totalmente. Continua assim. Tem muita gente que tem como objetivo: eu quero, eu vou trabalhar nessas entidades. E você, um belo dia, recebe teu diploma de funcionário do Banco Central, cara. Meu. Passou pela tua cabeça que a tua vida estava resolvida a partir daquele momento?

Emílio: Não.

Luciano: Como foi isso?

Emílio: Primeiro: porque eu entrei no Banco Central numa época – ao contrário do que muita gente pensa, que a gente tem salários maravilhosos, que era uma mordomia, não tem nada disso – o banco, na época que eu entrei no banco, em 93, o salário do banco era muito ruim. Eu tive uma perda salarial enorme, sabe Luciano? Quando eu saí da iniciativa privada para ir para o banco. Foi uma opção de vida.

Luciano: Então, isso que eu ia te perguntar: qual foi a avaliação que você fez ali?

Emílio: Foi uma opção de vida. Assim, é muito dura a vida. Eu trabalhava em mesa de operações de open. Era uma vida muito dura aquela lá. E eu percebi assim: têm pessoas que tem uma certa paixão por aquilo ali. Eu aprendi muito trabalhando nisso. Mas eu não tinha aquela paixão. Eu lembro que eu tinha colegas que não saíam para almoçar. O sujeito ficava lá na mesa, só vendo aquilo. E eu lá…

Luciano: É aquilo que a gente vê no cinema? Aquela loucura?

Emílio: É. Aquela loucura. Hoje eu acho que deve estar um pouco diferente por causa dos meios de comunicação. Na minha época não tinha isso. Mas é aquela loucura lá que você vê no cinema.

Luciano: Adrenalina lá em cima, o tempo todo.

Emílio: Exato. E eu comecei a perceber com o tempo, que eu não tinha isso ali no meu… sabe? No meu âmago ali. Eu olhava aquelas pessoas e falava: pô… eu não estou criticando. Eu acho que cada pessoa tem um estilo. Eu ia me casar na época. Aí eu comecei a pensar, eu falei assim: eu vou me casar, eu vou ter filhos. Será que eu vou ter nessa vida? Chegava muito cedo, que eu tinha quer ler jornal para me inteirar de não sei o quê. Às vezes não tinha hora para sair de lá. Saía muito tarde.

Luciano: Sabe que a impressão que eu tenho é que essa função, a coisa mais parecida que eu vejo com isso aí é controlador de tráfego aéreo num aeroporto que nem Congonhas, aqui. Que deve ser a mesma doideira.

Emílio: Você tem uma atenção ali, constante.

Luciano: Adrenalina lá em cima o tempo inteiro, cara. Não dá para ficar muito tempo nessa…

Emílio: Mas eu acho assim, eu acho que as pessoas têm perfis.

Luciano: E se adaptam, provavelmente.

Emílio: Se adaptam. Eu acho o seguinte: na época que eu estava lá eu era muito jovem, lógico. Quando você é jovem você topa essas coisas. E foi uma coisa muito positiva para mim, inclusive quando eu fui para o banco. Mas eu tenho um outro perfil, que eu acho que serve para o serviço público, que é um perfil um pouco mais rotineiro, entendeu? O serviço público… por isso que eu estava… nós começamos a entrevista falando sobre o meu artigo, que eu escrevi sobre banco público e tal. O serviço público, ele é mais lento, sabe? E ele tem que ser, sabe Luciano? Porque, por exemplo, se você trabalha numa iniciativa privada e você faz uma bobagem na tua empresa, a tua empresa tem um prejuízo – a menos que seja fraude, evidente; eu não estou falando disso – você fez lá uma bobagem e a tua empresa teve um prejuízo. O sujeito vai lá e te demite. Te põe na rua. Se eu fizer um negócio desses no serviço público, eu vou preso. Além de eu ser exonerado, eu vou preso. Então é lógico que o serviço público tem que atender uma série de requisitos que tiram muito a flexibilidade dos negócios. Por isso que eu, eu já tinha essa convicção antes. Quando eu fui para o Banco Central, eu tive a certeza de que o serviço público não era um lugar para desenvolver atividades que são da iniciativa privada. Porque são coisas completamente diferentes. Mas eu tenho um perfil que serve para o serviço público.

Luciano: A menos que você seja um Carlos Drummond de Andrade?

Emílio: Sim. Você vê, o Machado de Assis eu acho que também era.

Luciano: Sim. Tem um monte de gente.

Emílio: Não sei se o Lima Barreto também era? Por quê? Porque é um serviço, assim, por outro lado, tem uma parte que você tem a segurança, que tanta gente busca. E o fato de ser um serviço um pouco mais tranquilo. Depende, viu? Porque eu trabalhei em áreas do Banco Central…

Luciano: Que o bicho pegava.

Emílio: Que a coisa pegava. Mas em geral, é um ritmo mais lento do que o que você tem na iniciativa privada. Então isso que você falou é muito curioso, é verdade, eu já pensei nisso. Você vê que tem grandes intelectuais, que na verdade, eram funcionários públicos. Por quê? Porque ele saía de lá, você sai do seu serviço privado…

Luciano: Aquilo garantia o arroz com feijão dele. E quando ele saísse de lá, ele ia botar a cabeça dele para fazer poesia, para escrever, para etc. e tal.

Emílio: Ninguém ia ficar perturbando ele hoje. Eu imagino hoje, por exemplo, você na iniciativa privada. Você vai para a tua casa…

Luciano: Você continua…

Emílio: É o teu chefe mandando WhatsApp, te ligando, tal, tal, tal. O serviço público é mais… a menos que você ocupe um cargo, sei lá, um cargo muito alto, como essas pessoas que vão definindo o que o Brasil vai fazer ou não. É evidente que essas pessoas são solicitadas a todo momento.

Luciano: E agora tem a Lava Jato no rabo delas também.

Emílio: É. Mas quando você é um funcionário de carreira, que a gente é que toca as coisas, sabe? Eu acho assim – não estou criticando – eu acho admirável quando esses presidentes desses órgãos públicos, essas instituições ganham prêmios: melhor não sei o que, melhor e tal. Na verdade, é admirável isso. A gente tem que bater palmas para eles? Tem. Mas na verdade, esse trabalho deles é um trabalho de todo esse corpo técnico que está abaixo deles. Então, por exemplo, se você pega o Banco Central recebendo um prêmio de uma coisa muito positiva, pode saber que tem uma equipe técnica muito boa, de funcionários de carreira que estão ali, que fizeram, desenvolveram aquele trabalho. Então, eu fiquei muito, muito chateado nessa reforma da previdência. Nessa discussão dessa reforma da previdência que nós tivemos. O que eu achei negativo? Eu não estou dizendo que… eu não entendo de reforma da previdência. Então, não vou entrar em detalhes aqui. Eu acho que tem alguma coisa errada lá? Tem. Tem que ser reformada? Provavelmente tenha. Por tudo o que se está dizendo. O que eu achei muito negativo nessa reforma, eu acho que isso ajudou muito à reforma não dar certo, foi essa demonização que fizeram do serviço público. O serviço público não deve ser demonizado, na minha opinião. Eu acho que o serviço público tem que ser reformado no Brasil. Eu acho que tem inúmeras atividades – como eu já falei desde o nosso começo de conversa – que não devem ficar no serviço público, devem ir para a iniciativa privada. Mas a gente não pode partir para o outro lado e demonizar o serviço público. É muito importante que os países tenham um corpo técnico bem qualificado, confiável, de carreira e bem remunerado. Por quê? Para que eles não sejam atraídos para ir para uma iniciativa privada e deixem o serviço público. Esses dias eu estava assistindo um programa na televisão e tinha uma pessoa lá falando, comparando os serviços públicos nos países. Então ele mostrava assim: olha o salário médio do brasileiro. O salário médio do brasileiro estava em torno de R$2.000,00. E daí ele comparava com o salário médio do serviço público brasileiro, que no executivo, nem é tão alto, viu Luciano? No judiciário e no legislativo é muito mais alto do que no executivo. No executivo o salário médio é R$7.000,00. E eu estava olhando aquilo lá, eu falei: poxa vida, mas será que ele pensa que um sujeito que trata de política monetária, que fiscaliza banco, que vê risco de banco, ganhar R$2.000,00? Você imagina o que seria o Brasil, Luciano, se nós tivéssemos funcionários ganhando isso, tratando de assuntos sofisticados como esse. Não estou de forma nenhuma desprezando quem ganhe R$2.000,00. Eu sei que têm muitas pessoas que fazem trabalho digno que ganham isso e muito menos do que isso. Mas vamos dizer, se você tem um trabalho que exige uma sofisticação intelectual muito grande, não dá para imaginar que você vai pagar um salário desses e você vai atrair boas pessoas.

