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636 – As duas éticas da eleição

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Luciano Pires -

Gravei um LíderCast da Temporada 11, que só vai ao ar em Janeiro de 2019, mas o papo acabou enveredando pelas eleições e eu vou aproveitar um trecho neste Café Brasil. O convidado foi Carlos Nepomuceno e sua argumentação é brilhante.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o João Vinicius, do Rio de Janeiro.

Luciano, meu querido. eu estou acompanhando o  seu posicionamento político nos últimos dias, nas últimas semanas e eu sou um daqueles caras que te escuta, entende e respeita a sua opinião mas, que discorda. 

Uma coisa interessante que você falou um desses podcasts, que o cara que pega pra ver mesmo os vídeos até o final do Bolsonaro, aí você vê que não é tudo isso, que a mídia quer colocar nele. E eu concordo. Você pega o vídeo da Maria do Rosário e você vê que, na real, os dois estão errados ali. Mas aí, onde eu chego ao ponto que eu discordo  de você e quem vota nele: quem está disputando voto é o cara que estava na mesma discussão que ela e, apesar de ter sido provocado, ele respondeu daquele jeito: você não merece ser estuprada. 

E existem várias frases, diversas frases do Bolsonaro, que foram tiradas de contexto e que se você assistir todo o contexto você vai… mas assim, tem frases que o Bolsonaro diz, que eu não acho que haja contexto que justifique. Certo?

Por exemplo, quando ele fala que, abre aspas tá? É ele que fala, não sou eu: vou governar para as maiorias. As minorias que se curvem ou desaparecerão”. Isso é muito complicado, é uma frase que eu posso fazer a brincadeira aqui: quem disse? Hitler ou Bolsonaro? As pessoas dizem: ah! Tá comparando o Bolsonaro com o Hitler. Tô. Tô. Porque a frase é muito parecida. Entendeu?

Assim como o ex líder da Ku Klux Klan, recentemente acabou de dizer: ele fala igual a gente fala. Então assim: eu acredito que 99,9% das pessoas que votam no Bolsonaro nunca vão concordar com quem diz que são fascistas, são racistas, acho isso uma grande bobagem. São pessoas comuns que estão cansadas dessa  velha política do PT, de corrupção, mas existe essa pequena parcela da população que vota nele que é sim racista,  homofóbica, machista, que vai se sentir super empoderada com a vitória dele. Brother: eu não preciso falar que o Bolsonaro em diversas oportunidades já mostrou que sim, ele tem o racismo intrínseco, ele é machista, ele é homofóbico sim, porque ele já disse com todas as letras que é. Não há contexto que … ah! Tem que ver o vídeo….. não não existe. Ele já disse com todas as… não há contexto que justifique ele dizer que o cara ser gay é porque não apanhou o suficiente, não há contexto que justifique isso. Então, é um candidato homofóbico sim, mas eu não acredito que as pessoas votem nele por causa disso, como você num podcast, no texto de um cara, que é de esquerda inclusive, que as pessoas votam nele apesar disso. Apesar  disso. Mas existe sim uma parcela que vota nele por causa disso. E essas pessoas já estão se sentindo, e vão se sentir, muito mais empoderadas quando esse cara ganhar. E eu tenho muito medo disso. Do que vai acontecer. Esse é o meu problema.

Mas aí, o cara chega pra mim e fala: pô, mas você vai votar no PT? Aí ele me quebra, porque tudo que eu não queria era votar no PT. Mas a minha opinião e eu acredito,  de muita gente, é que a gente não pode, em 2018, dar oportunidade de um cara que diz as coisas que o Bolsonaro diz, ah! Você aceita votar no PT, mesmo sabendo de toda a corrupção, você aceita votar no Bolsonaro, mesmo sabendo, na minha opinião, todos esses crimes que  ele fala? Se o Bolsonaro ganhar, que é o que eu acho que vai acontecer, eu quero que ele me surpreenda, cara! Que eu esteja errado e que o país realmente melhore.”

