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650 – A Espiral do Silêncio

650 – A Espiral do Silêncio

Luciano Pires -
Download do Programa

Temos um sexto sentido para perceber a tendência da opinião pública; morremos de medo de sermos isolados socialmente e quando achamos que nossa opinião está na contramão da opinião pública, perdemos a vontade e a coragem de expressá-la em público. Bote aí uma pitada de histeria e pronto! Caímos na Espiral do Silêncio.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: a transcrição deste programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/650.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Rodrigo de Baependi, em Minas Gerais.

“Boa tarde Ciça. Lalá, Luciano. Meu nome é Rodrigo e eu moro em Baependi, Minas Gerais, cara! Uma cidadezinha que tem área rural umas três vezes maior que a urbana. 

Eu conheci o Café Brasil quando eu fui pra Santa Rita do Sapucaí fazer curso técnico em eletrônica e por ser uma escola de jesuítas, havia uma matéria que era ensino religioso. Daí, um certo dia, a professora veio com um pen drive, toda animada, falando: gente! Hoje eu vou apresentar uma coisa pra vocês, é algo fantástico. Daí foi aí então que ela colocou pra rodar um episódio do Café, num lembro qual foi, só me lembro da sensação que eu tive de espanto. Eu nunca tinha escutado algo tão completo na vida. Parecia uma daquelas conversas entre amigos de longa data, saca? Só que com músicas fodas. Eu me apaixonei, passei a ouvir o dia inteiro, o resto daquele dia ouvindo mais episódios. E desde então o Café tem sido o meu elemento cerebral do dia a dia.

Pois bem. Eu sempre quis escrever pro Café, mas eu nunca fiz isso. Daí hoje eu tava ouvindo o episódio 587, Podres de mimados, enfim, e esse era um dos episódios que eu sabia que era pra mim. 

Bom. Eu tenho 25 anos, nasci em 91, atualmente eu tranquei minha faculdade de arquitetura no sexto período. Em grande parte por mimimi. Como dito num programa, eu cresci super protegido e essa da supervalorização do eu, me pegou no calcanhar, cara! Eu desenho desde criança, sempre fui chamado de artista e como você mesmo disse, a gente cresce achando que não precisa se esforçar, que já é especial. Isso me trouxe muitos problemas. Problemas esses que eu estou tendo que resolver hoje. É foda, porque até hoje meus pais tem essa atitude. Eu gosto muito de móveis e eu quero trabalhar com móveis planejados e ter uma oficina também. E aí eu disse isso pro meu pai, né? Aí ele responde: ah cara, mais você tem que ter cuidado. É perigoso mexer com essas máquinas. foda, né?

Eu sei que os meus pais me criaram assim com a convicção que eu ia ser alguém prudente, responsável mas, vamos lá, é uma merda admitir, mas eu sou um tanto quanto sentimentalista. E hoje eu tenho  um conflito com essa personalidade. O mundo exige muito da gente e tem que ter casca grossa pra não pirar e entregar o jogo. 

Então, muito obrigado Luciano. Grande parte dessa resiliência que eu tenho hoje, foi construída com a ajuda de pessoas como você, que por algum acaso neste universo chegaram até mim com provocações. Obrigado aí Lalá, por fazer esse projeto ser essa bomba musical de qualidade e a você Ciça, por manter as coisas em ordem. O que vocês fazem não tem preço. Obrigadão”.

Cara, Podcast Café Brasil numa escola jesuíta… e que fascinante saber dessas histórias de professores usando em sala de aula. Eu fiquei feliz! É assim mesmo, viu? Devagarinho, independente, que vamos criando uma alternativa ao tsunami da imprensa tradicional, um outro caminho para ampliar repertórios e impactar na opinião pública. E quer saber, hein? Isso não tem volta! É a liberdade individual para quem quer a casca grossa pra escapar da Espiral do Silêncio.

Olhaí, Rodrigo: nós é que agradecemos.

