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Luciano Pires -
Download do Programa

Há quatro anos coloquei um apartamento à venda em Alphaville. É um ótimo apartamento de 63 metros quadrados que coloquei à venda por 420 mil reais na época, hoje está por 340 mil e não aparece ninguém pra comprar. Semana passada apareceu uma proposta. A pessoa perguntou se eu aceitaria um automóvel como parte do pagamento. Eu disse que sim. Ela então mandou a foto. Um Land Rover no valor de 300 mil reais.

Trocar um apartamento por um automóvel, cara? Como assim? E ontem, andando pelo Shopping, vi nas lojas camisas e bermudas por 500 reais… uma gravata por 700 reais! Pois é… mas essa minha perplexidade está aí do seu lado, em todos os momentos de sua vida. É um tal de valor subjetivo…

Bom dia, boa tarde, boa noite, você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Tem um vídeo muito interessante no Youtube, chamado Eu, o lápis. Eu vou começar o programa com o texto dele.

Este é o mundo em que vivemos. Se não estivéssemos cercados por ele todo dia, se não tomássemos como garantido, estaríamos chocados com toda sua complexidade e grandeza. Este é o comum e conhecido lápis de madeira. Você pode pensar que um lápis é simples, provavelmente você o tem usado desde antes de ter aprendido a ler ou escrever. Mas só porque é familiar, não significa que seja simples. Na verdade ele é complexo, elaborado, belo e elegante. Sua simples existência é improvável demais para qualquer pessoa compreendê-lo verdadeiramente. Esses são os materiais básicos que compões um lápis: grafite, madeira, metal e borracha. Mas se você tivesse todos eles elementos em sua frente, você seria capaz de fazer um lápis? Não é tão fácil quanto você possa imaginar. Na verdade ninguém na face da terra poderia fazer um lápis sem a ajuda de inúmeras outras pessoas. E isso é fundamental para entender o mundo.

Um lápis, assim como eu e você, é o resultado final de uma vasta e complexa árvore genealógica, uma sinfonia de atividade humana que se expande por todo o planeta. Através de seu conhecimento e trabalho, um grande número de pessoas teve participação na fabricação de um simples lápis. Diferente de sua árvore genealógica, a do lápis começa com uma árvore de verdade. O ancestral mais imediato de um lápis é uma árvore de verdade. Mas os lenhadores que cortaram a madeira também são seus ancestrais. E esses homens não trabalham sozinhos. Eles são ajudados por pessoas e indústrias que produzem serras, cordas e inúmeras outras ferramentas que eles utilizam. E essas ferramentas também são ancestrais do lápis, assim como a garçonete do restaurante local, que serve o almoço dos lenhadores. Sem falar nas centenas de pessoas envolvidas na produção dessa simples refeição. Através do tempo e do espaço, essa rede cresce. Considere as estradas, os caminhões, navios, sistemas de comunicação e as pessoas que os projetaram, construíram e os mantêm. Todos são necessários para transportar a madeira até as serrarias e as fábricas que a processam. Todos também são ancestrais do lápis.

Mas mesmo depois de todo o trabalho dessas pessoas, o que conseguimos é apenas uma tábua. Uma metade do corpo de um lápis. Mas a árvore genealógica do lápis é maior e mais vasta. O grafite é extraído em diferentes países, e na fábrica de lápis é misturado com argila, calor e outros materiais antes de ser extrudado, secado e cozido em um forno. Pessoas de diferentes continentes e culturas cooperam para reunir esses materiais, ceras, fornos e outros equipamentos de todo o mundo. Todos também são ancestrais do lápis.

Mas o lápis tem numa das extremidades uma borracha. O mesmo se aplica à ela. Com ingredientes de todo o mundo, a borracha é resultado final de um complexo e exótico processo que está num ramo da árvore genealógica do lápis. Assim como o anel de metal que prende a borracha, feito de materiais extraídos, refinados e transportados pelo mundo.

