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Luciano Pires -
Download do Programa

Fui dar uma olhada nos comentários dos ouvintes do Café Brasil pelo aplicativo do iPhone e me deparei com manifestações de 12, 10, 8 anos atrás! Que paulada! Alguém que tinha 18 anos quando começou a ouvir o programa 12 anos atrás hoje tem 30! É alguém diferente. Será que é a pessoa que queria ser 12 anos atrás, hein? Mais uma vez o tempo pra explodir nossas cabeças…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, aquele recado: a transcrição deste programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/649.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Thiago, de Fortaleza. O texto dele você vai ouvir ao longo do programa.

Muito bem. O Thiago receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe que boa parte dos resultados da DKT é revertida para ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade. E agora, nós estamos fazendo assim: para cada produto PRUDENCE que você adquirir, a DKT doará um produto igual para uma das organizações sociais com as quais ela mantém acordos. Você  assim, ó: manda uma foto com os produtos que você adquiriu para nosso whatsapp 11 96429 4746 e aguarde uma resposta. Assim, cada vez que você comprar um produto Prudence, estará contribuindo ainda mais para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! 

Luciano – Lalá, sem pressa, olha aqui ó: na hora do amor, tranquilo,  você usa o que?

Lalá – Bem, eu uso Prudence, sem pressa, na paz…

Hora do Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”,  que anda a mil, trazendo conhecimento de primeira sabe de que jeito, hein? com sumários de livros, com videocasts, com palestras, com podcasts, com e-books… bicho… é uma festa que você consome quando, como, onde e quanto quiser.  Acesse CafeDeGraca.com e você poderá experimentar o Premium por um mês, sem pagar.

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Conteúdo extra-forte.

Então… Eu costumo privilegiar os comentários dos ouvintes por voz, que chegam pelo Whatsapp. Mas o Thiago de Fortaleza mandou por escrito e foi impossível não usar. Vamos lá….

Bom dia Luciano ! Cara, acabou de acontecer algo que eu preciso compartilhar com você.

É a primeira vez que me ocorre mas certamente você já passou por isto algumas vezes. Lá vai…

Hoje caiu a ficha. Pois é, nunca imaginei que este dia chegaria, como os integrantes da banda “Twisted Sister” cantaram na canção entitulada 30 “thirty came and went a long long time ago”…

30
Twisted Sister

Well we never had the time to plan our life past 30
We were bullet proof, through the roof, nothing could ever hurt it
Never gave a damn about the other side of the hill
Nothing could stop us, nothing never will
And when we hit the stage, Lord you’d never know
30 came and went a long time ago

We rocked the 80’s like we thought they would never end
We can still bring the house down like we did way back when
We can cuss, we can fight, we can go all night
Still tear it up even though
30 came and went a long, long time ago

We were 25, so alive, nothing but the road on our minds
It was a rocked out, knocked out, sold out show every time – know that
We were jukebox dreaming and that life we make our stand
Burning through the night, headed for the promise land – you know where that is
Well we must’ve lost track of time cause we didn’t know
30 came and went a long time ago

We rocked the 80’s like we thought they would never end
We can still bring the house down like we did way back when
We can cuss, we can fight, we can go all night
Still tear it up even though
30 came and went a long, long time ago

We rocked the 80’s like we thought they would never end
We can still bring the house down like we did way back when
We can cuss, we can fight, we can go all night
Still tear it up even though
30 came and went a long, long time ago
We can cuss, we can fight, we can go all night
With the help of pharmaceuticals
30 came and went a long, long time ago

And the 60’s up ahead, yes, it is

30

Bem , nunca tivemos o tempo para planejar nossa vida passada 30
Estávamos à prova de bala , através do telhado , nada poderia feri-lo
Nunca deu a mínima para o outro lado da colina
Nada pode nos parar, nada vai
E quando subimos ao palco , Lord você nunca sabe
30 chegou e passou um longo tempo atrás