Caro João, você não imagina a quantidade de mensagens que recebi mais ou menos na linha dessa sua aí, olha… As pessoas não se conformam que eu, um liberal com um pé no conservadorismo, possa escolher votar num ditador nazista que amanhã pela manhã sairá pelas ruas metralhando minorias. Menos cara, menos… Precisamos entender essa alucinação coletiva e a conversa deste episódio trará mais luz ao debate. Só tenho uma coisa a repetir: a minha decisão foi muito bem pensada, embasada e calculada. Eu voto com o cérebro, não com os testículos. Vamos em frente.

Muito bem. O João Vinicius também receberá um KIT DKT, se mandar um e-mail pra gente com o endereço, evidentemente, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Detalhe: ele tem de mandar um e-mail pra gente no [email protected]cianopires.com.br. Bom. A gente não tem como descobrir o endereço

Você já sabe que boa parte dos resultados da DKT são revertidos para ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade, não é? Pois vamos fazer mais. Agora, para cada produto PRUDENCE que você adquirir, a DKT doará um produto igual para uma das organizações sociais com as quais ela mantém acordos. Faça assim: mande uma foto com os produtos que você adquiriu para nosso whatsapp 11 96429 4746. Produtos Prudence, evidentemente,  e aguarde uma resposta com informações sobre a entrega dos produtos. Assim, cada vez que você comprar um produto Prudence, estará contribuindo ainda mais para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então!

Luciano – Muito bem, Lalá, o que você faz na hora do amor?

Lalá – Ora essa, eu uso Prudence, doutor.

E o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios… vem pra cá, cara! É muito conteúdo. O pessoal tá pirando. Como é que a gente faz? Oferece conteúdo de alta qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Duvida, hein? Então acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês, sem pagar. É a assinatura recorrente, tá?

De novo: bit.ly/CafeDeGraca

Faça uma degustação do cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

Vamos lá então. Olha! Convidei para o LíderCast uma figura muito interessante, Carlos Nepomuceno, que é Doutor em Ciência da Informação, jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo Digital. O Nepô, como é chamado pelos amigos e seguidores, se dedica a implantação de laboratórios de inovação digital participativos em organizações públicas e privadas, incluindo escolas. É professor no MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE/Coppe/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais nos cursos de Pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso (IGEC) e Mídias Digitais Interativas no Senac/RJ, bem como, em diferentes cursos de pós, MBA da Universidade Veiga de Almeida. Além disso, é professor do IBP – Instituto Brasileiro do Petróleo.

É autor de vários livros, entre eles “Gestão 3.0 e a crise das organizações tradicionais”, e “Administração 3.0 – por que “uberizar” uma organização tradicional.

Foi escolhido como um dos 50 campeões brasileiros de inovação, pela Revista Info e é co-autor, junto com Marcos Cavalcanti, do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede. O Nepô é muito ativo nas redes sociais, especialmente pelas lives que publica diariamente no Facebook enquanto caminha às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Bem. E por que esse baita currículo, hein? É só pra você entender que não estará ouvindo um mané, um maluco que acha, outro chutador que segue os ventos das mídias. O Nepô é um cientista, um estudioso. Você pode não gostar do que vai ouvir, mas terá de arranjar argumentos um pouco melhores do que “ele disse”, ok?

O que vai na sequência é um trecho da conversa que tive com ele e que vai ao ar completa na temporada 11 do LíderCast, em janeiro de 2019.

Vamos lá então, olha, eu convidei para o LíderCast uma figura muito interessante, o Carlos Nepomuceno, que é doutor em ciência da informação, jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo digital.

O Nepô, como é chamado pelos amigos e seguidores, se dedica à implantação de laboratórios de inovação digital participativos em organizações públicas e privadas, incluindo escolas. É professor no MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE COPPE/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais dos cursos de pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso e Mídias Digitais Interativas no Senac do Rio de Janeiro, bem como em diferentes cursos de pós MBA da Universidade Veiga de Almeida. Além disso, é professor do IBP Instituto Brasileiro do Petróleo. É autor de vários livros, entre eles Gestão 3.0 e a Crise das Organizações Tradicionais e Administração 3.0 por que “uberizar” uma organização tradicional. Foi escolhido como um dos cinquenta campeões brasileiros de inovação pela Revista Info e é coautor, junto com Marcos Cavalcanti, do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil, conhecimento em rede. O Nepô é muito ativo nas redes sociais, especialmente pelas lives, que publica diariamente no Facebook, enquanto caminha às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Bem, e por que esse baita currículo? É só para você entender que não estará ouvindo um mané, um maluco que acha, outro chutador que segue os ventos das mídias. O Nepô é um cientista, um estudioso. Você pode não gostar do que vai ouvir, mas terá de arranjar argumentos um pouco melhores do que ele disse, ok?

