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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, temos Ícaro de Carvalho, um dos mais influentes profissionais de comunicação, especializado na internet, mídias sociais e um baita construtor de negócios. Que papo fantástico, cara.

Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui eu estava sonhando a fazer há muito tempo, porque eu tava atrás desse cara aqui, vamos ou não vamos? Uma hora vai. Esse cara tem uma agenda que é um negócio maluco cara. Acho que é mais fácil falar com o Bolsonaro, do que com ele. Mas, a gente finalmente conseguiu, e estamos aqui as vésperas de mais um feriado em São Paulo. Já fizemos um almoço aqui, e hoje vai ser um papo muito legal.

Só tem 3 perguntas nesse programa que você não pode errar. Dali para frente, chuta à vontade. Mas, esses 3, não. Seu nome, sua idade, e o que que você faz.

Ícaro de Carvalho: Fala pessoal, é um prazer estar falando aqui com vocês Luciano. Muito obrigado pelo convite. Olha só, preciso te dizer uma coisa. É mais difícil falar comigo, do que com Bolsonaro. Mas, quando eu falo, eu não volto atrás. Risos. Eu me chamo Ícaro de Carvalho, 32 anos, sou comunicador, publicitário, estou aqui para entreter vocês.

Luciano Pires: Boa cara. Já tem um texto pronto, que legal. Você nasceu onde, Ícaro?

Ícaro de Carvalho: Eu nasci em Maceió. Terra do Fernando Collor, é a primeira coisa que me dizem, quando a gente começa a falar sobre isso. Maceió, terra de Fernando Collor.

Luciano Pires: eu sei muito de Maceió, pelas mãos do Djavan, que canta que “Maceió é 3 muié prum homi só”.

Ícaro de Carvalho: Deve ser um pouco mais até, deve ser um pouco mais.

Luciano Pires: Veio para São Paulo criança, como que você fez?

Ícaro de Carvalho: Cara, vim para São Paulo com 8 ou 9 anos de idade. Quando a minha mãe e meu pai se divorciaram, a minha avó morava em São Paulo. Então minha mãe acabou indo para perto da mãe, acabou trazendo os filhos também. Cá estou, desde os 9 anos de idade. Nos últimos 5 anos, acredito, não sou muito bom de data. Nos últimos 5 anos, estou em Santos.

Luciano Pires: Tá na grande São Paulo. O que que seu pai e sua mãe faziam?

Ícaro de Carvalho: Cara, meu pai é médico ainda, médico de vocação fantástico. Um homem extremamente bem colocado no que ele acredita que deve fazer na vida dele. Nunca vi alguém tão feliz trabalhando quanto ele.

Luciano Pires: Que especialidade?

Ícaro de Carvalho: Cardiologista. E minha mãe fez faculdade, acabou indo cuidar dos filhos, e lá ficou, e dedicou sua vida a família.

Luciano Pires: Que legal. Você tem irmãos?

Ícaro de Carvalho: Tenho 2 irmãos mais novos. Eu sou o mais velho. E um deles está em Maceió, a outra minha irmã foi morar fora do Brasil, tá morando na Irlanda. Então cada um acabou seguindo seu caminho.

Luciano Pires: De onde vem Ícaro cara?

Ícaro de Carvalho: Daquela bendita música dos anos 80, sonho de Ícaro, quando todo mundo começou a se chamar Ícaro, ou Bruno. Ícaro tinha uma explicação. Bruno, não.

Luciano Pires: É por causa de uma música?

Ícaro de Carvalho: Por causa de uma música.

Luciano Pires: Cara, eu tenho um conflito na minha casa, que é um conflito histórico. Meu filho chama Daniel. E eu digo para todo mundo, que ele chama-se Daniel por causa de uma música de Elton John que chama-se Daniel. E minha mulher fica puta da vida, porque não é nada disso. Que ela lá atrás achou que ele ia ser Daniel, e que definiu que era Daniel, e eu conto ara todo mundo que é por causa da música. Eu acho muito legal quando você bota um nome, que venha a partir de uma música. Eu acho que foi por causa da história do Ícaro, do voar com as asas…

Ícaro de Carvalho: Filho de Dédalo, né. Não, mas o Ícaro, é o bendito do Ícaro daquela “voar, voar, sorrir, sorrir”.

Luciano Pires: Biafra. Bons tempos.

Ícaro de Carvalho: Seu filho poderia ser o profeta Daniel, mas é a música mesmo.

Luciano Pires: Você, o que que você queria ser quando crescesse, cara?

Ícaro de Carvalho: Cara, engraçado. Eu tenho 2 versões para isso. Quando eu era muito muito pequeno, meu pai perguntava o que eu queria ser quando crescesse, eu falava que queria ser artista de filme de terror. Era isso que eu queria ser. Só que eu não lembro dessa memoria, então pode ser meu pai mentindo só para me zoar. Mas, um pouquinho depois, eu queria ser desenhista. Depois eu falei que queria ser rico. Eu quero ser rico, isso que eu queria fazer.

Luciano Pires: Um dia eu fiz uma entrevista aqui, com um dos entrevistados, ele falou, eu queria ser rico. E aí eu fui encontrar uma forma de poder ser rico. E falei, o que eu fui estudar para ser rico, fui trabalhar para ser rico, e o que eu fiz da minha vida, foi trabalhar para ser rico. E conseguiu. É o contrário, você pensar em estudar tal coisa para me dar bem. Não, o negócio era ser rico. O que que eu preciso fazer para ser rico.

Ícaro de Carvalho: Mas eu não tinha muito essa ideia tão linha reta. Eu queria ser rico, mas eu queria ser desenhista, ou professor de filosofia. Eu lembro que teve um momento, quando eu era bem criança, que eu queria ser professor de filosofia. Até que eu tava no carro com meu tio, passando o túnel Ayrton Senna, ele falou assim, Ícaro, o que que você quer ser? Eu falei, professor de filosofia. Falei com, “que certeza que eu tenho”. Ele falou, Ícaro, mas os professores de filosofia acabam ficando pobres. Daí falei, então já não quero mais ser. Ele pode ter matado um professor de filosofia extremamente vocacionado, e colocou mais um publicitário só para arruinar o mundo.

Luciano Pires: Poxa vida. Você veio para São Paulo com 8 anos, então acabou de… sua infância, terminou de completar aqui em São Paulo. Quando você tava na adolescência, que tinha começado a pensar na escolha, para onde eu vou, o que eu vou fazer da vida, o que eu vou cursar, o que eu vou ser quando crescer. Como é que se desenhou essa ideia da publicidade, tudo mais?

Ícaro de Carvalho: Na verdade, eu nunca cursei publicidade, eu fiz direito. E tinha, meu avô por parte de mãe, ele era um cara muito forte na minha cosmovisão, na minha imaginação, meu imaginário na minha infância, sempre a figura do meu avô muito forte, unindo a família. E meu avô falava que todo homem precisava de um bom contador, e um bom advogado. Só que eu não era muito bom em matemática. Quem faz Direito, 50% é porque quer fazer alguma coisa. Outros 50%, é porque não gosta de matemática. Eu falei, então vou ser um bom advogado, porque é uma coisa importante. Eu queria trabalhar mesmo era com Direito Bancário, Tributário, alguma coisa que talvez reforçasse aquela ideia do, “ah, eu quero ser rico. Eu quero ter uma grana”. Que acaba sendo uma ideia um pouco até vulgar, né? Mas era o que eu tinha na minha cabeça.

E entrei na faculdade, com essa ideia. A única coisa que eu sabia, é que eu não queria fazer concurso público. Eu não sentia que eu iria para esse lado, mas todo o resto estava em aberto. Depois de um tempo, eu comecei a descobrir o mundo da comunicação, das vendas. Sempre gostei muito de escrever, então mesmo na faculdade de Direito, um dos elementos que me fizeram lutar pelo Direito, foi a escrita. Eu já tinha uma consciência de que eu me comunicava com uma certa facilidade, de que eu escrevia mais facilmente do que os outros. Então isso já foi um dos elementos de tomada de decisão.

Lá dentro, eu descobri as vendas. Lá dentro eu descobri a internet mesmo. Então foi quando a gente sai do Orkut, o Orkut era fantástico. Eu aprendia muito com Orkut, essas comunidades todas organistazinhas. Mas, foi no Facebook, que eu comecei a falar. Durante boa parte da minha vida, eu fui um ouvinte. Depois, eu comecei a falar. E quando eu comecei a falar, eu pensei, cheguei a conclusão, caramba, eu gosto mesmo é disso. Gosto de conversar com as pessoas, eu gosto de narrar coisas para elas, eu gosto de criar histórias. Como meu tio disse que professor de filosofia acabava mal, então vou tentar vender uma coisa.

Luciano Pires: Você terminou a faculdade de Direito, não? Ou parou na metade do caminho?

Ícaro de Carvalho: Eu cheguei no 8o semestre da faculdade, e disse para o meu pai. “Pai, vou parar a faculdade, e fazer outra coisa da minha vida”. Meu pai ficou puto, mas não tem problema, já morava fora de casa, já resolvia minha vida há muito tempo. E comecei a fazer comunicação digital, sempre gostei de computação. Comecei a fazer comunicação para corretoras do mercado financeiro.

Fiz um projeto na época para a XP.

Luciano Pires: Sem estudar comunicação?

Ícaro de Carvalho: não, sem estudar comunicação, nunca fiz nada. Eu já, eu comecei a estudar o que tinha lá fora, comprei alguns livros. Vi que algumas coisas faziam sentido. Comecei a desenvolver um método, o que eu acho que é um erro. Eu acho que se eu tivesse optado por um método que já estava desenvolvido, teria sido muito mais fácil. No começo, você bate muito a cabeça. E aí minha primeira experiência, foi quando eu ainda estava na faculdade, e eu escrevi um relatório sobre como ganhar dinheiro, sobre como se comunicar, como ajudar seus clientes a se comunicarem melhor. E já ajudava alguns amigos a se comunicarem, uma coisa muito pouco profissional, na amizade mesmo.

Eu fiz esse relatoriozinho, e as pessoas começaram a baixar, e eu pensei. E se eu cobrasse por isso? Então, foi o primeiro pensamento que eu tive. A partir daí, eu comecei a comprar alguns livros do Seth Godin. Depois eu comprei David Ogilvy, depois eu comprei Tim Ferris, depois eu comprei Ryan Holiday. E aí eu fui empilhando isso, e foi fazendo cada vez mais sentido. Espera aí, eu já sei fazer o mais difícil. Eu já sei escrever, comunicar. Eu já sei colocar uma linha, uma narrativa, que evolui ao longo de uma história. Agora, eu preciso aprender a transformar isso em uma carta de vendas. Só preciso transformar isso em uma maneira de oferecer alguma coisa à outra pessoa. Então, a minha faculdade, é engraçado, a minha faculdade foi estudando Direito, mas só formalmente. Estando lá na classe. Porque o que eu estudava mesmo, inclusive na sala, eu estudava mais comunicação, produção de conteúdo. Investimentos também, sempre gostei de investimentos.

