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652 – A realidade real

652 – A realidade real

Luciano Pires -
Download do Programa

Vivemos um tempo no qual muita gente tem dificuldades de decidir o que é real e permanece com a sensação de que está sendo manipulada. Uma tentativa de compreender a realidade é conhecer três esferas: a esfera política, a moral e a criminal. Duas estão por aí… a outra está dentro de sua cabeça.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: a transcrição deste programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/652.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Xauã, lá de Americana

Ô Luciano. Aqui é Xauã, de Americana. Acabei de ouvir o 649 e acabei de fazer no último dezembro, 39 anos, E as dores já começam a surgir, porque o sedentarismo, acima do peso, travando coluna, já começam a dar aqueles sinais de que realmente, lá na frente, eu vou ter que viver…. vou ter que prestar contas praquele velhinho.

Felizmente, eu adoro muitas coisas que eu fiz nesses 39 anos e muitas eu viveria novamente. Ainda bem. E estou aqui na luta pra continuar nessa mesma trajetória, pra que quando eu chegar nos 64, eu também esteja feliz pelas coisas que fiz.

Bom, acabamos…. estamos aqui em janeiro de 2019, as promessas de fim de ano, e de começo de ano estão aí, a minha está aí na coisa da luta pela saúde física e também alguma coisa de saúde mental, é lógico. Espero poder cumprir por essas metas que tem que ser cumpridas, porque as dores já estão por aqui.

Estamos aí com esse governo novo, eu com muitos momentos discordando de você, tendo algumas pitadas de ira com relação à sua postura com o novo governo e aí você vem com esse programa maravilhoso que é o 649, então é esse equilíbrio gostoso.

Aproveito aqui também pra deixar um recado pra quem está te odiando demais, pelas coisas de postura com relação ao novo governo e está deixando de ouvir essas pérolas como o programa de hoje e que essa diferença, esses cutucões que você me dá pela sua postura e eu posso discordar ou concordar, é o grande barato de viver e eu acho que coexistir com as diferenças é algo que eu quero sentir. Que fiz durante a minha vida, quando eu tiver 64, 74 ou se assim o universo permitir, até 84?

Obrigado. Obrigado por me fazer discordar de você, ouvir uma pérola dessa e reconhecer as coisas que eu preciso fazer. Beijos aqui de Americana, interior de São Paulo. Valeu!”

Grande Xauã… Olha! Se você soubesse a quantidade de viúvas do Café Brasil que estão por aí depois que eu falei de minha decisão de voto e eu adotei uma postura não histérica para analisar o governo, cara… De repente me tornei uma figura nefasta, como se tivesse mudado de personalidade. Eu, que era um Jedi, passei para o lado negro da força… Seria mais fácil ficar falando de platitudes e em cima do muro, não é? Mas aí não seria eu e essa provocação que você aprecia, deixaria de existir. Bem, muito obrigado por persistir. No meio da gordura tem carne, meu. Mate a fome com ela.

Muito bem. O Xauã receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT é mais que uma empresa, é uma causa. Distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de camisinhas do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas, esses são os produtos. A causa é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, na hora do amor o que é que é real?

Lalá – Real é usar Prudence, pô!

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Conteúdo extra-forte.

O mundo é um lugar rico de experiências. Quando confundimos a realidade com a versão que fazemos da realidade, é uma porrada. Sempre que alguma coisa acontece, nossa reação é definida por nossas crenças, que são formadas por nossas experiências anteriores. Portanto é normal achar que se algo ruim aconteceu conosco anteriormente, sob as mesmas condições esse algo ruim acontecerá novamente. E assim somos responsáveis por nossos sofrimentos e dores, ao criar realidades fantasmas ou desejadas. E esse é um ciclo difícil de ser quebrado. Quebramos a cara e quanto mais quebramos a cara, mais achamos que quebraremos novamente.

Mais importante que a realidade que nos choca, é nossa reação a essa realidade.