Luciano: É uma questão de percepção, Emílio. Isso aí não foi de graça, que essa percepção está aí na cabeça de todo mundo. Isso foi construído. E foi construído por gente que se protegeu. Por gente que legislou em causa própria. Por gente que criou essas loucuras que você vê, que tem benefício que não acaba mais. Bom, vamos mais recente aí: o judiciário com esse aumento, onde leva o teu salário para 39 mil. Mas no fim das contas, o cara recebe 60, sessenta e poucos e está reclamando que vai perder o auxílio-moradia e tudo mais. Quer dizer, para quem está de fora olhando isso, isso é um tapa na cara. Isso é um absurdo. E cara, e você pode falar: cara, mas eles tratam de física quântica. Aquilo é o pessoal que… não importa. Continua sendo um fosso tão grande que, cara, é um acinte. Eles estão esfregando na cara da gente.

Emílio: Concordo.

Luciano: Isso não foi por acaso, sabe? Isso foi construído devagarzinho, ao longo do tempo. Ao passo que eu olho hoje e o serviço público é tratado como… é o bandido, cara. Esses caras estão empurrando o Brasil para baixo, entendeu? A previdência está quebrando por causa do serviço público. Os salários são uma indignidade comparado com o resto do povo aqui, tem benefício que não acaba mais. Todo mundo se ferrando aqui, para paga aqueles caras do governo que ficam lá coçando o saco o dia inteiro. Entendeu? Isso não foi de graça. Entendeu? Alguém trabalhou para isso ser construído. E eu acho que isso é um problema sério, porque, como você disse aí, tem uma porrada de gente lá dentro… eu fui fazer uma palestra para a PETROBRAS. Uma área da PETROBRAS. Me chamou. Fui lá num evento no Rio de Janeiro. Chego lá e estava em pleno petrolão. Assim, explodindo o petrolão. O clima estava péssimo. Eu entro para fazer a palestra e eu olho na plateia, tudo cabelinho branquinho. Então, era uma plateia madura. Gente bem madura. Eu entrei, eu falei: eu vou começar a palestra, mas eu vou pedir licença para vocês, antes de começar a palestra aqui. Eu quero me manifestar aqui como um brasileiro. Eu sou um brasileiro, que olha vocês de fora e eu quero me manifestar a vocês aqui, agora. Então, eu quero saber o seguinte aqui: quem trabalha aqui há mais de 10 anos? Todo mundo levantou a mão. Há mais de 20 anos? A maioria absoluta levantou a mão. 30 anos? Quase todo mundo levantou a mão. Estava claro que era gente que estava lá há muito tempo. Quem ama trabalhar na PETROBRAS? Todo mundo levantou a mão. E aí eu virei para eles e falei o seguinte, eu falei: então, eu estou me manifestando aqui como um brasileiro. Eu sei que o que está acontecendo aí fora, essa coisa horrorosa que está acontecendo aqui não é culpa de vocês que estão sentados aí. E eu sei que vocês estão aqui há 30 anos, carregam nas costas, amam trabalhar aqui. Imagino que são pessoas que estão se dedicando, entregaram a vida para esse projeto da PETROBRAS. Eu não questiono a PETROBRAS. E eu sei que tem meia dúzia de bandidos que criaram essa situação toda e vocês estão sofrendo isso. Então eu quero dizer para vocês: eu como brasileiro, eu admiro vocês. Tenho pena do que está acontecendo. Eu gostaria que a PETROBRAS não estivesse sofrendo, o que meia dúzia de pessoas está criando. Então, tem alguém criando essa situação. E não dá para você reclamar, cara. Chegar e falar assim: poxa. Como você falou: eu achei uma injustiça o pessoal demonizar. Vai demonizar mesmo. Porque o que vem de lá é informação torta. Então, se são os meios de imprensa, se é a imprensa, se é fofoca que está trazendo isso aí? Eu não sei de onde vem. Mas eu sei que se criou uma percepção no Brasil. E não houve nenhuma preocupação do serviço público de contra-atacar. De chegar lá e falar: deixa eu te explicar o que está acontecendo. Por que é sete e não é dois? Isso nunca veio a público. E quando vem, vem meio torto, entendeu? E aí você o Romero Jucá, vem defender. Não dá, cara. Não tem como. Então, eu diria o seguinte: o serviço público brasileiro está pagando um pênalti que foi criado por ele, cara. Por ele. Porque ele não se cuidou. Deixou de ser transparente a ponto de quem está de fora me olhar e falar o seguinte: olha, esse cara está ganhando tudo isso, porque merece ganhar. Esse é um lado. Só para eu terminar aqui.

Emílio: Pois não.

Luciano: O outro lado é o seguinte: cara, os caras foram longe demais. Criaram uma casta. Você vai dizer: olha, não tem nada a ver com a moçada que está carregando o piano. Não tem nada a ver. Mas tem uma casta ali que quando você olha, fala: meu, olha o tamanho do salário desses caras. O cara se aposenta e leva uma grana gigantesca. Eu me aposentei aqui, depois de pagar a vida inteira, suo, dois paus e oitocentos de aposentadoria, que é uma merda. E outro merda se aposenta e leva 30, 40, cara. Não está certo. Entendeu? Não há justificativa que explique isso, entendeu? E com o Brasil, na panela de pressão que está agora é evidente que isso tudo tem um pênalti a ser pago. Então, eu diria que o que deveria acontecer agora seria um processo de: cara, vamos passar a régua e vamos tentar equalizar? Eu não quero que o de sete ganhe dois. Eu quero que o de dois ganhe sete. Dá para fazer essa balança? Não, não dá. Então vamos ver como que nós vamos fazer para chegar no meio termo. Vamos explicar o que está acontecendo. Vamos jogar luz em cima, vamos abrir todas as caixas pretas e vamos deixar claro: olha, você quer ganhar R$150.000,00 por mês? Quero. Então o caminho está aqui. Esse é o caminho. Não tem padrinho no meio, sabe, não tem o amigo do amigo. Não tem. Esse é o caminho. Se ficar isso tudo claro, acabaria essa loucura toda.

Emílio: É. Mais uma vez. Eu sou suspeito para falar, porque eu trabalho lá. E daqui a pouco, vai todo mundo começar a falar mal de mim, porque eu estou defendendo o Banco Central. Mas você pega o caso do Banco Central, por exemplo, por que eu vou falar isso? Porque eu acho que é um modelo para mim, do que deveria ser governo. O Banco Central não tem nenhum cargo indicado, a não ser a diretoria – como eu te falei – são funcionários de carreira. Ninguém ganha acima de teto. O salário mais alto do Banco Central está longe do teto do funcionalismo público. E eu te garanto que ninguém ganha acima do teto no Banco Central. O Banco Central era um dos únicos órgãos que glosava. Glosar é cortar o salário se ultrapassasse o teto. Então isso – na minha opinião – deveria ser utilizado no serviço público de maneira geral. Então, o que eu acredito? O serviço público deve ser pequeno, bem remunerado, bem estruturado. E o que não é atividade de governo tem que ir para a iniciativa privada.

Luciano: Perfeito.

Emílio: É isso que eu acredito.

Luciano: Você é um liberal herbívoro. Você não é um liberal carnívoro. O liberal carnívoro: cara, essa merda toda. O liberal herbívoro: eu estou aqui dentro, eu sei o que acontece aqui e reconheço que algumas coisas têm que…

Emílio: Lógico, lógico que tem que ser coisa de…

Luciano: Eu acho que isso tem que ver também com a maturidade do país. Não adianta chegar agora e falar o seguinte: o Brasil do jeito que ele é hoje, não tem como tirar. O governo tirar o serviço público e falar: vamos levar tudo para o privado. Não tem.