Luciano Pires: Passava pela sua cabeça, na época, que você iria trabalhar em algum lugar? Trabalhar para alguém? Ou tinha um bichinho e empreendedorismo te cutucando lá dentro?

Ícaro de Carvalho: Sendo sincero, talvez nunca tenha passado pela minha cabeça.

Luciano Pires: Tipo assim, vou procurar um emprego.

Ícaro de Carvalho: Não, vou procurar um emprego não. Talvez era, vou vender um projeto para alguém, talvez alguém diga, “ei, vem trabalhar aqui dentro”. Mas, nunca tive uma carteira de trabalho, nunca fiz um currículo, nunca. É engraçado, porque uma vez eu fechei um projeto, para uma corretora, e duas histórias engraçadas. Eu lembro que nesse momento, essa corretora estava com um processo de abertura de vagas. E tinha um monte daqueles menininhos, todos arrumados, com camiseta branca, estilo Faria Lima assim. Cada um com seu currículo, cada um com sua faculdade. Eu lembro que eu passei na frente de todos, eu estava com uma bermuda, porque eu estava em Santos, tava quente para caramba. E um sapato velho, eu passei na frente de todo mundo, porque eu já tinha de fato fechado com o cliente aquele serviço.

E outro ponto engraçado, foi no ano passado, quando um jornal enorme, um dos 3 maiores jornais aqui, grupos editoriais do país, me chamo para fazer uma repaginação da estratégia online deles, né. E o chefe de comunicação deles, é formado em Harvard. E o cara sentou comigo, e falou, cara, tal coisa funciona? Eu falei, porra, você tá me perguntando isso, cara?

Luciano Pires: Você sabe que esse insight é muito legal cara, porque tem uma discussão acontecendo neste momento. Essa semana aconteceu, quando o Bolsonaro fez mais uma daquelas dele, abriu a boca para falar. E cada vez que ele fala, o mundo cai. Não importa o que ele fale, qualquer coisa que ele fale, o mundo cai. E ele falou, “olha, nós vamos dar um jeitinho aí de deslocar um pouco do dinheiro das áreas humanas, para formar médicos, advogados, etc. e tal”. E eu me lembrei disso, porque nós tínhamos uma discussão até pouco tempo atrás aqui, sobre esse lance de você entregar 5, 6, 7, 8 anos da sua vida, para uma formação de ter um diploma na mão, sem sequer pensar na possibilidade de que talvez não precisa ter degree de engenharia. Talvez eu possa ser um puta técnico. E ao ser um puta técnico, talvez eu até ganhe muito mais do que qualquer engenheiro aí, por causa da função que eu to fazendo, que é uma função absolutamente essencial para a sociedade, mas que é deixado em segundo plano. Aquela história, ao invés de formar médico, ser enfermeiro. Técnico de enfermagem, contra médico. O médico tem status, mas o técnico de enfermagem, e o cara que pode fazer toda diferença. E ter uma discussão, do que a sociedade precisa mais? Neguinho com diploma universitário, ou técnicos absolutamente capazes de construir o que precisa ser construído, né?

Então tem uma discussão interessante disso aí no mundo inteiro, em que ponto está a sociedade, para a gente poder dar atenção para coisas que, como que eu vou dizer, a moda diz, desde a minha época de moleque. Você tem que ter um diploma na mão. E de repente, você sem diploma, mas com conhecimento técnico, você tá pau a pau com um cara de Harvard. Não é isso?

Ícaro de Carvalho: Na minha opinião, existem alguns totens, existem alguns grandes assuntos na sociedade, que eles mudam de maneira muito lenta. Educação é uma delas. Nosso modelo educacional hoje, ele foi fundado na época da Inglaterra colonialista, onde os ingleses precisavam de fato de um modelo muito bem desenhado, que funcionasse, que formasse funcionários padrão, que fossem atendidos, tanto em Londres, quando em Déli.

Então eu preciso colocar uma galera dentro de uma sala, eu preciso enfileira-la, eu preciso dar conhecimentos básicos sobre tosos os pontos possíveis. Então uma criança hoje no Brasil, ela aprende prisma, mas ela não sabe para que serve um cheque, por exemplo. Eu preciso que esse cara funciona assim do começo ao fim do seu ciclo. Eu preciso que obediência seja um dos principais elementos, né? Preciso de testes periódicos, com sim ou não. Preciso estimular o acerto e desestimular o erro. Eu preciso que as pessoas sejam uniformes, porque eu vou mandar esse cara lá para a Índia, e esse cara precisa perfomar, sem que eu esteja podendo supervisioná-lo. Tinha Skype naquela época, né? E para pra pensar. Hoje, ainda mudou pouco o sistema. Você tem aí uma Can Academy, uma Udemy, você tem umas escolas. Mas, se você for para Harvard, por exemplo. Harvard é Harvard. Você tem do mesmo jeito certinho, como ela funciona, desde 1000 sei lá quanto, e funciona. 1700 e pouco, não me lembro. Harvard funciona, como funciona.

Luciano Pires: Porque o mercado ainda demanda que seja assim. O diploma de Harvard, é o diploma de Harvard.

Ícaro de Carvalho: E o mercado, ele demanda com certa razão ainda. Ainda que eu defenda que você não tem que ter um diploma, imagina que você seja SEO de uma grande empresa, e precisa decidir sobre 40 vagas em 20 minutos, depois do seu RH separar esses nomes para você. Você não tem tempo para pensar, ou o cara até de Harvard supõe que ele seja bom, pelo menos em seguir regras, obter grandes notas, e performar em um momento que ele precisa. Então ainda existe. Mas, nas áreas tecnológicas que vão mostrando vocação para andarem antes das outras áreas, eu acho difícil o Credit Suisse, o Goldman Sachs decidir que não precisa mais de diploma, porque, ou o Pinheiro Neto decidir que não precisa mais de diploma. É mais fácil o Google começar assim.

Luciano Pires: Que já está fazendo isso.

Ícaro de Carvalho: Ou a empresa daqueles Patinetes da rua, começar assim. É mais fácil você assumir que essa postura é mais corajosa, mais vanguardista vem dessas empresas menos tradicionais, mais disruptivas, porque na hora que o bicho pegar, na hora que sua mulher tiver te acionando na justiça para um divórcio, na hora que houver um erro médico, você ainda quer algum tipo de salvaguarda. E eu ainda espero que o médico que vá operar o cérebro do meu filho, no Albert Einstein, seja formado em alguma instituição.

Então, eu acho que o movimento é lembro. Mas, em contrapartida, eu acho a escola um grande desperdício de tempo. E não porque ela não saiba fazer o que ela faz. Mas, justamente, porque ela sabe fazer muito bem o que ela faz. A escola, ela exige um ciclo de aprendizado. Pensa bem, seu filho entra na escola com 4 anos, ele vai até os 17. Deixar essa criança livre, até os 12 anos, seguramente. E fazer um modelo intensivo, sem muita perda de tempo, sem tanto entrada e saída, sem tanto recreio, isso ou aquilo. Quando ele já está maduro em prepará-lo, tranquilamente em 1 ano, 2, para o processo de vestibular. Então, existem melhorias a serem feitas. Eu não sei se a melhoria é o governo decidir tirar dinheiro de um lado, para pôr em outro, porque para mim o governo não deveria pôr dinheiro em nenhuma dessas áreas.

Então, quando Bolsonaro fala, faz muito barulho. Mas faz muito barulho, porque é ele falando qualquer coisa, como você disse.

Luciano Pires: O que ele fala na boca de outro personagem, não aconteceria nada. Na boca do cara, acontece.

Ícaro de Carvalho: Nós temos exemplos muito bons, como Alemanha por exemplo, que é um país que conseguiu alinhar muito bem a relação entre professionais diplomados e técnicos. Hoje, percentual baixíssimo da Alemanha são…

Luciano Pires: Mas é aquela história né Ícaro, de novo, voltando para o lance da sociedade, da… a sociedade, ela cria uma hierarquia social. Uma vez, eu fui de férias para, acho que era Maceió cara, estava em um resort passando final de ano, e conheci um casal de Finlandeses que estavam lá. Nunca me esqueci o nome dela, era Tuia o nome dela. Dele, não me lembro qual era. Estava os dois de férias, no mesmo resort que nós estávamos com a família, all inclusive, aquela coisa toda. E o cara, fazia telhado na Finlândia. Não é que ele era dono de uma empresa de fazer telhado. Ele era o telhadista, ele era o cara que subia, e pregava o telhado lá. Que se você for fazer equivalente no Brasil, é quase um pedreiro. Telhadista, né? E esse cara estava no Brasil, ele pegou um avião e está aqui passando… naquela sociedade, a hierarquia social não põe uma distância tão grande do doutor que tem o diploma, para o coitado do pedreiro que está lá embaixo. É muito mais próximo isso aí. Então, não tem essa discrepância, essa… Uma emprega domestica nos Estados Unidos, tem grana para ter um puta carro do ano. Então, tem um lance de desnível social, que acho que o Brasil, primeiro tem que ultrapassar esse processo. Só para completar, uma outra coisa que você falou interessante.

Tem um papel social da escola, além de ensinar você a ler e escrever, matemática, etc. e tal, tem todo aquele papel social de colocar a criança em contato com outras, do contraste, da desigualdade, da briga, de se impor, liderança e tal, que tem que estar com a molecada junto, que acho que é um papel interessante que ela faz. Fora da sala de aula, inclusive.

Ícaro de Carvalho: Taleb diz que, para quem não conhece, Nassim Nicholas Taleb, procure a respeito. Taleb diz que sistema sem estresse, é um sistema fraco. Então assim, você tem que ser colocado em contato com posições de vida diferentes, crenças diferentes, pessoas diferentes, arranjos sociais diferentes. Senão, você vira aquele menino do meme, de oi, por favor, com licença, daquela roupinha lá.

Luciano Pires: Darwin mostrou isso.

Ícaro de Carvalho: É engraçado, porque as pessoas acham que o darwinismo é o mais forte sobrevive. Ele não fala em mais forte. Ele fala em melhor adaptado.