O que vai na sequência é um trecho da conversa que tive com ele e que vai ar completa na temporada 11 do LíderCast, em janeiro de 2019.

Luciano: Se eu piscar, cara, eu estou na fake news. Eu acredito em tudo o que estão dizendo aí. É o que nós estávamos conversando antes de vir para cá, aquele lance aqui que é o seguinte, todos os ataques feitos ao Bolsonaro dizem respeito a coisas que ele pode vir a fazer, talvez ele faça, pode ser que, ele diz que vai… Nenhum ataque diz o seguinte, ele efetivamente fez, aqui está a lei que ele criou, aqui está o processo que ele montou, aqui está o cara que ele agrediu. Não tem fato, só tem o talvez aconteça, o que é uma narrativa: cuidado, que o Brasil pode ficar assim. Narrativas conduzindo para a gente essa loucura que nós estamos vivendo hoje aqui, “eu odeio você, porque você vai votar no cara que eu não gosto e eu cortei você da minha relação de amizades, não quero mais papo com você”. Eu garanto que eu não vou romper meus laços sociais em função dessas narrativas.

Nepomuceno: Eu estou estudando Bolsonaro há dois anos, porque eu percebi que havia ali um movimento interessante e não vinha apoiando Bolsonaro há dois anos, hoje eu estou apoiando, mas eu estava mais com o João, acompanhei o Novo. Então eu comecei a estudar o fenômeno Bolsonaro porque o Bolsonaro começou a ter um tipo de aderência que a primeira coisa que acontece é o seguinte, então como eu tenho acompanhado o Brasil, eu estou percebendo esse movimento no Brasil, de uma certa revolução que começa em 2013, passa pelo impeachment, eu acompanhei esse processo todo, fotografei, me envolvi como cidadão também, depois com o negócio do impeachment, depois o Lula, as eleições de 2016 e tal.

Então, o Brasil está vivendo, aí vamos desenvolver uma tese sobre o assunto. O Brasil está vivendo o que eu chamei, inclusive fiz a live de hoje, o que eu estou chamando de revolução republicana tardia. Eu só consigo enxergar essa revolução republicana tardia se eu entendo a mídia como um fator fundamental de mudança. Então, o que está acontecendo no mundo? O mundo é o seguinte, os países desenvolvidos fizeram sua revolução republicana há 200 anos. O que é a revolução republicana? Qual é a pedra fundamental de um país que se diz moderno? A pedra fundamental é: todos são iguais perante a lei. Isso vale, isso é a base estruturante, é o DNA inicial de uma república, todos são iguais perante a lei. A partir dali você consegue construir um país, digamos, contemporâneo. Então, essa é a base, que é o que eu chamo de ética coletiva estruturante daquela civilização. Então, você tem três éticas, você tinha a ética tribal, todos são iguais perante a lei, menos a nossa tribo, menos…

Luciano: O nosso inimigo, não é?

Nepomuceno: O nosso inimigo, que eu posso matar o meu inimigo, porque todos são iguais perante a lei, desde que seja a nossa tribo. Tanto que os judeus, se você vai pegar ali uma determinada época, eles emprestavam dinheiro para as pessoas que não eram judias e não podiam emprestar dinheiro para as pessoas que eram judias, porque é a ética tribal, todos são iguais perante a lei, desde que seja da tribo, se for fora da tribo aí… Então, essa ética funcionou para um tamanho de população, esse tipo de ética que evolui, as outras não evoluem. Coisas básicas, do tipo não matarás etc. e tal, vale sempre para aquela tribo. Então, sei lá, a tribo canibal pode comer a outra tribo, mas não pode comer a própria tribo. Senão todo mundo acordava de noite, será que vão vir comer? Entendeu, o cara tem que poder dormir, então tem aquela ética. Então, aquilo ali funcionou.