Cada parte do lápis é resultado da colaboração e cooperação de milhões de pessoas. Juntas, elas participam de um processo que muda e se adapta constantemente. A alteração da disponibilidade ou nos custos de um material em determinado lugar, pode tornar outro recurso mais desejável. E o processo muda e se adapta fluidamente. E o mais surpreendente: a ausência de uma autoridade central, de alguém dando ordens para todas essas inúmeras ações para trazer o lápis à existência. Cada membro dessa complexa árvore genealógica fornece apenas uma pequena quantia do conhecimento necessário para se fazer um lápis. E eles o fazem voluntariamente, não porque querem ou gostam de lápis, mas porque trabalhando para fazê-lo, eles trocam seu trabalho e suas habilidades por um salário que os permite comprar o que querem e precisam, inclusive o lápis

Essa rede complexa de interações é o mercado em funcionamento, a configuração espontânea da energia criativa de milhões de pessoas, de suas variadas habilidades e talentos organizados voluntariamente em resposta às necessidades e desejos humanos, como se guiada por uma mão invisível para atingir um objetivo.

A cada segundo de nossas vidas nos beneficiamos dos produtos da cooperação voluntária espontânea. Esse é o mundo moderno. É milagroso, é complexo e evolui a cada dia, desde que as pessoas sejam livres para interagir entre si. Se deixarmos a energia criativa dos homens livre de obstáculos, não haverá limites para o que conseguiremos alcançar.

Num outro vídeo muito conhecido do economista Milton Friedman, que é um fragmento do documentário e série de TV Free to Choose, Livres para escolher, que eu publicarei no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br,  Friedman completa: quando você vai a uma loja e compra o lápis, está trocando alguns minutos de seu tempo por alguns segundos do tempo daquelas milhares de pessoas. O que as reuniu e as levou a cooperar para produzi o lápis? Não houve um comissário emitindo ordens de um escritório central. Foi a mágica do sistema de preços, a operação impessoal dos preços, o que os reuniu e os fez cooperar para produzir o lápis, para que você possa tê-lo por uma quantia insignificante. É por isso que o funcionamento do mercado livre é tão essencial, não apenas para promover eficiência produtiva, mas ainda mais, para promover harmonia e paz entre os povos do mundo.

A música da introdução deste programa chama-se Villa Borghese la ragazza, e agora você está ouvindo a Bachianinha nº 1, de Paulinho Nogueira, com ele e o Toquinho.

Existe um livro precioso chamado Princípios de Economia Política, escrito por Carl Menger, que foi publicado em 1871. É uma obra revolucionária ao apresentar uma abordagem inovadora para a análise da economia. Para quem não é do ramo, é obra excelente para introdução ao raciocínio econômico. Você sabe quanto custa o e-book na Amazon, hein? Seis reais e sessenta cinco centavos. Você ouviu? vou repetir aqui: SEIS REAIS E SESSENTA E CINCO CENTAVOS.

– Ah, Luciano, mas eu não tenho leitor de e-books!

Cara, baixe o aplicativo Kindle na Amazon. É gratuito. Com ele seu laptop, computador ou celular vira um leitor de e-books!  E você pode ler dezenas, centenas, milhares de livros gratuitos ou por um custo insignificante. Não tem mais desculpa não.

O livro de Carl Menger está na raiz da Escola Austríaca de pensamento econômico e Ludwig Von Mises e Friedrich Hayek elaboraram melhor as ideias de Menger. Eu preciso fazer um Café Brasil sobre a Escola Austríaca, viu?

Olha! Menger ajudou a compreender as bases da Teoria da Utilidade Marginal, que refutou a teoria do mais-valia, o valor-trabalho, de Karl Marx. Sim, essa mesma na qual seu primo e o professor de história acreditam. Eu não vou entrar em detalhes sobre essa refutação, isso precisa de um programa inteiro. Vou aqui refletir sobre como Menger trabalhou a noção de bens materiais e imaginários.

