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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, temos Artur Motta, professor, que fez a transição de carreira, e mandou um e-mail para mim dizendo o seguinte, “cara, eu to usando PodCasts, em sala de aula”.

Muito bem, mais um LíderCast, esse aqui foi assim. Ele pega, me manda um e-mail, não me lembro como entrou a mensagem aqui. “Pô Luciano, sou seu fã, queria assistir o programa”. E um belo dia, veio aqui para assistir uma gravação do Café Brasil, e naquele intervalo a gente bate um papo, ele me começa a contar umas histórias. Quando ele terminou, “ah bicho, eu vou trazer você no LíderCast, que tem uns papos legais para a gente botar a adiante”. Então esse aqui chega como fã, e acaba virando um participante do programa aqui.

Aquelas 3 perguntas fundamentais, que você já sabe quais são. Seu nome, sua idade e o que que você faz.

Artur Motta: Meu nome é Artur Motta. Eu tenho 45 anos. O que eu faço? Bem, além de ter uma família que eu dedico muito tempo, e a gente vai falar sobre isso, muita atenção para ela, eu digo que profissionalmente eu faço duas coisas. Eu sou estudante, e sou professor.

Luciano Pires: Estudante e professor. Nasceu no Rio de Janeiro, com esse sotaque inconfundível.

Artur Motta: Bem, quando eu estou em São Paulo, eles falam que eu sou carioca. Quando eu estou no Rio, eles falam que eu to mais paulista, porque tem 20 anos que eu to aqui em São Paulo.

Luciano Pires: Vamos descobrir como é que é essa história. Você nasceu onde, no Rio?

Artur Motta: eu nasci no Rio de Janeiro. Eu sou do Leblon, Rio de Janeiro. Brincava muito na época na praia, na rua. Era uma coisa fantástica, diversidade, as pessoas com quem a gente convivia. E fiz minha infância toda, morei no Rio de Janeiro minha vida inteira, no mesmo prédio.

Luciano Pires: Você tá com 40 e?

Artur Motta: 45.

Luciano Pires: Então nós estamos falando de… a sua infância com consciência, é lá pelos 7, 8 anos. Então, nós estamos falando aí de 38 anos atrás. Rio de Janeiro, há 38 anos atrás, já não era mais o Rio dos anos 50, etc. e tal, 60, mas ainda tinha todo um charme ali. Não tinha a preocupação de hoje em dia. Você, sua família é grande? Você tem irmãos?

Artur Motta: Eu tenho minha irmã mais nova, ela é advogada e psicóloga. Meus pais estão vivos ainda.

Luciano Pires: O que seus pais faziam, e fazem?

Artur Motta: Minha mãe é medica, minha mãe ela começou na carreira pública, e fez carreira na carreira pública. Ela começou inclusive, na época, trabalhando num hospital. Chegou a diretora de um hospital público, uma história muito bacana, um hospital bem reconhecido no Rio de Janeiro. E meu pai, começou no setor público também, como executivo. Depois, foi para o setor privado, então, apesar de ser engenheiro, ele sempre foi executivo.

Tem uma pessoa nessa história que é importante de citar. Meu avô, que foi muito influente na minha vida também, ele é um advogado. Ele foi o primeiro da família que veio para São Paulo. Ele veio para São Paulo com 30 anos, tentar a vida aqui em São Paulo.

Luciano Pires: Avô por pai?

Artur Motta: Por parte de mãe. Depois voltou para o Rio de Janeiro. Quando eu nasci, meu avô tinha 45 anos. Então foi extremamente presente, influente, um grande amigo.

Luciano Pires: Um avô de 45 anos, isso é… até que impensável hoje em dia. 45 anos hoje é um garotão.

Artur Motta: Ele brincava que ele não gostava de ser chamado de avô. Ele pedia para chamar de amigo. E eu criança, naquela época, chamava “amigo vovô”. Risos.

Luciano Pires: qual era seu apelido, quando era criança?

Artur Motta: Meu apelido era Arthurzinho. Meu pai também é Artur, meu bisavô era Artur. Então venho de vários Artur na…

Luciano Pires: O que que o Arturzinho queria ser quando crescesse?

Artur Motta: eu queria ser piloto de avião, Luciano. Eu queria ser piloto de avião mesmo. Cheguei a fazer curso de piloto de avião.

Luciano Pires: Seguiu a…

Artur Motta: Segui carreira, não, eu fiz o curso preparatório, tive umas horas de voo. Mas lá pelas tantas, acabei desistindo da carreira de piloto de avião, por causa da família. Quando conversei, descobri que eu ia ficar muito tempo fora, longe da família. Eu acho que família, como te falei, meus pais são muito presentes, meu avô muito presente. Hoje, meus filhos, minha esposa, então eu senti que isso ia fazer falta para mim.

Então, eu acabei indo para outros lugares, outros caminhos.

Luciano Pires: Que lugar, cara? O que que surgiu? Quando você tira o piloto da frente?

Artur Motta: quando eu tiro o piloto da frente, bem, você chega ali naquela época de decidir o vestibular, e aí você começa a conversar o que que você vai fazer, e eu fui fazer administração de empresas na PUC do Rio. Basicamente como eu falei, minha mãe era uma médica que virou gestora. Meu pai era um gestor, meu avô um gestor, então, o que melhor fazer do que ser um gestor também? É o exemplo que eu tinha na minha vida.

Luciano Pires: Você foi fazer administração?

Artur Motta: Eu fui fazer administração no Rio, PUC do Rio. Aí a gente tá falando em torno de 1993, alguma coisa assim.

Luciano Pires: Não trabalhou enquanto isso?

Artur Motta: trabalhei. Como eu te falei, esse meu avô muito influente, ele advogado, tinha o escritório dele, e a partir dos meus 16 anos mais ou menos, eu fui contratado pelo meu avô. Então, a partir dos 16 anos, eu tinha que bater ponto, ganhava o meu salariozinho, e eu fazia os trabalhos de office boy na época. Eu ia para a rua, fazia todas as atividades de banco.

Luciano Pires: Aprendeu a conhecer o Rio de Janeiro de busão. Isso aí?

Artur Motta: Isso, andava pelo Rio inteiro, com 16 anos, e comecei a me deparar com situações da vida, né? Coisas difíceis, fáceis, malandragem, começo a lidar com isso daí. Então, eu comecei a trabalhar a partir dos 16 anos. E quando entrei na faculdade, comecei a trabalhar na faculdade, já no segundo período.

Luciano Pires: Vamos fazer um daqueles desvios na nossa conversa. Aos 47 anos, cara, você volta para o Rio de Janeiro, dar uma olhada naquele Rio de hoje. Lembra do Rio de 16 anos de idade, o seu Rio de Janeiro de 30 anos atrás, cara, o que que vem na cabeça?

Artur Motta: É difícil. Essa semana, eu não sei quando vai sair o PodCast, mas essa semana foi quando teve a grande chuva no Rio de Janeiro, que morreram várias pessoas. A gente teve aquele acidente terrível com os prédios desabando, outras situações de violência, de conflito. É muito difícil, porque eu vivi minha vida na rua. Eu vivi minha vida brincando na rua, sem ter esse temor da segurança. Dá um pouco de tristeza.

Luciano Pires: É uma coisa interessante. Outro dia, eu fiz um post, quase me mataram por causa desse post. Que eu botei um post, tinha acontecido algum desses rolos imensos, não me lembro mais o que que era. Alguma encrenca gigantesca no Rio de Janeiro, e eu faço um post, falo cara, quando é que vai vir uma notícia boa do Rio de Janeiro, porque não vem mais. Só vem tragédia atrás de tragédia. E depois que eu fiz esse post, piorou muito. Aumentaram as tragédias. Então, é cada vez mais encrenca que vem de lá, não tem mais boas notícias. E o Rio de Janeiro que eu me lembro, era o Rio de Janeiro dos anos 60. Do Pasquim dos anos 60. Tudo acontecia lá. Era a praia, o povo na praia, era música vindo de lá, cinema, literatura tava lá, então, tudo que acontecia no Brasil, era o rio que comandava aquilo, né? E agora, é esse outro lado. 4 governadores na cadeia, cara, eu não sei se aquilo lá, não é uma… digamos assim, o suco do Brasil é o Rio de Janeiro. Uma época que ele girava tudo aquilo que fazia o Brasil ser o país do futuro, etc. e tal, e agora ele tá gerando esse mal-estar para o Brasil. E parece que isso se concentra no rio de Janeiro. Então eu que não sou de lá, vejo isso com uma tristeza tremenda. E eu apanhei no dia que eu botei esse post, porque entraram os cariocas, “como se o que vem de São Paulo fosse bom, como se o que tivesse nos outros estados não fosse merda”. Falei cara, eu não to comparando. To dizendo o seguinte, que pena que eu não vejo mais notícias legais vindas do Rio de Janeiro.

Artur Motta: É, mas por outro lado, eu quero trazer um ponto, que eu com meus amigos, a gente conversa muito, e a gente vê muita gente discutindo os lados positivos. Muita gente já se preocupando com isso, tentando se preocupar em trazer o que tem de bom. Revitalizar uma série de coisas. E assim, o que a gente tem que ver, nós estamos em um processo de transição, não só no Rio, como no Brasil, no mundo inteiro. Depois a gente pode até conversar um pouco sobre isso. Eu vejo isso na sala de aula, eu vejo isso com os alunos. Tem uns exemplos, fatos muito concretos dessa mudança. E eu acho que toda população tá acordando. Cada um, do seu jeito. Brasil, Rio, São Paulo. Cada um tá acordando.

Mas, eu acho que, eu fico feliz da gente hoje poder discutir isso, da gente ver como pode colaborar, das pessoas se ajudando. Nessa última chuva, realmente, no primeiro dia foram muitas notícias ruins. Mas no segundo, terceiro dia, a quantidade de notícias boas, um ajudando o outro, o cara do restaurante que deu comida para as crianças. Outro que abriu uma casa de colchão para as pessoas dormirem. Outro que pegou e resgatou. Isso é emocionante.