Emílio: Imagina…

Luciano: Não vai dar certo nunca.

Emílio: É.

Luciano: Nós temos que evoluir para chegar um dia e falar: agora me tornei uma Dinamarca. Entendeu?

Emílio: Você sabe que a Dinamarca tem um percentual de funcionários do serviço público imenso. Eu acho que é mais do que três vezes o Brasil.

Luciano: Pois é, mas é outra coisa.

Emílio: É. Eu não sou a favor disso não.

Luciano: E o ministro vai trabalhar de bicicleta.

Emílio: É. Eu não sou a favor disso não.

Luciano: O ministro não tem carro. A casinha dele é uma casinha simples. O salário dele é… se não me engano, é lá que vereador não ganha salário, entendeu? Então é outra realidade.

Emílio: É. Não, eu não estou defendendo de forma nenhuma isso. Eu acredito muito, eles acham… eu não sou nenhum expert em liberalismo, conservadorismo. O meu pensamento não é esse liberal que acha que tudo…

Luciano: O carnívoro.

Emílio: É. O carnívoro. Que tudo é resolvido pela iniciativa privada. De forma nenhuma. Eu não acredito nisso não. Mas eu acho assim… e nem os liberais famosos. Você pega um Milton Friedman, por exemplo, que é um exemplo de liberal citado no mundo inteiro. Ele acreditava num governo pequeno. Mas ele sabe da importância do governo. O governo para mim é um sujeito que tem que ficar com o martelo lá, sabe Luciano? E olhando ali. E a hora que o cara fizer um negócio errado, você: pumba. Dá uma martelada ali. O que você tem que garantir? Você tem que garantir um bom ambiente de negócios e deixar a iniciativa privada florescer, crescer. É por isso que o brasileiro ganha R$2.000,00, entende? Porque nós não temos uma iniciativa. Você tem um povo que tem uma veia empreendedora muito forte. Pelo menos as pesquisas que se fazem no Brasil mostram isso. Mas você tem uma burocracia toda que impede essas pessoas. Uma corrupção muito grande no próprio serviço público, que vamos dizer assim, que deveria facilitar esse trabalho e dificulta. Então é isso que eu queria, que eu acho que deveria ser o modelo brasileiro. Um governo forte, pequeno, bem estruturado. Entrega aos poucos. Não dá para imaginar que você vai fazer uma… que você vai pegar… tem gente que fala, por exemplo, da privatização da PETROBRAS. Eu acho que é atividade que tem que ser privada, na minha opinião. Não estou desmerecendo os funcionários. Isso não tem nada a ver com desmerecimento dos funcionários da PETROBRAS. Nada disso. Eu acho que é atividade que não é para governo. É atividade para a iniciativa privada. O que nós vamos fazer? Vamos vender a PETROBRAS? Para quê? Você vai trocar um monopólio público por um monopólio privado? Faça uma coisa bem-feita, divida a empresa, venda para diversas, para que haja concorrência. A concorrência é o segredo dos preços justos. Coisa que a gente não tem no Brasil.

Luciano: Mas a PETROBRAS é estratégica. Sabe o que é estratégico? Estratégico é manter cérebro no Brasil. Não deixar a moçada ir embora. Isso é estratégia. Entendeu?

Emílio: Exato.

Luciano: Que eu tenha aqui gente inteligente o suficiente para a hora que vier o chinês eu dar um balão no chinês e não tomar um balão dele, entendeu?

Emílio: Isso.

Luciano: E nós estamos perdendo isso, cara. A estratégia nossa foi para a cucuia. Porque quem tem cabeça não quer saber, não se envolve, vai embora e larga a gente aqui sozinho. Isso é o furo estratégico do Brasil.

Emílio: O governo chinês manda os chineses. O maior número de estudantes estrangeiros que tem hoje, mas de longe, nos Estados Unidos são chineses. E eles são financiados pelo governo chinês. Eles vão para os Estados Unidos. Eles estudam nas melhores escolas americanas e voltam para a China.

Luciano: Tiram as melhores notas. Porque o cara só faz isso o dia inteiro.

Emílio: O cara só faz isso o dia inteiro. Volta para a China. E olha a China o que está virando. A China é um país pobre ainda? É. Mas é um país que está todo mundo de olho, Luciano. É uma coisa que dizem: que agora… eu vi recentemente um empresário, que inclusive disse que foi quem apresentou o Paulo Guedes para o presidente eleito, o Jair Bolsonaro. Ele falou: o Brasil pode ser a nova China. E ele está na China hoje, vivendo agora, esse empresário. Eu não me recordo o nome dele. Eu creio que…  não sei se ele nasceu na China e viveu no Brasil?

Luciano: Eu acho que a gente para olhar para a China tem que usar a mesma lente que usou para olhar para a Dinamarca, entendeu? A Dinamarca é uma noz, é uma casquinha, é minúscula, é uma coisinha de nada. Essa mesma lente eu tenho que pôr na China. A China é dois bilhões de pessoas. Quando você compara essas coisas e bota, o Brasil está no meio. O Brasil tem aqui seus 200 milhões. A Dinamarca tem 10, 20. Eu nem sei quantas pessoas têm lá, mas digamos que tenha 10, 20 milhões ali. E a China tem dois bilhões. Não tem como comparar as duas coisas. Porque quando você joga esse volume de gente e começa a trabalhar com escala, muda tudo, cara. Você pode pegar um processo que está certíssimo no Brasil e levar para a China. Não vai dar. Porque lá tem dois bilhões de pessoas. Leva para a Dinamarca, também não dá, porque lá tem muito menos gente. Então, quando a escala surge, cara, desmonta todo o processo que você tem. E tem que entender essa diferença, entendeu? Olhar…

Emílio: Isso. Quer dizer, esse exemplo que eu dei da China é simplesmente dizendo isso que você falou, dos cérebros. Mandar para estudar e trazer de volta.

Luciano: Sim. Isso é estratégico, sim.

Emílio: Eu, sinceramente, não acho que o modelo chinês de desenvolvimento seja adequado. Quer dizer, eu não expert nisso, não quero ficar dando palpites aí. Mas eu não acredito naquele capitalismo de Estado. Se vai dar certo, eu não sei. Eu vou usar até um pouquinho da sabedoria chinesa para falar isso. Uma vez perguntaram para o Deng Xiaoping, que foi na verdade, o grande criador desse modelo da nova China. Perguntaram para ele o que ele achava da revolução francesa. Ele falou assim: ainda é muito cedo para a gente ter uma opinião a respeito. Então, a China…

Luciano: Ontem eu usei um exemplo desse. Estava essa discussão, os caras discutindo aquecimento global, aquela porra. Eu falei: olha aqui, é o seguinte, cara, eu já fiz uma porrada de programas falando a respeito do aquecimento global, que não é mais esse termo. Agora é mudança climática. Eu não discordo que ela existe. Eu discordo do volume do impacto que o homem possa ter nisso. Mas eu já me enchi tanto o saco, que eu vou fazer que nem chinês: eu vou esperar 5.000 anos e aí eu digo para você quem está certo, está bom? Então está resolvido.

Emílio: É. Então, esse modelo chinês de desenvolvimento, ninguém sabe. Eu acho que tem umas coisas estranhas ali.

Luciano: Mas é a realidade deles lá.

Emílio: É a realidade deles.

Luciano: Eu vou te perguntar uma coisa aqui. Eu vou fazer duas provocações a você então. Então vamos lá. Você está dentro de um organismo público, é um Banco Central, não é uma periferia. Você está dentro do Banco Central. Você é um cara que… qual é a tua função lá dentro?

Emílio: Hoje?

Luciano: Você faz o que, lá?

Emílio: Eu trabalho numa área de atendimento a demandas do judiciário e do legislativo.

Luciano: Não tem nada a ver com o teu começo lá, que você estava falando.

Emílio: Não.

Luciano: Mudou tudo no meio do caminho?

Emílio: Mudei.

