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642 – A caverna de todos nós

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Luciano Pires -
Download do Programa

Olhe em volta, quanta gente precisando de ajuda, quanta gente fazendo acontecer, quanta gente gritando, quanta gente orando, quanta gente doando, quanta gente precisando. Sim, existe gente pra tudo, altruístas, generosos, invejosos, egoístas… cabe a nós escolher como vamos agir para aliviar as dores do mundo.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas para complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Baixe gratuitamente em portalcafebrasil.com.br/642.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Alex Lucena…

“Oi Luciano. Meu nome é Alex Lucena, eu sou de Imperatriz, no Maranhão.

Recentemente você veio dar uma palestra O meu Everest, aqui em Imperatriz, no Encontro Maranhense de Jovens Empreendedores e eu queria te agradecer muito a vinda, desde já, você foi um grande influenciador na forma que eu comecei a ver minha vida. 

Hoje, realmente, eu estou mais ativo, estou lendo mais e assim, estou sendo bem assíduo quanto aos conteúdos do Café Brasil e estou gostando bastante. Continue assim que você tem influenciado muitas pessoas para o bem. Desenvolver o senso crítico é o que a sociedade precisa. 

E quando a gente lê mais, a gente costuma ser mais crítico e já provoca uma mudança interna em cada um. E quando a gente começa a mudar, a gente tende a ver oportunidades onde sempre estava ali mas, a gente não conseguia observar. 

Obrigado por me influenciar e influenciar tantos jovens que aqui em Imperatriz estavam parados, tá certo? Muito obrigado e vou estar sempre aqui escutando o Café Brasil. Até mais.”

Grande Alex…pois é, acabo de retornar de Imperatriz, onde palestrei num evento sensacional. Uma sexta feira, à noite, 600 pessoas me assistindo por duas horas, numa espécie de feita de empreendedorismo, repleta de indivíduos fazendo acontecer. Foi um barato, e fico feliz de ter contribuído do jeito que sei e posso fazer. Cara, chega a ser comovente ver esses guerreiros no interior do Brasil construindo negócios a partir do zero e contribuído para que suas comunidades progridam. Olha, fazer o que faço, viajando por esse interiorzão do Brasil, é um privilégio. Sempre volto pra casa renovado e com a certeza de que não tem como o Brasil dar certo. É só parar de atrapalhar a vida de quem quer fazer acontecer honestamente. Obrigado Alex. Espero ouvir mais de você!

Muito bem. O Alex receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe que grande parte de resultados da DKT é revertida para ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade, não sabe. Pois agora estamos fazendo mais. Para cada produto PRUDENCE que você adquirir a DKT doará um produto igual para uma das organizações sociais com as quais ela mantém acordos. Faça assim, ó: mande uma foto com os produtos que você adquiriu, para nosso Whatsapp: 11 96429 4746 e aguarde uma resposta com informações sobre a entrega dos produtos. ASsim, cada vez que você comprar um produto Prudence, estará contribuindo ainda mais para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

– Lalá, por favor, quero contar com sua ajuda

– Pois não

– Na hora do amor, use…

– Prudence.

O Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Como? Oferendo conteúdo de alta qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Duvida? Então acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês, sem pagar.

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Conteúdo extra-forte.

[tec] in my life

Abro o programa ao som de IN MY LIFE, de Lennon e McCartney, no violão de Laurence Juber,

e com um texto chamado A caverna de todos nós, de Jairo Marques, que é repórter da Folha de São Paulo e cadeirante desde a infância, pode nos ajudar a aprofundar a reflexão proposta neste programa. Cheguei a esse artigo por recomendação da Leide Jacob, que esteve comigo no LíderCast 128.

Aliás, para você que ouviu esse programa emocionante, com o relato de como o surgimento de uma doença degenerativa em sua mãe, fez com a Leide criasse alternativas que acabaram afetando as vidas de muita gente.

Esse LíderCast foi publicado dia 18 de outubro de 2018 e no dia 23 de novembro seguinte, a mãe da Leide faleceu. Uma guerreira que, com seus poemas, nos mostrou que mesmo diante dos maiores problemas, é possível criar e…viver.

Que este programa seja uma homenagem à minha amiga Leide Moreira.

Um pouco de cada ser vivente neste planeta estava soterrado com aqueles meninos esquálidos no fundo de uma caverna na Tailândia aguardando por uma luz, por socorro, por esperança de continuarem suas jornadas. Lamentável serem tantas as angústias, os clamores por novas vidas e tão poucos os esforços por resgastes no dia a dia.