Luciano Pires: E quando eu quis dizer, o que ele fala. Se você tiver a repetição de genes sobre gene, cara, não pode filho, primo com primo. Lembra aquela história, primo com primo vai dar encrenca, porque? É a multiplicidade, precisa de coisas novas. Precisa do estrangeiro trazendo ideias novas. Ele vai me incomodar, as ideias que ele vai trazer, vai me encher o saco. Eu não vou saber o que ele tá falando, mas, junto com isso, vem uma porrada de visões novas, vai me demandar, vai me tirar da zona do conforto. Isso aí é enriquecimento, né? É o papo que tá por trás da conversa toda de diversidade, que o pessoal anda falando muito aí.

Deixa eu voltar a tua história. Você se forma, chegou a se formar, não?

Ícaro de Carvalho: Não.

Luciano Pires: Você não chegou a ter um canudo na mão?

Ícaro de Carvalho: Não.

Luciano Pires: Você caiu no mundo, e saiu trabalhando, né?

Ícaro de Carvalho: Se eu for preso, não vou para cela especial.

Luciano Pires: Pois é cara. Hoje em dia no Brasil, é bom pensar nisso aí.

Ícaro de Carvalho: É só não virar político. Ou construtor.

Luciano Pires: Como diria Bolsonaro, só não matar ninguém, não roubar, que você não vai estar lá.

Ícaro de Carvalho: Não estuprar.

Luciano Pires: Quando você entrou no mercado profissional. Você não tá mais na escola, é profissional, começou a trabalhar. Você falou para mim, na hora do almoço, que a vida inteira você foi sua própria empresa. Você não tem uma carteira assinada. Você não tem uma relação de empregado em qualquer empresa. Você é dono do seu próprio negócio. Isso foi uma convicção? Quando você começou na sua vida profissional, isso era uma convicção? Ou foi porque ficou cômodo ser assim?

Ícaro de Carvalho: Não, nunca foi uma convicção. Parando para pensar agora, se fosse uma convicção, talvez acabasse se ornando uma posição até mesmo arrogante, né? Quem eu sou para dizer, nunca terei um chefe? Nunca serei um empregado? E por qual motivo eu diria? Existem amigos meus, que tem carreiras fantásticas, e brilhantes, trabalhando no Google, Facebook, IBM, ou até mesmo carreiras como funcionários públicos. Tenho amigos meus que são procuradores do Estado, promotores do Ministério Público, juízes, que tem uma carreira muito boa. Eu acho que foi mesmo o alinhamento do que eu fazia, da forma com que eu fazia, com meu próprio temperamento.

Eu sou um profissional mais criativo, profissional mais criativo tende a ser mais notívago, eu só mudei meus horários de fato, quando meus filhos nasceram. Antes eu era um cara que trabalhava de madrugada. Trabalhava em spyke criativo, para quem não sabe, aquela teoria do De Masi, do ócio criativo. Então eu trabalhava muito em períodos pequenos de tempo. E depois era seguido de longos períodos de ócio. Então assim, já era difícil me adequar a uma rotina das 8 às 6, ou as 9 as 7.

Então acho que talvez isso tenha dificultado. Nossa, hoje eu sou um cara que só falta gravatinha. Chego todo dia no escritório na mesma hora, saio na mesma hora. Lidero a equipe, faço as coisas, vejo com jurídico, vejo nota, vejo isso, aquilo, contrato, demito.

Então assim, precisei ter meus filhos, e meus 32 anos chegarem, para eu me adequar um pouquinho mais a realidade das pessoas. Minha esposa falava, quando você tá acordado, tá todo mundo dormindo. Então acho que não foi uma convicção. Acho que foi mais ou menos, eu jogava um jogo, mais individualista mesmo. Olha, vou resolver seu problema. Mas, me deixa trabalhar do meu jeito, e eu volto com ele resolvido. Hoje em dia eu sou mais flexível.

Luciano Pires: Essa maior parte desse tempo, você foi um lone ranger.

Ícaro de Carvalho: Sim.

Luciano Pires: O homem dos 7 instrumentos. Tocava a banda sozinho. Foi assim que você construiu a…

Ícaro de Carvalho: Antigamente, nós chamávamos isso de full stack marketer. Ou…

Luciano Pires: Até dá para cobrar mais caro.

Ícaro de Carvalho: Ou, para tecnologia, webmaster, quem aqui é desse tempo? Webmaster? O que que é o webmaster? Cara que fazia o design, programava, fazia o texto, colocava o giffzinhos nos rodapés, engava o Google, colocando aquelas palavras-chave no fundo do site, na cor do fundo, para ficar invisível. O full stack marketer, era o cara que escrevia, desenhava, fazia o site, botava as fotos, fazia tudo rodar. Então, durante muito tempo, eu fui isso.

Até, não vou lembrar da data nem ferrando, até uns 12 anos atrás, quando eu fui a minha primeira contratação, que na verdade nem foi uma contratação formal. Eu cheguei para um amigo meu que era desenvolvedor, e falei, “ei cara, quer trabalhar comigo? Eu tenho um monte de cliente, eu fico pagando toda hora 500, 600 reais, para alguém fazer um site programado para mim. Você não quer fazer?”. E aí começou, que é o Eduardo, que tá comigo até hoje. Vai casar daqui a pouco, acho que essa semana ou a próxima. Tá comigo até hoje. E daí para frente, foi só chamando mais gente.

Aí finalmente, eu pude chegar à conclusão que eu produzia mais quando eu me dedicava as 2 áreas que eu mais gostava, que era produção de estratégia para conteúdo, que tipo de conteúdo entra em que lugar, quando a gente faz as réguas de relacionamento. Hoje, chamariam de marketing de conteúdo, mas, com um pouco mais de estratégia. E vendas, vender. Quanto é o preço, por quanto eu vendo, para quem eu vendo, que produto é esse, como é o recall. Eu tenho uma paixão especial por ver o lead, a audiência sendo perfilada entre os diversos instrumentos, chegando até a mão do vendedor bonitinho. Olha, esse cara viu isso, assistiu isso, dessa forma. Ele respondeu esse questionário, ele ganha isso, é dessa maneira. Eu pego a carta, boto na mão do vendedor, falo cara, liga que você vai fechar. E aí quando fecha, eu falo, putz. Talvez fosse isso que eu quisesse fazer, quando eu era pequeno.

Luciano Pires: Devia ter feito cinema, cara.

Ícaro de Carvalho: Fizemos documentários, né? Muitos documentários.

Luciano Pires: Não deve ter sido por acaso.

Ícaro de Carvalho: Adoro cinema.

Luciano Pires: Me fala uma coisa. Naquele momento que você vai, Eduardo que você falou que trabalha com você?

Ícaro de Carvalho: Sim.

Luciano Pires: Quando você vai atrás do Eduardo para trabalhar com você, deixa de ser o full stack marketer, para ser o dono da firma. Começa a se desenhar uma firma. Que tem que ter um esquema de pagar o cara, pegar recibo do cara. Se bobear, tem que registrar o cara, etc. e tal, e aí começa uma outra etapa que você descobre que cara, só sendo criativo, só sendo um puta escritor, sendo um cara brilhante no planejamento, não vai rodar, porque tem um outro lado sujo aqui atrás, que eu preciso resolver, pagar imposto, cobrança, CNPJ, aquela merdalhada toda.

Você chegou em algum momento a mergulhar nisso, ou você encarou essa ideia da, seria um freela o tempo que tiver que ser, e vou trazer comigo um freela, e uma hora eu vou ter 5 freelas, e todo mundo é freela, que é um desenho que hoje em dia, fica cada dia mais…

Ícaro de Carvalho: hoje em dia chamam hub, né?

Luciano Pires: É, você monta um hub de freelas, que quando você vai ver, o Estado olha para aquilo e não entende. Não tem nem como cobrar os impostos daquela turma. E se bobear, seu hub tem uma ponta na Índia, outra ponta na Turquia, não sei o que. Como que foi esse momento aí, quando você teve que pensar na firma?

Ícaro de Carvalho: Essa pergunta Luciano, é uma pergunta interessante. Eu gostei desse modelo de entrevista, porque geralmente eu não fico falando só sobre negócio. É a primeira vez que eu vou falar isso para alguém.

Luciano Pires: Bem-vindo ao LíderCast.

Ícaro de Carvalho: houve um momento, em que eu já tinha chamado o Eduardo para trabalhar comigo. Depois eu chamei o Felipe Pavani, que virou nosso diretor de arte, tá comigo até hoje. Depois eu chamei o Santana, que não ficou com a gente porque passou em um concurso público, e queria fazer outras coisas. Chegou um momento que eu percebi que eu teria que enfrentar essa decisão, se eu me tornaria uma empresa somente de freelas, ou se eu, de alguma forma, iria organizar isso em um negócio.

E aí entrou numa pessoa na minha vida, chamado Fernando Azevedo, que a gente chama ele de Chuck, que ele parece o boneco assassino de tão feio que ele é. O Chuck, e o Chuck era um cara completamente diferente de mim. Ele era um cara 100% business, era o cara da planilha, ele começou fazendo um freela para mim. Não, na verdade era uma prestação de serviço para mim, e eu pedi um orçamento para ele, e tinham 3 páginas de planilha no orçamento. É uma coisa que eu faria geralmente assim, o preço é esse. Eu falei cara, como que você fez essas planilhas? Ele falou, “é minha obrigação fazer todas essas planilhas”. Então ele é um cara extremamente numérico, extremamente arranjado, organizado. E tinha uma produtora. E tocava aquelas pessoas, sabendo orçamento de um prego. Ele foi a primeira pessoa que me disse, cara, se você quiser crescer de verdade, você vai ter que assumir um viés administrativo. Você tem que ser um comunicador, mas acima de tudo você tem que ser um gestor. Tem que ser um gestor de pessoas, um cara que vai saber um pouco de tributário, vai saber um pouco de gerenciamento de crise, plano de contingencia. Você vai ter que saber como você expande, como trata o RH.

E durante um tempo, isso me machucou assim, no sentido de caramba, para onde eu vou? Vou ser um cara 100% comunicador, que trabalha em outros projetos, recebe um dinheiro razoável, e pode estudar, ler, e viver dessa maneira, no ócio criativo, que é uma vida muito boa.

Ou não, quero crescer, aceitar desafios, fazer coisas maiores. E a partir desse momento, foi quando eu falei, preciso sair de casa. Eu fazia tudo na minha casa. Eu preciso sair de casa. E aí, nós fomos para o escritório, estabelecemos horários comerciais, começamos a contratar pessoas, o negócio não parou de crescer. Ano passado, no documentário pra Avenue Securities, nós estávamos já com 77 pessoas trabalhando. Então, antes era só eu e o Eduardo. Então isso foi em 3 anos, ou 2 anos. Foi vertiginoso o crescimento. Então, nesse momento, quando eu decidi que eu seria mais que um profissional criativo, que eu seria também um administrador, um gestor de pessoas e de vontades, foi que eu percebi que não poderia ficar só agrupando freelas. Eu teria que ter uma estrutura mesmo de empresa, onde esse pessoal todo trabalhava.