Luciano: Dá para você ser um empreendedor dentro de um ambiente como o Banco Central?

Emílio: Mas em que sentido?

Luciano: No sentido do empreendedor como um cara acorda de manhã com uma ideia maluca na cabeça, resolve que vai implementar, implementa aquilo. Eu não estou me referindo ao empreendedor que vai fazer uma padaria. Eu estou me referindo a você estar dentro de um ambiente, todo cercado. Você tem ali um caminho.

Vozes superpostas [00:50:25]

Luciano: Faz acontecer. Eu sou dono disso, eu sou um maluco o suficiente para ir brigar pela minha ideia. E quero realizar essa minha ideia lá na frente. É possível ser um empreendedor dentro…

Emílio: Do ambiente do serviço público?

Luciano: Ou ele te poda de tal maneira que você não tem como fazer?

Emílio: Ele é mais lento. Ele é mais burocrático. A gente tem que ser muito cuidadoso. Mas tem isso, eu acho que tem muito assim, por exemplo, o que é muito respeitado nesses lugares, como banco, por exemplo? É o conhecimento técnico. Isso, o conhecimento técnico nem sempre vem junto com conhecimento gerencial. Mas por exemplo, eu lembrei de uma coisa agora, que talvez na sua linha, da sua pergunta. Eu lembro que quando eu entrei no banco, que eu tinha vindo na iniciativa privada, da área de bancos, eu conhecia muito operação bancária. E isso me ajudou muito no que eu comecei a fazer no banco, que eu analisava operações de banco e tal. E assim, eu acho que tem esse espaço para você propor inovações, para você trazer assim, uma nova visão. Assim, você ser mais esperto para começar a entender o que está acontecendo. Você tem que entender o que está acontecendo lá fora, quando você está no Banco Central. Imagina, Luciano, você trabalhando no Banco Central, você tem que lidar com esses bancos que têm gente super qualificada, profissionais formados nas melhores escolas, gente formada fora, em grandes universidades. Os caras muito… são feras nos negócios. E você tem que fiscalizar. Você tem que supervisionar.

Luciano: Deixa eu aproveitar um gancho teu aqui. Como é que você bota um Mané para negociar. Chegam oito caras do Itaú na tua frente…

Emílio: É o que eu estava te falando há pouco…

Luciano: Com PhD na área deles. E na frente deles tem um Mané que vai tomar um balão desses caras.

Emílio: É isso que eu pensei quando eu estava assistindo aquele programa, que o sujeito falou: o salário médio brasileiro é dois mil e o serviço público… eu falei: tudo bem, tem coisas erradas no serviço público. Eu não tenho dúvidas de que há. Mas meu Deus, como é que um sujeito ganhando R$2.000,00 vai ter uma formação para enfrentar esses oito que você falou que vão entrar? E os caras vêm com aquilo lá pesado. Você tem que regulamentar a atividade dessas pessoas. Então aí eu acho que você tem um espaço para essa “criatividade”, vamos dizer assim. É você perceber essas coisas. Eles sempre falam que o serviço público vem atrás do mercado. Eu acredito que seja, viu Luciano? Porque você vê o que eles estão fazendo, aí você fala: isso aqui está legal ou não está legal? Não, está legal, não tem problema. Aqui tem um problema. A gente vai ter que dar uma acompanhada nisso aqui. Então, nesse sentido, você tem um espaço para chegar lá e falar: o mercado está fazendo isso e isso e isso. E a gente tem que olhar isso com mais atenção, por causa disso, disso e aquilo.

Luciano: Entendi.

Emílio: Então, eu acho que nesse sentido sim. Mas não essa coisa, essa criatividade maravilhosa da iniciativa privada, que é o que faz a riqueza. Que faz a riqueza dos países capitalistas, que fez a riqueza dos Estados Unidos. Essa criatividade do empresário, essa é única. E é isso que eu acredito. É nisso que eu acredito para tornar o Brasil mais rico, mais próspero e mais justo. Eu acredito na iniciativa privada.

Luciano: Muito bem. Então, você veio aqui por causa de um livro.

Emílio: Vim. É verdade.

Luciano: Isso. Andréia falou: esse cara tem um livro. Aí ela começou a contar a história. Eu falei: para, não me conta. Porque senão estraga o programa. Então, o que é isso, cara? De onde vem? Como que vem? A gente já sabe que você escrevia. Você já tinha vida de escritor, etc. e tal. Mas me parece que esse livro nasce de uma experiência?

Emílio: É verdade.

Luciano: E aí?

Emílio: Eu vou tomar até a liberdade sua e dos seus ouvintes, para falar um pouquinho do meu filho. As pessoas não gostam de ficar ouvindo falar muito do filho dos outros. Mas é porque tem a ver com a história do livro. Seguinte: eu sempre… como eu fiquei muito impressionado com os Estados Unidos. Eu estudei lá em 90. Eu te falei que eu fui para Michigan. E depois eu voltei para lá. Eu estudei na George Washington University também, em 96. E eu achei o ensino americano realmente fora de série sabe, Luciano? Ele me causou um impacto positivo muito grande. Então, eu tinha planos de enviar… eu falei: se eu tiver filhos ou um filho, sei lá, eu quero que ele vá estudar nos Estados Unidos. Eu tenho um menino só. Filho único. E desde pequenininho eu já tinha esses planos de enviá-lo para os Estados Unidos.

Luciano: Pausa, pausa.

Emílio: Pois não?

Luciano: Você vem de uma família com 5 irmãos e tem um filho único?

Emílio: É verdade.

Luciano: Isso foi uma opção, foi um acidente? O que foi?

Emílio: Pode ter a ver com aquilo que a gente falou no comecinho: hoje em dia, nossa, se eu tivesse 5 filhos…

Luciano: É uma opção?

Emílio: Não. Foi planejado. Porque hoje está muito caro você… se você quiser colocar a criança no mundo e deixar ao deus dará, ótimo, tudo bem. Mas se você quiser realmente oferecer uma vida digna para a criança, uma vida que ofereça um futuro para ele, não dá para você ter 5 filhos hoje. A menos que você tenha muito dinheiro. Eu não tenho muito dinheiro. Então foi opção nossa, de casa.

Luciano: Entendido.

Emílio: Então, o que aconteceu? O meu menino então, começou a se preparar para ir, para se candidatar e ir para os Estados Unidos estudar. E eu fui muito participativo nesse processo. Eu fui muito a seminários, workshops, eu lia a respeito. E eu comecei a notar que tinha uma desinformação no Brasil, imensa, sobre estudos nos Estados Unidos, sobre bolsa de estudos, sobre as universidades, sobre o processo de candidatura. A gente chama de application. Então eu falei assim: eu estou acompanhando esse negócio todo. Eu estou vendo a angústia. E eu participava disso também.  A angústia de pais e alunos com esse processo de desconhecimento. Eu falei: você quer saber de uma coisa? Eu acho que eu vou escrever um texto, porque eu gosto muito de escrever. Eu falei: sei lá, eu ponho num blog aí, ponho num site, num negócio e o pessoal vai… a minha motivação foi só e exclusivamente de informar mesmo as pessoas. De tornar isso mais fácil para os pais.

Luciano: Que ano era isso? Que ano foi?

Emílio: Isso foi agora, recentemente. Isso foi em 2016, 2015, 2016.

Luciano: Interessante você falar isso, porque cara, o que mais tem hoje é gente prestando serviço nesse sentido, sabe? Empresas que você vai lá, desde que você pague. Pagou, eles se comprometem a fazer todo o processo para você.