Um bem é algo que tem utilidade para satisfazer alguma de nossas necessidades. Para ficar no exemplo do programa, um lápis é um bem que me satisfaz a necessidade de desenhar meus cartuns. O lápis é um bem material, consigo pegá-lo na mão, observar seus atributos e calcular seu valor com base na matéria prima utilizada, na tecnologia empregada na fabricação, na origem, na marca, etc.

Um bem imaterial é diferente. A qualidade do bem imaterial são propriedades que imaginamos.

“Fala Luciano Pires. Bom dia, boa tarde, boa noite. Quem está falando aqui é Juliano Ribeiro, sou de Recife, Pernambuco, músico e compositor e, apesar de ser um ouvinte há quase dois anos e me deliciar muito com os seus episódio sobre música, foi com esse episódio Despacito que eu resolvi mandar uma mensagem pra você, primeiro porque é muito engraçado como a gente é impactado por canções que são hit e, automaticamente, nossa ação né, reação a isso é, de repente, ignorar os grandes sucessos por causa de baixa qualidade musical e tal. E você mostrou um pouco isso, que às vezes não é… a música não é ruim, é o jeito que ela foi colocada, que ela é exposta, que ela é exageradamente executada é que termina causando essa repulsa, de alguma forma.

Mas o meu link com esse episódio diretamente, é que eu sou compositor e tenho um projeto chamado A música da sua vida, que eu componho músicas com as histórias das pessoas. É um serviço que, além de eu compor, escrever uma letra e uma música com a história, é uma música que tem a ver com o gosto musical da pessoa e eu entrego uma música produzida, gravada e finalizada pra ser executada aí em festas, em momentos especiais enfim.

E o link que as pessoas me perguntam muito que eu fiz com o teu episódio, é que muitas vezes você tem que escutar as referências da outra pessoa, no caso do meu cliente, não necessariamente seriam músicas que eu goste, que eu teria na minha playlist, então essa abstração do gosto musical pra tentar fazer uma avaliação da música e porque aquela música toca aquela pessoa, tocou aquela pessoa em algum momento, é que é muito prazeroso nesse meu trabalho.

Quando eu entrego uma música escrita a letra com a história da pessoa, é muito impactante emocionalmente. Mas, se a música não for boa, se ele não se conectar com a música, se o tipo, o estilo a harmonia, os caminhos melódicos não forem o gosto dele a letra, às vezes ela não conecta, ela não causa o impacto emocional que eu gostaria de causar.

Esse episódio me fala muito disso. Quando você tira a música daquele contexto de arranjo e coloca ela numa coisa que é mais prazerosa pra você, aquilo já fica muito mais gostoso, a letra já fica mais… audível, vamos dizer assim. Então, muito legal a sua avaliação, especificamente de Despacito, porque é um fenômeno mundial, mas é muito importante as pessoas perceberem isso, que aquela música, aquela letra, de repente sera, num outro contexto musical, num outro arranjo, numa outra forma de estrutura de harmonia e melodia, causa um impacto diferente.

É muito gostoso pra mim ter isso como trabalho, entregar essa emoção pras pessoas através da música, não só da letra que é a história dela mas, através da música também. Então, esse entendimento do universo musical da pessoa pra escrever uma canção que impacte musicalmente é muito gostoso pra mim, um desafio a cada novo cliente.

Então, continue aí com essas suas avaliações musicais belíssimas, ricas e levando um pouco de conhecimento nessa área que é tão linda que é você ter a música como parte do seu dia a dia. O seu podcast é incrível, o papel da música, como muitos falam também aqui, é incrível, então não podia deixar de parabenizá-lo por isso e agradecer também pelo seu empenho, pelo seu cafezinho. Vida longa, meu amigo.”