Luciano Pires: Isso sempre vai… A não ser que seja uma tragédia que pegue todo mundo, tragédia moçambicana. Que pegou todo mundo ali, e sobra muita pouca gente para poder fazer essa ajuda. No caso, o Rio de Janeiro, pegou os lugares mais fragilizados ali. Mas o que eu to tentando jogar para você, é essa coisa de a gente olhar para a história, e ver cara, que degradação aconteceu ao longo do tempo. Aquela coisa que era o polo da cultura, se transformou hoje no polo das más notícias. E para mim, a culpa não é do Rio de Janeiro. A culpa é nossa, é o brasileiro que esqueceu de olhar para algumas coisas importantes. Largou alguns valores para trás, e elege um bandido, não presta atenção nas coisas que tem que valorizar, não briga quando alguém ataca o que é de todo mundo. Se é de todo mundo, não é de ninguém, então dane-se, vou lá arrancar os óculos da estátua do Carlos Drummond de Andrade, e foda-se. Vou jogar tinta, e foda-se. E não há uma reação imediata contra isso daí.

Bom, dei meia volta, vamos voltar para o caminho. Você decide então, pegou seu diploma de administrador de empresa. Que abre um leque, você pode ser o que você quiser, com diploma desse na mão. O que que você resolveu que você ia fazer?

Artur Motta: Então, tem uma parte interessante aí, que é antes de pegar o diploma. Porque o diploma é uma consequência. O caminho até pegar o diploma, tem uma história interessante que eu posso compartilhar com você, que é minha curiosidade. Acho que isso teve uma coisa, eu tive até o suporte muito grande dos meus pais, para ser esse curioso. Luciano, eu posso dizer que eu fiz quase todos os cursos que você consegue imaginar.

A gente falou aqui, que eu fiz curso de piloto, fiz curso de mergulho, eu fiz para dirigir lancha, fiz controle da mente, tudo que pintava, eu ia fazendo de curso. Eu gostava muito dessa diversidade. Acho que o campo de administração, veio até abrindo essas coisas todas.

E em paralelo a isso, teve, eu ia fazendo isso tudo, e as oportunidades iam aparecendo. Algumas oportunidades foram aparecendo. Eu não sei te dizer ao certo, se eram oportunidades decorrentes dessa minha atividade, dessa minha atitude, ou, eu ia procurando. Mas, as coisas iam acontecendo. Então, no último ano antes de eu fazer administração, eu tava estagiando, pedi dispensa do estágio, fui estudar no exterior para melhorar idioma, alguma coisa assim.

Quando eu voltei, eu fui participar de um processo seletivo. E aí quando eu fui participar do processo seletivo, que eu passei no processo seletivo, eles me ligaram, último ano de faculdade, traz sua carteira profissional, porque a gente vai te registrar. Mas, espera aí, estagio precisa disso? Não, você, era uma vaga de gerente comercial. Você vai ter uma equipe de 3 pessoas, você vai vender. Mas, espera aí, o que que isso implica? O curso era noturno. E aí é uma coisa interessante, porque o que aconteceu é que eu abracei isso, era uma oportunidade que estava pintando. E eu fui. Então não é assim muito, eu peguei meu diploma, e o que que eu faço com isso? Acho que isso aconteceu.

Hoje, quando eu vejo muitos dos meus alunos, principalmente quando você fala de graduação, muito você vai indo pelas suas oportunidades, pelo que acontece, pelo que aparece. E eu acho que uma grande reflexão, que eu sempre tento despertar, é o que que significa isso? O que que é a oportunidade que está passando para você? Para onde você vai? Você gosta disso? No meu caso, por exemplo, era uma área comercial. Então, você gosta de meta? Você não gosta de meta? Negociação? Estar na frente do cliente? Estar na rua? Como que funciona isso?

Então, na época, eu fui, porque ótimo, oportunidade, eu ia me formar daqui a pouco, carteira assinada, dinheiro, renda, poxa, ótimas oportunidades nessa situação. E eu fui. Fiquei nessa empresa até que eu me formei. Quando eu me formei, abriram vários processos naquela época. Naquela época, já começam a falar de processos de treinees, os high potencials, todo mundo queria ser treinee, principalmente, meus colegas todos, que tinham grandes ambições. E surgiu processo de treinee, e eu vim para São Paulo.

Luciano Pires: Uma outra empresa?

Artur Motta: Uma outra empresa, eu vim para São Paulo.

Luciano Pires: Deixa eu voltar no insight que você deu ali atrás, que é bem legal. Você falou aquele negócio das oportunidades que surgiram. Eu vejo isso como… a imagem que eu vejo é a seguinte. Você tá em cima de um penhasco, e você olha lá para baixo, tem vários rios passando. Um monte de rio passando. Cada rio, com um tipo de conteúdo, que leva para algum lugar. E você olha para aquilo e fala, bom, tudo bem, se eu me preparar, se eu tiver curioso e trabalhar, eu me coloco naquele rio ali. Se eu fizer, eu me coloco naquele outro rio ali. Eu me coloco… e a hora que eu tiver no rio, vão passar coisas. Então, dependendo daquilo que eu abraçar, dependendo da minha curiosidade, do que eu me preparar, eu me coloco no lugar onde eu vou passar determinadas oportunidades.

Então, é aquele cara que fala, pô, puta sorte, você foi contratado por uma empresa que tem uma filial, e te mandou trabalhar na China? É, mas se eu não soubesse falar inglês, eu não teria essa oportunidade. Então, por saber falar inglês, eu me coloquei próximo disso aí. Por saber um determinado tipo de coisa, eu me coloquei ali próximo. Eu me coloco em uma área onde as oportunidades vão passando, e eu posso escolher aquilo lá. Se eu não sei nada, se eu não preparei para nada, que oportunidade que eu vou esperar que apareça? A menos que eu crie, e explicite para as pessoas. Alo gente, aqui está m cara que aprendeu a falar inglês. Aqui rá um cara que é curioso. Aqui tá um cara, que gosta, que sabe mexer em uma planilha, que tem uma experiência. Estão vendo? Eu tenho todos esses atributos. E uma hora alguém vai olhar, e falar olha o cara, ali ele, pega ele. E ele vem. E a oportunidade surge. Evidentemente, tem o lance da sorte, de você estar no lugar certo, na hora certa. Mas, eu acho que dá para você ajudar a estar no lugar certo, entendeu? Talvez eu não consiga ir na hora certa, mas eu consigo tentar estar no lugar certo, porque eu sei que as oportunidades vão passar por ali.

Artur Motta: E hoje o mundo está muito competitivo, né? Então, uma das coisas, você pegou em um gancho quando você falou do leque. Eu tenho certeza que essas minhas curiosidades, esses cursos todos que eu fiz, o fato de você estar no Rio de Janeiro, diversidade de pessoas que você lida na praia, jogo de futebol, ambiente, nos cursos que você faz, te trazem uma bagagem diferente. E o que eu também falo muito sobre isso, é qual é o seu diferencial? Qual a sua bagagem? Eu vejo muitas vezes as pessoas fazendo mais do mesmo. Nas aulas que eu dou, eu vejo as vezes, eu tento provocar nos alunos, o que que é o seu diferencial, o que que você vai fazer diferente? O que que você vai contar de diferente?

Eu posso falar de filme aqui?

Luciano Pires: Pode falar o que você quiser, cara.

Artur Motta: Tem um filme muito interessante, que chama Quebrando a Banca. Sem dar spoiler aqui.

Luciano Pires: O casino, o garoto que joga.

Artur Motta: Isso, a história começa, eu não vou dar spoiler, mas o garoto quer uma bolsa para estudar medicina em Harvard, que ele não consegue pagar. E o cara pergunta para ele, por que que eu vou te dar essa bolsa? Porque eu tenho boas notas. Mas espera aí, tem várias pessoas que tem boas notas. Porque eu quero muito, meu sonho. Não, espera aí, tem várias pessoas que também querem muito. O que que faz você de diferente? O que que te provoca? E no fim das contas, ele não consegue essa primeira bolsa, tem toda a história do cassino que você comentou, e no final, vejam o filme. Chama Quebrando a Banca, é bem interessante.

Mas isso você vê. Você vê seus colegas, vários, que tem o seu diferencial. Ou porque o cara é muito bom em uma coisa, ou porque o cara se especializou em alguma coisa. E no meu caso, acho que eu tinha essa diversidade, variedade.

Eu me lembro que na minha entrevista, a gente conversou até de política Luciano.

Luciano Pires: Entrevista para contratação?

Artur Motta: Entrevista para contratação.

Luciano Pires: E a empresa, era uma empresa grande?

Artur Motta: Era uma empresa grande. Unilever.

Luciano Pires: Unilever é uma coisa.

Artur Motta: Passei como treinee na Unilever, vim para São Paulo nesse período.

Luciano Pires: Que idade?

Artur Motta: 22.

Luciano Pires: Sem namorada, sem casar, sem nada?

Artur Motta: Sem nada, sem casar nem nada.

Luciano Pires: Carioca, de 22 anos, desembarca em São Paulo.

Artur Motta: Desembarco em São Paulo, em pleno janeiro. Eu te digo que a minha primeira experiência, primeiro dia de São Paulo, caiu uma chuva. Eu me lembro, para quem conhece São Paulo, eu estava na Juscelino, e eu só conhecia a Marginal, um dia de São Paulo. E começou a chuva, eu só vi aquele túnel, me meti no túnel, sai do outro lado da marginal perdido em São Paulo. 22 anos de idade.

Luciano Pires: E aí, veio sozinho, morar aqui sozinho, sem pai nem mãe? Sem família, nada.