Portanto é preciso ficar esperto com nossas reações e, especialmente, entender os filtros usados para nos apresentar a realidade.

Existem pelo menos três esferas sob as quais os acontecimentos que realmente importam na sociedade são analisados pela imprensa e a opinião pública.

A esfera política, a moral e a criminal.

Na esfera criminal, quem manda é a Constituição. Está escrito lá no Capítulo I – Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, Art. 5º:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Tá claro, hein? Todos os homens e mulheres são iguais perante a lei e um Código Penal define exatamente o que pode e o que não pode ser feito. O Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça recebem denúncias, investigam, acusam, julgam e punem. E todo mundo tem de ser tratado igual, seja presidente, filho de presidente ou mulher de presidente.

Possíveis exceções estão expressas na lei.

Na outra esfera, a política, no entanto, tudo é relativo. Os cidadãos deixam de ser iguais, conforme o peso que têm nas negociações e o elemento definidor é aquilo que for melhor para se vencer uma disputa de poder. Mesmo a lei privilegia certas pessoas ao lhes garantir certas proteções que eu e você, cidadãos comuns, não temos.

Quando a esfera criminal é contaminada pela esfera política, começa uma relativização. O crime de um indivíduo passa a ser usado para defender outro indivíduo, ou então pra atacar outro indivíduo; o crime que para um é cadeia para outro é só um “deixa pra lá” e assim vai. Dependendo de quem diz, o que foi dito é indiferente, é bom ou é ruim. E a opinião pública é utilizada como massa de manobra por profissionais que sabem que misturar crime com política torna qualquer absurdo não só possível como defensável.

O que eu quero ver é as duas esferas separadas. Criminalmente todos devem ser investigados e punidos. TODOS, com a lei sendo aplicada igualmente, doa a quem doer. Depois veremos as consequências políticas, que são tratadas em tribunais diferentes e que raramente seguem os preceitos da justiça.

Mas, não.

As esferas criminal e política são intencionalmente misturadas para criar pressão de opinião pública a favor de algum projeto político. E as ovelhas, algumas histéricas, vão atrás.

É só isso.

Ah, e a esfera moral, hein? Bom, essa vive aí, dentro da sua cabeça.

Você está ouvindo ao fundo o cubano Ruben Gonzalez, com LA ENGAÑADORA.

Muito bem, para aplicar a esfera moral, você precisará recorrer a duas éticas ensinadas por Max Weber.

A primeira é a do cidadão comum, definida por nossa criação e pelos valores morais que adquirimos. Você faz aquilo que sua consciência manda, baseado em tudo que seus pais e sua vida lhe ensinaram. A responsabilidade e as consequências são problemas seus, como indivíduo. São sua imagem, sua integridade, sua liberdade, sua história em jogo.

De novo: você é um indivíduo livre para fazer suas escolhas, desde que assuma as consequências sobre elas. Pode xingar, brigar, gritar. Se quebrar a lei, vai preso. O problema é seu.

A outra ética que Max Weber ensina é a Ética do homem público, que leva em consideração o resultado de suas ações quando você representa uma organização, veste uma camiseta e as escolhas que fizer impactarão a marca que aquela camiseta carrega. Como homem público, até posso, mas não devo contratar amigos, parentes ou protegidos para trabalhar em meu gabinete, por exemplo.

Um exemplo que gosto de dar da Ética do homem público, que a coloca numa perspectiva fora do âmbito do serviço público, é a do motorista do caminhão da Coca-Cola. Quando esse motorista dá uma fechada em você na estrada, quem você xinga? Só o motorista? Ou bota a Coca Cola no jogo, hein? Quando um atendente da Gol trata você mal, sua ira se volta só contra o atendente ou também contra a Gol?

Se o motorista e o atendente não têm consciência da Ética do homem público, vão agir conforme suas escolhas pessoais, danem-se as empresas que representam.