Aí veio a revolução de mídia, a gente atualizou a ética que veio o cristão: todos são iguais perante Deus. E aí então se construiu uma sociedade baseada nesse tipo de coisa, as tribos pararam de se matar, mas ainda existia o rei, que era o cara que tinha o poder absoluto, então não, eu não, todo mundo segue a regra aí, mas eu sou…

E aí veio a ética liberal, que deu os países contemporâneos. Então, todos os países, hoje, Alemanha, Canadá, Holanda etc. e tal, eles não estão discutindo essa questão, se todos são iguais perante a lei. Para eles, quando eles olham para o Brasil, eles acham e esses intelectuais, esses manés todos que estão querendo avaliar o Brasil, eles acham que o Brasil é uma república. E aí eles começam a fazer uma avaliação do Brasil assim, “Ah, negócio da droga? Ah, isso é muito atrasado, esse pessoal que está falando que não quer droga. Aborto? Não, isso é muito atrasado.” Eles estão com uma agenda que é contemporânea deles, só que eles não enxergam que o Brasil ainda é uma monarquia, porque a ética estruturante do Brasil é: todos são iguais perante a lei, menos o Renan Calheiros, menos o Maluf, menos o Temer, menos as empreiteiras, menos o PCC e menos o PT, que é uma aliança que houve de todas as máfias do Brasil fizeram uma aliança e fizeram um governo mafioso.

O movimento da Lava Jato e o movimento de 2013, impeachment, prisão do Lula, 2016 e 2018 é um movimento de revolução republicana. Há uma unidade, uma união entre brasileiros republicanos, que querem garantir no Brasil: todos são iguais perante a lei. Se você analisar todos os movimentos: canta um hino, levanta bandeira, protege o Sérgio Moro, prende o Lula, prende o Maluf, não tem bandido de estimação, a nossa bandeira não será vermelha. Tudo é republicano. E nós então estamos de baixo para cima criando a nossa república. Então, é uma revolução republicana tardia. Não é esquerda e direita. É monarquia mafiosa, com o PT também nessa linha, que os marxistas são monarquistas, tirânicos, de um lado e a galera republicana do outro. Quando as pessoas dizem, por exemplo, o negócio do Hitler, que o Bolsonaro é igual ao Hitler, e aí fala assim “Ah, a população também elegeu o Hitler” etc. e tal, mas a coisa que é engraçada é o seguinte, o Bolsonaro é muito mais perto do Lutero. Por quê? Porque o Lutero inicia o processo da reforma protestante e a base da reforma protestante é a pessoas lendo as coisas. Então, as pessoas vão lendo e elas vão modificando a sua consciência a partir da leitura e vão, a partir daí, criando um movimento de baixo para cima. A reforma protestante foi feita de baixo para cima, tanto que no filme Lutero, que tem no YouTube, quem quiser assistir, o Lutero, ameaçam assassinar ele, mais ou menos parecido com o Bolsonaro, e colocam ele num castelo e a reforma protestante acontece sem o Lutero. Começa um mata, mata lá, todo mundo quebrando as igrejas todas, pegando os padres, matando todo mundo e o Lutero estava encostado, num castelo, ele não participou de nada. Então não foi um movimento que tinha um centro que estava querendo. O que é diferente do Hitler, o Hitler tinha um centro, tinha um contexto e veio de cima para baixo. Então nós estamos fazendo uma revolução republicana tardia, em que o eixo central dessa eleição do Bolsonaro e desse movimento que começa em 2013 é: o Brasil quer ser um país republicano em que todos são iguais perante a lei. Essa é a base estruturante da república. Depois que a gente conseguir garantir isso, a gente pode ir caminhando para as outras coisas. As outras prioridades vêm depois. Então, um pouco essa é a minha análise.