Nós abalou os anos 80 como nós pensamos que eles nunca terminaria
Nós ainda podemos trazer a casa abaixo , como fizemos quando caminho de volta
Podemos xingar , podemos lutar , podemos ir a noite toda
Ainda rasgá-la , mesmo que
30 veio e se foi há muito, muito tempo atrás

Éramos 25 , tão vivo , nada mais que a estrada em nossas mentes
Foi um balançado para fora, bateu para fora , show esgotado toda vez que – sabe que
Fomos jukebox sonhando e que a vida o nosso posto
Ardente durante a noite, dirigiu-se para a terra prometida – você sabe onde é
Bem, devo ter perdido a noção do tempo, causa não sabíamos
30 veio e se foi há muito tempo atrás

Nós abalou os anos 80 como nós pensamos que eles nunca terminaria
Nós ainda podemos trazer a casa abaixo , como fizemos quando caminho de volta
Podemos xingar , podemos lutar , podemos ir a noite toda
Ainda rasgá-la , mesmo que
30 veio e se foi há muito, muito tempo atrás

Nós abalou os anos 80 como nós pensamos que eles nunca terminaria
Nós ainda podemos trazer a casa abaixo , como fizemos quando caminho de volta
Podemos xingar , podemos lutar , podemos ir a noite toda
Ainda rasgá-la , mesmo que
30 veio e se foi há muito, muito tempo atrás
Podemos xingar , podemos lutar , podemos ir a noite toda
Com a ajuda dos produtos farmacêuticos
30 veio e se foi há muito, muito tempo atrás

E os anos 60 até à frente , sim, é

Thiago: Você conseguiu colocar Twisted Sister no Café Brasil. Aliás, pra quem curte, tem um documentário deles no Netflix que é uma delícia, cara.

Deixa eu voltar ao texto do Thiago

Vamos lá…

4 horas da manhã e resolvo escutar música, mas qual, hein?

– ahh, lembrei daquela música legal que escutava na MTV um dia desses

– como era o nome da música mesmo ?… humm… Lembro que a Pitty que cantava e o clip era meio “dark”

– sim, sim, o nome era “Memórias”, vou procurar no YouTube

Memórias
Pitty

Eu fui matando os meus heróis aos poucos
Como se já não tivesse
Nenhuma lição pra aprender

Eu sou uma contradição e foge da minha mão
Fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido
Eu quis me perder por aí, fingindo muito bem
Que eu nunca precisei de um lugar só meu

Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu

Eu dou sempre o melhor de mim
E sei que só assim é que talvez
Se mova alguma coisa ao meu redor
Eu vou despedaçar você
Todas as vezes que eu lembrar
Por onde você já andou sem mim

Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu
Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu nem quero saber

Eu sou uma contradição e foge da minha mão
Fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido
Eu quis me perder por aí, fingindo muito bem
Que eu nunca precisei de um lugar só meu

Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu
Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu nem quero saber
Nem quero saber

E foi assim que, pela primeira vez, me dei conta de que algo que eu vivi aconteceu a DEZ FUCKING ANOS ATRÁS !

MAS COMO ASSIM, MEU DEUS, CARA ?!?!? Um dia desses eu tava nas aulas de reforço escolar e essa música passava na MTV ! Pois é, acabei de me dar conta de que fiquei velho.

Não consigo esconder o descolamento de realidade que senti neste breve lampejo de lucidez.  Imagino que quando legião urbana escreveu o trecho explicando que seus pais “são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer” o compositor tinha na cabeça algo parecido com o que estou sentindo.

A palavra “Niilismo” me martela a cabeça e a citação de Rick and Morty , nunca fez tanto sentido.

Dúvidas, incertezas, inseguranças – contas, trabalho, responsabilidades. Jovem – Adulto… Será que daqui a mais 10 anos vou me lembrar deste momento como lembro de assistir ao Clip “memórias”?

Mas foi um dia desses, cara! Pois bem, meus caros. O tempo passa, os anos voaram.

Um estalar de dedos separaram o Eu atual do Eu que estava assistindo o clip na TV de tubo na casa da professora do reforço escolar.