Rarararara… que legal, Juliano. Você fala do valor subjetivo, meu caro. Quanto vale a emoção que uma música, mesmo ruim, causa na gente, pois ela foi a trilha sonora de um momento importante de nossas vidas, hein? É um valor imaterial, que não tem nada a ver com os instrumentos usados ou com a composição em si, mas com a experiência que nós vivemos. É disso que estou falando neste momento…

Olha. Quem ficou interessado, o site do Juliano é o amusicadasuavida.com.br.  Dá uma olhada lá, cara! E é um barato…

Muito bem. O Juliano receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para [email protected].

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano –  Lalá, na hora do amor, qual é o bem material que você mais valoriza?

Lalá – Ah, uns cinco preservativos Prudence…. pelo menos….

Você ouviu, hein? A qualidade do bem imaterial são as propriedades que imaginamos. Olha só, estou falando de ideias de mais de 150 anos atrás, que já tratavam daquilo que aquele seu professor ou palestrante genial falou na semana passada, usando o Google, a Apple, a Uber e Elon Musk como exemplos…

Então vamos lá: para ser um bem, tem de haver uma relação de causa e efeito entre a coisa e o atendimento de uma necessidade humana. Entre o instrumento lápis e minha habilidade de fazer um desenho. Essa relação de causa e efeito, tem um nome mais bonito: é o nexo causal. E esse nexo pode ser direto, indireto ou futuro. Preste atenção nisso!

Digamos que todo mundo passasse a usar tablets para desenhar. Ninguém mais precisará de um lápis. A demanda por lápis desaparece e toda aquela cadeia de produção que eu comentei antes, desaparece. Até a moça da lanchonete da madeireira vai sofrer as consequências. Sacou? Acabou a necessidade humana, não existe mais nexo causal. O bem dançou.

O nexo causal estava lá atrás quando um homem das cavernas trocou seu tacape de osso por umas frutas que o vizinho colheu. E continua hoje, quando você assina a Amazon Prime para assistir a nova série. Mais: o desenvolvimento cultural e tecnológico da humanidade é quem está mudando sua cabeça numa evolução de nexo causal. Você está deixando de querer comprar um automóvel, o bem que resolve sua necessidade de deslocamento, para usar o Uber. O bem automóvel, que ocupa um baita espaço na sua garagem, está sendo substituído por um aplicativo, o bem que não ocupa nada, só um pedacinho da memória do seu celular. E os dois resolvem sua mesma necessidade: levar você de onde você está para onde você quer estar.

Você não compra mais CDs, os bens materiais que resolviam sua necessidade de ouvir música. Agora você assina o Spotify, que não dá pra pegar, é outro aplicativo dentro de um celular. Você está refinando a cada dia seu conhecimento sobre o nexo causal, mudando o eixo do antigo “possuir” para o “usufruir”. E aí aparece uma realidade que explode nossas cabeças…

A quantidade de lápis que poderiam ser produzidos no mundo é limitada. Um dia acabariam as árvores, acabaria o grafite, acabaria a matéria prima, que é finita. Mas a quantidade de arquivos de uma música dos Beatles que pode ser, entre aspas, “produzida” é ilimitada. A quantidade de exemplares poderia ser impressa de um determinado livro é limitada. A de e-books é infinita.   

Menger, que nem sonhava com e-books, discorre sobre o valor de um bem econômico, que aumenta conforme sua limitação. Quanto mais limitado, mais escasso, mais caro. Se for ilimitado, não vale nada.

É por isso que você recebe a todo momento um e-mail com uma oferta de um curso em vídeo e e-book, que só vai até a meia noite, e que só tem cem vagas! Uma tentativa desesperada de pegar um bem ilimitado (o arquivo do e-book ou do vídeo) e dar-lhe a aura de algo limitado, que será para poucos e acaba à meia noite. Sacou?