Emílio: Eu acho importante o trabalho dessas empresas sabe, Luciano? Eu acho. Inclusive, no livro, a minha sugestão aos pais é que se eles puderem ter um serviço desse tipo, eu acho que esse serviço é importante, um serviço de orientação. O meu foi só informativo. Eu não tenho nenhum vínculo com empresa nenhuma. Eu não presto esse tipo de serviço. A minha motivação realmente foi exclusivamente…

Luciano: O pai. O pai que está…

Emílio: Deixa eu passar essa informação que eu estou tendo para outras pessoas, para que elas possam participar dessa experiência incrível de mandar um filho para lá. E aí eu comecei a escrever. Só que aí, eu fui um sujeito muito detalhista. Eu comecei a expandir esse texto. Primeiro eu escrevi sobre o processo em si. Aí depois eu falei: mas tem coisa mais importante. Foi como eu cheguei na Andréia, por exemplo, a Andréia, você sabe, ela é uma psicóloga intercultural, show de bola. Então, ela…

Luciano: Só para você entender, o pessoal. O que a Andréia faz? A Andréia, ela te ensina a se integrar numa outra cultura, as duas vias. Então, o chinês é mandado para o Brasil. A Andréia ensina o chinês a se integrar na cultura brasileira. Um brasileiro é mandado para a China, a Andréia ensina o brasileiro a se integrar na cultura chinesa. Isso não é dar aula de chinês, nem dar aula de inglês. Isso aí é muito mais que isso. É todo um trabalho de perspectiva cultural, sabe? Que vai desde a etiqueta. Como que funciona o sistema de negócios. Como que as pessoas tomam decisão. Como que é o embasamento cultural, essas coisas. Detalhes que acontecem numa cultura que são só dela e que você chega lá sem saber e de repente você está fazendo bobagem de uma hora para outra. Então o trabalho dela é nesse meio campo.

Emílio: É. E aí eu comecei a escrever esse texto. O texto começou a se expandir. Eu falei assim: eu acho que eu vou auto publicar esse texto aqui. Aí não sei, um dia, da minha cabeça lá, foi uma coisa de muita sorte, sabe Luciano? Eu acabei mandando esse texto para um editor, o Pedro Almeida, que é um cara sensacional. Ele é um dos sócios da Faro Editorial.

Luciano: Faro?

Emílio: É. Faro Editorial. É uma pessoa realmente sensacional. Eu gosto muito de ler os artigos dele. Ele entende tudo desse mercado. Eu não o conhecia. Eu entrei simplesmente no site da Faro e pumba. Mandei para ele um e-mail. Eu falei: olha, desculpa se eu estiver te incomodando. Eu escrevi um livro sobre tal coisa e tal coisa e tal coisa, sobre estudo no exterior, sobre graduação, quem vai fazer faculdade nos Estados Unidos. E eu queria saber se você tem interesse em ver o texto, publicar. Curiosamente, ele me mandou uma resposta no mesmo dia. Curiosamente, assim, não estou dizendo do Pedro. Porque dizem que você manda para a editora e você nunca recebe resposta. O Pedro foi muito gentil. Não sei como que ele encontrou tempo lá. Ele me mandou uma resposta, ele falou: olha, Emílio, não é a minha praia, não é a linha editorial minha. Mas se você quiser me mandar o texto em PDF, eu dou uma olhada e te indico um editor. Nossa, para mim, aquilo ali foi uma vitória enorme. Eu falei: nossa, Pedro, vou te mandar já. Mandei o texto para ele. Aí eu falei: agora vou esquecer. Eu acho que ele não vai ter tempo de ler, que ele tem sei lá quantos livros para ver. Eu acho que passadas umas duas, três semanas, ele me manda uma mensagem: a gente pode se encontrar? Eu falei: poxa vida. Eu fiquei feliz de novo. Fui me encontrar com ele. Quando eu cheguei lá ele falou: rapaz, o seu texto está muito bom. Adorei o teu texto. Vamos publicar um livro? Eu falei: está fechado. E aí o livro saiu. Posso falar o nome?

Luciano: Claro.

Emílio: Fazer…

Luciano: Uma propaganda aqui. Não só vai falar, como vai dizer. Pode, à vontade.

Emílio: O livro chama: Como Ingressar numa Universidade Americana e a Diferença que Isso Fará na Sua Vida. A Diferença que Isso Fará na Sua Vida é um subtítulo. Porque eu vi isso no meu menino. Eu vi a diferença que ir para fora, que ir para uma universidade americana, eles têm um senso de responsabilidade lá, Luciano, incrível. Você sabe disso, você estudou lá. Eu vou te dar um exemplo, posso te dar um exemplo rapidinho, de uma coisa que eu fazia em Michigan?

Luciano: Claro.

Emílio: Nossa, foi uma coisa chocante para mim. Eu lembro que eu fazia uma matéria em Michigan, que chamava investimentos, investments. Sabe como que era a prova, Luciano? A prova era assim: tinha quatro dias que você podia fazer a prova. Era a mesma prova. Você podia escolher. Você chegava lá na secretaria. Tinha uma secretária lá do professor. Tinha um relógio assim, lembra que 92, tinha um relógio em cima do balcão. Ela pegava o seu nome, ela marcava o seu nome. Ela marcava na tua prova o horário que você retirou a prova. Te entregava a prova e falava assim: você tem duas horas para me trazer a prova de volta. Se você demorar mais de duas horas, você começa a perder pontos na prova. Ou seja, eu pegava a prova, saía de lá.

Luciano: Ia para onde quisesse?

Emílio: Ia para onde eu quisesse. Na verdade, a gente já deixava tudo preparado num espacinho ali da biblioteca. Corria para lá, fazia a prova, voltava para ela, entregava a prova. Ela marcava o horário que eu tinha devolvido a prova e ia para o professor corrigir a mesma prova, durante quatro dias. Não quero falar mal do Brasil. Tem gente demais falando mal. Mas eu fiquei pensando, eu falei: se puserem um negócio desses no Brasil…

Luciano: Vai ter um carinha ali cobrando. Já tenho o gabarito, vem cá. Cinquentinha aí eu já te dou o gabarito.

Emílio: Lá não tinha uma palavra. Eu nunca ouvi um sujeito falar com o outro sobre a prova. Você não tinha a menor ideia do que ia estar naquela prova. Aquilo ali foi um negócio muito chocante para mim. Eu falei… eu achei aquilo sensacional, sabe? Eu falei: essa sociedade é um negócio fora de série. Então…

Luciano: Eu tenho uma experiência. Vou falar para você: eu fui fazer uma série de eventos nos Estados Unidos. Evento daqui, de levar os brasileiros para lá, aquela história toda. E tinha um pessoal comigo da produção, que a gente foi lá, nós fomos em dois ou três fazer o negócio. Então tinham várias coisas, tinha que marcar hotel, aquela coisa toda. E num determinado momento, a gente foi. Tinha que comprar os bonés da turma. Eu não me lembro bem se era boné. Mas era sim. Era uma quantidade, 50, 60, 70, “x” coisas. Não me lembro se era galocha, se era boné, alguma coisa assim. E o cara que estava comigo foi comprar. E aí nós começamos a olhar. Onde vai comprar? Como que era? Aí o cara falou: eu acho que uma das melhores coisas que eu posso fazer é ir numa dessas lojas ali de coreano, essa coisa toda, aí eu compro em quantidade boa, a gente consegue um desconto. Maravilha. Aí o cara vai lá. Maravilha. Faz o desconto e tudo. Terminou, está tudo na mão. Tudo bem. Quanto você faz para mim sem nota? E o coreano olhou para a cara dele assim, com uma expressão de indignação. Ele falou: cara, eu me senti nu. Ele olhou para mim assim, com uma de: o que você está falando, cara? Como assim, sem nota? Sabe? Do que você está falando? Não cabia no repertório dele de que alguém iria fazer uma venda de alguma coisa e não teria que pagar um imposto qualquer ali. Que é o nosso jeitão aqui. E o cara voltou para mim e falou: cara, eu tomei uma mijada sem o cara falar nada. Só pelo olhar dele para mim, eu me senti envergonhado de ter falado. Mas é aquela cultura. É a cultura.

Emílio: E você expõe o jovem, por exemplo e tal, você pega o seu filho e manda para um lugar desse. Eu acho que ele volta mais rico em termos culturais. Não é só nisso, é em tudo. Eu acho que ele, por exemplo, as nossas universidades, infelizmente, elas não atraem pessoas de fora. Muito raramente, Luciano. Nos Estados Unidos não. Você chega lá nos Estados Unidos e tem gente do mundo inteiro. Então, eles conhecem…

Luciano: De graça não é, à toa não é.

Emílio: É lógico.