Luciano Pires: Pelos seus textos, você é um escritor prolífico, a gente lê seu texto lá, e eu tenho a impressão que você dá um puta valor para disciplina. Não a disciplina de “cheguei no horário”. A disciplina do seguinte cara. Se eu tenho que resolver um task, e não tenho habilidade para isso, eu vou desenvolver habilidade. Então, durante X tempo, eu vou ler tudo a respeito, assistir tudo a respeito, vou estudar e vou ficar bom nisso, e vou partir para fazer.

Me parece uma característica sua. Sempre foi assim?

Ícaro de Carvalho: Sempre foi assim. A minha esposa diz que eu tenho Asperger, então ela fala que geralmente é assim meu comportamento. Para você ter ideia, eu tava fazendo Direito. Falei, vou virar marqueteiro. Em 2 meses, eu tinha lido tudo que existia em português sobre marketing, daí eu comprei todos os livros que tinham em inglês. Falei, bom, mas agora eu preciso aprender a vender. Eu comecei a comprar todos os livros de venda, ir para todos os fóruns de vendas, e discutir sobre vendas no raditt, e buscar tudo que tinha a respeito sobre isso. E de repente eu falei, bom, agora eu vou fazer um documentário, Brasil paralelo. Então eu quero saber um pouco sobre narrativa, filme. Comprei todos aqueles livros do Cid Field, comprei livro do Voger, A Narrativa Mística do Escritor. E fui pegando, dividindo isso em vídeos, e estudando sobre a teoria dos roteiros.

Então eu sou assim, eu pego um elemento, um tema, e agora esse ano eu tenho 2 temas, que eu to estudando tudo a respeito. Então assim, eu pego um tema, esgaço ele até o final. Acaba meio que sendo uma obsessão para mim. Eu não consigo ficar 1 ano sem desenvolver uma habilidade nova. As pessoas vêm, meu, mas você não vai parar com isso. Eu falo, é meu passatempo. Então, eu tenho essa obsessão pelo aprendizado mesmo.

Luciano Pires: Tinha uma coisa interessante que eu tinha que te falar. Essa conversa que nós estamos tendo aqui, a impressão que as pessoas têm é o seguinte. Eu consigo entender, para aprender inglês. Eu vou entrar numa escola, vou ficar ali 2, 3 anos, para aprender a falar inglês. Legal. Mas, você tá trazendo uma perspectiva diferente que é o seguinte. Eu não vou em uma escola ter aula. Eu estou definindo o que que eu vou procurar, o que que eu vou comprar, onde é que eu vou abastecer. Eu tenho que ter um certo, voltando a disciplina, uma certa disciplina, para saber que um determinado tempo da minha vida, eu vou dedicar a estudar. E sou eu comigo. Então, eu não to parado para assistir televisão. Neste momento, eu estou estudando, né?

Como é que você faz? Você dividiu seu dia para isso? Você tem um horário para… essa é a hora parar estudo, e quando chega no final do dia, é que nem academia. Quem tá louco, se não for na academia, faz falta no final do dia.

Você chegou nesse mindset?

Ícaro de Carvalho: Eu só não senti falta de ir para academia. Agora, a minha rotina mudou muito, com o nascimento dos meus filhos. Antes dos meus filhos nascerem, eu estudava 6 horas por dia, todos os dias. Às vezes 8 horas por dia, todos os dias. Principalmente os dias que eu não trabalhava, eu estudava muito. A minha biblioteca lotou minha sala inteira, e não tinha como entrar dento dela.

Quando meus filhos nasceram, aí começou a dividir aquela… por isso que eu falo, pessoal estuda e trabalha antes dos meninos nascerem, porque depois fica mais difícil. Quando meus filhos nasceram, eu agora coloco meu trabalho para depois que Matheus dorme. Matheus dorme exatamente as 8 da noite. Às vezes, 7:20, 7:30, 7:40. Mas, ele dorme cedo, minha esposa dorme cedo, minha filha dorme cedo, a casa inteira dorme cedo e acorda cedo. Eu, quando acordo as 8, as pessoas falam, você tá dormindo demais. Então eu gosto de acordar mais tarde.

Mas, quando Matheus dorme as 8, eu começo a estudar. Geralmente, eu vou das 8 da noite, a 1 da manhã. Aí durmo a 1, acordo as 8. Geralmente é isso. Nessas 5 horas, 2 delas é entretenimento, já tive até… devo ter Asperger mesmo. Já tive até esse ritmo de filme. Todo dia eu tinha que assistir um filme, todo dia. Eu falo, deixa eu pegar os 200 melhores filmes dos últimos anos, eu vou todo dia assistir um filme. Em 1 ano, eu assisto 365 filmes. Então 2 horas de entretenimento, Youtube. Engraçado, rede social eu boto como trabalho. Então eu tenho 4, 5 horas por dia, com rede social. É trabalho para mim.

Luciano Pires: Sabe que 2 semanas atrás, esteve aí o Murilo Gun. Murilo gravando, é a segunda vez que ele participa comigo aqui. E ele contando que ele tinha uma baita preocupação de quando nascesse a filha, como que ia ser a vida dele com a filha. Ele falou, cara, a vinda da minha filha serviu para disciplinar minha vida. Tudo o que eu não conseguia fazer, agora eu consigo, porque eu botei horário. Então eu tenho horário para ir, para chegar, tenho horário para levar ela na escola, buscar na escola. Eu fui obrigado a entre levar e buscar, eu tenho que naquelas 5 horas, preencher aquele tempo com a maior eficiência possível. O que era para mim um problema, acabou virando uma forma de eu disciplinar minha vida.

Ícaro de Carvalho: Eu gosto muito daquela frase, que, eu não lembro de quem foi, de quem é essa frase. Você não enriquece pelo trabalho. Você enriquece pelo trabalho, depois do trabalho. E eu penso muito nisso. Se você acha que vai enriquecer através do seu trabalho regular, espera aí, em que momento você aprende, em que momento você desenvolve uma habilidade nova? Em que momento você se atualiza? Em que momento você aprende uma língua nova, aprende cultura? É depois do trabalho. Isso é trabalho, depois do trabalho.

Eu encaro meu trabalho como diversão também. Acho que quase todo mundo que vai mais para frente do que a média, acaba considerando o trabalho diversão. Então, eu vejo amigos meus que simplesmente acabam trabalho e vão beber, depois ver futebol e dormir, é meio claustrofóbico. Você vê os 2, 3, 4, 5 anos passando, e o cara é a mesma coisa ainda. Ele não aprendeu nada novo, não fez nada novo, não desenvolveu nenhuma habilidade diferente. Ele é exatamente a mesma pessoa que ele era há 5 anos atrás. Eu falo, caramba, em 5 anos mudou muita coisa.

Então, eu ainda mantenho essa… quando as crianças dormem, é meu tempo de estudar, trabalhar, aprender coisas novas. Durante um tempo esse ano, eu li um livro novo toda semana, eu tava lendo livro, lendo livro. Então, é minha característica, me atualizar sozinho. As pessoas que tem essa característica, nunca foi tão fácil quanto é hoje, tá tudo disponível.

Luciano Pires: O aceso ao mundo aí. Você, quando começou seu trabalho então, você era um profissional de comunicação. Estava trabalhando ali, começando em uma área interessante, que já era usando internet, já era usando os caminhos. E a hora que começou a agregar gente, você sempre foi nessa área de comunicação. Em algum momento, eu vi que você fez uma virada, você acabou, você tá com uma produtora hoje, né? Produzindo filmes, tudo mais. Como é que essas coisas se encaminham? Como é que você vem, chega em uma encruzilhada e fala, cara, tem um lado interessante, eu vou para ele. Isso é intencional, isso foi uma busca. Ou você chegou lá por acaso? Aquela provocação que eu fiz em você, atrás ali, que você devia fazer cinema, tem a ver com isso.

Ícaro de Carvalho: Na verdade, eu acho que se eu fizesse cinema, meus filmes acabariam sendo uma propaganda.

Então, na verdade, não foi uma virada tão grande. Eu simplesmente adicionei outros serviços. No fundo, meu DNA ainda é de um marqueteiro, ainda é de um comunicador. Quando eu faço um filme, um minidocumentário, um documentário, eu faço para clientes. Não sou aquele cara que quer contar uma história, de um herói que viveu fazendo ficção. Eu não faço ficção, não faço novela, romance. Eu faço filmes comerciais. Que são tão bem-feitos, que são consumidos como entretenimento. Mas, que no fundo, são propagandas para algum produto que eu quero vender.

Então, eu ainda sou um comunicador, eu ainda faço produtos de comunicação, ainda atendo clientes para comunicação. 100% da minha receita vem, ou dos meus produtos, ou do atendimento que eu faço para outros clientes. Então, acho que não foi uma virada tão grande assim.

Luciano Pires: Você, durante um bom tempo, foi um prestador de serviços. E há um momento em que você começa a ter como entrada de recursos do seu negócio, vender produtos. Você não presta mais serviço para ninguém, você agora produz produtos, e comercializa através da internet. Quando começa isso? O que que você vê, que fala, bicho, tem um mercado interessante aí.

Ícaro de Carvalho: eu via dinheiro. A resposta mais sincera possível. Eu fazia coisas que as pessoas vendiam por muito dinheiro, eles me davam pouco dinheiro. Eu falei, pô, mas se eu fizer isso eu mesmo. Eu sei produzir, sei escrever, sei pipelines, sei produzir, sei comprar trafego, porque que eu não faço sozinho? O começo do Ícaro profissional, foi um Ícaro prestador de serviço. Depois virou um Ícaro produtor de conteúdo. Depois virou um Ícaro prestador de serviços maiores. Depois virou um Ícaro prestador de serviços maiores, e também fornecedor de conteúdos, e atualmente onde eu to. Parte da minha receita vem do novo mercado, de cursos, treinamentos, palestras, tenho 6 fontes de receitas. Eu sei disso, porque eu respondi um vídeo no stories hoje. Então assim, parte dessa receita é o que o Ícaro vende, para quem o Ícaro ensina, quem paga o novo mercado, que é a escola de marketing. Quem faz um treinamento, quem participa de evento, vai para uma palestra. E o resto é prestação de serviço, cliente atendido, projeto feito, página desenvoltas, lançamentos digitais feitos. Ainda é meio a meio, prestador de serviço, e o que o Ícaro vende por si só.

