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LíderCast 159 – Paulo Ganime

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Luciano Pires -
Download do Programa

 

LíderCast 159 – Paulo Ganime

 

Jovem deputado federal pelo partido Novo, engenheiro e economista que atuou em empresas multinacionais no Brasil e exterior e decidiu impactar na sociedade como político.

 

 

 

 

 

           

 

           

 

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, temos Paulo Ganime, jovem Deputado Federal pelo partido Novo. Engenheiro, e economista, que atuou em empresas multinacionais no Brasil e exterior, e decidiu impactar na sociedade, como político.

Muito bem, mais um LíderCast, grande honra estar aqui nesse ambiente hoje, com uma pessoa de tão alto garbo, como diz meu grande amigo Leo Lopes, né? Como é que ele chegou aqui? Foi contatos de amigos. Um conhecia o outro, conhecia o outro, a gente acabou se colocando em contato. Acho que eu mandei uma mensagem, e descobri que o cara me ouvia. “Pô, eu ouço você”. Ah, quando der, você apareça por aqui, né? Três perguntas fundamentais, que são aquelas que fazem o programa nascer. Se você chutar agora, vai errar tudo. Então, essa aqui é a única que você não pode chutar. Seu nome, sua idade, e o que que você faz?

Paulo Ganime: Perfeito. Oi Luciano, bom dia. É um prazer estar aqui com você. Como você falou, eu te ouço há muito tempo. Eu nem pensava em entrar para a política, quando eu já te ouvia. Eu morava nos Estados Unidos, e ouvia o PodCast do Café Brasil, e o LíderCast também. Então, quando você me convidou, quando você entrou em contato comigo para participar, eu falei caramba, não é possível. Eu devo estar imaginando coisas. Mas, era verdade.

Então, sou Paulo Ganime, tenho 36 anos, recém-feitos, e sou Deputado Federal hoje. Melhor, estou deputado Federal, vamos dizer assim.

Luciano Pires: Uma dica para vocês aqui. O cara me mostrou, como é que ele escuta o Café Brasil. Ele escuta na velocidade de 2,5 cara, que é algo mais ou menos assim: (som de falas aceleradas). Eu falei, o que é isso cara? Escuto todos os meus PodCasts nessa velocidade. Dá para ouvir alguma coisa? A gente treinado, a gente consegue entender. Então vou esconder ele do Lala, porque senão o Lala te dá uma porrada. Risos. Mas que legal. Olha, eu me lembro na campanha cara, quando começou a campanha, que você surgiu, apareceu do nada. Mas quem é esse cara? Eu fui pesquisar, e caí num vídeo da sua família, muito legal. A sua mãe, suas irmãs, um depoimento muito legal, que eu falei “pô, o cara tem uma coisa diferente aqui”. E eu me lembro até que depois eu recomendei, botei nas minhas mídias sociais: pessoal do Rio de Janeiro, quiser eleger alguém que presta, tem um cara aqui, presta atenção nele. Foi muito legal. Mas vamos desde o começo. Você nasceu onde?

Paulo Ganime: No rio de Janeiro.

Luciano Pires: Carioca mesmo?

Paulo Ganime: Carioca da gema.

Luciano Pires: Quantos irmãos você tem?

Paulo Ganime: Eu tenho, na verdade eu tinha 4 irmãos, o mais velho, meu irmão Carlos Eduardo, ele faleceu, foi atropelado. Quebrou a perna, 15 dias depois ele faleceu. E agora eu tenho 3 irmãs, na verdade. Eu sou o mais jovem, mais novo dos 5. E nasci no Rio, todos nós. Agora, uma das minhas irmãs mora na Espanha, o resto, minha família toda mora no Rio.

Luciano Pires: Seu pai e sua mãe estão?

Paulo Ganime: Minha mãe é viva, meu pai faleceu também em 2003.

Luciano Pires: O que que eles faziam?

Paulo Ganime: Meu pai era dentista, e era professor de odonto da UFF. E minha mãe, é professora de matemática, já aposentada. Deu aula quase que a vida toda no município do Rio. E no final da carreira, deu aula em escola particular também.

Luciano Pires: Filho de dois professores. Você cresceu em casa de professores.

Paulo Ganime: Isso, exatamente.

Luciano Pires: Que legal. Uma boa essa aí. Eu vou liquidar o assunto agora, para a gente poder voar lá na frente. Você nasceu com uma deficiência física, como é o nome dela?

Paulo Ganime: Tenho várias, não é uma só não. Mas, muita gente pergunta se tem alguma síndrome que eu tenho, e os médicos mesmo tentaram identificar alguma, e nunca conseguiram. Porque a maioria das que tinham relação com a que eu tenho, tinham também alguma implicação em sequelas mentais, de desenvolvimento mental. Eu devo ter algum problema mental, por ter decidido entrar para a política, mas fora isso, acho que eles não conseguiram detectar. Eu tenho escoliose, eu nasci com os pés tortos. Tenho ainda um deles um pouco torto, mas eles eram muito mais tortos. Minhas pernas, eram arcadas para cima. Eu fiz, nos meus primeiros 2 anos de vida, eu fiz umas 15 cirurgias. Mas, felizmente, os danos mais graves conseguiram ser corrigidos, o que não impactou tanto a minha vida ao longo desses 36 anos.

Luciano Pires: Qual a origem dessa…?

Paulo Ganime: É congênito. Nasci assim.

Luciano Pires: Não se tem…

Paulo Ganime: Não tem. Meus outros irmãos não têm nenhum problema. Então não sei, minha mãe me teve com 35 anos, não era tão velha, não teve… ela não fumava, não bebia, não fazia nada. Não tem nada que…

Luciano Pires: É uma loteria.

Paulo Ganime: É uma loteria, exatamente.

Luciano Pires: Quando é que você descobriu que você era diferente?

Paulo Ganime: Acho que sempre. Na verdade, eu sempre fui educado como se eu não fosse diferente, na verdade.

Luciano Pires: Mas eu quero dizer o seguinte. Você falou que você passou… quantas cirurgias você teve?

Paulo Ganime: Ah, eu já fiz na minha vida, acho que umas 18, sei lá.

Luciano Pires: E você como criança, você tinha dificuldades maiores de locomoção, e tudo mais?

Paulo Ganime: A maioria, como te falei, acho que a maior parte dos meus problemas, foram quando eu era muito pequeno. Então, até os 2, 3 anos, eu fiquei muito tempo aqui em São Paulo, internado aqui em São Paulo, fazendo esses tratamentos todos. Eu usava bota nessa época, para conseguir fazer com que as minhas pernas ficassem abertas, e tudo mais. Isso eu era muito criança. Depois disso, claro, quem me vê hoje sabe que eu tenho problema ainda, mas eu brincava jogava bola, jogo até hoje, fazia esportes. Então, com uma dificuldade, mas nunca foi algo que impediu eu a ter uma vida muito próximo do normal. Eu usei colete, aquele colete ortopédico ainda, até uns 12 ou 13 anos, não me lembro exatamente. Até eu começar meu tratamento no Hospital Sara Kubitscheck em Brasília, coincidentemente em Brasília, que agora eu to como deputado. Lá que eles falaram para eu parar de usar, porque ele não tinha o objetivo de corrigir a minha coluna. Ele tinha o objetivo de não piorar a minha escoliose. E aí quando eles começaram a testar, falaram, fica 6 meses sem. E aí eu ia lá, voltava, para ver se tinha piorado ou não, aí tirava o colete. Aí tiraram o colete, viram que o colete não estava mais, na verdade até pela fase de crescimento, não estava mais ajudando, e eu parei. Mas mesmo quando eu usava o colete quando eu era criança, eu ia para a rua para brincar com os amigos, eu tirava. Então assim, minha mãe, eu ficava em casa, ia para a escola com o colete. Mas, educação física, tirava, brincar, correr, tirava também, para eu tentar ter uma vida mais próxima da normalidade.

E sempre tive. Meus irmãos me batiam, como qualquer irmão. Nunca tive nenhuma regalia em casa, nem meus amigos. Eu acho que eu dei sorte, tanto da minha família, que sempre me tratou como uma criança comum. E os meus amigos, talvez até pela forma com que a minha família me tratava, também sempre me tratavam. Nunca sofri, acho que talvez uma vez ou outra, mas muito pequeno, mas, nunca sofri um preconceito por conta disso.

Luciano Pires: O bullying da molecada da escola, e tudo mais.

Paulo Ganime: Acho que depende muito da sua atitude também, né?

Luciano Pires: Pois é. Acho que isso é uma coisa que chama muito a atenção em você. Você parece um cara extremamente bem resolvido, com essa sua questão. Aliás, viralizou a entrevista. Aliás, espera um pouquinho. Deixa eu botar a entrevista, escuta o que aconteceu. Foi logo após a eleição.

Paulo Ganime: Foi no dia da posse.

Luciano Pires: No dia da posse, ele vai ser entrevistado por uma jornalista, olha só o que aconteceu aqui.

 

Jornalista: “Deputado, a gente vê que o senhor tem uma deficiência, e o senhor defende essa bandeira?

Paulo Ganime: Não, nem um pouco. Não tem nada a ver com a minha bandeira. Eu, apesar da minha deficiência, nunca militei nessa área. Fui executivo de empresa, e sempre trabalhei na parte financeira, e gestão de projetos. E resolvi em 2017 voltar para o Brasil, estava há 5 anos fora, para ser candidato a Deputado Federal pelo Partido Novo, que é a primeira vez que o Novo tem candidatos para Deputado Federal. A gente teve um candidato a presidência também, da República. E a gente conseguiu eleger 8 Deputados Federais. Eu sou representante do Rio de Janeiro, e as minhas pautas são principalmente ligadas aquilo que eu acredito hoje, que é prioridade para o Brasil, e Rio de Janeiro, que é segurança pública, e desenvolvimento econômico. A gente precisa desburocratizar, fazer a reforma tributária…”.

 

Luciano Pires: Cara, foi muito engraçado, porque virou meme, essa história toda. Virou meme. Porque a gente olha, o preconceito fala muito bem. Se ele vem preto, ele vai defender preto. Se ele vem azul, ele vai defender azul. Olharam para você, “pô, qual é a sua pauta?”. “Minha pauta é Brasil”. Muito legal.

Paulo Ganime: Isso aí. Até hoje, isso repercute. As pessoas, até hoje, quem não me conhecia como Deputado, como candidato, fala para mim. Eu vi aquela sua entrevista, e aquilo ali fez chegar muito mais gente. Saiu um pouco do nicho do novo, do meu perfil eleitoral, para uma população muito maior. Inclusive, as pessoas mais simples, tudo mais. Foi muito legal.

E não foi intencional. Acho que muita gente que me conhece há mais tempo, falou. Quem viu a entrevista, quem não viu assista, a minha cara, eu to sorrindo muito. E não é porque eu estava pensando na resposta, nada disso. É porque eu estava rindo antes da entrevista começar, porque ela não estava acertando meu nome. Ela falava Ganini, Gamini, tudo. Eu ficava ensinando para ela, Ganime. Isso todo mundo erra, já estou acostumado. E quando ela falou, ela acertou. Eu ri. E todo mundo estava achando que eu estava sorrindo, porque eu tava… “ah, eu vou dar uma mitada, eu vou…”. Não, eu respondi de uma forma tão natural. Eu nem esperava que aquilo ali ia repercutir tanto. Achei que ia ser mais uma entrevista, tranquilo. Mas, quando eu comecei a ver no Twitter, Facebook, Instagram, cara, foi uma loucura.

Luciano Pires: Você, na sua infância, na sua juventude, adolescência, tudo mais, você teve alguma consciência de que você ia ter que brigar um pouco mais do que as outras pessoas? Você tem um pouco mais de dificuldade do que os outros? Você tinha que, o seu Everest era mais alto do que o dos outros, exatamente por ter essa sua… Eu não digo assim, não pela sua capacidade de fazer acontecer. Mas por ter que trombar com preconceito, cara, talvez eu não consiga o emprego que eu queira, porque as pessoas vão olhar para mim, e vão achar que eu não tenho capacidade. Você teve essa consciência, em algum momento?

Paulo Ganime: Falar a verdade, não. Acho que talvez isso que tenha feito eu chegar longe, e ter feito tudo o que eu fiz. Eu nunca tive essa visão. As pessoas, até quando falavam isso para mim, eu não achava. Como eu falei, não sei se por causa da educação que eu tive. Eu, modéstia parte, sempre fui muito bom aluno. Então, eu meio que compensava um pouco isso, e nunca fui estudioso não. Era bom aluno, porque eu prestava atenção na aula, e aquilo ali era suficiente. Então assim, sendo um pouco arrogante, eu era inteligente. E eu acho que isso, eu sabia disso, e tudo o que eu fazia, eu fazia bem-feito. Então, nunca tive essa visão de ter… Nunca, desde a minha infância, nada que eu fiz, de forma grosseira ou muito aparente, eu tive dificuldade pela minha deficiência, nada disso.

Então, acho que isso foi forjando em mim, uma cabeça que… “acho que é normal. Eu tenho essa deficiência, como outros tem dificuldade com matemática, outros não sabem escrever bem, outros usam óculos”. Então, eu nunca tive isso como uma barreira.

Luciano Pires: Dada-se aqui a circunstância, vamos dar um jeito de fazer além dela. Você assistiu O Jovem Frankstein?

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: É um filme do Mel Brooks que é um clássico, eu já assisti 30 vezes, vou ver hoje de novo, só por ter lembrado de você.

No filme, tem o doutor Frank Costin, ele chega no castelo do Frankstein, ele é recebido pelo Igor. O Igor, é o auxiliar do… E o Igor tem uma corcunda, cara. E o Igor tá descendo todo torto, com uma corcunda. Cara, é genial, porque ele chega para receber o cara, ele ia dar uma tapinha nas costas do cara, ele dá um tapinha na corcunda do cara. Ele fala, desculpe. Desculpe por que? Não, eu bati na sua corcunda. Que corcunda?