Aliás, quem acha que pode agir conforme suas escolhas pessoais, e dane-se o que os outros pensam, quem pensa que pode enganar o mundo cara, pode mais é se danar…

O mundo me enganou
Alzira Ambrózio
Wagnésio

Quando eu nasci no mundo
Logo então fui batizado
No cartório da cidade,
Eu também fui registrado.
Com dez anos de idade
Pelo bispo fui crismado
E entrei para a escola
Para um dia ser formado

O desejo do meu pai
Era me ver estudado
Talvez pra ser um juiz
Ou então advogado.
Ou mesmo um engenheiro
Mas que fosse afamado
Queria ter num diploma
O seu sonho realizado

Em doutor o meu dever
Era os doentes salvar
Enquanto o advogado
Tinha causas pra ganhar
E se fosse um engenheiro
Olharia as construções
E nos bancos da cidade
Teria muitos milhões

Mas o destino matou
Toda sua ilusão
O diploma que tirei
Foi de primeiro ladrão
Quem pensou em ser juiz
Entre as autoridades
Hoje tem como morada
A cadeia da cidade

É nesta hora tão triste
Que o sonho se acabou
É que lembro do meu pai
Que tanto me aconselhou
Que isso sirva de exemplo
Tudo que passando estou
Eu quis enganar o mundo
Mas o mundo me enganou

Que maravilha! Você ouviu Taviano e Zé Negão em 1977 com O MUNDO ME ENGANOU, de Alzira Ambrózio e Wagnésio. Viu só o que acontece com quem acha que pode tudo?

Então, olhando para os acontecimentos deste começo de governo pela esfera criminal, se crimes foram cometidos, precisam ser investigados e todos os envolvidos castigados. Meu! Qual é a dificuldade de entender isso, hein? Todos os envolvidos castigados. Todos. Por exemplo, a questão da nomeação do filho do vice-presidente para um baita cargo numa estatal, é esquisita. E o caso do filho do presidente, Flavio Bolsonaro, que teve um auxiliar envolvido numa estranha movimentação de dinheiro, é mais esquisito ainda. Precisam ser investigados na esfera criminal e sofrer as consequências das descobertas.

Mas aí vem a esfera política: é preciso tomar cuidado com o jogo de poder, com as acusações e com os pesos que se dá a cada agente envolvido. O jogo político só respeita a lógica do poder. E a esfera política é a mais poderosa. Leva para primeiro plano a luta pelo poder. Então o crime, o imoral, o ético, passam a ser relativos.

Cesare Battisti, um criminoso que assassinou inocentes na Itália, conseguiu jogar seus crimes para a esfera política. E com isso se manteve livre leve e solto por décadas. Só foi preso quando a esfera criminal suplantou a política.

Portanto, fique esperto para perceber qual esfera estão usando para apresentar a você os acontecimentos. Se for na política, você comprará gato por lebre. E acreditará numa realidade que não é a real…

E a esfera moral? Bem, há o que pode ser feito, mas não deve ser feito, atitudes que, embora não sejam crimes, chocam ao misturar interesses e opiniões pessoais com aquilo que é público. Por exemplo, o caso lá do filho do vice-presidente. Ele podia ser promovido como foi? Olha! Talvez pudesse… mas não devia. Ou devia sim, o que é que tem? Depende da sua moral, entendeu?

A esfera moral é relativa, por isso temos gente que fica indignada com uma atitude enquanto outros acham a coisa mais normal do mundo. E fica muito complicado entender o que acontece quando misturamos as esferas e, especialmente, as realidades.

Lição de moral
Léo Canhoto

Com tantas mulheres para eu procurar
Para eu amar sem me comprometer
Por que é que eu fui logo me apaixonar
Por alguém que hoje só me faz sofrer

Não tenho direito a felicidade
É a pior coisa que me aconteceu
Não posso esqueça-la meu Deus que castigo
Eu já sei que ela nada quer comigo
Ela é mulher de um conhecido meu

Com todo o dinheiro que eu tenho guardado
Nem posso chegar perto dessa mulher
Até o leito dela é todo decorado
Com ouro brilhante e tudo o que ela quer