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Você é um dos caras que usa muito bem a máquina da internet, que automatizou ideias dos anos 50 ou 60, que é aquela coisa da repetição, tudo mais. Seleções, readers, eles trouxeram aquilo para um nível fantástico. Eu ensaiei entrar um pouco nesse mercado, fiquei muito incomodado no começo, porque eu comecei, eu virei cliente, comecei a ser bombardeado por aqueles e-mails desgraçados, oferecendo, compre até meia noite, vai fechar o carrinho, custa R$ 40 mil reais, mas só hoje sai por R$ 800 reais. Aqueles textos. Puta, aquilo me incomodou enormemente. Bicho, eu não vou fazer essa merda. Não vou fazer isso, sou contra, mas, deixa eu ver a máquina. E fui mexer na máquina e descobri uma máquina maravilhosa, porque o motor é fantástico. A cara que se coloca por fora, eu tenho restrições estéticas, morais, etc. e tal, porque tem muita gente usando o gatilho mental, para empurrar coisas que não tem uma… não cumpre a promessa que é feito ali. E quando eu fui mexer na máquina, descobri uma máquina fabulosa. Cai no RD Station da vida, cara, esse negócio faz tudo sozinho, fiquei maravilhado com aquilo.

Ícaro de Carvalho: Eles estão te pagando um jabá.

Luciano Pires: Pior que esse programa aqui, ninguém paga jabá nenhum, porque eu falo mesmo de todo mundo. Aliás, se você tiver uma fica, dá uma dica também que tá valendo. Você me parece que é um cara que usa isso com uma consciência. Você tem consciência, e com ciência, porque você evidentemente estudou isso, etc. e tal. O mercado está inundado de gente usando essa coisa, e parece que tá entrando mais gente ainda. Você não acha que isso aí é de certa forma, tá criando meio que uma casca grossa no consumidor, do tipo assim, hoje entra um e-mail para mim, eu bato o olho no tipo de letra, eu já não leio o e-mail, por causa do tipo de letra que apareceu. Falei cara, já sei de onde vem, deleto sem ler, porque vem alguma malhação de vendas ali.

Como que você vê esse excesso, essa…?

Ícaro de Carvalho: Eu, olha, como que eu sintetizo isso. A impressão que nós temos, é que de fato pelo menos uma vez na vida, você já viu a Betina, o Erico Rocha, no seu computador. E que isso é um movimento que tá crescendo, você falou do Murilo Gun aqui. Chega um momento que são 2 vezes por ano, que o Murilo entra em todos os anúncios do país, vendendo curso de criatividade.

A máquina é boa, funciona, o sistema funciona. A ideia de criar engajamento num fluxo de conteúdo, em uma régua de relacionamento, e depois você aplicar a escassez para vender isso para alguém, por um espaço curto de tempo, em uma promoção específica, e depois você fechar esse carrinho, e a pessoa não ter acesso, funciona. Matematicamente, funciona. Qual que é a questão? A questão é que a máquina é tão boa, que em algum momento todo mundo acha que pode fazer isso, e ganhar o dinheiro da mesma maneira com que as pessoas realmente boas conseguem fazer.

Então o que acontece é, banalizando. Você vê um cara aparecendo e falando, “olha, isso custava R$ 50 mil reais, agora custa R$ 200,00, ou R$ 800,00 até amanhã”, e faz uma semana que ele tá dizendo até amanhã. Acho que isso é um movimento onde as pessoas entendem que a internet é a ferramenta mais democrática que existe, para que as pessoas façam dinheiro. Qualquer pessoa pode vender uma assinatura de R$ 2,00 reais para alguém, para mil pessoas, e fazer R$ 2 mil por mês. É muito democrático. Você eliminou as agências, os grandes passadores, os grandes intermediários. E hoje, você na sua casa, com seu computador, você faz sua receita. É algo inédito na história da humanidade, você tirar os detentores do meio de produção, da comunicação, e fazer você mesmo.

Mas, da mesma maneira, boa parte dessa turma, do jeito que chega, sai. Ele faz uma vez, duas, sai. Porque satura, porque tem muita gente. Agora, aqueles que conseguem alcançar o que eu chamo, não porque eu criei, mas porque os americanos chamam, artistry, que é o conceito artístico por detrás de uma proposta de vendas. Ou seja, eu vou fazer um documentário que queira ser visto, não porque é uma propaganda, mas porque você vai ver. Eu sempre digo, se você achar que as pessoas entram nas redes sociais para verem propaganda, você tá defendendo que as pessoas assistem Corinthians e Palmeiras pelo show do intervalo. Ninguém entra para ver propaganda. Então seu grande desafio é tornar a propaganda tão atraente, ao ponto das pessoas quererem ver. E conteúdo, produzir conteúdo de qualidade, é a única forma que você tem, de fazer os clientes olharem a sua propaganda, e pedirem mais. Então, as pessoas que entram, falam, e saem, são a maioria, e serão a maioria. Agora, aqueles que produzem informação de qualidade, conteúdo de qualidade, tem uma mensagem para passar, um produto que realmente é bom, resolve a vida das pessoas, os caras não vão só ficar, como eles vão ficar a longo prazo. E como eles vão ganhar dinheiro, de uma forma que não era antes possível, porque eles são empregadores deles mesmos. Eu acho que essa grande mudança da internet.

Luciano Pires: Você teve um texto seu, que um dos muitos textos seu, que viralizaram, que até, eu não sei se você foi o criador do termo, mas o empreendedorismo de palco.

Ícaro de Carvalho: fui eu.

Luciano Pires: Você que criou. Eu me lembro que você quando lançou, fez um escândalo esse texto, porque todo mundo esperava por ele. Mas ninguém tinha tocado no assunto.

Ícaro de Carvalho: E ninguém tinha dado nome, ninguém tinha nominado sentimento.

Luciano Pires: Isso aí. E você pega, escreve um texto, e aquele texto virou uma loucura. Viralizou. Que eu imagino que tenha nascido de uma incomodação muito parecida com essa que eu fiz agora com você, que eu falei, “tem tanta gente fazendo”. Deve ter incomodado a você também, porque é aquela história da… vou te dar minha experiência como palestrante, tá? Sou palestrante, e a coisa que mais tem no Brasil, depois de bunda, é palestrante. Bunda tem 200 milhões.

Ícaro de Carvalho: Coach.

Luciano Pires: Coach tá chegando lá. Todo mundo virou palestrante. Então eu vou no evento, tem 4 palestrantes, eu to sentado na plateia, eu fico vendo os caras. E entram algumas coisas que são inqualificáveis ali, e quando esse cara desce, o apresentador vai lá, e fala, vou anunciar o próximo palestrante. Eu já sou o próximo. Ou seja, ele acabou de me comparar com o cara que saiu anteriormente. Aí vem o próximo. A moçada, puta, mais um, e lá vou eu, desfazer a imagem que eu vi ali atrás.

Eu imagino que esse tipo de cosia tenha te incomodado, a ponto de você falar, cara, deixa eu botar no papel essa coisa aqui. Me conta a história daquele texto, de onde veio aquilo. Porque esse tema, você chutou a bola para o alto, ela não para de subir. Porque a cada dia, a coisa se amplia. Bota a mania da startup na jogada. Cada vez entra um lance novo, é uma coisa atrás da outra.

Ícaro de Carvalho: Talvez, você sabe que textos eles não são previamente preparados. Textos nascem. Você não prepara um texto como empreendedor de palco. Você se senta diante de uma folha em branco, e você sangra tudo aquilo, vomita aquilo na página.

Luciano Pires: E aí tá o tezão, eu não sei como vai terminar isso daqui.

Ícaro de Carvalho: Então, você não sabe mesmo. O texto é uma coisa viva. Você vai fazendo. E hoje, eu teria uma outra posição, não porque eu revisei a antiga, mas porque ela se aprimorou, ela teve mais tempo para analisar as coisas. Analisar, segunda guerra mundial hoje, décadas depois, é tranquilo. Mas, e na hora, quando tá acontecendo? E eu te digo. Se houver um próximo empreendedorismo de palco, se houver um próximo texto de empreendedor de palco, será sobre essa turma da startup. Porque startup descolou demais do empreendedorismo real. Hoje em dia, a maioria dos startupers, vivem de vender startups. E vender a ideia das startups, e de vender que você vai vender a sua startup. E de vender uma viagem para o Vale do Silício, para você ver como é a sede do Facebook, porque se você tirar uma foto em frente a placa do Facebook, você tem mais chances de fazer sua startup viralizar.

Então, tudo que passou coach nos últimos anos, tem passado agora esse mercado de startup. Você vê que os caras não falam mais de dinheiro, de vender, de ROI, de turn, de operar boletos. Os caras falam de proposito, mudar o mundo, abolir canudo plástico. E você vai descolando da realidade.

Então, quando eu fiz o empreendedorismo de placo, eu já me sentia muito, sentia algo esquisito, que era, o modus operandi era sempre o mesmo. Alguém subia em um palco, e falava para 500 pessoas, que elas poderiam fazer algo, simplesmente porque elas acreditavam naquilo. Uma espécie de teologia da prosperidade. De 500 pessoas ali, de fato 2 ou 3 fariam algo. É matemático. 500 pessoas dentro da cadeia, alguma vai fazer alguma coisa ao longo de tempos. E você pegava esse cara, o que fez, ignorava os outros 499, colocava esse cara dentro do palco, e validava ele. Tá vendo, esse cara conseguiu fazer. Todos os outros podem. E você faz uma cadeia.

Luciano Pires: Esse cara tava sentado onde você está no passado.

Ícaro de Carvalho: É, no passado, esse cara era você, ele está pior ainda, ele estava preso por pensão alimentícia.

Luciano Pires: Olho onde ele morava. Olha o que ele tinha. Tá vendo essa BMW ali na frente? É dele cara. Cara isso é Amway dos anos 70.

Ícaro de Carvalho: E continua funcionando até hoje.

Luciano Pires: Anos 70 era assim.