E ali fica claro, ele não assume em momento algum, que ele tem qualquer tipo de… E o cara tá normal, cara. Então, é um choque quando isso acontece, porque tá todo mundo vendo a situação, e o cara que devia ser a vítima, “que corcunda? Do que você está falando? Não tenho a menor ideia do que você está falando. Eu não to nem considerando as que eu tenho, vou cuidar das minhas coisas”.

Você falou agora, me lembrou dessa cena, aí. Veja, porque é muito legal.

Paulo Ganime: Mas sabe o que é engraçado? Eu nunca tive nenhuma negação da minha deficiência. Sempre fui muito consciente. Ia aos médicos desde criança com a minha mãe, principalmente, e sempre soube bem, exatamente, quais eram meus problemas. Agora, a questão é como você reage a isso. Uma coisa que é engraçado, eu falei durante a campanha, que eu nunca fui tão deficiente, quanto na campanha. Porque isso ganha mais destaque, que ao longo da minha vida. Porque eu nunca falei na campanha…

Luciano Pires: Você nunca usou isso como atributo.

Paulo Ganime: Talvez a coisa mais forte que eu tenha usado na campanha, foi esse vídeo que você falou, da minha família. Foi o único momento em que eu mencionei alguma coisa da minha história de vida, ligada à minha deficiência. Que nem foi falando de hoje, foi muito mais uma noção de, “poxa, eu acreditei no Brasil, acreditei no Rio de Janeiro, como minha família acreditou em mim, e eu acreditei que era capaz”. Mas, não foi no sentido de coitadismo, disso tudo.

Mas, fora isso, eu chegava para falar sobre… porque a gente ia em muito evento, falar um pouco o porque eu queria ser candidato a deputado, e tudo mais, e eu nunca mencionava isso. Eu falava da minha carreira profissional. Ponto. Claro, era visível que eu era deficiente, a pessoa me via ali. Mas, eu não usava, “ah, sofri muito”. Até porque seria mentira. Como eu falei aqui. Imagina, eu falar, foi muito difícil, superei vários obstáculos. Na minha mente não foi isso. Eu tive uma vida muito parecida com uma vida normal.

Acho até que você parar para pegar o brasileiro médio, minha família que é uma família de classe média alta, eu tive… estudei em boas escolas, viajei para fora, sempre tive uma condição de vida muito tranquila.

Então, eu falar que foi uma vida de batalha, superação… Não vou dizer que não foi, mas não foi isso que fez eu ser quem eu sou, no sentido de “eu tenho que chegar lá, para mostrar que eu sou melhor”. Não. Eu sempre quis estudar, trabalhar, porque eu achava que era importante. Eu gerar valor, ganhar dinheiro também. Sempre pensei em ganhar dinheiro, mas nunca com a ideia de mostrar que eu sou melhor, porque eu sou branco ou negro, deficiente ou não, heterossexual, ou homossexual. Essa ideia do vitimismo, do coitadismo, nunca passou pela minha cabeça. Mas, nunca neguei a existência da minha deficiência.

Luciano Pires: Legal. Você tinha algum apelido quando era…?

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: Não tinha nada?

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: Então vou usar Paulinho. O que que o Paulinho queria ser quando crescesse?

Paulo Ganime: Quando eu estava no Segundo Grau, eu queria ser publicitário, acredita? Eu adorava publicidade, achava fantástico como isso mexia com a cabeça das pessoas. Tanto que, eu sempre fui muito bom em matemática. Eu passei o Segundo Grau estudando história e geografia, para fazer vestibular para publicidade. E quando eu era mais novo ainda, eu e minha irmã Maria Claudia, minha irmã do meio, a gente gostava muito de desenhar. Eu fiz aula de desenho, não sou bom não. Mas eu fazia… minha mãe diz que eu sou, mas mãe diz que você é bom em tudo. Eu gostava de desenhar navio. Então antes de eu falar que eu ia ser publicitário, eu falava que eu ia ser engenheiro naval, só porque eu gostava de desenhar navio.

Luciano Pires: E na hora de você decidir o que que eu vou cursar lá pela frente, o que que veio? O fato dos pais serem professores, não deu uma… não te empurrou para o lado da…?

Paulo Ganime: Meu pai queria que eu fosse advogado. Um pouco, talvez, ele falava que eu tinha que ser advogado, para fazer concurso. Eu nunca quis fazer concurso público. Os dois, meus pais, apesar do que gerava mais renda para o meu pai, era o consultório dele como dentista. Mas ele era professor da UFF. Então, tanto ele, quanto minha mãe, eram funcionários públicos. Minha mãe do município, meu pai Federal. Mas, eu nunca tive vontade. Eu achava que concurso público, era algo de gente que não queria trabalhar.

Hoje, eu não tenho essa visão. Eu sei que tem muita gente boa trabalhando, mas tem muita gente também que quer fazer o concurso pela estabilidade. Então falei, não, concurso publico eu não quero de jeito nenhum. Quando eu fiz vestibular, eu fiz para cada uma, uma coisa diferente. Eu fiz publicidade, fiz engenharia de produção, fiz economia, fiz direito, e passei para quase todas elas. Meu pai, eu decidi fazer engenharia e economia ao mesmo tempo. Meu pai falou assim, porque você não faz Direito também, os 3? Impossível, duas já é demais, 3 impossível. E aí acabei fazendo mesmo engenharia de produção de manhã, e fazia economia à noite.

Luciano Pires: Você fez 2 faculdades?

Paulo Ganime: Fiz.

Luciano Pires: E se formou nas duas?

Paulo Ganime: Fiz.

Luciano Pires: Caramba, o cara é um avião.

Paulo Ganime: E aí, foi muito nisso. Tem um vizinho meu, ex-vizinho, ele já faleceu, que ele que falou da engenharia de produção para mim. Eu estava na piscina do prédio onde minha mãe mora até hoje, eu morava… morei dos 10 até os 29, e ele falando, “o que você vai fazer? Faz engenharia de produção, que é legal, uma carreira que abre muitas portas, e tudo mais. É relativamente nova.”. Eu comecei a olhar com bom grado. Quando eu fui fazer vestibular, algumas faculdades do Rio, não tinham publicidade, ou tinham em outro campus, e tudo mais. Eu meio que fui fazendo assim, “essa aqui eu faço isso, essa eu faço aquilo”, e na hora depois eu acabei escolhendo a engenharia e economia, que me permitia fazer as duas ao mesmo tempo. Era relativamente perto, uma na UERJ outra CEFET, as duas são ali no Maracanã, e foi meu caminho.

Luciano Pires: Fascinante isso cara, porque você combinando as duas. Eu até entendo, eu fiz uma, depois fiz outra. Fiz uma, e fiz pós em outra. Fiz Engenharia de Produção, com pós em Economia, alguma coisa assim. Mas, fazer as duas ao mesmo tempo, a sua cabeça devia estar a milhão, porque de um lado você tem aquela visão da engenharia, de processo, ainda mais produção, isso é processo na veia. E de outro lado, economia, que vem lidar com aquele intangível, o que acontece, porque acontece. Para mim, a economia é a ciência de você priorizar onde você vai investir recursos. Isso para mim é o fundamental da economia. Fazer as duas lado a lado, isso deve ter te dado um preparo genial.

Paulo Ganime: Eu acho que ajuda muito. Muita gente pergunta, você usa qual, qual a que foi mais importante na sua carreira? Eu consegui juntar as duas, porque você falou bem. A engenharia, solução de problemas, focado em uma visão mais micro da coisa. A economia, te dá mais uma visão do todo, uma análise mais conjuntural, mais sistêmica. Enquanto que a engenharia, acho que é… Então, para o trabalho do dia a dia, para resolver, organizar, a engenharia é muito boa. Agora, para ter uma visão macro, ver como o organismo funciona, acho que a economia ajuda muito. Então, acho que juntar as duas, foi bastante util.

Luciano Pires: Legal cara. E você, quando terminou, você já tinha ideia de o que que você ia fazer, onde você ia trabalhar?

Paulo Ganime: Eu queria trabalhar com logística. Eu, na verdade, comecei, ainda na faculdade, eu trabalhei na empresa Júnior da faculdade de economia da UERJ. Então isso também é uma coisa fantástica. Recomendo a todo mundo trabalhar em empresa júnior, porque ali você é jovem, não tem ninguém acima de você. Tem até os professores que orientam e tudo mais. E você lidar com gente muito mais velha, com muito mais experiência, ali você começa a ver também que não tem muito limite para as coisas. Você pode fazer o que você quer. E a experiência, você começa a ter experiência de gestão muito cedo, então é muito legal. Aí eu queria trabalhar com logística. Fui para a Shell, lá eu trabalhava e consegui entrar na área de logística. E dentro da logística, eu fui para a parte financeira, da logística, depois. E acabou que eu migrei um pouco minha carreira, para a parte financeira, não mercado financeiro, mas finanças corporativas. E aí quando eu fui para a Michelin, já fui para finanças, da parte de projetos industriais. Então era a área que construía fábrica, ampliava fábrica, fazia projetos de engenharia. Então eu mantive nessa parte financeira, e depois comecei a englobar um pouco na área de qualidade, que eu não conhecia tanto, mas, tinha a ver com a minha formação de engenheiro, e a parte de projetos. Aí me especializei em gestão de projetos também. Então, foi o que… a minha carreira foi nesse sentido, até eu ir para a França.

Luciano Pires: Tua carreira foi na Michelin?

Paulo Ganime: Na Michelin.

Luciano Pires: Quanto tempo você ficou lá?

Paulo Ganime: 3 anos de Shell, depois 11 anos de Michelin.

Luciano Pires: E ali você virou executivo de uma multinacional, executivo global de multinacional. Você foi expatriado?

Paulo Ganime: Fui expatriado, é. Fui para a França.

Luciano Pires: Fazer o que na França?

Paulo Ganime: Eu fui ser o responsável mundial do PMO, escritório de projetos da Michelin, para a parte industrial.

Luciano Pires: Caramba, com que idade?

Paulo Ganime: Com 29.

Luciano Pires: Tem que falar outro idioma, então…

Paulo Ganime: É, eu falava francês, já. Na verdade, eu entrei na Michelin sem falar francês. E aí isso é muito legal. A empresa, eu passei meu primeiro ano lá, 2006 quando eu entrei, até o final do ano, minha manhã era só estudando francês. Porque mesmo sem ainda saber que eu ia para a França, eu ia para a França 2 ou 3 vezes por ano. E eu fui para lá, para aprender toda a parte de sistema de qualidade da Michelin. Então, ali já eles investiram, foi uma coisa legal, porque eu falei, eu não falo francês, eles vão querer me contratar? Não, eles têm uma mentalidade de investir no treinamento das pessoas.

Eu aprendi francês, fui para lá a primeira vez, fiquei 1 mês. Depois, 1 semana, depois 2 meses. E eu ia com muita frequência. Então, meu francês foi aperfeiçoando. Falava inglês também. Hoje eu falo melhor francês, do que inglês. E quando eu fui expatriado para a França, eu trabalhava com projetos na China, Índia, Tailândia, Indonésia, nos Estados Unidos, na Europa toda. Foi uma experiência muito legal.

Luciano Pires: Quanto tempo você morou na França?

Paulo Ganime: 3 anos e meio.

Luciano Pires: Deu para rolar uma lagrima quando pegou fogo em Notre Dame agora, não?

Paulo Ganime: Eu sou meio frio, mas eu fiquei triste. Como nosso museu nacional aqui, né? Acho que é história.

Luciano Pires: Ícones históricos, né? A gente não pode abrir disso aí assim.

Paulo Ganime: Independente de ser… acho que é muito mais pela história, e também um trabalho de séculos, ser jogado fora de uma hora para a outra. Então, é muito triste. É claro, que você também tem um apreço, pelas pessoas que você conhece. Acho que isso pesa muito.

Luciano Pires: Mas que legal. Você então teve contato com culturas do mundo todo. Eu to fuçando aqui, para entender esse seu preparo, para você chegar lá como político. Quer dizer, a hora que você está sentado ali na comissão XPTO, etc. e tal, quem é aquele cara, e qual é o preparo que ele tem para estar ali? Quer dizer, você lidando com todas essas culturas. E foi interesse, você não estava indo para vender para um chinês, um tailandês. Você estava indo para construir coisas na China, construir coisas na Tailândia, com a equipe de chinês, com equipe de tailandês. Ou seja, cara, cultura diferente na veia, né? Você tem que aprender como é que lida.

Eu tenho uma palestra minha chamada, ela tem dois nomes, na verdade. Tem um nome comum, chamado Olhar Produtivo, e o nome sacana, que chama, é a Produtividade Estúpida, o nome dela. E ela começa com um vídeo dos Stones tocando no Rio de Janeiro, 1 milhão de pessoas na praia, aquela coisa toda, e puta show, 1 milhão de pessoas. Vamos ver o que aconteceu antes? Eu corto para um trechinho do documentário…

Paulo Ganime: Eu estava nesse show.

Luciano Pires: Que tem um documentário maravilhoso, que conta a história desse show, e o documentário termina quando os Stones sobem no palco. Tudo o que aconteceu antes. Então, como é que você constrói um show desses na praia, a briga com hotel, aquela coisa toda, e começa os caras construindo o palco, e os caras vão conversar com um inglês, que é o administrador do negócio. “Como é que está o negócio? Nós estamos atrasados aqui, temos que correr muito aqui. Mas e aí, como que faz? Aqui é o seguinte, os caras têm um ritmo de trabalho que é o deles, e eu não posso fazer nada. Se fosse americano, europeu, era outra coisa. Mas brasileiro, não pode acontecer nada”. E os caras vão entrevistar um brasileiro, que cuida da coisa. E o brasileiro falando aquele inglês dele, fala, “eu vou te contar o que acontece. É o seguinte, nós estamos aqui todos empenhados, trabalhando, quando, de repente, aparece uma mulher caminhando, que vem com aquela bela bunda. Olha o nome, bunda”. E o gringo acabou de falar, “cara, esses caras tem um jeito deles, que é a cultura brasileira, e eu tenho que me adaptar a ela”.