Artur Motta: Vim sozinho. Na época, não sei como é hoje, mas a empresa tinha um processo grande, na minha turma, se não me engano, eram 32 treinees. E desses 30, tinham vários de fora de São Paulo. Então, eles fazem uns eventos, umas reuniões antes da virada do ano, para a gente se conhecer, e a gente troca telefones, e-mails, a gente começa a conversar, e acaba indo morar juntos. Eu fui morar junto com outro colega meu, a gente ficou morando junto durante 1 ano e meio. Depois de 1 ano e meio, cada um foi para o seu lado.

Luciano Pires: E aí cara, entra dentro de um ambiente de uma Unilever. Aquilo é um mundo que te abre caminho para o mundo inteiro também, né? Você entrou ali com a ideia de que vou fazer carreira nesse treco aqui. E eu consigo me enxergar daqui 20 anos nesse lugar, sentado na cadeira do vice-presidente de sei lá o que. Foi assim que você pensou, ou você estava só de passagem?

Artur Motta: Não sei te dizer, eu vim. Aquela coisa, que eu 22 anos, eu vim, era um sonho morar sozinho, profissão, era reconhecimento, era uma baita oportunidade, cheio de desafios, e eu vim.

Então, na época, claro, você sonha em crescer, sonha em fazer carreira na empresa, você sonha em continuar.

Luciano Pires: Mas a cabeça estava lá. Não é aquela história do empreendedor enrustido, que fala, “estou aqui para me enturmar, porque daqui há X tempos, eu estarei com a minha própria empresa”, com a cabeça em outro lugar só. Sua cabeça estava lá.

Artur Motta: Estava lá.

Luciano Pires: Foco e vou crescer dentro da Unilever. O que que você fez para crescer dentro da Unilever?

Artur Motta: Na Unilever, você roda por diversas áreas, e você passa um tempo mais em algumas áreas que você é mais afim. E eu tive grandes oportunidades, né? Eu acho que assim, muito bacana são de novo as oportunidades, você abraçar essas oportunidades. Então, eu me lembro que uma época eu fiquei cuidando de clientes do canal indireto, e é no Brasil inteiro. Eu solteiro, morando sozinho em São Paulo, eu viajava cerca de 3 semanas por mês. Tipo, de sair segunda-feira, só voltar 3 semanas depois.

E o combinado era, que as vezes valia a pena ficar o fim de semana lá. Então, eu de novo, conheci muito desse Brasil, eu lidei com muita gente. Eu criei repertorio. Eu acho que isso é uma das coisas que hoje eu vejo refletindo na minha vida. Eu criei repertorio.

Mas é uma grande empresa, como todas as outras, tem lados muito bons, e tem lados que não encaixam tanto. Que as vezes, você sente. No meu caso, especificamente, eu sempre fui muito curioso. Eu sempre gostei muito de tentar achar meus caminhos, achar minhas coisas. E as vezes tinha espaço, as vezes a gente não tinha esse espaço.

Mas, eu não tenho o que falar realmente da empresa, e das pessoas que eu conheci lá.

Luciano Pires: Quanto tempo você ficou lá?

Artur Motta: Eu fiquei lá 9 anos.

Luciano Pires: Chegou até a?

Artur Motta: A uma gerencia sênior.

Luciano Pires: Comandando equipes?

Artur Motta: Comandando equipes.

Luciano Pires: eu já vi, você contou sua história lá atrás, quando você vai fazer naquela empresa no Rio de Janeiro, você chega lá para fazer um estágio, e te dão cargo de gerente. E você com 20 anos de idade.

Artur Motta: 21, na época.

Luciano Pires: Vira gerente, e começa no dia seguinte a comandar 2, 3 caras.

Artur Motta: 2 caras.

Luciano Pires: Sem ninguém ter te preparado para porra nenhuma de liderança. Caiu no seu colo, tem que me virar. Imagino que aquilo te deu uma certa experiência, você quando chega na Unilever, você já chega com uma bagagem que treinee geralmente não tem. E aquilo te ajuda um pouco. Mas, como é que é cara, assumir um papel de liderança, dentro de uma estrutura como a Unilever?

Eu vou refinar ainda mais essa pergunta. Uma empresa pequena, você vai assumir a liderança, tem seu chefe, você, e tá resolvido a coisa. Em uma empresa como a Unilever, tem uma cadeia de comando para cima, que é gigantesca, onde você além de ter que cuidar da sua turma para dar o resultado, entregar resultado, você tem que olhar para cima, e ver cara, olha quanta gente tem aqui em cima, direto em cima de mim, para esse lado, para aquele lado ali. Então, eu sei que meu desempenho aqui, se eu for muito bem aqui, eu tenho oportunidades para todo lado da empresa. Eu posso que alguém me enxergue, alguém vem me buscar aqui, né? Nos ambientes das grandes corporações, é assim que funciona.

E isso é totalmente diferente da empresa menorzinha, da empresa familiar, e tudo mais. Muda tudo, né?

Você sentiu esse choque quando entrou em uma Unilever, recebeu sua carteirinha, e de repente aquele mundo, com todos esses caminhos para seguir lá dentro?

Artur Motta: É um baita choque, né? Você vê muita coisa, você aprende muita coisa. Acho que aprendizagem era mais intensa do que de repente, essa angustia que você tá comentando. Porque você vê, e você de novo se vê jovem, se vê entrando em uma boa oportunidade, e você vê que existe um futuro. Qual é esse futuro? Talvez você ainda não saiba. Talvez, tenha um futuro que você goste mais, um futuro que você não goste. Mas, você tem um futuro. Então surge esse ambiente. E no caso, a empresa também, ela tratava bem. Então você junta essas 30 pessoas, não é que você chega sem conhecer ninguém, e um mundo. Mas você chega, você já tem 30 colegas. Cada um está em uma área. São normalmente pessoas que estão, como te falei, acho que metade mais ou menos veio de São Paulo. Então você também faz um networking com eles, vira seu coleguinha de balada, para conversa.

Então, é muito interessante nesse sentido. Mas, tem uma coisa aí que você comentou, que eu queria pegar um ponto, contar uma história para vocês.

Quando eu morava ainda no Rio de Janeiro, eu durante mais ou menos uns 7, 8 anos da minha vida, eu participei do encontro de jovens com Cristo. Encontro de adolescentes, encontro com jovens com Cristo. Eu não sei o quanto as pessoas conhecem, não sei também isso o quanto forte ainda é, mas naquela época era muito marcante. E a gente tava falando com encontro, você tava falando em trono de 400/450 pessoas, convivendo. E de novo, você tem as coordenações de equipe, você tem as pessoas com quem você convive, que tem interesses diferentes.

Eu acho que isso fez uma experiência também muito marcante para mim, porque você aprende a lidar com as pessoas, você aprende a lidar com pessoas que tem interesses comuns, que tem interesses divergentes. Ali não tem uma questão de hierarquia, você tem um propósito. Vocês todos lutam por um propósito. E eu tive a oportunidade de liderar algumas equipes, mas, aprendi a lidar com gente ali. Aprendi o ambiente, acho que isso foi uma coisa. Com certeza, isso é influência de Rio de Janeiro, isso é influência do encontro de jovens, isso é influência do futebol na praia. Futebol não, não jogava futebol. Jogava vôlei. Eu não sou do futebol não.

Luciano Pires: Mas e aí? Então, você ficou 9 anos na Unilever, chegou até encerrar seu período lá, foi para onde?

Artur Motta: Depois de 9 anos na Unilever, eu saí, fui para um varejo. Então, eu deixei de ser indústria, fui para o varejo. Fui para o outro lado do balcão. Foi muito engraçado, porque era um dos clientes mais importantes da Unilever, e eu deixei de ser fornecedor, passei a ser cliente. Foi muito engraçado, porque…

Luciano Pires: E é uma virada impressionante, porque a hora que você sai e começa a olhar de fora o lugar que você estava, é que você vê tudo aquilo que você não enxergava. Eu me comportava muito bem para a empresa, estava tudo certinho, e a hora que você muda para o outro lado do balcão que você olha e fala, meu, quanta coisa feia. Os caras se acham, pensam que podem, pensam que dá, e não dá cara. O mundo aqui é outro, né?

Artur Motta: A gente falava que a Unilever é uma grande escola. Essa é uma frase que todo mundo fala, realmente é uma grande escola. Você pega as pessoas, meus colegas treinees, as pessoas que passaram por lá, todos estão bem. Mas você vê a vida como ele é, quando você vai para o varejo meu amigo, que ali a venda do dia a dia. É o cliente um a um. É o ticket, é aumento do ticket, é o sistema que cai e você não consegue vender. É a agua que você quer vender, e não tem na prateleira, e o cliente quer, e ele vai no seu concorrente.

Então, a vida como ela é.

Luciano Pires: Eu trabalhei meus 26 anos na indústria de autopeças, e era uma indústria gigante, focada na venda para as montadoras. Então, tem aquele be to be gigantesco. Mas, uma parte dessa empresa, que era uma parte importante dessa empresa, que a maior lucratividade estava lá, é a parte da reposição. Então, nós tínhamos o after makert e o OIM, montadoras e after market. Montadora, aquela formalidade, aquela coisa, aquela engenharia, os engenheiros todos. Processo disso, daquilo, era um negócio assim, tinha todos os ritos e mitos que você puder imaginar, tinha ali dentro, com aquela coisa da hierarquia, to fazendo um negócio com a Ford, a GM. to sentado na frente de um diretorzão da GM. Então, era um negócio, toda uma formalidade.