Ícaro de Carvalho: E tem um cara chamado Russell Brunson, eu poso falar dele, porque eu promovo ele, promovo no sentido de falar bem dele. Ele tem uma empresa chamada clickfunnels, e a empresa dele é enorme, avaliada em milhões milhões de dólares. E o sistema funciona muito bem. Não é bonito, não tem artistry, mas a máquina funciona. Prova de que para esses caras a máquina funciona, já tá bom o bastante. E ele tem um programa de afiliados, onde você pode vender a ferramentas dele, se afiliar a ferramenta dele. Você indica para alguém, ele te dá uma comissão. E ele fala, eu vou te dar o carro dos seus sonhos. Você assina um documento, dizendo qual o carro dos seus sonhos. E depois de vender X, ele te dá esse carro. Então, ainda funciona cara. Esse tipo de promessa, ainda funciona. Eu olhava aquilo, sendo vendido universalmente, olha, você não precisa saber escrever, ler, falar, pode ser perneta, pode ser fanho, pode ser mudo. Você vai subir aqui, você vai entrar aqui, geralmente vai pagar nossos cursos, treinamentos de milhares e milhares de reais, e você vai comprar um pedaço do céu. Você vai comprar o ticket para o futuro. E se vista como você quer. E planeje o salário que você quer ter. E chame as pessoas para fazerem parte disso. E os caras não ensinavam nada realmente prático. Não ensinavam ferramentas de vendas, programação, marketing de conteúdo. Eles não ensinavam nada que de fato valesse a pena. Era só hadouken kame hame ha, e papel caindo.

E olha, que quem sou eu para dizer isso. Talvez seja um caso de vaidade da minha parte. Mas, desde que o empreendedorismo de palco atingiu o ápice de termo, parece que esses caras até acalmaram um pouco. Parece até que deu uma segurada nisso. Mas, antigamente, era isso. Você pagava para um evento, para ficar dando kame hame há no evento, e as pessoas gritando ali. Quando eu olhei, falei, cara, preciso escrever alguma coisa sobre isso.

Sentei para fazer um post de Facebook. Pisquei, já tinham 4 páginas. Eu falei não, isso não é mais um post de Facebook, isso vai virar um artigo. E postei. Quando eu postei, ele passou um dia, dois, sem ser lido por muitas pessoas, até que alguém compartilhou, alguém maior. Eu não lembro agora quem foi. E aí, explodiu. Se tornou o texto mais lido no Mirian, naquela semana. Desbancou a carta de demissão da CEO do Yahoo, aí não parou mais. Milhões e milhões, 2.8 milhões de visualizações, e aí já tinha sido estabelecido. Saiu já em livro, tem um cara em Portugal falando sobre não sei o que, empreendedorismo de palco criado no Brasil pelo Ícaro, e virou um termo comum. Hoje, o Emilio fala sempre no Pânico sobre empreendedorismo de palco, Flavio fala sempre sobre isso, e virou um termo comum.

Luciano Pires: Te deu dor de cabeça?

Ícaro de Carvalho: Deu. No começo, uma turma, se não me engano, uma turma de coachs, eles alegaram que eles tinham a detenção dos direitos do nome master mind. Que era uma criação do Napoleon Hill, e eles tinham o direito no Brasil. E eu falava master mind, no texto. E eu falei cara, mas eu não to falando do master mind, ou não master mind. Eu to falando de uma outra coisa.

Luciano Pires: Do processo em si.

Ícaro de Carvalho: E aí ameaçado de processos, eu troquei a palavra master mind por mentoria, ou por alguma coisa assim, eu não lembro porque eu troquei. E parece que hoje em dia, mentoria é até mais popular do que master mind. Troquei master mind por mentoria, e os problemas passaram. Mas só isso também, não foi nada muito aborrecimento não.

Luciano Pires: Você lida com mídias sociais direto. E aquilo é uma vitrine meio complicada cara, porque antigamente você estaria escrevendo um jornal, um livro, e acesso que o leitor teria a você, é muito complicado. É uma cartinha para o jornal. Mídia social, eu olhei, e respondo na hora. E você é um cara que tem opinião no seu texto. Seu texto não é platitudes para quem quer ler. Você vai lá e dá porrada mesmo, você senta o pau. E a turma fica meio invocada, e entra lá. Então lidar com esse público, exige uma certa armadura emocional.

Se você quer ser escritor de mídia social, tem que ter uma puta armadura emocional, porque vai tomar porrada até por aquilo que você não escreveu, aquilo que você não quis dizer, você vai apanhar igual. Se você chegar lá e falar bom dia, vai apanhar porque falou bom dia.

Como é que você lida para aquilo não s transformar em um inferno selvagem, de gente xingando e brigando? Eu vi que recentemente, você decidiu não ler mais notícias, e se dedicar a um projeto que está fazendo. Você tá focado naquilo, e não tá trazendo mais política, etc., e tal, lá para dentro. Mas, independentemente disso, como é que você lida, você deleta, você bloqueia, você briga, você responde, o que que você faz?

Ícaro de Carvalho: Esse é o segundo motivo pelo qual minha esposa diz que eu tenho Asperger. Eu realmente não me importo com essa turma. Não exercer nenhuma influência sobre mim. Não porque eu seja muito bom, nada disso. É porque de fato, acho que já me acostumei com isso. Eu tive oportunidade de conhecer alguns Youtubers muito famosos, muito grandes. Então os caras falavam, cara, se vem uma mensagem negativa, eu já fico extremamente mexido, e eu desmonto ali, eu tenho que resolver aquilo.

Eu criei um processo para mim, que me protege. O cara criticou, eu já bloqueio, imediatamente. Eu não tento responder, não tento deixar lá para as pessoas verem. Ah, mas se já tiver opiniões. Eu já bloqueio. E o segundo…

Luciano Pires: Qualquer crítica?

Ícaro de Carvalho: Não, haters. Você é um safado. Não, as críticas eu deixo algumas, eu deixo as críticas se forem boas. E se forem críticas genuínas, como houve agora recentemente. É que talvez você não me siga pelo Instagram. Que é uma coisa nova que eu faço.

Luciano Pires: Eu acompanhei sua entrada no Instagram, seu desfunde com o Instagram.

Ícaro de Carvalho: Eu fiz um post, um texto, sobre Windersson Nunes, quando ele falou que estava em depressão. E no meio do texto, eu falei sobre a esposa dele. E eu falei algo sobre, “o cara tá vivendo aquele momento completamente diferente do que ele foi preparado, e ele vive uma realidade que ele nunca imaginou. Ele casou com uma moça progressista, que vive saindo pelada nas fotos”. E aí uma turma do Instagram, umas meninas, falaram, “pô, mas você não conhece a relação deles. Você já viu como eles se tratam no Instagram? Você já viu como ele fala que ela é importante para ele?”. E eu de fato, não, nunca vi. Eu nunca nem fui no perfil da menina. Então eu nesse momento falei, espera aí pessoal, cometi um acesso. Falei algo que foi uma projeção da minha cabeça, mas que eu nunca tinha de fato parado para pensar nisso. Eu fui lá, e revisei o texto.

Então quando é uma crítica construtiva, é engraçado, porque talvez o sinal de maturidade maior, que eu tenha visto nos últimos anos na minha vida, principalmente nos últimos dois anos, é a facilidade que eu tenho de revisar opiniões, quando as críticas são construtivas. E cara, isso causa um efeito na sua audiência. Teve uma vez, a dona Lurdes. Esse caso é bem conhecido para quem me acompanha mais assiduamente no Instagram. Eu tive um dia tremendamente difícil, era um dia de contratos muito grandes, pesados, com muita discussão, e projetos difíceis, prazos entregues. Eu estava sem dormir há 2 dias. Era abertura de um carrinho de alguma coisa importante, de algum projeto grande que eu estava fazendo. Eu estava muito cansado. E eu entrei para responder umas perguntas no Instagram. Ou seja, eu já estava atendendo a audiência, né, gratuitamente. Eu já estava me cedendo para as pessoas.

E aí eu vi a pergunta de um menino. Ele falou assim, “minha mãe acabou de te ouvir falando, porque eu tinha feito um vídeo, e falou que se eu te seguir, eu vou acabar mendigo, ou vou acabar debaixo da ponte”. E nessa hora, aquela mania do cavalo bom só corre a sombra do chicote. Nessa hora, eu peguei e falei assim, “me diz qual o patrimônio da sua mãe, e eu te digo qual é o meu. E aí você me diz quem você tem que seguir”. E postei. E beleza, fui fazer outras coisas. Mas aquilo ficou martelando na minha cabeça. Eu fiquei pensando, caramba, porque que eu reagi dessa maneira? Eu voltei no Instagram, e gravei um vídeo, falando, “olha pessoal, tive um dia difícil, dessa forma, dessa, dessa outra. Recebei essa mensagem, vocês viram como eu respondi. Mas depois eu parei para pensar, caramba, quem é essa moça? Qual foi a vida que ela teve, qual foi a experiência que ela teve, o que que ela aprendeu da vida, o que ela viu da vida, o que o pau dela falou para ela, o que ela falou para os filhos. O que que uma mãe fala para os filhos, senão pensando no melhor? E aí eu falei direto para o seguidor. “Olha, então não sei qual o nome da sua mãe, mas digamos que seja dona Lurdes. Dona Lurdes, aqui, eu não quero o pior para seu filho, aqui a gente fala sobre isso, sobre aquilo. Olha dona Lurdes, um beijo para a senhora”. Cara, aquilo criou uma comoção, porque as pessoas te fato viram que o comunicador foi, reconheceu que foi demais, voltou, e tem a questão da fraqueza e do cansaço, da irritação, e que não é o fodão.

Luciano Pires: O problema é o fodão que se acha. Eu já fiz isso algumas dezenas de vezes no Facebook. Chegar lá, cara, publiquei agora há pouco um post que era mentira, cara, um horror, tirei do ar, peço desculpas por ter publicado, né?

E cada vez que eu faço isso, vem uma reação legal. São pessoas que esperam isso. Elas admitem que você erre, não tem problema nenhum em errar. A questão toda, é quando você erra e fala eu sou fogão.

Ícaro de Carvalho: As pessoas Luciano, elas aceitam seu erro. As pessoas admitem que você erre. É que muitas vezes você se torna refém de um personagem que não admite estar errado. E você descola da realidade. É o cara que foi criticado claramente por um motivo justo, e ele apaga a crítica, porque ele não quer admitir que ele errou.

Ou simplesmente, o cara faz… a fama, não que eu seja famoso, longe disso. Eu sou um profissional qualificado.

Luciano Pires: A exposição, na verdade.

Ícaro de Carvalho: A exposição, ela cria uma armadura de vaidade, que eu já vi muita gente falando. Por exemplo, eu falei que o problema em determinado caso, foi em 1945. Aí vem um professor e fala, não, na verdade foi 1947. Daí o cara não, o cara começa a se rejustificar. “Não, porque 45, começou por causa disso. To considerando uma etapa anterior a essa”. Cara, só diz que é 47, pede desculpas, e continua. Errei.