Eu imagino que você bateu nessa tecla da cultura, em cada parte do mundo que você foi lidar. Isso dá uma visão global fantástica.

Paulo Ganime: Não, é impressionante, como é diferente. Eu já tive que me adaptar quando eu cheguei na França. Por mais que eu já trabalhasse em uma empresa francesa, eu na Michelin, nunca tive nenhum chefe brasileiro. Todos os meus chefes, eram franceses. Mas quando você chega lá, eu até esperava que você ia sofrer algum preconceito, porque eu era mais novo que todo mundo da minha equipe, e era brasileiro. E para gerenciar franceses na França. Eu falei, eles vão me receber muito mal. Mas não, uma coisa que é interessante. Na França, eles valorizam muito o currículo, valorizam muito a formação da pessoa. E diferente do Brasil, que a gente, todo mundo tem para trabalhar em empresas desse tipo, eles têm que ter terceiro grau, tem que ter universidade, lá não. Muita gente não tem. Geralmente, a pessoa quando ela tem, é porque ela vai virar gerente, diretor, e tudo mais.

Então, eu tinha uma formação muito melhor do que a maioria dos meus funcionários, e também dos meus pares. E aí eles valorizam e respeitam muito, por conta disso. Eles não têm essa noção, “eu to aqui há mais tempo”. Não, você tem uma formação do caramba, foi escolhido para estar aqui, então a gente te respeita. É claro, também tem meu jeito, eu sou simpático com as pessoas, duro quando precisa ser, mas eu sou simpático. E foi muito fácil a minha adaptação na França. Depois de trabalhar com chinês, indiano, tailandês, indonesiano, americano, tudo isso é muito diferente, realmente. Ali que foi… E o francês, tem uma característica. Eu acho eles muito parecidos com os brasileiros, em algumas coisas. Por exemplo, o francês, como o brasileiro, gosta de parar para almoçar, e conversar. Ter um tempo, 1 hora para almoço, pelo menos, ou até mais se deixar. Gosta de tomar um vinho, uma cerveja. Os americanos não. Almoço para eles, só para se nutrir.

Luciano Pires: Sanduichinho, e vamos lá trabalhar.

Paulo Ganime: Isso é muito diferente. Então o chinês, eles têm uma noção de que a hierarquia, é muito importante. E eu to falando hierarquia, você ser diretor, imagina ser chefe dele, não é tão relevante assim. Porque, por incrível que pareça, o chinês gosta de dinheiro. Então, quem é que dá aumento para o cara? O chefe. Então, o chefe direto, tem um peso muito grande para eles. Já o indiano não, é a noção de patente. Então, você pode ser o chefe, mas se tiver alguém com uma patente mais alta, é mais importante do que o chefe direto, porque não é o dinheiro que é importante, é o prestigio, status, e tudo mais.

E acho que uma das grandes coisas da França, que eu gostei muito, acho que tem uma coisa que a gente precisa melhorar no Brasil, é que eles dificilmente mentem. Tudo isso que eu to falando também, to falando da realidade que eu vivi. Não to falando que…

Luciano Pires: Teu olhar, tua experiência.

Paulo Ganime: É, não to falando nem que seja igual na França toda, China toda, Índia toda. To falando nos lugares em que eu trabalhei. Porque as vezes a gente generaliza, e é injusto. Mas o francês, pelo menos os que eu tive contato, eles são muito honestos. Então, por exemplo, se eu cheguei tarde aqui hoje, eu não vou te inventar uma desculpa dizendo, “cheguei tarde porque eu estava enrolado, eu não vim trabalhar porque… não. Olha, eu cheguei tarde porque acordei tarde, qualquer coisa assim. Olha, não vou vir amanhã, porque tem um jogo na Rúgbi na outra cidade, eu queria ir lá”. Ele não vai inventar que a minha vó morreu. Não, ele é muito honesto. E isso facilita muito na relação. O francês, por exemplo, você chega em uma reunião, dificilmente a gente fazia, dificilmente não, mas muitas vezes a gente não fazia uma ata de reunião, e eles cumpriam com o que estava definido. Era difícil chegar em uma decisão. O francês gosta de enrolar, de discutir, discutir sexo dos anjos. Mas, uma vez decidido, eles cumpriam, respeitavam.

O americano já era diferente. Eles já eram mais objetivos, mas eles andavam mais em roda, e você tinha que decidir uma coisa, na próxima reunião parecia que não tava decidido, aí tinha que decidir de novo. Às vezes você tinha que escrever de fato, porque muitas vezes falava que aquela garrafa é verde, ele falava que era amarela, a gente chegava na conclusão que era vermelho, mas ele botava amarelo, que era o que ele queria. Então assim, era um pouquinho mais…

Luciano Pires: Sabe que na minha época, eu trabalhei em uma multinacional de autopeças, né, e a gente fazia negócio com todas as empresas montadoras do mundo. Então toda hora estava lidando com bicho diferente. E chegaram os japoneses no Brasil, e era uma novidade. Então vamos lá trabalhar com os japoneses, ver como que era. Eu me lembro dos nossos caras da engenharia, os caras inconformados. Cara, eu não consigo entender como é japonês. O japonês é o seguinte, a gente senta em uma reunião com japonês, senta 5 japoneses, um deles não fala nada. Fica com uma pilha de papel. E nós na reunião, blá blá blá. Eu falo alguma coisa, o japonês, 1 minuto, ele vai na pilha, puxa um papel lá de baixo, fala não, a reunião anterior, você falou que era 15, por que está dizendo que é 16 agora? E o cara… nós não estamos acostumados. A gente vai… vamos levando. E o japonês, espera um pouquinho, e traz aquela, uma visão muito, o planejamento dos caras é um negócio minucioso, gasta um tempo tremendo, e o Brasileiro quer fazer. Não me enche o saco, deixa eu fazer, deixa eu executar. E depois, paga a conta, um pouco lá na frente.

Mas legal. Você ficou até quando fora do Brasil?

Paulo Ganime: Até 2017, abril.

Luciano Pires: E aí você volta para?

Paulo Ganime: Para ser candidato.

Luciano Pires: Então, você saiu da empresa, você abriu mão do que você fazia lá, para ser candidato no Brasil?

Paulo Ganime: Isso. Eu voltei, eu decidi voltar, no final de 2016.

Luciano Pires: Por que?

Paulo Ganime: Porque muita vontade de fazer alguma coisa relevante, para mim, para o Brasil, para a humanidade, vamos dizer assim. Eu cheguei em uma posição na Michelin, que eu falava o seguinte. Ou eu continuo aqui mais 20 anos, 30 anos, me aposento, na Michelin ou qualquer outra empresa. Poderia mudar de empresa, mas, no mercado corporativo. Ia ter uma carreira boa, já estava tendo, mas, era uma coisa meio que eu tinha medo de olhar, chegar na minha aposentadoria, olhar para trás, e falar, o que que eu fiz de relevante? Qual é o legado? E eu, nada. Claro, eu não to falando, não condeno quem não deixa como legado uma família bonita, tudo isso. Cada pessoa tem uma perspectiva de vida. Mas, eu me incomodo muito mais, não é o que você faz, ou caminho. Eu tinha uma vida legal, eu morava nos Estados Unidos nessa época já. Tinha amigos, a gente viajava, fazia churrasco. Meu trabalho era interessante, não tinha nenhum problema. Mas, eu não olhava aquilo ali, como algo que se eu parasse no tempo e olhasse para trás, no futuro, algo que eu ia falar, que bacana, o que eu construí. Construí fábricas da Michelin no mundo todo. Que é legal também, você tá gerando emprego, tá gerando, melhorando economia, gerando tecnologia, e tudo mais. Mas, não era o legado que eu queria deixar.

E eu achei que eu estava entrando em um momento de reflexão. Ou eu continuava naquilo ali para sempre, ou eu tomava uma decisão. Até por causa da minha idade, eu estava já com 33, para 34. Novo ainda, mas não tão novo mais, para tomar, para correr tantos riscos assim. Tudo bem, eu era solteiro, ninguém dependia de mim. Consegui bem ou mal uma estabilidade financeira. É o momento de eu mudar minha vida.

Luciano Pires: Era tua ambição. Cada um tem a sua ambição, a minha ambição pode ser construir um patrimônio gigantesco e deixar minha família bem. A tua ambição, era provocar uma mudança.

Vamos lá, isso é papo de político. Puta conversa de político. Que eu quero o bem da humanidade, eu quero resolver. Eu to aqui te provocando um pouquinho aqui, porque é muito fácil, o político adora. “Estou aqui pelo bem da nação, etc. e tal, mas vê o meu aí, arruma o meu aí”.

Eu até compreendo. Quer dizer, um cara que tá no nível que você estava, vivendo nos Estados Unidos, pô, tá com a vida feita lá. Não havia razão nenhuma, estava em uma empresa extremamente estável, conhecendo uma puta marca, devia ser reconhecido no seu ambiente. Que posição você estava lá? Era o que lá, nos Estados Unidos?

Paulo Ganime: Era gerente, nos Estados Unidos, eu era o responsável do financeiro da construção de uma fábrica nova da Michelin no México.

Luciano Pires: Estavam botando você nesses projetos lá.

Paulo Ganime: É, eu gerenciava um portfólio de 500 milhões de Euros.

Luciano Pires: E abre mão disso, para tentar uma coisa absolutamente incerta. Porque você não veio para assumir um cargo, você veio para uma eleição. Você não tinha experiência na política. Tinha?

Paulo Ganime: Nenhuma.

Luciano Pires: Nada, nenhuma, né?

Paulo Ganime: Nem grêmio estudantil, nada.

Luciano Pires: E você botou na cabeça, eu vou para o Brasil, para me transformar em um político, me candidatar em algum cargo político. Foi isso?

Paulo Ganime: Foi isso.

Luciano Pires: Foi isso mesmo. De onde veio essa inspiração?

Paulo Ganime: Foi a soma de várias coisas. Esse lado que eu te falei do proposito, legado, foi uma parte. Tinha uma parte também, que eu já conhecia o partido NOVO, e eu me filiei ao NOVO, em 2015, no dia que ele teve seu registro. Eu sempre gostei de política. Na verdade, assim, eu sempre pensei que algum dia da minha vida, eu iria entrar para a política. Só que eu achava o meio muito sujo. E eu tinha medo de queimar a minha imagem. Isso era uma coisa que me preocupava muito. Poxa, eu vou falar que eu vou virar político, e vou ter que me sujar, né? Tanto porque, para você ser candidato, de um partido qualquer, não to falando todos os partidos, mas a imagem que eu tinha, hoje até tenho um preconceito menor com a política, por eu estar convivendo ali, estar vendo gente que não é do NOVO, mas que é do bem, gente boa. Mas, a imagem que eu tinha por uma pessoa que nunca teve envolvimento, nunca fui a uma reunião de partido político, era, se eu entrar ali, eu já me sujei.

Então eu falava, eu vou ficar rico. No dia que eu ficar rico, milionário, eu entro para a política. Que aí eu não preciso de dinheiro, não preciso de nada, ninguém vai pensar mal de mim. Só que aí surgiu o NOVO, eu vi essa opção. Teve a Lava Jato também, que começou a botar as pessoas na sua devida caixinha, né? Esse aqui é corrupto. Quer dizer, ele não prova, mas, pelo menos, começa a mostrar que tem solução para a corrupção da política. Então eu falei assim, o momento agora é diferente.

O NOVO, eu me filiei, não conhecia ninguém do partido. Eu olhei a história do partido, vi valores, estatuto do partido, e achei bacana. E falei, to fora do Brasil, estava na França ainda na época. O que que eu posso ajudar a mudar o Brasil? Teve um lado meu, que eu sempre achava muito legal. Diretas Já, o Impeachment do Collor, tudo isso, e eu era muito novo, eu não participei. Quando a gente voltou a ter manifestação, coisas relevantes no Brasil, eu estava na França. 2013.

Luciano Pires: Estava sempre fora da festa.

Paulo Ganime: Estava sempre fora da festa. E aquilo ali me dava uma angustia, pelo menos, eu vou me filiar a um partido que é um projeto que eu acredito. Eu não sei se vai dar certo, mas, eu acredito. Veio 2016, eu já tive vontade de voltar para participar das eleições de 2016. Eu falei não, ainda não é o momento. Quando chegou no final do ano, falei cara, acho que agora é a hora. Então, juntou o momento profissional, e eu, por mais que realmente eu tenha dado um tiro no escuro, eu pensava o seguinte, se eu não for eleito, eu tenho um currículo tão bom, que eu consigo me recolocar de certa forma, fácil. E eu tinha também, sempre tive vontade de empreender. Eu cheguei a abrir empresa, em paralelo ao meu trabalho. Então, para mim, não era algo tão arriscado, no sentido de que, se não desse certo aquilo ali, eu não ia estar fadado ao fracasso. Eu teria outras opções. Eu não colocava planos, porque se eu começar a traçar planos que não sejam a minha eleição, a chance de eu ser eleito, diminui.

Luciano Pires: Que você desfocou.

Paulo Ganime: Exatamente, estou desfocando. Mas, eu sabia que se acontecesse isso, eu tinha um colchão financeiro, que me permitia ficar uns 2 anos sem ganhar dinheiro, que foi o que aconteceu, e se eu não fosse eleito, eu ia voltar atrás no mercado, ou para empreender, dar consultoria. Eu cheguei, quando eu cheguei no Brasil em 2017, antes do período de campanha começar mais forte, eu cheguei a ajudar umas 2 startups, e tudo mais. Então, eu sabia que tinha alguma coisa ali.