Então, quando a gente fala isso em relações pessoais, foi o que você perguntou, o que acontece é o seguinte, eu me afastei de todos os meus amigos petistas. Todos. Aí a pessoa falou assim, Nepô, você brigou por causa de política? Eu falei, não. Eu não briguei por causa de política com nenhum amigo meu. Porque discussão política é o seguinte, você acha que tem que botar um esgoto aqui, não sei aonde, você acha que tem que botar um ponto de ônibus, você acha que tem que botar uma praça ali. Política é uma questão operacional. O debate que existe no Brasil hoje é um debate ético. Existe uma galera que defende uma ética tribal monárquica, em que todos são iguais perante a lei, menos o Lula, em que eles defendem isso e dizendo isso aí é a ética que eu defendo e existe uma galera dizendo assim não, não temos bandidos de estimação. Então são duas éticas diferentes. O que é que leva à ética que eles estão falando? A ética que eles estão fazendo dá em paredão. Se você analisar o desdobramento dessa ética, eles vão justificar o seguinte, nós, porque somos especiais, teremos o direito, já que o Lula não pode ser preso e tal, diapasão disso você vai acabar no paredão. Você vai dizer, bom, ele pode fazer o que ele quiser, inclusive…

Luciano: Exterminar quem…

Nepomuceno: Como o Maduro está fazendo. Eu posso te exterminar, posso te prender, posso te exilar, posso fazer o que eu quiser, porque eu sou especial.

Luciano: Como é que você explica essa histeria que nós estamos vendo aqui? Cara, aqui o negócio é histérico. Se eu chegar amanhã e falar assim: Bom dia, hoje é dia 17. Eu estou fodido, cara, em seguida me detonam no Facebook e é histérico. Porque você olha aquilo e fala, cara, não tem argumentos com pé e cabeça, tem histeria. Como é que você explica essa histeria? Você falou alguma coisa em torno de uma certa…

Nepomuceno: É, eu também demorei, eu estou estudando, quer dizer, estudei o Bolsonaro durante esses dois anos, li… Chegou um cara para mim e falou “Ah, que o Bolsonaro é isso…” Eu falei “Quantas entrevistas você ouviu do Bolsonaro? Nenhuma. Quantos textos você leu das pessoas ali próximas do Bolsonaro? Nenhuma. Quantas lives você viu do Bolsonaro?” Eu já vi, desde que eu estou estudando, sei lá, você pode botar aí umas duzentas e tantas horas de vídeo do Bolsonaro. Ele com o Olavo de Carvalho, ele sozinho nas lives dele, ele assim nas intimidades dele etc. e tal, pra eu poder formar um juízo, eu não gosto de ser emprenhado. Então eu comecei a estudar e estudo a fundo, eu sou meio obsessivo. Então eu fui formando o meu conceito, para ver até o risco que existiria etc. e tal e fui conhecendo a figura. Por até, pelo nosso início de papo, por ser filho de militar, eu conheço a caserna. O Bolsonaro é um militar típico. Se você entrar lá no quartel onze horas da noite, o pessoal antes de dormir, todo mundo é Bolsonaro. Ele não é um cara diferente daquela galera da tropa. Ele é a média da tropa. O que as pessoas não gostam é que alguém da tropa está assumindo, mas ele é da tropa, aquelas brincadeiras tudo é da tropa, entendeu, não é nazista, é tropa, é a cultura mediana de uma caserna, em que você tem oitocentos homens dormindo juntos. É mais ou menos isso, é que nem aquele clima de pelada, está entendendo? Banheiro de pelada, ou cerveja depois da pelada, é mais ou menos aquilo, um pouco diferente mas é aquilo ali. Então, isso aí não pode confundir o que é uma cultura, digamos assim, de maneira geral, popularmente falando, em que tem essas brincadeiras e tal, duma coisa que o cara diz “eu não gosto, vou matar, vou bater, se o cara passar na minha rua, eu vou dar um tiro no cara”, isso é uma coisa completamente diferente, que o brasileiro não faz isso.