Será que daqui a outro estalar de dedos estarei na época de preparar o meu testamento ?

MAS CARAMBA, SOU JOVEM DEMAIS PRA PENSAR NISSO !

Será mesmo, hein? Será que não vou pensar exatamente assim quando chegar a hora ?

O que fiz desde que assisti este clip pela última vez, dez anos atrás, hein? Sai da escola, me formei, me pós-graduei, estagiei, fui contratado, fui demitido…

O que farei nos próximos dez anos?

Quando o próximo estalar de dedos e lampejo de lucidez baterem a minha porta, o que poderei escrever no parágrafo anterior, hein? Terei casado (espero q sim… afinal acredito que já achei a pessoa, até)? Será que terei filhos? Será que chegarei até o próximo estalar de dedos?!?

Qual será a música que servirá de gatilho para o meu próximo estalar de dedos? Que desencadeará todos estes questionamentos daqui a mais 10 anos?

Será que o Facebook vai me mostrar esta mensagem daqui a 10 anos e eu terei escrito o que servirá de gatilho?

Daqui a um estalar de dedos eu volto pra responder todas estas perguntas.

Enquanto isso vamos lembrar novamente da cantora Pitty quando ela canta que “Não espere eu ir embora pra perceber, que você me adora ! Que me acha foda !” Quem sabe no próximo estalar de dedos não de mais tempo de perceber.

VIVA !  

Me adora
Pitty

Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei
Só não desonre o meu nome

Você que nem me ouve até o fim
Injustamente julga por prazer
Cuidado quando for falar de mim
E não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Essa é a Pitty com ME ADORA… Ah, grande Thiago… eu espero que a esta altura você já tenha ouvido o Café Brasil 518 – O fator Merlin. Tem tudo a ver com o que você comentou em seu texto, viu?

O Thiago, como todo jovem que vai amadurecendo, começa a refletir sobre coisas da vida. E algumas dessas coisas batem fundo…  especialmente quando caímos na real de que nossas escolhas são muito mais complexas do que um simples cálculo de custo benefício, não é? A passagem do tempo é uma porrada e fica cada vez mais complicado se conectar com o você do futuro. Quem será aquela pessoa lá na frente, hein? Serei eu?

Outro dia, numa reunião de família, minha sobrinha Juliana, já adulta, chegou para mim e disse: Tio, como você mudou. Lembro de você brincando com todo mundo, com aquela caixa cheia de truques e fazendo todo mundo rir. Agora fica aí sentado, quieto…

Pois é. O tempo passou e eu mudei. A Ju me chamou atenção para um Luciano de quase trinta anos atrás, um garotão que tinha a idade do meu filho  hoje, com uns 34 anos. E eu era assim mesmo, cheio de humor, fazendo pegadinhas com todo mundo… mas o tempo foi passando… nas patas do meu cavalo… as visões se clareando… e eu mudei.

Aquele Luciano de 30 anos atrás dificilmente se conectaria com este Luciano de hoje. Meus interesses mudaram. Minhas prioridades também. As responsabilidades pesaram e eu me transformei. Sou mais sério, mais chato, menos divertido e mais introvertido do que era. Não sei o que aquele Luciano diria deste aqui…

Alguns pesquisadores já fizeram experimentos sobre esse tema. Dan Bartels da Universidade de Chicago e Lance Rips da Universidade Northwetern, publicaram um estudo em 2010 que trata do tema.  Eu vou colocar o link pro estudo no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1938465

E eles verificaram o óbvio: que pessoas que sofrem grandes mudanças na vida, ficam mais diferentes no futuro. Quando planejamos nosso futuro, costumamos olhar nosso eu futuro, conforme o que temos hoje. Usamos a nossa realidade para nos projetar à frente. Claro, usamos nessa projeção nosso repertório, nossas experiências, o que é fator limitador.