Se ela fosse pobre eu lhe daria tudo
Porém veja o que o destino me deu
Seu marido é jovem e muito atraente
Ela gosta dele apaixonadamente
E o pior é que ele é mais rico que eu

Um dia na rua peguei na mão dela
Eu disse pra ela: Por favor me atenda
Durma uma noite em meu apartamento
Dou trinta por cento da minha renda

Ela respondeu: Dinheiro eu tenho muito
Se afaste de mim antes que eu me ofenda
A educação é uma joia rara
E você não tem vergonha na cara
Saiba que meu corpo não está à venda

Rarararara… Você ouviu Léo Canhoto e Robertinho em 1982, com LIÇÃO DE MORAL, composição de Léo Canhoto. Imagina essa música gravada hoje em dia… Ô Lalá, compensa essa aí, vai…

Hummmm… ILUSÃO À TOA , de Johnny Alf com o Três na Bossa, que tal, hein?

Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de perna? Quatro. Chamar o rabo de perna não faz do rabo uma perna.

Quem dizia isso era Abraham Lincoln.

Publiquei no Café Brasil Premium o PodSumário do livro Como Aquilo Aconteceu? – Mantendo Pessoas Acontabilizáveis Para Resultados. O tema é accountability, que gosto de definir como “fazer aquilo que você disse que faria, no prazo com o qual você concordou.” No livro os autores falam de três tipos de realidade, o que ajuda a entender essa confusão toda na qual estamos metidos.

Existe a Realidade Fantasma, que é uma descrição imprecisa de como as coisas são. Ela pode ser criada por você, por ignorância de fatos e detalhes, ou pode ser construída por alguém que seleciona os fatos e os encadeia de modo a fazer com que você ache que aquela realidade fantasma é a realidade real.

Exemplo? O trabalho de convencimento da opinião pública de que deveríamos promover a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. Intenções políticas e criminosas torceram os números dos investimentos, inventaram que não haveria dinheiro público metido no negócio, criaram benefícios que jamais aconteceriam e… conseguiram trazer os dois eventos para o Brasil. Mesmo com uma minoria gritando #naovaitercopa .

Terminadas a Copa e a Olimpíada fomos apresentados para a realidade real: obras superfaturadas, estádios abandonados, obras não terminadas, corrupção nível hard… Olha! Mas se a gente sabia que isso aconteceria como é que deixamos? Simples. Vivendo uma realidade fantasma.

– Ah, Luciano, mas eu não concordei!

Pois é, seu mané, nem eu. Mas eu e você somos manés. Milhões ficaram calados.

Sacou? Realidade Fantasma é baseada na descrição imprecisa de como as coisas são.

Existe também a Realidade Desejada, que é aquilo que você quer que aconteça. Você quer tanto, mas tanto, que imagina que aquilo que você quer está ou vai acontecer.  E toma decisões sobre essa esperança de que as coisas acontecerão só porque você quer.

Exemplo? Cara, vem centenas de milhares de turistas pra assistir a Copa! É a minha chance de ganhar grana! E o Carlinhos Brown lança a Caxirola! Meu, vai vender que nem água! Vou vender minha moto e comprar um lote de Caxirolas e quintuplicar meu capital!

Sacou, hein? A Realidade Desejada é aquela que você cria e sua cabeça baseada na esperança daquilo que você quer que aconteça.

E existe, por fim, a Realidade em si, que é a descrição precisa de como as coisas são. Aquilo que eu chamei de realidade real, no  título deste programa aqui.

Os conceitos de Realidade Fantasma e Realidade Desejada são ótimos! Para sair da realidade fantasma para a realidade real, é preciso ter as informações corretas, confiáveis. E é aí que o bicho pega.

Você viu no que se transformou a imprensa, hein? Diga aí cinco jornais, revistas, programas de tevê ou rádio nos quais você confia. Só cinco, vai? Tá difícil, não é? Poucos passam por uma checagem da realidade, nem mesmo aqueles que dizem que checam a realidade! A imprensa se transformou numa máquina de mentiras, torcendo os fatos, manipulando informações e fazendo com que você acredite naquilo que ela quer.