Então o que eu acho que acontece é a mídia centralizada criou uma bolha, isso é uma característica de um fenômeno como esse midiático, você criou uma bolha da mídia centralizada em que, se eu estou perto da mídia centralizada, eu tenho influência, eu controlo tudo. E aí criou-se uma espécie de alucinação coletiva, em função dessa mídia concentrada, e essa alucinação coletiva, as pessoas, tem gente que realmente acha que o Bolsonaro vai criar um campo de concentração. Não é marketing da campanha.

Se a gente analisar o PT e aí uma live recente sobre isso, se a gente analisar o PT, que aí você vai falar, qual é a diferença de um cara esperto de um maluco? O cara esperto não come dinheiro. O maluco come dinheiro. O que significa isso no popular? Se o PT tivesse acreditado que o golpe e a prisão do Lula, se a Dilma ou etc. e tal ou o Lindbergh etc. e tal tivessem acreditado que aquilo ali era marketing, era só marketing, na hora desta eleição, eles teriam feito que nem a Gleisi Hoffman, todo mundo saía para deputado e depois ia dizer que estava todo mundo eleito. O que é que mostra que eles eram malucos e eles acreditavam no discurso deles? Porque eles saíram para o senado. Então eles comeram dinheiro, porque eles se prejudicaram, eles não tiveram estratégia, eles acreditaram no discurso deles. Então nesse momento eu percebi que não se trata de marketing, é alucinação. A Gleisi foi espertinha, eles, não.

Então essa alucinação coletiva, como é que você resolve isso, Luciano? E aí a minha recomendação para os teus ouvintes. É o seguinte, foi golpe, então se eu tivesse mudado a coisa e eu digo agora para as pessoas em relação ao Bolsonaro o seguinte, não foi golpe. Então vamos fazer o seguinte, vai ter eleição em 2018 e vamos deixar a população julgar. Ah, o Lula é honesto. Vocês estão defendendo um conceito, então vamos deixar a população julgar, porque é mais gente pensando e analisando e vai votar e vai avaliar o que você está falando. Aí deixa a população julgar. Ah, o Bolsonaro é nazista, vai ter campo de concentração. Beleza, não vamos nos estressar por causa disso, não. Vamos deixar passar um ano, dois.

Luciano: Ah, Nepô, mas a população elegeu o Hitler. A população…

Nepomuceno: Não, é o que eu estou te falando. Então você tem uma hipótese, que é uma hipótese bacana que você está propondo, é uma hipótese. Você está dizendo que o Bolsonaro é… mas isso é uma hipótese, porque a prática ele não está ainda matando judeus. Por enquanto, pelo que você está dizendo. Ele não está matando judeus, ele não está matando negro, não está matando mulheres, ele não está escravizando ninguém, não está jogando ninguém no mar ainda.

Luciano: Mas há a possibilidade da narrativa.

Nepomuceno: Há possibilidade. Então, tudo bem. Então, se você está dizendo que existe essa possibilidade, como ele já está eleito e não tem como mudar, a não ser que matem o cara agora, vamos esperar e daqui a um ano vamos fazer a avaliação e vamos ver se essa alucinação que você está vivendo agora não é igual à alucinação do golpe, não é igual à alucinação que o Lula é honesto, não é igual à alucinação de que vocês iam eleger o Lula e que o Haddad ia ser eleito facilmente. Vamos esperar, vamos ver a realidade.

Então, o que eu acho que vai acontecer, aos poucos, é que existe e eu faço uma distinção entre os vários tipos de marxistas, eu não chamo pessoal de esquerda, não existe esquerda, é uma coisa importante, eu não chamo de esquerda porque não existe esquerda. Não existe um filósofo chamado Zé de Esquerda. Existe um filósofo chamado Karl Marx, então se o cara defende aquelas ideias, a gente tem que dar nome aos bois, o cara é marxista. Eu sou liberal, eu parto de Adam Smith, não tenho vergonha de dizer que sou liberal, tenho um conceito, tenho uma ideia, eu tenho uma proposta de mundo. Eles são marxistas, mas eles se escondem na esquerda, porque fica uma coisa superflexível. Você chega para um cara de esquerda e pergunta, meu irmão, você é marxista? Não, eu sou de esquerda. Mas qual é o filósofo em que você se baseia? Marx. Então, gente, é marxista. então você tem um marxista que eu chamo de marxista serial killer de apartamento. Um serial killer de apartamento é aquele cara, é o Fidel Castro, que você está dormindo e o cara te mata. Depois que eles viram que não estava dando certo essa história, eles criaram o serial killer do barzinho, que é o cara que fica no barzinho, inclusão social, bacana e tal. Aí você entra no carro dele, o cara te leva para o beco, está entendendo? Então você voluntariamente entra no carro do serial killer, então é um cara todo jeitoso, ele vai falar coisas bacanas para você e você vai acreditar. Esse cara aqui é o Stédile, é o José Dirceu, é o Boulos.