Então, não era uma coisa também, era um momento da minha vida, que me permitia, eu não tinha filho, não tenho até hoje. Então, não tinha ninguém que dependesse tanto de mim assim. Então, o lado idealista, ele tinha um colchão por trás, que me garantia também uma certa segurança, caso esse lado idealista não desse certo.

Luciano Pires: Como é que foi na Michelin? Você pediu o chapéu, cara?

Paulo Ganime: Eles tentaram me demover da ideia. Tanto que era para voltar, eu pedi para voltar em dezembro de 2016, eles pediram fevereiro de 2017. Aí quando chegou fevereiro, eles pediram outubro. Eu consegui convencer que fosse abril. Meio que na pressão, mas que eles não tinham ninguém para me substituir. E depois eles tentaram arranjar uma vaga para mim aqui no Brasil. E eu não aceitei a vaga também. Mas, foi muito boa a relação.

Luciano Pires: Eles entenderam.

Paulo Ganime: Eu não disse que era para ser candidato.

Luciano Pires: Ah, você não falou.

Paulo Ganime: Não, não falei. Isso até gerou uma certa preocupação deles, por que? Acho que eles estavam achando que eu estava com outra oferta de emprego, tudo mais. Tanto que, quando chegou nessa negociação toda, eles falaram que eu ia ter que pedir demissão, porque eles me ofereceram uma vaga no Brasil, eu não aceitei. Então falaram, então você que vai ter que se demitir. Eu cheguei no Brasil, eu cheguei acho que sábado ou domingo, acho que dia 15 de abril, eu fui na segunda na Michelin lá no Rio, para rescindir contrato, e tudo mais. Aí o Elvest, que era o cara do RH que cuidava da minha carreira na época, chegou para mim e falou, olha cara, tá chata essa situação. Você trabalha aqui há tanto tempo, todo mundo gosta de você. Vou tentar ver alguma coisa para você. Volta aqui amanhã, hoje tem uma reunião do RH, volta aqui amanhã. Eu voltei no dia seguinte, ele, olha, é o seguinte. A gente vai te demitir. Eu pô, ótimo, porque com isso eu conseguia FGTS, tudo mais. Então assim, tanto que poxa…

Luciano Pires: As portas ficaram abertas.

Paulo Ganime: Não, e todo mundo me apoiou muito. A Michelin, não institucionalmente, não apoiou. Inclusive, proibia de fazer qualquer coisa dentro da Michelin, porque eles tiveram problemas já com, nada ilegal, mas com relacionamento com governo, e tudo mais. Então, eles preferiram não se envolver. Mas, os funcionários da Michelin, todo mundo me apoiou, a turma toda. Então eu sempre tive uma boa relação lá, fui um profissional valorizado. Então, acho que isso ajudou bastante.

Luciano Pires: Você pula etapas. Você não foi sindico do preio, você não foi vereador, você não foi inspetor de quarteirão, nem deputado estadual. Você foi logo para o Federal, cara, que é o que o bicho pega lá. Como é que foi isso? Foi uma decisão sua, foi decisão do partido? Como é que foi bater na porta, alo partido, eu quero ser candidato? Eu sei que no NOVO tem um processo. Como que foi isso?

Paulo Ganime: Na verdade, até a decisão de ser candidato Federal, foi um pouco coincidência. Eu pensei em ser até candidato e estadual, justamente por isso. Eu falei, pô, é um passo muito grande. Só que o NOVO tinha decidido só ter candidatura para Federal, Senador e Governador e Presidente. Então, não tinha opção de ser candidato a deputado estadual. Eu até achei um erro na época, ainda escrevi até, tudo mais, mas já que é o que tem, vou para Federal mesmo. Quando no meio do processo, eles mudaram de ideia, e abriram em alguns estados do Brasil, acho que foram 7 estados, se não me engano, a opção de ter candidato a estadual. E o Rio, era um deles. Mas aí eu já estava tão envolvido com a ideia de ser Deputado Federal, com as pautas, com a discussão, que eu não mudei. Eu mantive, eles permitiram, quem estava como candidato a Federal, migrar para estadual. Eu preferi manter. E o processo do NOVO, você não precisa chegar lá e falar, eu quero ser candidato. Você não precisa conhecer ninguém. Eu não conhecia. Eu já estava inscrito antes de chegar no Brasil.

Luciano Pires: Você se inscreve no site.

Paulo Ganime: Manda um vídeo, faz uma prova.

Luciano Pires: Paga R$ 600 e poucos reais, para se inscrever.

Paulo Ganime: E vai lá…

Luciano Pires: Faz todo sentido cara. O que é de graça, né. Eu falei, pô, já tem uma primeira barreira, né? Que não vão entrar, só para ver o que dá. Vou gastar para entrar. Já é uma primeira barreira.

Paulo Ganime: Uma coisa que eles mudaram agora para prefeito, eu não sei se eles vão fazer o mesmo quando abrir para vereador, eu achei bom. A primeira parte, que é tudo online, para prefeito eles não estão cobrando. Eles passam a cobrar, se você for classificado para segunda fase. Eu acho isso legal, porque pelo menos a pessoa tem um cheiro, né? Se você, faz sentido, ou não. E eu não comuniquei para ninguém, nem minha mãe sabia que eu ia ser candidato quando eu voltei, ninguém sabia, justamente porque eu não sabia se fazia sentido eu ser candidato. Eu tinha me inscrito no processo seletivo, na verdade, para falar, tinham duas pessoas que sabiam. O meu amigo, que trabalhava comigo na Michelin, Diogo, que foi quem me apresentou o NOVO. E um outro amigo meu, não tão próximo, que foi quem fez o meu vídeo, para mandar para o processo seletivo do NOVO. Ele não era nem tão próximo, mas como ele trabalhava com isso, eu falei para ele, por acaso é Diogo também. São dois Diogo’s. Falei para ele, Diogo, quero fazer um vídeo por causa disso, disso. E eu estava ainda nos Estados Unidos. Eu marquei com ele na semana que eu chegava, porque o prazo para mandar, era aquela semana. E aí a gente fez o vídeo, depois que eu fui aprovado, e fui aprovado passando direto para a terceira fase, que é uma fase de entrevista, mas o NOVO criou alguns critérios que você pulava direto, como tempo de filiação, alguns critérios. Aí que eu comecei a contar para a minha família, para os amigos. Aí eu reuni um grupo pequeno de amigos na minha casa, uns 9, para falar, e aí gente, o que a gente faz? E foi ali que eu perdi o pudor de ser candidato. Foi nesse dia em diante. Porque eu estava esperando, qual era a minha ideia. Eu vou esperar ser aprovado, no processo seletivo do NOVO, isso seria só em dezembro de 2017, para começar a contar para as pessoas. Só que todo mundo ali falou, Paulo, se você quer ser eleito, você tem que começar agora. Eu falei, tá bom, quero ser eleito. Então vamos começar agora. Depois disso, foi a chavezinha que a gente vira, que não pode ter vergonha de pedir voto, não pode ter vergonha de pedir dinheiro para a sua campanha. De pedir para os amigos te apresentarem outras pessoas, fazer evento na casa delas. Essa mudança de chave, é fundamental, porque senão você não consegue ser eleito.

Luciano Pires: Interessante isso aí cara. Você foi buscar alguma mentoria com alguém, você foi conversar com alguém que é do ramo? Pegou algum político? Me conta o que acontece aí, cara, para poder entender onde é que você estava se metendo.

Paulo Ganime: Na verdade, mais para a campanha, mais do que o trabalho de deputado, eu me preocupei mais em ganhar a eleição.

Luciano Pires: Uma consultoria para como funciona uma campanha.

Paulo Ganime: É. Na verdade, o que que eu fiz. Eu percebi, eu acompanhei muito de perto, mesmo longe, mas pela internet, a campanha de 2016. E o NOVO, elegeu 4 vereadores. Um em Belo Horizonte, um no Rio, um em São Paulo, e um em Porto Alegre. E eu vi, que teve uma hora, que como o NOVO não tem ninguém político, ninguém que tenha história política, ele não recusa. Hoje tem até o Marcel Van Hattem, que tinha uma história política, mas porque ele tinha (inint) [00:46:03.07] de valores. Mas a maioria, não tem. Dos 8 deputados Federais, só o Marcel tem essa história política. Então eu percebi que o jogo era igual, não tinha aquela pessoa, esse aqui vai se destacar perante o outro. E eu percebi também, que o NOVO iria eleger um Deputado Federal no Rio. Pelas contas, quanto fez de voto em 2016, crescimento do partido, eu sabia que pelo menos um ia ser eleito. Eu esperava que elegesse até 2 ou 3. Mas 1, eu sabia que ia ser eleito.

Eu falei, o que que eu faço para ser esse 1? Essa foi a minha estratégia. Ser o primeiro, do NOVO. Cara, eu trabalhei muito, foi esse o grande ponto, desde 2017. E é claro, eu tive uma vantagem. Como eu saí do trabalho, eu era um dos poucos que estavam ali…

Luciano Pires: Focado e com tempo.

Paulo Ganime: Exatamente. Eu fui conversar, assim que eu voltei para o Brasil, com o nosso vereador eleito lá do Rio, Leandro Lira, que tinha sido esse cara. Porque chega num momento da campanha, que algumas pessoas se descolam dos outros. Porque a campanha é pesada, é cara, é desgastante. Então, por mais que você tenha 20, 30, 40 candidatos, não são todos esses, que conseguem chegar até a reta final, lá no pelotão da frente, né?

Então, eu precisava entender o que que fazia você estar nesse pelotão. E o Leandro me deu várias dicas nessa época, eu fiquei 1 hora no gabinete dele, ele me dando várias dicas sobre como fazer a campanha.

Luciano Pires: Todas lícitas?

Paulo Ganime: Sim, todas, sem nenhuma coisa fora da… nem beirando o jeitinho. E no final do ano, surgiu o RENOVA BR, que foi um grupo suprapartidário, para dar aulas de como fazer uma campanha, e até um pouco também sobre como fazer o mandato. Mas vou confessar que boa parte da minha estratégia, estava meio que montada. O RENOVA ajudou muito a refinar. Por exemplo, o discurso, arrecadar recurso para a campanha, como fazer peças de comunicação. Mas, a estratégia em si, já tava feita. O que ajudou muito para mim, no caso, que eu já estava com algo pronto desde o início, foi no detalhe.

Luciano Pires: Refinar o processo. O engenheiro entra em campo. Opa, vamos mandar um PDCA aí.

Paulo Ganime: Eu já em julho de 2017, eu tinha um planejamento estratégico de campanha pronto. Então isso ajudou muito. Eu tinha uma equipe, equipe é fundamental. Se você não tiver uma equipe boa, e não eram pessoas profissionais de campanha não. Eram profissionais nas áreas delas, que adaptando, que é isso…

Luciano Pires: Voluntariaram para…

Paulo Ganime: Isso, eu contratei algumas pessoas. Mas o interessante é o seguinte. Quando eu ganhei eleição, no dia 07 de outubro, a primeira reação não foi, “ah, agora sou Deputado Federal”, não foi pensar o que que seria o trabalho de Deputado Federal. Foi projeto realizado com sucesso. Foi essa mentalidade. E o projeto que ninguém acreditava, nem minha mãe acho que acreditava, e as pessoas falam assim. Ah, eu tenho um grupo de amigos, que é mais politizado, que eles depois confessaram no dia da eleição, dia seguinte, que a gente estava no WhatsApp, entre a gente, dizendo, ah, eles me chamam de PG – Paulo Gustavo. Ah, se o PG tiver 10 mil votos, é muito. Outra, ah, 15 mil votos, já é um sucesso, porque é muito difícil. Quando eles viram, eu já logo de cara, com 40 mil votos, eles caramba, não é possível. Porque eu atingi os 40 mil, antes do NOVO ter o cociente para garantir.

Então na verdade, o que foi mais difícil no final, foi garantir uma vaga. Mas eu já estava descolado entre os primeiros.

Luciano Pires: Quantos votos foram no final?

Paulo Ganime: 52.983. Foi uma boa votação. Não sou… Marcel, por exemplo, 349, 350 mil votos. Mas eu nunca fiz campanha, não era conhecido. E eu gastei pouco. Gastei R$ 298 mil reais na campanha. Então, foi menos de R$ 6,00 reais por voto.

Luciano Pires: Muito bem, ganhei a campanha, tenho que pegar minha malinha, e me mudar para Brasília, para um ambiente absolutamente desconhecido. Você não foi lá antes, você não sentou para assistir. Você foi assistir como que era lá, você foi ver como funciona a comissão? Você já entrou como parte do… botou teu terninho, e lá vou eu, chegar lá. Como que é cara, você entrar nesse ambiente, que é um… não dá nem para comparar. Não é que você, você é um jogador de futebol que pela primeira vez entra no Pacaembu. Não cara. Você não jogava futebol antes. Você entrou em um ambiente totalmente distinto, com a cabeça do serviço privado, com cara de planejamento, em um ambiente onde a lógica se vai, cara. O pensamento logico ali, ele funciona no bastidor. Mas, na hora do vamos ver ali, a lógica vai embora. Como que foi esse choque de você entrar ali no primeiro dia, e…?

Paulo Ganime: Bom, a gente não jogou antes, mas a gente treinou antes. Então o próprio RENOVA deu alguns cursos para a gente, pós eleição.

Luciano Pires: Pós eleição?

Paulo Ganime: Pós eleição. Então, nós tivemos 2 sessões, uma em São Paulo, outra em Brasília, pós eleição. Aí veio a senadora Ana Amélia, o Cristóvão Buarque, algumas outras pessoas deram algumas aulas para a gente. Teve, to até confundindo se o Cristóvão veio nesse ou no anterior, mas não importa. A Ana Amélia com certeza foi lá. Teve também o próprio NOVO, agente do NOVO, também fez alguns treinamentos lá na Câmara com a equipe técnica da Câmara. Isso é uma coisa interessante, que ninguém imagina. A estrutura da Câmara, os profissionais que trabalham lá, são muito bons. Tudo funciona muito bem.