E assim ficamos sem as tradicionais fontes das informações confiáveis, vivendo na realidade fantasma criada por interesses que não são os nossos. Fugimos para as mídias sociais, onde tem palanque para todo tipo de maluco, sem qualquer compromisso com a verdade. Nos tornamos então presas da turma que diz que rabo é perna.

Em fuga desesperada, apelamos para a Realidade Desejada, criando em nossas mentes o mundo que queremos, e vivendo nele como se fosse real. E é aí que somos enganados, ludibriados, traídos. Por culpa de nossa recusa de ver a realidade cruel. Até que aparece alguém que cospe a realidade na nossa cara.

A primeira coisa a fazer então é entender que a realidade nem sempre é ideal como você a imagina. Ou colorida como alguém pintou. Comece aceitando-a como ela é, sem negá-la em tempo algum. Tente encontrar meios para sentir-se confortável com a realidade do jeito que ela é. Aceite que a realidade tem coisas boas e ruins e se puder, foque nas coisas boas. Provavelmente você jamais conseguirá mudar a realidade, mas sempre poderá mudar a forma como reage a ela.

Mas o mais importante é manter em mente que você pode aceitar a realidade, mas não precisa se conformar com ela. Pode e deve buscar formas de melhorá-la! É aí, com esse pensamento, que atuam os inovadores, os transgressores que quebram regras e mudam o mundo para melhor. Eles sabem como é a realidade e assumem o compromisso de mudá-la.

Mas cuidado para não se transformar em mais um “resistente”, o revolucionário de butique, o jovem dinâmico com a cabeça feita por algum dinossauro do século 18.

Bote sua energia em mudar a realidade para outra realidade possível! E não para transformá-la na realidade fantasma de alguém. Ou na Realidade Desejada de seus sonhos.

A realidade fantasma e a realidade desejada têm um puta problema.

Falta realidade nelas.

Para Lennon e McCartney
Lô Borges
Marcio Borges
Fernando Brandt

Porque vocês não sabem do lixo ocidental,
Não precisa medo, não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver

Porque você não verá meu lado ocidental,
Não precisa medo, não
Não precisa da solidão
Todo dia é dia de viver

Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês nem vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais

É assim, ao som de PARA LENNON E MCCARTNEY, de Lô Borges, Marcio Borges e Fernando Brandt que encerramos mais uma edição do Podcast Café Brasil.

Por que essa música está aqui, hein? Porque tem músicas que pedem pra entrar nos podcasts e esta é uma delas. Lô compôs a melodia durante um almoço com família e amigos, chamou Marcio e Fernando e os desafiou a compor uma letra ali, na hora. Os dois se trancaram em quartos separados e voltaram em minutos, com medo de perder a macarronada, com as duas metades da letra pronta. O nome foi dado porquê Lô disse que compôs pensando nas parcerias de John Lennon e Paul McCarney. Sacou? Essa música não tem nada a ver com nada. E é maravilhosa… às vezes a realidade é assim mesmo, uma colcha de retalhos incompreensíveis que, ao se juntarem, formam uma coisa maravilhosa chamada vida.

Com o cowboy Lalá Moreira na técnica, a estupefacta Ciça Camargo na produção e eu, este mestre de obras de realidades diversas, Luciano Pires na direção e apresentação.

Que tal? Hoje você sai daqui com os conceitos das Esferas Criminal, Política e Moral. E das realidades Fantasma e Desejada. Tem um monte de coisa pra pensar, não é?

Ah, e fica esperto aí, meu.

Rabo não é perna.

Estiveram conosco o ouvinte Xauã, Rubem Morales, Taviano e Zé Negão, Leo Canhoto e Robertinho, Elis Regina e o Três na Bossa.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café brasil? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/652

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, repito a frase que usei ao longo do programa

Mais importante que a realidade que nos choca, é nossa reação a essa realidade.