Luciano: Entendeu? Por que seria isso? Então é causa e consequência.

Emílio: É lógico. Sabe Luciano, às vezes…

Luciano: Eu fico puto que tem gente que contesta ainda, cara. Eu ouço um monte de abobrinha.

Emílio: São tipos de coisas… quer ver uma coisa curiosa que a gente ouve? Americano é tudo ignorante. É comum você ouvir falar isso. Você fala assim, eu sempre falava para o meu menino, eu falava assim: lá você vai ter o que tem de pior e o que tem de melhor no mundo. Você que escolha. Mas eu penso assim, eu falo assim: como ignorante, se eles construíram uma nação, que na verdade, é mais jovem do que a nossa, se você for considerar quando que os puritanos foram para lá, vamos dizer assim, que é quando começou realmente a se formar o país. Eu falei: eles são mais jovens do que a gente, construíram uma nação que é a mais poderosa do mundo. O que é ignorância produz, Luciano? Nada. Nós vimos aí a apologia da ignorância, o que construiu nesses últimos anos que nós vivemos aqui no Brasil. Olha a que ponto nós chegamos.

Luciano: É. Eu vou usar aquilo que o meu amigo Carlos Nepomuceno usou, ensinou para mim aqui: trata essa conversa como papo de bêbado.

Emílio: Isso

Luciano: Aquele cara que três horas da manhã… é isso aí.

Emílio: Esse papo seu. É, eu ouvi.

Luciano: É papo de bêbado, não sabe o que está falando.

Emílio: É papo de bêbado. É.

Luciano: E vamos partir para outra, vai. Mas vamos lá. Então, eu vou aproveitar, vou querer pegar algumas dicas com você aqui.

Emílio: Vamos lá.

Luciano: Me faça aí um resumo do highlights desse teu livro aí. Eu vou te dar duas situações: eu tenho 26 anos de idade, estou estudando aqui, estou me formando aqui e gostaria de pensar na possibilidade de ir para os Estados Unidos. Eu tenho 18, 19, 20, 26 anos de idade. Ou então, eu sou um pai, eu tenho 40 anos de idade, estou com o meu filho chegando lá nos 13, 14, 15. Já estou pensando no que esse moleque pode fazer lá na frente. Me passa os highlights aí.

Emílio: Olha, esse livro que eu escrevi para o jovem e para os pais. Por quê? Porque o processo nos Estados Unidos é muito diferente do nosso. Não é um processo que o aluno vai lá e vai fazer um exame vestibular, passou, não passou. Não. Eles têm um processo lá que eles chamam de holístico. Por exemplo, Luciano, o que conta no processo deles? Olha que curioso. Conta, por exemplo as notas dos últimos quatro anos do jovem. Eu estou te falando: o meu livro é exclusivamente para faculdade. Não é para pós-graduação. Então você tem o teu menino que vai se formar no colégio, no 3º ano do ensino médio e você quer enviá-lo para os Estados Unidos para estudar. Então, eles vão considerar as notas do seu filho ou da sua filha, do 9º ano, do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. Eles vão considerar as notas que ele vai tirar nos testes. Por exemplo, ele vai fazer um teste que chama SAT ou ACT. Ele vai fazer um teste de proficiência em língua inglesa, que é o TOEFL. Ele vai ter que ter atividades extracurriculares. Por quê? Porque o americano acredita que o que você faz fora da sala de aula, mostra muito do que você é. E eles querem atrair pessoas interessantes para a universidade deles, entendeu? Então essa parte é muito importante. Então você pode, eventualmente, ter entrevistas. E uma coisa muito importante – que a gente não tem – que eles têm lá, são os chamados essays ou as redações. Então, você tem que preparar tudo isso. E isso leva um tempo, sabe Luciano? Então, é preciso que os pais já vão se programando em relação a isso, inclusive financeiramente. E vão já preparando o garoto para isso: olha, os quatro últimos anos são muito importantes, então você tem que dar uma caprichada. Você tem que já programar os testes, quando que eles vão fazer, todas essas coisas. Então, esse livro, ele dá um panorama geral do processo. E da importância que se tem, de ir se preparando com antecedência o jovem. E as próprias famílias, inclusive em termos financeiros, por quê? Porque não existe ensino gratuito nos Estados Unidos. Então, por exemplo, quer ver uma coisa que eu ouvia muito e que depois eu fui entender o que era? Mas não tem escola pública nos Estados Unidos? Tem. Então beleza, eu vou mandar o meu filho para uma escola pública, porque não é paga. Não. Escola pública é paga. Mas o que é escola pública nos Estados Unidos, então? Escola pública americana é uma escola, que parte do orçamento dela vem do governo do estado. Então, ela é pública só para os estudantes que são daquele estado. Por exemplo, se um americano que mora em Nova Iorque, quiser estudar numa universidade pública, Universidade de Berkeley, ou UCLA, que é onde o meu filho estuda, por exemplo. Que é uma escola pública de elite lá nos Estados Unidos. Se um americano quiser estudar numa escola pública, uma UCLA, uma Berkeley na Califórnia, ele vai ter que pagar como um internacional. Para quem que essa escola é pública? Só para o californiano. Só para quem nasce lá. Então o sujeito que…

Luciano: Para quem nasce ou para quem mora lá?

Emílio: Para quem mora lá. Desculpa. Para quem tem residência lá. Então, quem tem residência na Califórnia e entra numa universidade dessa; ele vai pagar? Vai. Só que ele vai pagar uma mensalidade, que eles chamam de [inint 01:12:17] lá, menor, significativamente menor, do que alguém que venha de fora. Quem vem de fora? Internacional ou qualquer americano que venha de outro estado. Isso é uma escola pública americana. Então essas coisas todas. Bolsa de estudo. O meu filho tem que pegar uma bolsa de estudo de 100%. Tem bolsa de estudo de 100%? Tem. Mas elas são raras, Luciano. Raras. Elas são para alunos realmente excepcionais.

Luciano: Ou um excelente jogador de futebol…

Emílio: Ou, por exemplo, pode ser. Pode ser.

Luciano: Um baita atleta.

Emílio: É. No meu livro eu abordo, eu falo sobre isso. Eu falo sobre o aluno que vai como acadêmico e eu falo sobre o aluno que vai como esportista.

Luciano: Ouça o LíderCast que eu fiz com o Raiam Santos. Ele foi para lá desse jeito.

Emílio: Você fez? Eu li os livros dele.

Luciano: É isso aí. Eu fiz com ele.

Emílio: Eu li, ele foi para a Pensilvânia. Na Penn University.

Luciano: Eu fiz com ele aqui. Ele conta todo esse processo dele.

Emílio: Eu li os livros dele. Eu li. Eu achei muito interessante.

Luciano: Foi o esporte que o levou…

Emílio: Isso, jogava futebol americano. Os brasileiros em geral, eles vão muito com natação, tênis, e o soccer, que é o nosso futebol. É muito difícil um brasileiro ir lá para jogar futebol americano como o Raiam fez.

Luciano: O Raiam fez.

Emílio: O Raiam fez. Tem que ser muito talentoso. Por quê? Porque é a praia deles. Então têm bolsas para esportistas? Tem. Mas mesmo o esportista, em média, ele gasta uns 18 mil dólares por ano. Porque vamos falar a verdade, você pagar 18 mil dólares por ano para ter tudo: ensino, moradia, alimentação, não é um valor excepcional. Se você pegar uma escola privada boa aqui no Brasil, você vai gastar provavelmente mais do que isso por ano.

Luciano: Talvez, só com a mensalidade da escola.

Emílio: É. Agora o câmbio está um pouco desfavorável. Eu acho que isso deve… provavelmente melhore isso, se a gente fizer as coisas certas aí que estão no horizonte aí. Então assim, há bolsas de estudo? Há. Então, eu via muitos pais que ficavam falando: mas o meu filho tem que ter uma bolsa de 100%. Olha, 100% vai ser muito difícil. Tem, mas são raras. Então, todas essas coisas eu vou explicando no livro, sabe? Então ficou um texto assim – modéstia à parte – muito interessante, muito complexo. Eu falo até de visto. Do visto que eles têm que tirar. Eu entrevistei muitos estudantes que estão lá, que foram, que voltaram. Eu fiz um capítulo especial para essas escolas supercompetitivas. O que eu quis fazer no livro? Eu quis mostrar no livro, eu quis desmistificar um pouco isso. [Inint 01:15:14] são instituições excepcionais. Eu não estou querendo desmerece-las. Não é isso. Mas eu acho que isso também é um desconhecimento grande do brasileiro. O quê? O brasileiro só conhece essas escolas.