Luciano Pires: Você é o 18o que me dá esse tipo de informação. Cara, os caras têm uma equipe que é um reloginho.

Paulo Ganime: Inclusive, acho que é bom demais, porque é muito caro, né. O próprio Rodrigo Maia, tava falando, que a Câmara custa por ano R$ 5 bilhões de reais. Se você tirar os deputados, e as equipes, ela custa R$ 4 bilhões. Então, o que custa mais caro, é a estrutura. Então, para o Brasil, é caro demais. Mas, funciona. Pelo menos isso. A gente paga tão caro em coisas no Brasil, que não funcionam. Ali, pelo menos, funciona. Você fala no plenário, em 2 minutos, nem isso, já tá no site, já tá registrado, você tem vídeo, tem tudo. É um negócio impressionante. Nada parado, nada… Isso é muito bom. Então isso facilita um pouco o seu trabalho. Imagina só, o pessoal da ALERJ fala, lá no Rio, que lá é o contrário. Nada funciona.

E o regimento, também é respeitado. Como são 513, não dá para não respeitar o regimento. Só quando tem acordo, mas é um acordo entre todos, para o regimento não ser respeitado. O que é raro também. Mais uma vez, diferente da ALERJ, que é pequenininho, aqui no ALERJ também deve ser.

Então, como tem muita coisa que funciona como um reloginho.

Luciano Pires: Você falou uma coisa. O acordo para o regimento não ser respeitado, já tem gente horrorizada, de cabelo em pé, ouvindo a gente. Vamos puxar o tapete! Não, espera um pouquinho, não é bem assim. O que que é esse acordo?

Paulo Ganime: O acordo é muito mais no processo. Por exemplo, tem uma coisa lá na Câmara, que eles chamam até de kit obstrução. Esse kit obstrução, ele serve para você dar força para a minoria. Porque vamos supor, tirando aquilo que você precisa de 2/3 dos votos para ser aprovado, a maioria das coisas, você precisa da maioria simples. E maioria simples, geralmente não dá 513 dividido por 2. Às vezes, dá 400 votos, ou então, com 201 votos, as vezes você consegue aprovar alguma coisa com certa facilidade. Para dar força para a oposição, e para a minoria, que geralmente são os mesmos, mas tem esse kit obstrução, que permite aos partidos travarem a votação. Colocarem muita coisa para demorar. E acaba não conseguindo prejudicar, mas, consegue travar. E aí, eles usam isso, muitas vezes, para conseguir coisas em troca, mas dentro do processo ali. Não é dinheiro, não é imoralidade. É, por exemplo, olha, vocês querem que a gente não trave? Então aprova essa emenda aqui no projeto, que a gente facilita o jogo. Ou, vamos fazer o seguinte. A gente não vai travar nessa fase, mas, a gente quer poder falar muito, na próxima fase, na próxima sessão, para poder aparecer nas redes, mostrar na mídia, e tudo mais.

Então, tudo isso, é o que você consegue fazer de acordo.

Luciano Pires: O nome disso é articulação.

Paulo Ganime: A verdadeira articulação. Não aquela que muita gente acha. Então, esse acordo, é assim, olha, a gente não obstruiu hoje, a oposição fala, a gente não obstruiu hoje, mas, a gente quer poder falar mais amanhã. Ou a gente não obstruiu hoje, mas a gente quer que vocês aprovem essa emenda, para ser bom para a gente também, e a gente poder dizer que ganhou em alguma coisa. Tem isso. Muitas vezes a oposição, ela não quer, ela sabe que ela não vai conseguir travar o projeto. Mas, ela quer mostrar que ela teve alguma vitória.

Luciano Pires: Sim, alguma relevância no processo.

Paulo Ganime: Entendeu? Então acordo é muito nisso, não é nada ilegal, imoral. Ele só serve, às vezes, que o regimento ele trava muito, para que ele seja acelerado.

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Você tá assumindo o seu papel ali como deputado, em um momento interessantíssimo da história do Brasil. Quando um sujeito, fora de qualquer previsão, quer dizer, há 5 anos atrás, se alguém dissesse que o Bolsonaro ia ser presidente da República, ia ser taxado de tirar um sarro, né? Esse cara assume, esse cara faz com que uma boa parte do eleitorado não aceite, tanto que o que está acontecendo hoje, não se aceita, e estão tentando não deixar acontecer nada, que é para não dar prosseguimento ali. Mas você, chega em um momento, em que cara, esse cara fez um discurso de que o navio estava indo na direção norte, e eu vou virar para leste. Vou fazer uma virada. Ou seja, tem um… não é só você mudar um processo, você tem que mudar mindset, você tem que mudar gente, é uma revolução o que se propõe a fazer ali. O negócio é tão espetacular, que a hora que alguém começa a mexer, o mundo cai, vira essa loucura que nós estamos vendo. E você chega nessa hora, nesse momento. E pilotando, uma proposta que é diferente de todas as outras. É a proposta do NOVO. O NOVO vem com um papo, que você fala pô, esses caras são diferentes.

E cai em um ambiente onde, bicho, a festa tá rolando, jogador já está em campo, você chegou novinho ali, entra em campo com a sua bolinha na mão, para jogar de um jeito que não se joga, no momento em que muda-se uma cultura toda lá.

Você conseguiu, você antecipou esse tipo de coisa, você se preparou para vencer essa resistência cultural que você encontrou lá? Não é só de defender seu lado não, mas ajudar a quebrar uma cultura, mudar um ambiente, a tal da renovação do congresso. Isso passou pela sua cabeça, que você ia ter uma dificuldade de batalhar contra uma cultura?

Paulo Ganime: Eu achei até que ia ser mais difícil, para falar a verdade. Eu achei que a gente fosse sofrer mais resistência. Agora, como tem, aquilo ali é tão desorganizado, diferente do que eu falei, de que o sistema da câmara, organização da Câmara, é bom, mas entre os partidos, entre os políticos, é onde está a desorganização. Você tem vários tipos de políticos ali. Isso eu acho que a gente começa, quando você tá de fora, você acha que só tem um. Todo mundo corrupto e ladrão, querendo se dar bem. Quando você entra nisso, você percebe que tem vários. Tem o corrupto ladrão que quer só se dar bem. Tem o cara que não é corrupto e ladrão, mas ele quer ficar no poder para sempre. Então, ele joga o jogo do poder. É um tipo de corrupção, é. Mas ele não bota dinheiro no bolso da corrupção. Tem o cara que ele, na verdade, ele chegou ali sem saber porque, com uma pauta muito especifica. Por exemplo, o pessoal da parte de segurança, pessoa da bancada evangélica, que chegaram com pautas muito claras, muito específicas, mas, eles não entendem tanto das pautas econômicas, por exemplo, ou de outras pautas.

Então, essas pessoas, são que a gente tem até uma certa facilidade de lidar com eles, porque eles respeitam muito a gente. Porque eles sabem, por exemplo, a parte econômica, é normal a gente ir lá para conversar, explicar. Olha, essa lei aqui que vocês estão votando, estão propondo, o impacto parece ser bom, mas, na verdade, o impacto no longo prazo é péssimo, para a sociedade. Então, são pessoas que não são do mal, estão com uma pauta muito clara, mas que você consegue através delas, chegar em um impacto maior do que o impacto de um para um. E até naqueles que eu falei que querem ficar no poder para sempre, se você conseguir mostrar para eles que aquilo ali não vai impactar o projeto de poder deles, não vai ser alguma coisa que vai perder voto, esse é o problema. Tem coisa, que para você não perder voto, você tem que explicar. Porque a primeira imagem, você tá indo contra o cidadão. Mas, na verdade, você tá indo a favor.

Então esses caras, ali é mais fácil, você mostrar para a população. A gente não tem esse problema. Primeiro, que a gente não tem uma preocupação com reeleição. É muito interessante, quando você chega na Câmara, talvez o primeiro impacto, acho que você até perguntou na pergunta anterior, é que o mindset de todo mundo, é reeleição. Como reeleger o deputado.

Então, todo mundo vem falar contigo, não, olha, eu tenho isso aqui, por exemplo, consultoria. Eu faço essa consultoria para você, que aí você não usa os seus assessores aqui em Brasília, você bota consultoria, usa sua cota parlamentar, deixa seus assessores no Rio, no meu caso, trabalhando para eu ser reeleito. Caramba cara, reeleição para mim é consequência, não é objetivo. Mas, para a maioria, os caras estão trabalhando para garantir a reeleição deles. Que eu não to falando assim, a pessoa tem que ser ingênua a ponto de achar que ninguém tem que ser reeleito. Não é isso. Mas é questão de prioridade.

Luciano Pires: Onde é que está seu foco.

Paulo Ganime: Exatamente.

Luciano Pires: E você falou um negócio interessante, que é o seguinte. A gene que olha de fora, imagina que as coisas lá acontecem em bloco. Estou com uma boa ideia, estou com um bom projeto. Pessoas, aqui está meu projeto, vamos votar a favor. E não é em bloco, você tem que ter uma proposta de valor para cada sujeito que você bateu na frente. Olha, eu já estou conversando com Deputado que é do Nordeste, e que tem como prioridade X PTO. A minha conversa com ele, tem que ir por um caminho. Agora, eu vou falar com outro deputado, que é do Rio Grande do Sul. É outro caminho. Você tem que mudar sua proposta de valor para cada um deles, para atender as demandas de cada um desse. É uma loucura de negociação.

Paulo Ganime: Pegar um projeto, na verdade, é o que não tem nenhum valor para eles. Nem bom, nem ruim. Que o cara topa, assina. Quando ele vê, quando tem valor, as vezes é mais difícil. Então, tem projetos que são muito simples e muito fáceis de serem aprovados, justamente porque não impacta a base eleitoral deles. E aí você consegue fazer isso com mais facilidade. Porque é isso, cada um tá ali com um objetivo diferente. Tem deputado, que o pessoal até fala que é quase que um vereador. Que a pessoa tá ali, ela não tá nem aí para a pauta nacional. Ela tá ali para levar dinheiro, e to falando através das emendas, através dos ministérios…

Luciano Pires: …para benefício da região dela.

Paulo Ganime: Mas esse jogo tá mudando um pouco, atualmente. Porque com as redes sociais, a relação, por exemplo, o prefeito e vereador, ele tinha antes muita influência na eleição de deputado federal. Porque você tem que ter muito voto espalhado pelo estado. Então, o Deputado Federal, ele contava com aquele prefeito, aquele vereador, para trazer voto para ele. Hoje, com a rede social, você vai direto ao eleitor.

Então, claro, tem deputado ainda que depende disso. Mas, hoje tem muito deputado, que não tá nem aí com a relação prefeito/vereador, porque ele já chega no cidadão diretamente. Então, a noção da emenda parlamentar, dessa questão do toma lá, dá cá, ela fica até menos relevante, do que era antes. Assim, essa dificuldade que eu falei no início, de você chegar ali e conseguir entender como que joga o jogo, e tudo mais, eu esperava mais dificuldade. Teve uma renovação muito grande. Mesmo que a relação não seja necessariamente qualitativa, muita gente é ator novo dentro do jogo. E muita gente, por exemplo, PSL, quase todo mundo ali é novo também. PSL acho que tinha 2 deputados.

Luciano Pires: Pois é. Não é que o PSL renovou. O PSL botou `muito deputado lá dentro. Entrou muita gente.

Paulo Ganime: Então tem gente ali que você consegue lidar muito bem. E o nosso perfil, como ele não é um perfil tanto de embate ideológico, no sentido que costumes, ou de ficar xingando os outros, tudo mais, é mais técnico, até a oposição, até a esquerda, até quem discorda da gente, respeita a gente muito. Porque nosso debate, é muito coerente. E tem isso também. Você, é muito fácil saber como que a gente vai votar, saber como que a gente vai se posicionar. Porque é sempre constante. Se você é constante, a pessoa não pode te criticar. Você é aquilo ali. Ela pode discordar, ela pode debater. Mas, ela não vai falar, “fulano, agora você está mudando de lado”. Não tem isso. A gente tá sempre fazendo mais ou menos a mesma coisa. Se bobear, to brincando, mas é como se você falasse o seguinte. É quase como um algoritmo ali. Você bota ali, e a decisão tá tomada, porque as nossas opiniões…

Luciano Pires: Sim. Se você definiu seus valores, suas convicções, a hora que eu chegar para você, opa, eu já sei o que ele pensa. Tem uma visão liberal, tem uma visão conservadora, baseada na economia basqueal, que se vê, o que não se vê. Faz a conta aqui, se não der eu não vou aceitar. E assim vai.

Eu não vou falar de reforma da previdência, nada disso aqui. Mas, eu quero falar do contexto como um todo ali. Existe lá dentro, você que está respirando aquele ar, aquele ambiente, o (inint) do ambiente, o espírito do tempo dentro da câmara, de que essa reforma é absolutamente imprescindível, e inevitável? Ou, ainda se discute isso? Se existe déficit da previdência?

Paulo Ganime: Não, tem gente que discute se tem. Mas acho que é mais uma minoria barulhenta. Acho que a maioria concorda que tem déficit, concorda que precisa da reforma, e discute mais qual reforma. Isso tem. Mas, eu acho que a gente tá num cenário hoje, não é só previdência, mas as reformas, acho que a gente está em um momento que a gente tem uma oportunidade de mudar o Brasil. Porque você tem um executivo, independente de gostar ou não do Bolsonaro, e tudo mais. Mas, é muito reformista, do Paulo Guedes com a reforma da previdência, reforma tributária, reforma do Estado.

A gente, tem uma visão não só… a gente fala muito da reforma da previdência, reforma tributária, mas, por exemplo, o Estado custa muito caro. Hoje, 80% do gasto da União, ele vai para Previdência, e salário. E não é só reforma da previdência que vai resolver isso. Você tem que baratear. E não é aquele conceito Estado Mínimo, Estado Máximo, Estado inchado. Não, é Estado eficiente. E você pode discutir depois.