E aí começa uma doideira, que é tentar entender o que que aconteceu com os conceitos de utilidade e de valor. Vale mais quanto menos tem. Mas e quando tem à vontade? Quanto vale o ar que você respira? Não tem preço, não é? No entanto, você não paga nada por ele… Mas lá, escalando o Everest, com a vida em risco por causa do ar rarefeito, o montanhista pode pagar 100, 200, 300, 500 dólares por um cilindro de oxigênio.  E aí, meu caro, o valor não tem a ver com o cilindro, com a matéria prima, com a quantidade de oxigênio, mas com o juízo que as pessoas fazem sobre sua importância. Sacou?

Os bens têm valor de acordo com a consciência que você tem deles. Você pode comprar um lápis por centavos na papelaria da esquina. Ou pagar, feliz da vida, cinquenta, oitenta reais, por um modelo importado da França. É você que dará valor ao bem.

Me lembro que cerca de oito anos atrás, uma montadora asiática que atua no Brasil reuniu a imprensa para apresentar um novo veículo. Com um design revolucionário, o preço anunciado foi entre 75 e 80 mil reais. Os veículos eram importados, e alguns dias depois a empresa recebeu a notícia de que a quota de veículos que viriam para o Brasil fora reduzida pela matriz pela metade. Aumentaram então o preço para algo entre 85 e 90 mil reais. Sabe o que aconteceu? Formou-se uma fila de consumidores à espera do novo carro. E o preço foi aumentado novamente, para mais de 95 mil reais. A fila? Continuou. Um jornalista então fez uma pergunta para um executivo da empresa: escuta, se anunciaram que o veículo seria vendido por menos de 80 mil, qual a razão de manterem o preço em quase cem mil? E a resposta foi assim:

– Meu caro, se vendendo por quase cem mil reais temos fila de espera, por que baixar o preço?

Essa história envolve a teoria do valor subjetivo: quem determina os preços dos produtos são os consumidores. São eles que dão valor às coisas, o que é muito diferente do preço. O motoboy que se sacrifica, gastando parte considerável de seu salário para realizar o sonho de ter o iPhone da hora é quem faz o iPhone custar o dobro no Brasil em relação aos EUA. Quem faz o novo game da Sony custar o triplo do que custa lá fora são os consumidores. Quem faz um automóvel simples custar no Brasil o preço de um automóvel de luxo lá fora, são os consumidores. 

Ah Luciano, mas e os impostos? Estão lá sim, altíssimos, são exorbitantes, mas só explicam um terço do preço. E continuamos a acusar as empresas que fabricam os produtos de estarem “nos roubando”. Cara! Bobagem. Os marqueteiros das empresas conhecem a teoria do valor subjetivo e adotam o preço que você aceita pagar. Sacou?

O preço que você aceita pagar. Quem mandou aceitar?

Você quer ver a doideira? Leve esse conceito ao mercado da arte. Diante da beleza de um quadro, você decide compra-lo. E o preço do quadro não é determinado pela quantidade de tinta ou tempo que o artista levou para pintar. É pela beleza, pelo conceito do artista, pela importância da obra… pelo talento do artista. Pegue aquele lápis que você conheceu no início deste programa. Dê para o Luciano Pires fazer um rabisco. Depois dê para Pablo Picasso fazer outro rabisco. Aí tente vender os rabiscos. O rabisco do Luciano, não vale nada. O rabisco do Picasso, vale milhões. Sacou? O valor não está no lápis, no papel, mas naquele bem intangível, o talento, a fama, a importância do artista que usou o lápis. Por isso você vê de quando em quando a notícia de que um quadro foi vendido por cem milhões de dólares.

Quando viajei pra Itália, eu tinha o sonho de tomar uma cerveja olhando para o Coliseu Romano. E fui lá fazer isso, claro. Sentei num restaurante com as mesinhas para fora, com aquele monumento histórico diante de mim e pedi a cerveja. Eu havia pago na noite anterior cerca de 5 euros por um copo num restaurante. A cerveja diante do Coliseu me custou 9 euros. NOVE EUROS.  QUARENTA REAIS POR UMA PORRA DE UM COPO DE CERVEJA!