Luciano: É que nem a Broadway. Eu vou para Manhattan e eu só fico na Broadway. Tem um off Broadway que é fabuloso, cara, que estão acontecendo coisas maravilhosas fora da Broadway.

Emílio: Exato. Assim, os Estados Unidos, eles têm 4 mil – aproximadamente – instituições que dão um diploma para a pessoa. Uma graduação. Um pouquinho mais de 3 mil dão o diploma de graduação de 4 anos. Ou seja, são as universidades. Você tem universidades excepcionais lá, Luciano, que são totalmente desconhecidas do público brasileiro. Então, o público brasileiro vê muito esses filmes que só falam em Harvard, Yale, Stanford. Então eles acham que: eu tenho que mandar meu filho para uma universidade dessa. Ótimo se o seu filho for para lá. Mas é uma pauleira você pegar uma universidade dessa. É muito difícil.

Luciano: O seu filho, ele foi quando?

Emílio: O meu filho foi agora, em 2015.

Luciano: E o processo dele? Todo esse processo, ele acertou de primeira?

Emílio: Ele acertou. Aí que eu acho, que eu te falei que essas empresas de assessoria, se você escolher uma assessoria boa é importante. Por quê? Eles não fazem milagre não. O mérito é do estudante. Mas eles te dão uma boa orientação. Por exemplo, eles escolhem uma escola que seja adequada ao aluno. Por exemplo, se o aluno é um aluno médio, não adianta ele querer ir para uma supercompetitiva. Ele não vai conseguir chegar lá, entendeu? Se ele for um aluno médio, ele tem que ir para uma escola que seja adequada às notas, aos testes que ele fez. E isso é uma coisa que uma orientação pode dar bem. Escolha das universidades adequadas, ideais para o jovem. Eu acho importante esse trabalho, desde que seja… que você se informe e você tenha uma empresa boa, idônea. Hoje é muito fácil se informar sobre isso, você vai na internet, você pesquisa, você vê a avaliação dessas empresas, esses profissionais.

Luciano: E teu filho está lá há três anos, então?

Emílio: Ele foi para o 3º ano agora.

Luciano: O que ele está fazendo?

Emílio: Ele está fazendo economia na UCLA. Mas você sabe, olha como é interessante o ensino americano. Vou te dar mais um exemplo se a gente tiver um tempo aí. Você falou sobre esse negócio comportamental, lembra, no início da entrevista?

Luciano: Sim.

Emílio: Eu lembro que eu conversava com ele, com o meu filho, eu falava assim: se você for fazer um curso de economia, puxa algumas disciplinas de psicologia. Mas a psicologia comportamental. Eu falei para ele. Que é o que usa em psicologia. Tudo bem. Ele foi para lá, começou a fazer o curso de economia. Um dia ele volta para o Brasil. Eu falei: como que está, não sei o quê. Ele falou: pai, eu decidi fazer um double major. O double major – olha que coisa bacana dos americanos – você pode entrar lá e se formar em duas…

Luciano: Puxar umas disciplinas de outra…

Emílio: Você se forma em duas. Na verdade, você tem duas formações.

Luciano: Dois majors. Sim.

Emílio: Eu falei para ele: mas já é muito puxado economia. Você vai fazer double major em quê? Ele falou: em psicologia. Eu falei: você está brincando. Ele falou: não, eu vou fazer psicologia comportamental, pai. Que é muito importante para economia. Quando você falou isso, eu lembrei imediatamente disso. Porque você falou: no Brasil a gente não encontra. Ele foi lá, ele está fazendo economia e a psicologia comportamental. Ele vai sair com os dois diplomas. Nos quatro anos.

Luciano: Que é isso que eu ia te perguntar. Então nos quatro anos?

Emílio: Quatro anos. Eu não paguei nada a mais por isso. E cabe a ele puxar lá as disciplinas. Não tem nada obrigatório. Obrigatório eu quero dizer, deixa eu corrigir, eu falei bobagem. Assim: ninguém chega para ele… que nem aqui no Brasil, você chega lá: o que eu vou estudar no 1º ano? Você vai ter isso, isso e aquilo. Nada. Eles que escolhem as disciplinas.

Luciano: Tem um cardápio. Ele tem que escolher?

Emílio: Acabou. Ele tem que escolher. Mas ele tem que saber o seguinte: para eu me formar em economia, eu tenho…

Luciano: Ele tem “x” créditos ali…

Emílio: De tais e tais disciplinas. Cabe a ele escolher as disciplinas e ir encaixando ano a ano, trimestre a trimestre, entendeu? Isso que eu estava te falando da responsabilidade.

Luciano: O Raiam ensinou alguns truques também. Eu recomendo a você que está ouvindo a gente. Ouça o LíderCast do Raiam, que ele dá algumas dicas ali interessantes. Ele é bem brasileiro, sabe? Tem jogo de cintura. Ele tem algumas dicas bem interessantes ali. O teu filho tem alguma ideia? O que vai acontecer? Ele tira o diploma e volta para o Brasil? Ele fica lá? O que vai ser?

Emílio: Não sei. Eu falei para ele: olha, depois que você se formar…

Luciano: Você vê o que vai acontecer.

Emílio: Você que sabe o que você vai fazer da sua vida viu? Então eu não sei.

Luciano: Quanto terá custado esse processo todo, de mandar o seu filho para lá e até o momento que ele tira o diploma?

Emílio: Olha, em média. Eu vou te falar em média. Em média custa 30 mil dólares uma universidade americana.

Luciano: Os quatro anos?

Emílio: 30 mil dólares ao ano.

Luciano: Ao ano?

Emílio: Ao ano. É.

Luciano: Ao ano. Eu estou totalmente por fora, cara.

Emílio: A média do esportista é 18 mil dólares. Você como cai.

Luciano: Você está falando então, que 4 anos são 120 mil dólares. Nós estamos falando aí quatrocentos e tantos mil reais.

Emílio: Hoje. O câmbio está muito desfavorável.

Luciano: Tudo bem.

Emílio: Se o câmbio der uma assentada aí.

Luciano: Quatrocentos mil reais. Sim.

Emílio: É um dinheiro. É por isso que eu falo que os pais, eles têm que ir se programando. Por que o que é a cultura americana? A cultura americana é aquele negócio do sujeito guardar o dinheirinho dele, desde que a criança nasce ou até antes, para chegar lá na frente e ter o dinheiro para pagar a universidade. E a cultura do americano é o seguinte: se você for pedir uma bolsa lá nos Estados Unidos, você vai ter que mandar uma série de informações para eles. Eles vão dar uma olhada lá. Se eles virem, por exemplo, que você tem uma casa na praia, eles vão falar: vende a tua casa na praia para você pagar a faculdade. Entendeu? Assim, é a cultura deles, dos gringos.

Luciano: Sabe qual foi o truque do Raiam? O Raiam se declarou native american. Ele falou: sou brasileiro. Minha avó era não sei o quê. Eu vou botar: eu sou native american. Os caras bateram o olho, fechou a cota de nativos americanos. Ele entrou como native american. Como é que alguém vai contestar um brasileiro negro. Um negro brasileiro. Estava na cara que era. Abriu espaço, eu entrei na cota do native american. É bem o esquema deles lá. Mas que interessante, cara. E a coisa interessante é o seguinte, quer dizer, quando o teu filho terá terminado, ele terá na mão dele um certificado. Mas a experiência é que vai contar. Quer dizer, não garante que ele vai ter um emprego. Não garante que quando ele voltar para o Brasil o certificado dele vai garantir que ele vai no Banco Central, mostra o certificado e está contratado. Não é assim.