E aí você chegava na reposição, aquilo era uma puta bagunça, porque eu to falando com o dono da pequena empresa, que na verdade não era tão pequena assim, mas cara, era balconista, mecânico automotivo. Aí você pegava, de um lado eu to preocupado em produzir um produto com nível de qualidade excelente, com ISO 9000, que sai em uma caixinha maravilhosa, que está tudo redondinho. Chega na ponta cara, tem um cara com a mão suja de graxa, que abre a caixa, essa merda tá preta, ela nunca foi preta, sempre foi branca, porque que deixaram escuro? Era uma confusão que não tinha tamanho, e que trombava com a parte da montadora que era um negócio, não dava liga de jeito nenhum. Porque era toda a flexibilidade do mundo que tinha na reposição, que era onde estava acontecendo esse dia a dia nervoso, era a ponta da venda. Contra o outro lugar, que era tudo controlado, tudo uma coisa depois da outra, bonitinha.

E eu circulei nas duas pontas. Então eu trabalhava na área de comunicação, eu fazia comunicação da montadora, a comunicação da reposição. E a coisa mais engraçada do mundo, é quando a gente pegava os engenheiros e levava com a gente. Cara, vem comigo. Botava o cara no carro, e levava em uma autopeças, e virava para o cara, fala para ele, explica para ele o que você falou para mim na fábrica. Não tinha como, porque era esse mundo que você falou.

Cara, um e um não vai dar dois não, vai dar 1,8, 2,4, e vamos embora, vamos assim.

E lá do outro lado não, tem `que ser 2. E era um choque brutal. Mas, tem essa coisa que você colocou aí, que aquilo tem uma adrenalina nessa ponta onde você foi, que é quem entra, não larga mais.

Artur Motta: então, não larga mais não. Eu queria largar. Eu fiquei lá quase 4 anos. Foi muito bom, aprendi demais também. Mas tinha uma coisa da dinâmica de negociação do dia a dia, que me machucava um pouco, porque no fim das contas, você era um cliente, e tinha um outro lado que era o fornecedor. E muitas vezes aquele fornecedor tinha um vendedor, e aquele vendedor tinha uma meta. E aquele vendedor precisava bater a meta. Aí você pega empresas mais estruturadas, talvez como a Unilever, com empresas que talvez era o próprio dono da empresa que te atendia.

E as vezes era um pouco sofrido, pelo menos para mim, tem gente que adora, minha esposa adora esse tipo de adrenalina e negociação. Mas eu sentia muito as vezes o fato de eu ter que, para aumentar minha margem, a minha rentabilidade, ter que fazer uma negociação as vezes muito agressiva, que muitas vezes implicou em vendedores, às vezes, se comprometendo com coisas que eles não deveriam, e depois tendo reflexo com relação a isso. Então, eu tinha uma equipe na época de 12 pessoas, e um dos papeis principais meus, era dar essas orientações até onde a gente vão, até onde a gente não vai, como a gente lida com essas situações.

Mas, teve um outro, eu cuidava de parte de alimentos do varejo. Então, era supermercado, um supermercado grande. E na época também, a gente está falando mais ou menos em 2008/2009, era a época da desvalorização cambial. Você teve uma série de momentos. Eu me lembro que eu chegava em casa Luciano, e via o jornal nacional falando, “A inflação esse mês bateu recorde”, eu me lembro que eu via essas coisas. E eu falava, nossa, eu que aumentei os preços? Será que eu to fazendo o bem para o resto da população? Vinha muito essa preocupação minha, com o ambiente, a minha preocupação com a minha função, mas eu pensava, será que eu to fazendo o bem para todo mundo que está ao meu redor? Eu tinha uma preocupação muito grande com isso. Isso era uma coisa que as vezes, tanto que a gente vai falar acredito, que daqui a pouco da minha transição de carreira, para ser professor hoje. E uma das coisas é isso. Sentir o quanto eu to fazendo o bem para os outros, o quanto eu to fazendo o bem para a sociedade, comunidade, e as pessoas que me cercam.

Luciano Pires: Isso foi quando?

Artur Motta: 2008/2009.

Luciano Pires: Você tá chegando nos 40 anos de idade. Não é isso?

Artur Motta: Isso.

Luciano Pires: É normal. Ao chegar nos 40, a gente começa a olhar a vida, de uma outra forma. Queira ou não queira. Vai bater um tipo de angustia, que você não tem aos 20, aos 30. Aos 20, 30, foda-se o mundo. Ninguém pode comigo. Eu sou maior, eu não morro, eu sou imbatível, eu sou… adoro briga, entro para encrenca, tenho energia. Aos 40 você começa a olhar, epa, tem umas coisas que são mais que isso. E uma delas é essa que você falou, que em mim bateu assim. Cara, se eu fizer muito bem meu trabalho, se eu fizer tudo muito bem-feito, se eu for um avião naquilo que eu faço, eu vou ser um puta vendedor de autopeças. Na minha área de comunicação, eu vou ser um puta vendedor de autopeças. Que faz o que? Eu vendo autopeças. Você muda a vida das pessoas? Não, diretamente não, mas eu to ajudando a vender o produto. Vem cá, mas não é pouco? Dá para ser mais. E foi essa consciência que acabou me tirando desse ambiente. Cara, espera um pouquinho, eu acho que eu posso impactar muito mais as pessoas, do que sendo um puta profissional que vai trabalhar e fazer aquilo que tem que fazer, muito bem-feito aqui.

Mas isso, essa consciência veio aos 40. Que até então, eu tava 110% pisando no acelerador, e vou construir. E fiz coisas do balaco baco na empresa. E aos 40 veio esse outro lado. Puta, mas esse outro lado que é tocar o coração das pessoas, proporcionar que alguém, por ter contato comigo, faça uma virada na carreira, e vá encontrar um outro caminho. Eu acho que eu não consigo vender no autopeças. Eu acho que eu tenho que fazer um pouco além disso aí.

Artur Motta: Nessa época, eu fiz meu mestrado. Depois, se você quiser, eu te conto um pouco de onde surgiu a história do mestrado, mas eu fiz meu mestrado porque eu pensava em dar aula, e aí eu comecei a dar aula.

Luciano Pires: Em administração também?

Artur Motta: Em administração, isso. Até uma curiosidade, muito interessante, é que eu fiz meu mestrado com apoio da minha esposa, foi fantástico, não tem o que… Aliás, tenho muito o que agradecer, porque ela me deu todo suporte para isso.

Luciano Pires: Onde você fez?

Artur Motta: O meu mestrado, foi na Fundação Getúlio Vargas.

Luciano Pires: Na GV.

Artur Motta: Na GV, à noite.

Luciano Pires: Um baita mestrado.

Artur Motta: É um baita mestrado. E na última semana de aula do mestrado, recebi um e-mail oferecendo uma vaga, um processo para professor auxiliar em uma das instituições que eu ainda hoje dou aula, onde eu comecei. E eu fui. E quando eu…

Luciano Pires: Sem nunca ter sido professor?

Artur Motta: Sem nunca ter sido professor titular. Mas por exemplo, na época que eu estava na faculdade, eu fui monitor de várias disciplinas. Então eu estava em sala de aula, muitas vezes substituindo professor.

Luciano Pires: Você foi monitor voluntariamente? Você foi atrás?

Artur Motta: Eu fui atrás.

Luciano Pires: Temos um insight interessantíssimo aí. O fato de você lá atrás, ter escolhido a monitoria, te botou em contato com alguma coisa que lá na frente, foi te dar essa oportunidade.

Artur Motta: E na época do encontro de jovens, eu dava muita palestra. Então, dava palestra para grupos de 400, 500 pessoas. Eu era coordenador, e as vezes eu ia falar sobre temas para grupos de 400, 500 pessoas. Ali começou a surgir uma coisa interessante. Abrindo um parênteses, já que você gosta de um parênteses, deixa eu abrir um parênteses. Eu me lembro, uma das palestras que eu dava, eu abria e fechava um encontro de jovens. E o encontro começava na sexta-feira, e acabava no domingo. Então era a primeira palestra, e eu era a última palestra. Eu me lembro, eu montando aquela palestra a primeira vez, eu falava qual é meu papel aqui? E na sexta-feira à noite, encontro de jovens na igreja, você trem pessoas que querem, e tem muita gente na verdade, talvez a maioria, que está resistente para saber o que vai acontecer. E eu entendi que meu papel era começar aquilo, mas não terminar. Então eu montei a primeira palestra, eu criava um ambiente, contava histórias diversas na palestra, porque as pessoas se envolvem com story telling, né? Botava uma capa, tocava um sino, e as pessoas entravam naquele ambiente, e a minha última história, eu não acabava, eu saía da sala sem o pessoal bater palma, agradecer, despedir. E aí aquilo ficava em um suspense, para o pessoal voltar no sábado. Então essa história de estar junto lá em uma sala de aula, começou com isso.

Mas, fechando os parênteses, voltando para o que eu estava te contando. Quando eu estava na minha última semana do mestrado, surgiu esse processo seletivo. E eu fui…

Luciano Pires: Na própria GV?

Artur Motta: Não, não era GV. Era em uma outra instituição de ensino aqui de São Paulo, um curso de administração. Eu posso falar o nome, na FECAP, onde eu estou até hoje. Eu gosto demais deles, é fantástico. Eu dou aula de graduação lá, há 10 anos. E eu fui fazer entrevista, e quando eu terminei a entrevista, processo seletivo, no mesmo dia o coordenador me chamou. Isso foi coisa de uma semana. Eu cheguei em casa superfeliz, contei para minha esposa. A minha esposa Luciano, “você, depois de 2 anos, estudando a noite, agora vai dar aula?”. Então foi um estresse aquela situação. E eu olhava para a minha esposa, eu falava, “mas Dani, olha só que coisa legal. Eu vou fazer uma coisa que eu gosto, e ainda vou trazer dinheiro para dentro de casa”. Tem gente que vai jogar futebol, gente que vai andar de kart. Eu vou botar dinheiro dentro de casa.

E isso foi uma coisa nesse período, que tinha o lado da negociação, do dia a dia na empresa, que era uma coisa bem pesada, bem estressante. Mas, por outro lado, eu saía à noite, eu me revigorava, indo compartilhar esses conhecimentos, indo falar com as pessoas, trazendo insights, acordando algumas mentalidades.