Pois é… Mas eu não estava pagando pela cerveja dentro do copo. Eu estava pagando pela experiência, pela vista do Coliseu, pelo prazer daqueles minutos únicos. Não havia outro lugar como aquele no mundo. Por isso paguei com gosto. Tirei foto da nota fiscal e trouxe comigo. E quer saber de uma coisa? Eu pagaria outra vez.

Olha só, você já sabe que a Nakata fabrica bens materiais, como autopeças para veículos leves, pesados e motos, não é? Mas eles também sambem o valor dos bens imateriais e mantém um blog com dicas para ajudar você a cuidar bem do seu carro e economizar na manutenção. E com dicas técnicas para o seu mecânico. E vão mais longe, viu? Se você se cadastrar no blog.nakata.com.br com um comentário em qualquer post dizendo que chegou lá pelo Café Brasil, concorrerá todo mês a um curso na Udemy. Um bem imaterial.

A Udemy é um ambiente virtual para ensino e aprendizado, que conecta alunos de qualquer lugar aos melhores instrutores ao redor do mundo. Eles têm milhares de cursos e o ganhador poderá escolher qualquer um até o valor de 250 reais.

Que tal, hein ? blog.nakata.com.br.

Tudo azul? Tudo Nakata.

Muito bem… tudo começou com um lápis, um simples lápis, pra gente ver a maravilha do mercado. É assim que ele funciona. É resultado da interação entre milhões de pessoas que não moram no mesmo lugar, não falam o mesmo idioma, não têm a mesma religião e poderiam até se matar de se encontrassem. O mercado não obriga você a consumir nada, mas trabalha no subjetivo, onde o marketing cria necessidades, pega até mesmo um produto que é infinito e cria a percepção de que é limitado, escasso. E bota você na posição de pagar o preço que for pelo bem que vai acabar. Hoje à meia noite.

Mas o mais interessante é que onde o valor é subjetivo, a forma de determinar esse valor também é! Você acha que uma bermuda pode custar o preço de uma geladeira, hein? Uma gravata pode custar o preço de um televisor? Ah, você acha que eu tô exagerando? Cara! Vai dar uma voltinha lá no shopping Iguatemi, meu caro.

Mas ninguém vai obrigar você a comprar aquela gravata. Ninguém vai obrigar você a pagar oito, nove mil reais no iPhone mais recente. Você pagará conforme o valor subjetivo, sem ser coagido, sem violência. Você fez uma análise e concluiu que aquele ajuntamento de plástico, vidro e solda resolverá suas necessidades e, portanto, vale nove mil reais. E como comprou e 24 parcelas, diluiu o arrependimento a doses homeopáticas.   

Aquarela
Vinícius de Moraes
Toquinho

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva norte e sul
Vou com ela, viajando, Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo
E se a gente quiser ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (que descolorirá)
Que descolorirá
Que descolorirá

Muito bem, vamos saindo assim, ao som de AQUARELA, o clássico de Toquinho e Vinícius, aqui com o Toquinho. Aliás, os violões que você ouviu ao longo do programa eram Paulinho Nogueira e Toquinho, dois artistas espetaculares que mostram que talento, não tem preço…

Sacou agora porque aquela Land Rover vale um apartamento? Tire o “Land”, tire o “Rover” e você provavelmente terá apenas um jipe metido a besta por um terço do valor. O mercado é o resultado da interação entre milhões de pessoas. Acontece em qualquer lugar onde existir liberdade. E quem dá o valor ao produto, e por consequência o preço, é você! Que é livre para não comprar. Qualquer coisa diferente, não é mais livre mercado.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí ó, completando o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration. Então acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/661.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Fernando Pessoa, que cai como uma luva aqui, cara.

Tudo vale a pena se a alma não é pequena.