Engraçado, agora, hoje, não vou pegar senão vou me perder. Eu passei stories. Eu respondo 60, 150 stories por dia, sei lá, muita, muita story. E uma pessoa me perguntou quais são as fontes de leads qualificados que você usa para fazer venda via telefone. Eu falei, olha, são 4 leads qualificados, né? Você tem o espontâneo, você tem o referral, que é o que vem referenciado, você tem o que não é espontâneo direto, e o indireto. Eu escrevi, o primeiro espontâneo, eu escrevi com S. E era com X. Mas ficou escrito com S. Só que cara, tanta mensagem, tanta mensagem, e um cara veio e falou. “Olha aí cara, eu sei que você não errou por querer, mas olha, isso foi escrito às pressas, não foi”. “Por que?”. Eu tava subindo agora para São Paulo. “Por que?”. “Porque você escreveu nesse stories aqui errado espontâneo. Falei, “caramba, verdade, eu escrevi mesmo errado”. O cara, “não, mas foi erro de digitação”. Eu, “não, escrevi errado mesmo”. Tava escrevendo para caramba, não existe, isso é uma das grandes armadilhas do Instagram para quem gosta de escrever. Instagram não edita. Porque quando você posta, vira imagem. Quando vira imagem, não dá para voltar e editar. Então imagina você escrever centenas e centenas de páginas, uma atrás da outra, e não pode revisar nenhuma. Meus posts de Facebook, tem 5, 6 revisões. Quando você fala, “puta, muito obrigado cara, eu errei, vai ficar errado mesmo. Não vou apagar, porque a pessoa já leu”. Você se liberta dessa armadura de ser o fogão, e de não poder estar errado nunca.

Há uns 2, 3 meses atrás, eu fiz um post dizendo como muitas vezes eu fiz críticas duras demais ao Erico Rocha, por exemplo. Erico Rocha era um cara que eu queria criticar, para que eu pudesse crescer, para que eu pudesse… Porque o Erico é um cara que tem que ser combatido. E eu percebia que na verdade, minhas críticas eram muito mais derivadas da minha insegurança, ou de star começando em uma carreira que ele já era um cara que faturava dezenas de milhões. E que talvez, eu achasse que algumas coisas poderiam ser melhores. Mas outras, ele fazia bem melhor. E eu fiz um post, um texto, falando sobre como a minha relação com Erico, era reflexo da minha insegurança, e não do que de fato eu enxergava nele.

E cara, ele chegou a ler esse texto, e chegou a comentar em um PodCast sobre isso. Outras pessoas vieram, parabéns cara, a gente soube que você é um cara muito talentoso, mas você realmente era muito agressivo, muito arisco. Então, esquece essa síndrome de super-homem, porque você tem uma audiência, e seja humano. Eu acho que quando você é humano, você ganha um posicionamento dentro do mercado que é antifrágil. Ninguém quer atacar humano. Ninguém quer atacar um cara que fala, “puta, verdade, errei. Puta cara, também errei aqui. Puta, emiti um julgamento”.

Luciano Pires: E vamos em frente. Aliás, a internet se presta a isso, né? Um erro desse impresso em um livro, não tem volta. Impresso em um jornal, não tem mais volta.

Ícaro de Carvalho: E você percebe, isso não te desqualifica profissionalmente. As pessoas continuam te contratando, as pessoas continuam te pagando, as pessoas continuam te buscando, porque elas sabem que são seres humanos. É que você nesse processo esqueceu que você é um ser humano.

Luciano Pires: Desde que fique claro isso. Porque se pareceu que você mentiu, não tem mais salvação.

Ícaro de Carvalho: É o caso da Bel Pesce. Eu não digo que a Bel tenha mentido.

Luciano Pires: Como é que eu quero dizer aqui. A Bel se encantou com o processo, e deixou ele crescer além do controle dela. Eu não acho que ela seja uma menina maldosa, ou que fez aquilo para tirar vantagem. Não cara, foi, as luzes brilharam tanto, ficou tudo tão iluminado, tão legal, que vamos embora, vamos lá.

Ícaro de Carvalho: Cara, aproveitando que você é um cara que gosta de cultura, gosta de cinema, existe um filme do Wood Allen, não vou lembrar agora qual o nome, em que o protagonista ele diz, “de repente acordei, e não sentia mais culpa”. Essa frase martela muito a minha cabeça, porque ela representa para mim o ponto de não virada. É quando seu personagem te consome, quando seu personagem te abraça, e você já não sabe mais quem é você. Quando o médico monstro já não consegue ser mais o médico, é só o monstro. E eu olho o caso da Bel, e hoje, eu acredito de fato que existiu um motivo para isso acontecer. Talvez ela tenha falado que tinham 4 formações de uma vez, e ninguém falou nada, ela falou de novo. E foi falando. E não podia mais desdizer, porque tinha outras vezes, e foi sento levada, levada, as coisas foram acontecendo, uma menina. Quando foi flagrada, o que todos esperávamos? Todos esperavam, eu não esperava nada. “Pessoal, desculpa errei. Chega aí, errei para caramba, chapei, pirei, era uma alucinação, loucura, fui levada. Meu, quando acende uma luz da Rede Globo, você não sabe como o ser humano se porta, que vacilo hein, caramba hein, ainda sou uma menina”. Quando não veio essa resposta, aí que eu acho que realmente decretou. Aí tem um ponto de não virada, não veio.

Luciano Pires: Você tá citando um assunto, que é uma coisa interessante, porque a internet se presta muito para construir esses médicos e monstros. É um lugar onde você, falando uma bobagem qualquer, pintando um cabelo, etc. e tal, você tem 20, 30, 100, 400 mil seguidores. E de repente você tem uma molecada dando opinião sobre qualquer coisa, e as bateladas ali.

Tem uma carga de responsabilidade que vem atrás disso, que esse povo, parece que muita gente não entendeu ainda. Tem um microfone na frente aqui, to conversando com você. A hora que eu apertar o botão e esse negócio for publicado, tem algumas dezenas de milhares de pessoas, que vão estar ouvindo nós dois conversando. Há uma responsabilidade aqui. Eu não posso falar o que eu quiser, xingar do jeito que eu quiser, ou acusar do jeito que eu quiser. Porque tem uma responsabilidade embutida. E na internet, fica muito fácil você passar batido. Basta eu comer uma barata viva, e já tenho 7 milhões me olhando, e acabou.

Eu acho que é um processo de amadurecimento, que a sociedade tá andando, e a gente ainda vai descobrir como é que ele funciona. Você falou um negócio interessante na hora que a gente tava sentado conversando ali, que você, a sua empresa cresceu, e hoje você descobre que você tem que lidar com compliance. Que cada lado que você olha, meu texto não é só escrever e publicar. O cara do jurídico tem que olhar. A imagem que eu pegava e usava eu não posso mais. Agora eu tenho que comprar imagem, etc. e tal.

Então, conforme aumenta a responsabilidade, cria-se toda esse ecossistema moral que você tem que respeitar, porque senão deixa o flanco aberto. E acho que a sociedade tá aprendendo isso ainda. Ela é muito nova, internet é muito nova, a ferramenta é muito nova. A gente tá aprendendo a lidar com isso. Por que que eu to dizendo isso aqui? Porque me incomoda ver gente talentosa, sabe? Em um determinado caminho, abrir o leque, e começar a falar de tudo, de todo jeito. Cara, eu tenho um puta medo, quando eu vou fazer entrevista com você, qual é o assunto. Cara, eu não domino, não tenho a menor ideia. E eu vou na Wikipédia para responder para você. Desculpa, não é para mim. Já recusei participação até em PodCast, cara. Vem aqui! Não, não sou do ramo, não posso ir aí falar. Não é minha praia. Eu não vou aí para ficar chutando. E esse tipo de postura, que tem a ver com a maturidade também, tem a ver que a internet meio que atropela né?

Ícaro de Carvalho: O não Luciano, o não é libertador. Foi uma das coisas que eu aprendi também depois dos meus 30 anos. O não é libertador. Então um dia desses, um menino, ficou marcado isso na minha cabeça. Um dia desses um menino, um seguidor, me mandou uma mensagem, me falou assim. “Ícaro, porque que você acha que o MEC tem que passar por uma…”. Como eu de fato em 2019, me comprometi a não ver notícias. Eu tracei uma meta ousada de conquistas para a agencia, e eu não quero ler notícia, não quero perder tempo, quero ficar focado nisso, então não estou lendo. E parece que houve alguma discussão esse ano sobre alguma coisa do MEC, e o cara falou, “cara, porque que o MEC não aprova tal coisa?”. Eu falei, “cara, eu sou um comunicador, eu sou um marqueteiro, sou um vendedor. Eu não sei porque o MEC não faz tal coisa”. E aí eu postei um texto sobre home schooling, e as pessoas falaram, “você acha que o home schooling deveria ser instaurado no Brasil inteiro?”. Eu não sei, eu não sei. Eu não sei porque que a reforma da previdência não passou ainda. Eu não sei porque o Ônix Lorenzoni, X, Y, Z, eu não sei porque o Lula Y, Z, alpha, não sei. Quando você diz eu não sei para as coisas, as pessoas te olham como, “cara, você não sabe? Você mora no Brasil, cara. Você tem que saber de tudo, absolutamente tudo. Você tem que opinar sobre tudo”.

Luciano Pires: Me dá o seu acho, quero seu acho.

Ícaro de Carvalho: Me dá seu acho, que eu concluo. Que eu obtenho o que eu quiser disso. O não, é libertador, e quando você começa a dizer eu não sei, eu não sei, as pessoas acham estranho. Mas cara, quando você fala só sobre o que de fato você sabe, melhor sensação de todas. Não tem que inventar.

Luciano Pires: Vamos caminhar para a nossa reta aqui. Você tem um puta defeito pavoroso, cara. Você é meio… arrasta as asas para o conservadorismo, para liberalismo. Você vai na igreja, você tem religião, você reza cara, que horror. É branco.

Ícaro de Carvalho: Sou índio, meu bisavô é índio. Meio marrom.

Luciano Pires: Mas você tem esse problema. E ontem, nessa cadeira que você está, sentou a Amanda. A Amanda é trans. E a gente conversando, no meio da conversa ela soltou um negócio maravilhoso. Ela também é conservadora. Ela falou para mim, “cara, é muito mais difícil sair do armário conservador, do que sair do armário trans”. Sabe? Contar para a sociedade que eu sou trans, foi muito menos problemático, do que dizer que eu sou conservador. O que eu perdi de amigos quando eu me revelei, pensando coisas que eles não pensavam, foi muito mais o que eu perdi quando disse que eu era trans. Quer dizer, nós estamos no campo das ideias, e você quando revela isso, que horror! Nós somos muito polarizados, o Brasil. Isso é muito crítico, quando você tá exposto, quando você tá na mídia, quando você escreve um texto que você coloca a sua posição. Quer dizer, seu texto não é um texto que deixa transparecer que você tem essa ou aquela opinião. Você escreveu aquilo ali, tá escrito lá. Eu penso assim, é isso que eu imagino.