Luciano Pires: Você, nesse momento, começa aí sua transição?

Artur Motta: Começa aí minha transição.

Luciano Pires: E aí você começa a sentir tezão de estar na sala de aula, dando aula, e já não tanto tezão de estar na empresa, conduzindo, etc. e tal, aos 40 e tantos anos de idade. Sabendo que na empresa você tinha uma grana certa, e que como professor, a coisa ia variar um bocado. Imagino que seja uma diferença grande. Você tinha filhos?

Artur Motta: Na época do mestrado nasceu Henrique e Julia. Eles são gêmeos, estão com 11 anos hoje. Talvez a maior peça que a vida me pregou, de me oferecer gêmeos.

Luciano Pires: Então você já tinha família, com filhos, etc. e tal. Vamos lá para a hora que você vai ter que virar a chave. Chega uma hora que bom, eu vou ter que escolher um lado… como é que é isso?

Artur Motta: Isso demorou 10 anos. Então acho que assim, quando várias pessoas vêm conversar comigo sobre a carreira acadêmica, a intenção de mudar, eu acho que tem algumas coisas que eu coloco para eles. A primeira, qual é a velocidade dessa transição? Eu, quando comecei a dar aula, eu não pensava em ter uma carreira 100% acadêmica naquele período. Eu comecei a fazer uma coisa que eu gostava. Da mesma forma, como lá no passado, eu fiz vários cursos que eu gostei.

Luciano Pires: Era quase um hobby que te dava uma graninha.

Artur Motta: Exatamente. Um hobby que me dava uma grana, e me deixava muito feliz em fazer aquilo. E aí eu continuei abraçando a vida executiva. Passados 3, 4 anos, eu falei, eu gosto muito disso. Eu falei, eu comecei a ver que aquilo à noite, apesar de ser a noite, eu gostava muito de fazer aquilo. Me revigorava, eu sentia que eu fazia a diferença. Eu sentia que eu fazia aquilo muito bem, pelo feedback dos alunos. Tem algumas metodologias que depois a gente pode compartilhar, que eu acho que são interessantes.

Então, eu sentia que eu fazia aquilo muito bem. E eu comecei a entender daquele mundo. Então eu acho que quando você fala da transição, eu comecei a entender para onde eu vou, antes de eu querer ir.

Eu comecei a entender as coisas positivas, e as coisas negativas. Coisas, por exemplo, várias pessoas eu converso sobre carreira acadêmica, que me procuram, e eu falo, você tem consciência de que suas noites são mais importantes do que seus dias, e suas manhas? Ou seja, onde você vai trabalhar? Você vai trabalhar muito mais à noite, do que de dia, e de manhã.

Não sei se você lembra que eu comentei a importância da família para mim, o que era muito positivo, porque as vezes eu ficava, consigo hoje dar um suporte muitas vezes, levar um filho no médico, alguma coisa. E minha esposa consegue me dar um suporte do outro lado. Então, você tem consciência que sábado são dias úteis para você. Você tem consciência de que você tem que estudar muito. Para ser professor, você tem que estudar. Então, eu tenho muitas horas de dedicação de estudo. Você tem consciência da dinâmica de agenda, diferente de um executivo que eu tenho horário de entrar, e horário de sair. Todo semestre, minha agenda muda. Então lá em casa, a gente não sabe como é que vai ser semestre que vem.

Esse semestre, minha escala de… minha locação de horas, eu to com aula fixa segundas e quartas, e terças e quintas eu vou começar a ter aula agora, mês que vem, que vão 3 meses seguidos. Depois, eu fico de novo sem terça e quinta. Mas depois vem outro semestre, que eu não sei o que que vai dar. Então, tem uma certa instabilidade, insegurança, que no mundo executivo não tem.

Você dá aula, e você recebe muito feedback. O mundo acadêmico, é recheado de feedbacks. Mas o mundo executivo também. Mundo executivo você tem um feedback forte, vindo do seu gestor. No mundo acadêmico, você tem 50 alunos, 60, 80, 100 alunos, que te avaliam no fim de cada curso. Então, no fim de cada semestre, eu recebo 3, 4, 5 avaliações, cada uma das aulas que eu dei.

Então são coisas que você tem que pensar o sim ou não. Mas o período de transição, eu comecei a entender isso. E foi interessante, porque a gente conversou, nós dois já falamos sobre o início da minha vida, porque que eu fiz administração, eu não tinha o conhecimento do que seria a carreira acadêmica, e que a carreira acadêmica era uma alternativa. E que eu gostava, e que eu tinha várias características, competências, que estariam atreladas a essa minha intenção.

Isso tudo começou a surgir a partir daí. Então, os feedbacks positivos, as avaliações, as pessoas me chamando para de repente ter uma outra aula, dar outro curso. Você vai vendo uma aceitação. E não tem como não dizer, que todo esse histórico de estra no dia a dia, na Unilever, na frente de uma negociação, não me deu uma bagagem que eu uso hoje em dia em sala de aula, e que talvez seja um ponto de diferença nessa carreira. Desculpa, não nessa carreira, mas seja um diferencial meu, perante alguns outros colegas.

Luciano Pires: Que matérias que você trabalha?

Artur Motta: Vamos lá. Eu hoje, eu estudo empreendedorismo digital, essa transformação digital, e estudo muito gameficação.

Luciano Pires: Estudo, quer dizer o que?

Artur Motta: Estudo, onde eu me preocupo em publicar artigos, em desenvolver o conhecimento. Avançar com o conhecimento. Então, essas são as duas áreas de estudo que eu to mais forte.

Luciano Pires: Gameficação?

Artur Motta: Gameficação, e empreendedorismo digital. E dar aula, como minha carreira sempre foi na área de marketing, eu dou diversas cadeiras em Marketing, e eu dou algumas em estratégia também, porque empreendedorismo junta estratégia. Mas aí eu dou essas aulas, estudo publicação, são as outras duas.

 

Luciano Pires: Muito bem, você está no LíderCast, que é um PodCast focado em liderança e empreendedorismo, que proporciona conversas nutritivas com gente que está aí para provocar mudanças. O LíderCast faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar. Ao transformar o seu smartphone em uma plataforma de aprendizado continuo. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida.

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Você já tá no mundo da startup, não?

Artur Motta: Eu to discutindo bastante coisa de startup, muito.

Luciano Pires: Com os alunos?

Artur Motta: Com os alunos.

Luciano Pires: O que que tem lá na empresa, o que que é?

Artur Motta: Não, a gente discute muito, por exemplo, o que que isso vai impactar no futuro, qual o futuro do emprego com eles, como é que eles têm que se preparar com isso. Eu trabalho muito conhecimento, mas, mais do que conhecimento, o que eu me preocupo muito nas minhas aulas, é discutir competências. Porque, por exemplo, uma das matérias que eu dou, eu trabalho muito a competência, porque uma das matérias que eu dou. Eu, há cada semestre, mudo 20% do conteúdo. Para garantir que eu trago coisa nova. Só que, mesmo assim, significa que 20% do conteúdo mais ou menos, tá ficando obsoleto a cada semestre. Então significa que daqui há meia dúzia de anos, esse conteúdo todo já mudou. Então, eu preciso me preocupar, e aí vem essa questão do digital, eu preciso me preocupar muito em desenvolver as competências com os alunos.

Como você age? Como você se atualiza? Como você se preocupa, de repente, em buscar novos conhecimentos? Como você cria esse repertorio? O que que você tem de diferencial, e como você trabalha isso?

Então, eu me preocupo muito com isso. Nessa disciplina, por exemplo, esse semestre a gente tá discutindo gestão de crise, depois de Brumadinho, depois de Lava Jatos, etc. A gente tá discutindo isso, a gente tá discutindo a questão da diversidade, que é um assunto super em pauta. A gente tá discutindo economia compartilhada. Então, a disciplina que eu tenho liberdade de trazer os assuntos, que muitas vezes não são vistos na academia.

Luciano Pires: Você tá atuando nível de pós-graduação, mestrado?

Artur Motta: eu atuo em graduação, e pós-graduação. Eu não…

Luciano Pires: Você tá com uma garotada… Na graduação você tá com uma garotada, na pós, um pessoal mais, imagino que na pós, você já pega profissionais. Você tem uma plateia de profissionais. Na graduação, você ainda pega uma molecada que já está lá para se preparar, para definir o que que vai fazer lá na frente.

Como é que você tá vendo essa garotada nova que tá pintando, essa molecada nova que vem aí, que vem com aquela ideia de que é o seguinte. Eu na minha época, eu tive que ter determinadas matérias, determinadas leituras, determinadas demandas que essa molecada não tem mais hoje em dia. Não tem mais profundidade da leitura, que eu tive que ter naquela época, 40 anos atrás. Mudou. E meu pai, muito mais do que eu, 40, 80 anos atrás.

Essa molecada vem sem esse estofo, por outro lado, vem com uma capacidade de exercer a curiosidade, de ter acesso as coisas, de flexibilidade, de assumir risco, que me parece que é muito maior do que era comigo. Na minha cabeça, eu vou arrumar um emprego em uma grande empresa, vou construir minha carreira, vou comprar minha casa, minha família, etc. e tal. E se tudo der certo, eu ficarei aqui 25, 30 anos, e me aposentarei lá na frente. Era assim na minha época.

Hoje em dia é o seguinte, eu fiquei aqui, não deu certo, foda-se, já saí, já vou para outra. E se tiver que ir eu saio, e mudo quantas vezes quiser, e me caso com a pessoa, se não der certo, eu descaso na semana seguinte. Tem um desprendimento dessa molecada, que é muito característico dessa… É a realidade do mundo liquido, do Balmann, do fluído. Você tem notado isso na sala de aula, você vê essa molecada, porque você vê por ondas. Cada ano, vem uma onda nova chegando para você. Você tem assistido isso acontecer, como é que você tem…?