Emílio: Não, de forma nenhuma.

Luciano: Mas a experiência, os quatro anos, a responsabilidade, transforma ele em outra pessoa.

Emílio: Exato. Sabe que eu até tive uma oportunidade, nessas promoções do livro aí. Eu fui entrevistado por uma jornalista, a Liliana Tinoco Bäckert, que ela fica na Suíça. Ela fez uma entrevista muito legal comigo. Nessa entrevista, eu falei uma coisa bacana para ela, eu acho, eu falei assim: eu não mandei o meu filho para os Estados Unidos para arrumar um bom emprego. Eu mandei, para ele ter uma boa formação ali. Quer dizer, a formação cultural, a formação moral ele teve em casa, evidente.

Luciano: Claro.

Emílio: Eu estou falando da formação acadêmica. E não só isso, de ele ter a riqueza de poder conviver com essas culturas todas diferentes, que eles têm lá, de ele ter que se virar. Eu acho que isso faz o jovem crescer, sabe, Luciano? Eles crescem muito. Porque eles estão…

Luciano: Claro.

Emílio: Apesar desses meios de comunicação que a gente tem hoje serem muito bons, porque você liga o teu celular ali, você vê o teu menino, a tua menina ali, conversa com eles. Mas eles estão sozinhos lá. Eles têm que se virar para resolver os problemas deles. E a Andrea Sebben fala muito disso. Dessa riqueza cultural que vem com uma formação fora. A Andrea me falou assim na entrevista – que está no meu livro – ela falou assim: quando um pai fala que a filha ou o filho está estudando está estudando, sei lá, que nem o meu, economia, por exemplo, lá fora. Na verdade, é incompleto. Ele está aprendendo muito mais do que isso.

Luciano: Claro.

Emílio: Ele está aprendendo uma cultura nova. Ele está aprendendo a se virar.

Luciano: Vida, cara. É uma escola de vida.

Emílio: É um negócio maravilhoso, viu?

Luciano: Repita o nome do livro?

Emílio: Como Ingressar numa Universidade Americana. Está como Emílio Costa. O meu primeiro e último…

Luciano: Você já criou um blog para dar continuidade ao livro num blog, ou não?

Emílio: E tenho um endereço lá, que é o: vouestudarnaamerica@gmail.com. Eu tenho um bloguezinho que está meio…

Luciano: Está perdendo tempo, cara. Tem que ir lá.

Emílio: Eu pensei nisso. Não, eu tenho um bloguezinho que chama Pensar é Bom.

Luciano: Então, porque nesse momento aqui é interessante. Quer dizer, o cara fala: fiquei interessado. Eu vou comprar o livro. Eu quero ler o livro, mas quero trocar uma ideia contigo. E esse trocar ideia contigo vem de tudo. Vem desde o moleque que quer orientação, vem a empresa que quer participar, que quer parceria. Vem de tudo ali. Então, eu acho que se você fizer isso, criar o teu bloguezinho ali e começar, sabe? Tem novidade aqui, está acontecendo coisa nova. Pintou chance nova. Pintou o teu filho até aproveitar para…

Emílio: No Instagram lá eu estou. No Instagram eu estou.

Luciano: Para te achar no Instagram como que faz?

Emílio: É Emílio Costa.

Luciano: Emílio Costa.

Emílio: Eu estou precisando realmente investir nisso, você tem toda razão. E eu acho que é importante isso. É importantíssimo isso que você falou. Você tem toda razão. E eu tenho esse endereço, que é: vouestudarnaamerica@gmail.com, que é referente ao livro. Eu tenho recebido e-mail, mais de pessoas que eu enviei o livro para elas avaliarem e tal. Agradeço muito essa abertura que você está me dando aqui.

Luciano: Como é o nome do seu filho?

Emílio: É Artur Costa.

Luciano: Artur Costa. Nós vamos encerrar o programa com você mandando uma mensagem para o Artur Costa. A gente já sabe do teu esforço. Sabe como é difícil, como é complicado. Sabe da experiência que isso tudo rendeu. Porque rendeu um material fabuloso, que vai ajudar um monte de gente. Eu não tenho dúvida nenhuma.

Emílio: Espero. Essa foi a minha motivação.

Luciano: Mas continua. O Arturzinho está lá, o pai está aqui se virando, pagou aquele rolo todo lá, é uma encrenca. Vamos encerrar o programa. Manda um abraço para o Artur. Manda uma mensagem para o Artur aí.

Emílio: Sabe, ele é meu filho único. Mas você sabe que eu senti menos do que eu imaginei que eu fosse sentir, a ausência dele. Não é porque eu esteja sendo um pai relapso, de forma nenhuma. É que eu estou tão feliz com o progresso que eu vejo todas as vezes que ele volta para cá. Eu acho que ele está progredindo muito, como pessoa, como ser humano. Então eu acho que isso me ajuda um pouco. A mim e à minha esposa a, vamos dizer assim, a aceitarmos mais essa ausência dele. E assim, a mensagem que eu deixo é o seguinte: eu quero que ele seja uma pessoa independente, sabe Luciano? Então, eu estou dando os meios para ele, para que ele seja independente, eu não quero que ele seja… uma pessoa independente. Eu não sonho em ter o meu filho: eu quero que ele fique aqui conosco, de volta e tal. Eu quero que ele tenha a vida dele, que ele seja independente. Então essa é a mensagem que eu deixo para ele e é isso que eu acredito que os jovens devem fazer. Eu não quero, de forma nenhuma, influenciar pais. Cada um sabe o que faz com seu filho. Eu não estou querendo dar lição para ninguém aqui. Essa é à minha maneira. É o meu testemunho, vamos dizer assim.

Luciano: O nome da tua esposa, como é?

Emílio: É Taís.

Luciano: Taís.

Emílio: Isso. Então, o nosso testemunho é esse, de que o nosso filho teve um progresso muito grande pessoal, com essa experiência. Essa é a mensagem que eu deixo.

Luciano: O que o Artur tem que olhar e todos os artures do Brasil e do mundo tem que olhar é que ter o investimento que vocês fizeram nele, que dá para ver. Que é o investimento da grana, do que foi investido aí, tudo que dá para ver. E tem o investimento emocional, que você e a Taís fizeram que não há dinheiro no mundo que pague isso, sabe? Que é ter o filho longe. Mas no final das contas, é aquilo, você está criando uma pessoa que é aquela que você um dia sonhou falou: cara, se um dia eu tiver um filho, eu gostaria que o meu filho fosse assim. Vocês contribuíram para isso, não só com dinheiro e com suporte, mas com esse… cara, o custo emocional de tê-lo à distância. Ainda bem que nós temos hoje me dia, que você liga um Skype, que você vê a carinha dele, você conversa ali. Skype nada, você abre o celular e estão se vendo.

Emílio: Está ali.

Luciano: Está ali, isso melhorou muito. Mas cara, parabéns aí pela carreira. Parabéns pela tua visão. Parabéns especialmente por ter pensado um dia de colocar isso no papel. Eu não tenho dúvida nenhuma, você vai estar ajudando um baita monte de gente aí. E eu espero que esse programa aqui ajude a dar mais um up aí nesse livro e tudo mais.

Emílio: Olha, agradeço imensamente a tua atenção, foi um prazer enorme.

Luciano: Imagina.

Emílio: Agradeço a todos os teus ouvintes. Espero que tenha contribuído de alguma forma para ajudar algumas pessoas, tirar algumas dúvidas e tal. Essa foi a finalidade que eu tive, a motivação que eu tive para escrever meu livro. Não presto nenhum tipo de serviço, nenhum tipo de assessoria, não sou associado a nenhuma empresa. A minha motivação foi exclusivamente de informar. Eu acho que é isso que me trouxe até aqui. Agradeço a você novamente e aos seus ouvintes pela atenção.

Luciano: E a Andrea.

Emílio: E a Andrea. Evidente. Nossa, a Andrea sempre, pela dica aí.

Luciano: Grande abraço.

Emílio: Muito obrigado, viu?

Luciano: Valeu.

Emílio: Valeu, Luciano.

Luciano: Até mais. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast, a transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. Para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LíderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

 

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