Essa sua visão conservadora, etc. e tal, ela vem de onde? Ela vem da experiência prática do pragmatismo? Você foi ler alguma coisa? Você foi se abastecer dessas ideias? Teve algum mentor que te trouxe, puxou para o lado… tirou do lado negro da força, e trouxe para o lado branco da força? Como que funcionou isso no seu processo?

Ícaro de Carvalho: quando nós falávamos, lá no começo da entrevista, sobre essa minha obsessão por pegar um tema e ler, eu fui basicamente a mesma coisa do conservadorismo. Não só conservadorismo, com liberalismo também. Com os aspectos mais religiosos dentro do conservadorismo, né? Então, a gente leu muito, não só eu, mas meus amigos mais próximos. Em Santos, tem uma turma muito boa. O Rafael Nogueira por exemplo está lá, que tá sempre brilhando no Brasil Paralelo. Então assim, a gente estudou muito, e com muita recorrência. Nós estudamos sobre não só os aspectos econômicos, mas culturais, de educação, de ocupação de espaço, guerra cultural.

Luciano Pires: quando você fala nós, são 2, 3 caras conversando a respeito, é uma mesa de bar conversando, como que é?

Ícaro de Carvalho: São umas 20 ou 30 pessoas. Nós temos um grupo.

Luciano Pires: Mas são pessoas conversando a respeito. Sentam para falar disso?

Ícaro de Carvalho: Sim. É uma coisa que parece maluca no Brasil, mas isso acontece.

Luciano Pires: Você senta para falar disso?

Ícaro de Carvalho: Cara, nós já temos hoje… O Ceará, meu amigo Rodrigo Marinho, quando ouvir esse PodCast, ele vai dizer, o Ceará tem mais de 300 grupos de estudo sobre liberalismo ou conservadorismo, cara. Molecada dentro da faculdade, estudando, lendo. Então assim, o Brasil vive um florescimento dessas ideias, e desse momento. Você vai hoje no cinema, tem documentário do Brasil Paralelo lá. Você vai na internet, tem o Nando Moura, um dos principais Yourtubers hoje da atualidade, que tá falando sobre isso. Tem a turma do MBL ocupando espaço, tem o Mamãe Falei, tem o Kim aí. Kim lançou o livro também. Então, tem gente.

E o mais interessante é, não são pessoas que reproduzem uma única ideia, uma militância uniforme. Tem gente que é mais liberal, mais conservadora, mais religiosa, tem gente que não tem religião. Tem gente que é a favor do livre mercado, tem gente que é a favor do Estado, tem gente que é a favor do Estado pequeno, tem gente que é a favor de nenhum estado. Então assim, mas todos comungam de um direito. Então assim, você tem o direito de colher aquilo que voe produziu, as pessoas sozinhas, as pessoas agremiadas, elas tomam decisões melhores do que um arranjo planificado estatal distante do que você está. São pressupostos ali, que defendem mais a liberdade, mais a autodeterminação, e menos um legislador superpoderoso em cima de você.

Luciano Pires: A sua chegada nesse caminho então, é racional? Você não copiou alguém. Você veio porque concluiu que aquelas ideias explicam o mundo de uma forma melhor para você, do que o outro lado.

Ícaro de Carvalho: E eu nem acho Luciano, que seria ruim se eu copiasse alguém. Porque imagina, porque você não copiaria São Francisco de Assis, por exemplo?

Luciano Pires: Na verdade, o que eu quero copiar aqui é o seguinte. Eu quero, estou investigando seu processo de raciocínio. Cara, eu não estou nessa praia, porque virou modinha. Porque tem um monte de gente legal que está, eu tenho que estar. Não. Porque eu acredito naquilo.

Ícaro de Carvalho: Não, até porque quando a gente fazia isso há 15 anos atrás, não tinha ninguém fazendo isso. Era pouca gente. Porque que eu sempre uso essa frase, “porque que você não copiaria São Francisco de Assis?”. Pode parecer um pouco deslocado, porque nós estamos falando de liberalismo. Mas, cara, imagina, olha o que São Francisco fazia, olha o que São Tomás faziam. Esses caras faziam tantas coisas boas, que porque não copiá-los, mesmo que talvez você não concorde, né? Mesmo que você seja ateu, você não pode negar que São Francisco fazia grandes coisas. Então assim, muitas vezes, você vai copiar as pessoas que você julga que fazem grandes coisas, para lá na frente, mais tarde, você descobrir que a ideia que essas pessoas defendiam eram boas.

Então, por exemplo, eu nunca flertei com coletivismo, com comunismo, com ideias totalitárias, com fascismo, com nazismo, porque você observa o fruto que elas trazem. O que que eu sempre flertei com liberdade? Porque traziam desenvolvimento, trazia mais igualdade, trazia mais enriquecimento. Então, ainda que as classes sejam diferentes, o pobre menos pobre, é muito importante você olhar os frutos também trazidos pelas ideias defendidas.

Você vai estudar essas ideias revolucionarias, e percebe que quase sempre elas acabam em desarranjo, em muros, guerras, brigas, e que o melhor argumento que essa turma tem, é dizer que tudo isso aconteceu porque não foi aplicado corretamente. Então, porque deturparam. Então, é uma posição que eu acabo não conseguindo defender.

Luciano Pires: Tem sempre um ponto futuro ali.

Ícaro de Carvalho: É aquele negócio. O negócio é tão difícil de ser aplicado, tato complexo, que ninguém consegue fazer direito, mas você vai defender que aqui vai ser bem-feito.

Luciano Pires: Dessa vez vai dar certo. Você tá na raiz do Brasil Paralelo, pré 64.

Ícaro de Carvalho: 2016, primeiro congresso.

Luciano Pires: você foi um dos caras que fez aquilo acontecer, né? O que que é aquilo, cara?

Ícaro de Carvalho: Cara, Brasil Paralelo, é a junção das 2 crenças profissionais que eu mais defendo. A ideia de que pessoas talentosas com um bom discurso, elas vão criar algo perene, que vai continuar. E a ideia de que a internet é a maior ferramenta democrática que o homem já criou. Então, uma reunião de pessoas talentosas, o hino do Brasil Paralelo, não falo nem slogan, o hino do Brasil Paralelo, criado pelo Henrique Viana, na verdade não é criado, ele decidiu adotar pela empresa, onde a vontade é um caminho. Então assim, uma reunião de pessoas talentosas, uma reunião de pessoas dedicadas, um bom trabalho, bom produto, boa mensagem, se torna um objeto capaz de acessar agora 15 milhões de pessoas.

Luciano Pires: E como é que com… sem um historiador de 68 anos de idade, 75 anos de idade, 88 anos de idade, com todos os diplomas e doutorados possíveis, essa molecada se mete a querer contar história.

Ícaro de Carvalho: Cara, é muito engraçado, porque tem uma frase do Rafael que sintetiza muito bem isso. Rafael Nogueira. Ele diz assim, “a história não é patrimônio dos entrincheirados acadêmicos. A história não é um patrimônio dos doutores. A história é um patrimônio público”. Então, a história tá toda aí, os livros estão disponíveis, os registros estão disponíveis, as diversas memorias estão disponíveis. Então basta boa vontade para arranjá-las. Eu não vi o 64, ainda. Eu comecei a ver, mas, eu estava fazendo a posição técnica para os meninos. Estava fazendo um pouco sobre colocação, um pouco sobre legenda, um pouco sobre câmera. Não vi ele inteiro ainda. Vi um pedacinho. Mas estou bem ansioso para assistir.

Luciano Pires: Assista que é legal. É aquela história, os livros estão todos aí. Durante muito tempo, se escolheu uma janela pela qual olhar para essa história. E agora tem alguém mudando a janela um pouco de lugar, entendeu? Mudou o angulo, e você começa a enxergar. Tem um outro lado para ver? Tem um outro lado, ele está aí. E tá se questionando a legitimidade de quem está trazendo esse outro lado, entendeu? Não é legitimo, porque vem pelas mãos de quem não tem o doutorado, não sei o que. Portanto, não tem, como que eu digo, o embasamento científico para poder falar, mas cara, tudo o que você falou tá tudo escrito. Os documentos estão aqui. Olha, e conclui.

Ícaro de Carvalho: e se eu não me engano, é uma visão um pouco restrita da coisa, porque a primeira preocupação que nós tínhamos no Brasil paralelo lá em 2016, eu tenho certeza que continua até agora, é sempre buscar muito profissional, muito estudioso. Eu sei que os meninos foram lá para a Romênia, Tchecoslováquia, falar com a turma de lá. Então, assim, se esses caras não sabem o que aconteceu, então quem sabe de fato, né?

Luciano Pires: Grande Ícaro, o que que vem por aí?

Ícaro de Carvalho: Cara, tem muito trabalho pela frente, alguns projetos que vão sair. A gente tem um documentário para colocar no ar nos próximos 60 dias também. Tem uma plataforma de assinatura. Eu não to podendo soltar muitas informações, por causa do bendito compliance.

Luciano Pires: quando for ao ar, isso aqui já deve estar… Você já deve estar com tudo publicado.

Ícaro de Carvalho: Não é bom nunca falar, porque a gente não sabe se vai demorar mais de 60 dias. Então como nós falamos, aquele bendito do compliance restringindo essas informações, mas, podem me acompanhar nas redes sociais, que vocês vão ver bastante novidades.

Luciano Pires: Quem quiser te achar, busca onde?

Ícaro de Carvalho: Ícaro de Carvalho no Instagram. Ícaro de Carvalho no Facebook, onovomercado.com.br, a nossa escola de marketing. Ou idc.com.br, para a nossa agencia.

Luciano Pires: Legal. Para você que está me ouvindo aí, eu sigo muita pouca gente nas mídias sociais. O Ícaro é um que eu sigo, tá? Gosto demais dos textos dele, já usei o texto em vários lugares. Usei até em PodCast, e tem sido sempre um prazer. Você é um cara que provoca, que não tem muita papa na língua, eu gosto muito dessa postura de questionar o status quo, de chacoalhar as pessoas, e falar, meu, se mexe, faz acontecer. Que é o espirito desse programa, o LíderCast nasceu para isso. Conversar com gente que tá fazendo acontecer.

Ícaro de Carvalho: Cara, uma das melhores entrevistas que eu dei, não só nos últimos anos, de todas. E eu fico muito feliz de ter participado.

Luciano Pires: obrigado por ter vindo, grande abraço.

 

Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

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