Luciano Pires: Bota o engenheiro na conversa.

Paulo Ganime: Poe discutir depois, se o Estado deve atuar ou não naquela área. Aí é o ideológico, aí eu acredito que tem que atuar menos, e o pessoal da esquerda acha que tem que atuar mais.

Mas, independente disso, acho que ninguém vai discordar, de que aquela atuação tem que ser eficiente. Tendo um Estado ali, tem que ser eficiente.

Luciano Pires: Você vai aplicar lean manufactoring, na estrutura do Estado cara.

Paulo Ganime: Isso aí. Isso é muito difícil. Mas, a equipe é econômica, tem o Paulo Uebel ali, que é um cara fantástico, que tem essa visão. E isso é um monte acho que único, porque além da equipe do governo estar com essa visão, a Câmara, acho que o senado também, tá muito mais favorável a isso, do que nunca esteve antes. Então, acho que organizando a casa, parando com os problemas de comunicação, de coordenação, acho que a gente vai conseguir, acho que nem em 4 anos, acho que em 2 anos, aprovar reformas que a gente deveria ter sido aprovada até na época do Lula, porque tinha maioria, tinha popularidade, tinha tudo isso. Eu me incomodo mais, não sei se eu posso falar aqui, mas me incomodo mais com o Lula pelo que ele não fez, do que pelo que ele fez. Porque, apesar dele ter roubado, ter feito um monte de coisa errada, mas o que ele perdeu de oportunidade…

Luciano Pires: Sim, ele tinha todas as condições. Tava o vento soprando a favor. Exatamente.

Paulo Ganime: Reforma Tributária, previdência, segurança, tudo, e não fez nada disso. Para mim, isso é mais grave, do que o que ele fez de errado. E, acho que agora é o momento tá nesse clima, tá nesse ambiente. E se a gente conseguir, como eu falei, parar com as picuinhas, com o ego, com as redes sociais atrapalhando mais do que ajudando, cara, acho que a gente vai embora, vai conseguir de repente, entregar um Brasil muito diferente.

Luciano Pires: É a história, cara. Tem um capitão no navio, e eu posso ficar brigando para o navio não andar, ou ajudar o navio a andar. Não porque eu não gosto do capitão. Esse é o ponto.

Eu vi uma foto ontem de uma mesa gigantesca de reuniões, todo mundo sentado lá, o Bolsonaro sentado, e você do lado direito dele, cara, sentadinho. O que que é isso? É um acidente, ou é… O que que tá acontecendo cara, essa aproximação faz de você um bolsominion, bota você num pacote dos alucinados bolsominions? Como é que é isso?

Paulo Ganime: Eu vou te responder, como eu respondi para aquela repórter. Não, nem um pouco. Risos. Longe disso. Eu, claramente, votei e apoiei o Joao Amoêdo nas eleições. Acho que ele seria melhor candidato, melhor presidente, mas, quem tá lá hoje, é o Bolsonaro. Então, eu to apoiando o presidente. E até se fosse o Haddad que tivesse ganho, ainda bem que não foi, mas, mesmo que tivesse sido ele…

Luciano Pires: Seria o presidente.

Paulo Ganime: Seria o presidente, e eu iria torcer para ele fazer um bom governo. Eu iria até trabalhar, na verdade, para ele fazer um bom governo. Se ele fizesse coisa errada, eu iria trabalhar contra as coisas erradas que ele fizesse. Se ele fizesse coisa boa, eu ia ajudá-lo a aprovar as coisas boas. Independente se isso ia garantir reeleição dele. E isso que eu falei. Assim, essa foto ao lado do Bolsonaro, foi um café da manhã com a bancada do NOVO. Era só o NOVO. Então na verdade, a gente sentou ali, meio que de forma aleatória, cada um se posicionou.

Luciano Pires: Você falou um negócio, que para mim é fundamental, que é esse desapego emocional diante das soluções que estão surgindo, dos processos. Eu tenho que tomar minhas decisões emocionalmente, separado dos personagens, né? Quem falou muito bem isso, eu até lancei um PodCast essa semana, que é o ajuda por favor, o nome do PodCast, onde tem uma fala do Guedes. E o Guedes falou um negócio que é claro. Falou, “cara, estão prestando muita atenção na forma, e estão esquecendo o conteúdo. Estão reclamando que o cara fala palavrão, quando o que interessa é o conteúdo. Eu to cansado de ver um monte de gente extremante educado, que é corrupto, cara”. Eu prefiro um cara que fale palavrão, e que tranque a porta para corrupção.

Paulo Ganime: Mas eu acho isso, se você olhar, eu tenho algumas críticas a alguns ministérios do governo atual, mas, se você olhar o todo, tá muito bem-feito, né? Você tem o Paulo Guedes, o Sergio Moro, Tarcísio, você tem bons ministros ali. E quando você desce também, nas secretarias, também são pessoas técnicas. Você vê um bando de gente ali, quando você vê o cara, e conhece a história do cara, não é político. Alguns são consultores da Câmara, que são técnicos, são pessoas boas.

Então, a máquina ali tá hoje aparelhada, de maneira geral, como eu to falando, não to dizendo que existam falhas. Mas, com pessoas com vontade de fazer as coisas certas. Então isso também nos dá tranquilidade de apoiar nesse sentido. O NOVO, por exemplo, não é um partido da base do governo. A gente vota contra o governo, quando precisa votar. A gente critica, quando precisa criticar. Agora, se tá fazendo a coisa certa, porque que a gente não vai apoiar? E você falou muito bem, as palavras, o próprio Zema, Governador de Minas no início, ele também, primeira vez como político, apanhou, falou algumas coisas que não deveria falar. Agora, quando você olha as coisas que ele tá fazendo, é muito bom, é muito técnico, e tudo mais. Então, a gente dá muito valor do que aparece na mídia, até porque a mídia tem esse papel. Eles precisam de clique, precisam de leitura, então eles vão destacar aquilo que gera polemica. Agora, o trabalho do detalhe, quem vê isso, a população não enxerga. No máximo, ela vai enxergar, se enxergar, quando o trabalho começa a dar resultado.

Então assim, acho que é papel também de quem está no poder, entender isso, e sossegar um pouco. Eu concordo com o que o Paulo Guedes falou, mas eu acho que a gente também tem que fazer um pouco a minha culpa, de falar, “não, realmente, a gente está passando do limite”.

Luciano Pires: Se é tão, como é que eu vou dizer assim, se é tão sensível as coisas que eu falo, eu tenho que pensar um pouco. Eu tenho uma tese, de que tem uns caras brilhantes ali no governo. Brilhantes, são brilhantes, e não estão ali por acaso. E esses caras sentaram, e a minha tese é que o Bolsonaro foi eleito para ser boi de piranha. E o Bolsonaro, conscientemente abre a boca, fala um absurdo, e todo mundo vai para cima dele. Enquanto todo mundo lá tá dando porrada, uma turminha no bastidor está trabalhando, e fazendo acontecer devagarinho. Até brinquei outro dia, vai chegar uma hora que você vai fazer uma boquinha do Viviana, e falar ué, mas foi aprovado? Por que? Porque a atenção foi toda colocada em um lugar, para desimpedir o outro, deixar o outro trabalhar, né? É o jeito de olhar de fora, cara. Eu olho de fora, e eu escolhi olhar o lado do “cara, vamos ajudar a fazer”, e não, como que é, aquela posição conservadora. Escolha as coisas que você ama, e trabalhe para que elas floresçam, ao invés de escolher as coisas que você odeia, e batalhar para destrui-las. Acho que dá mais certo se eu entrar nesse caminho.

Paulo Ganime: Você é mais otimista que eu. Eu sou, geralmente, um cara otimista. Eu acho que essa postura de deixar bater, e tudo mais, atrapalha. Eu não acho que esteja contribuindo para que esse trabalhozinho de bastidores avance não. Porque depende muita coisa do legislativo. Tem muita coisa, que o executivo tem o poder na canetada, de fazer algum decreto, alguma regulamentação, que consiga fazer avançar.

Luciano Pires: Minha Bic é maior que a sua.

Paulo Ganime: Mas tem coisa que não adianta. Então, a gente até teve uma reunião essa semana, que o Maia junto com o Guedes, reuniram um grupo pequeno de deputados, eu estava dentro desse grupo, para acelerar alguns projetos. Justamente ligados a essa parte de burocratização, reforma do estado, digitalização, que é secretaria do Paulo Uebel. Por que? Justamente, porque tem uma parte que ele consegue fazer na canetada. E tem uma parte que não dá para passar, sem passar pelo legislativo. E aí quando você tem esses conflitos, quando o Bolsonaro falou alguma besteira, quando os filhos dele falam alguma coisa…

Luciano Pires: A emoção toma conta.

Paulo Ganime: Toma conta. E até mesmo o Maia, que é um cara que na minha opinião, tem a intenção de fazer essas reformas, quer ajuda. Eu acho que ele percebeu, eu imagino, pelo menos é um sentimento que eu tenho, que ele tem a chance de deixar um legado também, como um presidente da Câmara, que transformou o Brasil. Imagina, se ele daqui há 1 ano e meio, quando ele não pode mais ser reeleito como Presidente da Câmara, ele entregou Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Pacote Anticrime do Moro.

Luciano Pires: Puta currículo.

Paulo Ganime: Ele vai sair dali como um dos maiores presidentes da história da Câmara. Então, acho que ele percebeu isso, e ele tá nesse caminho. O problema, é que de vez em quando, vem alguma fala de alguém, e o cara também tem o ego dele. Então, ele se deixa, “não, espera aí, eu tenho força também. Eu não vou aceitar qualquer coisa que os outros falem”. Então, isso atrapalha muito.

Mas, acho que agora, as coisas, imagino eu, depende também agora, quando as pessoas estão ouvindo esse PodCast, as coisas estão um pouco mais calmas. Acho que vão no caminho certo. Eu sou otimista também. Eu só acho que essa questão da comunicação, é o que tá mais prejudicando o andamento da coisa.

Luciano Pires: Isso é histórico. Acho que o único governo que teve comunicação bem-feita, foi o Lula. E foi tão-feita, que o Ministro da Comunicação dele tá preso. Então você vê. Vamos caminhar para o nosso fechamento aqui. Agora eu quero deixar um pouco mais pitoresco o nosso papo aqui.

Eu vi você nas comissões ali, aquele pau quebrando, aquela meia dúzia gritando, etc. e tal. Fiz essa pergunta para o Van Hattem, e vou repetir ela para você. Como é que é você estar naquele ambiente, com aquela gritaria, aquele povo, aquela gritaria, e você, de repente, perceber que o teu argumento logico, não se aplica? Você tá dizendo o seguinte. Gente, dois mais dois é quatro. É evidente que é quatro. E os negos estão gritando que é cinco, que é três, e você de repente descobre que, ou você vai lá, dá uma porrada em alguém, ou a coisa não vai andar. Eu vi o Van Hattem puto da vida, com o pessoal bloqueando, não deixando votar. O barco não anda. E você tá, de repente, dentro de um ambiente, que quase que vira briga de balada, cara. Todo mundo bate, e ninguém sabe quem apanhou.

Como é que é para você que é um cara que vem de uma formação, cara racional, uma formação de ambiente de empresa, onde bicho, o processo tem que andar, um mais um vai dar dois sim senhor, e se não der, deu errado lá na frente. Ser jogado nesse ambiente, cara.

Paulo Ganime: É um pouco frustrante no início. Você fica, caramba, o Brasil não tem jeito. E isso, se você não tiver a cabeça que você entende que aquilo ali é parte de um show, de um espetáculo, você desiste. Porque realmente, é muito frustrante. Quando você começa a entender que aquilo ali, é uma parte de uma encenação, que aquelas pessoas que estão fazendo isso precisam para ganhar poder político junto ao eleitorado delas, e que aquilo ali nada vai atrapalhar o andamento real da coisa. Porque num primeiro momento, você fala, “caramba, isso aqui é uma loucura. A gente não vai conseguir aprovar nada desse jeito”. Quando o negócio começa a andar, que foi o caso da previdência na CCJ, você vê que aquilo ali não teve nenhum impacto, nenhuma relevância na votação.

Luciano Pires: No resultado. O resultado final, era o que todo mundo sabia que ia dar.

Paulo Ganime: Então, você começa a dar menos relevância. É frustrante, porque você perde tempo, é mais cara, e tudo mais. Mas, dentro do que é o objetivo final, é como se fosse o seguinte. Você vai fazer um projeto, tem um momento que você tem que fazer uma festa, para agradar todo mundo, para fazer (inint) [01:20:08.15]. Essa é a festinha deles. Se você entende isso, você começa a levar aquilo ali, até com menos seriedade. Agora, o que é pior, não é isso não. Depois você começa até a entender as vezes, que a esquerda ali naquele embate, é que é menos prejudicial. O problema maior, que foi inclusive na previdência na CCJ, são aqueles, os partidos, em que querem ganhar poder político de outra forma, ali dentro da Câmara. Mostrando que sem o voto deles, não vai conseguir aprovar nada.

E aí eles conseguem o toma lá dá cá, seja o que a gente viu que é “olha, se não mudar esse, esse, esse pontos da reforma, a gente não vota com vocês”. Seja, o que acontece…

Luciano Pires: No porão.

Paulo Ganime: No porão, que aí eu não conheço. Mas de uma forma ou de outra, para mim isso é mais nocivo até…

Luciano Pires: Do que aquela parafernália toda.

Paulo Ganime: É. Quando você percebe isso, você fica um pouco menos irritado com essas pessoas, e mais irritado com quem joga sujo. E essas pessoas que eu falei, que fazem esse barulho todo, inclusive, se você sentar com elas e fizer um acordo, “olha, aquele acordo que a gente falou mais cedo, a gente vai deixar você fazer barulho durante 1 dia inteiro, mas, no outro dia, vocês não fazem obstrução, deixa o negócio correr”. Eles seguem o acordo, respeitam o acordo.