Desde menino, me chamam de “guerreiro” ou diziam que eu tinha de ser um para conseguir suportar carregar o peso e as consequências de uma deficiência severa. Demorei muitos anos para entender a razão do rótulo, que me impunha sempre a necessidade de rugir firmemente, de ser bravo, de ser destemido diante às adversidades que parecem não ter fim.

Hoje o conceito me é mais claro. Chamar o outro de guerreiro é uma maneira de alertá-lo de que na selva ou na caverna, muitas vezes, a vontade de continuar enfrentando o medo, de seguir pelejando para se manter íntegro é um processo solitário, de enfrentamento de medos, de dores físicas, mentais e sentimentais.

O que pouco se considera nos guerreiros é que a cada frente de batalha, novos arranhões e feridas se formam, mais vulnerável se fica, menos rugidos sobram.

Por mais fortes e resistentes que fossem os 12 meninos –e, evidentemente, também o treinador–, foram os incansáveis mergulhadores, socorristas, voluntários, rezadores e xamãs que deram a eles, em momentos distintos, o fiar das garras para acreditarem que se salvariam.

Na caverna de cada um, o processo é semelhante. Há momentos diversos em que apenas a dedicação própria é inócua para voltar à superfície, que é fundamental que alguém, do lado de fora, dedique algo a mais que desejos de boa luta, de boa sorte.

Na minha trajetória de “guerreiro”, a carapaça de resistência servia mais para me fazer sentir dificuldades de compartilhar minhas angústias, minhas fraquezas –e me tornar tremendamente arisco–, do que para me tornar alguém firme, inume a qualquer sofrimento.

Quando o padecer de alguém se torna processo além do indivíduo, mais rápido se atinge um ponto de equilíbrio, retoma-se energia, mais lenta avança a desilusão.

Quando se sabe que alguém está empenhando em arrumar uma corda longa para resgatar um aflito de um buraco, algo na natureza humana faz a gente não se esvair em choro e fim.

E sempre, sempre há algo a ser feito para quem está enfurnado em uma caverna, mesmo se ela estiver parcialmente alagada, mesmo se ela for lúgubre, estreita, desconhecida.

Os técnicos mais graduados envolvidos na recuperação dos garotos, objetivamente, diziam ser muito difícil que tão pequenos seres fossem capazes, em tão curto espaço de tempo, de aprender mergulho, de controlar suas aflições e de adquirir o conhecimento necessário para sair daquela situação.

Junte-se a isso as tempestades que desabavam na região, a anêmica condição física do grupo e a dificuldade de levar recursos para as proximidades do ponto de contato. Mas do lado de fora, havia muito mais que pensamento positivo, gritos de “vocês são guerreiros”.

Havia vontade e ação para que tudo se resolvesse, para que a luz não se apagasse para eles e para cada um de nós. Sem nenhuma dúvida, é necessário mais gente explorando cavernas e mais gente acreditando que há chances de ser resgatado.

A condição básica do ser humano, aquela com a qual nascemos desde tempos imemoriais é morrer de frio, de sede, de fome ou devorado por um predador. Para escapar desse destino, usamos nossa mente privilegiada, criando ferramentas, processos e estratégias que nos garantiram dominar as outras espécies e conquistar o planeta. A luta é diária. Temos de buscar os recursos para nos alimentar e nos proteger das intempéries e dos predadores. A maioria consegue, com o tempo, desenvolver habilidades e levar a vida a contento. Pode não ser a vida que sonham, mas têm as necessidades básicas atendidas. Outras pessoas, no entanto, não conseguem. Algumas nascem com problemas de saúde, outras sofrem percalços, mentais ou físicos, que as deixam sem condições de lutar. E então precisam da ajuda de outros seres humanos.

É nessa hora que conhecemos o que verdadeiramente ser humano.

In My Life
John Lennon
Paul McCartney

There are places I remember
All my life, though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone and some remain

All these places had their moments
With lovers and friends, I still can recall
Some are dead, and some are living
In my life, I’ve loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I love you more

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I love you more

In my life, I love you more

Em Minha Vida

Há lugares dos quais vou me lembrar, por toda a minha vida
Embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, não para melhor
Alguns já nem existem, e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos, e outros ainda vivem
Em minha vida, eu amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que nunca vou perder o afeto
Por pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que, com frequência, eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais você

Embora eu saiba que nunca vou perder o afeto
Por pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que, com frequência, eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais você
Em minha vida, eu amo mais você

Que bonito, não? Esse é o Marcelo Archetti, que apareceu no The Voice Brasil, e nos dá esse presente com uma das mais poderosas canções de Lennon e McCartney

Biólogos evolucionistas estudaram as questões do altruísmo na tentativa de explicar a cooperação entre as espécies na natureza. Uma atitude altruísta é um comportamento de ajuda a quem se encontra em dificuldades. Praticar o altruísmo implica em algum tipo de custo ou risco para o altruísta. Quando não existe risco, é generosidade. Sacou a diferença? Generosidade não envolve risco, altruísmo sim.