Luciano: O maluco…

Nepomuceno: O serial killer de apartamento. O serial killer de barzinho é o Haddad, é um cara assim mais light, não sei do que, esse cara não vai comandar o pelotão de fuzilamento. O Stédile vai. Depois você tem o marxista Nutella, que é a galerinha que você conhece que está acreditando que ele é bom, que ele é bacana, que essa história de Venezuela… Você bota um detector de mentira, aí você fala, você quer que o Brasil vire uma Venezuela? Ele vai dizer não e vai ser verdade isso. Só que ele não percebe que ele é uma peça de uma engrenagem que no final tem um serial killer que vai trucidar todo mundo.

Luciano: Puxando as cordinhas lá.

Nepomuceno: Então esse cara é um mané, otário, que está indo na onda. Então, essa galera aqui, até a eleição de 2018 era o que o pessoal chama de petistas. Aqui, que acredita no Lula, no golpe etc. e tal, é até o marxista Nutella. Quando o Bolsonaro começou a ter chance de ganhar, apareceram duas modalidades novas de Nutella, que eu chamei o superNutella e o hiperNutella. O superNutella é aquele cara que coloca no Facebook ” eu sou antipetista, mas vou votar contra o Bolsonaro, agora eu sou Haddad”, esse é o superNutella, que ainda está sob influência do marxismo, mas fica ali e não sei o que. E o hiperNutella é o cara do voto nulo, aí arranja uma desculpa qualquer, todos influenciados pelos marxistas. Então a gente tem uma influência fortíssima do marxismo na sociedade brasileira, essa influência é diferente para cada pessoa, não é uma coisa assim, quando alguém ouvir dizer “Nepô, você está dizendo isso, eu não acredito nisso, isso é uma fantasia da sua cabeça” é porque o cara é marxista Nutella, ele não tem noção de onde é que ele está, qual é a história.

E nós agora, Luciano, a gente tem que encarar esses caras como aqueles caras do santo-daime, está entendendo? Que o cara toma santo-daime, fica lá viajando na maionese e quer botar fogo na casa, achando que não vai pegar fogo. E aí você tem que ser uma espécie assim de papai dos adolescentes, falar “Não, não, está bom, está certo, está tudo certo, a gente vai caminhando e vamos ver no que vai dar” e aí a gente vai mostrando, na prática. Aí o hiperNutella vai começar a acordar um pouquinho, vai ser o que primeiro vai acordar e falar “Realmente, eu estava vacilando” e depois vai ter o superNutella, que talvez chegue também. E os outros três não têm saída. Então, são as minhas viagens, que eu estou fazendo aí em relação a essa eleição.

É assim, ao som da trilha do LíderCast, que vamos saindo pensativos.

Olha! Agora você conhece as duas éticas. Escolha uma, cara escolha a sua, bom voto e vamos construir o Brasil que merecemos.

Com o atônito Lalá Moreira na técnica, a incomodada Ciça Camargo na produção e eu que, diante das informações que temos, acho que nunca fiz uma escolha tão correta, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte João Vinícius e Carlos Nepomuceno, o Nepô, que faz as cabeças da turma lá do Rio de Janeiro.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Você gostou do conteúdo do Café Brasil, hein? Este aqui é muito política, né? Mas, minha pegada é outra. Eu falo muito de crescimento profissional e pessoa. Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece! Leve pra sua empresa.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do escritor Richard Bach:

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.