Muito bem, o Rodrigo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe, né? Que boa parte dos resultados da DKT é revertida para ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade. E agora, para cada produto PRUDENCE que você adquirir, a DKT doará um produto igual para uma das organizações sociais com as quais ela mantém acordos. Você faz assim, ó: vai na farmácia, compra um kit de produtos DKT, bata uma foto do kit. Não precisa mandar uma foto de você usando mande  só a foto do kit que a gente manda pra DKT e eles vão encaminhar isso aí pras associações, tá bom? Use o Whatsapp 11 96429 4746. Prudence, contribuindo pra salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então, Lalá? Esse programa aqui é sobre a espiral do silêncio.

Luciano – Na hora do amor você usa o que?

Lalá – hum…

E o Café Brasil Premium é um instrumento pra você sair fora da espiral do silêncio, cara! Nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e refinar a capacidade de julgamento e tomada de decisão. Sabe como, hein? Oferecendo conteúdo de altíssima qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Duvida? Então acesse cafedegraca.com e experimente um mês, sem pagar.

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O conteúdo é extra-forte.

Em outubro de 2001, pouco mais de um mês após os ataques às torres gêmeas de Nova Iorque, um concerto com quatro horas de duração aconteceu na cidade. A intenção era levantar fundos para as vítimas do ataque terrorista. Entre as diversas apresentações musicais e discursos, o ator Richard Gere subiu ao palco para dizer assim:

“Essa energia horrorosa que todos estamos sentindo e a possibilidade de transformá-la em mais violência e vingança, nós podemos evitá-la. Podemos transformar essa energia em algo diferente. Podemos transformá-la em compaixão, amor e compreensão…”

Dá pra ouvir que a plateia ficou enlouquecida? Ali estavam milhares de parentes dos bombeiros e civis que haviam acabado de morrer nos ataques. E o cara vem falar de paz e perdão… E em meio às vaias, Richard Gere insiste:

“Eu sei que este meu sentimento não é muito popular agora, mas tudo bem…”

Aquele foi um exemplo extremo do que acontece quando você não entra na Espiral do Silêncio.

Richard Gere, adepto do budismo, tentou exercer a sua visão de mundo pacifista no lugar errado e na hora errada, absolutamente contra a opinião daquele público… Com o resultado que todos sabiam que aconteceria. Tá certo… faltou um simancol ali, não é?

Você ouve o tema do filme A Lista De Schindler, de John Williams. Coloquei aqui para ilustrar a sequência do texto, mas eu preciso falar dessa versão que você está ouvindo. Quem toca uma espécie de oboé é Davida Scheffers, que tocava profissionalmente até ser acometida de um problema neurológico que lhe causa dores musculares insuportáveis. Ela achava que nunca mais tocaria numa orquestra profissional. Nesse dia, aniversário de 18 anos de sua filha, é ela que toca essa espécie de oboé. Ver a reação tanto de Davida como de sua filha na plateia é emocionante, eu o publiquei o vídeo no roteiro deste texto no portalcafebrasil.com.br.

A filósofa alemã Elisabeth Noelle-Neumann cunhou o termo Espiral do Silêncio para explicar porque os alemães não se levantaram contra Adolf Hitler durante a II Guerra Mundial, permanecendo em silêncio mesmo diante de evidências de atrocidades. Quem falava suportando o III Reich, falava alto e claro, controlando as discussões, não importa quantas pessoas estivessem em desacordo. Como as vozes pró-Hitler eram as mais ouvidas – ou praticamente as únicas ouvidas – eram tomadas como opinião pública. Enquanto Hitler subia para o poder, as vozes que se levantavam contra ele eram abafadas. Se você ouviu o Café Brasil 339 – Die Gedanken Sind Frei, terá uma ideia do que se passou. Quem era contra caía em isolamento social, quando não pagava com a vida. Quebrar o silêncio era, portanto, arriscado.

Elisabeth Noelle-Neumann apresentou a teoria da Espiral do Silêncio em dois artigos científicos em 1974.