Agora, quem é do jogo, esses aí, se eles percebem uma fragilidade, e aí é onde entra o lado da comunicação. Toda vez que o presidente, ou alguém ligado ao presidente, os próprios deputados da base governista, começam a dar problema, não mostrar força, articulação, não mostram que estão unidos, essas pessoas vão lá e ganham força. É igual uma bacteriazinha, que estão só esperando a imunidade baixar. Quando a imunidade baixa, pum, o cara cresce. Esses são piores. Os outros, para mim, fazem barulho.

Tem até um ditado, que até alguém falou, a oposição grita, e o governo vota. Então, o problema, é quando o governo, quando eu falo governo, a base do governo, não vota de forma coesa, de forma alinhada. Que aí você dá espaço para o famoso centrão ganhar força.

Luciano Pires: De novo, para nós que estamos de fora aqui, a gente não enxerga isso, porque as Câmaras não pegam essa (inint) [01:22:38.20]. A Câmara pega gritaria, pega a turminha que está indignada no fundo, mas não pega essa batalha toda. De repente, aparece uma foto do Kim Kataguiri, sentado na lanchonete, com Marcelo Freixo. E o Kim todo tipo de tomatada, porque ele tava fazendo um conchavo com o Freixo, né? Talvez ele tivesse fazendo exatamente, “Freixo, segura teus pitbull aí, que nós vamos passar um negócio lá, né?

Paulo Ganime: Ou as vezes não tinha nada disso. Outro dia aconteceu, eu tava na Câmara, tava relativamente vazio a Câmara, o café. Para quem não conhece, dentro do plenário, tem uma cafeteria, uma lanchonete, que a gente toma café, mas pode almoçar também. E ali, você encontra com deputados de todos os partidos. É normal, eu converso com Freixo, eu converso com Molon, converso com pessoal do PDT, do Psol, PT, tudo isso. Ali, outro dia, eu cheguei, tinha um deputado do PT, cara simpático, tal, ele falou, “quer almoçar? Almoça aqui comigo”. Eu não vou ser indelicado de falar, “não, não quero não, porque você é do PT”. Almocei com ele, foi superagradável. O cara tem uma história de vida que é interessante, que eu não conhecia. Ele tá ali na Câmara há anos, tem envolvimento com a política há muito mais tempo do que eu. Agora, eu não vou mudar de opinião, porque eu almocei com o cara, né? Tem coisas até que ele pode apresentar visões diferente dele.

Luciano Pires: Ou te dar um argumento…

Paulo Ganime: Argumento bom. Porque tem que pensar o seguinte. Tem deputado ali dentro, que é mentiroso, que vai fazer aquele discurso para fora, usando argumentos falaciosos, usando discursos populistas, pegando meias verdades, para usar como argumento. Agora, tem deputado que não. Faz argumentação boa, com conclusões erradas. Mas é diferente. Uma coisa é você chegar e falar, usar números ou argumentos errados, ou pela metade. Isso acho que é muito… para mim, é estelionato isso. Agora, tem deputado que chega e fala, “olha, é isso, isso, isso”, não falou nenhuma mentira, só que ele conclui, que por exemplo, para resolver isso, a solução é A. Eu acho que é B. Ali para mim, é uma questão de opinião. O cara não é mentiroso, o cara não está sendo…

Luciano Pires: Ele fez uma avaliação, e tirou uma conclusão que talvez não bata com a sua. E aí é um problema de base, capacidade de tomada de decisão, e tudo mais, que talvez a sua seria melhor que a dele, pelo seu histórico, e tudo mais.

Paulo Ganime: Não vou dizer que é melhor. É uma visão diferente.

Luciano Pires: Talvez a dele pode ser melhor que a sua. É aquela história que o Paulo Guedes fala, do… que ele vai conversar com o Bolsonaro, o Bolsonaro fala, “Guedes, de economia você entende tudo. Mas, de política, quem entende sou eu”. Em alguns momentos, é a opinião de um, que vai ter que sobressair a do outro.

Paulo Ganime: Então assim, acho que conversar, se alguém tirar uma foto minha no plenário da Câmara, vai me ver com Freixo, vai me ver com Ênio, vai me ver com Rui Falcão, vai me ver com Glauber, vai me ver com o Molon. São meus colegas de trabalho. Não tem como… você não consegue aprovar. Inclusive você tem as vezes, você assina projeto deles, eles assinam projetos seus. Não tem essa discordância tão forte ali dentro. Agora, a gente discorda de como resolver os problemas do mundo, ou do Brasil, pelo menos.

Luciano Pires: Ninguém ali tem nada contagioso, não vai contagiar ninguém.

Paulo Ganime: Não. Eu faço um live toda segunda-feira, no meu Facebook e Instagram, e na última segunda, eu tava fazendo uma live, e uma das pessoas fez uma pergunta. “Paulo, porque que o Chicão, que é o nosso Deputado Estadual do Rio, tá envolvido com Molon, que é um deputado Federal do Rio também?”. Só que o Chicão naquele dia tinha feito um debate em um colégio do Rio, sobre a reforma da previdência com o Molon. Então, tem uma foto dos dois juntos, como quando você faz um debate, você tira uma foto com as pessoas. Aí as pessoas estavam falando que os dois estavam envolvidos, por causa de uma foto do debate. E geralmente o debate, você tem uma pessoa que pensa A, e uma pessoa que pensa B. Então, se tinha um debatendo com o outro, provavelmente eles não estavam juntos. Pelo contrário, eles estavam em posições antagônicas. E a pessoa achou que os dois estavam já de conchavo por conta disso.

Então o negócio do Kim, é a mesma coisa. Essas pessoas… eu acho, depois que eu fui eleito, por exemplo, tem um outro ponto que as pessoas batem muito. Por que que a gente só trabalha de terça a quinta? É mentira. A gente trabalha para caramba. Claro, tem uma verdade, é, se o deputado não quiser trabalhar, ele não trabalha. Mas, acho que a maioria dos deputados, trabalham muito. E quando você está na sessão da Câmara, no plenário, não é o momento que você trabalha mais. Tem dias que sim, que você consegue debater. Mas, tem dias que você está ali, só votando obstrução. Então você vai ali, o PT chega e fala, “olha, eu quero mudar, fazer um requerimento para adiar a votação por 5 sessões”. Aí você vai lá, e vota contra. Depois por 4 sessões. Você vai, e vota contra. 3 sessões, você vai lá… Não tem nada de relevante. Então você tá ali, você é obrigado a estar ali, para botar seu dedinho, sua digital ali, aperta o botão, e votar sim ou não.

Luciano Pires: Cumprindo uma tarefa mecânica, que podia estar agregando muito mais valor, se tivesse em outro lugar.

Paulo Ganime: Exatamente.

Luciano Pires: Reuniões, e tudo mais.

Paulo Ganime: E tem dias que você está fora da Câmara, fora do plenário, discutindo coisas importantes, fazendo projetos, debatendo, discutindo com outros deputados, que é muito mais relevante, agrega muito mais valor, do que estar ali na sessão.

Então, a gente tem um papel, eu acho que claro, graças as redes sociais, graças a essa mobilização que as pessoas hoje estão acompanhando a política com muito mais atenção, com uma lupa muito maior, eu acho que isso é muito positivo. Tá fazendo com que os políticos tenham medo de fazer coisa errada. Mas, tem que saber o que que é o errado, e o que que é o certo. Tem que criticar o que é de fato errado. Não to condenando as pessoas não, ao contrário. Eu acho que é muito bom esse envolvimento. Mas, eu to falando que a gente tem um papel, estando ali, eu acho que a mídia também, de começar acertar no que que tem que bater, e mostrar para as pessoas, “gente, isso aqui não é tão errado assim”.

Então, me incomoda muito quando eu vejo, como eu to falando, quando eu vejo a população falando alguma besteira, eu acho normal, você tem que educar.

Quando eu vejo a mídia incentivando isso, quando por exemplo, as vezes você vê uma matéria lá, estamos aqui na sexta-feira, não tem ninguém. Gente, normal, tá todo mundo na sua base, trabalhando. Claro, se alguém quiser estar de férias, está de férias. Mas, o regimento é assim, dessa forma, justamente para permitir você votar.

Eu até proporia uma mudança. Eu acho, eu não sei se funciona, mas eu iria fazer uma organização diferente. Por exemplo, 2 semanas direto em Brasília, votando de segunda a sexta. Depois, 1 semana inteira na base. Tem que fazer a conta, não sei se é 2 para 1, ou 3 para 1, mas um sistema em que você não precise ir toda semana para lá, mas quando você vai para lá, você trabalha a semana toda. Sairia mais barato, você não gastaria tanta passagem, e seria mais eficiente.

Luciano Pires: Olha o lean manufactoring aí.

Paulo Ganime: Exatamente.

Luciano Pires: Vamos lá. Meu caro, você tá lá dentro há 5 meses, assistindo de dentro a máquina funcionar. Você tá, eu não sei até que ponto, o clamor das ruas bate lá. Bate?

Paulo Ganime: Bate.

Luciano Pires: Bate forte?

Paulo Ganime: Eu acho que bate mais a pressão individual, do que essas mobilizações.

Luciano Pires: O que que é pressão individual?

Paulo Ganime: É pegar, ligar para o cara mesmo, é entrar na rede social do cara, e escrever, mandar e-mail.

Luciano Pires: Porque vocês leem?

Paulo Ganime: Le.

Luciano Pires: Chega em vocês?

Paulo Ganime: Chega.

Luciano Pires: O Tweet chega em você?

Paulo Ganime: Chega. Bom, no meu caso, tudo chega, porque tirando o e-mail que geralmente é minha equipe que recebe, e responde. Mas, mesmo assim, eles me mandam, imprimem, ou me mostram o que é mais relevante. Mas WhatsApp sou eu que respondo, Tweeter sou eu 100%, não tem ninguém que mexe no meu Tweeter. Já Facebook, Instagram… Linkedin também sou eu que mexo 100%. Mas Facebook, Instagram, eu mexo, e tem gente da minha equipe que mexe.

Luciano Pires: E você é uma exceção?

Paulo Ganime: Não, vários.

Luciano Pires: Vários são assim. Quer dizer, a mídia social é um canal para falar direto com deputados.

Paulo Ganime: Eu, por exemplo, eu não gosto muito das mensagens diretas no Facebook e Instagram. Mas, acho que a maioria, comentários, mesmo que eu não veja todos, eu sempre estou olhando.

Luciano Pires: Mas, o Tweet é legal?

Paulo Ganime: É. Eu gosto muito de escrever pensamento, minha visão. Então sempre que não for notícia, “hoje estive em tal lugar, fiz isso, isso, isso”, que é algo que você pode delegar para alguém. Mas, quando é minha posição sobre algum tema, ou minha reflexão sobre algum tema, sempre sou eu que faço. Então, eu acho que essa troca com a… Agora, eu recebo muito pouca pressão, né? Porque eu sou muito coerente com o que eu falei na campanha. Então tirando um pessoal que não votou em mim, que não entende o que que eu defendo, que chega lá para criticar contra a reforma da previdência, mas são pessoas que eu sei que não são da minha visão ideológica, raramente, alguém chega lá para falar que tá errado, que eu to colocando. Porque tem uma coerência. Mas, eu vejo muita gente apanhando muito. Eu vejo outros deputados, de outros partidos, e tal, que sofrem muito. E a gente vê lá dentro da Câmara, quando algum deles está sendo perseguido pelos eleitores, pelas mídias sociais.

Luciano Pires: Mas é uma dica interessante essa. Quer dizer, você não precisa ter 3 milhões na rua, para pressionar os deputados. Você, no teu Tweet, pode dar uma pegada nos caras.

Paulo Ganime: Pode. Ligar mesmo, liga para o gabinete, começa a fazer pressão. E mais, quando eu falo fazer pressão, até tenho que tomar cuidado com a palavra.

Luciano Pires: Não é para ameaçar de morte.

Paulo Ganime: Não é para ameaçar ninguém, nada disso. Mas, acho que até o outro lado também, de mostrar para a pessoa, para o deputado, que não é tabu votar daquela forma. Às vezes não é nem para fazer pressão, é para tirar a pressão que existe.

Então tem deputado que tem medo de votar a reforma da previdência, achando que vai perder voto. Se as pessoas falam, “não amigo, vota, que a gente na verdade a gente quer que você vote a reforma da previdência”. Porque não é algo… reforma da previdência nunca é algo popular. Reforma para previdência, você vai pagar mais, por mais tempo. Sempre. Não tem opção. Então, é um tema que as pessoas têm que entender que é bom para o país como um todo, e vai ser bom para ela indiretamente.

Então, é difícil você vender isso para a população. Acho que essa vez, nunca uma reforma da previdência foi tão defendida pela população.

Luciano Pires: Sim, virou popular, virou tema popular. É um tema popular.

Paulo Ganime: Exatamente. Então, você chegar para as pessoas, deputados e mandar uma mensagem, um WhatsApp, um Tweeter, ou ligar até para a pessoa. Encontrar na rua, e falar, “aprova lá a reforma”, tudo mais, não é pressão em sentido aprova a reforma. Pô, pode aprovar, porque eu to contigo. Vou te apoiar, a gente vai tá junto nessa. Acho que isso é muito importante. Acho que o deputado que não ouve, que não está em contato, cara, eu faço live toda semana, eu rodo o Rio de Janeiro, quase toda semana. Meu WhatsApp, sou eu que respondo.

Tem uma pessoa que às vezes me ajuda, mas 90% das mensagens sou eu que respondo. Então assim, acho que você tem que ter esse contato com as pessoas, porque você tem que ouvir as pessoas. E mais, esclarecer. A gente tem um papel, como eu falei, você é eleito não só para representar a pessoa na hora do voto, mas para liderar. Você é um líder. Inclusive, a gente tá aqui, acho que nesse programa…

Luciano Pires: Liderança e empreendedorismo.