Artur Motta: Tem coisas muito legais. Por exemplo, primeiro, acho que você tem dois tipos de aluno que aparecem com frequência. Tem aquele aluno que muitas vezes olha para o professor, e encara o professor como esse cara é um obstáculo para conseguir meu diploma. Eu preciso passar por esse cara. E tem aquele outro aluno que te olha, puts, esse cara é uma ferramenta para os meus objetivos. Então, você tem esses dois tipos de aluno. E eu olho muito para eles, e olho com o que que eles estão trazendo, o que que eles têm de repertorio. E aí tem os detalhes interessantes. Por exemplo, teve uma vez que eu tava dando aula, para você ver como que muda. Eu tava dando uma aula de liderança. E aí eu botei no quadro, projetei na tela, vários líderes, e pedi para eles. A partir de semana que vem, cada grupo vai apresentar um dos líderes. Vocês têm aqui algumas escolhas, e podem escolher quem vocês querem. E eles levantaram a mão. Professor, eu posso escolher líderes que não estão nessa lista? Falei, pode. Só valida comigo quem você quer. Quem você está pensando? E o aluno me responde, professor, eu queria discutir Pablo Escobar. Ele devia estar assistindo Narcos, e você vai assistir Pablo Escobar, e falei, tudo bem, vamos discutir Pablo Escobar. Mas, vamos discutir Pablo Escobar tendo outras fontes que não seja só Narcos, por favor.

Então, a gente entra com esse tipo de discussão. Eu aprendo demais com eles. Esse tipo de provocação, do que que eles estão assistindo, isso é uma das coisas que eu mais gosto. Eu olho para aquela sala de aula, e vejo ali, tem que ter uma troca.

Luciano Pires: E você tem que ter o repertório deles, porque se o moleque chega lá e começa a discutir uma realidade de Black Mirror, e você não tem a menor ideia do que é Black Mirror, porque não assistiu a série no Netflix, fica complicado para um professor. Como que eu penetro na armadura dessa molecada, se eu não tenho a ferramenta para me aproximar deles?

Artur Motta: então, aí vem a questão acadêmica. Você, quando discute essa… muita gente fala comigo. Você está preparado para isso? Você está disposto a isso? Eu tenho que me atualizar. Por isso que eu digo, eu não acredito no professor sem o estudante. Eu tenho que estudar. E eu gosto muito de me aproximar, e buscar essas alternativas.

Então por exemplo, uma das coisas que eu faço, eu uso muito aplicativo em sala de aula. Eu tenho uma lista com mais de 30 aplicativos, para diversas finalidades em sala de aula. Então hoje em dia, quando eu peço para eles lerem texto, várias vezes, esse texto é lido fora de sala, em casa, eu várias vezes abro com um game de perguntas e respostas, para eles responderem.

Luciano Pires: O smartphone é ferramenta.

Artur Motta: Smartphone tem que ser ferramenta.

Luciano Pires: Para sala de aula.

Artur Motta: Inclusive, outro dia tinha um aluno que não parava de usar WhatsApp na sala de aula. E aí eu olhava e puts, esse cara não tá prestando atenção. Eu preciso trazer atenção para esse cara. Eu falei, bem, vamos fazer uma ação promocional aqui, vamos vender esse smartphone. Eu peguei o smartphone do aluno, e ele parou de usar o smartphone, e a gente fez toda ação promocional. Claro que depois eu devolvi o smartphone para ele na mesma hora, mas eu consegui captar a atenção dele. Então você tem que ter esse jogo de cintura, de captar.

Tem aulas, por exemplo, que eu entro em sala de aula com 2, 3 aulas preparadas, porque eu não sei qual vai ser a dinâmica da turma. Eu, frequentemente, para cada uma hora de aula, eu chego a me preparar 4, 5 horas, de preparo para entrar na sala de aula.

Porque teve um curso que eu dei recentemente, era a primeira vez que eu estava dando aquele curso, sei que era um curso importante para a instituição, eu entrei em sala de aula, tinha plano A, B e C.

Claro, eu sei quem eram as pessoas antes, mas a turma era a última aula do curso que eles estavam fazendo, eu não sabia qual era a dinâmica que eles estavam. Então, entrei com uma aula mais participativa, com uma aula mais expositiva, com uma aula mais de mão na massa. Então eu entrei com aquelas três. Mas você vê essas discussões acontecendo. Você me perguntou sobre a mentalidade deles. Eu tive uma aula que eu dei para graduação, foi muito interessante, vários dos alunos, a grande maioria, dizendo que não trabalhariam por exemplo, em uma Odebrecht. Não trabalhariam em uma Vale, pelos valores, propósitos.

E aí, obviamente, eu como professor, independente de gostar ou não, concordar ou não, eu tenho que trazer o contraponto. Eu tenho que fazer eles crescerem na visão deles. E aí comecei a discutir isso. Então, isso é uma coisa muito bacana, porque você vê essa mentalidade. Isso me ajuda muito com Henrique e Julia, meus filhos. Isso me ajuda muito a trabalhar com eles. Porque começa a entender a realidade deles.

Luciano Pires: Esse insight é interessante, porque você vê. Nós estamos conversando aqui, ontem o ex-presidente do Peru se matou, quando soube que seria preso em função do escândalo da Odebrecht. Acho que talvez seja o suicídio mais conveniente da história, muito conveniente o suicídio, mas não é esse o ponto. O ponto é aquele, que você tem uma empresa, do tamanho, da força, da qualidade que tem uma Odebrecht, uma Petrobras, e que de repente em função de alguns escândalos que acontecem lá, se destrói esse… como é que eu vou chamar isso. Tem um baú de conhecimento ali, que aquilo é um tesouro. E você destrói aquele baú de tesouro, em função de meia dúzia de caras, que por um dos seus valores acabados ali, acaba destruindo aquilo lá. E se perde essa entidade, que a entidade em si não tem culpa. Aquele grupo de 20, 80 mil funcionários, trabalhando para construir alguma coisa, não tem culpa daquela meia dúzia de bandidos que usou aquilo para roubar. Então, como é que eu tiro esse tumor fora, e mantenho o corpo vivo, né? E você trouxe um negócio interessante que é o seguinte. Imagina o impacto dessa coisa, em um gap de uma geração. Quer dizer, toda aquela molecada que até então vinha se preparando, cara, eu vou me preparar para quando pegar meu diploma, eu quero trabalhar na Odebrecht, na Petrobras. E agora não, não quero mais, para esses eu não vou. E de repente, você vai ter um gap de uma geração de garotada boa que podia estar lá, que vai dizer não, lá eu não quero mais.

Esses caras vão sofrer, daqui a pouco, porque a mão de obra que viria, já vem com o nariz torcido. A ponto de talvez ter que mudar a marca. Essa marca não pode, irremediavelmente perdida, né? E imagina o que que isso traz como consequência para o cenário econômico brasileiro. Se uma Odebrecht vai mal das pernas e quebra, não tem outra do lado para falar, deixa que eu assumo. Tem coisas menores, muito pequenas. Mas é um outro ambiente, outra estrutura.

Artur Motta: Não, quando você fala o que tá na cabeça deles, eu não sei. Eu não sei o que tá na cabeça de uma turma. E eu preciso ir me adaptando a cada uma das turmas. De novo, tem um grupo ali que tem essa experiência, conhecimentos. Uma das coisas, tem uma disciplina que eu dou, que eu gosto muito, que a gente faz um debate, que é essa que eu discuti, que falei com você, que a gente discute crise, tal. E no final da aula, eu peço sempre para eles escreverem 2 perguntas com respostas. Então eu pego ao final da aula, e entre uma aula e outra, eu leio essas perguntas e respostas. Com isso, eu fico sabendo o que tá na cabeça deles. O que eles gostaram, não gostaram, o que estão com mais dúvidas, o que eles não discutiram. Para eu, como professor, voltar na próxima aula e identificar quais são os pontos.

E uma das coisas que começou a surgir, foi muito essa questão, a gameficação, entrei nessa história, em questão disso.

Luciano Pires: Uma demanda da molecada, da garotada.

Artur Motta: De uma demanda da molecada. Quando você vê, eu comecei a me perguntar, espera aí, o que que tem hoje de repente na minha aula, porque que eu to perdendo as vezes para um celular, o que que tem em um celular que faz eles investiram tanto tempo? Eu falei, vou entrar nessa história de gameficação. E aí comecei a juntar, coletar uma série de coisas, juntei esses aplicativos, e hoje eu tenho um portfólio interessante. Que começa, inclusive, a chamar atenção das empresas. Então, tenho tido algumas demandas bem gostosas, eu não diria nem… porque é muito legal você estar fazendo uma coisa que você gosta.

Luciano Pires: E você comentou que tá usando PodCast em sala de aula.

Artur Motta: Eu uso PodCast em sala de aula, Luciano.

Luciano Pires: Como começou isso?

Artur Motta: Começou por você. Na verdade, a gente não contou, não falou nada sobre isso antes, mas, quando eu tava lá no varejo, que eu comecei a ouvir PodCast, foi mais ou menos ali que eu descobri PodCasts, e o Café Brasil estava em um dos primeiros que eu descobri.

E eu ouvia muito você falar, da questão do proposito, falando da sua transição. E o PodCast era interessante, porque eu pegava vários PodCasts de diversos assuntos, que também aumentavam meu repertorio. Isso que eu falei de sempre me preocupar. E eu tento compartilhar isso com os alunos. Então hoje em dia, eu dou, eu continuo dando aquela aula de liderança, em que o trabalho dos alunos, eles se dividem em grupos, e cada aula um dos alunos apresenta um do LíderCast. Eles entram na página do LíderCast. Eles escolhem, e em cada uma das aulas, assim, um pouco da construção que eu faço pelo aluno. Eu não posso definir qual é o PodCast que ele vai ler, vai ouvir. Mas, eu dou o LíderCast para ele, e ele escolhe aquele que ele se identifica mais. E na aula seguinte, ele tem que fazer apresentação daquele Lider, mas com todo embasamento teórico.