Baseada na psicologia social, a teoria da Espiral do Silêncio explica como oscilações na opinião pública são criadas, especialmente nos debates tomados pela emoção e por questões morais. A teoria da Espiral do Silêncio baseia-se em alguns pontos:

  1. A maioria das pessoas têm medo de serem socialmente isoladas
  2. Por isso, constantemente observamos o comportamento de outras pessoas para buscar quais opiniões e comportamentos recebem aprovação ou rejeição da opinião pública
  3. As pessoas colocam uma pressão social sobre quem expressa opiniões que vão contra a opinião pública
  4. As pessoas escondem suas opiniões quando sentem que correm o risco de serem isoladas socialmente pela maioria
  5. As pessoas que sentem que têm o suporte público, por outro lado, expressam sua opinião claramente e bem alto
  6. A opinião expressa claramente e bem alto de um lado e o silêncio de outro lado é que colocam a espiral do silêncio em movimento
  7. O processo é normalmente acionado por questões carregadas de emoção e viés moral
  8. Quando existe consenso da sociedade sobre determinado tema, a Espiral do Silêncio não é colocada em movimento. É a controvérsia e a polêmica que acionam a espiral.
  9. A quantidade de pessoas que apoiam uma opinião não é decisiva para impactar seu peso na Espiral do Silêncio. A opinião de uma minoria pode ser interpretada como maioria se for disseminada com clareza e de forma enfática. Quem ouviu o Café Brasil 362 – A Janela de Overton sabe como funciona.
  10. Os meios de comunicação de massa têm influência decisiva na formação da opinião pública. Se numa discussão controversa a mídia dá suporte a um lado repetidamente, de forma cumulativa e com concordância de forma consonante, esse lado terá muita força na Espiral do Silêncio.

11.O medo do isolamento social funciona no subconsciente, a maioria das pessoas não pensa conscientemente que seu comportamento             é orientado pela opinião pública.

  1. A opinião pública é limitada no tempo e no espaço. Sempre que as pessoas vivem juntas em sociedade, a opinião pública funciona como um mecanismo de controle social. E aquilo que opinião pública aprova ou rejeita muda com o tempo e difere de lugar para lugar.

13. A opinião pública integra e estabiliza a sociedade pois conflitos serão resolvidos pela espiral do silêncio a favor de uma opinião. É a              função de integração da opinião pública.

Alguém cantando
Caetano Veloso

Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como que pra ninguém
A voz de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda a pureza
Da natureza
Onde não há pecado nem perdão

Ah, que vocal maravilhoso, cara… Você ouviu o Boca Livre com ALGUÉM CANTANDO, de Caetano Veloso…

Resumo: todos temos um sexto sentido para perceber a tendência da opinião pública; morremos de medo de sermos isolados socialmente e quando achamos que nossa opinião está na contramão da opinião pública, perdemos a vontade e a coragem de expressá-la em público. Bote aí uma pitada de histeria e pronto! O que temos é:

Acumulação, que é o excesso de exposição de uma determinada opinião. Fala-se, e fala-se e fala-se mais de determinado assunto, sempre do ponto de vista de uma determinada opinião. A todo momento. Aquela opinião vai então sendo acumulada no imaginário popular.

Depois vem a…

Consonância, quando a mesma opinião é exposta por diferentes meios. É na televisão, no rádio, nos jornais e revistas, nas mídias sociais e nos papos de buteco, a mesma opinião sendo repetida. Você é bombardeado pela mesma opinião.

então vem a…

Ubiquidade. O resultado é que a mesma opinião surge, para qualquer lado que você olhe.

Entendeu? Acumulação, Consonância e Ubiquidade. Cria-se assim um tsunami com uma opinião, e você é afogado por ele.

Exemplo? Cara tá todo mundo gritando #ForaTemer! Não importa onde eu olhe, o que eu leia ou ouça… é sempre #ForaTemer! Você acha que vou ser trouxa de me manifestar pelo contrário, cara? Vou ser atacado, isolado, tratado como bandido…

Eu não! Melhor é calar minha boca.

Publiquei um podcast Cafezinho logo no começo de 2019, dizendo que deveríamos aproveitar aquele momento único para aprender o mal que a histeria faz. E a Espiral do Silêncio também.