Paulo Ganime: Exatamente. Então assim, a gente como líder do país hoje, quem tá no executivo, quem tá no legislativo, é nosso papel também em instruir a população, mostrar. Não é de forma maquiavélica. Não. É sendo transparente, é mostrar a diferença entre o que é errado, e o que parece ser errado. Então isso tudo acho que é muito importante. Esse papel nosso, acho que a gente tem que trabalhar com mais vontade, mais vigor. Não o inverso, né?

Muitas vezes a gente vota contra o que parecia o obvio, a gente, por exemplo, aquele tema da bagagem, cobrar bagagem a parte, que o NOVO, a gente votou, defendeu e defende isso, porque a gente sabe que isso é o melhor. Pode não parecer, porque não é obvio. Meus amigos mesmos, falam não, isso é um absurdo. Pô, falaram que ia diminuir o preço da passagem, e não diminuiu. Mas as pessoas não entendem, economia não é uma ciência exata. Mesma época que aprovou a cobrança da passagem, o dólar subiu, o diesel subiu, aquele de aviação subiu. Tudo isso impacta o preço.

Luciano Pires: E você não tá aqui defendendo companhia aérea.

Paulo Ganime: Não, pelo contrário, uma observação. Hoje, as companhias áreas brasileiras, que agora são só 3, elas querem mais é que não passe a cobrar. Sabe porque? A relevância disso no preço delas, é muito pequena. Só que esse modelo em que você pode cobrar a passagem à parte, ele possibilita a entrada dessas empresas low cost, low fare, no Brasil, que vai aumentar a concorrência. Então, não é interesse das 3 grandes que estão no Brasil hoje, ter concorrência. Então elas querem mais é dificultar esses modelos alternativos, de passagens baratas, e já tem pelo menos umas 5, 3 empresas, querendo entrar no Brasil. Se a gente tiver num modelo que pode capital estrangeiro, que pode cobrar qualquer cosia a parte, a chance de ter mais empresa entrando, com isso aumentar a concorrência, e com isso diminuir o preço, é maior ainda.

Só que, quando você vota de cara, a população não enxerga isso. Então, não ter medo de votar de forma correta, por causa do medo das urnas, é muito bom, você poder fazer isso. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que não só votar, mas também instruir. Gente, a gente tá votando dessa forma, por causa disso, disso, disso. E a gente consegue as vezes, mudar até o voto dos outros deputados, por conta disso.

Luciano Pires: Está nos ouvindo aqui, um garoto, uma garota, está no ônibus, no busão indo trabalhar, tá fudido cara. Não vai ter grana para pagar no fim do mês bicho, ganha um salário que é um saco, liga o rádio, liga televisão, é um bombardeio. Porcaria cara, o cara olha para aquilo e fala, “eu preciso ir embora daqui. Eu tenho que sair desse país. Não dá, é muita porrada, é muita… não vai dar certo”. Esse é o ponto, não vai dar certo, tá tudo ruim, só vai piorar.

Você tá há 5 meses dentro do olho do furacão. Qual é a mensagem que você tem, para esses caras. Não me seja político agora, pelo amor de Deus. Qual é a mensagem que você passa para esse pessoal que tá meio desesperançado, de tanto que tá tomando, onde ele abrir tem porrada em cima dele. Esse cara olha para o Brasil, e fala, “bicho, essa porcaria é o máximo que nós conseguimos fazer. Eu vou embora daqui”.

Paulo Ganime: Eu diria o seguinte. Eu acho que é difícil mesmo, a gente não vai resolver os problemas do Brasil de uma hora para a outra. E mesmo que a gente consiga resolver aquilo que tá atrapalhando na estrutura, como as reformas que eu falei, o resultado para essa pessoa que está no busão, não vai ser amanhã, não vai ser daqui há 2 anos. Vai demorar. Porque a gente precisa melhorar educação, a gente precisa melhorar a infraestrutura, a gente precisa melhorar a saúde, a segurança. E tudo isso, não é de uma hora para a outra. Agora, eu acredito muito, que se a gente trabalhar para isso, e esse é o grande problema. Não é nem só o que tá no busão, mas acho que pessoas como você, pessoas que estão ouvindo, que a maioria acredito que são executivos, empresários, ou profissionais liberais, e profissionais de grandes empresas. A sociedade como um todo, mas, mais ainda, aqueles que tem uma formação, um poder aquisitivo melhor, a gente tem que se envolver. Acho que o grande problema do Brasil nos últimos anos, é que as pessoas não se envolveram com a política. A política virou algo demonizado, virou algo que a gente tem preconceito com a política. Felizmente acho que agora tá mudando. Eu ando nas ruas, vou nos eventos, eu sou muito bem recebido, pela forma como a gente tá fazendo política. Mas, a gente tem que separar, isso vale para tudo, vale para os deputados, vale para o STF, vale para a polícia Militar, Polícia Civil, a gente tem que separar a pessoa que é corrupta, a pessoa que é mal-intencionada, da instituição. A instituição, ela é fundamental. Sem a política, a gente não tem democracia, a gente não tem reformas, a gente não tem saúde, segurança, não tem nada. Sem polícia, a gente não tem segurança.

Então assim, se a gente começar a separar, “olha, o problema não é a política, o problema não é a polícia, o problema não é o empresário. O problema, são as pessoas que são ruins”. E como é que a gente resolve a existência das pessoas ruins? Com as pessoas boas, começando a se envolver. E acho que isso vale para todo mundo. Acho que quem tem mais tempo, porque quem pega o busão, perde 2 horas no busão para ir ao trabalho, 2 horas para voltar. Chega em casa, provavelmente tem que fazer faxina, fazer comida, tudo isso.

Quem é empresário, quem é executivo, quem deve demorar 15 minutos a meia hora para ir ao trabalho, para voltar, chega em casa tá tudo prontinho, porque a faxineira, empregada fez, então tem muito mais tempo para se dedicar para a melhoria do Brasil.

Acho que essas pessoas, todo mundo tem que se engajar. Mas, essas pessoas, tem que mais ainda. E esse que tá no busão, o mínimo que tem que fazer, é ser correto. A corrupção, tá em todo mundo. Eu não acho que a pessoa que faz pequenos delitos, eu discordo da máxima de quem faz pequeno delito, é igual político corrupto. Acho que não é. Pelo contrário. O político corrupto foi eleito para liderar uma população, para ser um exemplo, para representar.

Então, acho que a mudança do Brasil, tem que partir sim, de quem está na liderança. Mas, acho que todo mundo tem que ajudar de alguma forma, e acho que as grandes corporações, tem que assumir a reponsabilidade também, começar a se envolver mais, acabar com preconceito com a política, para a gente começar a mudar o Brasil. Se a gente fizer isso, se todo mundo tiver com a mesma cabeça, com esse intuito, o tempo que a gente vai precisar para o Brasil estar melhor em alguns anos, vai ser muito menor.

Então, com isso, eu acredito que o Brasil vai estar melhor, e eu acho que não é coisa de 100 anos não. Acho que se você parar para ver, o que falta talvez é um bom governo, que eu acho que a gente tá no caminho certo, independente dos erros e acertos do atual governo, mas eu acho que o todo é bom. E um cenário econômico favorável. Se a gente tivesse talvez, um bom governo, com o petróleo lá em cima como a gente teve, a comodities de uma maneira geral, cara, o Brasil tinha mudado completamente.

Então, acredito muito que a gente vai ter uma nova onda. Agora o petróleo subiu um pouquinho. É só a gente aprovar essa reforma da previdência, desburocratizar um pouco, aprovar reforma tributária, resolver alguns pontos da segurança, que acho que o Brasil decola.

Agora, outro ponto que é fundamental, que é absurdo, saneamento básico. Você vê a situação do saneamento básico no Brasil, é vergonhoso, é pura falta de vontade política.

Luciano Pires: Esgoto não dá voto.

Paulo Ganime: Não dá. Exatamente. Caminhão pipa dá. Agora esgoto, não dá. Então assim, acho que para essa pessoa continuar se empenhando, se emprenhando cada vez mais, trabalhar na comunidade dela. Quando eu falo comunidade, não é favela não. To falando comunidade de maneira geral. Onde ela viver, ela poder estar ali, e exercer seu papel. E cada um como pode, né? Cada um, você estar aqui como comunicador, dando exemplo, mostrando outras visões do mundo, influenciando outras pessoas. Eu fui influenciado por você também. Então, quando eu te ouvia lá, aquilo ali me dava inspiração também para pensar. E, de repente, quem sabe não foi até ouvindo um dos seus PodCasts, que eu falei, “Cara, tá na hora de eu voltar, e mudar o Brasil”. Mas assim, sério, eu acho que é a soma de muita coisa. `Hoje eu vejo, tanto nas pessoas, como também pessoas como você, essa vontade de fazer alguma coisa diferente. Coisa que a gente não tinha tanto, se voltar alguns anos atrás.

O período do regime militar, ele foi muito ruim, porque eu acho que, ou você se envolvia muito com a política, que foi uma minoria, ou as pessoas ficavam completamente avessas a política. Que foi o caso dos meus pais, acho que da maioria das pessoas.

Luciano Pires: Você vai ganhar meu livro, me engana que eu gosto, onde eu conto exatamente isso. Eu era um dos caras que em 79 estava nas ruas, com cabelão aqui, placa na mão, pedindo a volta do irmão (inint) [01:44:01.28], brigando com o Erasmo Dias. E eu consegui, cara. Eu consegui tudo o que eu queria lá. Eu consegui a volta da democracia, consegui tirar aquela velharada para transformar o país, naquele país que eu sonhava.

E hoje, 40 anos depois, eu olho para trás, e vejo os caras que estavam comigo nas ruas, presos, porque é bandido, porque alguma coisa deu errada. E a minha tese no livro, é que quando a gente conseguiu o que a gente queria, a gente foi para casa, cuidar da nossa vida. E esqueceu que alguém tinha que continuar, levar o bastão. E a gente largou, cara. Voltamos para casa, fui cuidar dos meus filhos, e esqueci. E veio uma horda lá, e tomou conta, e construiu isso, que… Acho que esse é o ponto principal. Todos têm um caminho para fazer, uma coisa para agregar.

Esse cara do busão, você acabou de dar a dica aí. Meu, dá uma Twitada meu. Dá uma twitada com o nome do deputado, e é você mais o outro, o outro. De repente, você tem 50 mil caras twitando, não tem como o Deputado não sofrer essa pressão.

Paulo Ganime: Outra coisa. Lembrem em quem você votou. Acho que isso é muito importante. Ainda mais para deputado, vereador, a pessoa vota e esquece no dia seguinte. Acompanha o cara. Hoje, com rede social, não tem porque você não acompanhar seu deputado, e cobrar. Não é cobrar daqui há 4 anos no voto. É cobrar todo dia, estar lá acompanhando. Então acho que tem muita coisa para a gente fazer. Eu sou otimista. Se eu não fosse, eu não teria voltado para cá, para trabalhar. Não é tão simples quanto eu imaginava, mas, acho que na verdade, se você parar para ver, o caso do saneamento é um exemplo. Mas, quase todos os grandes problemas do Brasil, a gente sabe como resolver. Tá ali, não é cura da Aids, não é como chegar na altura da galáxia.

Luciano Pires: Não é rocket science.

Paulo Ganime: A gente sabe como resolver. O problema todo, falta vontade política. Tem que botar gente ali na política, para que essa vontade… vontade surgir. Acho que o problema mais difícil, mais complexo de todos eles, é segurança pública. Esse é um pouquinho mais difícil de resolver. Mas os outros todos, imagina uma segurança. Tem várias alavancas…

Luciano Pires: Que vai sofrer consequência, cara. Se você estabiliza o cenário econômico, imediatamente a segurança publica muda de patamar.

Paulo Ganime: Com certeza, educação, tudo isso.

Luciano Pires: Como é que a gente cessa você? Então vamos lá. @pauloganime, no Twitter.

Paulo Ganime: Twitter, Facebook, Instagram. Linkedin também, vocês me acham. Eu sou bastante presente no Linkedin. E quem quiser mandar WhatsApp, também fica à vontade. O WhatsApp é o meu mesmo, não tem programa.

Luciano Pires: Você vai dar no ar aqui seu WhatsApp? Você que sabe.

Paulo Ganime: Vai ser até um teste para ver quem ouviu a gente aqui. Quem ouviu, manda e fala onde pegou WhatsApp, que a gente vai mandar depois para o Luciano, quantas pessoas chegaram até a mim. É 21, Rio de Janeiro. 99260-3030. 21-99260-3030.

Luciano Pires: Esse é só WhatsApp? Não adianta querer ligar para falar com você?

Paulo Ganime: É meu telefone também. Mas não liga não, manda WhatsApp.

Luciano Pires: Grande Paulo, muito obrigado.

Paulo Ganime: Obrigado você.

Luciano Pires: Dava para ficar aqui 4 horas conversando. Acho que a gente tem muito para dizer. Acho que você faz parte dessa moçada nova, da tal da renovação que vem aí. E me dá esperança da gente realmente ter um caminho para seguir. Eu to super feliz, e eu escolhi, assumi um papel meu nas minhas redes e tudo mais, como alguém que olha o lado bom, e não fica só xingando o lado ruim. E acho que você faz parte dessa turminha aí, cara. Para mim é muito legal receber você aqui.

Paulo Ganime: É um prazer para mim. Eu sou fã, ouvinte já há bastante tempo. Então, eu estar aqui sentado. E vai ser até engraçado eu me ouvir depois, no LíderCast. Eu vou ouvir, 2 vezes e meia.

Luciano Pires: Pelo amor de Deus, cara. Grande abraço.

Paulo Ganime: Abraço, obrigado.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalbrasil.com.br.

 

 

 

 

 

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