Luciano Pires: Tirar os insights que ele recebeu, ouvindo a… E a gente que faz o programa, não tem a menor ideia que essas coisas estão acontecendo lá na ponta.

Artur Motta: Uma outra aula que eu dou, dou uma aula de inovação e criatividade, que aliás tenho uma história ótima para te contar de inovação e criatividade. Daqui a pouco eu faço esse parênteses, mas deixa eu te contar da aula de inovação e criatividade. E aí na aula de inovação e criatividade, eu dou para eles também uma serie de PodCasts, e aí eu falo de você, falo do clube da música autoral, eu falo do ResumoCast, falo do fronteiras da ciência, enfim, tem vários que eu trago para eles. Aí dou uma dúzia, duas, de episódios, que são coisas que foram discutidas, que não tem a ver com administração. E a tarefa deles é ler, ouvir esse PodCast, e trazer insight, e como eu relaciono, como eu aplico isso que eu to ouvindo a administração. Porque quando você fala da economia fluida, grandes insights surgem quando você sai do seu vicio, quando você sai do seu viés. É o que aconteceu com todas essas empresas de garagem famosas, porque o cara não tava com aquele vício do que eu posso, do que não posso.

Então nessa aula de inovação e criatividade, eu uso isso. E eu uso uma série de artifícios. Uma das coisas, dos bastidores da aula de inovação e criatividade, para ver aplicando isso no dia a dia, como falei, eu tenho Henrique e Julia, que são gêmeos. Quando Henrique e Julia tinham por volta de 5 anos, eu tava com a minha esposa, a gente começou a discutir, “vamos pegar uma pizza, e um queria uma pizza de um sabor, outro queria pizza de outro sabor”. Eu me peguei com o seguinte desafio, Luciano. Cara, eu vou ficar discutindo isso até meus filhos terem 20 e tantos anos, quem pode, quem não pode. Eu tenho que achar um jeito de fazer isso. Eu peguei toda essa bagagem de inovação, criatividade, comecei a pensar alternativas, e trouxe uma sacada, que talvez seja uma sacada para os ouvintes do Café Brasil. Par e ímpar. Quem nasceu primeiro? A Julia? Então todo dia 1, 3, 5, todo dia ímpar, a Julia é quem vai escolher o sabor da pizza, é quem vai primeiro tomar vacina, é quem vai escolher onde quer sentar no carro, vai escolher o filme. O Henrique, nos dias pares, sempre vai ser… Então, tem a ver com essa questão da criatividade. Você sair do problema, e olhar do lado de fora.

Luciano Pires: Eu tenho uma história excelente dessa aí, que é um case que eu li há um tempo atrás, que evidentemente já faz muito tempo que aconteceu, mas é uma mulher, que ela tá no avião, uma executiva viajando, e uma criança enchendo o saco de todo mundo no avião. Correndo no corredor, para lá e para cá, a criança vem com a mão cheia, babada de coxinha, sei lá o que que era. Na verdade, não era coxinha, porque essa história acontece fora do Brasil, vem com tudo, e vai botar a mão no vestido dela. Puta, ninguém aguenta aquela criança. É um saco. Até que na hora, uma aeromoça vem, e fala uma coisa com a criança, e leva a criança com ela. E essa criança acalma. Levou lá para ver a cabine, etc. e tal. Hoje não pode fazer isso, na época podia. Quando ela volta, avião desceu, essa mulher vai falar com a aeromoça. Poxa, mas você foi tão cari0nhosa, você pegou a criança, o que que você fez? Como é que você teve essa sacada? Ela falou, ao invés de eu pensar com a minha cabeça, de como é que eu me livro dessa criança que tá me enchendo o saco, eu pensei com a cabeça da criança. Como é que a criança pode encontrar alguma coisa que seja mais legal, para ela poder botar energia dela, do que ela ficar enchendo o saco dos passageiros. Nada melhor do que levar ela lá e pilotar o avião, fingir que ela tá pilotando. No momento que ela muda o ponto de vista, ela fala, eu vou resolver o problema da criança. E não o das pessoas. E ao resolver o da criança, eu resolvo o de todo mundo. Aquela história, criança dentro do avião, aquilo é boring, né? É um saco. O que que eu vou fazer? Vou gritar. Resolve o problema dela, ela resolve o…

Artur Motta: E ela aprendeu isso em um livro? Tinha teoria ali dizendo o que fazer com a criança?

Luciano Pires: Mas quando você vira, tem a questão, qual é a ideia? Virar para o pai da criança, dar um esporro no pai e na mãe, segura essa criança, amarra ela, bota num canto, que não vai resolver nunca o problema. E na virada, ela acaba resolvendo. Tem tudo a ver com o que você falou aí.

Artur Motta: Essa questão da competência. Muitas vezes eu chego na sala de aula, e eu não sei o que eles têm de expectativa, o que eles querem. Então eu deixo muitas vezes, tem que ter a troca. De novo, vamos voltar na transição. Uma das coisas que para mim eu gosto, mas isso eu fui achando, Luciano. Eu acho que hoje em dia, no momento que nosso país vive, tem muita gente falando de transição, tem muita gente procurando alternativas, seja pela falta de emprego, seja pelos seus 40, 50 anos, que começa a questionar. E aí eu te digo o seguinte. O processo não pode ser rápido. Vamos lá. Eu não sou especialista em um assunto transição, mas eu te digo o que eu vivi. O processo não pode ser rápido.

Luciano Pires: A minha levou 8 anos, cara. 8 anos conscientes.

Artur Motta: Você diz que já acabou?

Luciano Pires: Não. Mas a transição quando eu saio do ambiente corporativo, para virar um empreendedor, isso durou 8 anos. E não foi 8 anos esperando acontecer. Foi 8 anos trabalhando para que acontecesse. O dia que tava maduro para acontecer, foi assim, cara, saí e já estou aqui. Mas para chegar nisso, foram 8 anos de trabalho, de construção, de reparação. Vou preparar outra casa, quando ela tiver pronta, eu salto para ela. Não foi aquela coisa… ah, enche o saco, não quero mais. Chuta o pau da barraca, e… não cara, não vai.

Artur Motta: Vou fazer o paralelo para a minha. A minha demorou 10, eu comecei a pensar. Depois de uns 4, 5, eu comecei a entender o que eu tava, comecei a ter clareza do que eram os pontos positivos, o que eram os pontos negativos. Onde eu ia sair ganhando, onde ia sair perdendo. Fiz um balanço. E de novo, conversando muito com a minha esposa, e aí tem muito a agradecer, realmente é uma pessoa fantástica que eu agradeço a Deus muito estar junto comigo. E eu espero poder retribuir a ela, espero poder retribuir a ela, da mesma forma que retribuiu comigo. Falo isso com muito carinho, porque tenho certeza que no dia que esse PodCast for publicado, ela vai ouvir. Faço questão de fazer essa homenagem a ela.

Luciano Pires: Como é o nome dela?

Artur Motta: Daniele. E aí depois de 4, 5 anos, juntos, a gente chegou a conclusão que seria o momento. E eu comecei a identificar, tem uma coisa legal Luciano, eu comecei a identificar quais eram os passos para fazer essa transição.

Luciano Pires: Você conversou com colegas, hoje colegas, mas com caras que já estavam lá, professores, para entender como era a realidade desses caras. Como é a vida financeira de um professor. Como é atuar? Você conversou com gente assim, para entender a agua que eles estavam nadando?

Artur Motta: Conversei, porque vale a pena destacar. Eu demorei uns 3, 4 anos, para entender que aquilo era uma alternativa. Eu não tinha visto aquilo como uma alternativa. E aí quando vem esses questionamentos todos dos 40 de vida, eu falei, isso é uma alternativa que eu gosto. Então conversei com eles, para entender. Quem fez, o que fez, para ver dentro das alternativas, porque ser professor, é a pontinha do iceberg. Na verdade, você tem uma série de coisas que vem junto com isso. Você tem os professores que também são consultores, você tem os professores que são pesquisadores, gestores acadêmicos. O que aparece é ali a sala de aula. Mas para eu preparar uma aula, são 4, 5 horas, para cada hora de aula em sala de aula.

Então eu conversei com vários colegas, o que que eles faziam, o que não faziam, o que eles faziam bem, mal. Teve um colega, que me perguntou, eu fui conversar com ele, falei olha, eu quero fazer o processo do doutorado, que eu to atualmente fazendo meu doutorado, inclusive. E eu quero fazer processo seletivo para doutorado. Ele falou, qual processo, quando é seu processo? Eu quero tentar o que é daqui há 6 meses. Então, você tinha que ter conversado comigo há 2 anos atrás. Falei poxa, foi uma paulada tremenda ali. Mas por que que eu tinha que ter conversado com você há 2 anos atrás? Me dá os elementos, ele me deu os elementos. Desses elementos que você está me dando, alguns eu não fiz realmente, mas alguns eu já fiz. Então, talvez, o que que eu ainda consigo correr atrás sobre isso, né? E comecei a entender, comecei a conversar. Levei minha esposa para conversar. Isso é uma coisa interessante. Minha esposa foi conversar com meus futuros colegas, hoje colegas, para entender o que era. Com as esposas deles. A gente saiu para jantar. A gente teve uns 3 jantares, se não me engano, com as respectivas esposas.

Luciano Pires: Porque você vai arrastar a família junto. A mudança como essa aí, você vai levar o pessoal, e queira, não queira, muda tudo. Não é porque só, ao invés de vender pão, agora vou vender salsicha. Não é assim. Houve uma mudança. Até você vai começar a levar para casa, um tipo de demanda que você não levava antes. Na minha empresa, que eu trabalhava, eu sabia, chegava em casa à noite, o que tem para fazer? Não adianta agitar muito, porque eu já saí do horário comercial, eu vou terminar algum trabalho no computador. Você como professor, vai levar, vai estudar. Tem um determinado tempo que eu to na minha casa, não to sentado de papo para o ar. Se eu não estiver estudando eu não consigo me prepara. Então, muda o seu jeito de ser, e acaba consequência para a família inteira. Quer dizer, ela tem que ser levada junto com essa transição.

Artur Motta: Vale ressaltar que de novo, teve um processo lento, calmo, longo. A gente é muito ansioso. A gente quer resolver as coisas rápido. E eu acho que o mundo das empresas, é muito rápido, muito ágil. Mas, quando você fala da nossa vida, nossa transição, quanto tempo você vai levar? Então aí tem um colega meu que estuda isso, que estuda transição de carreira, e ele conta que hoje em dia, com o aumento da expectativa de vida, você vai ter várias carreiras durante a vida. O ponto, você não pode nunca deixar de aprender, e nunca deixar de se movimentar. Nunca se acomodar. Você fala da história do Clark Kent, super-homem, eu uso muito, a minha transição começou como Clark Kent, super-homem. A sua começou. Então, o fato de…

Luciano Pires: Para quem tá ouvindo a gente e não sabe dessa história aqui, que eu costumo dizer que depois que eu voltei do Everest, eu volto do Evereste, encaro mais 8 anos de carreira, onde de dia eu sou Clark Kent, termo e gravata, trabalhando como executivo em uma grande empresa. E a noite eu sou super-homem. Aí eu to escrevendo, to fazendo cartoon, to criando um outro tipo de coisa, que lá na frente vai ser aquilo que eu vou conduzir. Mas, essa vida de dois personagens, que na verdade é um só, mas que tem que ter posturas totalmente distintas, ao longo do dia.

Artur Motta: E eu acho que é o seguinte. Acho que o grande insight, eu não troquei pelas coisas que estavam me chateando, ou que eu não gostava do que eu tinha para trás. Eu troquei, porque o que eu via para frente, eu gostava mais. E acho que esse é um outro ponto também interessante. Sempre tem coisa boa, e coisa ruim. Na vida, tem coisa boa, e coisa ruim. Na família, tem coisas boas, e coisas ruins. No trabalho, no seu carro. Você vai trocar pelo que você não tá gostando, você não sabe o que vem pela frente.

Luciano Pires: Eu tenho milhares de casos de gente que trabalhou comigo, e que me enche o saco, não aguento mais, tchau, vou trabalhar em outro lugar. Eu encontro a pessoa meses, anos depois, meu, que cagada que eu fiz. Porque onde eu estava há tanto tempo, eu só consegui olhar defeito. E a hora que eu saio de lá, e vou para outro lugar achando que era uma maravilha, eu descubro que os defeitos que estão lá, são muito maiores dos que eu tinha. E tinha uma porrada de coisa legal, que eu deixei de ter. Porque eu não tinha olhos para o que era bom. Eu não conseguia enxergar o que era bom. E tive que mudar, e tive que olhar de fora, para ver tudo aquilo que eu perdi. E a pessoa não tem capacidade de olhar o bom, falar cara legal, tem custos e tem ganhos. O pessoal fica de olho no ruim, naquilo que é uma merda, que me incomoda, e faz com que seja maior do que aquilo que te contribui você a crescer.

De repente para se livrar da incomodação, abre mão de coisas que não vai ter mais lá na frente.

Artur Motta: A transição, ela me exigiu esforço, dedicação, conhecimento, muita reflexão. É claro que nunca foi 100% tranquilo. Tem vários momentos em que a cabeça mexeu. Hoje ainda eu faço meu doutorado, então eu to no processo. Mas aí eu chego de noite em casa, e converso com a minha esposa, e falo, eu to na transição, mas eu tenho certeza de que para onde eu to indo, essa transição não vai ser eterna. Não é que eu vou chegar em um momento que eu vou me acomodar. Eu entrei em um processo de eterna transição. Principalmente no meio acadêmico, estudar é muito… eu gosto muito de estudar, ver coisas novas, compartilhar, tentar traduzir aquilo de uma forma mais bacana, mais fácil para os alunos. E quando eu entro em uma sala de aula, nem sempre em sala de aula, tem uma aula que eu dou que é de EAD. Então, são 120 alunos as vezes na turma, eles me vendo, e eu não os vendo. Eu falo, como que eu posso trazer conhecimento, como eu posso aprender também? O que eu gosto não é de ensinar, eu gosto de aprender, e eu gosto de fazer essa troca.

Luciano Pires: No ensino a distância, você só dá.

Artur Motta: Essa aula foi muito interessante, porque eu tive que achar jeitos. Como é que eu seguro uma turma por 1 hora e meia, assistindo eu. Eu não sou tão bonito assim, para o cara ficar 1 hora e meia me olhando. Então eu ciei uma série de atributos.

Luciano Pires: Não tem que ser bonito, tem que ser interessante. Sou feio, mas…

Artur Motta: Essa aula é as 8 horas da noite. Então lá pelas tantas, eu faço as vezes algumas perguntas, para provocar interação. E as vezes os alunos respondem. Eu falo, gente, dá para parar de comer, e responder? Mas professor, como você sabe que a gente tá comendo? Não, câmera tá ligada, inclusive tem meia dúzia que tá de pijama, 10 que estão de camisa branca. Professor, você tem acesso a nossa câmera de computador? Não tenho Luciano, mas estatisticamente 120, vai ter gente de pijama as 8 horas em casa.

Então são provocações, que… e aí eles começam a se interessar.

Luciano Pires: Você tá fazendo doutorado em que?

Artur Motta: em Marketing, na Fundação Getúlio Vargas.

Luciano Pires: Também lá, é pesado cara. Tem que estudar para cacete.

Artur Motta: Tem que estudar para cacete, mas eu durmo feliz. Cada dia que eu volto, eu leio, gosto, estudo. E assim, eu acho jeitos de compartilhar. Então felizmente, eu to dando aulas em algumas instituições. Ainda é um caminho porque várias instituições ainda nenhuma é aquela que você tá 100%. Às vezes você tá em uma turma, outras vezes você não tá. Depende muito das suas características. Mas, eu convivo com pessoas que me despertam conhecimento, que tem ânsia de aprender, que querem aprender, e que então isso é uma coisa muito bacana. É um querendo trocar com outro.

Luciano Pires: Poe você num mood, de eu quero mais, preciso de mais. Eu to sendo demandado. E para atender a demanda, eu vou ter que me preparar melhor ainda. E se quem tem contato comigo tá ganhando com isso, tá melhorando também, vai me exigir que melhore mais, e a cada dia eu tenho que star um pouco melhor do que eu era antes, que é o grande lance. Essa é a transição para o resto da vida, cara. Quero morrer melhorando, e não morrer piorando.

Meu caro, você já tá em mídias sociais? Quem quiser te conhecer, mandar um recado?

Artur Motta: Não, eu to fazendo meu doutorado.

Luciano Pires: Mas você deve ter uma página. Um Linkedin.

Artur Motta: Tenho Linkedin. To como Artur Motta. Sem H, com dois TT. Sem fui um dos primeiros, meu Linkedin é só Artur Motta, meu Skype também é só Artur Motta. Sempre fui um dos primeiros a abrir todas essas mídias que surgiam. Então, é um caminho, o e-mail também é caminho. Porque realmente, em termo de mídias sociais, realmente eu vou investir daqui a pouco. Por enquanto, eu preciso mais focar em adquirir conhecimento.

Luciano Pires: Você vai dar e-mail aqui? Não?

Artur Motta: Vou dar. E-mail é profarturmotta@gmail.com. Então, repetindo, profarturmotta@gmail.com.

Luciano Pires: Maravilha. Meu caro, bola para frente, agora como doutor, to vendo que o negócio vai longe aí. E quem sabe daqui há um tempo, eu vou chamar aqui para a gente conversar de novo, porque esse lance da gameficação, abre um mundo gigantesco. Eu to nesse momento aqui, trabalhando com um pessoal da França, que eu lancei para eles um desafio. Cara, eu queria montar, gameficar, o processo de orçamento para palestra. Quando aleguem quiser fazer um orçamento de uma palestra minha, eu queria que fosse um game. Porque eu to sacado que quem tá me procurando agora, é uma molecada nova, não é mais os velhinhos do RH, agora é uma molecada. E eu quero fazer com que a experiência daquele momento, seja uma experiência renovadora. Vamos ver se no game dá para fazer. E vem uma proposta deliciosa. To mexendo nisso aí, vamos ver se eu resolvo daqui a pouco. Mas que é você trazer um pouco desse lucido, e botar em um processo, que é um processo frio, chato, pentelho. E é assim para todo mundo. Fala não, espera um pouquinho. Se essa experiência for legal com esse cara, imagina a palestra como que é.

Eu acho que esse lance do game, vai trazer mudanças brutais no processo de aprendizado, no trabalho, comportamento do dia a dia. Acho que vem por aí. Parabéns pela história, pelo processo de mudança, seja bem-vindo ao LíderCast. E você que tiver aí preocupado com seu processo de mudança, se quiser trocar uma ideia, o Artur deixou o e-mail dele aí, pergunta para ele, como que ele fez.

Artur Motta: Fique à vontade, não só com processo de mudança, como também sobre esse meio acadêmico. Extremante realizador quando o aluno chega no fim da aula, e fala, professor, você fez a minha diferença. Eu acho que essa questão do proposito hoje, todo mundo tá preocupado. Então, acha uma forma de você contribuir. Acha uma forma de você contribuir, que você deixa esse legado para a sociedade.

Luciano Pires: Maravilha, bem-vindo meu caro.

Artur Motta: Obrigado Luciano.

Luciano Pires: Grande abraço.

 

Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

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