Por exemplo, aquele Luciano de 30 anos atrás jamais teria se projetado como um palestrante. Palestrar não estava na ordem do dia, não era minha prioridade, nem mesmo a minha rotina. Portanto, não fazia parte das projeções futuras. Internet então, cara…

Por isso é tão complicado, por exemplo, convencer um garoto de 19 ou 20 anos a começar a economizar dinheiro para o futuro. Aquele futuro não faz parte de seu presente. Eu quero é gastar aqui e agora! Não quero dividir o dinheiro que ganho hoje com aquele velho que serei no futuro! Tem o show do Safadão!

Sonhei que tava me casando
Wesley Safadão

Hoje é o dia que vai mudar a minha vida
Tô no altar e já vai começar
Violino tocando, a noiva do lado
Coração acelerado, aliança chegou
Igreja lotada, o padre perguntou
Tem alguém contra essa união aqui presente?
Fale agora ou cale-se pra sempre
Eu olhei pra trás
Meus amigos chorando
Meus amores antigos com pena me olhando
Ainda bem
Caí da cama com o celular tocando
Sonhei que tava me casando
E acordei no desespero
Vida de casado é boa
Só perde pra de solteiro
Sonhei que tava me casando
E acordei no desespero
Vida de casado é boa
Só perde pra de solteiro
Sonhei que tava me casando
E acordei no desespero
Vida de casado é boa
Só perde pra de solteiro
Sonhei que tava me casando
E acordei no desespero
Vida de casado é boa
Só perde pra de solteiro
Tem alguém…

Rararara… tá vendo como é complicado ficar sonhando com o futuro aí, Thiago? Esse é o Wesley Safadão com SONHEI QUE TAVA ME CASANDO…

Thiago, a gente normalmente se preocupa com nossos mundinhos, não com o que pode acontecer no futuro ou o que acontece com a maioria das pessoas. Mas é impossível prever o que acontecerá conosco. É muito mais fácil prever o que acontecerá com a nossa família, por exemplo, como um grupo. Aquele Luciano de 30 anos atrás seria capaz de descrever o Natal de 2018 com algum grau de certeza. Provavelmente alguns dos mais velhos já não estariam entre nós, a família estaria reunida na casa de algum de nós, provavelmente um ou outro sobrinho ou filho morando no exterior… você viu como é fácil? Mas prever o que acontecerá com cada indivíduo é impossível. A única coisa certa é que todos vamos morrer um dia.

Mas será que essa dúvida sobre o futuro é ruim, hein? Eu acho que não. Acho que é ela que dá o molho… Você entra numa sala escura, aciona o interruptor e a luz acende. Não existe dúvida sobre o que acontecerá. E se não existe dúvida, não existe escolha. E sem escolha, perdemos a impressão de que podemos controlar o futuro. Você percebe?

Se você assumir a dúvida sobre o que virá pela frente como algo natural, quando chegar aos 60 anos de idade não ficará se culpando pelas decisões que tomou lá atrás. Mas isso até que é relativo, viu?

Há decisões que você pode tomar agora, independente de quem você será no futuro. E essas decisões tem a ver com o empenho que você dedicará a três coisas:

– Sua saúde

– Seu dinheiro

– Sua mente

Quando você tiver 64 anos estará vivendo no corpo que construiu ao longo da vida. Se você não se preocupar com o corpo que está construindo hoje, talvez ele chegue lá destruído. Que baita presente pra você velho um corpo sem músculos, com problemas de saúde porque você bebeu demais, fumou demais, ficou sentado tempo demais, não é?

Quando você tiver 64 anos, estará tirando proveito do dinheiro que economizou, do patrimônio que construiu. Que belo presente pra você velho uma conta vazia no banco, dívidas e nenhum patrimônio, não é?

Quando você tiver 64 anos, estará tirando proveito de sua mente, das experiências, dos livros, das músicas, dos encontros , das viagens, dos podcasts,  de tudo aquilo que você fez, ouviu, leu, assistiu. E que belo presente deixar pra você velho uma mente pocotó, presa no passado, preguiçosa e gorda, não é?

Pense nisso.