Michel Temer acabara de deixar o governo e começaram a pipocar artigos e comentários dando conta das coisas boas que ele deixou. Sim meu, acredite, Temer entregou um país muito melhor do que recebeu, em diversas áreas, especialmente as econômicas. Sob seu governo o Brasil, que ia ladeira abaixo, parou de piorar. E melhorou. Só não fez mais porque passou a maior parte do tempo lutando para não cair. Temer não apagou o incêndio, mas impediu que se alastrasse. Todos os feitos que agora começam a ser exaltados na imprensa e nas mídias sociais, estavam ali, explícitos, ao longo dos 2 anos de mandato-tampão, mas estávamos cegos e surdos pelo “Fora Temer”, incapazes de reconhecer e aceitar qualquer medida positiva que o “vampiro” tomasse. A gritaria era tanta, que colocou muita gente na Espiral do Silêncio.

Experiências emocionais e mensagens precisam ser repetidas diversas vezes antes que colem no imaginário popular. Os profissionais de comunicação sabem disso.  E usam a Ignorância Pluralística.

Ignorância Pluralística, cara? Muito prazer…

O som do silêncio
Simon & Garfunkel
Dom e Ravel

Velha amiga escuridão
Vim pra de novo conversar
Uma visão arrepiou-me assim
Semeou essa canção em mim
A visão se plantou no coração
Para ficar… junto ao som do silêncio

Em meus delírios divaguei
Estreitas ruas eu pisei
Dura que o mel de luz de amor ouvi
A minha gola contra o frio e vi
Não a deixo ir…
se rasgando à noite sobre o tom…
da luz neon
Roçando no silêncio

Com os olhos claros de cristais
Dez mil pessoas, haviam mais
Povo conversando sem falar
Povo que ouvia sem escutar
Escreviam sons que a voz não poderá imitar
Como os sons do silencio

(A letra foi transcrita diretamente da gravação onde há trechos inaudíveis. Agradecemos ao ouvinte Zé Luis Oliveira pelo esforço)

Rarararara… Você está ouvindo Dom e Ravel cara,  em seu primeiro compacto, em 1969, com O Som do Silêncio, versão de Dom para o sucesso de Simon e Garfunkel… Onde mais você escuta isso?

Não é incomum que as pessoas adotem e defendam ideias com as quais não estão confortáveis. Ou por pretender ficar do mesmo lado que alguém que detém algum tipo de poder ou simplesmente por medo de ser apontado como o único que não concorda com a maioria.

Em 1990 os psicólogos Deborah Prentice e Dale Miller foram chamados para tentar resolver um problema na Universidade de Princeton. A garotada estava entrando de cabeça na bebida, o consumo de álcool estava atingindo proporções alarmantes com as consequências conhecidas. Após conversar com a garotada que enchia a cara, os psicólogos descobriram que, individualmente, os garotos e garotas concordavam que a bebida era um problema, que o consumo era excessivo e que deveria haver algum tipo de controle no campus. Mas esses garotos e garotas achavam que essa era o opinião deles, que a maioria achava que o consumo de álcool estava certo, portanto eles nada diziam ou faziam.

Vem daí o conceito da Ignorância Pluralística: todo mundo tem seu pensamento próprio a respeito de algum fato ou atitude, mas está convencido que sua opinião é a única. E cala a boca.

Quer ouvir um exemplo de alguém que não sofre de Ignorância Pluralística?

Rararara… Quem é que não lembra do Cid Gomes tacando o pau nos petistas dentro de um evento do PT? Era algo equivalente ao Richard Gere falando de amor para parentes das vítimas do 11 de setembro. O Cid bocudo não tem medo da Espiral do Silêncio…

A única forma de evitar a Ignorância Pluralística é interagir com indivíduos, da forma mais neutra possível. Quem ouviu os programas que fiz durante as eleições há de se lembrar da experiência com os motoristas, balconistas e frentistas que eu realizei. Quando eu perguntava em quem a pessoa votaria, a resposta de 8 em cada 10 era: “não sei, tem que ver…”. E assim que eu demonstrava que não tinha restrições ao nome do Bolsonaro, 7 dos 8 se abriam para a possibilidade de votar nele. As pessoas temiam ser a opinião minoritária, arrumar encrenca e, portanto, expressavam seu em cima do murismo.