Portanto, do ponto de vista da evolução, o altruísmo não parece fazer sentido, afinal, não somos apenas um saco de genes egoístas, preocupados unicamente em sobreviver e nos multiplicar? Não deveríamos estar interessados, portanto, em fazer sacrifícios para ajudar os outros, certo? Quando ajudamos nossos parentes, é até possível entender, são os mesmos genes que os nossos, mas e quando ajudamos estranhos?

Até porque nossos recursos são limitados!

Na revista Science em 1968, um ecologista chamado Garret Hardin, publicou o artigo “A Tragédia dos Comuns” onde examina os problemas criados pelo crescimento da população humana e o uso dos recursos naturais da terra. Garret afirma que não é possível manter o nível de vida de uma população crescente num planeta de recursos finitos.

Garret usa então um famoso exemplo dos pastores que, sendo vizinhos, querem aumentar seus rebanhos. Os rebanhos estão no mesmo pasto, e cada animal agregado representa um custo em termos de consumo de pastagens. E um lucro para o pastor. Mas enquanto o lucro é individual, exclusivo para o dono do rebanho, o custo é compartilhado entre todos os que usam o pasto. Se todos os pastores chegarem à conclusão que devem agregar novos animais a seus rebanhos, a superexploração e a degradação do pasto será o resultado. Para tragédia de todos os pastores.

Esse raciocínio vale para o ar que respiramos, os oceanos, rios, animais, parques… vale até para o metrô. Se todos decidirem vender seus carros ou abandonar o ônibus para usar o Metrô, o sistema entrará em colapso. Não comporta. E existe um limite para a quantidade de novos trens que podem ser agregados ao sistema.

Garret então trata da “consciência” do uso dos recursos, como um meio para policiar os bens comuns. O uso consciente dos recursos, que é o que você ouve a todo momento. Mas há um problema. A confiança na consciência favorece os egoístas. Favorece aqueles que não vão se comportar como se espera, os canalhas que vão consumir para si e dane-se o resto.

O ensaio de Garret, publicado numa revista de ciência, tem como pano de fundo uma questão moral: a liberdade de se fazer o que se quer, que completa a tragédia dos bens comuns. Liberdade sim, mas até onde?

A ruína é o destino de todo homem que persegue exclusivamente seus interesses individuais.

Bem, não vou mergulhar aqui nas discussões polêmicas em torno das ideias de Garret, minha intenção foi mais apresentar a você o autor e o conceito, para que você vá atrás dessa reflexão sobre o uso que fazemos dos recursos aos quais temos acesso. E por isso volto à questão do altruísmo. Tendo acesso aos recursos que precisamos, o que fazer com quem não tem acesso para garantir sua subsistência? Mais que isso…

O que fazer com quem precisa realmente de ajuda?

Volto ao texto do Jairo que usei no começo do programa: “… sempre, sempre há algo a ser feito para quem está enfurnado em uma caverna, mesmo se ela estiver parcialmente alagada, mesmo se ela for lúgubre, estreita, desconhecida.”

Se eu tenho acesso aos recursos, e tenho a consciência de que outros não têm, cabe a mim fazer com que uma parte do que eu posso obter, chegue até esses outros. Não como migalhas, mas como a minha missão digna de cidadão.

E esse cabe a mim a que me refiro aqui não pode ser uma imposição. Precisa ser uma escolha.

No meu caso, especificamente, trabalho com conteúdo, com conhecimento. Pela educação que tive, por minha história de vida, fui exposto a situações às quis poucas pessoas são. Seja no campo profissional ou pessoal, minha experiência de vida proporcionou um repertório rico, que decidi, muitos, muitos anos atrás, compartilhar com outras pessoas. Foi assim que nasceram os podcasts, é assim que eles são feitos e é isso que norteia o meu trabalho. Há 12 anos, distribuídos gratuitamente. Alguns anos atrás encontrei uma forma de fazer desse compartilhamento meu meio de vida, com as palestras, mas jamais perdi de vista o fundamento: compartilhar os recursos que consegui obter.

Outras pessoas escolheram caminhos diferentes. São voluntários das mais diversas causas, entregam seu tempo de vida a ajudar outras pessoas. Em escolas, em creches, nas ruas, em ONGs, em igrejas… ou de forma independente. E a cada dia é mais fascinante encontrar essas pessoas. Aliás, tenho conversado com várias delas no LíderCast.

O que me fascina nessas pessoas é a capacidade de entrega. O que as motiva a ajudar as outras a sair de suas cavernas?

O altruísmo está por todo lado. Os números são incertos, mas calcula-se que 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário em 2017 no Brasil, 840 mil a mais do que em 2016.

O que é que motiva essas pessoas?

O altruísmo não pode ser explicado simplesmente com base no auto-interesse. E os evolucionistas explicam: todos organismos, de peixes a seres humanos, costumam retribuir a ajuda que recebem, contribuindo para a evolução dos altruístas. Por isso alguns criticam o altruísmo, como um comportamento “impuro” e baseado num cálculo frio: alguma vantagem será obtida.

Mas só isso não explica o altruísmo.

Um outro fator motivador é conhecido como “reputação positiva”. Uma pessoa altruísta mostra para as demais que ela é digna de atenção, de confiança e de ajuda. Dependemos de outras pessoas para nossa sobrevivência, ser visto por elas como alguém que vale a pena ter por perto é, portanto, um passo importante. O altruísta é alguém que não passa desapercebido. E é por isso que muita gente, especialmente empresas, faz barulho para mostrar seu altruísmo. Pega bem.

Mas só isso ainda não explica o altruísmo.

Existe outro fator, que na verdade me parece o mais importante, e que os especialistas designam como “instinto altruísta”. Experiências com bebês demonstraram que esse instinto está presente mesmo para quem não racionaliza a questão da reputação. Crianças com um ano e meio lá ajudam umas às outras, sem precisar de motivação para isso.

Existe um instinto que nos impele a ajudar nossos semelhantes em dificuldades. Quando esse instinto nos leva a abrir mão de algo que precisamos para sobreviver, em favor de outra pessoa, somos altruístas. Pode ser parte daqueles recursos que Garret menciona na Tragédia dos Comuns. Pode ser parte de seu dinheiro. Pode ser parte de seu tempo. De seu sangue. Pode ser um órgão…

O altruísmo é uma expectativa social de que o sacrifício de abrir mão de algo que você precisa para viver, para ajudar quem precisa ainda mais, é responsabilidade de cada membro da sociedade.

E nessa hora, não interessa se você é direita, de esquerda, de centrou ou simplesmente carnavalesco. Estou falando de algo que está muito acima e além das discussões ideológicas.

Cabecinha no ombro
Paulo Borges Alves

Encosta a sua cabecinha no meu ombro e chora…
E conta logo suas mágoas todas para mim
Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Que não vai embora

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Porque gosta de mim…

Amor, eu quero os seus carinhos, porquê, eu vivo tão sozinho
Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora
Se ela vai embora
Se ela vai embora…
Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora
Se ela vai embora
Se ela vai embora…

Encosta a sua cabecinha no meu ombro e chora
E conta logo suas mágoas todas para mim

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Que não vai embora

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora
No meu ombro chora,
Porque gosta de mim…

E você ouve CABECINHA NO OMBRO, composta pelo carioca Paulo Borges Alves em 1953 e aqui magistralmente interpretada por Almir Sater e Sérgio Reis… o versinho “quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora…que não vai embora…porque gosta de mim…” é de emocionar. É assim, com emoção que a gente vai saindo de fininho…

Olha, o objetivo deste programa foi dar uma provocadinha aí sobre as escolhas que cada um deve fazer para ajudar quem precisa. De forma racional, do jeito que você pode, com as armas que você tem, como uma missão, como uma atitude que faz parte daquela arte que anda tão abalada: a vida em sociedade. Em harmonia.

Ouça os LíderCasts da Simone Mozilli, da Kátia Carvalho,  da Maria Luján, do Rafael Rodrigues, da Neide Santos, do Bruno Teles, do Edu Lyra, do Ronny Clayton, do Rodrigo Buchiniani e tantos outros, que dedicam parte de suas vidas para ajudar que saiamos das cavernas de todos nós.

Olha, eu sei que não tem sido fácil, que a todo momento temos de desviar dos canalhas, mas é isso aí: se fosse fácil qualquer um fazia, não é?

Com o altruísta Lalá Moreira na técnica, a generosa Ciça Camargo na produção e eu, que to fazendo a minha partezinha aqui, como uma formiguinha, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Alex Lucena, Jairo Marques, Laurence Juber, Almir Sater com Sérgio Reis, Marcelo Archetti… e a memória de Leide Moreira.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café brasil? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianiopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/642.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase da escritora Edna Frigato:

O altruísmo é silencioso, o que faz barulho é o ego.