Arthur Schopenhauer uma vez escreveu assim: “Encarada do ponto de vista da juventude, a vida é um futuro indefinidamente longo, ao passo que na velhice ela se parece um passado deveras curto. Assim, a vida no seu início se apresenta da mesma maneira que as coisas quando nós as olhamos através de um binóculo usado ao contrário, mas, no seu final, ela se parece com as coisas tal como são vistas quando o binóculo é usado de modo normal. Um homem precisa ter envelhecido e vivido bastante para perceber quão curta é a vida.

Ou então, que tal Friedrich Nietzsche? “E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terá de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem (…) A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira.’ Você não se prostraria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou? Ou você já experimentou um momento extraordinário, no qual lhe responderia: ‘Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!’ Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como ele é, ele o transformaria e o esmagaria talvez; e a questão (…) ‘Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes de novo?’ pesaria sobre seus atos como o maior dos pesos!

Pra terminar, que tal John Stuart Mill? É melhor ser um ser humano insatisfeito que um porco satisfeito. Melhor ser um Sócrates insatisfeito que um tolo satisfeito. E se o porco ou o tolo tem uma opinião distinta, é porque ele só conhece o seu próprio lado da questão.

Né?

Imagine-se então você lááááá na frente, com 64 anos, olhando pra trás e dizendo: “Cara, eu odiaria ter de viver a minha vida outra vez!”

Bem, então alguma coisa está errada é hoje, né?

Eu acho bom você se mexer ou terá de se entender com aquele velhinho.

Velhinho? Com 64 anos?

Velhinho é o caralho!

When I’m Sixty-four
Paul McCartney

When I get older losing my hair,
Many years from now.
Will you still be sending me a Valentine.
Birthday greetings bottle of wine.
If I’d been out till quarter to three.
Would you lock the door.
Will you still need me, will you still feed me,
When i’m sixty-four.

You’ll be older too,
And if you say the word,
I could stay with you.

I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday morning go for a ride,
Doing the garden, digging the weeds,
Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me
When I’m sixty-four.

Every summer we can rent a cottage,
In the Isle of Wight, if it’s not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck and Dave

Send me a postcard, drop me a line,
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I’m sixty-four?

Quando eu tiver sessenta e quatro

Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos
Daqui a muitos anos
Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados
Saudações no aniversário, garrafas de vinho?
Se eu estiver fora até quinze pras três
Você irá trancar a porta?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Você estará mais velha também
E se você disser que
Eu poderia ficar com você.

Eu poderei ser útil, concertando um fusível
Quando suas luzes apagarem
Você poderia me tricotar um suéter perto da lareira
Nas manhãs de domingo iremos dar uma volta
Cuidando do jardim, arrancando as ervas daninhas
O que mais eu poderia querer?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Todo verão poderiamos alugar uma cabana
Na Ilha de Wight, se não for caro demais querida
Iremos passar por um aperto e economizar
Netos nos nossos colos
Vera, Chuck & Dave

Mande-me um cartão postal, mande-me um telegrama
Informando o seu ponto de vista
Indique precisamente o que quer dizer
Um “atenciosamente” supérfluo
Me dê uma resposta, preencha no formulário:
“Minha para todo o sempre”
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

É assim, ao som de When I´m 64, quando eu tiver 64, com Paul McCarney, que vamos saindo embalados.

Olha eu to com quase isso, cara… meu 64 será em 2020… e acho que eu vou agradecer aquele Luciano de 30 anos atrás pela herança que ele me deixou. Eu podia estar mais rico, mais saudável, mais inteligente…mas eu to feliz com o que tenho viu? E ainda dá pra melhorar, sabe?

Vou começar a pensar em quando eu tiver 94…

Com o pensativo Lalá Moreira na técnica, a experiente Ciça Camargo na produção e eu, este garotão sexagenário Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Thiago, Twisted Sister, Pitty, Paul McCartney, Wesley Safadão e Ricky e Morty. Fala a veerdade, cara… onde mais, hein? 

É aqui, no Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café brasil? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/649.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase da música dos Beatles, pra você dizer pra pessoa que ama:

Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?