Preste atenção: quando alguém aparecer com alguma ideia, veja se a pessoa não está a apresentando como algo já estabelecido na sociedade. Veja se a pessoa não está fazendo com que todos pensem que todo mundo concorda com a ideia, mesmo que seja a primeira vez que você está ouvindo a ideia. Repare se a discussão dessa ideia acontece em grandes grupos, provoca altos debates em redes sociais, sempre envolvendo muita gente… Veja se você de repente não se sentiu sozinho ou sozinha. Talvez alguém esteja tentando jogar você na Ignorância Pluralística…

Outro estudo interessante chama-se o Paradoxo de Abilene e vem de um caso parecido com vários que você já deve ter passado. Numa tarde quente, uma família composta de um marido e mulher, com o pai e a mãe dela, estão jogando dominó quando o sogro diz: que tal a gente jantar em Abilene? Abilene ficava a 85 km de distância, uma viagem quente, desconfortável e desagradável. O marido, sabendo do desconforto da viagem, mas achando que sua opinião é minoritária, diz para esposa: “Parece uma boa ideia. Espero que sua mãe queira ir.” A sogra diz: “Claro que eu quero ir! Faz tempo que não visito Abilene.”

E eles vão. A viagem é um mico, o jantar é uma porcaria e horas depois eles voltam, acabados.

Um deles, hipocritamente diz: “Foi uma viagem bem divertida, não foi?”. E a sogra então diz que preferia ter ficado em casa, mas foi junto pois todos estavam entusiasmados. A filha diz: “Eu fui porque vocês ficariam felizes. Só um louco para sair de casa num calor desses.” O sogro disse que só fez a sugestão pois achou que os outros estava entediados.

O grupo então fica perplexo, pois descobrir que fizeram uma viagem que nenhum deles queria fazer…

Já aconteceu com você, hein? Ignorância Pluralística.

O paradoxo de Abilene demonstra que grupos não tem apenas problemas em lidar com desentendimentos, mas com entendimentos também que podem ser um problemão.

É só entrar na Espiral do Silêncio.

Aonde a vaca vai
João da Praia

Aonde a vaca vai, o boi vai atrás

Um amor que é tão grande, nunca mais se desfaz
Com a bicharada grande, o boi já fica demais
É que a conta do hotel está ficando pra trás

Minha mãe me deu uma coça com um costume que eu tinha
Namorar filha dos outros pela porta da cozinha

Eu não vou na sua casa pra você não ir na minha
Você tem a boca grande, vai comer minha galinha

Namorei uma garota, ela se chama Joana
Só que eu moro na Tijuca e ela em Copacabana

E um amor que é tão grande, nunca mais se desfaz
Com a bicharada grande, o boi já fica demais
E do jeito que as coisas andam – Abre o olho rapaz!

É assim, ao som de AONDE A VACA VAI, com João da Praia, que foi descoberto por um produtor quando vendia sorvete na praia de Copacabana e tocava um violão de uma corda só. João fez um sucesso brutal com essa música em 1974 e depois…sumiu.

Estamos conversados então? Cada vez que você achar estranho uma opinião repetida por todo lado, não raro com palavreado e adjetivos muito parecidos, fique esperto. Pode ser que alguém esteja manipulando a opinião pública, você vai entrar na histeria e ser apenas mais um bobalhão repetindo chavões em mídias sociais enquanto a verdade lhe atropela. Aonde a vaca vai… o boi vai atrás.

Com o silencioso Lalá Moreira na técnica, a misteriosa Ciça Camargo na produção e eu, que boto a boca no trombone, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o Rodrigo de Baependi, João da Praia, Dom e Ravel, Boca Livre, Davida Scheffers, Richard Gere e Cid Gomes!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café B rasil? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/650.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase atribuída a Joseph Goebbels, o ministro de propaganda da Alemanha Nazista:

Uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade.